Posts com Tag ‘Perdão’

Eu matei um homem1Vivemos uma contradição muito interessante. Somos cristãos, o que significa que abraçamos a religião da graça (pois o cristianismo é a única crença religiosa do planeta em que a salvação não depende do homem, mas de Deus, que age movido por amor e compaixão). Por outro lado, temos uma forma de enxergar os erros do nosso próximo de forma quase implacável. Quanto mais fios brancos nascem na minha cabeça, mais claramente percebo o coração extremamente perdoador do Senhor em oposição ao coração pouco perdoador dos homens. Em nome do amor a Deus sobre todas as coisas acabamos por não amar nada o próximo como a nós mesmos. Diga, por favor, se estou errado: muitas vezes você admira um certo cristão e, no dia que descobre que ele cometeu um pecado considerado grave, passa a não enxergá-lo mais do mesmo modo. Deus pode tê-lo perdoado décadas atrás, mediante seu arrependimento, mas, ainda hoje, sussurramos sobre aquele pecador num tom nada gracioso. Não é o que acontece? A questão é que, se agimos dessa maneira, não nos conformamos à imagem de Cristo e procedemos com nosso próximo de maneira nada diferente do mundo. Decidi conduzir você à reflexão sobre isso de um modo extremamente doloroso para mim. Se está lendo este blog, é porque você enxerga em quem aqui escreve algum tipo de virtude cristã. Então tomei a decisão de confessar publicamente um pecado hediondo que cometi, e gostaria de ver se, diante disso, você continuará lendo o APENAS, se deixará de ser assinante do blog, se passará a ver o que escrevo com desconfiança. Acredite, não é nem de longe fácil para mim expor esse meu pecado, mas, se vai ajudar a levar você a uma meditação que o fará aproximar-se mais do modo divino de ser e o tornará um praticante mais ativo da graça… vale a pena.

Pois bem, a verdade é que eu já matei uma pessoa.

É muito difícil expor isso. Por motivos óbvios, não saio por aí dizendo às pessoas que cometi esse crime, que me marcará para o resto de meus dias. Levarei essa marca na alma até o dia de minha morte, pois cometi o chamado homicídio culposo – o que é cometido sem a intenção de matar. Fato é que um homem deu seu último suspiro porque o assassinei, e ter ou não a intenção original não muda este fato: eu tirei a vida de um ser humano. Se eu dissesse isso de cara, possivelmente você não leria um único post deste blog, pois eu me tornaria um desqualificado para falar das coisas de Deus, minha única definição aos seus olhos seria assassino.

Eu matei um homem0Estou usando de uma sinceridade que, acredite, não é nada fácil para mim. Seria mais conveniente continuar mantendo esse crime do meu passado oculto e seguir falando e escrevendo sobre as coisas de Deus sem que você visse em mim o que realmente sou – um assassino. Confessar isso pela internet exige muito, me faz sofrer, traz lágrimas aos meus olhos. Mas senti que chegou a hora de abrir esse pecado. Em troca, tudo o que peço é que você use da mesma sinceridade e diga: saber disso muda a forma como você me vê? Saber que pequei contra o sexto mandamento me desqualifica aos seus olhos? Até que ponto você é capaz de me ver como um igual tendo conhecimento de que levei um ser humano à morte? Em que medida consegue enxergar o perdão de Deus sobre a minha vida e continuar a ler o que escrevo sem passar a ver minhas palavras como água que brota de uma fonte contaminada, estragada? E – o mais importante de tudo – o que a percepção sobre a forma como você passará a me ver a partir da leitura deste texto levará a você a pensar, à luz da Bíblia, sobre a graça que existe no seu coração?

Muita coisa aconteceu depois que tirei a vida daquele homem. Fui restaurado, pequei de novo, me arrependi de novos erros, pequei novamente e sigo nessa caminhada – transgredindo, acertando, escorregando, me levantando, me esforçando para não errar mais. Mas nada apagará o fato de que um ser humano foi morto pela minha mão. Agora você entende por que poucas coisas me entristecem tanto como ver irmãos em Cristo agindo de modo impiedoso com pecadores arrependidos – pois eu mesmo sou um pecador arrependido. Mais ainda: um terrível pecador arrependido.

A falta de entendimento bíblico sobre a graça, a misericórdia e o perdão gerou uma situação tão grave que muitos não perdoam nem a si mesmos, por causa de erros que cometeram no passado – embora Deus já os tenha perdoado. Outros tantos não conseguem estender perdão àqueles que pecaram. Como um pecador perdoado, não tenho como não me entristecer ao ver tanta gente imperfeita enterrando tanta gente imperfeita. Desqualificando. Segregando. Pondo o dedo no nariz. Acusando. É por isso que, de vez em quando, volto no APENAS ao tema do perdão – pois, apesar de ser um dos fundamentos do evangelho, graça é algo tão pouco posto em prática em nossos dias. Tão pouco…

Eu matei um homem00Devemos odiar o pecado com todas as nossas forças, não nos conformar com ele, pregar contra ele, exortar os irmãos que sabemos estar praticando pecados dos quais não se arrependem. É o que a Bíblia manda e ponto final. Mas também devemos odiar a impiedade hipócrita daqueles que só sabem acusar e não enxergam a trave do tamanho de um campo de futebol que ostentam em seus olhos. O pecado me enoja. Meu pecado me enoja. Mas também me enoja a postura que costumo chamar de “nazismo espiritual”: gente que, em defesa da santidade, esquece as próprias iniquidades e promove uma “limpeza étnica”, pondo aqueles que considera “mais pecadores” do que si mesmos (isso existe?) em um gueto de impiedade, num campo de concentração de acusações,  num paredão de falta de misericórdia, numa câmara de gás de falta de graça. Até acredito que fazem isso com boas intenções, por falta de instrução bíblica ou de amor, mas não podemos deixar isso passar sem nos esforçarmos por levá-los a ver como Cristo vê.

Jesus mesmo disse, “Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (Lc 7.47). Eu  sei que meus muitos pecados foram perdoados e por isso minha gratidão ao Senhor não tem fim. Sei que o assassinato que cometi não pesa mais sobre mim, por isso banho os pés de Cristo com minhas lágrimas e os enxugo com meus cabelos. Mas, infelizmente, sou obrigado a conviver diariamente com a triste visão de irmãos em Cristo que odeiam a graça e amam pisar em pecadores. Uma igreja formada por gente assim não é a que vai morar no céu. É humana, carnal, pecadora e – literalmente – des… graçada.

Eu matei um homem2Por favor, faça uma análise de suas atitudes. Como você age quando sabe que um irmão cometeu um pecado que o escandaliza, mas do qual se arrependeu? Compare sua postura com a que acredita que Jesus teria. Seria a mesma? Precisamos estudar mais sobre o que a Bíblia fala sobre o perdão, a misericórdia, a graça. Temos urgentemente de compreender a razão de Jesus ter encarnado e se oferecido na cruz. É indispensável olhar para o Cordeiro pendurado no madeiro e sempre, sempre, sempre perceber que, ao lado dele, há um bandido arrependido ouvindo dos lábios do Salvador: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 23.43).

Resgate pecadores, não os afunde ainda mais na lama. Ame pecadores, assim como o Senhor ama você, pecador. Eu me tornei uma pessoa muito mais graciosa no dia em que percebi – em meio à minha própria impiedade agressiva, miserável e sem misericórdia – que não sou melhor do que ninguém. Você é?

Confesso publicamente: eu matei um homem. Sou um assassino. Ele perdeu a vida por minha causa. Seu nome é Jesus de Nazaré.

A boa notícia é que ele ressuscitou e nenhuma condenação há para aqueles que nele estão. Uma Páscoa abençoada para você, que matou a mesma pessoa que eu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

adoteumpecador1Você já deve ter visto na televisão anúncios de organizações que estimulam você a apadrinhar crianças pelo mundo inteiro ou a ajudar instituições humanitárias de auxílio medico em regiões de pobreza extrema. São entidades como Action Aid, Médicos sem Fronteiras ou Visão Mundial, que fazem um trabalho maravilhoso de amor pelo próximo. Você contribui com trinta a cinquenta reais por mês e ajuda pessoas desnutridas, doentes ou carentes a melhorar de vida, estudar, ter auxilio médico, encontrar dignidade. Fiquei pensando sobre a ação dessas belíssimas organizações e me inspirei para propor uma campanha. Assim, lanço hoje a Adote um pecador.

A diferença entre essa minha campanha solitária e as dessas instituições é que ela funciona em moldes diferentes. Em vez de você doar um pouco de dinheiro mensalmente e deixar que os integrantes desses grupos ponham a mão na massa para auxiliar os carentes, doentes e necessitados, minha proposta não vai lhe custar nem um centavo. Também não vai exigir ações mensais. Na verdade, vai requerer de você muito mais: o seu coração.

