esperança1“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21) é o bem conhecido desabafo de Jeremias, escrito pelo profeta em meio à angústia de ver sua pátria e seu povo assolados pela Babilônia. Essa simples frase, que tornou-se muito popular na Igreja brasileira nos últimos anos, aponta um caminho excelente de consolo e paz, que podemos trilhar nas horas de maior tribulação da vida: nos lembrarmos das bênçãos que Deus já nos deu, como forma de reunir forças em meio ao sofrimento. Eu gostaria, porém, de propor um olhar diferente sobre esse versículo, que acredito oferecer um refrigério ainda maior do que essa percepção.

Diga-me, por favor, se estou errado: geralmente, quando lemos a frase de Jeremias, o que pensamos é que ela nos convida a recordar das coisas boas que Deus fez no passado por nós. Assim, “o que me pode dar esperança” seria uma referência às bênçãos que recebemos em outras épocas da vida – livramentos, promessas cumpridas, alegrias que experimentamos em fases anteriores ao período de sofrimento. Estou certo? Quando você está atravessando uma fase dura da sua caminhada, ao ler este trecho da Palavra automaticamente busca fortalecimento ao recordar de ações que Deus realizou em prol da sua vida.

Bem, primeiro deixe-me dizer que isso não é errado. Lembrar-se daquilo que o Senhor fez de bom por você é, sim, muito reconfortante. Mostra o amor e a compaixão do Altíssimo em ação. Recordar-se de atos de misericórdia e bondade da mão de Deus em sua vida é, sim, motivo de louvor, gratidão, esperança. Saber que o Onipotente exerceu graça para com você é razão para glorificá-lo eternamente e trazer à memória que ele age em favor de seus filhos. No entanto, eu prefiro uma outra percepção desse versículo.

Explico: se formos ser biblicamente realistas, veremos que o fato de Deus nos ter abençoado de determinada maneira no passado não oferece absolutamente nenhuma garantia de que ele nos abençoará da mesma forma no presente ou no futuro. Assim, se formos trazer à memória bênçãos passadas de Deus no intuito de ter esperança de novas bênçãos, poderemos nos frustrar – uma vez que não há garantias bíblicas de que o Senhor sempre concede as mesmas bênçãos a todos, dia após dia.

Por exemplo, o fato de Jesus ter ressuscitado Lázaro uma vez não quer dizer que ele o ressuscitaria repetidamente – tanto que o amigo de Cristo veio a falecer tempos depois. Ou, ainda, o fato de Paulo ter sido poupado da morte certa em diversas ocasiões não evitou que ele, enfim, fosse decapitado. Sansão ter sido salvo dos filisteus algumas vezes não significa que um dia ele não viria a ser derrotado por seus inimigos. São muitos os exemplos das Escrituras que nos mostram que o fato de Deus ter agido de determinada maneira na vida de alguém não implica que ele voltaria a agir do mesmo modo. Portanto, se essas pessoas depositassem sua esperança no fato de o Pai ter anteriormente realizado algo específico por elas, a frustração seria certa.

esperança2Você poderia me perguntar: “Bem, Zágari, se as bênçãos do passado não são o que devemos trazer à memória para ter esperança… o que, então, devemos trazer?” Minha sugestão: traga à memória quem Deus é. Isso sim nos dá total esperança.

As decisões do Senhor podem mudar. Ele ter me curado ontem não quer dizer que me curará hoje. Ele ter me dado um emprego ontem não significa que me dará um igual hoje. Eu ter ganho um carro de presente ontem não é garantia de que não precisarei andar de bicicleta hoje. A vida mostra isso com muita clareza. As bênçãos do Senhor mudam a cada momento, cada período da vida implica diferentes tipos de dádivas. Não existem garantias de que a ação do Pai ontem será a mesma hoje. Mas, por outro lado, a Bíblia garante que Deus não muda. Que “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13.8). Assim, não há nenhuma garantia nas Escrituras de que bênçãos concedidas no passado voltarão a ser concedidas, mas há uma garantia inquestionável de que o Deus que agiu no passado é o mesmo Deus que age hoje.

Se continuarmos a ler a passagem de Lamentações 3.21, veremos que a pessoa de Deus e suas características, inclusive, são o foco de Jeremias nesse contexto. Repare: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca” (Lm 3.21-26). O que o profeta destaca aqui é quem Deus é: alguém infinitamente misericordioso, fiel e bom.

esperança3Meu irmão, minha irmã, você está atravessando um período de sofrimento, dificuldade, falta de paz, angústia? A assolação veio sobre a sua vida, assim como ocorreu com Jeremias? Então traga à memória o que te pode dar esperança: não o que Deus já fez, mas quem Deus é. Traga à memória que ele é soberano, amoroso, gracioso, misericordioso, sustentador, alegre, pacífico, pacificador, perdoador, restaurador, salvador, fortalecedor, carinhoso, amigo, Pai. É a percepção sobre quem o Senhor é que deve lhe dar esperança de que ele agirá segundo sua natureza eterna, dando pão e não pedra, perdoando e não esmagando, reconstruindo e não destruindo, concedendo vida e não morte. Deus é Deus ontem e hoje; Deus é seu Pai ontem e hoje, Deus é vida, ontem é hoje. Deus é amor, ontem e sempre.

Deus é Deus. Traga isso diariamente à memória… e nunca lhe faltará esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Elayne Cardoso disse:

    Paz! Não tinha a percepção de levar este versículo a essa interpretação, e sinceramente edificou-me muito nesta manhã. Afinal, Deus é! É sempre será! Vivemos a sua graça, a sua misericórdia, o seu amor dia após dia, e que a cada amanhecer eu venha lembrar-me disso! Deus o abençoe! Suas mensagens são edificantes e o melhor de tudo baseadas na inerrante palavra de Deus!

    Enviado do meu iPhone

  2. Gabriela disse:

    TExto maravilhoso. Palavra viva que meu coração precisava agora.

  3. Lindo demais da conta! Maravilhosa explanação sobre uma verdade tão necessária em nossas vidas. Até porque priorizando quem Deus é, automaticamente veremos o que Ele faz.

    Shalom!

  4. Jess disse:

    Querido irmão Maurício.
    Acompanho o Apenas há mais de um ano, mas nunca havia comentado em nenhum post.
    Me encontro em momentos de desespero, e esse texto me fez refletir bastante.
    Meu irmão, tenho 21 anos, e há 2 anos comecei a beber com frequência, e tive sérios problemas por conta disso.
    Há menos de 1 mês, sai com meu namorado para beber, como costumávamos fazer pelo menos um final de semana por mês. Só que daquela vez as coisas acabaram de maneira diferente. Nós dois fomos em um lugar que nunca tínhamos ido juntos, meu namorado já havia ido, antes de me conhecer. Esse lugar é conhecido como Bar do Rock. Ele deu a ideia de me levar porque teria show ao vivo nessa noite. Eu aceitei ir na hora. Nós chegamos lá e já pedidos nossas bebidas, e ficamos perto da mesa em pé. Algumas pessoas estranhas se aproximaram de nós para conversar, em especial uma garota que devia ter mais ou menos minha idade, e me ofereceu droga. Eu recusei, e continuei com meu namorado bebendo e dançando.
    Só que já era tarde, sem que percebêssemos, aquelas pessoas colocaram algo na nossa bebida. Meu namorado percebendo o estado que eu estava, me puxou pelo braço e me jogou dentro do carro. As horas que se seguiriam a partir dali, seriam sem duvidas as piores da minha vida.
    Meu namorado começou a me xingar de nomes terríveis, em dois anos de relacionamento, nunca havíamos nem sequer nos agredido verbalmente, jamais.
    Ele estava desnorteado, e eu fiquei com medo e pedi para ele parar o carro. Ele parecia não me ouvir. Ele apenas me xingava, e puxava meu cabelo dizendo que ia me matar naquela noite. Eu tentava bater nele, mas os socos quase não escostavam nele, ele é muito mais forte que eu.
    Ja era alta madrugada, ele parou o carro em uma rua bem deserta e começamos a nos agredir. Eu abri a porta do carro pra descer, e ele me empurrou e eu bati com o rosto no chão gelado. Ele arrancou com o carro e eu fiquei sozinha na rua. Depois de alguns minutos ele voltou e me colocou dentro do carro de novo. Enquanto me xingava, e eu tentava bater nele. Passamos a madrugada nessa situação. No outro dia de manhã, estávamos muito mal por conta do efeito da droga, mesmo deitada o coração estava disparado, e eu pensei que ia morrer.
    Meu namorado me pedia perdão, e eu pedia perdão a ele. Chorávamos muito. Ele repetia que a culpa era dele, que ele não se perdoaria jamais.
    Hoje estamos quase sem nos falar, e ao que parece, não vamos conseguir seguir juntos.
    Eu me sinto envergonhada, porque só agora, em momentos de desespero eu perceba o que a minha vida se tornou desde que abandonei o Senhor. Me ajude em oração meu irmão, eu vi sem máscaras o que o mundo realmente é, eu quis abraçar o mundo e ele quase me tragou.
    Estou me recuperando dos danos físicos, mas os danos pisicologicos só o Senhor pode me restaurar. E estou buscando isso. Não quero mais o mundo nem nada que nele há.
    Eu precisei quase morrer pra entender, que sem o Senhor não sou nada.
    Estou na luta. É um caminho que acabei de começar a trilhar, mas não vou desistir.
    A paz.

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