Posts com Tag ‘Murmuração’

Elogios são um perigo, uma ameaça real à saúde espiritual de qualquer um de nós. Porém, quando Deus usa uma pessoa para manifestar sua graça transformadora e curadora a outras, os elogios tornam-se inevitáveis, pois o ser humano é naturalmente inclinado a acreditar que existe um mérito qualquer em alguém que o Senhor usa para tocar seu coração. O resultado é que vemos constantemente um certo “carinho exagerado” das pessoas por outras, até mesmo no meio cristão. Surgem, assim, fãs de cantores gospel, admiradores de pregadores, defensores ferrenhos de teólogos, seguidores de escritores. Porém, como Deus ama as pessoas que usa e sabe que os elogios podem corromper o coração delas e torná-las arrogantes, vaidosas e egocêntricas, frequentemente permite que enfrentem situações difíceis.

O objetivo do Senhor com isso não é se deleitar no sofrimento de quem usa, mas estimular a humildade. É deixar quem ele usa sempre alerta ao fato de que é apenas um vaso de barro sem mérito, que carrega o tesouro divino em suas palavras; um cano enferrujado, por onde corre a água da vida. Meu irmão, minha irmã, Deus usa você de algum modo? Seja pregando, cantando, tocando, ensinando, aconselhando ou o que for? Então prepare-se: você será disciplinado por ele, a fim de preservar sua humildade. A questão é: como agir quando isso acontecer?

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Em uma situação de elogios, o maior perigo é você acreditar no que lhe dizem. No dia em que me dei conta da ameaça que são os elogios, com enorme potencial de envenenar nossa alma pecadora, passei a orar com frequência: “Pai, nunca me deixe esquecer de quem eu realmente sou. Que eu jamais tome como minha a excelência do teu Espírito”. E comecei a ver Deus atender essa oração – para minha felicidade e tristeza. Felicidade porque o Senhor me lembra com constância de que sou apenas um cano barrento e enferrujado por onde ele faz fluir para meus irmãos e irmãs a cristalina água da vida. E tristeza porque, em geral, ele me lembra disso por meios que doem muito. Isso acontece com você?

Deus permitiu o espinho na carne de Paulo para evitar que ele se tornasse arrogante (2Co 12.7). E ele continua fazendo o mesmo, em nossos dias, com aqueles que ama e decide usar para realizar seus propósitos. Canos enferrujados não matam a sede de ninguém. O que sacia o sedento é a água que passa pelo cano. E Deus não quer que nos esqueçamos dessa verdade fundamental da fé cristã. Por isso, temos de estar preparados para tomar uma chapuletada disciplinadora do Pai a cada elogio que recebemos a um texto, um livro, uma canção, uma pregação, uma aula, um trabalho bem feito. As pancadas vêm com todo amor do mundo, em uma disciplina fundamental e pela qual devemos ser gratos. Mas que dói, dói. E muito.

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Deus disciplina cada pessoa de um jeito personalizado. O que ele faz para me pôr diariamente em meu devido lugar não é o que ele faz a meu vizinho nem é o que fará a você. Nessas horas, temos de estar alertas e aceitar que as justiças ou injustiças que enfrentamos vêm mediante a permissão da soberana vontade de Deus. O que entristece você? O que o abate? O que faz você parar, baixar os olhos e pensar sobre a vida e seu papel nela? O que lhe lembra que você é barro, é pó, é cano enferrujado? Preste atenção, meu irmão, minha irmã, pois é exatamente isso que Deus permitirá que lhe suceda, a fim de que você traga constantemente à memória quem é e não seja vencido pelo próprio ego.

A grande questão é: o que fazer nessas horas?

O primordial é não murmurar e manter um coração constantemente grato. Você estará triste, sim, perderá o apetite, não entenderá nada, ficará confuso e passará por momentos melancólicos, mas nunca deixe que isso roube de seu coração a gratidão a Deus. Você é disciplinado? “Graças te dou, Senhor, por me lembrar do cisco que sou”. Pessoas apontam com justiça seus muitos erros e defeitos? “Graças te dou, Senhor, por nunca me deixar esquecer que sou somente um vaso de barro rachado, esfarelado e falível”. Pessoas o acusam injustamente de ser como você não é, de agir como não age e de ter intenções que não teve? “Graças te dou, Senhor, porque lhe aprouve me abater para que não me esqueça de que a excelência é tua e tão somente tua”.

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Meu irmão, minha irmã, quando a sofrida disciplina terapêutica vier, você precisa estar preparado para agir biblicamente, pois somente agindo segundo a vontade de Deus você atravessará os vales de maneira aprovada. E a sua atitude depende de o que você enfrentar ser justo ou injusto.

Se Deus permitir que você seja submetido a uma situação de disciplina justa, em decorrência de um mal que você de fato cometeu, ao receber o alerta quanto aos seus erros, apenas abaixe a cabeça e aceite a repreensão. É melhor ser corrigido em uma falta do que permanecer no erro. E, se você tem um coração em Deus, tenho certeza de que ser admoestado em seus pecados é algo que valoriza, pois permite que se arrependa e abandone o erro. Então, de forma prática, se você sofrer em decorrência de pecados que realmente cometeu, dê graças a Deus, confesse a ele os seus erros, os abandone em arrependimento sincero e mude de atitude. “Quem oculta seus pecados não prospera; quem os confessa e os abandona recebe misericórdia” (Pv 28.13).

Porém, se você for injustiçado em suas palavras, ações e intenções, deve tomar extremo cuidado com sua reação. Sofrer injustiças requer cuidado redobrado, pois, nessas horas, nossa tendência natural e humana é nos defendermos, bradando por justiça, restituição e, até mesmo, vingança. E aqui é que está o ponto. Pois Paulo nos diz que esse não é o caminho. Veja: “Abençoem aqueles que os perseguem. Não os amaldiçoem, mas orem para que Deus os abençoe. […] Nunca paguem o mal com o mal. Pensem sempre em fazer o que é melhor aos olhos de todos. No que depender de vocês, vivam em paz com todos. Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.14-21).

