Arquivo da categoria ‘Vida eterna’

descanso 1Se você acompanha regularmente o APENAS, deve ter percebido que passei quatro semanas sem postar reflexões aqui no blog. Agradeço demais o carinho de todos os amigos que entraram em contato para saber se estava tudo bem comigo e questionaram o meu silêncio nesse período. Sim, está tudo ótimo, agradeço demais a gentileza da preocupação. Fato é que precisei tirar um mês sabático para me dedicar prioritariamente a outras coisas. Sem desmerecer de modo algum a importância que o blog tem na minha pequenina contribuição para o reino de Deus e a vida dos irmãos e irmãs que se sentem abençoados pelo que escrevo, existem momentos em que precisamos parar, respirar, mudar um pouco o foco. E, depois, voltar. Acredite: sem silêncio, não se valoriza o som. Sem pausas, não se compõe uma sinfonia. Sem descanso à noite, não se trabalha bem pela manhã. Se tem algo que Deus valoriza é o descanso. Mas… será que você descansa de forma bíblica? Mais ainda: será que existe uma forma bíblica de descansar? Eu acredito que sim.

Depois de três anos longe do Brasil, meu irmão de sangue, minha cunhada e meus dois sobrinhos, que moram na Espanha, vieram passar férias aqui. Quis Deus que, no mesmo período, eu assinasse contrato com a editora Mundo Cristão para escrever o que considero meu mais importante projeto literário até hoje, uma obra que será lançada no segundo semestre do ano que vem e que exige muito foco, oração, pesquisa, concentração, criatividade e tempo de escrita. Somando as duas coisas, percebi que eu não daria conta de dedicar-me simultaneamente à família, a esse projeto e ao APENAS com excelência. E, sem excelência, não gosto de fazer nada. Por isso, tirei alguns dias de férias para ficar junto das pessoas que amo e, também, para me dedicar com todo o empenho ao novo projeto literário. Preferi silenciar aqui no blog durante essas quatro semanas, pois, para escrever de qualquer maneira, sobre qualquer coisa, sem pensar e refletir apropriadamente… melhor não fazer. Agora, com metade dos textos do novo projeto literário já escritos, chegou a hora de voltar. Eis-me aqui.

descanso 2Deus nos ordenou guardar um dia na semana. Em linguagem figurada, até ele “descansou”. Quando lemos a lei mosaica, vemos que o Senhor deu diversas ordenanças acerca de períodos sabáticos. Sim, a pausa é algo que Deus valoriza e estimula. Trabalhe o ano inteiro sem tirar semanas de férias e você logo será um péssimo (e exausto) profissional. Sem recarregar as baterias, sua vida não anda. Sem parar para abastecer no meio da corrida, nenhum piloto de fórmula 1 ganha a disputa. Parar não é um luxo: é uma necessidade e um mandamento divino. Pare. Respire. Relaxe. Repense. Assim, você será muito melhor naquilo que se dedica a fazer.

Em meio ao turbilhão de seu ministério, Jesus tirou muitos momentos para ficar sozinho, orar, se conectar ao Pai. Jesus não só valoriza o descanso, ele próprio é o descanso: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Como Jesus poderia dar algo ruim a alguém? Como ele proporia ser fonte de águas amargas? Desejar repouso não é reprovável, é fundamental. É sobrevivência. É o impulso necessário para ir adiante. É a inspiração profunda que o atleta dá antes da largada. Não tenha vergonha de repousar. Repouse. Organize-se para repousar. Ponha o descanso na sua agenda. Deus quer isso.

descanso 3Claro que não se deve usar esse argumento para se entregar à preguiça. A preguiça é o extremo do descanso e, como todo radicalismo fanatizado, é prejudicial. “Aprenda com a formiga, preguiçoso!” (Pv 6.6), é o alerta bíblico. “O preguiçoso logo empobrece, mas os que trabalham com dedicação enriquecem” (Pv 10.4). O descanso deve ser na medida certa, assim como a refeição deve parar antes de se tornar gula. Quem come em excesso passa mal, vomita. A preguiça é o vômito de quem descansa, que vai muito além do que deveria. O repouso fortalece, a preguiça enfraquece; o repouso enrijece, a preguiça torna flácido; o repouso lança para o alto, a preguiça esmaga contra o chão. “O preguiçoso muito quer e nada alcança, mas os que trabalham com dedicação prosperam” (Pv 13.4). E ninguém é capaz de trabalhar com dedicação se não desfrutar do descanso que dá gás ao empenho. Você tem reservado momentos de sua vida para descansar? Se não tem, recomendo que o faça.

