Arquivo da categoria ‘Vida eterna’

paternidade-1Recebi pelo espaço de comentários do APENAS uma pergunta interessante. O assinante Daniel indagou: “o que é ser um pai do ponto de vista bíblico?”. Achei o questionamento muito relevante e resolvi compartilhar esta reflexão para trazer uma resposta. Afinal, para que temos filhos? O que é ser um pai ou uma mãe pela perspectiva do evangelho? Qual deve ser o foco da criação dos pequenos? Para que os criamos? A resposta mais objetiva possível é: geramos e criamos filhos para que eles sejam pequenos cristos e, com isso, Deus seja glorificado.

Embora não se costume mencionar esta passagem bíblica no contexto da peternidade, ela é a mais esclarecedora da Bíblia sobre o assunto: “Sejam meus imitadores, como eu sou imitador de Cristo” (1Co 11.1, NVT). Por quê? Porque nossa tarefa é ensinar nossos filhos, por meio de nossas palavras, mas, principalmente, pelo exemplo pessoal, a se conformarem à imagem de Jesus: “Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29, NVT)

Não, você não tem filhos para que eles lhe deem amor ou alegria, para que cuidem de você na velhice, para perpetuar a espécie ou coisa parecida. Tudo isso vem no pacote, mas é consequência e não causa. Nada disso é a função primordial da paternidade. Somos pais e mães para gerarmos vidas que venham a se conformar à imagem de Cristo e, com isso, glorificar a Deus: “Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam para a glória de Deus” (1Co 10.31, NVT). É importante perceber que “qualquer outra coisa” inclui, evidentemente, ter e criar filhos. Portanto, gerar e educar nossos herdeiros deve ser feito para que eles se conformem à imagem de Cristo e, assim, glorifiquem a Deus com sua vida.

Ficou claro?

Com isso em mente, pensemos de forma prática, pois essa percepção tem implicações muito concretas no dia a dia. Absolutamente tudo o que você vive com seu filhote deve carregar o questionamento: o que estou ensinando o fará se parecer mais com Jesus? Minhas atitudes revelam a ele o modo cristão de proceder? Minhas palavras e brincadeiras o fazem resistir à tentação, amar o próximo, honrar os pais e se sacrificar pelas pessoas? Se a resposta for negativa, você está no caminho errado.

paternidade-3Pensemos em termos de exemplos. Primeiro: se o seu filho chega da escola contando que outra criança bateu nele, como você reage? Eu já presenciei um pai dizer para o filho que tinha tomado uns tapas de um coleguinha: “Se ele der em você, dê nele também!”. Essa é a resposta certa? Não, não é, pois o evangelho nos ensina: “Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.19-21, NVT).

Outro: você reage dentro de casa de modo a instigar agressividade? Suas palavras mostram ira e revolta com o que está errado? Você fala e se comporta como um zelote? Sabe… seu filho está vendo. E aprendendo. E, ao ver você agir desse modo, ele o imitará e, com isso, se afastará cada vez mais de se conformar à imagem do Cristo que diz: “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Ou, ainda, você cria seu filho para que ele supervalorize o dinheiro e trabalhe em função dele acima de tudo; o influencia para que ele tenha uma carreira baseada no salário que paga; põe em foco mais o que ele pode receber em termos financeiros do que o bem que ele pode fazer por meio da vida profissional? Então saiba que você não está cumprindo seu papel de pai, pois conformar um filho à imagem de Cristo é ensinar a ele: “Não ajuntem tesouros aqui na terra, onde as traças e a ferrugem os destroem, e onde ladrões arrombam casas e os furtam. Ajuntem seus tesouros no céu, onde traças e ferrugem não destroem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Onde seu tesouro estiver, ali também estará seu coração” (Mt 5.19-21, NVT).

paternidade-2Quer aprender a ser um pai ou uma mãe segundo a Bíblia? Então estude a Bíblia! Com foco, especificamente, em quem Cristo é e o que ele faz. Pense, em cada pequena atitude cotidiana: “Ensinando meu filho a fazer isto e aquilo estou fazendo com que ele pense, aja e fale como Cristo?”. Se a resposta for negativa, mude. “Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele” (Pv 22.6, NVT) significa, na versão parafraseada de Maurício Zágari, “Ensine seus filhos o caminho que os fará serem imitadores de Cristo em tudo o que são, fazem e falam, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele”.