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O que isso significa na prática? Algo que você não vai gostar de ler: não revide. Não se defenda. Não fique gritando contra a injustiça feita contra você. Sim, eu sei como isso soa, pois maldades e injustiças fazem nossa alma gritar por esclarecimento e compensação. Mas, se tentamos fazer isso pela força do próprio braço, Deus não tomará a frente. Porém, se suportamos as humilhações com resignação, em silêncio e com gratidão a Deus pela disciplina que essa situação nos impõe, temos a certeza de que o Senhor conduzirá tudo a bom termo e de acordo com sua soberania e sua boa, agradável e perfeita vontade. Tudo o que ele quer é que você permaneça humilde.

Nessas horas, ore como orou o salmista: “O sofrimento foi bom para mim, pois me ensinou a dar atenção a teus decretos” (Sl 119.71). Seja grato. Seja fiel. Seja leal ao Senhor. Não murmure. A Bíblia é recheada de casos de pessoas que murmuraram ao serem submetidas ao sofrimento disciplinador e foram reprovadas por Deus. Jesus, por outro lado, nos deu o exemplo: como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca. E deixou o Pai conduzir tudo. Sigamos o exemplo do Mestre.

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Meu irmão, minha irmã, esteja sempre preparado, pois Deus te ama tanto que permitirá que seja lançado na sofrida fogueira da disciplina, de tempos e tempos, para, assim como Paulo, não se deixar vencer pela mentira da arrogância, da vaidade, do ego. Quando isso acontecer, seja agradecido e não murmure. Em tudo dê graças. Se a disciplina vier com justiça, arrependa-se e mude. Se ela vier com injustiça, silencie e aguarde no Senhor com resignação. Esse é o caminho bíblico.

Que Deus continue te usando, do modo que ele quiser, para cumprir seus divinos propósitos. E que ele siga te disciplinando, pelo amor que tem por você. Se passar pela poda do Senhor de maneira aprovada, com humildade e se comportando da forma correta, tenha a certeza de que o seu Pai de amor trará a paz. E que, em tudo o que você vier a fazer durante a sua provação, a Igreja seja edificada e o santo, maravilhoso, digníssimo e belo nome de Jesus Cristo seja glorificado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Eu estava saindo do banho quando vi minha filha, curiosa, fuxicar a gaveta da mesa de cabeceira de minha esposa. Após revirar as coisas da mãe, ela abriu uma caixa cheia de bijuterias e, mexendo em tudo, disse a frase que me fez pensar: “A mamãe tem brincos lindos que ela nunca usa”. A percepção da minha bebê me remeteu a uma realidade que se apresenta com frequência em nossa vida: você já parou para pensar quantas coisas lindas temos e, com frequência, deixamos de valorizar? Tenho visto muito disso e, por essa razão, gostaria de pensar rapidamente sobre o assunto, que se resume a uma palavra: ingratidão.

Se sabemos que “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu” (Tg 1.17, NVT), entendemos que todas as coisas boas que temos vêm como um presente do Senhor. Ele é quem nos dá as coisas lindas que estão em nossa gaveta. Se, porém, deixamos de valorizar tais dádivas, estamos sendo como filhos ingratos e reclamões e, a exemplo do filho perdido da parábola, recebemos bênçãos mas só pomos o foco no que não temos. Ganhamos brincos lindos, mas não os usamos.

Ingratidão é pecado, por demonstrar falta de reconhecimento de algo que o Senhor fez, com amor e graça, por nós. Se somos ingratos, estamos acusando Deus de ser menos bom do que de fato ele é.

Vejo esposas que reclamam diariamente de seus maridos, quando eles são homens caseiros, pais amorosos e dedicados à família (pois, afinal, ele não faz tudo como eu quero e aponta os erros que insisto em repetir). Vejo indivíduos de barriga cheia de comida e armário transbordando de roupas, que moram em casas amplas e bonitas, que vivem reclamando da vida (pois, afinal, eles não têm aquela televisão da última marca). Vejo gente empregada e com salário depositado no fim do mês que vive reclamando do emprego (pois, afinal, o chefe é chato ou a rotina de trabalho não é perfeita). Vejo cristãos que reclamam de seus pastores, irmãos que reclamam de sua igreja, cidadãos que reclamam do governo, internautas que reclamam de tudo… tantos brincos lindos e sem uso. Ingratidão pelas coisas boas que se tem.

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Não estou dizendo com isso que a vida é perfeita. Não. No mundo temos aflições, como o bom Mestre profetizou que seria. Existe escassez, injustiça, doença, miséria, tristeza, tudo isso. Esta vida tem cheiro de estábulo e não de Éden – o que não quer dizer que não bata uma brisa fresca no entardecer. Minha reflexão é com relação a olhar sempre a metade vazia do copo e, tal qual os israelitas reclamões no deserto, só viver ressaltando o que não se tem, o que não se viveu, o que não aconteceu, a qualidade que o outro não tem e assim por diante. É uma vida cheia de nãos, embora Deus tenha dado muitos sins. Ingratidão.

Meu irmão, minha irmã, quais são as coisas lindas que Deus lhe deu? Convido você a fechar os olhos por dez segundos e fazer uma lista mental de tudo de maravilhoso com que Deus presenteou você. Você tem saúde, enxerga, caminha, ouve, sente, dorme… tudo isso é dádiva. Tem, também, bens materiais: livros, moradia, alimento, vestuário, aparelhos eletrônicos, veículos, supérfluos… tanta coisa! Tem ainda bens imateriais tão fundamentais, como educação, conhecimento, liberdade de ir e vir, liberdade de expressão, liberdade de culto, criatividade. Tem amigos. Tem família. Tem um cachorro de estimação. Tem uma rede no quintal. Tem o solzinho quente batendo no seu rosto ao fim do dia.

