Arquivo da categoria ‘O fim do sofrimento’

Tudo começou dia 8 de janeiro, uma terça-feira. O primeiro sintoma foi uma moleza grande, graças à febre que chegou no início da noite. Na quarta, minha garganta já explodia de inflamação e dor. Fiquei preocupado, pois na quinta-feira minha mãe chegaria de volta da Espanha, onde havia ficado por seis meses, e eu queria estar bem para recebê-la. Por isso, logo que acordei no dia 10, com os mesmos sintomas, procurei cedo o otorrino para ser examinado. Com muita fraqueza e dores, fui à consulta e recebi o diagnóstico de uma virose, com indicação de gargarejo e paciência para esperar o organismo debelar o vírus. Porém, mais coisa estava por vir.

Fui ao aeroporto receber minha mãe com esforço, a voz já transformada num som sibilado e sem volume. Naquela noite, a garganta estava tão inflamada que simplesmente não consegui pregar o olho, uma vez que cada engolida de saliva causava uma pontada aguda em cada lado da garganta. Noite em claro. Minhas olheiras perenes se tornaram bolsas caudalosas sob os olhos.

O tempo passou e nada parecia melhorar. A dor de garganta persistia, o estado febril abatia meu ânimo e, para piorar, veio a tosse. Passei dos gargarejos para um corticoide e, dele, para um antibiótico. Escrevo este texto no fim da madrugada do dia 16 de janeiro, exausto após uma noite inteira acordado em decorrência de uma tosse persistente que já faz meu peito doer de tanto sacudir e contrair. Sinto-me sonolento, indisposto, cansado e fisicamente fraco, abatido e, francamente, mal.

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Em nossos dias, quando cristãos vão a público falar de doenças, em geral é para dar testemunhos de cura. Não é o que vim fazer aqui. Ainda não estou curado (e, por favor, não venha com Isaías 53, um pouco de estudo bíblico sério vai te mostrar que eu “tomar posse da cura que já é minha” não me fará ser curado milagrosa e instantaneamente. Mas isso é papo para outro post). Fato é que minha intenção neste texto não é tratar da cura que ainda não veio, mas da minha fraqueza em meio a isto tudo.

Minha mãe comentou recentemente que, desde que chegou ao Brasil, pouco me viu sorrir. Eu nem tinha percebido. Mas o fato é que é difícil sorrir em meio a dor, cansaço, abatimento, sono, fraqueza. E, em meio a esse mal-estar generalizado, lembro das palavras de Paulo de Tarso, após ter recebido um espinho na carne para combater sua arrogância, ter orado três vezes para se ver livre daquele sofrimento e ver seu pedido ser sistematicamente negado. É quando ele diz: “Em três ocasiões, supliquei ao Senhor que o removesse, mas ele disse: ‘Minha graça é tudo de que você precisa. Meu poder opera melhor na fraqueza’. Portanto, agora fico feliz de me orgulhar de minhas fraquezas, para que o poder de Deus opere por meu intermédio. […] Pois, quando sou fraco, então é que sou forte” (2Co 12.8-10).

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No estado de falta de ânimo e disposição em que estou, consigo enxergar com cores bem mais nítidas as palavras do Senhor. Minha fraqueza me põe em um estado de submissão ao que vier pela frente. Desde que comecei a escrever este texto, após mais uma noite em claro devido à tosse forte, já cochilei umas cinco vezes. Parece que o sono é bem mais forte que eu. Aliás, qualquer coisa parece ser mais forte que eu neste momento. O mau humor. A tosse. A dor. Tudo. Sim, minha fraqueza contribui para me deixar completamente vulnerável e sem forças para reagir. E penso que é exatamente o que Deus quer em momentos como este.

Seu poder opera melhor na fraqueza porque, quando estou fraco, abaixo as armas do ego, solto as rédeas da autossuficiência, perco as energias para tentar construir um caminho segundo minha tola vontade. Minha fraqueza me submete. Me humilha. Perco a vontade de falar e torno-me um ouvinte melhor. Minha entrega se dá com menos resistência e me vejo como menos dono da minha vida. Minha fraqueza me revela quem eu sou e me lembra de que não passo de poeira cósmica totalmente dependente do fôlego de vida do Criador.