O alvo de nossa campanha é alguma pessoa que você conheceu, que pertencia a alguma igreja e hoje não pertence mais. Mas não qualquer um, tem de ser um indivíduo com perfil específico: alguém que cometeu um ou mais pecados do tipo que os cristãos costumam considerar – sabe Deus por quê – mais graves do que os outros e que por isso foi discriminado dentro da igreja, oprimido pelos irmãos e que, diante de tanta falta de amor, acabou se afastando da família de fé.

Vou ajudar você a se lembrar de alguém: em geral, são pessoas que cometeram pecados sexuais (pode até mesmo ser um pastor que adulterou); que se divorciaram sem a bênção da igreja; que não conseguiram abandonar a dependência química por álcool ou outras drogas; gente que foi vista em algum ambiente “pecaminoso”, como uma boate, o samba ou o baile funk; indivíduos que cometeram algum tipo de delito que os levaram a ser humilhados publicamente, talvez até conduzidos à frente da igreja para serem expostos em suas transgressões diante dos demais. Perceba que não estou entrando pelo mérito do pecado em si (se é pecado, é pecado e ponto) nem passando a mão na cabeça da transgressão. Meu foco é o que nós, a Igreja de Jesus Cristo, fizemos com essa vida após o pecado. Pois bem, a pessoa que é o alvo dessa campanha deve ser alguém que, além do estrago causado pelo próprio pecado, tenha sido ainda mais prejudicada pela forma discriminatória ou humilhante da qual os irmãos em Cristo a trataram ao tomar conhecimento de suas falhas. Essas são as almas que desejo alcançar com a campanha Adote um pecador.

adoteumpecador2E como ela funciona? Em vez de doar seu dinheiro, você vai doar seu coração e seu tempo. Primeiro, proponho que você ou um grupo de irmãos da igreja partam ao encontro dessa pessoa – em sua casa, no trabalho, na escola, nas ruas. Não é só dar um folheto não. É sair do seu conforto e ir até ela, onde ela estiver, como o bom pastor da parábola foi até a ovelha perdida. Quando a encontrar, você vai lhe dar amor. Abrace-a. Chore com ela. Peça perdão em nome da igreja inteira por, em vez de ajudá-la a ficar de pé após o pecado, tê-la afundado ainda mais na lama mediante a segregação, os olhares tortos, a falta de tato, a desumanidade. Deixe claro que ela é importante. Por fim, fale do amor de Cristo. Diga-lhe que Deus perdoa todos os pecados mediante arrependimento, que ela é extremamente bem-vinda no seio da igreja do Senhor, que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus. Dê-lhe um beijo, um abraço apertado e… vá embora.

adoteumpecador3E atenção, pois este é um ponto fundamental da campanha: não convide essa preciosa alma para ir à igreja. Nem mesmo toque no assunto. O objetivo é dar amor, trazer perdão à tona, viver o evangelho junto com ela. Demonstrar bondade. Amabilidade. Carinho. Afeto. Cristo. Se ela achar que você a procurou apenas para voltar a frequentar cultos, tudo estará perdido. A finalidade é que ela se sinta acolhida, perdoada, querida, importante. É dar-lhe o senso de humanidade e de comunhão que a discriminação que sofreu roubou dela. Tenho certeza de que, se ela voltar a enxergar a família de fé como uma família de fato, mais do que um grupo de carrascos da inquisição, tornar a frequentar o ambiente eclesiástico será uma consequência natural. Mas será uma consequência, não a causa. Triste igreja é aquela que tenta trazer pessoas para tornar-se uma frequentadora de cultos, em vez de um membro amado e perdoado do Corpo de Cristo. Dê amor a ela, sem esperar nada em troca. O resto ficará por conta do Espírito Santo.

A campanha está lançada. O blog APENAS tem na data de hoje quase 2.400 assinantes, que somam-se a uma média de 11 mil acessos semanais. Isso significa que mais de 13 mil pessoas lerão este post apenas na primeira semana de sua publicação. Imagine se cada uma dessas 13 mil partirem em busca de um pecador. Seriam 13 mil seres humanos, abandonados e segregados devido a pecados que cometeram, que receberiam amor e graça da parte de irmãos em Cristo. E, se você repassar este texto para pelo menos um conhecido e ele decidir adotar um pecador, já seriam 26 mil indivíduos que visualizariam, na prática, o amor de Cristo em sua vida por meio de irmãos. Elas deixariam de ver a igreja como um antro de inquisidores e passariam a enxergar os cristãos como gente que ama, perdoa, acolhe e vive de fato o que a Bíblia diz. Eu ouso até sonhar mais alto: imagine que cada uma dessas 26 mil pessoas chamasse mais três irmãos para também adotar um pecador. Se isso acontecesse, alcançaríamos 100 mil indivíduos feridos, machucados e oprimidos dentro das igrejas que teriam um vislumbre da graça da cruz de fato em sua vida. Tremo só de imaginar.

Eu tenho esse sonho. E é um sonho bom de se sonhar – pois é bíblico e mira no epicentro da nossa fé: amor, bondade, perdão, reconciliação, restauração. Se meu sonho vai se tornar realidade ou não… depende única e exclusivamente de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

odio0Gostaria de fazer uma pergunta objetiva e pediria que você respondesse a si mesmo com toda sinceridade: você sente uma aversão inveterada e absoluta por alguém, ou mesmo raiva, rancor, ou antipatia? Pense com calma. Lembre-se dos indivíduos que você conhece e por quem nutre um desses sentimentos. Imagine na sua mente o rosto dessas pessoas. Já fez isso? Se não fez, por favor, não prossiga a leitura antes de fazer. Traga à lembrança aqueles por quem sente – repito – aversão inveterada e absoluta, raiva, rancor, ou antipatia. Pois bem, agora que você fez esse exercício, permita-me dar uma informação: “Aversão inveterada e absoluta; raiva; rancor; antipatia” são, no dicionário, exatamente o que significa… ódio. Portanto, se você conseguiu pensar em pessoas por quem tem um ou mais desses sentimentos, você odeia.

Sim, nós odiamos até mesmo alguns irmãos em Cristo. Na esmagadora maioria das vezes, temos sempre uma boa justificativa para essa postura. Para começar, dizemos que não é ódio, mas zelo, precaução, necessidade de manter a distância… seja lá o modo que inventemos para explicar nosso ódio, ele continua sendo ódio. E isso precisa ser trabalhado. Por quê? Veja o que diz o apóstolo João: “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1Jo 2.9-11).

odio2Que coisa séria e triste… Percebeu o que a Bíblia está dizendo? Que cristãos (sim, cristãos, repare que João se refere ao ódio a um “irmão”) que odeiam estão cegos e caminham em trevas. Essa é uma condição lamentável para um filho de Deus. Justamente porque as Escrituras contrapõem esse ódio ao amor – que é o maior mandamento. A conclusão é que, se nutrimos o sentimento de ódio por uma ou mais pessoas, estamos caminhando fora da vontade divina e nos identificando mais com as trevas do que com a luz.

Bem, e o que fazer? Muitas vezes esse ódio foi fruto de feridas muito profundas que outras pessoas nos causaram e é muito difícil administrar o ressentimento que esses machucados na alma provocaram. Ninguém odeia alguém de graça, o ódio é sempre consequência de algo ruim que fizeram contra nós ou contra terceiros e que nos provocou revolta. Nessas horas, temos de combater o ódio com a arma mais magnífica que Deus nós deu: o perdão. Perdoar a ofensa que nos levou a odiar. Pois o exercício do perdão é uma das maiores demonstrações de um coração que ama.

Deus amou o mundo de tal maneira que se fez como um de nós para morrer e ressuscitar e, assim, nos conceder perdão. Isso foi possível porque não há espaço no coração de Deus para o ódio. Por ter e ser tanto amor, o Senhor pede ao Pai o perdão dos pecados de seus executores. Só um coração transbordante de amor perdoa a mulher adúltera, Zaqueu, Mateus e outros indivíduos que se fizeram odiosos. Como eu e você.

odio4Assisti a um documentário que mostra a história de uma jovem estuprada e assassinada pelo próprio cunhado. Ao final, a mãe dela, compreensivelmente devastada e arrasada emocionalmente, diz em entrevista que jamais perdoará o criminoso. “Eu odeio esse homem, não posso nem olhar para ele”, disse ela. Fiquei triste. Pois aquela senhora, vítima de tão terrível tragédia, não percebeu que a falta de perdão a fazia vítima de mais uma tragédia: a do ódio. O assassino andou em trevas e cometeu tão brutal pecado. E aquela pobre mãe acabou sendo arrastada para as trevas ao cultivar o ódio no seu coração. Oro a Deus que um dia ela seja capaz de perdoar o agressor, para que veja a luz e viva nela.

Sei que pode soar até mesmo cruel o que vou dizer, mas analise, por favor, se não está de acordo com a Bíblia: ao dizer que odeia o assassino, aquela pobre mãe equivale-se a ele. Ouça a Palavra de Deus: “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1Jo 3.15). Perdoar ou odiar? Independentemente de o perdão ou o ódio se dirigirem a um cristão ou não, temos diante de nós os dois caminhos. Aquela mãe fez sua escolha. Eu e você também temos de fazer a nossa.