Um dia, meu irmão, minha irmã, teremos de prestar contas de tudo o que falamos e fizemos nesta terra. E isso inclui a forma que educamos nossos filhos. Duvido muito que o Senhor perguntará: “Você criou seus herdeiros para serem ricos? Para serem dominadores? Para se darem bem nesta vida passageira? Para casarem com uma pessoa rica? Para serem cabeça e não cauda? Para conseguirem um bom emprego? Para comprarem uma casa com piscina? Para viajarem todo fim de semana? Para serem famosos? Para ocuparem cargos com status? Para se conformarem à imagem deste mundo com valores caídos?

paternidade-4Por outro lado, se você teve filhos e os educa para que sejam amorosos, alegres, pacíficos, pacientes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e autocontrolados, está cumprindo com excelência sua paternidade. Você tem criado seus herdeiros para amar a Deus e ao próximo? Para tirar horas de sua semana em ações de ajuda aos órfãos e às viúvas? Para negarem a si mesmos, tomarem sua cruz e seguir Jesus? Para serem sal da terra e luz do mundo? Para serem pacificadores? Para usarem o dinheiro como um meio e não um fim? Para construírem uma estrada para a eternidade, sabendo que são peregrinos nesta terra? Se sua resposta for positiva, parabéns: você é um pai ou uma mãe segundo os padrões bíblicos.

Ser pai ou mãe deve nos fazer querer ouvir: “Muito bem, meu servo bom e fiel. Você foi fiel na administração dessa vida que lhe confiei, e agora lhe darei muitas outras responsabilidades. Venha celebrar comigo”. Como pai, meu desejo mais sincero, meu irmão, minha irmã, é ouvir isso do Senhor quando chegar em sua glória, sabendo que tudo o que realizei em minha paternidade fez de minha filha alguém mais semelhante a Cristo e cuja vida glorifica a Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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descanso 1Se você acompanha regularmente o APENAS, deve ter percebido que passei quatro semanas sem postar reflexões aqui no blog. Agradeço demais o carinho de todos os amigos que entraram em contato para saber se estava tudo bem comigo e questionaram o meu silêncio nesse período. Sim, está tudo ótimo, agradeço demais a gentileza da preocupação. Fato é que precisei tirar um mês sabático para me dedicar prioritariamente a outras coisas. Sem desmerecer de modo algum a importância que o blog tem na minha pequenina contribuição para o reino de Deus e a vida dos irmãos e irmãs que se sentem abençoados pelo que escrevo, existem momentos em que precisamos parar, respirar, mudar um pouco o foco. E, depois, voltar. Acredite: sem silêncio, não se valoriza o som. Sem pausas, não se compõe uma sinfonia. Sem descanso à noite, não se trabalha bem pela manhã. Se tem algo que Deus valoriza é o descanso. Mas… será que você descansa de forma bíblica? Mais ainda: será que existe uma forma bíblica de descansar? Eu acredito que sim.

