Posts com Tag ‘Soberba’

soberba 1Você conhece alguém que se acha sempre certo? Que faz questão de que todos façam tudo do seu jeito e não suporta quando alguém discorda dele e decide fazer algo diferente? A impressão que dá é que tudo gira em torno dessa pessoa, que ela se enxerga como o centro de todas as coisas, aquela em função de quem tudo mais acontece? Pois esse indivíduo sofre daquilo que costumo chamar de “Síndrome de Deus”. 

No caso do Senhor, é justo e certo que assim seja. Afinal, o universo foi criado para a sua glória e tudo o que existe e ocorre aponta para ele. Bem disse o rei Davi: “Bendito és tu, SENHOR, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade. Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1Cr 29.10-12). 

Esse é o nosso Deus. Soberano, o único caminho, a única verdade, detentor de toda autoridade, santo e magnifico, inquestionável. Ele tem total direito de baixar decretos, de exigir para si a glória, de demandar obediência irrestrita. Criador, autor da vida, provedor e sustentador de todas as coisas, ninguém pode nada contra ele, na terra ou nas regiões celestiais. 

É por isso que, quando você lê a Bíblia, fica claro como o Senhor rejeita qualquer tentativa do ser humano de estabelecer algo no lugar de Deus – a famosa idolatria. O texto bíblico deixa explícito como é abominável para o Altíssimo que se tente divinizar ídolos, falsos deuses ou mesmo seres humanos. No entanto, não é raro encontrarmos aqueles que se posicionam como senhores da verdade.  A Síndrome de Deus gera esse mal. 

Nós, seres humanos, somos perfeitamente imperfeitos. Pecadores, depravados, amantes daquilo que nos afasta do que é puro e bom. Por conta disso, chega a ser bizarro ver pessoas que se acham convictas de suas certezas de forma inquestionável, em nada abertas à possibilidade de estarem erradas, que se posicionam como absolutas detentoras do conhecimento da verdade. Soberbas. Quem sofre de Síndrome de Deus é apresentado na Bíblia como “homem de dura cerviz”. É o inflexível, o surdo aos demais, o que sente pena ou raiva do diferente. 

Sempre que sintomas da Síndrome de Deus começam a pipocar em mim, procuro me aquietar, orar e me pôr no meu devido lugar: uma pessoa que erra, sujeita a muitas falhas. Longe de estar sempre certo. Uma pergunta que me faço constantemente para evitar esse mal é: e se eu estiver errado? Cogitar isso me faz crescer em humildade, respeitar o diferente e amar quem considero estar errado. E me livra, bastante, da arrogância. 

Todos deveríamos pôr isso em prática. Se  constantemente fizermos esse exercício haverá muito menos “deuses” neste mundo. Que, consequentemente, será muito mais repleto de amor, obediência e paz. Faça o teste: seja humilde. Com isso, você se torna bem-aventurado – e Jesus agradece.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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rachadura 1Eu contei: no último ano, saí 37 vezes de casa para pregar, em igrejas próximas ou distantes. Isso me levou a viajar muito pelo Brasil e, consequentemente, a ficar hospedado em diferentes hotéis. Algo interessante que percebi é que nunca um quarto de hotel, por mais simples ou luxuoso que seja, é perfeito. Isso me fez pensar um pouco sobre a perfeição – ou a falta dela. Em Brasília, o ar condicionado jogava ar gélido diretamente sobre a cama. Em Teresina, o ar condicionado estava pifado. Em Barra do Piraí, a janela do quarto dava para uma área cheia de popô de pombos. Em Jaboatão dos Guararapes, o vento na janela era tanto que era difícil dormir com o assobio do vendaval. Em João Pessoa, o chuveirinho do banheiro vazava e encharcava o quarto inteiro. Em Recife, o chuveiro minava água, que inundava o banheiro após cada banho – que era difícil de tomar porque ou a água ficava muito quente ou muito fria. E o telefone do quarto não funcionava. Em nenhum hotel havia tapete no box, o que me levou a sempre pôr uma toalha de rosto no chão para não escorregar. E por aí vai. 

Entenda, por favor: não estou reclamando, de forma alguma. Os hotéis foram todos muito agradáveis, reservados com muito carinho e atenção pela generosidade dos queridos irmãos que nos convidaram para pregar ou palestrar. As acomodações eram excelentes e nos permitiram descansar, repousar e ter sossego para orar em paz e nos preparar para as ministrações. Foram bênção e sou grato a cada irmão que convidou a mim, minha esposa e minha filha para ali ficar hospedados. O ponto para o qual desejo chamar atenção é que, embora fossem todos hotéis muito agradáveis, nenhum deles era absolutamente perfeito. Sempre havia algo que me obrigava a pedir auxílio na recepção para trocar de quarto ou improvisar algum tipo de solução. 

rachadura 2Eu e você somos como esses quartos de hotel. Temos muitas características boas, qualidades, virtudes e valores admiráveis. Somos pessoas cinco estrelas, pois fomos criados à imagem e semelhança do Criador. Mas jamais seremos perfeitos. Sempre haverá em nós algo a ser consertado, remendado, aperfeiçoado. Fomos criados como resultado do amor de Deus, mas o pecado que habita em nós faz com que algo sempre precise de ajustes. 

A grande vantagem de se adquirir essa percepção, em vez de posar de superssantos inerrantes, é que nos colocamos em nosso devido lugar e, com isso, nos tornamos mais graciosos com o erro alheio. Ao perceber que temos muitas imperfeições e falhas, somos levamos a tolerar e suportar os defeitos do nosso próximo com graça e compaixão. Afinal, não somos melhores do que ninguém e estamos todos no mesmo barco – aquele que transporta pecadores em processo de aperfeiçoamento pela vida até o dia em que chegaremos ao nosso destino final. 

Da próxima vez que você deparar com alguém que te incomoda, chateia ou entristece pelos defeitos que tem, lembre-se de que, se ele apresenta um vazamento de água, você está com seu ar condicionado pifado. Se o seu próximo não tem tapete no box do chuveiro, você tem janelas que assoviam constantemente pelo vendaval. Todos temos falhas: as suas apenas são diferentes das do seu próximo. Nem melhores, nem piores: só diferentes. 

rachadura 3O pior tipo de cristão é o que se põe acima dos demais, seja moralmente, seja espiritualmente, seja intelectualmente. Há quem creia na depravação total da humanidade – que nos iguala a todos – mas age com quem ele considera estar errado com arrogância, altivez, soberba. Apresenta-se como detentor de conhecimento superior, de mais santidade, de mais cristianismo. E se esquece de que sua goteira pinga dia após dia, inundando o quarto de sua alma. Falta de graça. Falta de amor. Falta de compaixão. Falta de autocrítica. Falta de Cristo. 

Se você considera que alguém está errado, lembre-se de que você também está. Ele erra em A, você erra em B. Sua moral não é irretocável. Seu conhecimento teológico não é inerrante. Sua espiritualidade não é inequívoca. Seu relacionamento com Deus é cheio de buracos. Você é falho, como eu, como qualquer outro. Tenha humildade, pelo seu próprio bem. E porque não haveria nenhuma razão para não ter.

rachadura 4Na maioria das ocasiões, tive de solicitar auxílio à recepção do hotel. Por vezes me mudaram de quarto, em outras  mandaram alguém da manutenção, em outras tantas solucionaram a questão trocando aparelhos defeituosos. Recomendo que você procure o grande Recepcionista da sua vida e peça a ele ajuda para consertar as suas imperfeições, sabendo que para cada tipo de problema há uma solução diferente. Preocupe-se mais com os seus vazamentos e defeitos do que com os do próximo. Acredite: já será um grande avanço se você conseguir que a goteira ou o ar gélido da sua própria alma seja consertado. 

Aí, então, com a convicção de que você é um daqueles quartos de hotel cinco estrelas mas, por baixo das partes restauradas, bem cheio de rachaduras,  ajude seu próximo a solucionar o telefone quebrado dele, com amor, carinho, encorajamento, paciência e graça. Ao fazer isso, em vez de agir como alguém petulante e acusador, você de fato estará exercendo seu papel como filho de Deus e cidadão do Reino dos céus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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babyQueridos irmãos e irmãs em Cristo,

agradeço a todos vocês que contribuíram com opiniões e sugestões acerca da ideia de postar reflexões em áudio aqui no APENAS. Como até a última vez que olhei mais de 80% dos manos que clicaram na enquete foram favoráveis à inserção desse recurso, a partir de agora pretendo postar algumas reflexões em áudio, de tempos em tempos. De forma alguma isso substituirá os textos escritos, que são minha área de atuação, minha paixão e onde trafego melhor. Acredito no poder da palavra escrita e sempre incentivo a leitura. Não acredito que o áudio substitua o texto, de modo algum. Minha ideia não é substituir ou subtrair: é somar. Por isso, continuarei escrevendo os textos, mas eventualmente postarei reflexões em áudio, na esperança de estar servindo uma parcela de pessoas que, de outro modo, não seriam alcançadas pelos posts escritos.

Inicialmente, tinha pensado em postar o áudio por meio de um player, mas descobri que os e-mails que são enviados aos assinantes do blog não reproduziam o player, por alguma razão técnica que desconheço. Por isso, o meio que parece servir melhor esse propósito é a incorporação da gravação em um vídeo de YouTube. Assim, inseri um slide com o nome do blog, apenas para viabilizar que o áudio chegue até você, que é assinante, por e-mail. O que quero valorizar é a mensagem e não me preocupar com vinhetas, recursos de vídeo ou algo parecido.

Meu desejo é compartilhar reflexões como as que normalmente escrevo, mas também usar o áudio para falar de temas que eventualmente sejam mais atuais. Alguns serão mais formais (como a postagem de hoje), outros serão um bate-papo informal. Não desejo engessar o formato.

Peço a Deus que essa iniciativa contribua para alcançar pessoas que, de outro modo, não seriam alcançadas. Se desejar, compartilhe, encaminhe para quem achar que deve, sinta-se à vontade. Se eu perceber que a iniciativa não foi bem-sucedida, não tenho problema algum em abandoná-la e prosseguir no mesmo caminho que temos trilhado há mais de 4 anos, exclusivamente textos escritos. Muito obrigado pelo seu carinho, conto com suas orações. Dependo da graça de Deus para manter este blog ativo e agradeço demais pela sua intercessão.

A reflexão de hoje é sobre humildade. Peço a Deus que te abençoe.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Mais vendidos da Mundo CristãoA página na Internet da editora Mundo Cristão tem uma seção que mostra quais são os livros mais vendidos nos últimos trinta dias pela loja virtual do site. Semana passada, minha obra mais recente, O fim do sofrimento: um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios, ocupava o 4º lugar desse ranking e o livro Convulsão protestante, do pastor Antônio Carlos Costa, estava em 1º. Um amigo da igreja viu isso e me perguntou: “Zágari, você não está com inveja não? Nem um ciumezinho?“. Confesso que a pergunta me soou tão estranha que provocou uma reflexão sobre esse pecado considerado tão pouco grave por tantos cristãos mas que a Bíblia condena de forma tão veemente: a inveja.

Já senti inveja muitas e muitas vezes ao longo de minha vida. Infelizmente. Mas acredito que a maturidade, o sofrimento e a enorme quantidade de erros que já cometi têm me ensinado e me adestrado a compreender que determinados tipos de comportamento não levam a nada nem significam nada. Isso tem ocorrido com a inveja. Assim, respondendo a pergunta de meu amigo: não, em absolutamente nenhum momento senti inveja do pastor Antônio. Muitíssimo pelo contrário, fiquei extremamente feliz por ele, por saber que o primeiro livro de sua autoria pela Mundo Cristão está tendo repercussão. E isso por um motivo simples: além de eu pessoalmente gostar muito do homem Antônio Carlos Costa e de torcer por esse meu irmão, o meu livro e o dele não são “concorrentes” São aliados. Eles se complementam.

Essa é uma percepção que falta a muitos de nós, cristãos. Muitas vezes não compreendemos que o irmão em Cristo não está numa disputa conosco, mas, sim, somando. O resultado: inveja porque o irmão ganhou um cargo na igreja, inveja porque a irmã tem mais visibilidade, inveja porque o próximo prega mais, inveja porque fulano lidera o louvor, inveja porque beltrano tem um carro mais caro, inveja porque o marido de sicrana é mais gentil, inveja porque a igreja ao lado tem mais membros, inveja, inveja e inveja!

Segundo a definição dos dicionários, “inveja” significa “desejo de possuir o que outro tem”. Como se pode ver, ter inveja é exatamente o pecado resultante da transgressão ao décimo mandamento: Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Êx 20.17).

urubuA inveja é um mal tão horrível que a Bíblia o define como a morte das partes mais profundas da nossa carne. O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30). E não só isso, a inveja aponta para um total distanciamento se Deus: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.25-26). E mais: “onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3.16).

Lamentavelmente, temos o péssimo hábito de eleger alguns pecados como mais repugnantes a Deus do que outros, como se filé mignon podre fosse menos repugnante que uma ratazana podre. Para Deus, podre é podre. Achamos que pecados como prostituição, lascívia, homicídios, adultérios e blasfêmia seriam pecados mais graves, enquanto outros como avareza, malícia, soberba e inveja seriam pecadinhos menores, aos quais Deus teria menos repulsa. Isso é o que achamos. Mas, quando lemos a Bíblia, vemos que os textos não fazem distinção entre os pecados:

“O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem. (Mc 7.20-23).

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,  idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,  invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21).

inveja_1Inveja não é um mal menor. Não é menos grave que assassinato, só porque as consequências terrenas são diferentes. No mundo espiritual, são a mesma coisa: desobediência à vontade do Senhor. Transgressão. Abandono do que é puro e bom. O adúltero, o cachaceiro, o traficante, o homicida, o fornicário e o arrogante não são mais pecadores  que o invejoso.

Entenda que tudo de bom que você é e tem foi Deus quem te deu. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Do mesmo modo, tudo de bom que o outro tem e é foi Deus quem deu a ele. Inveja, portanto, é questionar e peitar o que Deus decidiu fazer e discordar da bênção que ele resolveu dar ao próximo e não a você. Inveja é motim. Inveja é rebelião. Satanás invejou o Senhor e quis ocupar seu lugar. Deu no que deu.

“Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3.3-6). Isso mostra que a inveja é relacionada na Bíblia a uma característica de quem não passou pela salvação. Façamos o que é certo.

Antonio Carlos Costa e eu_230215Pastor Antônio Carlos Costa escreveu seu livro para abençoar o próximo. Eu escrevi o meu com o exato mesmo objetivo. Nossos livros são diferentes e têm funções diferentes, cada um atende a diferentes anseios dos leitores. Deus entrega o Convulsão protestante nas mãos de quem precisa ler esse livro. E entrega o O fim do sofrimento nas mãos de quem precisa ler esse livro. Eu e pastor Antônio (foto) somos jogadores do mesmo time, soldados do mesmo exército, membros do mesmo corpo, filhos do mesmo Pai. Ele é meu irmão e fico felicíssimo pelas alegrias dele e pelo que ele conquista, pela graça de Deus. Gostaria que você se sentisse desse modo com relação a todas as pessoas que, assim como você, fazem parte do Corpo de Cristo.

Fuja da inveja, meu irmão, minha irmã, não a alimente. Não enxergue esse pecado como algo menor ou justificável. Não é. É uma transgressão tão imunda como qualquer outra. Alegre-se com as conquistas do seu próximo, sorria e celebre com ele, entendendo que o que ele tem e é foi Deus quem deu. E Deus não erra. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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arrogancia 1Ando pensando muito sobre nossa arrogância teológica. Se você não está familiarizado com essa expressão, permita-me tentar defini-la. “Arrogância teológica” é aquele sentimento que se manifesta em nós quando nos consideramos os donos da verdade em relação a nossas crenças espirituais e doutrinárias e, por isso, nos colocamos em uma posição de suposta superioridade em relação aos reles e pobre mortais que discordam da nossa forma de ver a fé. Esse problema sempre existiu, mas, com o surgimento das redes sociais, o fenômeno tem se manifestado de forma nunca antes vista e ganhado uma enorme visibilidade. O que, diga-se de passagem, é uma lástima.