É duro demais pensar em perdoar quem nos causou males tão grandes. Mas que outra alternativa temos? Se não o fazemos nos distanciamos do Crucificado e nos tornamos como os crucificadores. Como filhos da Luz, devemos andar nela, orar por quem nos fez mal, abençoar quem nos amaldiçoa, nadar na contramão de nossos próprios sentimentos. Só a negação de nós mesmos e a incorporação de Cristo é capaz de nos forjar à imagem do Ser perfeito.

Em um coração cristão só há espaço para poucos tipos de ódio, em imitação ao que Deus odeia. O ódio ao pecado. O ódio ao divórcio. O ódio à iniquidade. O ódio à vida neste mundo. O ódio à soberba.

E o ódio ao ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

pro1Se o Diabo tivesse um livro sagrado, acredito que nele haveria um versículo que diria: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer… depois de amanhã”. Digo isso porque o ser humano tem uma forte tendência a empurrar com a barriga decisões importantes que precisa tomar – o que, em se tratando de vida espiritual, é muito prejudicial. Por isso, devemos refletir e nos disciplinar para mudar essa estranha atração que temos pelo “deixar para depois”. A procrastinação (o ato de adiar ações ou decisões) torna-se, assim, um mal a ser combatido. Se você percebe que, na lista da sua vida, há mais itens na coluna das “coisas a fazer” do que na de “dever cumprido” é hora de acender a luz vermelha e tomar alguma atitude para reverter essa situação.

Claro que cada pessoa sabe em que precisa melhorar. Mas existem áreas de nossa vida em que o problema é mais comum e, por isso, merecem mais atenção.

pro2O grande mal de nossa época é a falta de amor ao próximo. Não é por acaso que o primeiro campo em que estamos sempre procrastinando é no exercício do amor – nas suas mais variadas formas. Existem multidões de pessoas ao nosso redor, na igreja e fora dela, que estão solitárias, carentes, tristes, deprimidas, infelizes, à espera de alguém que se aproxime com uma palavra amiga, um ombro acolhedor ou, simplesmente, com presença e calor humano. Nós, filhos de uma era em que só cuidamos de nós mesmos e, no máximo, de nossa família, fechamos os olhos a elas. Sabemos que existem, vemos seu semblante abatido, mas… o que fazemos por essas tristes almas? Ou delegamos a outras pessoas a tarefa de amá-las ou deixamos para depois tudo aquilo que poderíamos fazer por elas mas não fazemos. “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mc 12.30-31). Temos cumprido esse mandamento? Se você estivesse mal, precisando de amor, gostaria que o próximo ficasse adiando o momento de vir até você para abraçá-lo e perguntar: “Onde dói a tua dor?”. Então o que você está esperando para começar a amar o próximo de fato e não só de boca?

pro3Outra área em que falhamos de forma atroz é no compartilhar o amor de Deus. Estou falando de evangelismo. E esqueça aquele imagem de pessoas nas ruas abordando outras com folhetos nas mãos, essa é apenas uma das formas de evangelizar e nem de longe é a mais eficiente. Não existe nenhuma outra maneira mais eficaz de pregar o evangelho do que a proclamação do amor de Cristo junto àqueles que convivem conosco, no dia a dia, na convivência pessoal. Mas, seja por vergonha, seja por crer que há ainda tempo de sobra, seja por que razões for, aqueles que receberam a ordem de ir, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus nos ordenou (Mt 18.19-20)… simplesmente a ignoram. E, assim, por culpa de nosso espírito procrastinador, deixamos de cumprir a grande comissão. O problema é que, se não pregarmos, meu irmão, minha irmã, muitos irão para o inferno.

pro4Procrastinamos não só ações de evangelismo, mas também projetos de edificação no nosso próximo. De que forma você gostaria de contribuir para abençoar o Corpo de Cristo e os não cristãos? Visitando orfanatos? Indo a casas de repouso? Criando um blog na internet? Escrevendo um livro? Ensinando? Intercedendo? Voluntariado-se em alguma instituição filantrópica? Alimentando quem tem fome e saciando quem tem sede? Apadrinhando uma criança pela Visão Mundial? Construindo casas para os desabrigados? Como, afinal? Se você tem planos, sonhos ou vontades nessa área… o que está esperando? O próximo precisa de você hoje, não depois de amanhã. “Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

pro5Procrastinamos, ainda, o abandono dos pecados. Sabemos que estamos errados, o Espírito Santo nos incomoda diariamente, mas agimos como se disséssemos a Deus: “Senhor, me deixa pecar só mais um pouquinho, vai. Tá tão bom, amanhã eu me arrependo, peço perdão e deixo, tem tempo…”. O pecado é como um leão que devora a nossa alma constantemente, um pedaço por vez. Imagine a dor e o dano que provoca uma fera arrancando pedaços de você a cada dia. Mas procrastinar o abandono do pecado é como se pensássemos “Deixa esse leão comer mais um pouquinho do meu fígado, amanhã eu tento afastá-lo”. Chega a ser surreal cogitar isso. Mas é exatamente o que fazemos quanto ao pecado. O perigo é adiarmos tanto a expulsão dessa besta que, daqui a pouco, não sobrará nada da nossa carne – e sabe o que é um ser humano sem carne? Um cadáver. Jesus disse: “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado” (Jo 15.22). Até quando você vai continuar escravizado por pecados recorrentes e adiar o abandono das suas transgressões?

pro6Também procrastinamos o estudo das coisas de Deus. Queremos servir Jesus, amamos o Senhor, mas deixamos sempre para algum dia o aprofundamento na compreensão acerca de quem ele é, de qual é a sua ética e montes de informações que nos fariam cristãos mais maduros e íntimos de Cristo. Mas procrastinamos nossa entrada no seminário; deixamos sempre para o ano seguinte o plano de ler a Bíblia inteira; acumulamos pilhas de livros cristãos em cima do móvel. na expectativa de começar a ler no dia seguinte… estamos sempre priorizando outras atividades e deixamos o estudo das coisas concernentes a Deus para um futuro que nunca chega.

Uma das atitudes mais destrutivas espiritualmente é a hostilidade entre irmãos. A gravidade desse mal não está somente em seu poder destruidor, mas em sua frequência entre nós. pro8Irmãos em Cristo se ofendem, se agridem, se prejudicam, fazem o mal uns aos outros e fica tudo por isso mesmo. Seja por orgulho, seja por um entendimento errado acerca do perdão, seja por que razão for, muitos de nós criam barreiras entre si e vivem deixando para depois o ato de pedir perdão a quem ofendeu ou de perdoar quem o ofendeu. “Se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mt 5.23-24). Honestamente: qual de nós verdadeiramente faz isso de imediato? Adiar a reconciliação pode ter efeitos drásticos: “Se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mt 6.14-15).

pro7Mais uma área em que a procrastinação ocorre de forma espiritualmente prejudicial é na vida daqueles que foram chamados pela voz da graça, viveram em comunhão com o Senhor e, por alguma razão, se afastaram. Imersos nos prazeres deste mundo, nunca deixaram de saber a verdade, de ouvir a voz do Espírito Santo e de ter – lá no fundo – a convicção de que um dia retornariam ao aprisco do Bom Pastor. Mas ficam adiando, adiando, adiando e, nessa procrastinação, seguem distantes de Jesus. A quem procede assim, “Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.20). Jesus, aliás, foi bem enfático ao tratar deste ponto. Quando um jovem o abordou com a proposta de procrastinar sua adesão à causa de Cristo, veja o que ocorreu: “Outro discípulo lhe disse: ‘Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai’. Mas Jesus lhe disse: ‘Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos’.” (Mt 8.21-22).

Esses são apenas alguns exemplos de áreas comuns em que os cristãos têm o hábito de procrastinar. Há muitas outras e convido você a refletir sobre isto: o que você tem adiado em sua vida e que tem prejudicado sua caminhada com Cristo? Seja o que for, procrastinar é uma atitude que pode destruir almas, afastar pessoas de Jesus, nos manter na ignorância sobre as coisas de Deus, deixar vidas em ruínas e… e tudo mais que há de pior na vida espiritual de uma pessoa. É uma atitude humana, mas que age com o poder destruidor de um demônio furioso. Reflita que benefícios e que malefícios esses constantes adiamentos têm provocado.