E, aqui, cabe uma pergunta: de que maneira você tem descansado? Como exatamente é seu descanso? Porque, creia, aquilo que você faz enquanto descansa é fundamental para que esse período seja útil de fato – e bíblico. Descansar enfiando a cara em joguinhos de smartphone pode ter seu valor, mas… só isso? Descansar navegando pelo facebook por horas seguidas talvez o irrite mais do que relaxe. Uma coisa é descansar lendo um bom livro, outra é descansar lendo a revista de fofocas sobre artistas da TV. Repousar pastando a mente, sem que ela seja direcionada para algo realmente válido e produtivo, torna o descanso um tiro no pé. É quando ele se torna ociosidade, inatividade. E isso é maligno.

Aceita uma sugestão? Use seu tempo de descanso para pôr em prática o grande mandamento.

descanso 4Ao ser indagado sobre qual é o mandamento mais importante da lei de Moisés, “Jesus respondeu: ‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40). Sim, é possível descansar amando o Senhor. Como? Só ama quem se relaciona com a pessoa amada. E a forma de se relacionar com Deus é batendo papo com ele, criando intimidade, trocando ideias, desabafando. Em linguagem bíblica: orando. Não ponha sua mente no que não presta durante o descanso, aproveite para fortalecer – sem exigências, cobranças, mecanismos ou estresse – seus laços e vínculos com teu Pai. E, sim, é possível descansar amando o próximo. Como? Só ama quem se relaciona com a pessoa amada. E a forma de se relacionar com o próximo é batendo papo com ele, criando intimidade, trocando ideias, desabafando. Em linguagem bíblica: comungando.

É na oração e na comunhão que enxergo a forma mais bíblica, rica e produtiva de repouso.

Você precisa descansar. Mas precisa descansar bem. Da forma adequada. Minha recomendação é que tire períodos de repouso nos quais fique a sós com Deus e deite em verdes pastos, junto a águas tranquilas, com a cabeça no colo do Pai, trocando ideias em paz. E que encontre seus amigos e jogue conversa fora, conte piadas, toque violão, cante, divirta-se, desfrute de calor humano. E lembre-se que “o próximo” é também a sua família. Descanse passando períodos divertidos com seus filhos, namorando seu cônjuge, abraçando seus pais. Não consigo conceber forma mais bíblica de repousar, pois descansar sem se relacionar não se encaixa na fé cristã.

Se fizer isso, acredito que estará vivendo, hoje, um pouco do que viverá na eternidade, quando, enfim, estará face a face com o Senhor e com os irmãos em Cristo no estado perfeito, desfrutando do repouso eterno enquanto faz aquilo que Deus nos chamou a fazer ainda nesta terra: se relacionando, interagindo, dando e recebendo afeto e amor. Pois, se repouso sem amor é correr atrás do vento, descanso com amor é, literalmente, divino. Descanse amando. Garanto que você será muito mais feliz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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paoA única foto que ilustra o post de hoje é a deste pão, pois todo o texto gira em torno dele. Permita-me explicar. Como antecipei em post recente aqui no APENAS, minha mãe submeteu-se há poucos dias a uma cirurgia para extrair um câncer de mama. Aos 82 anos, tendo sofrido um infarto havia alguns anos, não enfrentaria uma operação tranquila; afinal, riscos são grandes em pacientes com esse perfil. Como meu pai está senil, fui escolhido para ser o responsável por minha mãe. Se houvesse alguma complicação durante a operação, caberia a mim tomar decisões que poderiam ser de vida ou morte. Passamos a manhã realizando exames e procedimentos pré-cirúrgicos, saímos do laboratório e seguimos para o hospital. A cirurgia estava marcada para 14h. Atrasou. Até então, eu não havia almoçado. Estava faminto, mas, a despeito dos apelos de minha mãe para que eu a deixasse sozinha na sala de espera do hospital e fosse comer, fiquei ali, segurando sua mão, conversando e fazendo piadas, até o momento da cirurgia. Estávamos confiantes e de bom humor – mas morrendo de fome. 

Enfim chegou a hora e, às 14h45, finalmente minha mãe entrou na sala de operações. Por isso, foi só por volta de 15h que pude comer algo, na única lanchonete que vendia alguma comida no hospital. A birosca não oferecia refeições, apenas salgados e alguns sanduíches. Por isso, o que você vê nesta foto foi o meu almoço naquele dia: um pão com ovo e queijo. No momento em que tirei a fotografia, estava pensando no que aqui compartilho com você: este sanduíche simboliza algo muito maior do que um sanduíche. 

