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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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O fim do sofrimento_Banner APENAS
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espanto 1Embora não tenha esta intenção, este post pode chocar você. Então, se você não deseja ser levado a refletir sobre o que não quer refletir, recomendo que pare a leitura agora. É sério: não quero que ninguém que se incomoda com aspectos da humanidade de Cristo se sinta ofendido, portanto se discutir essa questão ofende sua sensibilidade, por favor, não leia.
Se decidiu prosseguir, tenho de perguntar: preparado para pensar sobre alguns aspectos da pessoa de Jesus sobre os quais provavelmente nunca tinha pensado antes? Então vamos lá: Jesus soltava gases. Tirava meleca. Fazia xixi e popô. Ficava grudento de suor. Sem usar bálsamos, tinha cheiro de suor. Arrotava. Tinha cera no ouvido. E por aí vai. Se você ficou abismado por eu estar falando essas coisas e agora me acha um grande herege ou, no mínimo, um enorme desrespeitoso, gostaria de dizer que estou sendo, simplesmente, bíblico. E, acredite, não estou usando o nome de Deus em vão: eu quero chegar, sim, a algum lugar com esta reflexão.
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As Escrituras falam sobre Jesus que “ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana” (Fp 2.6-7). Isso nos mostra que o Criador do universo, o temível e poderoso Deus, o único digno de abrir os selos, aquele diante de quem todo joelho se dobrará, o Rei dos reis e Senhor dos senhores… fez-se como um homem. E, como tal, carregou em si absolutamente todas as características de um ser humano, com exceção de uma: ele nunca pecou. 
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E se, como homem, Jesus tinha todas as características humanas, é natural concluir que ele flatulasse, arrotasse, assoasse o nariz, tivesse cheiro de gente, fizesse necessidades fisiológicas e tudo o mais que eu, você e qualquer ser humano na face da terra fazemos. Quando você acorda de manhã, seu hálito tem aroma de rosas? Nunca teve aquelas reações naturais ao final de uma refeição? Os seus gases têm cheiro de perfume francês? Não? E sabe por quê? Porque você é 100% homem. Assim como Jesus. 
espanto 2Posso ir além? Se está escandalizado, recomendo de coração que pare esta leitura agora, pois a humanidade de Cristo será ainda mais exposta a partir deste ponto. Se continuar, será por sua conta e risco. Quer prosseguir? Então vamos lá: há um aspecto da pessoa de Jesus que poucos falam, com medo das reações, que deixa muitas pessoas de queixo caído e cabelos em pé, mas do qual não se pode fugir: Jesus sofreu tentações em todas as áreas. “Tá maluco, Zágari!?!?!?!?!”. Bem… não, eu não estou maluco. Posso afirmar isso porque as Escrituras afirmam isso. Veja: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.14-15). Repare: “ele foi tentado em TODAS as coisas”, assim como ocorre com qualquer um de nós, seres humanos. E “todas” significaria, por acaso “umas mas não outras”? Ou “todas” significa… “todas”? Se “todas” significa “todas”, posso afirmar que Jesus foi tentado para roubar, mentir, desonrar os pais, ser arrogante, sonegar imposto e se relacionar sexualmente sendo solteiro, entre tantos outros milhares de tipos de tentação.
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Não se escandalize por isso. Entenda que ser tentado é diferente de cometer o pecado. Ter sido tentado em todas as coisas não quer dizer que ele pecou em qualquer uma delas. Pelo contrário: a Bíblia afirma que em tudo Jesus foi tentado e afirma que em nada ele pecou. Então Jesus ter sido tentado não é nenhum problema. Problema teria sido ele pecar. Jesus foi tentado no deserto para cometer enorme abominação: prestar adoração ao Diabo. E isso não escandaliza ninguém. Por que, então, dizer que ele sofreu outros tipos de tentação deveria escandalizar?
espanto 3Agora vamos ao que de fato interessa nesta reflexão: precisamos ter muito claro que Jesus é totalmente humano. Totalmente. Totalmente. A ausência de pecado é o porém: exclua o pecado e ele é igualzinho, em sua humanidade, ao resto da humanidade! Se assim não fosse, ele jamais poderia ter morrido pelo pecado de todos, pois um Deus não-humano não teria como sofrer em nosso lugar. Uma das maiores discussões entre os teólogos dos primeiros séculos de Igreja era exatamente esta: seria Cristo só espírito, só carne, dois em um, um em um…? Como seria a essência do Salvador? Após muitas discussões e concílios (reuniões dos líderes da Igreja) concluiu-se, a partir das Escrituras, que ele abrigava em si, simultaneamente, as duas naturezas: humana e divina. Foi preciso a Igreja passar pelos concílios de Niceia (ano 325), Constantinopla (381) e Éfeso (431), para finalmente, no concílio de Calcedônia (451), sacramentar a afirmação da existência de duas naturezas na única pessoa de Cristo (o que a teologia chama de “diofisismo”). O texto final desse concílio estabeleceu:
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“Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, ‘semelhante a nós em tudo com exceção do pecado'(Hb4.15); gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase”(DS 301-302).
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Qual é a grande beleza dessa realidade? De que maneira saber que Cristo é totalmente homem, nos mínimos detalhes, influencia nossa vida? Simples: Jesus nos entende. Ele é plenamente o que nós somos. Assim, compreende com exatidão tudo o que tem a ver com o ser humano. Você solta gases? Jesus entende. Você tira meleca? Jesus entende. Você tem mau hálito de manhã? Jesus entende. Seu desodorante venceu? Jesus entende.
espanto 4De igual modo – e este sim é o ponto que realmente importa -, se Jesus te entende nessas besteirinhas sem importância, ele te entende também nas grandes. Você pecou? O perdão dele é total. “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó” (Sl 103.12-14). Você está sendo tentado? Ele nos ensina o caminho: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação” (Mt 26.41). Você tem vontade de dar na cara de quem te fez mal? Aquele que foi esbofeteado, cuspido e humilhado mostra como reagir: “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.44-45). E por aí vai. Cristo tem total identificação conosco, porque se fez como um de nós. O gigante se fez como um anão e, assim, compreende plenamente o que é ser anão.
cruzMeu irmão, minha irmã, compreender a humanidade de Cristo não tem nada a ver com saber que ele fazia isso ou aquilo que todo homem faz. Isso em nada importa, é irrelevante. O que é extraordinário é entender que essa compreensão nos revela um Deus que sabe onde dói a nossa dor; que entende o que é a tentação; que viveu na pele a fome e a sede, a dor e a angústia, o sofrimento e o abandono, a vida e a morte. Jesus ser homem é a grande maravilha do milagre da encarnação: ele entende. Ele entende você. Ele compreende pelo que você está passando. Ele sente nele a aflição da sua alma. Ele tem empatia pelas suas dores. E, por tudo isso, Cristo não dá as costas quando você mais precisa dele. Nunca. Essa é uma das mais lindas consequências da cruz.
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Deus te ama. E quis ser como você é, para que você pudesse entender que ele te entende. E, ao vestir-se de homem, morrer e ressuscitar, Cristo deu a você o poder de passar a eternidade na companhia desse magnífico, extraordinário e belo Deus de amor.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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o fimNasci. O primeiro olhar para fora do ventre de minha mãe me assombrou: que mundo pavoroso era esse que se descortinava diante de meus olhos, acostumados ao conforto, à segurança e à certeza do útero materno? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas saí para o mundo e logo vi que aquela novidade não era o fim.