“A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida” (Pv 13.12). O desejo de Deus é que você não adie aquilo que é importante para ele. Será que você cumprirá o desejo do seu Senhor?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Sexo1Quantos tipos de pecados existem? Serão dezenas, centenas, milhares, milhões? Confesso que não sei ao certo, mas uma certeza tenho: são muitos. Muitos mesmo. Isso é curioso, porque, embora existam tantas e tantas e tantas formas de desobedecer a vontade de Deus, parece que concentramos nossa atenção em um pequeno punhado delas. Veja se estou errado: o que escandaliza a esmagadora maioria de nós são atitudes como embriaguez, fumo, consumo de drogas, envolvimento em programações consideradas pecaminosas (boate, bailes, carnaval, shows etc.) e aquilo que pomos no pináculo dos pecados: práticas sexuais ilícitas. Tudo o que é pecado é pecado, logo, não podemos ignorar o quanto qualquer uma dessas atitudes pecaminosas é tóxica para nossa alma nem diminuir a gravidade de qualquer uma delas. Mas o que me chama a atenção é como desenvolvemos o hábito de pôr no paredão apenas um pequeno grupo de transgressões – em especial, os pecados sexuais, considerados por muitos como piores do que a blasfêmia contra o Espírito Santo – quando existem dezenas, centenas, milhares ou milhões. Será que a eleição do sexo ilícito no imaginário popular como a pior de todas as transgressões tem alguma implicação? Tem sim, e são implicações sérias.

Sexo2Acabei de ler um livro em que, em síntese, o autor expõe sua visão do que faz um sacerdote ser bem-sucedido, ou seja, o que seria sucesso no ministério. É uma obra bem interessante e que tem o seu valor, mas algo chamou minha atenção. Percorri com interesse suas páginas, até que cheguei ao capítulo que fala sobre santidade. Quando vi o tema, imaginei que ele discorreria sobre diferentes questões, como bom uso do dinheiro da igreja, relacionamento saudável com a família, cuidados com a vaidade excessiva, sexualidade sadia, humildade no uso do poder, justiça ao lidar com as ovelhas, a importância de ser manso no trato com os diferentes, a necessidade de não se corromper para obter facilidades, amar o próximo como a si mesmo, e uma série de outros tópicos que, a meu ver, são indissociáveis do tema santidade do ministro. Só que, para minha surpresa, o autor começa o capítulo falando sobre sexo, prossegue falando sobre sexo e o termina falando sobre… sexo. Cheguei ao final desse trecho pensando: “Tá certo, concordo, mas… sexo?!”.

É absolutamente inquestionável que uma sexualidade santa é fundamental para a vida pessoal e ministerial de um indivíduo, devemos estar em constante vigilância para não cometer transgressões sexuais e, caso pequemos, sempre buscar o arrependimento sincero e a mudança de atitude. Mas, do jeito que o autor desse livro e muitos irmãos e irmãs tratam a questão, a sensação que tenho é que ser santo é apenas ser sexualmente santo. A pergunta é: e o resto? E as outras dezenas ou centenas, os outros milhares ou milhões de pecados, que fim levaram?

A conclusão a que chego é que nós criamos um ranking de pecados. E, no alto do pódio, triunfando como os piores pecados de todos, estão os de cunho sexual. Uma distinção que, é importante lembrar, a Bíblia não faz.

Revista UltimatoA revista Ultimato publicou na sua mais recente edição (número 346, pg. 42) um artigo não assinado em que aponta a negligência de grande parcela dos cristãos no que tange aos pecados ligados à injustiça social. Diz o texto: “A maior parte dos pregadores tem chamado a minha atenção para os pecados do sexo – o amor livre, a prostituição, o adultério, a pornografia, o homossexualismo – indicando a conduta certa nesta área. Agradeço a Deus por isso, mas lamento muito o silêncio, a falta de clareza e de ênfase na outra pregação, não menos importante que a anterior (…) Por falta de profetas nesta área, demorei muito tempo a compreender que é pecado tanto trair o cônjuge como deixar o irmão de estômago vazio”. Creio que o autor teve 101% de clareza em sua afirmação, pois conseguiu enxergar o quanto a “ditadura do sexo” está desviando as nossas preocupações de muitos outros tipos de pecados.

Não quero ser mal compreendido, então preciso enfatizar algo: pecado sexuais são graves. Nunca vou dizer o contrário nem vou passar a mão na cabeça deles. São horríveis e ponto. Toda prática sexual ilícita é destrutiva e só gera problemas, dor, morte e devastação. Sofro com um gosto amargo na boca só de pensar nos erros que cometi nessa área (e se você está praticando algo do gênero recomendo, por amor a sua vida e a sua alma, que pare imediatamente, já – de preferência, ontem). Mas o grande mal de se resumir os pecados graves a sexo é que todos os outros pecados graves começam a ser praticados sem que se dê o devido peso a eles.

Sexo3E vou te contar um segredo: todo pecado é grave. Não existe “pecado não grave” ou “pecado menos grave”. Poderíamos nos perder em discussões eternas sobre “pecadinho e pecadão”, “pecados para a morte” ou mesmo o conceito católico romano de “pecado mortal e pecado venial”. Conheço a teologia de tudo isso e a grande conclusão, em última análise, é uma só: pecado é pecado. Desobediência é desobediência. Morte espiritual é morte espiritual. Não existe morte que mate mais do que outra morte. Quem morre de queda de avião morre tanto quanto quem morre de pneumonia. Quem morre numa explosão nuclear morre tanto quanto quem morre de dengue. Tirando a imperdoável blasfêmia contra o Espírito Santo (que é atribuir atos divinos ao Diabo), os demais pecados estão todos no mesmo saco: representam morte espiritual e carecem de arrependimento, confissão e abandono.

Se um ministro do evangelho comete um pecado sexual, ele imediatamente é afastado de seu cargo. E isso é correto, pois essa alma preciosa e valiosa está doente e necessita ser tratada, cuidada, pastoreada, sarada e, só então, reconduzida às suas atividades ministeriais. Mas não deveria ser assim também com um ministro que peca pela inveja? Pela ganância? Pela arrogância? Pela soberba? Pela corrupção? Falta de amor? Vaidade? Maledicência? Dissensões? Partidarismos? Egoísmo? Egocentrismo? Hipocrisia? Abuso de poder? Favorecimentos ilícitos? Violência verbal? Injustiça? Traições? Quebra da ética pastoral? Mau uso do dinheiro da igreja? Etc., etc., etc? Confesso que não consigo me lembrar de quase nenhum caso de um ministro que tenha sido afastado do cargo por qualquer um desses pecados. Graves, diga-se. Hediondos. Um pastor soberbo, agressivo, corrupto ou vaidoso é uma anomalia espiritual. Precisa de tratamento tanto quanto um viciado em pornografia na internet.

Sexo4E não estou nem de longe falando apenas de ministros do evangelho. O mesmo se aplica a cada um de nós. Em um culto recente em minha igreja, um de meus pastores iniciou a celebração convidando a congregação a confessar seus pecados a Deus. Claro que me lembrei de meus pecado sexuais. Mas também me lembrei de muitos e muitos e muitos outros tipos de pecados, a ponto de a oração terminar e eu ter de interromper meu ato de contrição sem ter tido tempo de conversar com o Senhor sobre todos. Poucas vezes nos derramamos em lágrimas por termos sido, por exemplo, invejosos, iracundos, gananciosos, espertalhões, abusados ou por termos usado o “jeitinho brasileiro” (que é pecado, diga-se de passagem). Praticamos essas transgressões contra Deus sem nenhum drama de consciência, enquanto legiões de irmãos se deprimem por estarem, por exemplo, escravizados ao vício em pornografia. Por ser uma situação tão inexistente, chega a soar engraçado imaginar um líder ir a público dizer:

- Meus irmãos, preciso me licenciar do ministério pois não honro meu pai e minha mãe e tenho de me tratar espiritualmente.

Ou um membro de igreja que procure auxílio em gabinete pastoral afirmando:

- Pastor, preciso de libertação porque sou muito invejoso.

Inferno de DanteVocê já viu alguém ser disciplinado na igreja por ter praticado a glutonaria? Eu nunca. Na verdade, em todos os meus anos de convertido nunca ouvi uma única pregação, escutei uma música gospel ou li um livro cristão sequer que fosse sobre esse pecado. Parece engraçado eu estar dizendo isso? Não quando lemos na Bíblia que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). Meu irmã, minha irmã, isso é extremamente sério! Essa passagem, por exemplo, me mostra que a glutonaria é tão grave e tem consequências tão severas como a fornicação, por exemplo, e outros pecados sexuais. E aqui reside o perigo, o xis da questão: se eu te perguntar quantas vezes você adulterou na vida, pode ser que me responda, indignado e ofendido: “Nunca!”; mas, sinceramente, quantas vezes você foi glutão? Umas 50? 100? 200? 300? E será que ao menos se arrependeu e pediu perdão a Deus por isso? Ainda: será que ter pecado pela glutonaria sem arrependimento faz de você menos culpado diante do Senhor do que se tivesse fornicado mas se arrependesse e pedisse perdão com toda sinceridade?