Tenho visto a arrogância teológica crescer e se multiplicar. Na Internet, atualmente uma das formas mais frequentes que a vejo é na guerra (e uso o termo “guerra” conscientemente) que tem se travado entre calvinistas e arminianos, isto é, a grosso modo, entre quem crê na eleição divina para salvação e quem crê no livre-arbítrio. É uma guerra feia, pois reproduz, milênios depois, a abominação que houve entre Caim e Abel: lança irmão contra irmão, suscita ódio entre filhos do mesmo Pai e gera debates pueris onde deveria haver amor e união. Não consigo vislumbrar nada mais inútil e feio na fé cristã do que irmãos em Cristo usando sarcasmo, ironia, ódio e ofensas para tratar outras pessoas por quem Cristo igualmente deu a vida. Vejo os “reformados” (calvinistas) defenderem a predestinação e o TULIP como se isso fosse fazer evangelismo. Não é, nem de longe. E vejo arminianos reagindo com ataques de igual monta contra os calvinistas, como se fossem hereges. E não são, nem de longe.

calvinismoEsses ataques e essas picuinhas vão levar a Igreja de Cristo sabe aonde? A lugar algum. Somente a embates cheios de carnalidade e a uma “guerra civil” protestante, para deleite das forças espirituais da maldade. Entrar em debates, acusações, birras de Facebook ou o que for para ficar defendendo calvinismo ou arminianismo mediante ataques ao outro lado vai simplesmente provocar o que levou a rixa entre José e seus irmãos ou Jacó e Esaú: dissensões e facções – que, aliás, são obras da carne, como denunciado por Paulo em Gálatas 5.19-21. Quanta perda de tempo e energia…

Muitos me perguntam se sou calvinista ou arminiano. Minha resposta é: que importa? Que diferença faz? Não quero pregar predestinação ou livre-arbítrio, quero pregar amor, graça, perdão, pacificação, generosidade, amabilidade, bondade, mansidão, caridade, paz; pois essas são colunas do evangelho, comuns a todos os sistemas doutrinários protestantes, ortodoxos ou católicos. Como já disse alguém, durmo com a tranquilidade de um calvinistas e prego com a ênfase de um arminiano. Mas procuro fazer isso unindo e não segregando, tratando quem discorda de mim com afeto e carinho, e não com desdém e palavras ácidas, como tanto tem ocorrido por aí. Simplesmente porque quem age assim não está agindo como cristão.

Duvido que Cristo aprove que se defenda sua soberania com ódio, ofensas ou ironias entre irmãos. Não há nada errado em se defender o que se crê (eu mesmo estou fazendo isso aqui), mas, se o fazemos com soberba e altivez, nos tornamos abomináveis. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (Pv 8.13).

Arrogante-1Outro aspecto da arrogância teológica está em desprezar aquele que o arrogante considera menos “acadêmico”, “culto” ou “profundo” do que ele próprio. A soberba leva o cristão que se encaixa nessa definição a desprezar pregações, palestras, textos e livros que não citem montes de pensadores e referências bibliográficas, que não usem os termos rebuscados da teologia, que não suscitem “debates intelectuais”. Algum tempo atrás fiquei muito chateado, pois vi uma pessoa criticar o escritor Max Lucado, desdenhando-o como um autor “raso”, “superficial”. Sou apaixonado por teologia, já cursei dois seminários teológicos, gosto e tenho frequentemente debates profundos e rebuscados sobre as coisas de Deus. Mas não é por isso que me ensoberbecerei em meus conhecimentos e desprezarei um autor cristão que contribui para levar consolo, paz, esperança e palavras de fortalecimento e fé a milhões de pessoas pelo mundo. Isso seria leviano. E diabólico.

Falo com conhecimento de causa. Quando eu era um arrogante teológico (sim, já fui isso) eu desprezava autores como Lucado e outros da mesma linha, que não se atêm a rebuscamentos da teologia, mas se dedicam a escrever de forma simples, aplicando conhecimentos teológicos à vivência do cristão. Mas, quando tive de atravessar o vale da sombra da morte, não encontrei a paz em teologias sistemáticas ou comentários bíblicos: encontrei alívio e refrigério (bíblicos, ressalte-se) em livros como os de Max Lucado, que me apontaram o amor de Jesus na prática. Esse irmão em Cristo (que tem crenças soteriológicas diferentes das minhas, permita-me ressaltar) foi quem me deu palavras de renovo, ânimo, conforto e esperança. Palavras como Cristo nos dá. E, enquanto os arrogantes teológicos o desprezavam e faziam piadinhas de sua “literatura rasa”, ele me ajudava a ficar de pé e a continuar a caminhar. Obrigado, Lucado, por isso.

boys-walking-on-raod-bw“Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.4-5). Nosso meio está cheio de pessoas que se enquadram nessa descrição, lamentavelmente. Eu fui muito abençoado em conferências teológicas que tratam de assuntos das rodas acadêmicas e da “intelligentsia” cristã. Washer, Piper, Sproul, DeYoung, Beeke e outros me edificaram, e muito, e jamais os desprezarei. O conhecimento deles e de outros excelentes pensadores soma, abençoa, constrói, edifica e devemos indispensavelmente ouvi-los. Que fique muito claro: não estou de modo algum dizendo que devemos descartar ou desprezar as profundidades da teologia, fazer isso seria cometer o mesmo erro (e um erro crasso), mas pelo lado oposto. O problema não é de jeito nenhum a teologia, sem a qual a fé cristã não subsiste. O problema é quando a teologia academicista despreza a sua aplicação prática coloquial e simples, quando a teologia diminui o chorar com quem chora, quando a teologia não quer sujar o pé no barro e despreza aqueles que o fazem. Teologia que não sai das salas de aula, das mesas de restaurante, dos vlogs e podcasts e dos auditórios de debate é mero correr atrás do vento para alimentar egos.

max lucadoEu gostaria muito que os grandes ministérios e as igrejas que organizam as principais  conferências teológicas no Brasil mudassem um pouco o foco. Que não tratassem de temas, muitas vezes, secundários e, até, improdutivos, e direcionassem suas atenções para os pontos nevrálgicos da fé cristã. Eu adoraria ir a uma conferência teológica cujo tema fosse o perdão, por exemplo (assunto essencial mas tão pouco tratado na Igreja de nossos dias), e que tivesse como preletor o Max Lucado. Ao ler isso, os arrogantes teológicos logo torceriam o nariz. Mas o que de diferente se esperaria de arrogantes teológicos?

Meu irmão, minha irmã, sempre que for tentado a cometer o pecado da arrogância teológica, lembre-se de que ela é tão arrogância como qualquer outro tipo de arrogância. E o que a Bíblia tem a dizer aos arrogantes é: “Abominável é ao SENHOR todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

cruzFica minha proposta: se você é um líder, alguém responsável por organizar congressos, conferências ou outros tipos de fóruns de debate entre cristãos, não se deixe picar pela mosca azul da arrogância teológica. Não queira ser chique. Pense o seguinte: sobre que temas Jesus chamaria seus discípulos para debater numa conferência ou num congresso? Consegue fazer esse exercício de imaginação? Bem, na verdade, nem é preciso imaginar. Leia Mateus 5 a 7, o conhecido Sermão do Monte, essa belíssima conferência teológica que Jesus organizou e na qual palestrou com a simplicidade de um Max Lucado. Ali ele tratou de temas basilares, indispensáveis e urgentes do cristianismo, como humildade de coração, consolo, mansidão, misericórdia, pureza de coração, pacificação, confiança nos cuidados de Deus, santidade, a importância da reconciliação com os irmãos e outros temas centrais, fundamentais e prioritários da fé cristã. E, se Jesus priorizou tais temas, não deveríamos nós imitá-lo? O que está nos impedindo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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justificativa 1Um grande inimigo da vida com Deus chama-se “justificativa”. É aquela “boa explicação” que justifica fazermos o que não deveríamos ou não fazermos o que deveríamos. A traiçoeira justificativa costuma brotar em nossos lábios nas mais variadas circunstâncias, como quando pecamos e tentamos fazer parecer que aquele pecado não é tão pecado assim; quando fugimos da vontade de Deus alegando alhos ou bugalhos; quando queremos facilidades e por isso começamos a entortar a ética bíblica; quando, quando, quando. Quando. Justificativas são o “jeitinho brasileiro” aplicado ao evangelho, para tentar fazer o errado parecer certo. Justificamos e, assim, negociamos o que é inegociável. O perigo reside em nossa justificativa não ser uma “boa explicação”, mas, sim, uma “boa desculpa”.

A estratégia de usar justificativas a fim de escorregar para fora da vontade do Senhor vem desde o Éden. Quando Adão e Eva cometem o primeiro pecado, em vez de abaixar a cabeça e reconhecer o erro, ambos se justificam: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.12-13). Repare que Adão justifica seu pecado atribuindo culpa a Eva, que, por sua vez, se justifica acusando a serpente. Isto é, ambos tinham uma “boa justificativa” a fim de se arrastar para fora dos caminhos de Deus. As consequências desse comportamento você conhece.

justificativa 2Assim como o primeiro casal, nós também vivemos nos justificando. Sonegamos o imposto com a justificativa de que o governo é ladrão. Desonramos pai e mãe com a justificativa de que eles são pessoas difíceis. Mentimos com a justificativa de que “é só uma mentirinha que não faz mal a ninguém”.  Somos soberbos com a justificativa de que “é preciso pagar a quem honra, honra”. Nos afastamos da família de fé com a justificativa de que “Jesus não construiu templos”. Somos grosseiros com os incrédulos com a justificativa de que há pastores famosos que tratam os incrédulos de modo grosseiro. Pecamos com a justificativa de que “não somos legalistas”. Somos legalistas com a justificativa de que “não seguimos a graça barata”. Não estudamos teologia com a justificativa de que “a letra mata”. Nos refugiamos na teologia com a justificativa de que, se não citamos mil pensadores, nossa teologia e superficial. Somos sarcásticos com os  arminianos porque… Agredimos os calvinistas porque… Damos propina a fiscais porque… Desonramos a autoridade porque…  Prejudicamos o próximo porque… Somos arrogantes porque… Invejamos porque… Falamos mal do próximo porque… Puxamos o tapete porque… E poderíamos seguir numa extensa lista de atitudes erradas que tomamos porque… porque… porque… porque… porque… porque… porque… Sim, o erro tem sempre um “porque”. Só que ter um “porque” não faz um erro ser menos errado.

Você já fez isso? Você faz isso? Você está fazendo isso atualmente? Então cuidado. Cuidado, porque a justificativa é inimiga da santidade, do arrependimento, da confissão de pecados, do perdão, da cruz de Cristo. Logo, a justificativa é uma sabotagem do evangelho.

O oposto da justificativa é a transparência. A honestidade. A sinceridade. Às vezes, em minhas elocubrações doidas, me pergunto se Deus teria expulsado Adão e Eva do Éden se, em vez de terem se justificado, batessem no peito, chorassem, pedissem perdão, confessassem com total reconhecimento a sua falha. Jesus mesmo mostrou a diferença entre a justificativa e a transparência em uma parábola:

“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.10-14).

justificativa 3Humilhar-se, no contexto bíblico, significa expor-se. Reconhecer-se como pecador falível. Assumir sua total dependência da graça divina. Humilhar-se, aos olhos de Deus, não é inferiorizar-se, mas elevar-se. Por outro lado, justificar-se é fazer-se maior do que realmente é, por acreditar que a sua justificativa é capaz de enganar o Senhor, fazendo-o acreditar que “não é bem assim”. Mas o Onisciente sabe exatamente o que você faz, fala e pensa. E, portanto, sabe que é assim, sim. Não se justifique, meu irmão, minha irmã. Seja sincero, pois sinceridade a respeito de si mesmo e de todos os seus erros e acertos é uma das marcas de todo aquele que Jesus tornou justo pelo sacrifício da cruz. Aja como o justo que você é e não como o ser justificável que seu pecado deseja que você acredite ser.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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