Aquele pedaço de pão simbolizou para mim o cuidado com minha mãe. Ele era o resultado de eu ter sacrificado o meu bem-estar em prol dela. Eu poderia perfeitamente tê-la deixado sozinha e saído do hospital em busca de um bom restaurante, na hora em que eu quisesse. Mas optei por lhe fazer companhia, dar amor, ofertar solidariedade, compartilhar calor humano, ser um filho que honra seus pais ao preferi-los em honra a si mesmo. E, se você acha que sou grande coisa ao dizer isso, saiba que não sou, minha nobreza não é maior do que a de ninguém: tudo o que fiz foi por amor e em reconhecimento aos anos de cuidados que minha mãe dedicou a mim. Não, ficar faminto para acompanhá-la não foi mérito meu, foi mérito dela. Pois tudo o que fiz foi em respeito às décadas de preocupação, entrega, abnegação e sacrifícios de minha mãe por mim. Não houve nenhuma magnanimidade no que fiz. 

paoAo olhar para aquele pão com ovo e queijo lembrei-me das noites que minha mãe e meu pai passaram em claro, cuidando de minhas febres e meus pesadelos; das muitas horas que gastaram lavando o cocô e o xixi das minhas fraldas de pano, numa época em que ainda não havia fraldas descartáveis; dos dias e mais dias em que tiveram de ir correndo de um emprego para outro, numa ralação exaustiva, a fim de me dar qualidade de vida; das madrugadas em que ficaram acordados durante minha juventude, preocupados com meu retorno seguro após alguma festa; da noite em que saíram esbaforidos para me abraçar, após eu ter capotado com o carro… enfim, de tudo de que dona Irene e seu Wilson abriram mão em meu benefício. Um pão com ovo e queijo que significava tão pouco em comparação ao amor e ao sacrifício que aqueles dois devotaram ao filho caçula. Orei ao Senhor antes de devorar aquele sanduíche, entregando minha mãe em suas mãos e agradecendo por tão singelo mas tão significativo alimento. E, naquele instante, percebi que cada mordida que dava no pão tinha o mesmo nome.

Gratidão. 

Quando celebramos a ceia do Senhor, o que demonstramos é a mesma coisa: gratidão, por tudo o que Jesus suportou em nosso benefício. Cada mordida no pão da ceia me recorda dos açoites que ele aguentou em meu lugar; cada gole no vinho me lembra dos bofetões e das cusparadas que ele tomou por mim; o esfarelar das migalhas me identifica com o rasgar da carne das mãos; o sabor acre do vinho me remete ao sabor amargo do sangue escorrido da coroa de espinhos. A ceia não deve ter em primeiro plano o medo de tomá-la em pecado, mas o júbilo por tomá-la em gratidão por quem nos livrou do pecado. Ao reunir-me com meus irmãos e irmãs para tomar a ceia, trago à memória o cenho abatido do Salvador na cruz do monte Calvário. Ceia é isto: gratidão pelo sacrifício que nos beneficiou. O sanduíche do hospital é isto: gratidão pelo sacrifício que me beneficiou. Assim, o pão tem sabor de uma única palavra: obrigado. 

Uma hora e meia depois, meu telefone soou e uma integrante da equipe médica me avisou que a cirurgia havia terminado e sido um sucesso. Eu deveria ir para o quarto aguardar minha mãe. Assim foi. Quando ela chegou na maca, ainda zonza pelo despertar da anestesia, antes mesmo de perguntar como tinha sido a cirurgia, virou-se para mim e, com preocupação materna, indagou: “Você comeu?”. 

Conversei com os médicos, que me informaram que tudo havia ido bem: eles removeram apenas um quarto do seio e nem precisaram pôr um dreno. O exame dos nódulos linfáticos da axila deu negativo, o que sugeria que não havia ocorrido metástase. Três dias depois, eu deveria levar minha mãe ao consultório do cirurgião para ver como estava a recuperação. Assim, no terceiro dia após a possibilidade da morte, levei-a ao médico, que avaliou o quadro e deu o ultimato: vida! De igual modo, no terceiro dia após a morte de Cristo, veio o ultimato: vida!

paoPassei dias cuidando dela no pós-operatório, com gratidão a Deus por poder fazer por minha mãe o que décadas antes ela fizera por mim. Hoje, dia 26 de abril, dona Irene volta ao médico a fim de remover os pontos da cirurgia. Esperamos apenas o resultado da biópsia do tumor. Fora isso, é vida que segue. As cicatrizes  ficarão, mas, por trás delas, o que há é vida. E, de hoje em diante, nunca mais olharei para um pão da mesma maneira que antes, pois ele sempre me lembrará de tudo o que meus pais fizeram por mim e da gratidão que devo demonstrar-lhes, não como resultado de valor próprio, mas como reconhecimento pelo mérito deles ao se sacrificarem por mim. Do mesmo modo, nunca você deve olhar para o pão da ceia sem um sentimento de gratidão a Cristo pelo mérito dele ao sacrificar-se por você. As cicatrizes dos cravos, dos açoites, da lança e da coroa de espinhos ficarão, mas, por trás delas, o que há é graça e vida.