Comecei a engatinhar e meus pais passaram a me incentivar a andar sobre duas pernas. Me apavorei. Estava acostumado à segurança dos quatro pilares sobre os quais engatinhava; as alturas me amedrontavam. Achei que não sobreviveria a aquela mudança. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a caminhar e vi que aquela novidade não era o fim.

Minhas fraldas foram removidas e notei que, a cada vez que fazia o que sempre antes fizera na cama, tomava uma bronca dos meus pais. Como seria possível viver sem fazer xixi na hora em que bem entendo, no conforto da minha caminha?, espantei-me. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a fazer pipi no peniquinho e vi que aquela novidade não era o fim.

Fui matriculado numa escola e, no primeiro dia de aula, me desesperei quando vi meus pais saindo pela porta. Nunca tinha ficado sozinho, longe deles, com pessoas estranhas. Gritei e chorei, esperneei e dei escândalo. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas fui descobrindo as novidades do colégio, fazendo novas amizades e vi que aquela novidade não era o fim.

Aos poucos, as brincadeiras das aulas foram substituídas por lições e, em vez de me divertir, passei a ser cobrado, tinha de responder o que sabia numa prova, era muita cobrança e olhares tortos quando a nota aparecia em caneta vermelha em vez de azul. O que é isso, por que não posso simplesmente brincar? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a descobrir o prazer de aprender e vi que aquela novidade não era o fim.

Peguei caxumba. Sarampo. Catapora. Febres altíssimas faziam minha cabeça ficar como um balão. Como é possível, se nunca antes tive isso? Que sofrimento, que dor, que desamparo… “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas depois de remédios e repouso eu me recuperava e vi que aquela novidade não era o fim.

Mudei de escola. No primeiro dia de aula saí da sala para ir ao banheiro e o inspetor veio me dar bronca. Espantei-me por perceber que precisava, agora, pedir permissão até para isso. Gente nova. Cadeiras duras. Cadernos e livros. Cobranças e mais cobranças. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas o estudo foi adiante, a disciplina passou a ser praxe e vi que aquela novidade não era o fim.

Começaram a nascer pelos no meu rosto. Descobri que teria de roçar uma lâmina afiada na cara com frequência. O que tinha acontecido com aquela pele que nunca me dera trabalho, para que bastava lavar o rosto e estava tudo certo? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a me barbear com agilidade e ver que podia usar aquela habilidade para mudar minha aparência de tempos em tempos e vi que aquela novidade não era o fim.

Espinhas! Montanhas amarelas gigantescas passaram a brotar como erva daninha em minha pele, causando dor, abrindo crateras, sangrando, me deixando mais feio do que já era, me obrigando a ir a uma dermatologista e esfregar cremes fedorentos pelo corpo. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas passei a fazer limpeza de pele, evitar alimentos que estimulavam o nascimento de espinhas e a me acostumar com a nova aparência e vi que aquela novidade não era o fim.

Vestibular. O destino de uma vida sendo definido na ponta da caneta. Estresse. Estudos diários. Livros, cadernos, pilhas de anotações. Que desespero, os colegas se apavorando, os pais tensos. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas fiz as provas, passei e vi que aquela novidade não era o fim.

