Arquivo da categoria ‘Evangelismo’

novo-1É interessante como somos fascinados pelas novidades no que se refere à fé. A pregação que nos prende e assombra é aquela que nos leva a comentar “Uau, nunca tinha pensado desse modo!” ou “É a primeira vez que enxergo por esse ângulo!”. O livro cristão que nos impressiona é o que nos faz exclamar “Que sacada genial!”. Gostamos do que parece inovador, inédito. O teólogo que estimamos é o que nos mostra como aquela passagem bíblica não era nada do que acreditávamos até então. A teologia que nos seduz é a que está “à frente do nosso tempo”. Sejamos sinceros: fé boa para muitos de nós é a que tem cheiro de novo, cujo verniz é brilhante, recém-saída da fábrica, que vem para derrubar as antigas ideias. Mas existe um grande problema nesse apreço pela redescoberta do cristianismo, como veremos a seguir.

Semana passada, eu estava triste, por uma série de razões. Meu coração estava pesado, com os pensamentos indo e vindo, um desassossego que não passava. Eu orava a Deus, pedindo paz. Foi quando minha filha chegou da escola, eu a abracei e deitamos em minha cama. Estava um dia fresco, com uma brisa gostosa, e ficamos ali, deitados, em silêncio. Olhei pela janela para o bosque que há nos fundos de meu prédio, uma paisagem que vejo o dia inteiro, pois trabalho de frente para ela. Mas, naquele momento, o flamboyant que fica pelo menos oito horas por dia diante de meus olhos chamou minha atenção. Suas flores vermelho-alaranjadas faziam um belo contraste com o verde das folhas e uma enorme quantidade de pássaros revoava ao redor da árvore. Flores. Pássaros. Essa imagem levou meus pensamentos a um trecho da Bíblia que conheço de cor, de tanto que já li e cuja verdade é tão óbvia em meu coração:

img_7694“Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros? Qual de vocês, por mais preocupado que esteja, pode acrescentar ao menos uma hora à sua vida? E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?’. Essas coisas ocupam o pensamento dos pagãos, mas seu Pai celestial já sabe do que vocês precisam. Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias inquietações. Bastam para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.25-34, NVT).

Aquela imagem tão simples, antiga e conhecida, de pássaros e flores, me remeteu a uma verdade que foi pregada dois mil anos atrás e que continua tão atual como no dia em que Jesus a ministrou em um monte de Israel. O refrigério veio com cheiro de madeira antiga, com cor de página amarelada. Do canto de meu olho escorreu uma pequenina lágrima de gratidão a Deus, por me mostrar naquele momento que a resposta divina para a maioria de nossas questões não se encontra naquilo que revoluciona e impressiona pela inovação, mas em antigas e empoeiradas verdades. Sim, ali percebi que Deus espera de nós menos “uau!” e mais “como pude esquecer disso?”.

A mensagem do evangelho de Cristo não muda. É um tesouro que passa de geração a geração de forma irretocável. O que muda é o baú em que o tesouro é apresentado. É como uma tradução nova da Bíblia: o conteúdo é o mesmo de sempre, a escolha das palavras é diferente. O Deus é o mesmo, a capa segue estilo atual. A mensagem salva, liberta, cura e transforma há dois mil anos e continuará a fazê-lo da exata mesma maneira. O Espírito é o mesmo velho Espírito. O pecado é o mesmo velho pecado. O arrependimento é o mesmo velho arrependimento. A salvação é a mesma velha salvação. A glória eterna… bem, ela é eterna.

novo-2Meu irmão, minha irmã, no que se refere ao evangelho, devemos procurar menos novidades, menos maquiagem, menos pregações inovadoras. Procure contextualizar a mensagem, sempre, mas lembre-se de que o tutano das boas-novas de Cristo não tem em si nenhuma novidade, e por uma única razão: a verdade divina é imutável. Não valorize pregadores, pregações, teólogos, livros, canções, igrejas, modelos de evangelismo ou o que for pelo fato de ser inovador. Porque, muitas vezes, tentar inovar o que é antigo e belo é como vestir roupas de bebê em um velho senhor: não faz sentido algum e chega a beirar o ridículo. Melhor é vesti-lo com uma roupa bela, sóbria e conservadora, que preservará sua elegância e não desviará a atenção do que realmente importa.

