Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Francisco Neto disse:

    Obrigado, irmão Maurício.

    Exortação que vem de encontro aos nossos corações.

    Deus o abençoe.

  2. Nossa, Rosana, fiquei chocado, eu não sabia. Obrigado por avisar! Vou mudar agora!
    .
    Abraço fraterno,
    mz

  3. Jaqueline Maria Ferreira dos Santos Oliveira disse:

    Meu irmão, como esse texto falou ao meu coração. Minha trajetória teve muito mosquito coado e, em contrapartida, tropeço em palitos de fósforo, depois que entendi ser formadora de opinião.
    Deus tem me confrontado e eu reluto, sabe?! Fujo, me escondo, até ouso a me distanciar da Palavra e da oração por entender que o Espírito Santo me trará aos eixos.
    Com essa leitura, acabei de me pegar saindo do ônibus e estou disposta a sentar com o Papai agora!

    Deus continue abençoando sua vida e ministério e que vc possa compartilhar todo esse amor!

  4. Laercio Rocha disse:

    Mauricio, que palavra maravilhosa, como estamos precisando deste amor!
    Que possamos nos submergir no amor de Cristo dia apos dia.

    Obrigado.

  5. Victor Ricardo disse:

    Meu querido irmão Maurício, obrigado por mais esta reflexão pungente e necessária.

    Você está sabendo sobre a Conferência Fiel 2017 em Goiânia?
    Estava pensando que, provavelmente, você viria participar.
    Se vier, gostaria imensamente de vê-lo, meu irmão.
    Caso venha, consigo comprar o ingresso por preço promocional de R$ 90,00 na PIPG. Irei comprar o meu e o de um amigo amanhã e, caso queira, posso comprar o seu também.

    http://www.ministeriofiel.com.br/juntos/2017/

    Que Deus, em Cristo, te abençoe.
    Um abraço!

    • Oi, Victor, tudo bem?
      .
      Querido, muito obrigado por sua gentileza. Infelizmente só estou conseguindo ler teu comentário hoje, já passada a conferência. Quem sabe em uma próxima, não é? Agradeço de coração.
      .
      Abraço fraterno,
      mz

  6. Léia Buarque Fotografias disse:

    “Meu intelecto limitado não consegue compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser.”
    Faço de suas palavras as minhas, eu sou uma pessoa q passou alguns anos afastada do evangelho, voltei para casa do meu Pai, a menos de dois anos… Mas a semente q minha familia Cristã plantou em mim desde meu nascimento, pois nasci em um.lar Cristão, foi o suficiente para não me desviar do meu caráter da minha verdadeira essência…Existem tantas pessoas q se diz cristão e age cono ímpio, envergonham o evangelho… Antes qndo estava no “mundo” não tinha maturidade de falar sobre o evangelho, mas mesmo na minha imaturidade eu sempre defendi em q acredito, mesmo no meu relacionamentos com pessoa se se diz ateu, e eu vejo hj em dia pessoas q se dizem Cristão… Proceceder de forma contrária no que diz acreditar (em Cristo). Realmente isso entristece… Conheci vc hj e já gostei da forma q pensa, q escreve… Já comecei a seguir no face… Precisamos de mais conteúdos como o seu. 👏👏👏👏👏👏👏👏

  7. Greize disse:

    Olá Zágari, muito tempo que não passo por aqui.Hoje limpando minha caixa de e-mail de spam, me deparo com com este texto.Que veio exatamente na hora certa em minha vida.Saí de algumas redes sociais , pois o nível Negativo ta insuportável.Mas não me coloco como “santa não.

    Eu sempre gostei de um debate e quando tem assuntos lá vou eu dar minha opinião e começo a ler outras com muito ódio, e aquilo me desperta raiva também, acabava respondendo com raiva, e por fim saía me sentindo ma e esgotada. Mas o pior de tudo era que o “debate” era entre “cristãos”.
    Palavras de ódio, ataque uns aos outros, falta de interpretação de texto, manipulados por falsos profetas, me afastei, pois as redes sociais mostram o pior lado nosso.
    Ficar nelas com participação é sermos influenciados negativamente como sua filhinha, mas não por pessoas do mundo e sim por cristãos.

    Obrigada pela palavra preciso buscar mais o Amor de Deus e não é lá que vou encontrar.

    Grande Abraço.

    • Oi, Greize, tudo bem?
      .
      Creio que se optamos por levar amor, paz e reconciliação por meio das redes sociais, em vez de enveredar pelo caminho da polêmica e do confronto, podemos influenciar positivamente algumas pessoas. Não saia das redes: fique e ajude a fazer delas um ambiente mais saudável.
      .
      Abraço fraterno,
      mz

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