Faculdade. Novas pessoas. Novas disciplinas. Novo ambiente. Novos itinerários. Tudo novo. Tinha de tirar média sempre acima de 7 para manter a bolsa. O primeiro dia de aula me deu calafrios. Primeira nota: 3,5. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a estudar, descobrir as alegrias da carreira, a fazer novos amigos e vi que aquela novidade não era o fim.

Primeiro estágio. Convivência com profissionais. Ter chefe. Ter responsabilidades. A coisa agora era séria. A primeira reportagem que escrevi foi riscada de cima a baixo pelo meu chefe, que reescreveu tudo. Sentimento de incompetência. Será que dou para essa profissão? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo aprendi as tarefas, meus textos deixaram de ser tão rabiscados, o trabalho foi sendo reconhecido e vi que aquela novidade não era o fim.

Fui acordado certa noite pela minha família. Minha avó, morta em sua cama. Ajudei a trocar sua roupa, lágrimas saltando dos olhos. Desesperei-me com a perda de minha grande amiga. Como é possível nossos amados partirem assim? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas a dor da perda com o tempo tornou-se uma gostosa lembrança e vi que aquela novidade não era o fim.

Primeiro emprego. Agora eu era um repórter e redator de um dos principais jornais do país. Responsabilidade maior, rotina diferente, plantões de fim de semana, entrevistas com pessoas importantes; um espanto. Tive medo dessa nova realidade, que prometia durar até a aposentadoria. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo me tornei um jornalista com domínio sobre a profissão e vi que aquela novidade não era o fim.

Meu único irmão partiu para uma viagem de dois meses para a Europa. Inesperadamente, conseguiu uma bolsa de pós-graduação e tornou-se residente fixo de um país do outro lado do oceano, numa era em que não havia internet. O vazio foi enorme: eu tinha perdido a unha da minha carne. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo aprendi a ser “filho único” e vi que aquela novidade não era o fim.

Mudança de emprego. De um jornal para outro. Do outro para a televisão. No primeiro dia na emissora, a apresentadora me pede paras “esqueletar um texto”. Que diabos é “esqueletar um texto”? Quem são essas pessoas ao meu lado? Como assim, tenho que pensar nas imagens para meus textos? Não sei nada! Socorro! “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo aprendi a fazer programas de televisão, depois virei editor e vi que aquela novidade não era o fim.

Dor. Diagnóstico: fibromialgia. Abrir mão de tocar violão, dirigir automóveis, carregar peso, digitar no computador. Prognóstico: incurável. Depressão. Dor. Tristeza. Dor. Mudanças. Dor. Falta de perspectiva. Dor. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo descobri que ou aprendia a lidar com aquilo ou desistia de viver e, assim, encontrei caminhos e vi que aquela novidade não era o fim.

Casamento. Casa nova, bairro novo, obrigações novas, igreja nova, contas, pregos na parede, reuniões de condomínio, responsabilidade, amar a esposa como Cristo amou a Igreja… ufa! “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo descobri as alegrias da vida a dois e vi que aquela novidade não era o fim.

Arrisquei escrever um livro. Recusado por todas as editoras do universo. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Descobri que eu era um escritor medíocre. Incapaz. Desinteressante. Pensei em desistir. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, enfim, uma editora decidiu apostar no livro, que ganhou dois prêmios Areté, e vi que aquela novidade não era o fim.

Parabéns, você vai ser papai! De repente, surge um bebê nos meus braços. Choro. Fraldas. Choro. Dodói. Choro. Noites em claro. Choro. Responsabilidades. Pavor por ser responsável por uma vida. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas logo conheci as maravilhas da paternidade, senti o afeto de uma filha, descobri um amor que não se iguala a nada no mundo e vi que aquela novidade não era o fim.

Mudança de rumo: do jornalismo para o mundo editorial. De editor de televisão passei a ser chamado de editor de livros. Universo novo. Tarefas diferentes. Detalhes desconhecidos. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, logo, descobri a alegria de editar livros e vi que aquela novidade não era o fim.

Envelheci. Os cabelos ficaram brancos. A barba também. A pele perdeu o viço. O corpo deixou de acompanhar o ritmo da mente. Limites novos. Dificuldades crescentes. Agora eu era um senhor idoso. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, logo, descobri que a vivência e a maturidade trazem muita felicidade e vantagens e vi que aquela novidade não era o fim.

O tempo passou correndo. Onde está minha juventude? Cadê os anos, que não vi passarem? Espantei-me com a chegada do futuro e a distância cada vez maior entre o hoje e a aurora da minha vida. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, enfim, vi que minha vida tinha sido bem vivida, apesar de erros, pecados, tristezas e decepções, e vi que aquela novidade não era o fim.

Aposentadoria. Sentimento de inutilidade. Para que eu sirvo agora? Passei a ser tratado como um bibelô ou como um débil pelas pessoas. Olhares tortos de uma sociedade que despreza os mais velhos. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas descobri a alegria de ter tempo para viver, netos para desfrutar, coisas nunca antes realizadas a realizar e vi que aquela novidade não era o fim.

E, afinal, chegou o fim. Os olhos escureceram, o mundo sumiu, o corpo desmoronou, uma dor aguda seguida de silêncio. A única certeza da vida agora era um fato. Morri. Sim, a morte, finalmente, chegara. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, de repente, em meio à escuridão surge uma luz, e um homem sorridente aparece diante de mim. Com furos nas mãos e nos pés, e um olhar de puro amor, ele segura a minha mão.