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E aí entra em cena o poder. Dele, não meu. Em meio à minha fraqueza, ele se manifesta plenamente como é, fazendo o que deseja fazer, lançando mão de sua prerrogativa de Senhor para pintar-me com as cores que quiser. Sem resistência. Sem oposição. Sem “mas” nem “porém”, pois falta disposição.

Deus, faze. Tua é a glória, realiza a tua vontade. Manifesta o teu poder.

Estou fraco. Ele é forte. Eu me submeto e ele age. No entanto, há algo importante a ser lembrado: ele é Pai. Pai nosso. E ele é amor. O Amor. Isso faz com que sua força não seja totalitária, impositiva ou destrutiva; é, antes, uma força compartilhada e edificante. Ele usa minha submissão, em fraqueza, para manifestar sua graça, em amor. Quando sou fraco, então é que sou forte porque ele usa meu desarmamento para dar-me por herança filial o direito de usar sua força. E torno-me administrador daquilo que ele me delega. Não tenho espada nem escudo, pois não estou com forças para carregá-los, mas tenho a força do Senhor dos Exércitos, que carrega o mundo para mim. Sou fraco, ele é forte; estou fraco, ele me concede sua força.

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Meu irmão, minha irmã, você está se sentindo fraco? Cansado? Abatido? Dá vontade de desistir? Entregar os pontos? Chegou ao limite? Que bom. Não, isso não é mau como parece. É oportunidade. Deus deixou a fraqueza vir para ensinar-lhe submissão em amor. Então… submeta-se. Abra mão de tantas opiniões e certezas, de tantos arroubos e petulância e desfrute deste momento de cansaço, abatimento, sono e apatia. Embora não tenha essa aparência, seu abatimento foi permitido pela graça. E onde há graça, há Deus. E onde há Deus, tudo é bom, perfeito, bonito e colorido.

Como você tem reagido em meio à sua fraqueza? Com reclamações, exigências e confrontos com Deus? Será que você não tem se visto como um injustiçado, afinal, “você é fiel e não é correto que Deus permita você passar por este vale”? Calma, Jó, não é assim que a banda toca. Quão mais justo você se enxerga, mais precisa se ajustar à justiça divina. Quanto mais alvo de injustiças você se sente, mais o seu Pai precisa mostrar-lhe quem você é. Para melhorá-lo, por amor, e ajustá-lo à semelhança do Cristo ressurreto.

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A cruz foi a fraqueza do Cordeiro, seu lugar de abatimento, tristeza e desânimo. Mas o sepulcro vazio foi a manifestação da força do Criador. Desejo a você o mesmo: que em meio à sua cruz, Deus manifeste a sua ressurreição. E, então, submetido ao poder divino, você ouvirá do Mestre: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”.

Nesse momento, com um sorriso finalmente no rosto, você poderá dizer, em resposta: “Ainda que a figueira não floresça e não haja frutos nas videiras, ainda que a colheita de azeitonas não dê em nada e os campos fiquem vazios e improdutivos, ainda que os rebanhos morram nos campos e os currais fiquem vazios, mesmo assim me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus de minha salvação! O Senhor Soberano é minha força! Ele torna meus pés firmes como os da corça, para que eu possa andar em lugares altos”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Acordei de manhã, cheguei na janela e vi esta triste cena: um belo passarinho morto em minha varanda. Seu aspecto era pacífico, deitadinho de costas, as asas cruzadas sobre o peito, como se tivesse repousado no chão, achado uma posição confortável, suspirado e deixado a vida escapulir devagarinho. Assim que o vi, fiquei longamente em silêncio e, imediatamente, veio um texto da Bíblia em minha mente: “Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros?” (Mt 6.25-26). Parecia uma contradição. Se Deus cuida dos pássaros, por que aquele pobrezinho estava morto em minha varanda? Esta pergunta passa constantemente pela mente de quem perdeu um ente querido: se Deus existe e é bom, por que quem eu amo morreu?

Essa semana tomei conhecimento de que uma irmã com quem caminho junto no Facebook perdeu dois filhos de forma muito triste: a vida deles foi tomada por assassinos enquanto dormiam. Como tomar conhecimento de algo assim e permanecer sereno, crendo que, sendo mais valiosos que os pássaros, Deus cuidará de nós? Será que cuidará mesmo? Como descansar diante do fato de que os pássaros do céu e gente amada de Deus morre? Estará a Bíblia mentindo? Como ficam as promessas de Deus diante dos duros fatos da vida?