A mesma passagem que mostra a gravidade da obra da carne glutonaria a inclui no mesmo grupo que “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas” (Gl 19-21). Atravessamos a vida com nossa santidade sexual intocada mas cultivamos inimizades, sentimos ciúmes, promovemos discórdias, estimulamos facções, sentimos inveja e por aí vai – sem que nos arrependamos ou peçamos perdão ao Senhor. Será mesmo que estamos tão melhores assim na fita?

Todo pecado é grave. Mas existe um tipo de pecado que, sim, é mais grave do que os outros: o pecado não confessado. Enquanto ficarmos pondo corretamente o dedo na cara dos pecados sexuais mas passando incorretamente a mão na cabeça dos demais tipos de pecados, estaremos deixando de pregar contra eles, continuaremos a praticá-los sem arrependimento, não os confessaremos a Deus e, com tudo isso, seremos engolidos por atos hediondos para o Senhor mas a que não damos tanta atenção porque, para nós, não são tão hediondos assim.

Eis o grande mal da ditadura do sexo: deixamos de confessar nossos outros pecados, igualmente perniciosos.

Pecados sexuaisPode ser que você tenha se casado virgem, nunca tenha se masturbado, viva uma vida livre de adultérios e jamais tenha espiado pornografia na internet, entre outras atitudes sexuais biblicamente ilícitas. Se esse é o seu caso, ótimo – mas cuidado: sua sexualidade pode não te afastar de Deus, porém, de repente, sua língua, seus olhos, seu coração, seu ego ou suas atitudes o estão mantendo a anos-luz de distância do Senhor.

Quais são os pecados que você comete habitualmente mas aos quais não dá muita importância? Lembre-se de Provérbios 28.13: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. Examine-se, pois, o homem a si mesmo… e alcance a misericórdia do Pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Habito1Nunca dei muita atenção a algo a que uma grande quantidade de pessoas dedica boa parte de suas preocupações: a cor da pele. No Rio de Janeiro, em especial no verão é bem comum ver muita gente em busca daquela corzinha bronzeada. Para obter esse resultado estético vale tudo: bronzeamento artificial, bronzeamento por spray e, em especial, horas e horas sob o sol na praia ou na piscina. Para mim, no entanto, nada disso nunca fez parte das minhas preocupações. Esse desinteresse me garante um constante tom de pele alvo-mais-que-a-neve. E confesso que em minhas idas à praia uso um filtro solar fator 98 (sim, isso existe), para me livrar da ardência do sol. Consequentemente, sempre que pego um solzinho continuo com a mesma cor de leite de antes. Nas minhas últimas férias, porém, como relatei no último post do APENAS passei quase vinte dias indo diariamente à praia. E aí não há filtro solar que resolva: você acaba com a pele muito, mas muito mais morena do que antes. Só que isso traz também outro resultado: você descasca. Se você já passou por isso, sabe que seu braço pode ficar todo escamoso, com pelezinhas que se soltarão ao longo de alguns dias. Observando meus braços descascados ao final da minha temporada sob o sol, acabei sendo levado a uma reflexão sobre a importância da mudança de hábitos.

Quando o sol queima nossa pele, o que ocorre é que a camada superior de células literalmente morre. Com isso, ficamos com milhões e milhões de células inúteis presas ao nosso corpo. Curiosamente, antes de morrer, esse tecido foi encharcado por uma enorme quantidade de melanina, o pigmento que nosso organismo produz como uma barreira contra os raios ultravioletas do sol e que é justamente o que nos confere aquele tom bronzeado. Assim, se essa pele morta e dourada permanecesse em nós, teria apenas função estética, uma vez que suas atribuições funcionais estariam todas perdidas. E, cá entre nós, nosso corpo não está muito preocupado com nossa estética, por isso procura se livrar o mais rápido possível daquele material morto. O resultado é a decepção que experimentamos quando vemos nosso lindo bronzeado de praia se perder a cada pedaço de pele que descola.

Esse simples fenômeno da natureza nos remete a uma grande lei do cosmos: a necessidade de renovação. Tudo o que morre ou torna-se inútil precisa ser renovado, transformado, reciclado. Isso ocorre com tudo no universo: animais morrem e são decompostos, plantas morrem e viram adubo, dinossauros morreram e viraram petróleo, energia elétrica se transforma em luz e calor, gás carbônico vira oxigênio… enfim, tudo chega a um fim e se torna algo novo. Espiritualmente a coisa não é diferente.

Paulo escreveu: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Esse simples versículo tem muito a nos ensinar. Primeiro: a renovação da nossa mente ocorre a partir do inconformismo: “…não vos conformeis…”. Se nos acomodamos e ficamos confortáveis onde estamos e com o que estamos fazendo e não nos questionamos acerca daquilo que nos cerca, não experimentaremos a vontade divina. Segundo: essa renovação acontece a partir de uma iniciativa nossa, como o apóstolo diz, “transformai-vos”, ou seja, “ajam no sentido de promover mudança em vocês mesmos”. Assim, vemos que temos de sair do conforto e agir para mudar.

Nossa mente é muito ligada a aquilo que é um hábito em nossa vida. Hábitos nos trazem conforto, paz, tranquilidade. Rotinas nos dão segurança. Elas não nos desafiam, não geram instabilidade, não exigem esforço. Por isso, mudar um hábito é uma das tarefas mais difíceis que há. É raro encontrar alguém que goste de mudar uma prática que já se consolidou, que faz parte do dia a dia, que nos obriga a reformular, repensar, renovar.

Habito3Por exemplo: você está acostumado a seguir para o trabalho, a escola ou a faculdade sempre pelo mesmo itinerário. Num certo dia descobre que a prefeitura mudou a mão de várias ruas e interditou outras, o que te obriga a mudar totalmente sua forma de chegar ao destino. Confesse: isso te incomoda ou não? Na realidade, não haveria nenhum mal nisso, mas você é obrigado a reconstruir algo que já estava solidificado, estabelecido… e isso traz desconforto. Vamos supor outra situação: você está acostumado a certa estrutura na igreja, gosta dos pastores e da forma como as coisas acontecem e tudo segue na mais calma paz. Em certo domingo, recebe a informação que os pastores vão mudar e vai haver alterações na liturgia, no estilo de louvores, nas lideranças dos departamentos e por aí vai. Se você já viveu isso sabe que fica sempre atrás da orelha aquela pulga cochichando “poxa, estava tudo tão bom, por que tinha de mudar?”. Na verdade, o que te incomoda é a alteração de hábitos que, juntos, tornavam a situação confortável.

Sim, ninguém gosta de mudar aquilo a que já está habituado. O problema é que, muitas vezes, nossos hábitos se tornam como células mortas na pele e, se não forem descartados e trocados por outros, vamos sofrer as consequências. Por isso, precisamos constantemente buscar a renovação. E isso segue um caminho, em geral, parecido: primeiro, devemos nos examinar, pondo nossos hábitos sob a luz das Escrituras. Se percebermos que algo precisa mudar, não dá para nos acomodarmos: temos de nos inconformar.  E, mediante o inconformismo, é preciso agir no sentido de promover de fato a transformação.

Habito2Quais são as células mortas da sua vida? Você está preso a antigos hábitos sexuais pecaminosos? Pois isso é pele podre agarrada a sua alma, é preciso se inconformar e mudar. Ou será que ainda vive na prática do “jeitinho”, arrumando modos de sonegar impostos ou escorregando umas propinas de vez em quando? Enquanto não perceber que isso são células apodrecidas presas a você, viverá debaixo de podridão espiritual. De repente você não tem questões na área sexual nem pratica corrupção, mas ainda não conseguiu se livrar do hábito de falar mal dos outros. Pele morta. Talvez você seja um marido abusivo ou uma esposa insubmissa. Pele morta. Vai ver ainda não conseguiu se livrar de certas formas de entretenimento que ferem a sua santidade. Pele morta.  Pode ser que faça articulações dentro da igreja para obter poder pessoal. Pele morta. Ou, então, a sua vaidade siga tão pomposa e pecaminosa como antigamente. Pele morta. Pode ser que seu espírito continue tão altivo como quando estava no mundo. Pele morta. Há ainda a chance de seu amor pelo dinheiro alimentar uma ganância que não coaduna com o padrão bíblico. Pele morta. Será que seu temperamento segue tão explosivo como antes? Pele morta. É possível que pratique o favorecimento de pessoas próximas a você por interesse. Pele morta.

E por aí vai…

Há muitos e muitos hábitos que as pessoas trazem do mundo e que permanecem após a conversão. Ou mesmo cristãos de berço que adquiriram hábitos perniciosos que não conseguiram abandonar. Mascarados por justificativas como “não tem nada de mais”, “sou autêntico”, “não consigo deixar”, “é mais forte do que eu”, “sempre foi feito dessa forma” e tantas outras, esses hábitos permanecem na sua vida, agarrados de forma tóxica a sua alma, mortos e apodrecidos. Você, conformado, não consegue ou nem mesmo tenta se livrar deles. E, por isso, eles ali ficam, enchendo sua vida de decrepitude espiritual.