Flores. Pássaros. O que há de novo nisso? Nada. Mas a mensagem que eu precisava ouvir naquele momento não tinha de ser inovadora: tinha de ser verdadeira. E foi: Seu Pai celestial já sabe do que você precisa; portanto, não se preocupe. Palavras pronunciadas ao vento dois mil anos atrás, que pousaram em meu coração na hora certa.

Onde dói a sua dor, meu irmão, minha irmã? Onde você tem procurado respostas? Em maquiagens com cheiro de novo ou em verdades imutáveis, eternas e com cheiro de guardado? Talvez, no mundo das inovações não caibam realidades cristãs, portanto, cuidado com buscas infrutíferas. Lembre-se de que “a palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.25). Atenção a este verbo: permanece. Permanecer significa “continuar sendo; prosseguir existindo; conservar-se, ficar”. Portanto, a Palavra de Deus é sólida, rochosa, inabalável, que tem continuidade, que continua como antes. Não há novidades nas boas-novas de Cristo, não há inovações: ela é o que é. Muitas vezes, é justamente o ímpeto por inovar que acaba gerando heresias, desvios, tristeza, superficialidade, orgulho, arrogância, vaidade, distanciamento do evangelho.

novo-3Fica a recomendação de alguém que foi impactado por algo tão simples como flores e pássaros: cuidado com a tinta nova, pois ela pode desviar sua atenção do antigo que realmente importa. Se o ser humano gosta de inovações e surpresas, Deus gosta das boas e velhas verdades. Arrependimento. Perdão. Graça. Fé. Amor. Paz. Cruz. O que há de novo nisso?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

Arrow on red target - business conceptO novo ano chegou. Como é hábito de muitos, essa mudança simbólica de etapas pode ser uma ótima oportunidade para parar, pensar sobre a vida e repensar as prioridades. Eu gostaria de dar uma pequena contribuição a essa reflexão. Em 2016, muitos cristãos brasileiros tristemente perderam tempo, energias e saliva debatendo sobre aspectos periféricos e secundários da fé ou brigando com outros irmãos em Cristo por questões menos importantes do cristianismo. Minha sugestão, diante disso, é que voltemos a pensar sobre o que realmente é importante na fé cristã. Por isso, gostaria de propor reflexões a partir de pontos que considero serem alicerces da fé. Seguem, então, algumas sugestões acerca de atitudes que você poderia tomar neste momento de reflexões, reinícios e reformulações, a partir de algumas orientações bíblicas fundamentais. 

1. Você tem se arrependido de seus pecados e pedido perdão a Deus? “Se afirmamos que não temos pecados, enganamos a nós mesmos e não vivemos na verdade. Mas, se confessamos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.8-9, NVT). Você tem pedido perdão pelas transgressões cometidas? Ou tem vivido dia após dia acumulando pecado não confessado sobre pecado não confessado, apresentando desculpa esfarrapada sobre desculpa esfarrapada para justificar práticas antibíblicas? É hora, como sempre é, de arrependimento, contrição e mudança de rumo.

2. Você tem obedecido ao maior dos mandamentos? “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40, NVT). Em tudo o que você faz, é o amor a Deus que pauta seus pensamentos, ações, palavras e omissões? Ou em 2016 sua prioridade foram dinheiro, aquisição de bens, viagens, programas de TV, o trabalho ou a igreja? Em que você pensa primeiro quando acorda? Em torno de que gira a sua vida? Em torno de Deus ou em torno de você próprio? E, ainda dentro desse maior mandamento, você tem amado ao próximo como a si mesmo? Em 2016, quanto amor você compartilhou? Que ações práticas fez em benefício das pessoas que não lhe deram absolutamente nenhum retorno? De que modo você se devotou ao próximo? Será que você tem se dedicado mais a debater com o próximo para provar que você é quem está certo do que a amá-lo? Cuidado com a autoidolatria.

3. Você tem cumprido a Grande Comissão? “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei” (Mt 28.19-20, NVT).  A quem você proclamou as boas-novas de Cristo em 2016? Quantas pessoas ganharam a vida eterna no ano que passou graças às suas iniciativas? Quantos seres humanos você discipulou no ano que passou? Se perceber que não fez discípulos, que não levou o evangelho a ninguém, que sua instrumentalidade para a salvação de vidas tem sido nula, o que pode fazer para reverter esse quadro em 2017? 