Muitas pessoas se revoltam com Deus porque pensam que o cuidado divino tão mencionado na Bíblia seria uma promessa de imortalidade em vida. Leem o salmo 23 e entendem que Deus os blinda das maldades do mundo; em especial, da morte. A ideia é: se Deus cuida de nós e nos ama, não permitirá que morramos, em especial, “fora de hora”. Entender isso é muito importante, pois, se não compreendemos as realidades que envolvem esse fenômeno, seremos assolados por revolta, dúvida e depressão a cada pessoa amada que partir.

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Diante desse quadro, não podemos nos esquecer de três verdades bíblicas:

1. A morte é a grande certeza da vida. Embora a morte de seus santos seja custosa ao Senhor, um dia morreremos. Fato. Não é uma questão de “se”, mas de “quando”: “o Senhor Deus lhe ordenou: ‘Coma à vontade dos frutos de todas as árvores do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se você comer desse fruto, com certeza morrerá’.” (Gn 2.16-17).

2. Nossa vida não escapa das mãos de Deus. Ele a tem muito bem conduzida debaixo de sua soberania e o momento da nossa morte não pega Deus de surpresa: “cada dia de minha vida estava registrado em teu livro, cada momento foi estabelecido quando ainda nenhum deles existia” (Sl 139.16).

3. O fato de morrermos não quer dizer que Deus não cuida de nós, nos abandonou ou não nos ama. Para quem está em Cristo, a eternidade ao lado do Senhor é uma certeza. “Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: ‘Vejam, o tabernáculo de Deus está no meio de seu povo! Deus habitará com eles, e eles serão seu povo. O próprio Deus estará com eles. Ele lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Todas essas coisas passaram para sempre’.” (Ap 21.3-5).

Lembre-se de algo: aquilo que conhecemos por “vida” é apenas a porta de entrada da existência eterna. Se vivemos 20, 40, 60 ou 80 anos nesta terra, viveremos bilhões de anos, vezes bilhões de anos, na eternidade. Esta vida pesa muito para nós porque é o que conhecemos. E é normal, o próprio Cristo entrou em agonia no Getsêmani ao antever seu sofrimento e morte. O temor ante à morte faz parte, pois Deus nos deu o instinto de sobrevivência, que luta contra a ideia da mortalidade. Mas, se conseguimos olhar pelos olhos de Deus e contemplar o peso da eternidade, da vida que começa depois da vida, teremos mais paz ante à partida de pessoas queridas.

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E mais: se nós e nossos entes queridos vivemos em Cristo, morreremos em Cristo e com Cristo estaremos por toda a eternidade. Isso nos dá uma certeza extraordinária: a expectativa do reencontro. Para essa certeza, a morte não é um “adeus para sempre”, mas um “vou ali e já volto”. Devemos pensar sobre isso.

Meu coração apertou quando vi o passarinho em minha varanda. Fiquei pensando que nunca mais eu o ouviria piar, que no dia seguinte não seria alegrado pela beleza de seu voo, que as alegrias do convívio com aquele animalzinho cessavam ali. Isso entristece, claro, pois sempre queremos mais momentos com quem tem o dom da vida. Mas em nenhum momento questionei o amor de Deus. Sofri porque eu queria mais da vida daquele passarinho. Porém, pensativo, entendi que a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor era que não mais tivesse isso. O Senhor deu, o Senhor tomou. Bendito seja o nome do Senhor.

Meu irmão, minha irmã, se você questiona o amor e o cuidado de Deus porque ele decidiu levar desta vida alguém que você ama, receba meu abraço apertado e sentido, mas lembre-se das verdades listadas neste texto. É natural que você chore de saudade, isso não é pecado nem demonstra falta de fé. Sim, saudade não é pecado. Chore mesmo, vai te fazer bem. Mas não questione o amor do Senhor ou o seu cuidado em razão da sua perda. Deus é bom. Ele segue sendo Deus. Ele segue no controle. Ele segue sendo amor.

Que Deus console o coração de todos que estão enlutados. Que, em seu infinito e perfeito amor, ele amaine a dor da saudade e dê paciência para aguardar pelo reencontro. E que, acima de tudo, o Senhor lembre a todos os que vivem o luto que ele mesmo deu o próprio Filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Você crê? Então lembre-se de que a vida eterna é a maior prova de todas do cuidado e do amor de Deus por você.

(A reflexão de hoje é dedicada a Irani e Laercio. Seus passarinhos voaram para longe, e eu sei que a saudade dói. Mas tenham a certeza de que voltarão a ouvi-los cantar…).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Não sei se você já tomou conhecimento disso, mas há poucos meses foi lançado um par de óculos especiais que permite a pessoas daltônicas enxergar as cores. Um daltônico é alguém que sofre de um tipo de deficiência visual que não lhe permite ver algumas cores específicas. Por essa razão, ele não consegue ver o verde, o vermelho, o azul ou o amarelo (dependendo do caso) e, no lugar dessas belas cores, enxerga tons sem graça, como cinza e marrom. Você consegue imaginar como se sente alguém que viveu anos ou décadas  enxergando o mundo com cores monocromáticas e apagadas e, de repente, põe os tais óculos e passa a ver a vida em todo o seu esplendor de cores? Pois bem, não é preciso mais imaginar. Isso tornou-se realidade quando esses óculos especiais chegaram ao mercado, há poucos meses.

Para continuarmos nossa reflexão, eu pediria, por favor, que, antes, você assistisse a um vídeo que mostra daltônicos enxergando por meio desses óculos e vendo as cores em toda a sua vivacidade pela primeira vez. Veja neste link: https://youtu.be/TROCGz5qvmw. Só depois de ver pelo menos uma parte do vídeo, por favor, continue a ler este texto, para que ele faça sentido.

Eu espero, pode ir lá assistir. 

Pronto.

Assistiu ao vídeo? Então vamos adiante.

Foi emocionante, não? Eu confesso que derramei lágrimas nas duas vezes em que o vi. O que mais tocou meu coração foi tentar me pôr no lugar daqueles homens e mulheres e imaginar como foram impactados pela diferença de sua percepção da vida antes e depois de pôr os óculos. 

É importante lembrar que nenhuma dessas pessoas jamais havia visto o mundo de modo diferente do que sempre viram: cinzento, amarronzado, monocromático, sem graça. Para eles, aquilo era a normalidade. Eles não tinham como compreender plenamente o que significava enxergar a vida com todas as suas cores verdadeiras. Por essa razão, visto que nasceram e cresceram tendo como único referencial aquela realidade distorcida, se acostumaram a ela e não conseguiam nem ao menos conceber que o mundo fosse qualquer coisa diferente do que sua concepção lhes mostrava. 

Até que puseram os óculos. 

Pense na emoção que sentiram. Eles se deram conta de que, pela primeira vez, estavam vendo as coisas como elas verdadeiramente são. A verdade é vibrante, é vivaz, é vermelho-sangue, laranja, verde em tons diferentes, é magnífica! Porém, como seus olhos jamais tiveram a capacidade de enxergar a realidade como ela é, aqueles daltônicos estavam acostumados à pasmaceira de sua percepção monocromática, sem graça, monótona. A vida daquelas pessoas era uma sombra da realidade, pois elas não conseguiam enxergar as verdadeiras cores da realidade. Em outras palavras, seu mundo era uma mentira – o que não as incomodava, visto que estavam totalmente acostumadas à sua concepção inverídica da própria existência. Mas, depois que puseram os óculos especiais, com toda certeza sua vida nunca mais foi a mesma.

Aqueles óculos me lembram o evangelho de Cristo. Nascemos mortos em delitos e pecados, satisfeitos com nossa vida de miséria. Acreditamos piamente que aquele mundo cinzento e amarronzado em que vivemos é a única realidade possível e não conseguimos conceber que haja uma realidade melhor, mais verdadeira, extraordinária e vibrante do que o nosso universo cinza. Nos conformamos em achar que os múltiplos tons de verde nas árvores da existência são de uma única tonalidade, que o céu do pecado é maravilhoso em sua cor pálida e sem graça, que os balões da festa da eternidade são ótimos do jeito que estão. Não achamos que nada precisa mudar. Estamos acomodados com a realidade irreal em que habitamos desde sempre. 