Depois de três anos longe do Brasil, meu irmão de sangue, minha cunhada e meus dois sobrinhos, que moram na Espanha, vieram passar férias aqui. Quis Deus que, no mesmo período, eu assinasse contrato com a editora Mundo Cristão para escrever o que considero meu mais importante projeto literário até hoje, uma obra que será lançada no segundo semestre do ano que vem e que exige muito foco, oração, pesquisa, concentração, criatividade e tempo de escrita. Somando as duas coisas, percebi que eu não daria conta de dedicar-me simultaneamente à família, a esse projeto e ao APENAS com excelência. E, sem excelência, não gosto de fazer nada. Por isso, tirei alguns dias de férias para ficar junto das pessoas que amo e, também, para me dedicar com todo o empenho ao novo projeto literário. Preferi silenciar aqui no blog durante essas quatro semanas, pois, para escrever de qualquer maneira, sobre qualquer coisa, sem pensar e refletir apropriadamente… melhor não fazer. Agora, com metade dos textos do novo projeto literário já escritos, chegou a hora de voltar. Eis-me aqui.

descanso 2Deus nos ordenou guardar um dia na semana. Em linguagem figurada, até ele “descansou”. Quando lemos a lei mosaica, vemos que o Senhor deu diversas ordenanças acerca de períodos sabáticos. Sim, a pausa é algo que Deus valoriza e estimula. Trabalhe o ano inteiro sem tirar semanas de férias e você logo será um péssimo (e exausto) profissional. Sem recarregar as baterias, sua vida não anda. Sem parar para abastecer no meio da corrida, nenhum piloto de fórmula 1 ganha a disputa. Parar não é um luxo: é uma necessidade e um mandamento divino. Pare. Respire. Relaxe. Repense. Assim, você será muito melhor naquilo que se dedica a fazer.

Em meio ao turbilhão de seu ministério, Jesus tirou muitos momentos para ficar sozinho, orar, se conectar ao Pai. Jesus não só valoriza o descanso, ele próprio é o descanso: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Como Jesus poderia dar algo ruim a alguém? Como ele proporia ser fonte de águas amargas? Desejar repouso não é reprovável, é fundamental. É sobrevivência. É o impulso necessário para ir adiante. É a inspiração profunda que o atleta dá antes da largada. Não tenha vergonha de repousar. Repouse. Organize-se para repousar. Ponha o descanso na sua agenda. Deus quer isso.

descanso 3Claro que não se deve usar esse argumento para se entregar à preguiça. A preguiça é o extremo do descanso e, como todo radicalismo fanatizado, é prejudicial. “Aprenda com a formiga, preguiçoso!” (Pv 6.6), é o alerta bíblico. “O preguiçoso logo empobrece, mas os que trabalham com dedicação enriquecem” (Pv 10.4). O descanso deve ser na medida certa, assim como a refeição deve parar antes de se tornar gula. Quem come em excesso passa mal, vomita. A preguiça é o vômito de quem descansa, que vai muito além do que deveria. O repouso fortalece, a preguiça enfraquece; o repouso enrijece, a preguiça torna flácido; o repouso lança para o alto, a preguiça esmaga contra o chão. “O preguiçoso muito quer e nada alcança, mas os que trabalham com dedicação prosperam” (Pv 13.4). E ninguém é capaz de trabalhar com dedicação se não desfrutar do descanso que dá gás ao empenho. Você tem reservado momentos de sua vida para descansar? Se não tem, recomendo que o faça.

E, aqui, cabe uma pergunta: de que maneira você tem descansado? Como exatamente é seu descanso? Porque, creia, aquilo que você faz enquanto descansa é fundamental para que esse período seja útil de fato – e bíblico. Descansar enfiando a cara em joguinhos de smartphone pode ter seu valor, mas… só isso? Descansar navegando pelo facebook por horas seguidas talvez o irrite mais do que relaxe. Uma coisa é descansar lendo um bom livro, outra é descansar lendo a revista de fofocas sobre artistas da TV. Repousar pastando a mente, sem que ela seja direcionada para algo realmente válido e produtivo, torna o descanso um tiro no pé. É quando ele se torna ociosidade, inatividade. E isso é maligno.

Aceita uma sugestão? Use seu tempo de descanso para pôr em prática o grande mandamento.

descanso 4Ao ser indagado sobre qual é o mandamento mais importante da lei de Moisés, “Jesus respondeu: ‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40). Sim, é possível descansar amando o Senhor. Como? Só ama quem se relaciona com a pessoa amada. E a forma de se relacionar com Deus é batendo papo com ele, criando intimidade, trocando ideias, desabafando. Em linguagem bíblica: orando. Não ponha sua mente no que não presta durante o descanso, aproveite para fortalecer – sem exigências, cobranças, mecanismos ou estresse – seus laços e vínculos com teu Pai. E, sim, é possível descansar amando o próximo. Como? Só ama quem se relaciona com a pessoa amada. E a forma de se relacionar com o próximo é batendo papo com ele, criando intimidade, trocando ideias, desabafando. Em linguagem bíblica: comungando.

É na oração e na comunhão que enxergo a forma mais bíblica, rica e produtiva de repouso.

Você precisa descansar. Mas precisa descansar bem. Da forma adequada. Minha recomendação é que tire períodos de repouso nos quais fique a sós com Deus e deite em verdes pastos, junto a águas tranquilas, com a cabeça no colo do Pai, trocando ideias em paz. E que encontre seus amigos e jogue conversa fora, conte piadas, toque violão, cante, divirta-se, desfrute de calor humano. E lembre-se que “o próximo” é também a sua família. Descanse passando períodos divertidos com seus filhos, namorando seu cônjuge, abraçando seus pais. Não consigo conceber forma mais bíblica de repousar, pois descansar sem se relacionar não se encaixa na fé cristã.

Se fizer isso, acredito que estará vivendo, hoje, um pouco do que viverá na eternidade, quando, enfim, estará face a face com o Senhor e com os irmãos em Cristo no estado perfeito, desfrutando do repouso eterno enquanto faz aquilo que Deus nos chamou a fazer ainda nesta terra: se relacionando, interagindo, dando e recebendo afeto e amor. Pois, se repouso sem amor é correr atrás do vento, descanso com amor é, literalmente, divino. Descanse amando. Garanto que você será muito mais feliz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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paoA única foto que ilustra o post de hoje é a deste pão, pois todo o texto gira em torno dele. Permita-me explicar. Como antecipei em post recente aqui no APENAS, minha mãe submeteu-se há poucos dias a uma cirurgia para extrair um câncer de mama. Aos 82 anos, tendo sofrido um infarto havia alguns anos, não enfrentaria uma operação tranquila; afinal, riscos são grandes em pacientes com esse perfil. Como meu pai está senil, fui escolhido para ser o responsável por minha mãe. Se houvesse alguma complicação durante a operação, caberia a mim tomar decisões que poderiam ser de vida ou morte. Passamos a manhã realizando exames e procedimentos pré-cirúrgicos, saímos do laboratório e seguimos para o hospital. A cirurgia estava marcada para 14h. Atrasou. Até então, eu não havia almoçado. Estava faminto, mas, a despeito dos apelos de minha mãe para que eu a deixasse sozinha na sala de espera do hospital e fosse comer, fiquei ali, segurando sua mão, conversando e fazendo piadas, até o momento da cirurgia. Estávamos confiantes e de bom humor – mas morrendo de fome. 

Enfim chegou a hora e, às 14h45, finalmente minha mãe entrou na sala de operações. Por isso, foi só por volta de 15h que pude comer algo, na única lanchonete que vendia alguma comida no hospital. A birosca não oferecia refeições, apenas salgados e alguns sanduíches. Por isso, o que você vê nesta foto foi o meu almoço naquele dia: um pão com ovo e queijo. No momento em que tirei a fotografia, estava pensando no que aqui compartilho com você: este sanduíche simboliza algo muito maior do que um sanduíche. 