Vida… eterna. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_5981Deus tem um fino senso de humor. Meu próximo livro trata de como a fé em Deus e naquilo que ele nos afirma pela Bíblia pode vencer o medo e a ansiedade. Pois, a poucos dias do lançamento do livro, o Senhor me fez receber uma noticia do tipo que tem tudo para despertar exatamente o medo e a ansiedade. Mamãe chegou a minha casa sem avisar que me visitaria, o que é algo extremamente incomum. Sentou-se comigo e minha esposa à mesa e logo deu a notícia.

– Estou com câncer. 

Passaram-se alguns segundos até que eu assimilasse plenamente o real significado das palavras. Sabe essas coisas que só acontecem com os outros? Pois é, estava acontecendo comigo. Após alguns minutos de conversa, finalmente a realidade se fez presente: aos 82 anos, minha mãe está com um carcinoma no seio direito. É quase certo que terá de remover o tumor maligno e iniciar o procedimento de radioterapia e quimioterapia, com todas as implicações desse processo. Sou o único filho dela que mora no Brasil e, por isso, cabe a mim honrar e cuidar dela nessa fase que se apresenta como um momento nada fácil na trajetória de todos nós. Além disso, minha mãe é quem cuida de meu pai, que, aos 84 anos, já sofre de senilidade e dificuldades físicas. Agora, chegou minha vez: com minha mãe nessa situação, caberá a mim cuidar dela e de meu pai – o que farei com prazer, devoção e gratidão, mas, sei de antemão, não será nada, nada fácil. 

A vida é assim, meu irmão, minha irmã. Tudo está bem e, de repente, tudo muda. É Deus nos lapidando e apertando parafusos para que nos ajustemos à imagem de Cristo, “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Devemos receber de bom grado tudo o que o Senhor nos proporciona; sem revolta, sem brigar com ele, prostrados ante seu infinito amor. Minha mãe está com câncer, mas Deus continua sendo maravilhoso, digno de toda honra e toda glória, meu melhor amigo, socorro bem presente na angústia, bom e fiel. Não tenho absolutamente nada a reclamar dele. Deus é bom, muito bom, e continuará sendo, sempre.

Depois que oramos e mamãe saiu de minha casa, fiquei refletindo muito e foi inevitável pensar no cerne da mensagem do meu próximo livro: contra o medo e a ansiedade, devemos exercitar a nossa fé em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra. Essa é a mensagem central do Confiança inabalável e, a poucos dias do lançamento, eu terei de viver vigorosamente tudo o que escrevi e em que acredito. Realmente, o Senhor tem um fino senso de humor. 

Não tenho medo da morte de minha mãe. Confio que ela irá para um lugar indescritivelmente melhor. Alcançada pela graça do Salvador, ela o confessa como o Cristo, o filho de Deus, o autor da vida, o único caminho. No exato instante em que ela fechar os olhos, sei que apenas dará um passo para fora deste mundo horrível e dentro da eternidade, no Paraíso que Jesus preparou para os seus santos. Para quem vive no Senhor, não há nada na morte que nos meta medo. Tenho confiança inabalável nessa verdade e, por isso, não temo. E sei que, estando eu também em Cristo, a inevitável separação não será um adeus, mas um até breve. 

A separação da morte causará dor. A saudade será extremamente difícil. Mas não tenho medo dessa dor, pois confio de forma inabalável que ela passará. Um dia abraçarei mamãe novamente e toda tristeza da separação findará. No dia em que minha mãe terminar a sua peregrinação nesta terra estranha, será o início de um afastamento com prazo de validade, e confio que a reencontrarei, em uma realidade muito mais aprazível e perfeita. Será um abraço muito gostoso, o do reencontro. 

Mas não pense que já considero uma certeza a morte de minha mãe em decorrência desse câncer. Confio que ela pode vencer a doença e viver ainda por muitos anos. De modo algum ter um câncer é uma sentença de morte. Minha avó Alzira, mãe de minha mãe, teve um câncer no intestino aos 83 anos, que foi removido com cirurgia e ela viveu mais 12 anos depois disso. Mas, confesso, a parte que mais assusta nessa história é a possibilidade de minha mãe sofrer durante todo o  processo de doença e tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia… nada disso é fácil. Pensar nisso é o que mais me dói. Mas, paradoxalmente, não estou ansioso. Pois tenho confiança inabalável no fato de que Jesus estará ao nosso lado a cada passo da jornada, que o Espírito Santo consolador jamais nos desamparará, que a paz que excede todo entendimento se manifestará em nosso coração, que não estaremos sós. Tenho confiança inabalável que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). 

Algumas situações na vida são inevitáveis, meu irmão, minha irmã. São fatos que têm tudo para nos inundar de medo e nos afundar em ansiedade. Mas acredito firmemente que a fé em Cristo e em sua Palavra são suficientes para nos manter na superfície e nos fazer caminhar com os olhos fixos no prêmio: a eternidade ao lado do Amor. Como escreveu Paulo, “[…] uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13-14). 

A Bíblia nos relata a história de um homem chamado Jairo, que, esmagado pelo medo e a ansiedade diante da expectativa da morte de sua filha adoentada, corre para os pés de Jesus em busca de socorro. As notícias mais atemorizantes e provocadoras de ansiedade chegam: sua filha já tinha morrido. Nesse exato instante, o Mestre vira-se para ele e diz, em apenas quatro palavras, o segredo para superar todo medo, toda ansiedade: “Não temas, crê somente” (Mc 5.36). Contra o temor, o medo, a ansiedade… a solução é somente crer. Ter fé. Caminhar com confiança inabalável em Cristo e em suas promessas e afirmações. Jairo creu e quem foi para a sepultura não foi sua filha: foi seu medo. 

Dias nublados esperam por mim, minha mãe e nossa família. Gostaria muito de pedir que, se você quiser e puder, ore por nós. Ore por Irene. Ore pelo seu mano Maurício. Suas orações são extremamente valiosas e preciosas. Não sinta pena de nós, pois nós mesmos não sentimos: sabemos que o nosso Redentor vive. Conhecemos nosso Deus. Estamos nas melhores mãos possíveis. Também não temos medo, pois confiamos no Senhor. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei” (Sl 56.3-4).

Peço desculpas se eu não responder aos comentários aqui no blog com tanta rapidez quanto antes, penso que minha rotina será um pouco alterada pelas obrigações desta nova realidade. Agradeço imensamente por seu carinho e sua intercessão. E peço a Deus que, sempre que medo e ansiedade tentarem agarrá-lo, você experimente a certeza inabalável de que, não importa nada, nada, nada: Jesus está com você todos os dias, até a consumação do século. Portanto,Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5).

É só confiar. O resto? Ele fará. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo, como já citei anteriormente aqui no APENAS, daqui a alguns dias será lançado meu novo livro, “O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios“. Em função disso, venho refletindo há muito tempo sobre o tema. A Mundo Cristão me pediu que desse uma entrevista para o blog da Editora, dando uma palinha sobre o que será o livro e aspectos da questão de que ele trata. Por conter reflexões que julgo ser muito importantes para quem está atravessando períodos de sofrimento, já divulguei por meu perfil no Facebook a entrevista. Como, porém, mais de mil assinantes do APENAS não me acompanham pelo facebook.com/mauriciozagariescritor, decidi compartilhar também por aqui a entrevista, na esperança que lance raios de luz em espaços sombrios da vida de quem esteja atravessando momentos difíceis. Paz a todos vocês que estão em Cristo,
mz

Maurício Zágari, em entrevista à MC, fala sobre “O fim do sofrimento”

entrevista maurício zágari

Confira nossa conversa com o autor e saiba mais sobre o livro que aborda um dos temas mais delicados da experiência humana.


Maurício Zágari. Teólogo, jornalista, editor, autor, professor, esposo, pai. São muitas as experiências que fazem desse jovem escritor de 43 anos, fluminense de Nova Friburgo (RJ), uma pessoa que se comunica com facilidade e clareza e que, por meio de seus artigos e publicações, toca o coração de uma multidão de leitores que encontra alento, direcionamento, ânimo e motivação em seus textos sempre pautados pela Palavra de Deus.

Vencedor do Prêmio Areté nas categorias “Autor revelação” e “Melhor livro de ficção/romance” por O Enigma da Bíblia de Gutemberg (2010), Maurício é o autor de Perdão Total – um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, lançado pela Mundo Cristão em 2014, publicação que logo se tornou em sucesso de vendas no Brasil.

Em 2015, uma nova obra do autor chega às livrarias – O fim do sofrimento: um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. Nele, Zágari aborda o tema o fim do sofrimento a partir duas perspectivas: o fim como finalidade e propósito; e o fim como término e extinção do tempo de luta e de dor. Estruturado em torno de trinta afirmações que pessoas em sofrimento costumam expressar, a obra traz um conjunto de reflexões baseadas nas Escrituras e que têm por objetivo fortalecer e orientar todos aqueles que estão tristes, fracos ou abatidos.

Em entrevista à Equipe de Comunicação da Mundo Cristão, Maurício Zágari fala mais sobre o lançamento e sobre esse assunto delicado que permeia a experiência humana. Nela, o autor ainda esclarece o porquê de existência do sofrimento no mundo e dá orientação para quem está enfrentando a depressão. Confira!

Mundo Cristão:O fim do sofrimento”? O que o motivou a escrever um livro sobre esse tema?

Maurício Zágari: Decidi escrever essa obra por observar a angústia de multidões de pessoas que vivem os mais variados tipos de sofrimento sem saber como encontrar alívio, consolo e paz. Elas sofrem, choram, se entristecem, se deprimem e não enxergam caminhos. O livro aponta esses caminhos com honestidade e fidelidade bíblicas, sem fazer falsas promessas. Meu intuito é levar o leitor a experimentar a paz em meio à dor, seja ela de corpo, seja de alma.

O fim do sofrimento tem dois objetivos principais. Primeiro, mostrar, à luz da verdade bíblica, por que um Deus bom permite que pessoas sofram. Segundo, oferecer respostas honestas, baseadas nas Escrituras, que tragam alívio para o fardo do sofrimento. É, portanto, um livro que oferece respostas para a mente mas, também, paz à alma.

MC: Sofrimento e fé podem caminhar juntos? O que dizer sobre determinadas abordagens triunfalistas que negam o sofrimento e o veem apenas como efeito de ações demoníacas ou como “punição” em resultado de alguma prática pecaminosa?

Maurício Zágari: Sofrimento e fé caminham juntos de Gênesis a Apocalipse. Ter fé não nos isenta de sofrer. Jesus tinha fé e não há quem possa negar que ele não tenha sofrido terrivelmente, a ponto de dizer “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal” (Mt 26.38). E, isso, antes mesmo de o prenderem e de começar o agonizante processo de tortura que durou até a cruz.

Os apóstolos também sofreram muito, apesar de terem uma fé tão grande a ponto de dar a vida pelo evangelho. Os mártires da Igreja primitiva são outro exemplo. Jó. Abraão. José. Moisés. Davi. Elias. Daniel. Jeremias. E tantas outras pessoas que conhecemos pelo relato bíblico e pela história da Igreja e que sofreram bastante, apesar de ter muita fé. É um fato inegável: ter fé não nos isenta de sofrer.

O chamado “triunfalismo” é um ensinamento de quem, lamentavelmente, não compreende o que a Bíblia fala sobre a questão do sofrimento ou sobre o modo de Deus agir. Espero que os irmãos que seguem essa doutrina venham a compreender o que a Escritura realmente diz sobre o assunto. Oro ao Senhor para que O fim do sofrimento seja um instrumento nas mãos de Deus para a transformação de corações e mentes.

MC: Mas… se Deus é bom e Todo-poderoso, por que então existe o sofrimento no mundo?

Maurício Zágari: O sofrimento é efeito colateral do pecado. Deus não é o culpado por nossas dores, o pecado é. Desde que Adão e Eva deram espaço à desobediência, a humanidade colhe os frutos amargos da transgressão. Repare que, quando Deus descreve ao primeiro casal quais seriam as consequências da Queda, ele menciona três vezes o sofrimento, como vemos em Gênesis 3.16-17.

No entanto, Deus não ficou apático ante a entrada do sofrimento no mundo. Justamente por ser infinitamente bondoso, gracioso, amoroso e misericordioso, ele decidiu desfazer esse mal, ao entregar Jesus para morrer pelos pecadores. Assim, aqueles que o recebem como Senhor e Salvador ganham, sem merecer, acesso a uma eternidade totalmente livre de sofrimento, dor, choro ou angústias.

“O fim do sofrimento” deixa claro que nossas aflições são uma vírgula em nossa história, não o ponto final. Teremos uma eternidade de paz e felicidade ao lado de Jesus. A questão é: o que devemos fazer enquanto estamos no olho do furacão, como agir para ter paz agora, quando o sofrimento nos agarra e parece não querer largar mais? É isso que o livro responde.

MC: No livro, você faz uma breve e importante abordagem sobre os dois principais tipos de depressão. Resumidamente, a depressão que é uma doença causada por alterações químicas do cérebro e a que é resultante do profundo abatimento da alma. Como distinguir uma da outra e como saber que é a melhor hora para buscarmos ajuda profissional e espiritual, respectivamente?

Maurício Zágari: Se alguém está sofrendo de depressão, o melhor momento para buscar ajuda é ontem. Depressão é um quadro que não permite adiar a procura por auxílio, pois ela é capaz de transformar uma pessoa em outra. E só quem pode dizer de que tipo de depressão sofremos é um médico psiquiatra. O especialista faz uma análise do caso e, se for diagnosticada a depressão, é preciso buscar tratamento. Dependendo de cada caso, há diferentes tipos de providências a tomar, sejam elas médicas, psicológicas ou espirituais. Isso é um assunto sério e deve ser visto com a gravidade que merece, sem misticismos ou irresponsabilidade.

MC: Na era das redes sociais, da publicidade e da busca incessante por satisfação e por estilos de vida que não condizem com a realidade da maioria das pessoas, saber que “ninguém é alegre o tempo todo” gera um choque e ao mesmo tempo um alivio. De que forma essa consciência pode libertar um indivíduo para vivenciar suas dores e lutas sem vergonha ou retraimento?

Maurício Zágari: Jesus deu a resposta: conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Temos de lidar com nossas dores e lutas dentro do que a Bíblia estabelece como sendo verdade e não segundo o que as novelas, os filmes de Hollywood, a propaganda e a cultura secular vendem como verdade. Só em Cristo, que é a verdade suprema, temos liberdade real e somos capazes de caminhar sem temer influências alheias à realidade conforme as Escrituras apresentam.

Ninguém é alegre o tempo todo. Isso é um fato da vida, pois é um fato bíblico. Nenhum ser humano apresentado nas Escrituras foi alegre o tempo todo. Nenhum. Vivemos sob o peso do mundo material e espiritual que nos cerca e da nossa carne — e não há como ser constantemente alegre debaixo dessa pressão. Mas, pela graça de Deus, somos habitação do Espírito Santo, que tem entre as virtudes de seu fruto a alegria. Por isso, é totalmente possível encontrarmos em Deus alegria e felicidade nos momentos mais sombrios. É o que O fim do sofrimento mostra.

MC: E sobre o fim do sofrimento num sentido de término e extinção. Saber que um dia Deus acabará com todos os sofrimentos da humanidade também é uma abordagem libertadora. Certo?

Maurício Zágari: Veja como a Bíblia descreve o futuro daqueles que vivem em Cristo: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.3-4).

Tem como não se emocionar, se alegrar e vibrar de alegria e felicidade ao ler essa afirmação? Essa é a promessa mais extraordinária, espetacular e maravilhosa das Escrituras! Vamos viver com o próprio Deus, em sua companhia pessoal, numa realidade sem tristezas, sem dor… sem sofrimento! Como nos mostra O fim do sofrimento, esse entendimento é esplendidamente libertador e deve nos dar forças para caminhar a cada dia, sabendo que o nosso destino final é pura glória e paz.

MC: Qual a sua mensagem para os leitores e, especialmente, para aqueles que estão atravessando momentos sombrios?

Maurício Zágari: Meu irmão, minha irmã, Deus não se esqueceu de você nem está alheio à sua dor. Ele entende e sente o que você está enfrentando e usa o seu sofrimento para uma finalidade maior. A Bíblia afirma que “os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2Co 4.17-18).

Abrace essa certeza, sabendo que tudo o que você está enfrentando hoje terá uma finalidade que resultará em glória. Que finalidade é essa? Não sei. Mas Deus sabe. E aquele que sabe todas as coisas é quem conduz você pessoalmente, rumo a um futuro de paz, alegria, felicidade e glória eternas. Tenha paciência, por saber que sua vida está em boas mãos: aquelas que foram cravadas numa cruz por amor a você.

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barrigaGostaria de refletir sobre um assunto altamente espiritual: minha barriga. Calma, não ria, é sério: pensando sobre minha barriga aprendi algumas coisas interessantes sobre nossa vida espiritual. Para você entender aonde meus pensamentos me levaram, primeiro preciso dizer que, até os 27 anos, eu fui magro. Mas muito magro. Imagine que eu tinha 1,80 metro e 55 quilos. E era uma magreza de origem genética, pois, por mais que eu tentasse engordar (e eu tentei), era inútil. Nada do que eu fizesse ou comesse alterava meu peso, que me acompanhou desde que terminou minha fase de crescimento até eu completar 27 anos.

Naturalmente, essa condição me proporcionava muitas vantagens. A principal delas é que eu não tinha limitações para comer: podia mandar para dentro de tudo e mais um pouco, que não engordava um grama sequer. Então eu cometia atrocidades, como ingerir uma lata inteira de leite condensado enquanto assistia a um filme, devorar um balde de pipoca doce sem drama de consciência, comer quanto quisesse nos rodízios de pizza… era uma vida livre de preocupações alimentares.

Mas aí chegou o dia em que meu DNA disse “é agora!”. Sem que me desse conta, minha barriga começou a crescer. Meu umbigo, que era uma bolinha estufada, desapareceu nas profundezas de um buraco que surgiu sabe-se lá de onde. E, assim, tudo mudou. Eu, que nunca me preocupara com balanças, passei a ir regularmente a uma farmácia para me pesar, assustado com essa realidade inédita. E foi quando comecei a perceber que, dependendo do que, a partir de então, eu comia, a barriga crescia ou diminuía.

Tive de comprar calças novas. Mudar o buraco do cinto. O terno que usava desde os 18 anos foi doado. Comecei a sentir uma dor na lombar que nunca sentira antes, fruto do peso extra que agora transportava na grande pochete abdominal. Tudo mudou. Tive de formatar minha mente e recalibrá-la para entender que não dava mais para comer como antes comia, nem viver como antes vivia. Essa nova realidade me forçou a transformar o modo como eu pensava e agia.

Falando desse modo parece fácil, não é? Mas não foi. 27 anos acostumado a comer do jeito que queria, o que queria, quantas vezes por dia quisesse e, de repente, se ver obrigado a mudar tudo. Foi duro. Minhas refeições, antes descontroladas, passaram a ser planejadas. Alimentos tiveram de ser repensados, bem como a quantidade e a frequência de sua ingestão.

Hoje, aos 43 anos e com 83 quilos, continuo com aquela barriga protuberante, que, se eu seguir os passos de meu pai e meus tios, vai ficar ali para sempre, me presenteando com um perfil hitchcockiano. Nesses 16 anos, imergi em uma nova realidade alimentar e é até difícil, hoje, pensar em como era viver do jeito que vivi por 27 anos. Somou-se à protuberante barriga uma taxa nada simpática de colesterol, de origem genética, e o resultado teve de ser uma total renovação na minha maneira de me relacionar com a comida. Mudei. E é um caminho sem volta.

A conversão nos leva a algo parecido. Ser chamado por Cristo das trevas para a luz muda tudo. Mas, ao contrário do que muitos pregam, não é uma mudança que ocorra sem esforço. Vivemos por muitos anos de modo descontrolado e, de um dia para outro, somos obrigados a repensar toda a nossa existência. Práticas pecaminosas têm de ser abandonadas. Passamos a nos pesar diariamente em uma balança chamada “Palavra de Deus”, que denuncia quando saímos do rumo. O novo nascimento nos leva a isto: uma total renovação da mente e do coração.

Pecados que antes eram práticas naturais ao homem perdido precisam ser avaliados e deixados de lado. A maneira de nos relacionarmos conosco e com o próximo necessariamente se transformam. Precisamos pensar não mais por nossa conta, mas segundo a mente de Cristo. É metanoia, a transformação da mente e do coração.

Se você foi chamado por Cristo para a salvação por meio de sua graça, é preciso reavaliar tudo. Amizades, atividades, gostos, práticas, preferências… é uma lista extensa. O novo nascimento, como é um fenômeno sobrenatural, muda instantaneamente muito de nós, de um jeito que nem entendemos. Mas não há como fugir desta realidade: muitas inclinações ao que foi pensado e praticado por muitos anos permanecem, como um eco indesejado que se propaga mesmo depois de o grito ter cessado. E só conseguimos vencer essas inclinações mediante a renovação da mente e do coração.

A boa notícia: é possível. A má notícia: muitas vezes não será fácil. Eu, hoje, não tomo mais uma lata inteira de leite condensado de uma vez só, mas, às vezes, dá uma vontade! Olho para a pizza salivando, mas me restrinjo a uma pequena quantidade – e de vez em quando. Não dá para ser como antes, pois as coisas mudaram. Na vida espiritual é a mesma coisa: hoje não é mais você quem vive, mas Cristo vive em você. Você não tem mais como senhor o príncipe deste século, mas o Príncipe da paz. Você não é mais escravo do pecado, mas habitação do Espírito Santo. Sua condição mudou; portanto, suas ações precisam mudar.

Eu sei que você quer fazer o bem, mas o mal ainda reside em ti. Porque, no tocante ao homem interior, tem prazer na lei de Deus; mas vê, nos seus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da sua mente, te faz prisioneiro da lei do pecado que está nos seus membros (Rm 7.21-23). Por isso, é preciso se reinventar, se repensar e lutar para abandonar as antigas praticas e as inclinações que seguem o eco da natureza carnal.

Quando eu tinha 55 quilos, comia tudo o que queria. Mas minha aparência era a de um homem doente, seco, esquelético. Hoje, com 83 quilos, tenho de abrir mão de prazeres que antes tinha, mas meu aspecto é muito mais saudável. O homem sem Deus é um cadáver ambulante; o homem com Deus é a vida eterna sobre duas pernas. Acredite: vale a pena qualquer esforço por isso. E você? O que ainda precisa mudar?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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