Você não pode se conformar com esses velhos hábitos, meu irmão, minha irmã. Seja sincero diante de Deus. Se vê que ainda há hábitos que pratica mas que configuram pele morta, mude. Aja. Parta para a ação. Você consegue – pois, antes que você queira a renovação, Deus já queria. E, se ele quer, ele vai te ajudar, fortalecer, capacitar. Que hábito em sua vida é pele espiritualmente morta? Se você sabe, não se conforme. A hora de mudar é já.

Ah, a propósito: meus braços ficaram com aquele descascado feio por alguns dias. Mas, assim que toda a pele morta se soltou e caiu, uma pele nova nasceu por baixo. Não tão morena. Não tão na moda. Mas incomparavelmente mais saudável.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

susto1Sabe quando algo ou alguém te dá um susto e você age por reflexo, dando um salto para o lado, abaixando a cabeça ou levantando as mãos para se proteger? Isso ocorre porque todo ser humano é condicionado a ter reflexos instantâneos e instintivos, de acordo com cada situação que se apresenta inesperadamente em seu caminho. Todos agimos por reflexo, adestrados que somos a tomar certas atitudes diante de circunstâncias específicas. O resultado é que, como somos fruto do meio em que vivemos, mesmo sendo cristãos não é raro fazermos escolhas mundanas – por puro reflexo. É nesse momento que entra em cena o Espírito Santo. Ele nos faz parar, pensar e ver que aquilo que fizemos não foi nada bonito. Ou seja, depois do reflexo vem a reflexão. Sob o poder de Deus, a reflexão acerca de reflexos equivocados pode nos levar a ter reflexos acertados no futuro. Para exemplificar o que estou dizendo, permita-me relatar um episódio que me aconteceu recentemente.

Entrei em uma loja de conveniências para sacar dinheiro. No exato momento em que estava no caixa automático, fui abordado por um adolescente, visivelmente muito humilde, sujo e mal vestido, que carregava uma caixa de engraxate.

- Tio, compra alguma coisa pra eu comer?

Você sabe como é: quando estamos digitando nossa senha, não gostamos de ter gente estranha por perto. Então eu, por reflexo, cobri o teclado com a mão e, sem nem ao menos olhar para o rapaz, por reflexo balbuciei qualquer coisa parecida com um “agora não”. Ele recuou e continuei a operação, torcendo que desistisse de mim e fosse abordar outra pessoa. Só que, no que terminei, me virei e dei de cara com ele, me esperando. Para piorar, vi que o jovem estava acompanhado de um menininho, possivelmente seu irmão. Tive apenas um segundo para decidir o que fazer. Você pode imaginar que, obviamente, como sou um bom cristão e escrevo sobre a fé num blog e em livros, eu agi da forma mais bíblica possível, amparando aquelas vidas e dando de comer a quem tinha fome, certo?

Errado.

Naquele segundo decisivo, agi por puro reflexo mundano. O Maurício cristão parecia ter evaporado. Em vez de abrir mão de mim, comprar alimentos para os dois e agir segundo a graça, a compaixão e o amor, eu, por reflexo, virei a cara, dei as costas e saí pela porta, deixando para trás aqueles dois seres humanos famintos.

susto2Eu poderia me justificar, usando o reflexo como desculpa para dizer que não tive oportunidade de consertar o erro – afinal, agi segundo um impulso condicionado e não havia como voltar atrás. Mas seria uma mentira. Pois, assim que saí da loja, tive de parar para atravessar a rua, uma vez que o sinal estava vermelho para os pedestres. E, naquele momento, não houve reflexo algum. Fiquei ali por, no mínimo, um minuto, parado. Na minha cabeça, uma sirene tocava, dizendo algo como “volte lá, seu egoísta sem compaixão, dê de comer a quem tem fome, seu cristão de meia tigela, avarento e servo de Mamom!”. Sim, eu tive tempo de sobra de girar sobre os calcanhares, voltar para a loja e comprar algo para aquelas duas vidas matarem a fome. Mas a verdade é que fiquei ali, estagnado. O sinal abriu e segui meu caminho.

Esse episódio aconteceu há quase dois meses, mas até hoje não sai da minha cabeça. De lá pra cá me peguei pensando muitas vezes: por que eu tomei aquela decisão? Por que não fiz o que Jesus nos disse para fazer? Por que não amei o meu próximo? Por que não dei de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede? Por que virei as costas para Cristo quando ele se apresentou para mim na forma de dois meninos carentes?

Creio que o mundano que habita em mim naquele momento falou mais alto do que o cristão que habita em mim. Eu reagi como o mundo reage, por reflexo. Agi segundo meus próprios interesses egoístas. E, depois, quando parei para pensar e tive tempo de reformular meus atos, não consertei meu erro, simplesmente segui a correnteza de acordo com o pensamento do mundo. Naquele momento, meu coração não estava em Cristo. Como Paulo explicou muito bem: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.19).

Eu e você vivemos isso muitas vezes. Como estamos no mundo, somos contaminados pelos valores e os padrões do mundo. E, quando somos pegos de surpresa, despreparados, se não estivermos encharcados do evangelho, vamos agir por reflexo – e reflexo mundano. Porque é fácil ser cristão ao final do culto, no ambiente eclesiástico, após passar duas horas vivendo a realidade da presença divina. Mas, no dia a dia, depois de ficar longos períodos com a mente apenas nas coisas deste século, corremos o sério risco de agir como cidadãos do mundo. Por isso é essencial imergirmos nas coisas de Deus todos os dias, seja pela oração, seja pelo estudo da Palavra, seja pelo jejum ou as demais disciplinas espirituais. Temos de estar em Cristo diariamente, a todo momento, ininterruptamente, sem trégua.

susto3Em certa ocasião, Jesus disse: “Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele” (Mc 10.15). Já ouvi muitas interpretações acerca do que o Mestre quis dizer com isso. Entendo que uma criança ainda não teve tempo suficiente de ser influenciada pelo seu entorno. Meninos e meninas, embora carreguem o pecado dentro de si, ainda não foram condicionados a agir desta ou daquela maneira. Seus reflexos mundanos não estão estabelecidos. São diamantes brutos, puros. Nós, adultos, não: estamos altamente contaminados com maneiras de agir que nos ensinaram por aí. No caso específico, já ouvi tantas vezes que devemos ignorar os pedintes, reter esmolas e fugir de estranhos que pedem dinheiro que simplesmente me deixei levar por essas filosofias. Só que são filosofias humanas e não divinas. Deus manda amar, estender a mão, ajudar o necessitado, cuidar do pobre, amparar o desamparado. Não vejo na Bíblia Jesus dizer o que já ouvi incontáveis vezes, de diferentes pessoas: que não devemos dar esmolas porque, se o fizermos, estaremos estimulando a mendicância. O que o Senhor disse foi: “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber…” (Mt 25.41-43).

Minha filha acabou de completar 3 anos. Minha esposa, que é infinitamente mais generosa do que eu, propôs que era hora de ela dar parte de seus muitos brinquedos a crianças carentes. Chamamos a pequena, lhe explicamos a ideia e minha filhinha, sem pestanejar, separou alegremente para doarmos muitos de seus bens, de bonecas ao seu velocípede. Confesso que, ao ver a bondade do coração da minha filha, me lembrei do episódio da loja de conveniências e senti vergonha de mim. “Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele”… Tenho buscado aprender mais sobre o reino de Cristo observando minha pequenininha. Em especial, tentando reagir mais como Jesus reagiria e não como o mundo me ensinou. Mudar meus reflexos.

susto4Mas há um aspecto interessante nessa história. Depois de tudo o que relatei, há pouco tempo eu estava em um restaurante no Leblon (bairro nobre do Rio) e entrou pela porta uma menina pedindo comida. Imediatamente o gerente quase voou em cima dela para expulsá-la. Meu reflexo, naquele momento, foi totalmente diferente do fiasco na loja de conveniência: pedi ao gerente que a deixasse se aproximar e dei a ela uma parte de nossa comida. Minha filha observou minha atitude e espero que isso contribua para desenvolver nela reflexos cristãos nas situações inesperadas. Quando a garotinha saiu, eu estava com paz no coração e, sinceramente, feliz. Não posso voltar atrás e alimentar aqueles dois meninos da loja de conveniências, nem mesmo sei seus nomes ou o que aconteceu a eles. Mas ficou o duro aprendizado. E oro a Deus que todos os meus amargos fracassos espirituais sirvam para aprimorar meus reflexos em Cristo.

Você errou? Cometeu deslizes dos quais se arrepende amargamente? Ou mesmo acha que, de tanto ter errado, não tem jeito para você? Então espero que minha experiência e minha atitude vergonhosa o ajudem a ver que é totalmente possível aprender com os erros, se aprimorar e desenvolver reflexos baseados nos valores do evangelho, para que, no futuro, você reaja ante as circunstâncias inesperadas da vida da mesma forma que Jesus reagiria.

E, assim, eu e você estaremos a cada dia mais próximos de refletir a glória de Deus para este mundo tão faminto de graça e amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Davi1Um dos episódios mais enigmáticos da Bíblia para mim está descrito em 2Samuel 12. Davi e Bate-Seba cometem adultério e, em consequência disso, ela engravida. O resto da história você sabe bem: o rei manda matar o marido dela e, por tudo isso, o profeta Natã traz uma exortação dura contra ele. Davi se arrepende profundamente dos pecados cometidos e é perdoado por Deus sem sombra de dúvida (2Sm 12.13). Vida que segue, certo? Errado. Acontece que o filho deles… morre. Minha dúvida sempre foi: por quê? Por que foi necessário ceifar aquela vida inocente? Se fosse o caso de castigar o casal impedindo que tivesse filhos, o Senhor não teria permitido que Salomão fosse concebido posteriormente. Por que logo aquele primeiro menino do casal teve de morrer? Teria sido uma vingança de um Deus impiedoso? Afinal, Natã diz “uma vez que você insultou o SENHOR, o menino morrerá”. Mas será que essa atitude foi somente uma punição maldosa, uma vendeta de um Deus que é descrito pelo próprio rei Davi desta maneira:

“O SENHOR é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões” (Sl 103.8-12). Como explicar que Deus tenha decidido matar aquela criança que não tinha culpa de nada? Pois bem, tenho uma teoria. Acredito eu que foi justamente por amor a Davi. Estranho? Vamos pensar juntos.

Davi2A imagem que vem à minha mente quando hoje penso nesse episódio bíblico é semelhante a uma cena tradicional de certos filmes de ação, em que um personagem atravessa uma longa ponte de cordas, suspensa sobre um enorme precipício. Por alguma razão, aquela ponte desmorona e torna-se impossível voltar para trás. Sem a ponte, tudo o que o personagem do filme pode fazer é olhar para frente e seguir seu caminho. Acredito que foi mais ou menos isso que Deus fez com Davi.

Aquela criança, por mais que viesse a ser amada e tratada com todo carinho e afeto pelos pais caso sobrevivesse, seria sempre uma lembrança do que aconteceu. Todas as vezes em que Davi e Bate-Seba olhassem para o menino, o adultério e o assassinato viriam à memória deles. Assim, aquele filho se tornaria para sempre um memorial de algo horrível, que deveria ficar no passado. O arrependimento foi sincero. A confissão foi contrita. O perdão foi verdadeiro.  As coisas velhas se passaram e tudo se fez novo. No entanto, a lembrança dos pecados seria inapagável. E com ela viria sofrimento de alma. E não creio que Deus queira que pessoas perdoadas, lavadas no sangue do Cordeiro e que devem prosseguir em suas jornadas em novidade de vida fiquem sofrendo eternamente pela dor de erros cometidos no passado.

Davi4Penso, portanto, que Deus – o dono da vida – decidiu recolher aquela criança para junto de si como meio para que Davi e Bate-Seba pudessem seguir adiante sem ficar ancorados em um pensamento sobre fatos do passado que só viria a lhes trazer dor, tristeza, sofrimento. O arrependimento de Davi foi sincero, o que significa que, se ele pudesse voltar no tempo, não faria de novo o que fez. E o Senhor, por amar seu servo, não queria que ele vivesse remoendo aquilo. Então, por mais estranho que pareça, creio (a Bíblia não diz, faço questão de ressaltar, é uma teoria minha) que o Pai removeu aquele memorial para que Davi e Bate-Seba seguissem de olhos no futuro. Deus removeu aquela ponte para que eles não olhassem para a dor que ficou atrás, mas sim para a esperança que estava à frente.

Todos nós temos algo que precisamos deixar no passado. Só que, se não fizermos desmoronar as pontes que nos ligam a esse algo, ele sempre voltará à nossa mente – e com ele dor, sofrimento, arrependimento, tristeza. Podem ser muitas coisas. Práticas pecaminosas, pessoas, fatos, lugares, atividades, vícios… enfim, cada um tem sua própria âncora presa em algum lugar para trás, que precisa ser abandonada para sempre. Vou dar alguns exemplos práticos.

Se você teve problemas de dependência química (drogas ou álcool) e sempre consumia quando andava com certas pessoas, o ideal é que corte toda e qualquer relação com esses indivíduos. Pois sempre que estiver na companhia de antigos companheiros de vício, ficará pensando na droga que abandonou ou no álcool que lhe tenta a cada dia de sua vida. Assim, toda ponte que liga você a esses amigos precisa ser removida: não saia mais com eles, delete seus números de telefone, corte relações.

Outro exemplo: recentemente uma irmã comentou aqui no APENAS que tinha se casado mas não conseguia esquecer um antigo amor e que mantinha contato com ele na esperança de evangelizá-lo. O melhor que essa irmã tem a fazer é remover toda e qualquer forma de contato com o tal rapaz, pois ele será sempre um empecilho em sua vida matrimonial – além de uma constante tentação. As pontes têm de ser destruídas.

Pode ser que você tenha sofrido com dependência a pornografia na internet. Se mantiver um notebook no seu quarto, onde o acessa sozinho, é muito provável que aquele pecado do passado o assombre todos os dias. Você precisa remover de algum modo a possibilidade de acessar esse material, destruir essa ponte, para que aquele pecado permaneça no passado.

Ou, ainda, se você era muito agressivo e sempre que assistia a lutas de UFC sentia vontade de sair no braço com alguém, precisa remover esse estilo de luta de sua vida: bloqueie os canais de TV que transmitem a pancadaria, pare de acessar websites que falem sobre o assunto.

Enfim, seja o que for, se tira a sua paz, remova as pontes. Se uma música que você ouve te leva a pecar ou a sofrer por algo do passado, jogue fora o CD. Se um filme a que você assiste te conduz a um estado de espírito que não quer mais vivenciar, queime o DVD. E siga em frente, sem olhar para trás. Não é utopia: conheço gente que fez isso e tenho certeza que foi o melhor.

Davi5Sei que pode parecer uma proposta excessivamente dramática cortar relacionamentos, mudar atitudes, alterar rotinas, dar guinadas radicais. Mas a morte do primeiro filho de Davi e Bate-Seba também foi algo dramático. E a proposta de Jesus é inegavelmente dramática: “Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno” (Mt 5.29-30). Sempre devemos nos lembrar que o que está em jogo nesses casos é a sua santidade e a de outras pessoas envolvidas, o seu relacionamento pessoal com Deus, a sua tranquilidade com relação ao estado de sua alma, a limpeza de sua consciência, a chance de deixar o passado no passado e prosseguir para um futuro mais próximo do Senhor e da santidade que ele exige de nós. Na perspectiva do reino dos céus, tudo isso importa mais do que qualquer outra coisa.

Existe um brilhante ditado em inglês: No pain, no gain, que significa algo como “Sem dor não há ganho”. É uma grande verdade. Muitas vezes, uma vida santa exige de nós atitudes dolorosas. Paz de espírito faz ações radicais serem necessárias. Um futuro despido de más lembranças do passado pede ações fortes. Lembre-se: Jesus teve de enfrentar a dor da cruz para que toda a humanidade tivesse um ganho eterno. Ao entregar-se como sacrifício por nós, o Cordeiro de Deus estava destruindo a ponte que ligava o nosso futuro no céu ao pecado do Éden. Devemos seguir seu exemplo.

E você, o que de seu passado precisa ficar de vez no passado? Se consegue identificar, a hora de destruir as pontes é agora.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio

Ovelha1O Senhor não resgata ninguém para descartar depois. Se ele resgata é para tornar aquele indivíduo alguém útil e produtivo, um servo ativo na obra de Deus e plenamente capacitado e aprovado para atuar em prol do reino dos céus. É um absurdo achar que Jesus busca a ovelha perdida para fazer dela um peso morto, inútil. Esse é um pensamento antibíblico e, vamos concordar, impiedoso e maldoso. Mas hoje importa começar esta reflexão com palavras que não são minhas, mas de Jesus: “O Filho do homem veio para salvar o que se havia perdido. ‘O que acham vocês? Se alguém possui cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixará as noventa e nove nos montes, indo procurar a que se perdeu? E se conseguir encontrá-la, garanto-lhes que ele ficará mais contente com aquela ovelha do que com as noventa e nove que não se perderam’.” (Mt 18.11-13). No relato de Lucas, o Senhor emenda essa parábola com a da moeda perdida: “Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la? E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’. Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.8-10). E, em seguida, Jesus fecha com chave de ouro, contando a famosa história do filho pródigo.

Creio que o conceito por trás desses ensinamentos está claro: se uma ovelha, alguém que se perdeu, um filho do Pai tropeça no meio do caminho, chafurda no pecado e é resgatado por Cristo, o nosso papel é exultar, festejar, juntar-nos a Deus e aos anjos na enorme alegria que representa o retorno dessa vida. Não consigo ver em nenhuma dessas passagens que nossa postura deva ser a de discriminar o arrependido que retornou – como fez o irmão mais velho do filho pródigo, alguém que, certamente, não compreendia o que significa amor nem graça.

Ovelha3Tendo dito isso, falemos sobre Jimmy Swaggart. Para as gerações mais novas, explico: ele é um evangelista que nos anos 1970 e 1980 lotava estádios por todo o mundo, tinha um ministério profícuo e famoso. Até que cometeu adultério. Pecou. Errou. O que fez foi feio. Horrível. Abominável. Nisso todos concordamos e não há espaço para discussão sobre a gravidade desse pecado (é possível até que seja tão grave como ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo e inveja, visto que sobre todos esses diz Gálatas 5.21 que “Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus”). Mas vamos adiante: consta que Swaggart se arrependeu, confessou e deixou sua transgressão. Diante disso, não sou o Espírito Santo para julgar o homem, simplesmente porque a Bíblia não me autoriza a isso. Se ele se arrependeu de fato, confessou e deixou, que autoridade tenho eu para condená-lo? Jesus o justificou e eu o condeno? Ai de mim se o fizer, como o Senhor mostra com apavorante clareza na parábola do credor incompassivo (Mt 18.21-35). Mas ninguém vinha dando muita atenção a isso por aqui pois, afinal, Swaggart deixou de estar presente na vida da Igreja brasileira há muitos e muitos anos.

Bem, até agora. A Sociedade Bíblica do Brasil lançou há algum tempo a “Bíblia de Estudo do Expositor – Jimmy Swaggart”, com comentários exclusivos escritos pelo próprio. Dei uma boa espiada no material e, acredite, é bastante bom. Uma ferramenta útil para o estudo das Escrituras, uma obra digna de ser lida por todo cristão interessado em compreender melhor a Palavra de Deus. Claro, não é perfeito. Mas – com exceção da Bíblia e de Jesus – existe algum livro ou ser humano na face da terra que seja?

Ovelha4Fiquei muito feliz quando tive contato com essa Bíblia de Estudo; aliás, duplamente feliz. Primeiro por ver um material do gênero à disposição da Igreja. E, segundo, por ver que não só o filho pródigo, Swaggart, tornou à casa do Pai, recebeu um anel no seu dedo, foi vestido de roupas novas e gerou alegria entre os anjos do céu, mas também porque ele ganhou a oportunidade de voltar a ser um membro produtivo do Corpo de Cristo – em prol da edificação do Corpo de Cristo. Bravo, palmas para Jesus, que cumpriu o milagre da justificação em mais uma alma que estava fora do aprisco, e palmas para o Espírito Santo, que convenceu a ovelha pedida do pecado, da justiça e do juízo. O Bom Pastor deixou as 99 ovelhas e foi atrás de Jimmy Swaggart. Consta que seu arrependimento foi sincero e Deus me livre de dizer que não foi, pois não compete a mim julgá-lo neste momento de sua vida. Os frutos até o momento não o condenam, pelo que me consta. E, vamos combinar: sendo eu este terrível pecador que sou, que moral tenho para lançar a primeira pedra?

Ovelha5No entanto, quando minha alegria ao ver essa dupla bênção aflorou, eis que baldes de água gelada foram lançados na minha cabeça. Pois foi só as pessoas tomarem conhecimento de que essa Bíblia de Estudo seria publicada e não demorou para alguns cristãos impiedosos se manifestarem, desmerecendo a obra, pelo fato de ser comentada pelo homem que um dia adulterou. Parece que preferiam que ele jamais voltasse a produzir nada para o reino. Perdoem-me, mas não consigo acreditar que seja isso o que o Senhor deseja: pelo meu entendimento bíblico, o perdão do pecado confessado e abandonado zera tudo: “O SENHOR é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões” (Sl 103.8-12). Isso, claro, é como Deus vê e faz. Mas para cristãos impiedosos não é assim: o cumprimento da sua justiça humana exige que se enterre aquele que Jesus desenterrou e que ele se torne inútil para a obra do Senhor. A justiça da cruz some nessa hora. Vale é a justiça do degredo ou, no mínimo, a do desmerecimento eterno.

É a filosofia do “não o resgate, mate. Mas, já que vai resgatar, pelo menos o esconda em algum porão. E, se não der, desmereça tudo o que ele vier a fazer…”.

Eu não deveria mais me espantar com isso. Afinal, já vi a impiedade se manifestar no seio da Igreja muitas e muitas vezes e de muitas e muitas maneiras. Não em poucas ocasiões testemunhei o apedrejamento de cristãos arrependidos de seus pecados por grupos que consideram seus próprios pecados menos graves do que os dos outros. Pior: vi gente que prossegue sem arrepender-se de suas iniquidades não confessadas acusar e desmerecer coisas feitas por iníquos que se arrependeram, confessaram e deixaram o pecado. O que não é novidade nenhuma, Jesus mesmo falou sobre isso (atente para o negrito):

“Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.9-14).

De tanto isso acontecer, eu não deveria mais me surpreender ao ver tantos cristãos justificados de seus pecados serem escorraçados por cristãos que não compreendem o alcance do perdão e da graça de Deus. Aliás, permita-me confessar o meu pecado: eu mesmo não entendia tempos atrás, encharcado de impiedade que eu era, até o dia em que as asas da graça divina se estenderam sobre minha vida e experimentei na pele e na alma o que é ser alvo da compaixão do Senhor. Então, de certo modo, entendo os impiedosos, pois já estive cego como eles estão. O que não quer dizer que eu não fique muito, mas muito triste com atitudes como essas.

Ovelha6É duro ver ovelhas que Jesus trouxe de volta ao aprisco se esforçando para fazer algo em prol da edificação da Igreja e observar o fruto do seu esforço ser desmerecido, desdenhado e boicotado por irmãos em Cristo. Gente que voa na jugular, sabotadores da redenção da cruz. Será que o pai do filho pródigo o recebeu de volta em casa para  ele ficar sentado o dia inteiro, sem fazer nada? O fato de o filho pródigo ter saído dos trilhos por uma fase faz dele imprestável pelo resto da vida? O que Jesus diria sobre isso? Quando Pedro traiu Cristo (três vezes, lembremos) e Jesus o perdoou, o que o Mestre disse ao apóstolo? “Tudo bem, mas nem ouse fazer a obra de Deus, esconda-se num canto e nunca mais faça nada”. É isso? Ou ele manda o pecador arrependido apascentar as suas ovelhas? Pare. Preste atenção: Jesus manda o pecador que o traiu três vezes fazer nada menos do que pastorear as suas ovelhas, cuidar delas, guiá-las. Que lição para todos nós!

Sinto arder na minha pele a tristeza por ver homens impiedosos depreciarem todo o esforço de Swaggart em elaborar essa Bíblia de Estudo, em vez de se alegrarem por ele estar ativo na edificação do Corpo de Cristo. Que tipo de gente faz isso? Que tipo de gente faz caretas e comentários maldosos e maquiavélicos porque alguém que estava perdido foi encontrado e voltou a ser útil? Deveriam estar se alegrando junto com os anjos no céu, por Deus!

E note algo: em momento algum estou falando de concordar ou discordar da teologia que ele prega, de suas crenças soteriológicas ou do que for. Minha reflexão passa longe disso. Estou falando de pecado, arrependimento e perdão de um cristão, algo que perpassa absolutamente toda e qualquer divergência teológica ou doutrinária.

Ovelha7Uma verdade: infelizmente, fala-se muito mais sobre graça do que se exerce graça. É lindo teologizar sobre graça. Mas… pôr em prática? É para poucos. Pois muitos preferem se juntar não ao pai do filho pródigo, mas aos apedrejadores da mulher adúltera.

Peço a Deus que sejamos mais piedosos. Perdoadores. Graciosos. Amorosos. Menos ferinos na língua que fustiga os outros e mais amáveis ao aplicar o bálsamo sobre as feridas dos que se embrenharam pelo espinheiro do pecado mas foram resgatados pela maravilhosa graça.

Volto a dizer: não sou o Espírito Santo para dizer o que se passa no coração de Jimmy Swaggart. Se ele abandonou a prática do pecado eu não posso garantir. Mas quero crer que sim. E, até que me provem o contrário, o sangue de Cristo repousa sobre a vida daquele homem, tornando-o inculpável. E herdeiro do céu.

A ovelha foge do aprisco. O Senhor parte em seu resgate. Ele a traz de volta. Os anjos no céu fazem festa. O banquete é servido. O Pai se alegra. E depois? Depois muitos de nós pegamos aquela ovelha e a espancamos com socos, murros, pontapés e cusparadas. Que linda lição de cristianismo.

Obrigado, Senhor, pela graça. Obrigado, Senhor, pelo perdão. Obrigado, Senhor, pela restauração. E tem misericórdia de mim, pois não sou melhor do que ninguém. Ó Deus, sê propício a mim, pecador…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício