Posts com Tag ‘vamos orar’

sofrimento 1Não deveria ser assim. Mas a realidade é que existem milhares de cristãos que se sentem sozinhos, sofrem calados, vivem achatados pelo peso da angústia sem ter quem os ajude a solucionar seus dramas, sem ter nem ao menos com quem desabafar sobre seus sofrimentos e dores. Fico muito triste ao ver a enorme quantidade de irmãos e irmãs em Cristo que me procuram pelo APENAS, pelas redes sociais ou nos eventos em que prego e palestro em busca de orientações para suas angústias silenciosas e solitárias. Na maioria das vezes, o que detecto é que muitos só queriam mesmo era pôr para fora. Desabafar. Não têm com quem chorar, esmagados por suas dores e duplamente esmagados por não ter com quem falar sobre elas. Sofrem calados, devorados por dentro. O único ombro amigo que têm é o de Jesus, pois os servos de Jesus não estão dando conta do recado. 

Não são poucos, acredite. Tenho visto uma enorme quantidade de irmãos e irmãs que ostentam sorrisos de aparência e se mantêm heroicamente calados na frente das demais pessoas, mas que, na verdade, tudo o que queriam era gritar, chorar e pedir pelo amor de Deus que alguém os ajude, aconselhe ou, pelo menos, os escute e chore com eles. Mas… ninguém parece se importar de fato. Esses sofredores respondem a cada “Tudo bem?” com um sofrido “Tudo bem, graças a Deus”, por perceber que a pergunta foi, na verdade, uma saudação educada e não uma indagação sincera sobre o estado de sua alma. E, assim, seguem sofrendo, calados, angustiados e solitários, na esperança de um milagre que parece nunca chegar. 

sofrimento 2Maridos desonrados e desrespeitados, irmãs abusadas e carentes, adolescentes rejeitados, cônjuges infelizes, cristãos  deprimidos… os sofredores solitários não encontram limites de sexo, idade, ministério ou o que for. Alguns não encontram com quem se abrir porque todos esperam que eles sejam super-heróis espirituais, imunes a problemas. Outros, porque ninguém demonstra um interesse real por sua vida. Há, ainda, os que até buscam com quem conversar, mas tudo o que encontram é um anticristão “vamos orar” que não ajuda em nada. Pessoas feridas, aprisionadas pela agonia de sua solidão, escravas do desinteresse alheio. “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.5) são, para elas, apenas palavras vazias, pois não encontram aplicação prática na sua vida. Afinal, ninguém dá um passo à frente para chorar com elas. 

De quem é a culpa por esse problema epidêmico dentro das igrejas? Minha e sua.

sofrimento 3Eu e você somos os culpados pela dor dessas pessoas. O marido que é obrigado a conviver com uma esposa arrogante, agressiva, briguenta e desrespeitosa, por exemplo, não tem muito o que fazer, pois nenhuma esposa sem sabedoria muda por pressão do marido. Mas a Igreja de Cristo poderia agir na vida dele, dando amparo, amor, conselhos, ombro e a consequente orientação para essa esposa rixosa, a fim de que ela enxergue seus erros e mude de fato. Porém, como existe a filosofia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ninguém quer se envolver, intervir, aconselhar, orientar. Nós optamos por permanecer omissos. Muitas vezes, tudo de que aquela esposa briguenta e mandona precisava era de alguém de fora que lhe dissesse que, sim, ela está errada, e apontasse caminhos, como a Bíblia orienta: “Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.13). O mesmo vale para maridos que não lutam pelo bem-estar do lar, claro. 

Pastores e líderes, então, muitas vezes são pessoas extremamente solitárias, que sofrem caladas com preocupante frequência. Como a igreja espera que sejam quase homens de gelo, sem emoções ou problemas, donos de uma fé acima de toda humanidade, eles acabam se isolando na solidão de seu cargo, vivendo em santa hipocrisia imposta, porque nós, membros sem coração de suas igrejas, não admitimos que pastores tenham dúvidas, dores ou angústias, que sejam gente como a gente. Culpa nossa. E, por isso, eles seguem, sofrendo em seu ministério, muitos em processo de depressão, com problemas no casamento, com agonias causadas pela pressão do pastoreio, com milhões de preocupações… mas sem encontrar apoio em ninguém. 

Vemos pessoas que saem do culto sozinhas e caminham a passos tristes e arrastados para a solidão de sua casa, sem nos importarmos com elas, enquanto saímos sorridentes com a nossa patota de sempre para comer uma animada pizza pós-culto. Afinal, já que estamos satisfeitos e acomodados com nossa vidinha cristã que não estende a mão a ninguém, para que nos dedicarmos aos outros, não é mesmo? Deixa como está. Por que abrir mão de nosso precioso tempo para ofertá-lo aos sofridos? E assim seguimos, sem viver de fato o que Jesus espera de sua igreja. E, apesar de ler este texto e sentir certo incômodo no coração, você continuará agindo exatamente do mesmo modo, sem nenhuma real mudança. Ou não?

sofrimento 4Muitos desses sofredores solitários até se inscrevem em departamentos da igreja, na esperança de viver um pouco do calor humano que, supõem, deveria haver entre os irmãos, mas só encontram um interesse pouço real por sua vida, aquela coisa meio obrigatória, afinal, “ele faz parte do grupo e a gente tem de dar atenção a ele”. Se um dia ele se desligar do grupo, porém, perceberá que o interesse por sua vida era meramente institucional e não verdadeiro. Ninguém mais o procura, o chama para sair, liga para saber como ele está. E assim seguimos, cercados por legiões de cristãos sofredores, que se calam pelas mais variadas razões e vivem suas angústias com, no máximo, o famigerado “vamos orar”.  Acredite: há muitos desses ao nosso redor, perfumados e maquiados, ostentando sorrisos pré-fabricados no rosto, mas carcomidos emocionalmente. 

Meu irmão, minha irmã, o evangelho é sobre relacionamentos. É sobre se intrometer, sim, na vida do outro, como um médico que intromete seu bisturi na carne do paciente para encontrar debaixo da pele, naquele lugar em que ninguém consegue ver além das aparências, onde está a causa da dor do próximo. E tratá-la. Individualismo não existe no cristianismo, o que existe é coletividade, onde todos sentem a dor de todos. Fora disso não há reino de Deus, não há evangelho, não há Igreja. Sim, a coisa mais importante no cristianismo são os relacionamentos: com Deus, primeiro, e com o próximo. Esse é o maior mandamento, apresentado em outras palavras. 

Ao falar sobre aquele grande dia, que a todos nós espera, Jesus profetizou: “… então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).  Essa passagem fala sobre o quê? Caridade? Não. Fala sobre relacionamentos.

sofrimento 5Fala sobre interferir na vida do próximo, saciando a sede e a fome não só de comida e bebida, mas de amor, preocupação, interesse, calor humano. Há entre nós irmãos e irmãs desesperados e silenciosos, mirrando pela falta do nosso interesse amoroso e genuíno. Muitos estão enfermos de alma, esperando em agonia  por uma visita, uma conversa ou um abraço que ajude a aliviar a dor de seu coração. No culto  a que você vai todo domingo, cruza com irmãos e irmãs que se encontram presos em jaulas de solidão, em presídios de angústia, apenas esperando por alguém que se importe. Também somos cercados por legiões de forasteiros, gente que dorme debaixo das marquises da falta de ter com quem conversar, que pedem socorro em idiomas que parece que ninguém entende, apenas aguardando por um servo bom e fiel que, com preocupação real, os hospede em seu coração e em sua vida.

O que você tem feito pelos famintos, sedentos, enfermos, presos e forasteiros? Nada? Então ouça o que Jesus tem a lhe dizer: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me” (Mt 25.41-43). 

Meu sonho é parar de receber desabafos e pedidos de socorro pelo blog e inboxes pelo Facebook de gente que sofre em silêncio. Não aguento mais ver tanta dor, pois a dor deles dói em mim. Quando leio um “me ajude, pelo amor de Deus, não tenho a quem recorrer”, meu coração rasga. Onde estão os seres humanos que convivem com esses meus irmãos e irmãs em Cristo? O fato de cristãos recorrerem a um escritor que mal conhecem e mora a centenas de quilômetros de distância para desabafar, pedir ajuda e tentar compartilhar um pouquinho que seja de sua dor é um sintoma gritante de que a igreja não está sendo Igreja. E à distância é difícil eu fazer qualquer coisa por eles. Onde estão os pastores e os irmãos em Cristo deles? Onde está você?

Este é um texto sobre amor. Amar de verdade significa doar-se. O contrário de amor não é ódio, como muitos pensam, mas egoísmo. Eu fico louco quando ouço um pregador dizer à igreja: “Quem veio aqui esta noite para receber a sua bênção?”. Por quê? Porque culto não foi feito para ser um evento de recebimento de bênçãos. Nós não vamos ao culto a fim de buscar bênção coisíssima nenhuma, vamos para cultuar Deus em conjunto com os irmãos. Em coletividade. Dando as mãos não só fisicamente, mas espiritualmente. Olhando para quem está ao nosso lado e enxergando-o de fato, preocupando-se com ele, imergindo nas angústias dele. A pergunta certa deveria ser “Quem veio aqui esta noite para abençoar os seus irmãos?”. Aí teríamos uma pergunta cristã. 

sofrimento 6Perdoe-me, por favor, o desabafo. Mas o APENAS é, para mim, também um meio de compartilhar o que sofro na minha solidão. E tem me angustiado profundamente o sofrimento solitário de tantos cristãos que recorrem a mim porque dizem não ter mais a quem recorrer. Eu vinha vivendo isso calado, mas hoje resolvi pôr para fora. Você compartilha da minha dor? Você está disposto a chorar comigo? Então, por favor, o melhor meio de fazer isso é sendo parte da solução. Viva a partir de hoje observando os calados, os que choram nos últimos bancos, os que sorriem com a boca mas não com os olhos. Preste atenção aos maridos desrespeitados, às esposas abandonadas, aos adolescentes solitários, aos idosos sofredores, aos líderes deprimidos. Pense naqueles que deixaram o convívio e você nem sabe por quê. Telefone para eles. Oferte-se ao próximo. Mergulhe na vida dessas pessoas. Ouça-as com real interesse e não por obrigação. Intervenha, sim, na vida delas, assim como Jesus interveio na nossa ao meter a colher nas lutas da humanidade e se fazer carne para sanar nosso maior problema. É bíblico. Faça isso, pelo amor de Deus e por amor ao próximo. Os sofredores silenciosos e solitários estão à sua espera. O que você vai fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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orar 1É muito comum no nosso meio cristão prometermos orar por alguém. Sabemos que uma pessoa está em uma situação complicada e nossa resposta imediata costuma ser algo como “vou estar em oração”. Recentemente vi um irmão postar no facebook que estava no hospital e li muitas pessoas escreverem comentários como “em oração”, “estou orando”, “estamos orando” ou algo assim. A pergunta que te faço é: todas as vezes em que você diz que vai orar ou que está orando por alguém realmente você chega a falar com Deus sobre o assunto? Ou é só da boca pra fora?

Tenho reparado que o “vou orar por você” ganhou uma série de significados diferentes, como se fosse uma espécie de “resposta coringa” que serve para diferentes situações e ganha significados distintos em cada uma delas. O primeiro deles é uma espécie de “receba o meu apoio”. É uma forma de dizer que a pessoa estende sua solidariedade ao outro. Por exemplo, alguém diz que está triste e o amigo comenta: “Vou orar por você”… só que, na realidade, não ora. Nunca chega a falar com Deus sobre o assunto. Outro significado é na linha do “como é que ficou aquela situação?”. É como ocorre quando você encontra alguém que estava com um problema que vinha se desenrolando já há algum tempo e, para mostrar que se lembra da questão e se preocupa com o amigo que a está enfrentando, você manda um “continuo orando, viu?”. Mas, de fato, não tirou nenhum período de oração em prol do conhecido.

orar 2Há muitas outras circunstâncias em que a promessa de oração é feita mas não cumprida. É como ocorre no já citado caso da pessoa doente. Muitos dizem (ou escrevem) “em oração”, querendo exprimir, na verdade, “melhoras!”… e não chegam a dobrar os joelhos pelo enfermo nem por um segundo. Ou quando alguém desabafa sobre um problema ou uma angústia por que esteja passando e você encerra a conversa prometendo “vamos orar, vamos orar”, com o significado de “espero que tudo dê certo”. Assim, se você começar a prestar atenção, verá que muita gente se compromete a interceder por algo ou alguém sem nunca chegar, de fato, a cumprir a promessa.

Isso é um problema? Sim, é.

Uma oração não é pouca coisa. Ela é, de fato, uma disciplina poderosa é indispensável na vida cristã. Quando oramos, algo real e concreto ocorre no mundo espiritual e, consequentemente, no material. A oração tem consequências. Ela é fato. Por isso, sempre que você promete que vai orar por alguém e não ora, está deixando de somar à multidão de vozes que recorrem ao Pai por aquela situação. Sua oração faz falta. Deus conta com ela. E, se você não a fizer de fato, um buraco ficará no conjunto de irmãos que intercedem por algo ou por alguém específico.

mentiraOutro problema é, simplesmente, que você mentiu. E a mentira sempre traz más consequências. Lembre-se de que o Diabo é o pai da mentira, logo, nada de bom pode brotar a partir de uma inverdade, mesmo que bem intencionada. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.37). Se nos comprometemos com algo, como povo da verdade precisamos cumprir aquela promessa. Uma promessa solene, como a promessa de orar por alguém ou alguma situação, configura um voto; e, como todo voto, tem peso diante dos homens e diante de Deus. A Escritura fala sobre isso: “Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus,e você está na terra, por isso, fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo. Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir” (Ec 5.2-5).

Em geral, quem diz que vai interceder em favor do próximo e não o faz não compreende realmente a eficácia da oração nem a angústia no coração de quem precisa dela. Jesus no Getsêmani se entristeceu porque seus discípulos dormiram em vez de compartilhar de seu momento, em oração. Repare bem o que ele disse quando, em angústia de alma, encontrou Pedro e os dois filhos de Zebedeu roncando em vez de em oração: “Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. ‘Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?’, perguntou ele a Pedro. ‘Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca’” (Mt 26.40-41). Acredito que a decepção que Jesus sentiu por seus amigos não estarem em oração por ele é a mesma que ele sente, hoje, quando alguém assume o compromisso de interceder… mas não intercede.

orar 3É importante que “vou orar por você” signifique, exatamente, “vou orar por você”. Que “em oração” signifique que você está de fato tirando momentos regulares de intercessão pela situação. Ou seja, que a promessa resulte numa ação: abrir os lábios e expor ao Senhor o seu pedido. Então, fica aqui a minha recomendação: pense muito bem antes de se comprometer a orar por algo ou alguém, antes de escrever nos comentários das redes sociais que está orando, antes de dizer que fará algo que não fará. Não é pecado não orar por quem precisa, embora não seja muito misericordioso deixar de clamar a Deus por quem necessita da sua oração. Mas, uma vez que você se compromete, deixar de cumprir seu voto é, sim, pecado. Pois é mentira.

A Igreja precisa de intercessores. Você tem essa capacidade. Tudo de que precisa é um coração cheio de compaixão e alguns minutos do seu dia. Diante disso, o convido a lembrar de todas as vezes que prometeu orar por algo ou alguém e não o fez… e fazer isso agora. E, também, a, a partir de hoje, sempre que fizer essa promessa, cumpri-la. É só o que Deus espera de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari <facebook.com/mauriciozagariescritor >

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