Até que…

Um dia, o Espírito Santo de Deus põe em nosso rosto os óculos da graça. E, quando nos damos conta… uau! Uau! Tudo muda! A reação de quem consegue pela primeira vez enxergar a vida pelas lentes do evangelho da graça não é muito diferente da que tiveram os daltônicos do vídeo ao se dar conta de que a vida real era infinitamente mais extraordinária do que a sua percepção distorcida da vida. Se passamos por um real novo nascimento, a emoção é similar. Percebemos que tudo o que vivemos até ali era uma mentira. Um simulacro. Vivíamos na caverna e achávamos que as sombras eram vida. Ficamos pasmos. Assombrados. Estupefatos. É o que a graça faz: nos mostra a beleza daquilo que jamais havíamos percebido antes. E estamos maravilhosamente condenados a nunca mais olhar para a vida da mesma maneira. 

Durante os minutos em que assisti ao vídeo, dois pensamentos ficaram em minha mente:

O primeiro foi ficar refletindo sobre a genialidade de quem criou esses óculos. Se as pessoas do vídeo estavam tendo aquela experiência extraordinária, não era por mérito delas, mas do criador daquela tecnologia. Alguém que se dedicou, provavelmente por anos, a decifrar como criar óculos que permitissem a daltônicos ver as cores como realmente são. O mundo que aqueles homens e mulheres descobriram foi por puro mérito do criador dos óculos. Assim como, no evangelho de Cristo, ver a vida pelas lentes da salvação é algo que recebemos por mérito único e exclusivo do Criador. Isso é graça. Nós estávamos parados, felizes com nossa vida cinzenta de pecado, sem desejar nada diferente das folhas marrons das árvores da vida, quando Deus pôs os óculos da graça em nosso olhos e passamos a ver tudo de modo novo, extraordinário e verdadeiro. 

O segundo pensamento foi sobre o fato de que as pessoas do vídeo que receberam os óculos os ganharam de presente de alguém, a mãe, o pai, a esposa ou um amigo. Alguém foi o responsável por levar ao daltônico a boa-nova de que aqueles óculos lhe permitiriam ver o mundo de modo diferente. No evangelho de Cristo, isso também ocorre. Para que as pessoas consigam ter acesso aos óculos da graça salvadora, alguém como eu e você tem de levar até elas essa boa-nova. O nome disso, você já sabe, é evangelismo. 

Você não ficou emocionado ao ver aqueles daltônicos sendo tocados na alma por descobrir a verdade da vida? Não agradece a Deus por alguém ter tido a ideia de dar-lhes aqueles óculos? Se a sua resposta a essas perguntas foi positiva, gostaria de estender esse questionamento à pregação do evangelho: você tem o mesmo tipo de emoção ao ver uma pessoa convertida a Cristo? Se não tem, deve se perguntar por que um daltônico ver cores o emociona mais do que uma alma ser salva do inferno. Se tem, eu perguntaria quantas vezes você já foi o canal para pessoas sentirem esse tipo de emoção. Em outras palavras: quanta gente você já evangelizou? A quantas almas cinzentas você já estendeu os óculos da realidade espiritual?

A cruz e a sepultura vazia são os óculos que nos deram acesso às cores desta vida e da vida eterna. Mas, se não formos até os daltônicos espirituais e lhes estendermos esses óculos por meio da proclamação do evangelho, eles continuarão eternamente achando que o vermelho é cinza e que o verde é marrom. Como embaixador do reino de Deus, você tem proclamado a salvação por meio de Cristo? Tem aberto a boca para chamar pecadores ao arrependimento e à remissão de seus pecados? De nada adiantará haver óculos disponíveis se você não os levar aos daltônicos espirituais. 

Termino com uma reflexão. Imagine que um daltônico tivesse outro amigo daltônico. O primeiro ganha de presente os óculos especiais mas jamais conta ao amigo o que aqueles óculos são capazes de fazer por ele. O que você pensaria desse cara? Gostaria dele? O consideraria uma pessoa legal? Ou o consideraria um egoísta desalmado, que desfruta de todos os benefícios e todas as emoções proporcionados por ter e usar aqueles óculos sem compartilhar com o amigo? Assim é, também, com quem desfruta de toda a espetacular experiência que é ver o mundo pelos óculos da graça e ter a salvação por meio de Cristo e guarda para si essa boa-nova. Como tem sido com você? Você compartilha o evangelho com quem não conhece o amor de Cristo ou o guarda só para si? O que a sua atitude fala a seu respeito?