4. Você tem feito aos outros somente e exatamente aquilo que gostaria que eles fizessem a você? “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12, NVT). Este mandamento de Jesus é extraordinário, pois ele denuncia como vivemos longe de sua vontade. Você realmente só faz para as outras pessoas o que gostaria que elas lhe fizessem? Só fala a elas e sobre elas com isso em mente? Suas ações têm esse fundamento? Ou o importante é mesmo o que você quer e pronto? Como têm sido suas atitudes com seus parentes, amigos, colegas de trabalho ou estudo, irmãos em Cristo, pessoas que professam outras religiões? E na Internet? 

5. Você tem tratado quem se opõe a você com mansidão e visando ao bem dele ou com soberba, egocentrismo e sentimento de vingança? Quantos inimigos você amou em 2016? Quantos desafetos você perdoou? Como se relacionou com aqueles que o irritam, maldizem, atacam, denigrem? Como você tratou os hereges e os adversários teológicos? Com mansidão e graça ou com ódio e agressividade? O que você falou sobre aqueles que te ofenderam? Quantas orações em benefício deles você fez ao longo do ano? “Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.20-21, NVT). Você pretende continuar em 2017 a agir com os inimigos, os adversários e os discordantes como um bruto lida com seus desafetos? “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade” (2Tm 2.24-25, NVT).

6. Você tem manifestado virtudes do fruto do Espírito em sua vida? Como anda você na manifestação prática de “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.” (Gl 5.22-23, NVT)? Será que você amou tanto quanto poderia? Você disseminou alegria ou a nuvenzinha negra foi sua companheira inseparável? Você foi um pacificador ou alguém que instigou, incentivou ou participou de contendas e brigas? Você foi paciente ou não esperou Deus agir com a longanimidade que deveria? Você foi benigno, amável, bondoso, ou foi duro, egoísta, mau, briguento? Você demonstrou fidelidade ou sua fé foi pequena? Mansidão, então, é o calcanhar de Aquiles de muitos: você foi manso e humilde, falando sempre com palavras temperadas e de edificação, ou foi um guerreiro, um gladiador, um leão que mais ruge do que faz qualquer outra coisa? E domínio próprio, você foi autocontrolado ou se deixou escravizar pelo seu temperamento sanguíneo, seus impulsos pecaminosos, sua humanidade? E em 2017, o que precisa mudar com relação a essas virtudes?

7. Você tem promovido a paz ou as disputas, a raiva, a vingança, a humilhação, os ataques, a discórdia? “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Na ânsia por agradar a Deus, muitos acham que o caminho para isso é se igualar ao comportamento natural e carnal da humanidade caída. Que o padrão “João Batista” é a linha a ser adotada e que Deus nos incentiva a promover a guerra “em nome de Jesus” ou “em defesa do evangelho”. É triste e lamentável ver pessoas muitas vezes extremamente bem preparadas teologicamente se posicionando como promotores do ódio, deixando a força dos argumentos em segundo plano e optando pela pseudoforça da forma. Acham que bater na mesa é o padrão cristão. Não é. Seria esse o seu caso?

8. Você tem se achado o máximo? Como anda sua humildade? Tudo o que você é e tem foi Deus quem lhe deu. Você é inteligente? Mérito de Deus. Você é culto? Mérito de Deus. Você tem muitos diplomas? Mérito de Deus. Sua igreja é rica, grande e lotada? Mérito de Deus. Você tem muitos dons? Mérito de Deus. Muitas pessoas o elogiam? Mérito de Deus. Afinal, “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu…” (Tg 1.17, NVT). Se você empertiga o peito, estriba-se em sua sabedoria e sai desqualificando os demais, o alerta é sério: “Que aflição espera os que são sábios aos próprios olhos e pensam ter entendimento!” (Is 5.21, NVT). “Não sejam orgulhosos, mas tenham amizade com gente de condição humilde. E não pensem que sabem tudo” (Rm 12.16, NVT). O evangelho é claro e direto: quem tem muito deve agir com prudência com o muito que Deus lhe deu, sabendo lidar com delicadeza com os que não sabem nem têm tanto, visando ao amor e com muita graça. Ai de quem “se acha”. “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria. Mas, se em seu coração há inveja amarga e ambição egoísta, não encubram a verdade com vanglórias e mentiras. Porque essas coisas não são a espécie de sabedoria que vem do alto; antes, são terrenas, mundanas e demoníacas. Pois onde há inveja e ambição egoísta, também há confusão e males de todo tipo” (Tg 3.13-16, NVT).

Essa lista poderia prosseguir por dezenas e dezenas de pontos. Mas acredito que somente esses oito já dão muito pano para manga. Fica a reflexão, caso ajude você a pensar sobre como tem vivido. Acredite: se decidir reavaliar suas prioridades em 2017 e mudar muito do que tem feito com relação a esses oito pontos, já será um monumental passo em sua caminhada de fé.

Espero ter ajudado. Agora… é com você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo e um feliz Natal,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari


kara-tepe-3De Gênesis a Apocalipse, a Bíblia nos aponta a beleza e a importância de dar. “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35)Embora pareça óbvio, é sempre importante refletirmos sobre o óbvio: o que significa “dar”? Dar é pegar algo que lhe pertence e transferir a posse para outra pessoa. É abrir mão do direito de possuir algo para que o outro seja beneficiado. Portanto, é priorizar o outro, como diz a Palavra: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). Não há nenhuma dúvida com relação a isso. Não há interpretação. É o que é: aos olhos de Deus, dar é melhor que receber. Portanto, devemos nos desapegar do que é nosso em favor do próximo. 

Ao dar, priorizando o próximo, nos assemelhamos a Deus. Sem precisar fazer nada pela humanidade pecadora e rebelde, ele deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Deus não só nos manda dar, ele deu o exemplo. 

O evangelho vai além: não basta dar, para Deus é fundamental a forma como está nosso coração na hora em que damos: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2Co 9.7). Se você não dá com alegria no coração, é preciso buscar, em Deus, o desapego. Desapego, aliás, que o próprio Cristo mostrou ter ao se dar por nós: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.5-8). 

Além de dar, e dar com alegria, precisamos saber que o desapego que agrada ao Senhor é aquele que demonstra amor. E amor não existe sem abnegação e renúncia. Lembre-se das palavras de Jesus ao ver tamanho amor no coração da viúva: “Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento” (Lc 21.1-4). Aquela mulher deu com alegria, preferindo o próximo a si mesmo e em amor sacrificial. Isso é ser irresponsável? Não, caso contrário Jesus não teria elogiado a postura da viúva. A atitude dela demonstrou fé, graça, obediência, compaixão. Virtudes que todos nós devemos ter. 

Fui levado a esta reflexão sobre a importância de dar por uma questão pessoal. Meu irmão, Cláudio, que é pastor na Espanha, viajou há algumas semanas a um campo de refugiados na Grécia, onde há atualmente 6.500 refugiados de diferentes religiões – entre eles muitos islâmicos e hindus -, que tiveram de fugir de suas casas para não serem mortos. Cláudio foi até lá como voluntário, para dar: dar doações, dar amor, dar a si mesmo. Ele me relatou o que está acontecendo nesse campo e qual é o papel dos cristãos ali. Fiquei profundamente movido e comovido e resolvi não simplesmente lamentar e largar para lá. Por isso, fiz o que está ao meu alcance para dar algo àquelas almas que ali estão: que Cláudio gravasse um pequeno vídeo falando sobre a situação do campo de refugiados, que preparei da melhor forma possível, com meus parcos conhecimentos de produção de vídeo, e o resultado está no pequeno vídeo abaixo. 

É rápido, não demora, por isso peço, por favor, que você assista. E, se possível, que faça algo. Tenho certeza de que você tem algo a dar. Por favor, se puder, assista:

Os donativos podem ser feitos do Brasil por transferência bancária à conta da REMAR na Suiça:

Titular: REMAR SOS

Banco: RAIFFEISENBANK USTER
País: SUIÇA
IBAN: CH95 8147 1000 0046 6159 6
BIC/SWIFT: RAIFCH22E71

Caso seja solicitada mais informação relativa ao beneficiário:
REMAR SOS SWEISS
Bertschikerstrasse 2
8620 Wetzikon
Tel: (Suiça) 0844 777 770
E-Mail: info@remar.ch
Website: www.remar.org

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

@Glowimages: Silhouette Of Shepherd And SheepDe alguns anos para cá, tenho pregado e palestrado muito. Venho compartilhando o evangelho em igrejas, congressos, centros de convenções e, este ano, falarei até mesmo no evento de um presídio. Sempre que vou a esses lugares ocorre algo curioso: invariavelmente, eu sou chamado de “pastor”, embora eu não seja pastor e apesar de eu sempre dizer de púlpito que não sou pastor. Esse fato me levou a uma reflexão, que gostaria de compartilhar com você. Nos últimos dois anos ministrei em cultos e eventos promovidos por igrejas como presbiteriana, batista, metodista, anglicana, episcopal, pentecostais, neopentecostais; congressos interdenominacionais: eventos sem vínculos com igrejas… enfim, para todo tipo de pessoas, de linhas doutrinárias e teológicas distintas, que frequentam ambientes com sistemas de regência diversos. E, em todos esses lugares, as pessoas me chamam de “pastor”. Curioso. 

Acredite, eu me esforço para deixar claro que não sou pastor, isto é, que não fui ordenado para o cargo de pastor por uma organização religiosa. Sinto-me desonesto se não explico que não sou ordenado; se não falo nada parece que estou pecando por apropriação indébita. Geralmente, assim que começo a ministração, eu me apresento e, imediatamente, ressalto que não sou pastor. Mas, logo que a preleção acaba e desço da plataforma para conversar com os presentes, começo a ouvir: “Pastor Maurício…”. Já vivi até mesmo episódios engraçados, como certa vez em que uma senhora me telefonou a fim de me convidar para pregar em determinado lugar, e o diálogo foi assim:

– Alô, é o pastor Mauricio?

– Alô. Sim, aqui é o Mauricio, mas  eu não sou pastor. 

– Ah, desculpe, pastor.

Não tem jeito. Basta eu falar em um microfone que fatalmente serei “ordenado por aclamação”, como costumo brincar. A pergunta que comecei a me fazer é: por quê? A resposta pode parecer óbvia, mas, para mim, ela é reveladora sobre algo que temos feito errado. Jesus chamou todos nós para compartilhar o evangelho. Todos. Sem exceção. A partir do momento em que você é alcançado pela graça, ingressa no grupo dos que são convocados para compartilhar com toda criatura as boas-novas de Cristo. Então, é natural que um cristão pressuponha que todos os seus irmãos tenham o hábito de pregar o evangelho. Eu pressuponho isso sobre meus irmãos. Se você é crente em Jesus, automaticamente isso me faz pensar que é um proclamador das boas-novas. Mas a realidade é que a esmagadora maioria dos cristãos que conheço não está habituada a compartilhar o evangelho. 

Criou-se em uma enorme parcela da igreja a ideia de que pregação é algo para indivíduos ordenados para o ministério pastoral por uma organização eclesiástica. Ou seja: pastores. Em especial em determinadas denominações, a pregação virou exclusividade dos pastores. Portanto, é natural para quem vive uma situação assim que, ao me ver pregando em um púlpito ou uma plataforma, imediatamente pressuponha que sou alguém que ocupa o cargo de “pastor de igreja”. E isso me preocupa. 

pastor 2“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço…” (Ef 4.11-12). Veja que há uma diferenciação explícita entre pastor, evangelista e mestre. Portanto, quando subo a um púlpito ou uma plataforma para falar a um grupo de pessoas sobre o evangelho, posso estar exercendo um chamado de mestre. Ou de evangelista. Não necessariamente o de pastor. Mais do que isso, posso estar simplesmente cumprindo, como filho de Deus, aquilo que Jesus mandou que eu e você fizéssemos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado…” (Mt 28.19-20); “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). 

Claro que é de se esperar que aqueles que foram chamados a exercer o ministério pastoral em cargos institucionalmente estabelecidos tenham um conhecimento teológico mais aprofundado que as demais pessoas, pelo fato de terem dedicado muito tempo ao estudo das coisas de Deus e de viverem no dia a dia os conflitos e as dores do rebanho. A experiência e o conhecimento que acumulam os capacitariam a ministrar com muito mais propriedade e, por isso, é indispensável que quem prega se prepare e saiba o que está falando. Não dá para se pregar sobre o que não se sabe, evidentemente. Mas não necessariamente é uma verdade universal que só os tais devem exercer a atividade da proclamação, pois é fato que há muitos e muitos cristãos que não são pastores ordenados por uma igreja mas estudaram teologia, leem avidamente sobre as coisas de Deus, têm profundo conhecimento bíblico, exercem dons de socorro e misericórdia e são plenamente capazes de pregar o evangelho, amparar pessoas, oferecer conselhos, interceder.

pastor 3Portanto, oligopolizar a ideia da pregação e do discipulado como se fossem atribuições exclusivas de pessoas que ocupam o cargo de pastores ordenados por denominações eclesiásticas é distorcer o texto bíblico e a realidade da práxis cristã. Não é isso o que diz o “ide”, a grande comissão. E é jogar nas costas dos pastores ordenados todo o peso de uma responsabilidade que é de todos nós. Não terceirize a proclamação do evangelho: se você é cristão, ela é tarefa sua. 

Confesso: ser chamado de pastor só porque prego em um microfone me incomoda. Não pelo fato de ser chamado de pastor, de maneira alguma, isso é uma honra. Acredito e valorizo profundamente o ministério pastoral. Sou eternamente grato a pastores que cuidaram e cuidam de minha vida. Quem me conhece sabe quanto valorizo o belo ministério daqueles que dedicam a vida a pastorear pessoas com seriedade, temor, um coração abnegado e amor por seres humanos. De modo algum este minha reflexão deve ser usada como uma condenação à ordenação pastoral, pois não é: acredito nela. Mas fico incomodado por ver como está introjetada na mente de muitas e muitas pessoas a ideia de que só está capacitado a proclamar as boas-novas de Cristo quem ocupa o cargo institucional de pastor. 

É preciso que fique claro que todos fomos chamados para proclamar as boas-novas. Os dons são distribuídos a quem Deus quer. Os chamados “dons ministeriais” inclusive. Uns foram chamados e capacitados por Deus para ensinar, outros para pastorear. Mas todos os cristãos têm o “ide” a cumprir. Isso torna perfeitamente aceitável – e desejável – que qualquer pessoa com conhecimento pregue ou ensine sobre o evangelho, num púlpito, numa plataforma, numa sala de aula, num presídio, num cemitério, no meio da rua, numa boate, no ônibus, nos confins da terra. E isso serve para você. Se você não se sente suficientemente preparado para pregar, saiba que a solução para a sua carência de conhecimento não é deixar de fazer o que tem de fazer, mas, sim, se capacitar para fazer. 

pastor 4Toda essa reflexão nos conduz a alguns questionamentos: você tem proclamado o evangelho? Tem compartilhado as boas-novas de Cristo? Tem ensinado sobre amor, perdão, paz, confiança, fé? Sua boca tem sido canal de evangelização, edificação, bênção, pacificação? Peço a Deus que deixemos de crer que pregação é uma atribuição exclusiva de quem ocupa um cargo, pois pastorear não significa pregar e pregar não significa pastorear. Que comecemos a trazer para nós essa responsabilidade, para somarmos esforços com os pastores ordenados – de quem somos aliados e não competidores e, muito menos, substitutos. Se isso acontecer, creio que a mentalidade de que só pastores ocupam púlpitos para falar de Cristo desaparecerá. É uma utopia, eu sei. Mas confesso que este é o meu sonho: que, ao descer da plataforma após pregar o evangelho, eu seja chamado, simplesmente, imediatamente e sempre, de “irmão”. Pois, no dia em que isso acontecer, será sinal de que os cristãos passaram a perceber que, em essência, tudo de que alguém precisa para ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura é ser um filho de Deus.

Você é um filho de Deus? Então, prepare-se: essa tarefa é sua. O que está esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

O fim do sofrimento_Banner APENAS
Clicando nas imagens acima e abaixo você vai à loja virtual da livraria Saraiva

Perdaototal_Banner Blog Apenas

irmaos 1Nos últimos anos, tenho recebido convites de diferentes igrejas para pregar, em especial, sobre os temas dos livros que escrevi e que são voltados para todo e qualquer cristão, a despeito de rótulos denominacionais ou doutrinários. Assim, tenho a oportunidade de visitar, conviver, observar e conversar com líderes e membros de muitas igrejas de diferentes nomenclaturas, como Batista, Presbiteriana, Anglicana, Assembleia de Deus, Nova Vida, pentecostais independentes, históricas independentes, Metodista e Episcopal, além de ministérios interdenominacionais. Essas experiências me permitiram conhecer de perto realidades eclesiásticas riquíssimas e diferentes. E, quanto mais eu conheço a família de Cristo, mais me entristece ver aquilo que passei a chamar de “patotização” do cristianismo. 