Aquele pedaço de pão simbolizou para mim o cuidado com minha mãe. Ele era o resultado de eu ter sacrificado o meu bem-estar em prol dela. Eu poderia perfeitamente tê-la deixado sozinha e saído do hospital em busca de um bom restaurante, na hora em que eu quisesse. Mas optei por lhe fazer companhia, dar amor, ofertar solidariedade, compartilhar calor humano, ser um filho que honra seus pais ao preferi-los em honra a si mesmo. E, se você acha que sou grande coisa ao dizer isso, saiba que não sou, minha nobreza não é maior do que a de ninguém: tudo o que fiz foi por amor e em reconhecimento aos anos de cuidados que minha mãe dedicou a mim. Não, ficar faminto para acompanhá-la não foi mérito meu, foi mérito dela. Pois tudo o que fiz foi em respeito às décadas de preocupação, entrega, abnegação e sacrifícios de minha mãe por mim. Não houve nenhuma magnanimidade no que fiz. 

paoAo olhar para aquele pão com ovo e queijo lembrei-me das noites que minha mãe e meu pai passaram em claro, cuidando de minhas febres e meus pesadelos; das muitas horas que gastaram lavando o cocô e o xixi das minhas fraldas de pano, numa época em que ainda não havia fraldas descartáveis; dos dias e mais dias em que tiveram de ir correndo de um emprego para outro, numa ralação exaustiva, a fim de me dar qualidade de vida; das madrugadas em que ficaram acordados durante minha juventude, preocupados com meu retorno seguro após alguma festa; da noite em que saíram esbaforidos para me abraçar, após eu ter capotado com o carro… enfim, de tudo de que dona Irene e seu Wilson abriram mão em meu benefício. Um pão com ovo e queijo que significava tão pouco em comparação ao amor e ao sacrifício que aqueles dois devotaram ao filho caçula. Orei ao Senhor antes de devorar aquele sanduíche, entregando minha mãe em suas mãos e agradecendo por tão singelo mas tão significativo alimento. E, naquele instante, percebi que cada mordida que dava no pão tinha o mesmo nome.

Gratidão. 

Quando celebramos a ceia do Senhor, o que demonstramos é a mesma coisa: gratidão, por tudo o que Jesus suportou em nosso benefício. Cada mordida no pão da ceia me recorda dos açoites que ele aguentou em meu lugar; cada gole no vinho me lembra dos bofetões e das cusparadas que ele tomou por mim; o esfarelar das migalhas me identifica com o rasgar da carne das mãos; o sabor acre do vinho me remete ao sabor amargo do sangue escorrido da coroa de espinhos. A ceia não deve ter em primeiro plano o medo de tomá-la em pecado, mas o júbilo por tomá-la em gratidão por quem nos livrou do pecado. Ao reunir-me com meus irmãos e irmãs para tomar a ceia, trago à memória o cenho abatido do Salvador na cruz do monte Calvário. Ceia é isto: gratidão pelo sacrifício que nos beneficiou. O sanduíche do hospital é isto: gratidão pelo sacrifício que me beneficiou. Assim, o pão tem sabor de uma única palavra: obrigado. 

Uma hora e meia depois, meu telefone soou e uma integrante da equipe médica me avisou que a cirurgia havia terminado e sido um sucesso. Eu deveria ir para o quarto aguardar minha mãe. Assim foi. Quando ela chegou na maca, ainda zonza pelo despertar da anestesia, antes mesmo de perguntar como tinha sido a cirurgia, virou-se para mim e, com preocupação materna, indagou: “Você comeu?”. 

Conversei com os médicos, que me informaram que tudo havia ido bem: eles removeram apenas um quarto do seio e nem precisaram pôr um dreno. O exame dos nódulos linfáticos da axila deu negativo, o que sugeria que não havia ocorrido metástase. Três dias depois, eu deveria levar minha mãe ao consultório do cirurgião para ver como estava a recuperação. Assim, no terceiro dia após a possibilidade da morte, levei-a ao médico, que avaliou o quadro e deu o ultimato: vida! De igual modo, no terceiro dia após a morte de Cristo, veio o ultimato: vida!

paoPassei dias cuidando dela no pós-operatório, com gratidão a Deus por poder fazer por minha mãe o que décadas antes ela fizera por mim. Hoje, dia 26 de abril, dona Irene volta ao médico a fim de remover os pontos da cirurgia. Esperamos apenas o resultado da biópsia do tumor. Fora isso, é vida que segue. As cicatrizes  ficarão, mas, por trás delas, o que há é vida. E, de hoje em diante, nunca mais olharei para um pão da mesma maneira que antes, pois ele sempre me lembrará de tudo o que meus pais fizeram por mim e da gratidão que devo demonstrar-lhes, não como resultado de valor próprio, mas como reconhecimento pelo mérito deles ao se sacrificarem por mim. Do mesmo modo, nunca você deve olhar para o pão da ceia sem um sentimento de gratidão a Cristo pelo mérito dele ao sacrificar-se por você. As cicatrizes dos cravos, dos açoites, da lança e da coroa de espinhos ficarão, mas, por trás delas, o que há é graça e vida.

Vida… eterna. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_5981Deus tem um fino senso de humor. Meu próximo livro trata de como a fé em Deus e naquilo que ele nos afirma pela Bíblia pode vencer o medo e a ansiedade. Pois, a poucos dias do lançamento do livro, o Senhor me fez receber uma noticia do tipo que tem tudo para despertar exatamente o medo e a ansiedade. Mamãe chegou a minha casa sem avisar que me visitaria, o que é algo extremamente incomum. Sentou-se comigo e minha esposa à mesa e logo deu a notícia.

– Estou com câncer. 

Passaram-se alguns segundos até que eu assimilasse plenamente o real significado das palavras. Sabe essas coisas que só acontecem com os outros? Pois é, estava acontecendo comigo. Após alguns minutos de conversa, finalmente a realidade se fez presente: aos 82 anos, minha mãe está com um carcinoma no seio direito. É quase certo que terá de remover o tumor maligno e iniciar o procedimento de radioterapia e quimioterapia, com todas as implicações desse processo. Sou o único filho dela que mora no Brasil e, por isso, cabe a mim honrar e cuidar dela nessa fase que se apresenta como um momento nada fácil na trajetória de todos nós. Além disso, minha mãe é quem cuida de meu pai, que, aos 84 anos, já sofre de senilidade e dificuldades físicas. Agora, chegou minha vez: com minha mãe nessa situação, caberá a mim cuidar dela e de meu pai – o que farei com prazer, devoção e gratidão, mas, sei de antemão, não será nada, nada fácil. 

A vida é assim, meu irmão, minha irmã. Tudo está bem e, de repente, tudo muda. É Deus nos lapidando e apertando parafusos para que nos ajustemos à imagem de Cristo, “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Devemos receber de bom grado tudo o que o Senhor nos proporciona; sem revolta, sem brigar com ele, prostrados ante seu infinito amor. Minha mãe está com câncer, mas Deus continua sendo maravilhoso, digno de toda honra e toda glória, meu melhor amigo, socorro bem presente na angústia, bom e fiel. Não tenho absolutamente nada a reclamar dele. Deus é bom, muito bom, e continuará sendo, sempre.

Depois que oramos e mamãe saiu de minha casa, fiquei refletindo muito e foi inevitável pensar no cerne da mensagem do meu próximo livro: contra o medo e a ansiedade, devemos exercitar a nossa fé em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra. Essa é a mensagem central do Confiança inabalável e, a poucos dias do lançamento, eu terei de viver vigorosamente tudo o que escrevi e em que acredito. Realmente, o Senhor tem um fino senso de humor. 

Não tenho medo da morte de minha mãe. Confio que ela irá para um lugar indescritivelmente melhor. Alcançada pela graça do Salvador, ela o confessa como o Cristo, o filho de Deus, o autor da vida, o único caminho. No exato instante em que ela fechar os olhos, sei que apenas dará um passo para fora deste mundo horrível e dentro da eternidade, no Paraíso que Jesus preparou para os seus santos. Para quem vive no Senhor, não há nada na morte que nos meta medo. Tenho confiança inabalável nessa verdade e, por isso, não temo. E sei que, estando eu também em Cristo, a inevitável separação não será um adeus, mas um até breve. 

A separação da morte causará dor. A saudade será extremamente difícil. Mas não tenho medo dessa dor, pois confio de forma inabalável que ela passará. Um dia abraçarei mamãe novamente e toda tristeza da separação findará. No dia em que minha mãe terminar a sua peregrinação nesta terra estranha, será o início de um afastamento com prazo de validade, e confio que a reencontrarei, em uma realidade muito mais aprazível e perfeita. Será um abraço muito gostoso, o do reencontro. 

Mas não pense que já considero uma certeza a morte de minha mãe em decorrência desse câncer. Confio que ela pode vencer a doença e viver ainda por muitos anos. De modo algum ter um câncer é uma sentença de morte. Minha avó Alzira, mãe de minha mãe, teve um câncer no intestino aos 83 anos, que foi removido com cirurgia e ela viveu mais 12 anos depois disso. Mas, confesso, a parte que mais assusta nessa história é a possibilidade de minha mãe sofrer durante todo o  processo de doença e tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia… nada disso é fácil. Pensar nisso é o que mais me dói. Mas, paradoxalmente, não estou ansioso. Pois tenho confiança inabalável no fato de que Jesus estará ao nosso lado a cada passo da jornada, que o Espírito Santo consolador jamais nos desamparará, que a paz que excede todo entendimento se manifestará em nosso coração, que não estaremos sós. Tenho confiança inabalável que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). 

Algumas situações na vida são inevitáveis, meu irmão, minha irmã. São fatos que têm tudo para nos inundar de medo e nos afundar em ansiedade. Mas acredito firmemente que a fé em Cristo e em sua Palavra são suficientes para nos manter na superfície e nos fazer caminhar com os olhos fixos no prêmio: a eternidade ao lado do Amor. Como escreveu Paulo, “[…] uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13-14). 

A Bíblia nos relata a história de um homem chamado Jairo, que, esmagado pelo medo e a ansiedade diante da expectativa da morte de sua filha adoentada, corre para os pés de Jesus em busca de socorro. As notícias mais atemorizantes e provocadoras de ansiedade chegam: sua filha já tinha morrido. Nesse exato instante, o Mestre vira-se para ele e diz, em apenas quatro palavras, o segredo para superar todo medo, toda ansiedade: “Não temas, crê somente” (Mc 5.36). Contra o temor, o medo, a ansiedade… a solução é somente crer. Ter fé. Caminhar com confiança inabalável em Cristo e em suas promessas e afirmações. Jairo creu e quem foi para a sepultura não foi sua filha: foi seu medo. 

Dias nublados esperam por mim, minha mãe e nossa família. Gostaria muito de pedir que, se você quiser e puder, ore por nós. Ore por Irene. Ore pelo seu mano Maurício. Suas orações são extremamente valiosas e preciosas. Não sinta pena de nós, pois nós mesmos não sentimos: sabemos que o nosso Redentor vive. Conhecemos nosso Deus. Estamos nas melhores mãos possíveis. Também não temos medo, pois confiamos no Senhor. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei” (Sl 56.3-4).

Peço desculpas se eu não responder aos comentários aqui no blog com tanta rapidez quanto antes, penso que minha rotina será um pouco alterada pelas obrigações desta nova realidade. Agradeço imensamente por seu carinho e sua intercessão. E peço a Deus que, sempre que medo e ansiedade tentarem agarrá-lo, você experimente a certeza inabalável de que, não importa nada, nada, nada: Jesus está com você todos os dias, até a consumação do século. Portanto,Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5).

É só confiar. O resto? Ele fará. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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