E vi que aquela novidade não era o fim. Era apenas o começo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Prio1Tudo na vida é uma questão de prioridade. A cada passo que damos nós fazemos escolhas com base no que consideramos mais importante, prioritário. Hoje vou à igreja ou à praia? Oro à noite ou fico no Facebook? Estudo a Bíblia ou assisto à TV? Jejuo ou saio para jantar com os amigos? Escuto uma pregação ou uma música? Vou ao hospital visitar os enfermos ou durmo domingo à tarde? Faço seminário ou vou à academia? Passo meu sábado no futebol ou em um orfanato? Gasto meu dinheiro com esmolas e ofertas ou compro um sapato novo? Peco ou agrado ao Senhor? A resposta a cada uma dessas perguntas será determinada pelo nosso poder de escolha. E vamos escolher sempre o que consideramos mais importante.

Você percebe que implicações enormes tem a escolha daquilo que priorizamos? Porque nossas prioridades acabam determinando se seremos mais espirituais ou mais carnais, conhecedores da Palavra ou das novidades da internet, pecadores contumazes ou cristãos esforçados na luta contra o pecado, servos de Cristo ou de Mamom… e por aí vai. Prioridades ditam o nível de nossa vida cristã, especialmente em função de algo chamado tempo.

Nosso dia é curto. Em média, você dorme 8 horas e passa 8 horas trabalhando ou estudando a cada dia. Das 24 horas, sobram 8. Podemos dizer que duas horas gasta-se com atividade secundárias, mas indispensáveis, como tempo no trânsito e hábitos de higiene. Restam 6. Nesse espaço de tempo você encaixará as demais atividades do dia. E, de todas as opções possíveis, entrará aí o que você priorizar.

Prio2Nossas prioridades invadem até o campo dos assuntos sobre os quais conversamos. Por vezes fico atônito ao ver quanto se fala, por exemplo, sobre coisas como Iluminatti, nova ordem mundial, satanismo na Disney, mensagens subliminares, músicas do mundo, escândalos gospel, calvinismo versus arminianismo e outros assuntos menores, quando poderíamos investir nossas energias em tratar daquilo que é de fato relevante, o tutano da nossa fé: relacionamento com Deus. Atos de amor ao próximo. Dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. Evangelismo. Promoção da paz. E por aí vai.

Se você for analisar o cerne da nossa fé, verá que a questão da prioridade está sempre na mesa. Jesus disse: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33). Repare que a ordem divina não é apenas para procurar o reino de Deus e a sua justiça, mas procurar essas coisas em primeiro lugar. Não basta procurá-las, Jesus quer que as priorizemos. Assim, se priorizarmos qualquer outra coisa, pecamos, pois estaremos desobedecendo a ordem de Jesus. É curioso isso, porque, em geral, não percebemos que o que o Senhor diz aqui não é uma sugestão, do tipo “olha, se você quiser que as demais coisas lhe sejam acrescentadas, tem a possibilidade de buscar o reino de Deus e a sua justiça, mas, se não quiser, tudo bem”. Ele fala no imperativo, “buscai”. Estamos falando de um mandamento, não de uma opção – e desobedecer um mandamento significa pecar. Então, se você prioriza atividades secundárias a algo que represente a busca do reino de Deus e sua justiça, está entristecendo o Senhor.

Prio3Outra determinação de Cristo quanto às prioridades é pôr Deus em primeiro lugar, depois o próximo. Na Bíblia, o próximo é sempre prioridade. “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.36-40). Repare: Cristo disse mandamento. Ou: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.10). Ou, ainda: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). E tem mais: “Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigo” (Jo 15.12-13). Deus quer que priorizemos o próximo. Mas, em nossos dias, quem dá atenção a essa ordem bíblica? Bem… Jesus dá. Lembre-se de João 3.16. Egoísmo é um horror do ponto de vista bíblico. Egocentrismo, então, é uma abominação. E a egolatria é o estágio máximo desse pecado.

Consegue perceber como prioridades são importantes no reino de Deus? Uma constatação que nos leva a uma pergunta dolorida: o que temos priorizado?

Prio4Já ouvi gente dizer que os momentos em que nós, cristãos, mais mentimos é quando cantamos louvores. Discordo. Creio que mais mentimos quando tentamos explicar a razão de falharmos na vida espiritual por “não termos tempo”. “Não consigo orar porque não tenho tempo”. “Não estudei a Bíblia este ano porque tenho muitos deveres de casa, sabe como é, o Enem está chegando”. “Quem consegue ler bons livros cristãos se não tenho tempo nem para respirar? Afinal, tenho inglês, balé, coral e minha ronda diária pelas redes sociais”.

Não é verdade. É claro que você tem tempo. Só que você prioriza outras atividades para ocupar seu tempo. Simples assim.

Se você é adepto de redes sociais e gosta de espiar a vida dos outros pela web, verá a enormidade de coisas que eles fazem e que nada têm a ver com o reino de Deus. E, se eles olharem o seu, tenho certeza de que terão a mesma percepção. Sim, tempo há. A questão é que o temos usado de forma bastante ligada ao “eu” e a atividades terrenas sem importância para a eternidade. Se você é mulher, pense em quanto tempo gastou no último mês em shoppings, lojas e salões de beleza. Se é homem, a quantos jogos de futebol assistiu e quantas horas em frente da TV passou. Agora responda com sinceridade: não teve tempo? Ou simplesmente priorizou outras coisas?