Confesso que conhecer de perto essa pluralidade de expressões da fé cristã me encanta. É bonito ver como somos capazes de adorar o nosso Pai tanto com um conjunto vocal à capela e um órgão quanto com bateria e guitarras distorcidas. É lindo ver como pregadores de terno e gravata, colarinho clerical, blaser, camisa social ou camisa pólo são capazes de pregar, com o mesmo amor e respeito, o evangelho autêntico, a despeito do tipo de pano que usam sobre o corpo. É extraordinário perceber como grupos de irmãos mais silenciosos ou mais extrovertidos são capazes de cultuar a Deus com a mesma sinceridade de coração. É especial notar como cristãos salvos da linha pentecostal ou cristãos salvos da linha tradicional são filhos do mesmo Deus e são capazes de se relacionar com ele com o mesmo nível de amor e devoção. Em resumo, quanto mais eu conheço igrejas diferentes, mais claro fica que as nossas diferenças são pequenas em comparação às nossas semelhanças.

Tenho aprendido a amar cada vez mais a noiva de Cristo, apresente-se ela morena, ruiva ou loira. Venho percebendo cada vez mais a beleza da noiva do Cordeiro, não importa se, como presbiteriana, ela tenha olhos azuis; como pentecostal, olhos verdes; como batista, olhos castanhos; e como anglicana, olhos negros. Esses detalhes não mudam o fato de quem ela é: aquela por quem Cristo subiu à cruz. E, se Deus a chamou para si, ai de mim desqualificá-la pela cor dos olhos. 

irmaos 2Quando você ama alguém, não importa se ela está de maquiagem ou com cara de quem acabou de acordar. Muito menos, com roupas caras ou baratas. O amor verdadeiro cuida do ser amado mesmo quando ele está doente, vomitando e com mau hálito. O amor profundo releva pequenos defeitos ou atitudes ligeiramente equivocadas  que o ser amado adota com sinceridade. Se você ama de fato alguém, vai botar o foco na essência, no todo que conquistou seu amor e não naqueles pequenos defeitos que o ser imperfeito que você ama tem (e quem não os tem, não é mesmo?). Do mesmo modo, seria bizarro acreditar que Deus rejeite essa ou aquela igreja ou denominação porque ela de bom coração cometa um ou outro erro – desde que, claro, não configure heresia. 

Infelizmente, o ser humano tem mania de rejeitar o que Deus não rejeita. Some-se a isso o nosso instinto gregário, que nos leva a querer andar em bandos e pertencer a tribos com que nos identificamos, e pronto: tem início a patotização. É natural ao ser humano e a inúmeras espécies de animais formar patotas. O termo “patota” significa, simplesmente, “grupo de amigos”, “galera”. Porém, no uso popular, essa palavra já ganhou um sentido que remete a uma panelinha, um grupinho fechado, uma turma de pessoas que se relacionam por afinidades e rejeitam os que são de fora. Isso é exatamente como se caracterizam determinados grupos de cristãos. Há pessoas que se agarram tanto às patotas a que pertencem que, tristemente, se fanatizam, se apaixonam, recusam-se a ver os defeitos desse grupo, passam a se considerar mais integrantes dessa turma que aos seus olhos é inerrante do que membros de um corpo maior – do Corpo maior. De certo modo, praticam a “patotalatria”. 

irmaos 3Meu irmão, minha irmã, ser batista, presbiteriano, metodista, calvinista ou pentecostal não te define: você é cristão. A superfície do mar não define todo o oceano. Nenhuma denominação é perfeita. Nenhuma igreja local é irretocável. Nenhum pastor é inerrante. Nenhuma linha soteriológica merece se tornar sua alcunha. Se você é mais maranata, presbiteriano ou Assembleia de Deus do que cristão como todos os outros cristãos, algo está muito errado com a sua fé. Se você é mais calvinista ou arminiano do que cristão, precisa com urgência voltar às bases da fé e reaprender o significado de Igreja. Muitos filhos de Deus se agarram mais à sua patota denominacional ou doutrinária do que ao Corpo maior para o qual Cristo os chamou. Acham que mudar a visão teológica de seus irmãos em Cristo para aquilo em que eles acreditam é a sua missão, em vez de se dedicar a assuntos realmente importantes do evangelho – como evangelização, amor, perdão, restauração, pacificação, caridade e outros. Querem mudar a teologia alheia, mas sem levar em conta a graça no trato com o próximo. Acabam se tornando pregadores de doutrinas e não do evangelho. Apaixonados, muitos se tornam agressivos, sarcásticos, arrogantes, irritantes, surdos ao diferente, despidos de bom senso, destituídos de amor cristão. Querem convencer, querem ter razão, querem converter irmãos do cristianismo para o cristianismo.