Se você percebe que tem sido silencioso e não compartilha a maravilhosa e multicolorida graça de Cristo com o mundo cinzento e triste, alguma coisa está errada. Algo precisa mudar. E só depende de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Este é o post número 500 do blog APENAS. Já são quase 6 anos escrevendo reflexões sobre os mais variados aspectos da vida cristã. Foram quase 2.100 dias cheios de altos e baixos, textos escritos em meio à dor ou à alegria, com o único objetivo de contribuir de algum modo para a edificação dos meus irmãos e de minhas irmãs e para a glória do Criador. Sinceramente, quando penso nesse número mal consigo acreditar. Ao olhar para essa jornada, me vêm à mente alguns pensamentos, que gostaria de compartilhar com você.

1) Penso na graça de Deus. Muitas vezes li, ao longo desses quase 6 anos, muitos comentários de assinantes do blog agradecendo, elogiando e relatando como foram abençoados por textos compartilhados aqui. Sempre que leio um depoimento como esse, acredite, me pergunto “como é possível?”. Sou uma pessoa absolutamente comum, cheia de pecados, com angústias e dúvidas, altos e baixos, sem nenhum pingo de santidade a mais que qualquer outra, que apenas se esforça. E, ainda assim, aprouve ao Senhor usar este vaso de barro bem rachadinho e esfarelento para levar o tesouro da sua Palavra às pessoas que acessaram mais de 3,4 milhões de vezes o APENAS. Não é, de modo algum, falsa modéstia, é uma percepção realista: isso só foi possível pela graça de Deus. Sim, reflexões de um cidadão tão pecador como eu abençoarem a sua vida é uma prova gigantesca de que a graça de Deus age como quer, onde quer, por meio de quem quer. Graça.

2) Penso em como somos seres capazes de mudar. Em 2011, quando criei este blog, eu era um cristão irado, um caçador de hereges, que escrevia textos raivosos e verborrágicos “em nome de Jesus” e achava que com isso estava contribuindo com o reino de Deus. Depois de um processo muito doloroso em minha vida pessoal, parei, pensei, orei e percebi como eu estava errado. Decidi reler os evangelhos com atenção especial para o que Jesus disse, como disse e com que finalidade disse. Dessa percepção, morreu o escritor que discutia com fúria e termos rebuscados acerca de institucionalismos e nasceu o escritor disposto a escrever numa linguagem que todos entendessem e dedicado a falar ao coração humano. Deixei de lado debates intermináveis sobre temas intermináveis e periféricos da teologia e passei a escrever sobre temas centrais da fé, como perdão, sofrimento, fé, amor, graça. Desisti de ser um cruzado vingativo e decidi ser um pacificador que devolve o mal com o bem. Transformação.

3) Penso na possibilidade de corrigir erros do passado. Quando passei por esse processo doloroso, fiquei alguns meses sem escrever, refletindo, me reinventando. Decidi reler textos do início do blog. Apaguei cerca de vinte deles, por não concordar mais com o que eles diziam. Em geral, por serem textos agressivos, ofensivos, irados. Eu não queria mais ser assim. Queria ser como Cristo, manso e humilde de coração. E isso exigia arrependimento e consertos. Assim como Zaqueu, tentei corrigir o passado. O jeito que enxerguei foi deletando aquilo em que eu não mais acreditava. Descobri que o pensamento “eu sou desse jeito mesmo e é assim que Deus vai me usar” não é bíblico, pois todos podem corrigir os erros, trabalhar o temperamento, voltar atrás e buscar consertar os estragos que provocaram. Arrependimento.

4) Penso que não custa caro amar o próximo. Este blog nunca teve um anúncio pago sequer, nunca me rendeu nenhum centavo. Não o criei como fonte de renda, minha motivação sempre foi e continua sendo edificar vidas, para a glória de Deus. Descobri que não ter nenhum tostão no bolso não é desculpa para deixar de fazer algo pelos outros. Não tenho riquezas, quase não tenho economias, mas, por meio de uma ferramenta gratuita de criação de blogs, oferto a meus irmãos e irmãs toda semana aquilo que Deus quis me dar: pensamentos, conhecimento bíblico, caminhos percebidos para as dores da vida. Também nunca pedi para ninguém curtir minhas postagens, comentar, compartilhar, nada que fosse um estímulo induzido a arrebanhar seguidores ou assinantes: divulga o blog quem deseja, convida amigos para assinar quem é tocado no coração. Divulgação espontânea, de quem Deus leva a fazer isso. Zero centavo em propaganda. Amor ao próximo.