Entenda: não é que não se possa realizar atividades secundárias. Claro que é lícito ter períodos de lazer, momentos de cuidado com a estética do corpo, compras. O problema é quando essas coisas tomam o lugar daquilo que é prioritário. O ponto em questão é deixar de fazer o que é importante para Deus para fazer o que é importante para nós.

A vida é curta. Os dias são curtos. Mas a eternidade é longa… muito longa… Se o que fazemos em nossos dias curtos produz resultados que vão durar por toda a eternidade, isso deveria nos chamar para uma mudança urgente em nossas prioridades. Tente imaginar no dia em que você morrer (sim, lamento informar, esse dia vai chegar), você sendo chamado à presença de Deus e gaguejando na hora de explicar a ele como usou seus recursos.

– Éééé… sabe o que é, Senhor, não tive tempo para orar muito.

– Bem, aqui no meu livro diz que você passou mais de sete horas por semana jogando PlayStation ou X-Box.

– Éééé… bem… eu…

– E ajuda aos pobres?

– Ah, não dava, né, Pai, meus filhos exigiam muito de mim, não sobrava dinheiro pra isso.

– Mas espia aqui a quantidade de coisas supérfluas em que você gastou o dinheiro que te dei. Filho meu, pra que você precisava de tantos tênis assim?! E esse guarda-roupa lotado de camisas, pra que isso tudo?

– Éééé… bem… as roupas tinham de combinar, né, Senhor?

– E as suas atenções, meu filho? Aqui está dizendo que você gastava tempo e energias discutindo sobre calvinismo versus arminianismo e nova ordem mundial em vez de dialogar sobre como estender a mão para ajudar o próximo, estimular o perdão e a reconciliação entre irmãos em atrito e outros temas centrais da fé.

– Poxa, mas os illuminati não eram importantes não?

– Ai, meu filho, você nunca leu na Bíblia o que eu revelei que era o mais importante, aquilo que deveria ser a prioridade? Tenho um exemplar aqui, leia só: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.31-46).

– Hm…

– Isso, filho, é importante. Discutir horas a fio sobre predestinação? Você chegou aqui independente da crença soteriológica que tinha, não foi? Em compensação, quanto amou o próximo? E… mensagem subliminar em filmes? Francamente! Por que não priorizou alimentar os famintos e cuidar dos doentes?

E por aí vai. Tempo temos, pois o dia tem 24 horas desde sempre e, com essa mesma quantidade de tempo, muitos fizeram muita coisa pelo reino, pelo próximo e pela própria vida espiritual ao longo dos milênios. Mas hoje aprendemos a dar boas desculpas para justificar nossas prioridades equivocadas do ponto de vista bíblico.

Prio5Só uma coisa resolve esse problema: uma real mudança de atitude. Se você terminar de ler este texto , pensar “é verdade, é preciso mudar”, mas não fizer nada a respeito… vai seguir com as prioridades às avessas. A vida está correndo, o relógio não para. E, enquanto prosseguimos priorizando o que não é prioridade para Deus, vamos seguir pecando, entristecendo o Senhor e prejudicando nossa própria espiritualidade – que ficará mirrada, baseada em temas e práticas de importância secundária. Nosso relacionamento com Deus continuará em segundo plano, restrito a um ou dois cultos por semana e a uma oração de desencargo de consciência antes de cada refeição. E viveremos para jogar videogame; ficar horas espiritualmente infrutíferas na internet; assistir a novelas, reality shows e jogos de futebol na TV; discutir assuntos tanto-fez-ou-tanto-faz; gastar dinheiro com o que não é pão e outras atividades e atitudes que não terão absolutamente nenhum tipo de eco na eternidade.

Afinal, com que finalidade Jesus te criou? É a resposta a isso que vai definir as suas prioridades.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Doente1Imagine que você recebe o diagnóstico de um problema de saúde que te levará à morte em cerca de dois a três anos. Você se trata por alguns meses, faz tudo o que os médicos mandam, toma remédios, esgota todas as possibilidades de tratamento, mas, ao final, descobre que não adiantou nada. O quadro só piorou. O mal é inoperável. Transplante não resolveria. Nada a fazer. É apenas uma questão de se conformar e usufruir do tempo que tem. O que você faria?

Sei que essa não é uma pergunta muito original, muitas vezes já ouvi algo do tipo: “Se o mundo fosse acabar amanhã o que você faria hoje?”. Mas isso sempre esteve muito no campo da irrealidade, da urgência e até da brincadeira. Só que… pense numa possibilidade real. Concreta. Um fim não tão imediato mas em curto prazo, três anos no máximo. Isso daria tempo para atitudes mais pensadas, ações consequentes, e não aquela coisa de “ah, eu torraria todo meu dinheiro numa noite só”. Estou propondo uma pergunta consciente e realista: você recebeu o diagnóstico de uma disfunção letal, as alternativas extremas que a medicina oferecem são arriscadas demais e, um dia, os médicos, constrangidos, te informam que você tem cerca de três anos de vida. Com muita sorte, quatro. E aí?

No início você ficará deprimido, é normal – os especialistas explicam que o luto dura em torno de um ano e meio a dois anos. Mas sugiro um esforço para que isso se abrevie, afinal, você não vai querer passar todo o tempo que lhe resta em depressão. Um bom remédio prescrito por um psiquiatra vai te ajudar, junto com terapia e aconselhamento pastoral. Desabafar com pessoas de confiança também ajuda – mas só aquelas que tiverem estrutura emocional para saber da situacão, caso contrário, contar será pior do que manter sigilo (pois, em vez de apoio, você só terá ao seu lado ataques de choro e olhares de pena). Agora, passados os efeitos do choque inicial, é hora de se levantar e decidir o que fazer.

No imaginário popular, descobrir que a morte tem data marcada para chegar está associado a um descontrole total. As respostas que você ouve por aí são as mais desvairadas. Mas um cristão tem de pensar diferente. Venho refletindo sobre isso e cheguei a uma teoria sobre o que é importante fazer nesse tempo que lhe resta. Na verdade, penso em duas coisas.

Doente2Primeira: faça o que é certo. Se houve pessoas que você prejudicou, aja da forma que for necessária para consertar as coisas. Promova a união. Ponha sua vida em ordem. Ajude a pôr a vida dos que te são caros em ordem. Peça perdão a quem feriu. Perdoe quem te fez mal. Abandone pecados recorrentes. Ajude o próximo. Devote-se ao outro. Tente edificar o máximo de vidas que puder. Dê todo carinho e amor do mundo aos seus filhos, para que, mesmo após a sua partida, você deixe marcas positivas neles. Aconselhe amigos com problemas. Em outras palavras: viva como um bom cristão, para que, de algum modo, ajude aqueles que ainda permanecerão por mais tempo do que você nesta terra. Algumas dessas atitudes poderão exigir sacrifícios, mas, convenhamos, você terá em breve muito tempo para se recuperar do sofrimento e dos desafios que fazer o que é certo vai promover.

Segunda: deixe um legado. Deus não te pôs no mundo só para que você coma, durma, ganhe dinheiro, assista a futebol, vá ao cinema, perca tempo em redes sociais, jogue videogame e fim. Nada disso. Sua curta passagem pela terra precisa ter um significado maior. Algo que ecoeDoente3 pelos anos a seguir. Que edifique vidas. Se você quer escrever um ou mais livros que permanecerão abençoando pessoas após sua partida, corra e escreva (e nada de dizer que não tem tempo, você pode dormir mais tarde ou acordar mais cedo, por exemplo). Se você deseja plantar um belo jardim, que trará paz e beleza às pessoas, mãos à obra. Se quer compor canções ou poesias, não adie: o mundo precisa de arte. Se seu sonho é abrir uma igreja, abra, Deus dará um jeito de pôr boas pessoas ali para cuidar do rebanho. Se tem vontade de lecionar, ensine, passe adiante tudo o que aprendeu ao longo da vida. Você pode até mesmo criar um blog e deixar textos para a posteridade, que ainda daqui a muitos anos poderão abençoar uma ou outra pessoa – e não escreva futilidades, mas só o que promove a edificação. Deixe uma herança que, de algum modo, vai registrar sua passagem pela terra – sempre com foco no próximo. Em curtas palavras: plante uma semente.

É claro que você não conseguirá acertar tudo. Sua humanidade não desaparecerá só porque você descobriu que porta uma síndrome letal. Ainda vai errar, tropeçar, pecar. Mas isso pode ser usado para te ensinar muito mais sobre o amor de Deus ainda nesta vida. Não seria esse, aliás, um dos poucos benefícios dos pecados que cometemos? Aprender mais sobre a compaixão divina? Desfrutar mais do caráter de Deus? Conhecer a graça face a face?

Doente4Fazer o que é certo e deixar um legado. Pelas minhas reflexões, essa é a melhor forma de desfrutar de seus últimos anos de vida. Eu peço a Deus que você não passe por isso, que viva ainda anos longos, produtivos e felizes. Mas não custa nada começar a viver hoje como se descobrisse que seu coração vai parar de funcionar em dois a três anos. Pois, com isso, você terá uma vida extremamente significativa. Imagine que maravilha seria se pudesse perpetuar o que se propôs a realizar nesse curto período por duas, três, quatro décadas? Com certeza sua passagem pela terra seria memorável. Nem todos terão a oportunidade de viver tanto, alguns o Senhor decide chamar precocemente para junto de si. Mas, se você for agraciado com longevidade, desfrute de modo abnegado, devotado e piedoso dos anos que Deus te dá. Abra mão de si pelo próximo. Faça o melhor por quem ama. Dedique-se ao bem-estar das outras pessoas. E plante um legado. As futuras gerações agradecem, pois você terá feito parte da construção de um mundo melhor. E, acredito eu, você será recebido no céu com um lindo sorriso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

DoençaDomingo passado fiquei profundamente tocado ao saber que uma irmã da igreja recebeu a notícia de que está com câncer. A previsão é de pelo menos um ano e meio de tratamento, quimioterapia e tudo o mais a que tem de se submeter alguém que é acometido por essa moléstia. Jovem, cristã, casada com o baterista do grupo de louvor… oramos juntos durante o culto – eu, ela e seu marido. Choramos. Pedimos a cura. E meus olhos demoraram algum tempo para secar, pois parecia que conseguia sentir em mim a dor e a ansiedade daquele casal, já em antecipação pelos meses de batalha que terão pela frente. Esse episódio me afundou em reflexão sobre uma das questões mais antigas entre os cristãos: como aceitar a ideia de um Deus bondoso e misericordioso deixar seus filhos enfrentarem doenças que causam dor e sofrimento? Eu tenho uma teoria.

Para falar sobre isso, antes de mais nada devemos nos lembrar de que estamos vivos e, como tal, sujeitos a todo tipo de doença. Parece meio óbvio, mas – acredite – para muitos não é. Há uma crença disseminada em muitas igrejas, com base em Isaías 53, de que Jesus curou todas as doenças do universo Doença1na cruz e basta termos fé que o interruptor da cura será acionado. Não acredito nisso. Acredito que, em sua soberania, Deus é capaz de me manter doente por mais que eu tenha a fé maior do mundo (se quiser se aprofundar no assunto, pode ler o post “E quando Deus não cura? – Parte 2/2“). Acredito no “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Enquanto estamos vivos, habitaremos em corpos frágeis, aglomerados de tecidos e líquidos sujeitos a doença, degradação, falência, decadência. A salvação não blinda nossos corpos contra bactérias, vírus, torções, multiplicação descontrolada de células (tumores), fraturas, amputações, dores e centenas de outros tipos de problemas de saúde que podemos ter. A salvação é espiritual e não corpórea. Salvos e não salvos ficarão doentes do mesmo modo. A vida nos prova que isso é fato.

Se você não crê nisso, pense em uma coisa. Islâmicos ficam doentes e são curados. Espíritas ficam doentes e são curados. Budistas ficam doentes e são curados. Hindus ficam doentes e são curados. Xintoístas ficam doentes e são curados. Candomblecistas ficam doentes e são curados. Satanistas ficam doentes e são curados. Ateus ficam doentes e são curados. Cristãos ficam doentes e são curados. Simplesmente porque todos os fieis de todas as religiões fazem parte do mesmo grupo de seres: humanos. E humanos ficam doentes. Humanos produzem anticorpos. Humanos reagem a  medicamentos. Humanos ficam curados. E humanos também morrem.

Doença2Meu pastor eventualmente diz: exceto por um acidente ou um assassinato, ninguém “morre de morte”. Todos morremos de doenças. De falhas no funcionamento do organismo. Desconsidere quem morre por fatores de origem externa, como tiros, facadas, atropelamentos, afogamentos ou similares. Os demais morrerão de AVC, infarto, malária, dengue hemorrágica, pneumonia e centenas de outros tipos de problemas orgânicos. Ninguém morre de velhice: velhos morrem porque seus organismos não comportam mais a vida e, por isso, algo falha, uma doença os acomete e chega o momento da partida desta existência material. Se todos os cristãos fossem ser curados de tudo, nenhum de nós morreria. Lembre-se de que todo mundo que um dia foi curado de algo – seja por atendimento médico ou por um milagre – no fim acabará sucumbindo a outro mal. Ou você acha que Lázaro, o irmão de Maria e Marta, está vivo até hoje?

Então, somos espíritos infinitos que habitam corpos finitos. Vamos adoecer. Vamos morrer. É bom estarmos cientes disso.

Você poderia dizer: “Ok, Maurício, tudo bem, todos vamos ficar doentes e morrer um dia, mas precisamos sofrer tanto com certas doenças tão terríveis?”. Vamos analisar alguns casos bíblicos. Miriã, a irmã de Moisés, ficou leprosa, pela vontade do Senhor. Jó, o homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal, ficou cheio de tumores na pele, pela vontade do Senhor. Doença3O próprio Lázaro, um dos melhores amigos de Jesus, adoeceu, como explicou o Mestre, “para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela [a doença] glorificado”. O cego de nascença de João 9 carregava essa condição por anos, para, segundo Jesus, “que se manifestem nele as obras de Deus”. Até aqui falamos de lepra, tumores, cegueiras e uma doença mortal indefinida, todas enfermidades terríveis. Mas tem mais: muitos são os relatos, de Êxodo a Juízes, de circunstâncias em que o Senhor amoroso enviou doenças, pragas e pestes ao seu povo, o povo eleito, o povo escolhido, para que aprendesse que não havia outro Deus além dele e abandonasse a idolatria. E não nos esqueçamos do espinho na carne de Paulo que, é possível, talvez fosse uma doença. E estamos falando do grande apóstolo Paulo, o homem que foi arrebatado ao céu… mas para quem a graça de Deus bastava.

Agora eu pergunto a você: o que têm em comum todas essas circunstâncias, em que, pela ação direta de Deus, membros do seu povo, pessoas que ele amava e a quem queria bem –  Miriã, Lázaro, Jó e tantos outros – acabaram sendo acometidos por doenças horríveis e que causaram tanto sofrimento? O que vejo em comum a todos esses casos é o desejo do Senhor de que venhamos a aprender lições importantes por meio das enfermidades.

Veja: Miriã foi vencida pela soberba e a lepra veio para lhe ensinar humildade. Paulo (se é que o espinho na carne foi uma moléstia) recebeu a lição de que a graça de Deus é o que há de mais importante. O povo israelita sofreu muitas vezes com pestes para aprender que a obediência e a fidelidade ao Todo-poderoso são vitais. Jó sofreu para que bilhões de judeus e cristãos ao longo dos milênios aprendessem com sua história sobre a soberania divina. O cego e Lázaro padeceram para que bilhões de indivíduos aprendessem que o mais importante de tudo é a glória de Deus.

Doenças e aprendizado andam de mãos dadas desde o Éden. Andavam na época do Antigo Testamento, continuaram andando após a vinda de Jesus, andam ainda em nossos dias e seguirão andando até a consumação do século. Deus sabe que somos pó e, muitas e muitas vezes, o aprendizado sobre a obediência, a graça e a glória de Deus vêm mediante um instrumento pedagógico chamado doença (que, infelizmente, carrega a reboque dor e sofrimento).