Uma fruta não se define pela casca. Cascas fazem parte da fruta, mas não são a fruta. Lamentavelmente, muitos cristãos têm se definido por cascas. “Eu sou reformado”, “Eu sou da missão integral”, “Eu sou pentecostal”, “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”. Paremos com isso. Paremos com essa atitude separatista e busquemos a conciliação pelas semelhanças. Nós somos cristãos. Somos de Cristo. Servos do Deus altíssimo. Filhos do Criador de céus e terra. Cidadãos do reino. Isso, sim, nos caracteriza. O resto são aspectos periféricos da fé e não devemos nos separar e fragmentar por causa de diferenças secundárias ou terciárias. 

irmaos 4Tenho visto a noiva do Cordeiro nas diferentes igrejas em que prego, das mais variadas linhas e denominações. Pessoas que amam o mesmo Cristo que eu e que amam o próximo como a si mesmo com o mesmo amor. Uns batizam crianças, outros não; uns são cessacionistas, outros não, uns entendem a eleição divina de um jeito, outras de outro. Mas todas creem no mesmo Jesus, confessam o credo apostólico, oram ao mesmo Senhor Soberano, nasceram da água e do Espírito. São meus irmãos em Cristo. São filhos de Deus. São salvos. Justificados, regenerados, adotados. Vão morar no céu. Meu papel não é dedicar minha vida a mudar a teologia deles, é viver o amor de Deus ao lado deles – apesar das diferenças. Triste é quem não percebe isso e investe seus dias a perder tempo combatendo irmãos que pensam diferente em aspectos secundários e periféricos da fé, o que não glorifica Deus em nada e tampouco exalta sua soberania. Deus não precisa de nada disso para ser soberano. Ele é o que é.

A Bíblia relata que Jesus fez ao Pai uma oração que nunca foi atendida: Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo 17.20-23). Jesus pediu que nós, cristãos (“aqueles que vierem a crer em mim”), vivêssemos em unidade, “a fim de que todos sejam um” e “para que sejam um”.  Lamentavelmente, nós, cristãos, estamos longe disso, a unidade que Jesus desejou para nós é um sonho distante, enquanto, por outro lado, proliferam em nosso meio as obras da carne sobre as quais Paulo alertou, “discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20). 

irmaos 5Meu irmão, minha irmã, como disse Mário Sergio Cortella, a vida é curta demais para ser pequena. Não desperdice seus preciosos segundos de vida com aquilo que não é pão. Sinceramente, duvido muito que Deus esteja preocupado se você é calvinista ou arminiano, pentecostal ou cessacionista, alto ou baixo, magro ou gordo. Duvido que, ao chegar nos portões da eternidade, Cristo olhará para você e perguntará que doutrina soteriológica você professou em vida: o que ele verá é se o sangue do Cordeiro está aspergido sobre a sua cabeça. Se a sombra da Cruz cobre você. E não creio que ele dirá algo como “vinde, benditos de meu Pai, porque fostes reformados ou arminianos, crestes no livre-arbítrio ou no TULIP, professastes o pentecostalismo ou o cessacionismo”. O que ele dirá, e disso tenho absoluta certeza, é: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

Os temas e as doutrinas que criam esses rótulos são importantes? Claro que sim. São prioritários? De modo algum. Quem segrega irmãos em Cristo por conta desses aspectos secundários da fé precisa amadurecer – e muito – no real sentido do que é o evangelho de Jesus. Dê prioridade ao que é prioritário. Enfatize na sua vida o que Jesus enfatizou na dele. E pode ter certeza de que essas questões não foram nem de longe prioridade para Cristo (basta ler os evangelhos e você perceberá isso com uma facilidade enorme). O resto? O resto é resto. É vaidade e correr atrás do vento…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

.
O fim do sofrimento_Banner APENAS
Clicando nas imagens acima e abaixo você vai à loja virtual da livraria Saraiva

Perdaototal_Banner Blog Apenas