Meu irmão, minha irmã, você tem. Então por que se concentra tanto no que não tem? Por que chega em casa despejando reclamações e mau humor em cima dos outros? Por que ignora a lindeza da vida que Deus lhe concedeu por puro amor?

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A pergunta ingênua de minha filhinha é mais profunda do que ela poderia imaginar. Em sua simplicidade infantil, minha bebê não se deu conta de que levantou uma questão importante dos pontos de vista filosófico e teológico, que torna a vida de tantos milhões de pessoas pesada e infeliz, quando não precisaria ser. Seu marido não é perfeito? Você também está longe de ser, olhe as qualidades dele então. Seu carro não é do ano? Tudo bem, você não está indo a pé para o trabalho. Seu filho está passando por uma fase difícil? Tudo bem, ele está vivo, logo, essa fase vai passar. Sua namorada lhe deu o fora? Tudo bem, ela provavelmente seria uma esposa rixosa, briguenta e reclamona. O tempo está quente demais? Tudo bem, você poderia viver num frio horroroso dez meses por ano. Enfim, tantos brincos lindos! Use-os!

Um dos Dez Mandamentos fala sobre não cobiçar nada do próximo (Êx 20.17). Sabe, penso que esse mandamento tem muito mais a ver com ingratidão do que com inveja. Ao cobiçar a mulher, o jumento, a casa ou o que for do próximo, estou, na realidade, deixando de valorizar a dádiva que Deus me deu para valorizar o que ele decidiu dar a outra pessoa. Com isso, estou dizendo que Deus errou. Afinal, acreditamos que ele deu a outro o que nós é que merecíamos ou deveríamos ter. Isso é questionar a soberania de Deus. É questionar suas decisões. É questionar sua justiça. É questionar seu amor. Cuidado, meu irmão, minha irmã, isso é grave.

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Pense no que você tem e, ao ver os brincos lindos em sua gaveta, pare de cobiçar. Pare de ruminar “e se eu tivesse isso ou aquilo”. Esse “e se” é pior que mil legiões de demônios! É hora de usar os seus brincos. Talvez a sua vida esteja parecendo menos perfeita do que você gostaria porque você tem deixado de usar os brincos que estão na sua gaveta. Eles estão lá. Você simplesmente não tem prestado a atenção correta e justa às boas dádivas que Deus lhe deu.

Hoje é uma excelente oportunidade de refletir e mudar essa atitude tóxica. De parar de infernizar os outros com seu mau humor e a sua ingratidão. De ser um bom filho e uma boa filha do Deus que lhe deu tanto. A hora de usar os brincos lindos que você já tem é agora.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

 

 

reclamao 1Escrevo este texto dentro de um avião, a caminho de Recife, onde vou pregar. Sentados nas poltronas à minha frente há dois homens, conversando em voz alta, o que me permite ouvir todo o diálogo. Um é peruano e o outro, alemão e ambos estão de férias no Brasil. O que me impressiona no papo deles é que tudo gira em torno do que existe de ruim em nosso país: passagens de avião muito caras, sujeira nas ruas, pobreza, um monte de coisas. Eles reclamam, reclamam e reclamam. Ou, em linguagem bíblica, murmuram, murmuram e murmuram. Confesso que a conversa começou a me incomodar, como brasileiro que reconhece os problemas que temos mas, ainda assim, ama o Brasil e quer vê-lo melhorar cada vez mais. Não me incomodo pelo que estão falando, tudo é verdade e temos de reconhecer as falhas de nossa pátria. Meu incômodo deve-se ao fato de os dois cavalheiros se restringirem a falar mal, ridicularizar, reclamar… sem propor coisa alguma nem fazer nada para consertar o que está errado: é a murmuração pela murmuração. O que, aliás, é um tipo de comportamento muito comum: adoramos murmurar, mas pouco agimos no sentido de resolver os problemas – o que é absolutamente inútil. Será que você costuma fazer isso?

O exemplo bíblico clássico de murmuração é o do povo de Israel no deserto, nos quarenta anos que levou entre o Egito e a Terra Prometida. Eles só conseguiam ver o que havia de ruim na situação: falta de carne, calor, cansaço, escassez de água, a demora de Moisés no monte… só viam a metade vazia do copo. E foi isso que irritou Deus. Povo ingrato. De dura cerviz. Reclamão. Murmurador. “Contendeu, pois, o povo com Moisés e disse: Dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao SENHOR? Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (Êx 17.2-3). 

reclamao 2Costumamos criticar os israelitas por sua postura, mas, com muita frequência, fazemos a exata mesma coisa. É muito comum reclamarmos da vida mas fazermos pouquíssimo para melhorar as coisas. Reclamamos do governo, da alta do dólar, da corrupção, do chefe, do emprego, da professora, dos pais, da saúde, da goteira, do aumento dos preços, das ruas esburacadas, da ciclovia, da pobreza, da chuva, do sol, das formigas, de Marte, da física quântica, da tonga da milonga do cabuletê,…meu Deus! Tá tudo ruim! 

A grande questão é: o que cada um de nós faz para melhorar o que está ruim? Esse é o ponto. 

A vida na terra é imperfeita. As pessoas são pecadoras. O mundo jaz no maligno e nele teremos aflições. Essa é a realidade da existência. Então o fato de haver problemas não deveria nos surpreender, é previsível que haja. O que devemos pensar é: como reagir a eles? Murmurando, reclamando, xingando e esbravejando… ou fazendo algo a respeito?

Breclamao 3asta passarmos meia hora passeando pelo Facebook e parece que mergulhamos no oceano da murmuração. E estou falando de nós, cristãos. Vejo irmãos em Cristo reclamando do governo, da militância gay, dos arminianos, dos calvinistas, dos pentecostais, dos cessassionistas, da teologia da prosperidade, do pastor fulano, do cantor sicrano, da igreja institucional, da igreja desigrejada, do líder que inventou um novo título para si, dos hereges, dos outros hereges, de mais tantos outros hereges… mamma mia. O problema é que a maioria que vejo reclamar está apenas… reclamando. Talvez nem ore a respeito. Tampouco tome atitudes concretas para melhorar o que está errado, não busca dialogar com os equivocados, sair em auxílio dos desassistidos, conversar com os desviados, discipular os desencaminhados. Parece que reclama pelo puro prazer de reclamar. E isso não ajuda em nada. Há pessoas que basta eu ver a foto na timeline e já tenho certeza de que a postagem será negativa, pesada, murmuradora, acusadora. E vai ficar por isso mesmo, porque a pessoa não vai além da reclamação. Não faz nada a respeito. Só reclama. E no dia seguinte, reclama mais. E, depois, reclama de novo. E assim por diante. 

Temos de agir para que as coisas fiquem melhores. Tomar atitudes. Ter iniciativa. Orientar, abraçar, ensinar, encontrar, conviver. Investir tempo, esforço e energias. Reclamar por reclamar só faz de nós reclamões. Mais ainda: inúteis reclamões. Pois o blá-blá-blá por si só não faz de você um apologeta, um reformador, um herói da fé, nada disso. Faz de você… um murmurador cuja murmuração não gera nada de positivo. É inócua. Placebo. Você vira um reclamão admirado por um séquito de reclamões que gostam de quem reclama boas reclamações. Mas consequências práticas eficazes e transformadoras? Zero. 

reclamao 4Se você identifica que algo está mal, aja! Aja em prol do bem. Só falar não adianta se você não transformar essa reclamação em ação. Ponha a mão na massa. Faça acontecer. E aí, quem sabe, a sua murmuração vai virar, de fato, apologia, reforma, evolução, edificação – e, com isso, você deixará de ser um bem preparado especialista em reclamação e se tornará um bem-sucedido promotor de  mudanças, renovação da mente, cristianismo pratico. Deus não ficou olhando a humanidade pecadora e murmurando “Como eles pecam! Quanta transgressão! Que coisa horrível! Bando de desviados! Seus hereges!”. Pelo contrário, ele agiu: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17).

O peruano e o alemão desembarcaram no aeroporto, apertaram as mãos e se despediram, seguindo seu caminho e deixando para trás os problemas sobre os quais tanto falaram. Desfrutaram do prazer de murmurar, mas viveram o desprazer de somente murmurar, sem serem em nada úteis na solução dos problemas que apontaram. Eu não quero isso para minha vida. Peço a Deus que no meu epitáfio conste não algo como “Aqui jaz alguém que murmurou e reclamou com bons argumentos e belas palavras”, mas, sim, algo como “Aqui jaz alguém que agiu de fato no sentido de mudar o mundo e as pessoas para melhor”. E você? Qual é a sua escolha? 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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perigos 1Semana passada tirei alguns dias de folga em um hotel numa cidade de praia. Foi bom descansar um pouco, mas não deu para driblar os inevitáveis revezes da vida. Por isso, o meu passeio teve a sua cota de sofrimento. Ocorreram dois incidentes que me fizeram pensar sobre algumas questões ligadas à nossa vida espiritual, em especial sobre os perigos que nos espreitam ao longo da vida. Gostaria de compartilhar com você um pouco dos meus pensamentos.

Primeira questão: estou com 43 anos e o avançar da idade me fez perder cabelos. Muitos cabelos. Como meu pai, meus tios e meu avô paterno, chegou o tempo em que meu DNA disse: “Zágari, agora é hora de você ficar calvo”. E pronto. Não tem capiloton, oração ou unção que resolva essa questão: quando o assunto é queda de cabelo, vamos que vamos. E, como não faço implante nem nada do gênero, assumo a minha idade e o desmatamento capilar não me incomoda. Com isso, fui presenteado por Deus com duas boas entradas nas laterais superiores da cabeça. Mas isso gerou um problema ao qual não atentei. Depois de 43 anos passando filtro solar nos mesmos lugares de sempre na hora de ir à praia, não me dei conta de que nos últimos meses a área de pele exposta aumentou. O resultado é que não passei protetor na área acima da testa e fiquei com minhas duas entradas com cor de pimentão. E ardendo – muito.

piscinaSegunda questão: minha filha ama piscina. Do alto de seus 4 anos, tem fascinação por ficar na água. Como faz natação desde 1 ano e meio, nunca usou qualquer tipo de bóia e nada com destemor em águas profundas. Por isso, fomos muito à piscina do hotel. Minha filhota gosta muito de me ver nadando de uma lado a outro, por baixo d’água. Só que, naquela tarde, ela me pediu que nadasse “como sereia”, ou seja, com as mãos ao lado do corpo e ondulando as pernas. Para agradá-la, assim eu fiz. Acontece que a piscina estava com muito cloro e meus olhos já estavam irritados. Por isso, tive a brilhante ideia de fazer a travessia com os olhos fechados. E assim fui, calculando a direção em que deveria seguir. Pra quê.

Sem que eu percebesse, fui me dirigindo cada vez mais ao fundo, arqueando o corpo e mexendo a cabeça para cima e para baixo. Foi quando atingi o chão da piscina e, por estar de olhos fechados, dei uma cabeçada com toda força nos azulejos. Acredite: foi um pancadão. Emergi atordoado e, antes mesmo que saísse da água, já ouvi minha filha gritar:

– Papai, tá escorrendo sangue! Muito sangue! Muito sangue, papai!

sanguePois é, abri um enorme corte na testa e o sangue começou a descer em profusão pelo meu rosto. Chamei a bebê, pressionei uma toalha contra a ferida, para estancar o sangramento, e me dirigi à recepção do hotel, onde, sob olhares assustados dos funcionários, pedi auxílio. Acabei dentro do quarto, deitado e sendo atendido por minha esposa e uma enfermeira, que fez um curativo e mandou pôr gelo sobre o enorme inchaço que se formou. Daí em diante, as fotos da viagem ficaram lindas: eu com um curativo esquisito e assimétrico na testa.

No caso da cabeça queimada, o problema foi ignorar um perigo iminente. No caso da ferida na testa, o problema foi descuidar da segurança. O resultado nas duas situações: dor e sofrimento.

Muitas vezes, nós nos machucamos porque não estamos atentos o suficiente. Ignoramos os perigos da caminhada ou os conhecemos mas fechamos nossos olhos a eles. O resultado será sempre negativo: tristeza, mágoa, sofrimento. Se você sabe quais são as áreas em que corre mais riscos na sua vida espiritual, em que é mais tentado, em que seus pontos fracos estão mais latentes, fica a recomendação: não baixe a guarda. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Você conhece as próprias fraquezas, sabe onde a tentação te  conquista para o pecado com mais facilidade, mas, ainda assim, fecha os olhos e nada em direção ao fundo? Pois o resultado é sangue.

perigoOu, então, está desatento aos perigos da jornada, acostumado à zona onde sempre esteve em segurança e não se dá conta de que uma armadilha pode estar armada logo depois da esquina? Cuidado com o comodismo. Cuidado com o “sempre foi assim”. Cuidado com o que parece não ameaçar. Não banalize nem desdenhe os perigos. Porque a ameaça é real e ela pode vir de onde menos você espera. Se não ficar sempre atento ao que pode surgir do nada e te surpreender, você corre o risco de acabar com a cabeça queimada.

Meu irmão, minha irmã, nossa caminhada pela vida não é um passeio. Gostaríamos que fosse, mas não é. O perigo nos espreita. “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.8-9). Por isso, precisamos estar atentos e, também, nos anteciparmos ao que pode nos atacar.

proteção divinaSe, por um lado, conhecemos os perigos, por outro estamos sujeitos ao que pode nos advir sem aviso prévio. Por isso é tão importante aquilo que pedimos ao Senhor na oração do pai-nosso: “…não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mt 6.13). Nessa petição solicitamos ao sentinela de nossa vida, que não dormita jamais, que nos proteja até mesmo do que não esperamos: que ele nos livre do mal; de todo ele, o visível e o invisível. Afinal, “se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Sl 127.1).

E uma última recomendação: nunca se esqueça de agradecer a Deus por toda a proteção dele. Eu poderia ter ficado totalmente queimado, mas só acabei ardido em uma pequena parte da cabeça. E poderia ter tido um traumatismo craniano, mas só sofri um corte e um calombo na testa. Obrigado, Senhor, porque foste o sentinela de minha vida e me livraste do mal. Por mais que pareça que sofri males durante minha viagem, sei que mais do que tudo, fui protegido pela poderosa mão do Onipotente. E em tudo dou graças, por conhecer o amor, o poder e a proteção do Pai.

E você, como tem se precavido dos perigos iminentes? E quais têm sido seus cuidados com a segurança de sua alma? E se, mesmo tomando todos cuidados e precauções, você acaba se ferindo, como é a sua oração? Com reclamações e murmurações ou com um coração grato a despeito das circunstâncias ruins da vida? Medite sobre essas perguntas e, se constatar alguma deficiência, está na hora de tomar atitudes práticas e bíblicas que o levem a assumir uma posição cada vez mais vigilante, cuidadosa e grata a Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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dente 1Em algum momento da sua vida, você certamente já brincou com sementes da planta conhecida como dente-de-leão. A certa distância, elas parecem um chumaço branco e redondo, fixado na ponta de uma haste verde, mas, quando sopra o vento, aquela bolinha de fiapos de desfaz em um monte de pequenos tufos, que saem voando pelo ar. É lindo de se ver e divertido. Sempre gostei muito dessas sementes, porque me transmitem uma sensação de paz e leveza. Para os cristãos da Idade Média, a flor da dente-de-leão estava associada a Cristo, possivelmente pelo seu formato, que lembra os raios do sol. Por isso, historicamente ganhou o significado de otimismo, esperança e luz espiritual. Além das características simbólicas, a planta pode ser utilizada com fins medicinais; seu chá é usado para purificar o sangue, estimular o apetite e tratar diferentes problemas de saúde. E mais: o dente-de-leão também serve como alimento, pois tem valor nutritivo.

Fiquei positivamente surpreso e feliz quando a Editora Mundo Cristão me apresentou a capa de meu novo livro, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. A obra, que chega às livrarias neste mês de maio, tem uma capa azul celeste e o único elemento além das palavras são sementes de dente-de-leão sopradas ao vento. Achei a escolha do artista que fez a capa muito apropriada para um livro que tem como objetivo levar paz e alívio a pessoas que estão passando por um período de sofrimento. Quando recebi da Mundo Cristão a arte da capa, fiquei olhando, me lembrando das características dessa planta e refletindo sobre sua relação com a questão da paz em meio ao sofrimento, que é o tema central do livro.

dente 3Muitas vezes, quando o sofrimento chega à nossa vida, nos sentimos destroçados. É como se uma situação aparentemente perfeita fosse destruída, dando lugar a dor, angústia, tristeza, dúvidas, depressão e aflições. O mesmo ocorre com o dente-de-leão, um chumaço redondinho, perfeito, bonito. Mas aí chega o vento. Em segundos, aquela planta aparentemente irretocável é desfeita, desconjuntada, suas partes são sopradas para todos os lados e o que sobra é uma haste pelada, despida de beleza. O interessante é que essa aparente destruição na verdade serve para manter a espécie viva, uma vez que, quando isso ocorre, as sementes são levadas pelo vento para fazer brotar novos exemplares – uma bela estratégia que Deus criou para fazer a planta proliferar, crescer e se multiplicar.

Assim, se enxergarmos o sofrimento não como uma desgraça totalmente negativa, mas como uma oportunidade de reflexão, crescimento e transformação,  conseguiremos lidar muito melhor com as dores do corpo e as angústias da alma. Tudo é uma questão de como se encara a destruição do dente-de-leão: como o fim de algo belo ou como um fenômeno necessário para que ele cresça e se fortaleça. Como você lida com seu sofrimento? Com lamúrias e olhos cravados no presente ou com antecipação e olhos voltados para o futuro?

Além disso, o dente-de-leão é uma planta medicinal, isto é, que ajuda a curar males. De igual modo, enxergo no sofrimento a capacidade de nos conduzir a patamares de reflexão e transformação que em períodos de tranquilidade não conseguimos. Quando sofremos, somos empurrados para fora da nossa zona de conforto e nos vemos obrigados a mudar e nos reinventar; nos tornamos mais fortes e resilientes; adquirimos a capacidade de lidar com as agruras da vida como nunca antes; além de adquirimos um grau de intimidade e relacionamento com Deus muito superior aos dos tempos de paz (seja franco: você ora mais e com mais profundidade quando está tudo bem ou quando tudo vai mal?). O apóstolo Paulo deixou muito clara a capacidade do aperfeiçoamento na fraqueza provocada pelo abatimento de alma:

“Foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).

O fim do sofrimento_CapaNinguém quer sofrer, ninguém gosta de sofrer. Nem eu, nem você, nem ninguém. Sofrimento é algo horrível. Jamais você me ouvirá dizer que devemos querer sofrer – não sou louco. Só que o sofrimento é uma realidade da vida e um dia ele chegará, inevitavelmente. A pergunta que todos devemos saber responder é: como lidaremos com a dor, o luto, a aflição, a depressão, o desconforto, a perda e a falta de bem-estar quando vierem? Com desespero e desequilíbrio ou com confiança e paz? A resposta a essa pergunta fará toda diferença.

O Fim do Sofrimento tem um duplo objetivo: esclarecer por que um Deus bom, amoroso e misericordioso permite que seus filhos sofram. E ofertar palavras de consolo, alívio, crescimento e transformação, para mostrar como você pode obter paz enquanto está no olho do furacão. Por isso, fico especialmente encantado com um aspecto muito singelo da planta escolhida para ilustrar a capa do livro: sabe como o dente-de-leão é chamado em algumas regiões do Brasil?

Esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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otica 1Uma das grandes lições que meu pai me ensinou é que experiências de vida são muito mais valiosas do que bens materiais. Por isso, na minha infância os presentes que ganhava dele eram bem chinfrins, mas, em compensação, todas as férias eram inesquecíveis: viajávamos de carro a lugares como Pantanal, Nordeste, Amazônia, Uruguai, Argentina, Bolívia. Foram muitas aventuras extraordinárias. Cresci e carreguei esse aprendizado comigo: bens passam, mas experiências permanecem. Por isso, alguns anos atrás, em vez de dar um objeto qualquer como presente de aniversário a minha esposa, dei-lhe um voo de helicóptero sobre a cidade do Rio de Janeiro. O dia estava lindo e, de fato, foi um passeio marcante. Algo em especial chamou minha atenção durante o voo: era impressionante como ver de outro ponto de vista os mesmos lugares que sempre frequentei me permitia ver as ruas, os bairros, as praias e tudo mais por uma ótica totalmente diferente. Aquele voo me fez entender com uma clareza inédita uma importante realidade da vida: tudo o que nos acontece pode ser analisado de ângulos diferentes e, dependendo de qual ponto de vista escolhemos, teremos percepções completamente distintas acerca das mesmas coisas.
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Para ficar mais claro o que quero dizer, tomemos por exemplo este relato bíblico: Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.35-41).
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ponto de vista 2Pare para pensar como as pessoas que estavam no barco com Jesus enxergaram esse episódio e como as que estavam nos “outros barcos [que] o seguiam” perceberam o ocorrido. Para todos, o fenômeno foi um só: eles saíram de uma margem, veio um grande temporal de vento, com altas ondas, de repente o tempo clareou e logo aportaram na outra margem. Mas as conclusões e as lições foram enormemente distintas: para  quem estava nos “outros barcos”, foi só isto: um fenômeno natural, climático, que se iniciou e terminou pelas forças da natureza. Mas, para quem estava no barco com Cristo, ficou claríssimo que houve uma intervenção sobrenatural de Deus por meio de Jesus. Assim, dependendo de em que barco se estava, a percepção da relação entre Jesus e o acontecido foi totalmente  diferente. Para uns, forças da natureza. Para outros, um milagre que comprovava a divindade de Cristo. Conclusões opostas, frutos de pontos de vista opostos.
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otica 2Pensemos agora sobre a sua vida. Quando chegam a tragédia, a desgraça, a dor e o sofrimento, como você os enxerga? Será que consegue perceber os fatos ruins da vida como parte da escola de Deus, eventos que têm a finalidade de lapidar o diamante bruto que você é e transformá-lo em joia preciosa? De que perspectiva você vê tudo de ruim que se abate sobre você ou aqueles que ama? Com a mesma murmuração do povo de Israel ao sair do Egito ou como Jó, que, ao perder todos os filhos, mortos num catastrófico desabamento, adorou o Senhor e foi capaz de dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21)?
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Será que você consegue ver o Deus que é puro amor e misericórdia no controle de tudo, mesmo quando chegam as lágrimas e o abatimento? Qual tragédia você está vivendo? Será que é capaz de enxergá-la como parte do grande propósito divino ou como o abandono de um deus mau e raivoso? O ponto de vista que você decidir assumir fará toda a diferença – na sua forma de proceder, nas lições que extrairá, nas palavras que dirá, na solidez de seu relacionamento com o Criador.
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otica 3Muitos, quando ouvem que as tragédias fazem parte da grande equação de Deus rumo a um futuro que ele deseja construir a partir da soma de eventos da vida, se recusam firmemente a reconhecer esse fato. Deus é bom e as desgraças só podem ser atos do Diabo ou da maldade do mundo, dizem. Eu sei que é difícil compreender, entenda que eu sei disso. Por isso, nas horas em que parece que não dá para encaixar sofrimento no mesmo espaço que um Deus bom e amoroso, temos de olhar para a Bíblia e não para o que nós “achamos”. Lembre-se de José, que tinha tudo e, de repente, é traído pelos irmãos, passa anos como escravo, é caluniado, vira presidiário… come o pão que o Diabo amassou… Peraí… o Diabo? Veja a percepção que José tem após atravessar as desgraças todas, em seu discurso aos irmãos traidores: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus” (Gn 45.8). Uau, que homem de Deus era José. Ele compreendia com clareza que seu sofrimento fizera parte de um plano maior do soberano Criador, tal qual a dolorosa picada de uma injeção que, mesmo que machuque, tem por objetivo nos proteger de uma doença muito pior.
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Pense na cruz de Cristo, um sofrimento sem igual. Foi o Diabo que o levou à cruz? João 3.16 diz que o sofrimento de Jesus foi porque “Deus amou o mundo”. Pense no cativeiro babilônico de Judá e na conquista de Israel pela Assíria, foi o Diabo quem os causou ou foi tudo parte do plano didático do Deus que “disciplina todos os que ama”? Se você conhece a história bíblica, sabe a resposta.
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otica 4Meu irmão, minha irmã, o plano inicial de Deus não era o sofrimento da humanidade. Mas o sofrimento entrou, de penetra, como consequência do pecado. Está lá em Gênesis 3, basta ir à sua Bíblia ler. A partir daí, somos obrigados a conviver com ele, até que cheguem novos céus e nova terra. A questão toda é: é nesse meio-tempo? E no período em que estamos no mundo, sabendo que “no mundo tereis aflições”? Vamos olhar pelo ponto de vista humano, amaldiçoar a Deus e pedir a morte ou vamos olhar nossa dor pelos olhos divinos e, assim, adoraremos ao Senhor, a despeito das circunstâncias?
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Quando estivermos no cárcere, olhemos pelo ponto de vista de Deus e cantemos louvores. Quando estivermos na doença, olhemos pelo ponto de vista de Deus e o adoremos. Quando estivermos na desgraça, olhemos pelo ponto de vista de Deus e lhe rendamos honra. Deus é Deus e Deus é bom. A dor e o sofrimento não mudam esse fato. Mas tenha uma certeza: em meio às nossas angústias e aflições, jamais estamos sós. Pois Jesus prometeu que estaria conosco, todos os dias, até a consumação do século.
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cruzA sua lágrima não é derramada só por você. Saiba que há um Deus que decidiu enxergar a vida pelo meu e pelo seu pontos de vista. Por isso, ele se fez como um de nós. Viveu, suou, chorou, sofreu. Sofreu! Sofreu o pior dos sofrimentos! Mas ressuscitou. E hoje habita em glória, com lugar preparado  para nos receber. Você está sofrendo, meu irmão, minha irmã? Lembre-se: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17). Sim, Deus tem preparado para você uma glória eterna, que pesa mais do que todos os seus sofrimentos. Glória eterna. Paz. Felicidade. Creia: o fim do sofrimento virá. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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reclama1Você já observou como nós somos reclamões? Às vezes me impressiono com o tamanho da ingratidão que temos pelas coisas que Deus nós dá. Criticamos o povo israelita por ter murmurado no deserto após a libertação do Egito mas fazemos a exata mesma coisa. Pare para prestar atenção às coisas que os seus conhecidos falam ou que seus “amigos” publicam nas redes sociais e você perceberá a enorme quantidade de pessoas insatisfeitas com aquilo que têm e são. Chama especial atenção quando a ingratidão e as reclamações ocorrem em relação a algo que recebemos depois de muito pedir em oração.

Uma das áreas em que esse fenômeno mais acontece é a profissional. Todo universitário sonha com o dia em que entrará no mercado de trabalho; todo estagiário anseia por ser efetivado; todo desempregado fica ansioso por conseguir um emprego. Se for cristão, então, ele ora, jejua, chora aos pés do Senhor e faz todo tipo de barganha e promessa a Deus. Tem gente que chega a fazer campanha, subir monte, se engajar em correntes de oração e tudo o que se possa imaginar. Aí vem Deus e abre a tão sonhada “porta de emprego”. Seria de se esperar que a pessoa agradecesse diariamente por esse trabalho e exaltasse constantemente o Criador por sua generosidade. Só que basta o irmão começar a trabalhar que têm início as murmurações, pelos mais variados motivos: precisa acordar muito cedo para chegar ao trabalho, gasta muito tempo no trânsito, chega ao final do dia cansado, reclama diariamente do chefe, faz careta quando recebe o contracheque porque ganha menos do que gostaria, louva a sexta-feira porque terminou mais uma “terrível semana de trabalho”. Pediu a Deus o emprego e, quando recebe, tudo é só reclamação. Quem entende tamanha ingratidão?

reclama2Outra área em que isso acontece muito é o casamento. A moça sonha com seu “príncipe”. O rapaz clama pela sua “bênção”. Haja oração para que Deus envie logo a sua “metade”. Aí vem Deus e possibilita que você suba ao altar. Nos primeiros dois ou três anos é sempre uma maravilha, o conto de fadas que se realizou. Só que daqui a pouco começam as murmurações. É o marido que vê futebol demais. É a esposa que não gosta de cozinhar para o marido. Ele fica andando pela casa de meias e cueca. Ela deixa a calcinha pendurada no chuveiro. As reclamações crescem cada vez mais. As orações deixam de ser por agradecimento a Deus por, finalmente, lhe ter dado um cônjuge, e passam a ser para que ele transforme o marido ou para que ele faça a esposa tomar jeito. Reclamações se tornam a tônica. Pediu-se tanto um cônjuge e depois parece que ele é um presente de grego. Quem entende tamanha ingratidão?