5) Vi que o fracasso faz parte da jornada. Fiz algumas tentativas no APENAS que não foram bem-sucedidas. Gravei Mateus e Marcos em áudio, mas foram tão poucos acessos que tirei as gravações do ar. Tentei fazer sorteios, com poucos interessados. Escrevi sobre questões a que pouca gente deu ouvidos. Gastei horas da vida escrevendo reflexões que não tiveram muita consequência. Fui atacado ferozmente por pessoas que leram algo de que discordavam e, por isso, me chamaram de nomes que não me atrevo a reproduzir. Descobri com isso que, mesmo que o que você não faça duas ou três coisas que acertem o alvo, deve continuar tentando, pois os acertos sempre vão compensar os fracassos. Perseverança.

6) Descobri que o poder da Palavra é realmente extraordinário e, uma vez que você proclama o evangelho genuíno, puro e simples, sem segundas intenções, ele terá consequências que independem de você e dos seus esforços. Por vezes, escrevi textos que me pareceram simples demais ou até meio bobinhos e, para minha surpresa, diversos assinantes disseram ter sido muito tocados por ele. Outras vezes, escrevi algo que gente de outros continentes leu e disse ter sido abençoado. Marcou-me em especial uma irmã que me procurou em um evento para dizer que havia desistido de se suicidar ao entrar na internet para descobrir a melhor forma de tirar a própria vida e acabou mudando de ideia ao ler um texto que escrevi. Tudo isso, tenha a absoluta certeza, não é de modo algum mérito meu: é mérito do poder sobrenatural da Escritura. Palavra.

Eu poderia continuar relatando mais e mais coisas que aprendi em minha jornada com o APENAS, mas vou terminar por aqui, pois algo que também descobri é que as pessoas em geral não gostam de ler textos longos na Internet. Curiosamente, isso fez de mim um autor de livros. Pois foi ao produzir escritos que não caberiam neste espaço, fruto de pesquisas aprofundadas na Escritura, que acabei escrevendo livros como Perdão totalO fim do sofrimentoConfiança inabalável, Na jornada com Cristo e outras obras. Em maio chega às livrarias meu nono livro publicado, Perdão total no casamento. E, enquanto Deus me iluminar para eu escrever o que é grande demais para o APENAS, continuarei dando à luz textos que poderão vir a se tornar livros.

Obrigado por sua leitura. Obrigado por sua companhia. Obrigado por me permitir o privilégio de contribuir para sua jornada com Cristo. Agradeço, em especial, a você que está entre os mais de 3,4 mil assinantes, que optaram por se cadastrar para receber as postagens por e-mail e, assim, se tornaram companheiros fieis na estrada da vida cristã. Ter a sua companhia nesta jornada é o que me incentiva a continuar escrevendo, por saber que as reflexões que brotam em minha mente e em meu coração não se perderão no vento, mas encontrarão pouso na sua alma. Oro constantemente por cada um dos assinantes do APENAS. Que Deus os abençoe, guarde, ilumine e conduza, sob sua poderosa e amorosa mão. E aguardo, com expectativa, o dia em que conhecerei face a face todos vocês, quando, juntos, viveremos naquele lugar em que não haverá choro, nem sofrimento, nem dor. Apenas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Apenas eternidade. Apenas alegria. Apenas amor. Apenas paz. Apenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Amor 2Você quer viver um grande amor? Então eu gostaria de compartilhar alguns pensamentos com você. A busca por um grande amor faz parte da natureza humana, conforme estabelecido por Deus. Já ouvi dizer que o anseio por ter um companheiro afetivo deve-se ao fato de a humanidade ter pecado e, por isso, possuir um vazio gerado pela ausência do Senhor. Carência afetiva seria, por essa visão, uma consequência da separação entre o Criador e a criatura. Teologicamente, não concordo com isso. Perceba que Deus estabeleceu o relacionamento entre homem e mulher antes da queda: foi ainda quando Adão estava em seu estado perfeito que Deus decretou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gn 2.18). Logo, não foi ao pecar que a carência afetiva e emocional entrou no coração humano, foi antes. A conclusão é que desejar ter alguém para chamar de seu é uma característica natural, essencial e divinamente concedida ao ser humano. 

Não há, portanto, mal algum em querer viver uma história de amor, em desejar construir um projeto de vida conjunto com alguém do sexo oposto. Homem e mulher foram feitos para se buscarem, se complementarem, se estabelecerem como uma unidade plural. “Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher], e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mc 10.7-8). O grande problema ocorre quando você entra em uma relação e decide vivê-la de modo diferente do projeto inicial de Deus. 

A união de dois em um é abençoada caso a vontade de Cristo seja respeitada em tudo. Fora dos parâmetros estabelecidos pelo Senhor, essa união terá sérios problemas, que ocorrem, em geral, quando o cônjuge põe a sua vontade acima da de Deus. 

Amor 3A grande questão, que leva muitos a falirem e fracassarem na relação matrimonial, é que a vontade de Deus para marido e mulher exige renúncia, negar a si mesmo, fazer muito do que não se quer e deixar de fazer muito do que se quer, mortificar o eu em função do outro, domar o  temperamento, mudar o que não está bom… e muitas outras posturas de abnegação. Só que uma enorme quantidade de pessoas não quer isso e acha que elas serão felizes na vida conjugal se ficarem vivendo de acordo com a própria vontade, com o “seu” jeito de viver o casamento, sem querer renunciar a nada. E essa postura, com toda certeza, dará errado. 

Viver um grande amor não é encontrar um príncipe ou uma princesa e viverem felizes para sempre – pois isso não existe. É fazer uma aliança com alguém cheio de defeitos e ser capaz de renunciar muito para desfrutar de uma relação extraordinária. Por isso, é preciso buscar todas as passagens bíblicas que tratam do papel do homem e da mulher numa relação a dois e estudá-las com honestidade e responsabilidade, a fim de por seus ensinamentos em prática. 

Amor 4Se você está em busca do grande amor da sua vida, ótimo, faz muito bem. Saiba que essa é a vontade de Deus para a humanidade. Casamento sem amor é um horror. O amor é a motivação bíblica por excelência para um casamento. Mas entenda que buscar um grande amor não significa nem de longe viver uma parceria em que cada um faz o que deseja, vive como bem entende e só quer desfrutar dos benefícios do relacionamento. Viver um grande amor sempre – preste atenção: sempre – vai exigir muito de você. Vai  exigir sacrifícios. Assim como Adão precisou abrir mão de uma de suas costelas para viver uma história de amor, você terá de abrir mão de coisas importantes para o seu eu em prol de quem ama – a começar pela sua vontade. Quem deseja viver um grande amor terá sempre de abrir mão da própria vontade para priorizar a vontade não do cônjuge, mas a de Deus. Caso contrário, o fracasso matrimonial é certo. Homens subservientes ou egoístas e mulheres desrespeitosas ou egoístas só atraem ruína para o casamento. 

Se você ainda é solteiro, peço a Deus que viva um grande amor. Nesse sentido, a melhor recomendação que eu poderia lhe fazer é que, antes de iniciar um relacionamento, estude na Bíblia o que Deus espera de você ao ingressar num casamento. Investigue quais serão os ônus e as obrigações ao se tornar marido ou mulher. Descubra quais sacrifícios a vontade de Deus exigirá de você. Se perceber que não conseguirá amoldar-se ao padrão bíblico, recomendo que viva solteiro e celibatário. Pois viver de modo rebelde e autocentrado em uma relação a dois só trará problemas, sofrimento, dores, fracasso e infelicidade matrimoniais. Repito: dar as costas para o modelo divino e bíblico para o seu papel numa relação a dois é assinar a falência do seu casamento.

Mas, caso você esteja disposto a ser um marido ou uma esposa que segue fielmente a vontade de Deus, especificada na Bíblia, com toda a renúncia que isso exige, prepare-se para viver um amor pleno, belo, realizado e repleto de alegrias, sorrisos, prazeres e paz. Enfim, um grande amor. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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