Muitos poderiam dizer que esse tipo de pensamento não coaduna com a essência de um Deus que é amor. É exatamente por isso que precisamos entender os fatos do dia a dia pela óptica do Senhor e não pela dos homens. CoDoença4mpreenda uma coisa: quando o Pai olha para você, ele não está enxergando somente os míseros 70 anos de vida durante os quais a sua alma estará na terra – tão preciosos aos seus olhos humanos. Ele está vendo de uma perspectiva muito mais elevada, o Senhor contempla os milhões, bilhões, trilhões, quatrilhões de anos que você terá de vida eterna. Se essa matemática lhe parece nebulosa, perceba que, se a eternidade tivesse apenas 1 milhão de anos de duração, nela caberiam 14.285 vezes o tempo de vida de alguém que vive na terra 70 anos. E, lembre-se que a eternidade vai durar milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões (e por aí vai, indefinidamente) de anos. Ou seja: uma eternidade que tivesse somente 1 milhão de anos equivaleria a 14.285 vidas terrenas.

Diante disso, sinceramente, o que você acha que é mais importante para o Senhor? Suas poucas décadas aqui ou sua existência eterna? Se for preciso fazer você enfrentar alguns anos de aperto agora que promoverão um aprendizado benéfico para toda a eternidade, o que você acha que ele fará? No lugar dele, o que você faria?

Doenla5Eu estava brincando de massinha de modelar com minha filha de 2 anos quando vi que ela ia enfiar um pedaço daquela substância tóxica na boca (e, se eu não visse, possivelmente engolir). Num reflexo, dei um grito. A pobrezinha tomou um susto, pois não está acostumada a ouvir papai gritar com ela. Paralisou. Fez beicinho. E começou a chorar. Tomei-a em meus braços, a acalmei e depois lhe expliquei a razão de ter gritado com ela: evitar um mal maior. Ela compreendeu, enxugou as lágrimas, apertou meu pescoço num abraço e me deu um beijo. Quase nunca grito com ela, mas se você me perguntar se eu gritaria de novo se tivesse de reviver aquela situação, afirmo que berraria quantas vezes fosse necessário, pois a amo e prefiro que ela sofra um pouquinho por algum tempo do que sofra muito por muito tempo. Por que com Deus seria diferente? O amor de Deus por nós é tão, mas tão grande, que ele deixa que fiquemos doentes.

Deus olha para mim e você sempre, sempre e sempre a partir da perspectiva da eternidade. Ele quer nosso bem eterno. Se para isso for preciso que soframos um tanto de tempo nesta vida terrena e, assim, aprendamos importantes lições que impactarão diretamente nosso relacionamento e nossa intimidade com o Senhor pelos zilhões de anos que teremos entre a doença e a eternidade, afirmo que Deus nos enfermaria quantas vezes fosse necessário. Por quê? Em linguagem bíblica, “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2Co 4.17-18).

Sim, ficaremos doentes. Sim, homens bons e íntegros, cristãos fieis, servos cheios de fé… todos ficarão doentes. Sim, todos os que adoecerem sofrerão. Sim, devemos orar pelos enfermos na esperança de sua restauração. Sim, remédios curarão muitos. Sim, milagres curarão alguns. Sim, muitos morrerão. Sim, no fim todos morreremos. O que fará a diferença é o quanto teremos capacidade de tirar de aprendizado de toda a dor e o sofrimento que precisaremos encarar.

Doença5Quando Jó finalmente parou de questionar as razões de sua doença e aprendeu o que Deus queria que ele aprendesse, disse: “Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber.  […] Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.  Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.3-6). Quatro versículos depois, Deus acaba com o sofrimento de Jó. Será coincidência? É por isso que eu sempre recomendo: se você está doente, junto à oração pela cura ore a Deus perguntando o que Ele quer que você aprenda com aquela enfermidade. Há uma grande chance de seu sofrimento ser abreviado se você aprender o mais rápido possível o que Deus quer que você aprenda. Essa é uma certeza canônica? Não, a Bíblia não afirma isso. Mas é no que eu creio.

Que em meio à doença aprendamos mais sobre santidade. Sobre obediência. Sobre a graça de Jesus. E, por fim, sobre a glória de Deus.

Doença6Eu choro pela minha irmã que recebeu o diagnóstico de câncer. Fico muito, muito triste – e domingo fiz um compromisso comigo mesmo de orar diariamente por ela. Não queria que ela passasse por isso. Jesus, na noite de sua paixão, entrou em depressão a tal ponto por causa do sofrimento que teria de enfrentar que Mateus 26 registra: ele “começou a entristecer-se e a angustiar-se” e disse a seus amigos: “A minha alma está profundamente triste até à morte”. Pois a dor… dói. E de sentir dor quem gosta? Mas o sofrimento de Jesus trouxe benefícios eternos. O Pai sabia disso e, por essa razão, não afastou de seu Filho amado o cálice do sofrimento. Por isso, muitas vezes o compassivo e bom Deus deixa que também nós bebamos do cálice do nosso sofrimento: para que aprendamos algo que virá a trazer benefícios eternos. O que cada um de nós tem de aprender com nossas doenças? Não faço ideia (para cada pessoa há um aprendizado específico). Mas Deus faz.

De minha parte, sei que a graça dele nos basta. E que a ele seja dada toda a glória, pelos séculos dos séculos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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