Tem gente que sonha em ter filhos. Ora e jejua pedindo ao Senhor que lhe dê uma criança saudável e cria toda uma expectativa para a chegada do pimpolho. Aí vem Deus e concede ao casal a maravilhosa bênção da paternidade. Na primeira noite insone por causa do bebê surge o mau humor. Nos choros, a reclamação. A criança cresce e já vi pais que, inacreditavelmente, murmuram porque têm, por exemplo, de abrir mão de ver programas de televisão para brincar com o filho. Em vez de ser sempre celebrados como bênçãos do Senhor, muitos filhos levam os pais a reclamações constantes simplesmente porque os pequenos ainda estão aprendendo a ser gente e fazem traquinagens. Na hora da teimosia deles, muitos pais não encontram o prazer de ensinar o procedimento certo, mas sim vivem a tristeza de “aturar o pestinha”. Aqueles que foram tão ansiados acabam sendo vistos como fardos por quem deveria agradecer todos os dias a Deus, em lágrimas, por ter sido agraciado com o presente de valor incalculável que é uma criança. Quem entende tamanha ingratidão?

murmuraçãoO pecador estava perdido, sem Deus, sem salvação. Vive no atoleiro do pecado, caindo de transgressão em transgressão, caminhando a passos largos para o inferno. Aí vem Deus, estende a ele a sua graça, o adota como filho, o perdoa de seus erros, justifica, regenera e lhe abre as portas da vida eterna. Do inferno para o céu, motivo mais que suficiente para exaltar e glorificar o Senhor por todos os segundos de sua vida. Só que daqui a pouco o salvo começa a reclamar da vida de fé. A igreja de repente tem montes de defeitos. O pastor poderia pregar melhor. Os irmãos não são tão perfeitos como se pensava no início. O culto não é tão animado como a daquela outra igreja. Deus não atende a oração. A bênção não chega. Quero a minha cura e pra ontem! É um resmungo só. De repente a vida com Deus e na comunidade de fé se torna motivo não de alegria, mas de reclamação. Quem entende tamanha ingratidão?

Você não existia. O mundo estava muito bem, obrigado, sem você. Na verdade, você não fazia nenhuma falta. Aí vem Deus e resolve te dar de presente a vida. Te gera no ventre materno, te nutre, sustenta, forma, prepara, ama. Só que você cresce e descobre que a vida é dura, que há dores e sofrimentos, que as pessoas são más e há muita infelicidade no planeta, que viver inclui canseira e enfado. Por isso, se torna alguém que reclama da vida o tempo todo, para quem parece que nada nunca está bom. Suas palavras, em vez de celebrar a vida que Deus te concedeu como um presente de sua graça, se tornam um lamaçal de constantes murmurações. Você age como a hiena Hardy Har Har, do desenho animado, resmungando o tempo todo “ó, céus, ó, vida, ó azar…”. Parece que tudo sempre está ruim. Quem ouve suas palavras tem a sensação de que nada presta e que viver é um fardo desesperador. O Senhor te presenteou com a vida e você vive reclamando desse extraordinário presente. Quem entende tamanha ingratidão?

Reclama6Deus é bom, meu irmão, minha irmã. Logo, as coisas que ele nos dá são boas – muito embora não sejam perfeitas. É claro que há casos extremos, que devem ser tratados individualmente e que nos abatem, mas devemos ser gratos ao Senhor diariamente por cada uma de suas bênçãos – o emprego, o casamento, os filhos, o cônjuge, a igreja, a vida, tudo! Entenda: absolutamente tudo o que vem de Deus é bom, até mesmo o que nos parece mau. Pois, se dói mas vem de Deus, é bom, mesmo que não entendamos. É impossível o Pai te dar algo que seja ruim em suas finalidades últimas. Isso é absolutamente incompatível com a fé cristã. Se Deus deu, agradeça! Não reclame, não seja ingrato, não fique insatisfeito. Ele te dá o melhor e na medida certa. Agradeça. Em tudo dê graças. E se você desconfia de que, de repente, “não foi Deus quem deu”, procure desenvolver um relacionamento próximo e íntimo com o Senhor, pois dessa intimidade virão as respostas. “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão” (Jo 10.27-28).

Quando vier a vontade de reclamar, procure fazer esta dinâmica: lembre-se das suas orações. Lembre-se daquilo que você pediu e o Pai lhe deu. Traga à memória tudo o que orou ao Senhor e recebeu. Se perceber que hoje você vive resmungando e reclamando de presentes da graça divina, está mais do que na hora de substituir a murmuração por louvor e ação de graças.

Antes de murmurar porque há uma goteira em sua casa, lembre-se de que Deus te deu uma casa. Antes de reclamar porque seu cônjuge está doente, lembre-se de que ele está vivo. Antes de reclamar que seu voo atrasou horas, lembre-se de que você poderia ter de viajar centenas de quilômetros de carro. Antes de reclamar que seu carro quebrou, lembre-se de que você poderia ter de andar sempre a pé. E antes de reclamar que você tem de andar sempre a pé, lembre-se de que você tem pés que andam. Celebre a vida. Celebre cada pequena coisa que Deus te deu, pois, se foi Deus quem deu, não é pequena. Seja grato, sempre.

cruz“Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Em outras palavras, aprenda a viver contente em todo tipo de circunstância. Pare de olhar sempre o buraco que há no centro da rosquinha, antes olhe a rosquinha que há em volta do buraco. Você tem Deus e ele te fortalece; e, tendo ele, você pode encarar o que é bom e o que é ruim – e superar ou suportar as contrariedades da vida.

As fases más vêm e há, sim, momento para chorar e se lamentar. Isso é humano e normal – e bíblico. O problema é quando o lamento se torna um estilo de vida. Viva, simplesmente, e seja grato por tudo o que tem. Santa insatisfação, santa murmuração, santa ingratidão? Não, nada disso. Porque murmuração, insatisfação e ingratidão… de santas não têm nada.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício