Posts com Tag ‘egocentrismo’

A arrogância é uma doença espiritual maligna e silenciosa. Um dos efeitos dessa moléstia é que, em geral, o arrogante se acha a pessoa mais humilde do mundo – ele não se vê como verdadeiramente é. Constantemente aponta os erros dos outros mas não consegue perceber como a sua essência está contaminada – e, se consegue, tem a arrogância de dizer que não é arrogante. Lá vai bem longe o tempo de servos como Francisco de Assis, João da Cruz, Thomas à Kempis e outros homens de Deus verdadeiramente humildes. Hoje está totalmente disseminado  o conceito antibíblico de que é possível ser arrogante e ser um bom cristão. Não é. É absolutamente impossível ser um homem segundo o coração de Deus e ser arrogante ao mesmo tempo. São características que não cabem no mesmo indivíduo.

Arrogância é sinônimo de orgulho, altivez, soberba, prepotência. Mostre-me um arrogante e lhe mostrarei um homem sem Deus. Esse é um pecado tão grave que o salmista diz ao Senhor em Salmos 5.5: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista”. Em 2 Timóteo 3.1-2, o apóstolo Paulo fala sobre o perfil dos homens nos últimos tempos: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes…”. Sim, o olhar altivo do arrogante é um dos defeitos que Deus mais detesta, como Salomão deixa claro em Provérbios 6.16-19.

Arrogancia2É fácil diagnosticar alguém que sofre de arrogância. Comece procurando uma pessoa que se acha especial. Diferente. O escolhido. O “cristão” altivo tem essa pretensão, achar que tem em si algo tão singular que Deus o separou do resto da humanidade. Pois os verdadeiramente separados pelo Senhor para realizar grandes feitos simplesmente os executam, não ficam fazendo alarde disso, e se mantêm com uma extraordinária postura de humildade (é só ver o caso do rei Davi). De certo modo, há em todo arrogante um pouco de nazista: ele se acha praticamente membro de uma linhagem superior, um ariano, eleito pelos céus para mostrar à humanidade errada que ele é quem está certo.

Essa é outra característica sempre presente no arrogante: ele se acha o dono da verdade. Se alguém discorda dele é porque é ignorante, atrasado, desinformado, rebelde, não foi tão iluminado por Deus, não entendeu as realidades do alto ou qualquer coisa do gênero. Isso acontece porque a arrogância cega. Ela não deixa o arrogante se ver como tal. Assim, qualquer verdade fora da sua verdade é inverdade. E ele trata quem dele discorda como culpado de uma suposta ignorância proposital. Discordar do arrogante é visto por ele praticamente como uma ofensa. Até porque, no seu entendimento, as outras pessoas existem em função dele.

Arrogancia1Lamentavelmente, o “cristão” arrogante em geral ganha discípulos. No caso do arrogante carismático, arrebanhará multidões, que se tornarão seus seguidores cegos – fãs tão fanáticos que não suportam ouvir uma crítica a seus ídolos. Hitler foi assim. Temos os nossos hitlers hoje em dia, líderes orgulhosos e altivos, que se tornam deidades das massas. Seu carisma atrai os incautos para a armadilha e a arrogância enterra seus seguidores, ao ser tomada como modelo e padrão aceitável. Em vez de uma triste doença, a soberba dos tais é vista e exaltada como uma qualidade, um sinal de força e posicionamento. Aos olhos de muitos, até como unção. Só que não passa da mais maligna e destrutiva soberba: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). E há, por outro lado, os arrogantes sem carisma, que se impõem em geral por seus cargos, fazem poucos discípulos sinceros – os que nele de fato creem acabam reproduzindo a mesma arrogância. Seja o arrogante carismático ou não, tornar-se um discípulo dele é altamente prejudicial: “Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança e não pende para os arrogantes” (Sl 40.4).

O arrogante geralmente se prende a títulos e cargos para legitimar-se. Esteja ele em que grau da hierarquia estiver. “Sabe com quem está falando? Eu sou o diácono aqui”, empavona-se. Não se contenta em ser quem é, precisa do reconhecimento e do garbo. Sem adjetivos a sua arrogância sente-se ofendida. É por isso que nascem entre nós tantos “patriarcas”, “ungidos do Senhor”, “doutores em divindade”, “profetas de Deus”. “vice-deus” ou o que for – o arrogante em geral se esforça mais por obter títulos do que empreender realizações. Enquanto o mais importante e preeminente dos humildes contenta-se em ser chamado de “Zé”, se for o caso, o arrogante exige para si títulos acessórios, que ficarão pendurados em seu nome como penduricalhos na farda de um velho general.

Arrogancia4Mas, por mais que receba o louvor alheio, o arrogante não se contenta com isso – precisa de mais. Pois realmente acredita que merece mais – afinal, ele é um escolhido de Deus. Daí surgem os impérios eclesiásticos, as empresas evangélicas de um homem só, as capitanias hereditárias gospel, as catedrais mundiais de qualquer coisa. E, para pôr tais empreendimentos de pé, o arrogante se coloca acima do bem e do mal: faz associações em jugo desigual para ter mais poder, dá propinas para ver avançar seus sonhos pessoais, cria falsas campanhas espirituais como forma de arrecadar dinheiro… enfim, faz o que for preciso para que seus projetos avancem – e sempre tem uma boa desculpa para justificar-se de que aquilo não é pecado. Peca porque, afinal, está fazendo para o Reino. Só que, na verdade, está fazendo para si mesmo.

Não há arrogantes admiráveis – pense nos homens de Deus que você admira e, se enxerga neles altivez e prepotência, sugiro que deixe de admirá-los – pois não são tão homens de Deus assim. Só continua a admirar arrogantes, após se dar conta de que são arrogantes, quem admira a arrogância. E não se pode admirar a arrogância e Jesus ao mesmo tempo.

Arrogancia5A arrogância foi o pecado que fez aquele que ficava ao lado do Senhor no Céu tornar-se Satanás. Não bastava ele ser querubim da guarda ungido, permanecer no monte santo de Deus, andar no brilho das pedras. É interessante reparar o caminho de corrupção que ele percorre, de anjo a demônio. No início, “perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado”, só que, aos poucos, “se achou iniquidade” nele. O que me entristece é que, se o destino dos homens arrogantes for o mesmo do querubim arrogante, o que eles ouvirão ao final de suas vidas é: “te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer […] em meio ao brilho das pedras. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem” (Ez 28).

É uma certeza quase matemática, que não tem como dar errado. Como registra Isaías 2.17, “A arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada”. Fico triste, realmente triste por causa dos arrogantes. Pois, em geral, foram bons cristãos no início, mas, com o passar do tempo, começaram de fato a acreditar que são mais do que os demais. Assim como o diabo era perfeito, mas deixou seu coração enganá-lo, o mesmo processo ocorre com todo arrogante. Seu fim, lamento crer, não será diferente. Se não for abatido nesta vida, será na próxima.

Arrogancia6Entre os salvos de Deus não há arrogantes, há os mansos e humildes de coração. Se um arrogante é alcançado pela graça, ele deixa de ser arrogante. Vou repetir: se um arrogante é alcançado pela graça, ele obrigatoriamente deixa de ser arrogante. Seus olhos perdem a altivez. Suas palavras abandonam o egocentrismo. Sua alma despreza os títulos e adjetivos. Seus projetos de projeção pessoal são postos de lado. Seu conforto passa a importar menos do que a obra de Deus. Suas ações passam a devotar-se ao ferido, ao doente e ao sofredor. A arrogância morre e em seu lugar brota o amor. Pois onde há amor não pode haver arrogância.

O arrogante prioriza a si e, no máximo, seu círculo mais próximo de relacionamentos. O humilde prioriza o próximo como a si mesmo. Simples e bíblico.

Termino aqui, com uma explicação. Não dediquei tantas linhas aos arrogantes para acusá-los. Mas, primeiro, para compartilhar meu entendimento bíblico de que não existem cristãos arrogantes, é um conceito impossível à luz das Escrituras: se é de fato cristão não pode ser arrogante, se é arrogante não é cristão. Segundo, para que você veja se tem seguido ou mesmo sido alguém altivo e soberbo. E, por fim, para que oremos pelos arrogantes. Devemos amar os tais e pedir que o Senhor os cure dessa doença tão demoníaca. Oremos em especial para que venham a conhecer Cristo e tirem a si mesmos do altar. Não devemos desejar o mal dos arrogantes nem combater a arrogância com ataques, mas com oração e amor. Pois, se atacarmos os arrogantes com ferocidade e nossas próprias verdades, estaremos sendo tão arrogantes como eles.

Propor isso é muito arrogante de minha parte?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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APENAS_Banner três livros Zágari

Arrow on red target - business conceptO novo ano chegou. Como é hábito de muitos, essa mudança simbólica de etapas pode ser uma ótima oportunidade para parar, pensar sobre a vida e repensar as prioridades. Eu gostaria de dar uma pequena contribuição a essa reflexão. Em 2016, muitos cristãos brasileiros tristemente perderam tempo, energias e saliva debatendo sobre aspectos periféricos e secundários da fé ou brigando com outros irmãos em Cristo por questões menos importantes do cristianismo. Minha sugestão, diante disso, é que voltemos a pensar sobre o que realmente é importante na fé cristã. Por isso, gostaria de propor reflexões a partir de pontos que considero serem alicerces da fé. Seguem, então, algumas sugestões acerca de atitudes que você poderia tomar neste momento de reflexões, reinícios e reformulações, a partir de algumas orientações bíblicas fundamentais. 

1. Você tem se arrependido de seus pecados e pedido perdão a Deus? “Se afirmamos que não temos pecados, enganamos a nós mesmos e não vivemos na verdade. Mas, se confessamos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.8-9, NVT). Você tem pedido perdão pelas transgressões cometidas? Ou tem vivido dia após dia acumulando pecado não confessado sobre pecado não confessado, apresentando desculpa esfarrapada sobre desculpa esfarrapada para justificar práticas antibíblicas? É hora, como sempre é, de arrependimento, contrição e mudança de rumo.

2. Você tem obedecido ao maior dos mandamentos? “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40, NVT). Em tudo o que você faz, é o amor a Deus que pauta seus pensamentos, ações, palavras e omissões? Ou em 2016 sua prioridade foram dinheiro, aquisição de bens, viagens, programas de TV, o trabalho ou a igreja? Em que você pensa primeiro quando acorda? Em torno de que gira a sua vida? Em torno de Deus ou em torno de você próprio? E, ainda dentro desse maior mandamento, você tem amado ao próximo como a si mesmo? Em 2016, quanto amor você compartilhou? Que ações práticas fez em benefício das pessoas que não lhe deram absolutamente nenhum retorno? De que modo você se devotou ao próximo? Será que você tem se dedicado mais a debater com o próximo para provar que você é quem está certo do que a amá-lo? Cuidado com a autoidolatria.

3. Você tem cumprido a Grande Comissão? “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei” (Mt 28.19-20, NVT).  A quem você proclamou as boas-novas de Cristo em 2016? Quantas pessoas ganharam a vida eterna no ano que passou graças às suas iniciativas? Quantos seres humanos você discipulou no ano que passou? Se perceber que não fez discípulos, que não levou o evangelho a ninguém, que sua instrumentalidade para a salvação de vidas tem sido nula, o que pode fazer para reverter esse quadro em 2017? 

4. Você tem feito aos outros somente e exatamente aquilo que gostaria que eles fizessem a você? “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12, NVT). Este mandamento de Jesus é extraordinário, pois ele denuncia como vivemos longe de sua vontade. Você realmente só faz para as outras pessoas o que gostaria que elas lhe fizessem? Só fala a elas e sobre elas com isso em mente? Suas ações têm esse fundamento? Ou o importante é mesmo o que você quer e pronto? Como têm sido suas atitudes com seus parentes, amigos, colegas de trabalho ou estudo, irmãos em Cristo, pessoas que professam outras religiões? E na Internet? 

5. Você tem tratado quem se opõe a você com mansidão e visando ao bem dele ou com soberba, egocentrismo e sentimento de vingança? Quantos inimigos você amou em 2016? Quantos desafetos você perdoou? Como se relacionou com aqueles que o irritam, maldizem, atacam, denigrem? Como você tratou os hereges e os adversários teológicos? Com mansidão e graça ou com ódio e agressividade? O que você falou sobre aqueles que te ofenderam? Quantas orações em benefício deles você fez ao longo do ano? “Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.20-21, NVT). Você pretende continuar em 2017 a agir com os inimigos, os adversários e os discordantes como um bruto lida com seus desafetos? “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade” (2Tm 2.24-25, NVT).

6. Você tem manifestado virtudes do fruto do Espírito em sua vida? Como anda você na manifestação prática de “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.” (Gl 5.22-23, NVT)? Será que você amou tanto quanto poderia? Você disseminou alegria ou a nuvenzinha negra foi sua companheira inseparável? Você foi um pacificador ou alguém que instigou, incentivou ou participou de contendas e brigas? Você foi paciente ou não esperou Deus agir com a longanimidade que deveria? Você foi benigno, amável, bondoso, ou foi duro, egoísta, mau, briguento? Você demonstrou fidelidade ou sua fé foi pequena? Mansidão, então, é o calcanhar de Aquiles de muitos: você foi manso e humilde, falando sempre com palavras temperadas e de edificação, ou foi um guerreiro, um gladiador, um leão que mais ruge do que faz qualquer outra coisa? E domínio próprio, você foi autocontrolado ou se deixou escravizar pelo seu temperamento sanguíneo, seus impulsos pecaminosos, sua humanidade? E em 2017, o que precisa mudar com relação a essas virtudes?

7. Você tem promovido a paz ou as disputas, a raiva, a vingança, a humilhação, os ataques, a discórdia? “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Na ânsia por agradar a Deus, muitos acham que o caminho para isso é se igualar ao comportamento natural e carnal da humanidade caída. Que o padrão “João Batista” é a linha a ser adotada e que Deus nos incentiva a promover a guerra “em nome de Jesus” ou “em defesa do evangelho”. É triste e lamentável ver pessoas muitas vezes extremamente bem preparadas teologicamente se posicionando como promotores do ódio, deixando a força dos argumentos em segundo plano e optando pela pseudoforça da forma. Acham que bater na mesa é o padrão cristão. Não é. Seria esse o seu caso?

8. Você tem se achado o máximo? Como anda sua humildade? Tudo o que você é e tem foi Deus quem lhe deu. Você é inteligente? Mérito de Deus. Você é culto? Mérito de Deus. Você tem muitos diplomas? Mérito de Deus. Sua igreja é rica, grande e lotada? Mérito de Deus. Você tem muitos dons? Mérito de Deus. Muitas pessoas o elogiam? Mérito de Deus. Afinal, “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu…” (Tg 1.17, NVT). Se você empertiga o peito, estriba-se em sua sabedoria e sai desqualificando os demais, o alerta é sério: “Que aflição espera os que são sábios aos próprios olhos e pensam ter entendimento!” (Is 5.21, NVT). “Não sejam orgulhosos, mas tenham amizade com gente de condição humilde. E não pensem que sabem tudo” (Rm 12.16, NVT). O evangelho é claro e direto: quem tem muito deve agir com prudência com o muito que Deus lhe deu, sabendo lidar com delicadeza com os que não sabem nem têm tanto, visando ao amor e com muita graça. Ai de quem “se acha”. “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria. Mas, se em seu coração há inveja amarga e ambição egoísta, não encubram a verdade com vanglórias e mentiras. Porque essas coisas não são a espécie de sabedoria que vem do alto; antes, são terrenas, mundanas e demoníacas. Pois onde há inveja e ambição egoísta, também há confusão e males de todo tipo” (Tg 3.13-16, NVT).

Essa lista poderia prosseguir por dezenas e dezenas de pontos. Mas acredito que somente esses oito já dão muito pano para manga. Fica a reflexão, caso ajude você a pensar sobre como tem vivido. Acredite: se decidir reavaliar suas prioridades em 2017 e mudar muito do que tem feito com relação a esses oito pontos, já será um monumental passo em sua caminhada de fé.

Espero ter ajudado. Agora… é com você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo e um feliz Natal,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_6313Havia muito tempo que eu não andava de metrô no Rio de Janeiro. Há alguns dias, porém, tive de pegar o metrô por conta de um compromisso e vivi uma experiência que me deixou bastante triste. O trem estava cheio e não havia lugar para sentar. Por isso, eu, minha esposa e minha filha de 4 anos ficamos em pé. Olhei ao redor e percebi algo que captou minha atenção: à  direita, havia uma senhora de idade, em pé. À esquerda, estava um rapaz com um dos braços engessado, em pé e segurando uma mochila. E lá estávamos eu e minha esposa, acompanhados de uma criança pequena, também em pé. Quando olhei para as pessoas que estavam sentadas próximo a nós, reparei que todos eram homens e mulheres jovens, fortes e saudáveis, que, simplesmente, não se mexeram. Onde estavam, permaneceram. Não deram a mínima.

IMG_6320Vou repetir: uma idosa, um homem de braço quebrado (foto) e um casal com uma criança pequena, todos em um espaço de menos de quatro metros quadrados. E absolutamente ninguém moveu uma palha sequer para ceder o lugar a quem quer que fosse. Isso me deixou extremamente pensativo sobre como o ser humano está tão desumano, egoísta e destituído de amor pelo próximo.

Quando eu era criança, minha mãe me ensinou a sempre, em qualquer circunstância, ceder o lugar para os mais velhos, mulheres e outras pessoas em necessidade. Durante todos os meus anos de escola, estudei em um colégio que ficava a cerca de uma hora de distância da minha casa, de ônibus. E,  durante o sete anos em que estudei lá, sempre fui obrigado a ir e voltar de ônibus e sempre cedi meu lugar, por mais cansado ou dolorido que estivesse. Não porque eu fosse uma pessoa magnânima ou acima da média, mas simplesmente porque aprendi com meus pais que isso era o certo. Por isso, confesso que até hoje me choca quando vejo jovens saudáveis e fortes permanecerem impassíveis ao ver pessoas de mais idade ou com crianças pequenas em pé. Porque, para mim, isso demonstra uma monstruosa falta de amor pelo próximo. É egoísmo e egocentrismo.

A Bíblia diz que nos últimos tempos o amor de muitos esfriaria. Se “o amor esfriar” não é ignorar as pequenas necessidades do próximo, não sei o que é. Infelizmente, é muito difícil mudarmos as outras pessoas. Mas o que podemos fazer é mudar a nós mesmos. Por isso proponho a você uma reflexão sobre suas atitudes. Será que você tem amado de fato o próximo?

Amor-bajo-el-espino-Blanco9Entenda que o amor ao próximo não se demonstra apenas em gestos grandiosos. Não é sendo missionário na África, tornando-se a Madre Teresa de Calcutá ou doando milhões de reais para a caridade que você será alguém que ama o próximo. Até porque, convenhamos, essas são ações que não estão ao alcance da esmagadora maioria das pessoas. Mas você tem a possibilidade de exercer o amor ao próximo diariamente, em pequenos gestos.

Ceder o lugar no ônibus, abrir a porta para senhoras passarem, puxar a cadeira no restaurante, ceder a vez no trânsito, permitir que gente idosa passe à sua frente na fila, deixar que o último pão da padaria seja comprado por outra pessoa, abrir mão do seu tempo para ouvir quem está triste, fazer elogios, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede… Atitudes como essas custam muito barato ou nada e, acredite, não doem.

gestos-de-amorVocê pode achar que pequenos gestos como esses não fazem a diferença. Mas lembre-se de que é do acúmulo de uma grande quantidade de tijolos bem pequenos que você constrói um enorme edifício de dezenas de andares. Pequenos gestos de amor fazem toda a diferença. Jesus morreu pela humanidade, e isso foi um gesto grandioso. Mas ele também providenciou comida para pessoas que estavam com fome. Ele chorou em solidariedade à tristeza daqueles que estavam abatidos com a morte de Lázaro. Ele criou as galáxias mas também as pequenas sementes, o que demonstra que dá atenção ao macro e também ao micro. Perceba: Deus se preocupa com amor e não apenas com grandes gestos de amor. Se for amor, pode ter a dimensão que tiver, será apreciado pelo Senhor e fará toda a diferença para o próximo.

imagesVocê pode se justificar dizendo que “hoje em dia, todo mundo faz assim”. Que “ninguém mais cede o lugar no metrô”. Que homens com um braço quebrado “podem se segurar com um braço só”. Que crianças de 4 anos “são cheias de saúde e não têm necessidade de se sentar”. Pode ser que você pense que a pequena gentileza não importa mais,  porque, afinal, ninguém mais dá bola para isso. Que pequenos atos de solidariedade são coisa do passado. Que o feminismo aboliu o direito das mulheres de se sentarem no ônibus. Sinceramente, não creio que Deus gosta muito do feminismo. Tampouco acredito que Deus gosta de quem faz tudo como todos os outros fazem. Todos os samaritanos deixariam o judeu roubado espancado caído à beira do caminho, mas Jesus disse que quem amava o próximo era justamente aquele que fez o que todos os outros não fariam. Que exemplo! E lembre-se que Deus vive fora do tempo, por isso, o conceito de que “isso era gentileza mas não é mais” simplesmente não existe para o Senhor.

Amor é amor. O que revela o amor, seja “grande” ou “pequeno”, é um coração que abre mão de si pelo próximo.

Peço a Deus, meu irmão, minha irmã, que você faça a diferença. Que entenda que vivemos dias de muito desamor e que o amor é um item extremamente necessário e cada vez mais raro em nosso meio. Nem que sejam pequenas gotas de amor. Porque uma gota de amor após a outra, após a outra, após a outra… acaba gerando uma inundação de amor. Faça a sua parte. Ame. Por favor, ame. Pelo amor de Deus, ame. Abra mão de si em benefício do próximo, assim como Jesus abriu mão de si em nosso benefício. Pode ser que você fique com as pernas doendo com mais frequência ao ceder o lugar para pessoas que precisam mais do que você. Mas acredito que, ao chegar diante do Pai celestial, o teu pequeno sacrifício será reconhecido como um grandioso gesto de amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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mancha1Tenho uma mancha nas costas. Embora seja uma ligeira pigmentação na pele, não é uma mancha pequena, tem aproximadamente o tamanho de um gomo de tangerina. Por isso, ela não passa despercebido facilmente. Mas, acredite, eu só descobri que tinha essa marca de nascença quando já era adulto. Parece estranho? E é mesmo, mas tem uma explicação: ela fica localizada em um local das costas que não se vê facilmente no espelho, por isso eu nunca a tinha percebido antes (e ficar espiando minhas costas não é algo que eu costume fazer com frequência). Mas o que mais me chamou a atenção quando descobri que a mancha existia é que ninguém nunca havia me dito antes que eu a tinha. Quem comentou comigo pela primeira vez sobre ela foi um médico, já quando eu tinha uns 24 anos. Ele questionou há quanto tempo ela estava ali e eu, intrigado, respondi: “Mancha? Que mancha?”. Fui perguntar a meus pais, que, então, me disseram que eu nasci com ela. Fiquei chocado. Como era possível que em mais de vinte anos de vida eu nunca tivesse tomado conhecimento de que havia uma mancha nas minhas costas? Bem, a verdade é que ninguém jamais se preocupou em me falar nada sobre aquela penetra indesejável – talvez por desinteresse, talvez por constrangimento – por isso ela ficou ali, escondida de meus olhos, habitando minha vida sem meu conhecimento, por anos e anos. Pensando sobre isso, vejo como é importante haver por perto pessoas que tenham a liberdade de apontar as manchas que temos não só no corpo, mas, principalmente, na alma. Em outras palavras: críticos.

Uma das maneiras mais eficientes de errarmos em nossas atitudes e decisões é estabelecermos uma barreira que impeça críticas. No dia em que você não estiver aberto a ouvir dos outros o que eles veem de errado em você pode ter certeza de que aí é que as coisas começarão a dar errado mesmo. Afinal, é muito fácil não nos enxergarmos com clareza. Já reparou que a sua mão esquerda torna-se a direita no reflexo do espelho? Isso também acontece quando olhamos para nós mesmos: não costumamos ter uma visão precisa de quem somos e de quão corretas são nossas escolhas e atitudes. Podem ser muitas as razões para isso: egocentrismo, amor-próprio exacerbado, egoísmo, arrogância, autossuficiência e muitos outros pecados. Sim, isso mesmo: pecados. Pois considerar-se acima de erros é uma forma de idolatria. E não são poucas as pessoas que idolatram as próprias opiniões e atitudes, tornando-se aversas a qualquer tipo de crítica.

mancha2Eu tenho muitas manchas que não estão na minha pele, mas dentro de mim. São valores distorcidos, conceitos mal trabalhados, opiniões equivocadas, pecados, atitudes injustas, pensamentos incorretos, maus sentimentos e uma enormidade de outras marcas que interferem na pureza de minha alma. Muitas e muitas vezes esses problemas se escondem em lugares para mim difíceis de enxergar, cantos escuros do meu senso crítico, espaços sombrios do meu ego, regiões pouco iluminadas da minha autocrítica. São regiões que não consigo ver com clareza, o que possibilita que muitas dessas falhas de caráter ou imperfeições fiquem escondidas por períodos de tempo enormes sem que eu me dê conta de que estão ali.

mancha3Nessas horas, é fundamental que haja pessoas de confiança a quem possamos dar a liberdade de nos dizer que há manchas em nós e na nossa vida. Felizes são aqueles que escutam esses alertas com humildade e conseguem perceber que precisam fazer algo a respeito. Quem ouve críticas, exortações e toques legítimos e reage com indignação em vez de gratidão está sendo insensato. É muito comum vermos reações não muito amáveis a quem nos critica, a ponto de chegarmos a pensar: “Eu é que sou o dono do meu nariz!”. É verdade, mas… faça uma experiência. Tente olhar para o seu nariz, sem ser no espelho. Você o enxerga com nitidez? Será que alguém que está à sua frente não o vê melhor do que você? Assim é com relação à nossa vida: muitas vezes acreditamos saber o que é o melhor e, por isso, ignoramos a visão de quem está próximo, quando, muitas vezes, outros estão vendo a situação com muito mais clareza do que nós mesmos.

A paixão cega, logo, não seria melhor ouvir o conselho de alguém de fora sobre aquele namorado? Muitas pessoas reclamam de você, logo, será que não há algo em que esteja errando? Suas atitudes geram montes de críticas, logo, será que algumas delas não estão corretas? Ninguém do seu grupo apoia o que está fazendo, logo, será que não é hora de reconsiderar? O pastor já chamou a sua atenção sobre o que a Bíblia diz a respeito de algo que você vem fazendo, logo, será que não seria bom lhe dar ouvidos? Em resumo, devemos estar abertos para perguntas que sugerem a existência de manchas em nossa alma: “Será que realmente estou certo?”. “Será que errei?”. “Será que estou pecando?”. “Será?”.

Saul é um exemplo de alguém que não deixou os outros lhe apontarem as próprias manchas. Roboão também ignorou o conselho de quem apontava problemas em suas decisões. Sansão preferiu seguir suas próprias vontades a ouvir a sabedoria dos que o amavam. Assim como eles, vemos na Bíblia muitos que fecharam os ouvidos à percepção alheia – em outras palavras, que repudiaram a crítica – e que tiveram de colher frutos amargos dessa atitude. Peço a Deus que não cometamos o mesmo erro.

mancha4Há, porém, duas precauções que você deve tomar. Primeiro, analise como chega a crítica. Paulo deu a fórmula: “Pois vocês sabem que tratamos cada um como um pai trata seus filhos, exortando, consolando e dando testemunho, para que vocês vivam de maneira digna de Deus, que os chamou para o seu Reino e glória” (1Ts 2.11-12). Assim, vemos que a exortação deve vir sempre junto com consolo e testemunho, não apenas com um dedo na cara e palavras de ataque. A exortação que vem envolta em amor e suavidade é a chamada “critica construtiva” e deve receber toda a nossa atenção; já a que vem meramente com acusações é fruto do Acusador – e deve ser ignorada. Segundo, pondere o que exatamente está sendo dito: embora suas pupilas sejam uma mancha negra no meio de seus olhos, não representam um problema. Do mesmo modo, nem toda exortação ou crítica faz sentido. “E o que fazer, então?”, você poderia perguntar. A resposta: é preciso ter conhecimento de Deus e discernimento.

Tudo o que chega até nós e que configura uma exortação, uma crítica, um olhar sobre manchas que carregamos em nossa alma deve ser confrontado com a Bíblia. É pela comparação entre o que nos é dito por quem aponta nossas manchas e o que Deus diz em sua Palavra que vamos ver se a crítica faz sentido. Assim, em tudo devemos buscar o conselho do justo e onisciente Juiz. Junto a isso, precisamos ter discernimento para saber se o que nos é dito tem por objetivo nosso bem ou não. E discernimento só se obtém mediante intimidade com o Espírito Santo, o único que conhece as intenções do coração.  Portanto, se você quer blindar-se contra as críticas nocivas sem se fechar às construtivas, o caminho é conhecer os pensamentos do Senhor revelados nas Escrituras e viver em intimidade com ele por meio de oração e outras disciplinas espirituais.

mancha5Algumas manchas em nossa pele são inofensivas; outras são tumores malignos, capazes de nos levar à morte. Eu não sei discernir umas de outras, por isso preciso de gente de fora que me diga aquilo que não tenho capacidade de ver sozinho. Também preciso de humildade para ouvir o que me disserem e entendimento para saber o que fazer a partir do momento em que ficar a par da realidade. Quando tomei conhecimento de que havia uma mancha em minhas costas, recorri ao dermatologista, que me disse que aquilo não era nada de mais e não oferecia qualquer risco. Mas pode ter certeza de que, se ele tivesse dito que se tratava de algo nocivo, eu teria procurado extirpar aquela mancha o mais rápido possível. E ai de mim se não tivesse dado ouvidos àquele médico – talvez eu não estivesse aqui hoje para contar a história.

E você? Como tem reagido quando alguém aponta as manchas da sua alma?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Sexo1Quantos tipos de pecados existem? Serão dezenas, centenas, milhares, milhões? Confesso que não sei ao certo, mas uma certeza tenho: são muitos. Muitos mesmo. Isso é curioso, porque, embora existam tantas e tantas e tantas formas de desobedecer a vontade de Deus, parece que concentramos nossa atenção em um pequeno punhado delas. Veja se estou errado: o que escandaliza a esmagadora maioria de nós são atitudes como embriaguez, fumo, consumo de drogas, envolvimento em programações consideradas pecaminosas (boate, bailes, carnaval, shows etc.) e aquilo que pomos no pináculo dos pecados: práticas sexuais ilícitas. Tudo o que é pecado é pecado, logo, não podemos ignorar o quanto qualquer uma dessas atitudes pecaminosas é tóxica para nossa alma nem diminuir a gravidade de qualquer uma delas. Mas o que me chama a atenção é como desenvolvemos o hábito de pôr no paredão apenas um pequeno grupo de transgressões – em especial, os pecados sexuais, considerados por muitos como piores do que a blasfêmia contra o Espírito Santo – quando existem dezenas, centenas, milhares ou milhões. Será que a eleição do sexo ilícito no imaginário popular como a pior de todas as transgressões tem alguma implicação? Tem sim, e são implicações sérias.

Sexo2Acabei de ler um livro em que, em síntese, o autor expõe sua visão do que faz um sacerdote ser bem-sucedido, ou seja, o que seria sucesso no ministério. É uma obra bem interessante e que tem o seu valor, mas algo chamou minha atenção. Percorri com interesse suas páginas, até que cheguei ao capítulo que fala sobre santidade. Quando vi o tema, imaginei que ele discorreria sobre diferentes questões, como bom uso do dinheiro da igreja, relacionamento saudável com a família, cuidados com a vaidade excessiva, sexualidade sadia, humildade no uso do poder, justiça ao lidar com as ovelhas, a importância de ser manso no trato com os diferentes, a necessidade de não se corromper para obter facilidades, amar o próximo como a si mesmo, e uma série de outros tópicos que, a meu ver, são indissociáveis do tema santidade do ministro. Só que, para minha surpresa, o autor começa o capítulo falando sobre sexo, prossegue falando sobre sexo e o termina falando sobre… sexo. Cheguei ao final desse trecho pensando: “Tá certo, concordo, mas… sexo?!”.

É absolutamente inquestionável que uma sexualidade santa é fundamental para a vida pessoal e ministerial de um indivíduo, devemos estar em constante vigilância para não cometer transgressões sexuais e, caso pequemos, sempre buscar o arrependimento sincero e a mudança de atitude. Mas, do jeito que o autor desse livro e muitos irmãos e irmãs tratam a questão, a sensação que tenho é que ser santo é apenas ser sexualmente santo. A pergunta é: e o resto? E as outras dezenas ou centenas, os outros milhares ou milhões de pecados, que fim levaram?

A conclusão a que chego é que nós criamos um ranking de pecados. E, no alto do pódio, triunfando como os piores pecados de todos, estão os de cunho sexual. Uma distinção que, é importante lembrar, a Bíblia não faz.

Revista UltimatoA revista Ultimato publicou na sua mais recente edição (número 346, pg. 42) um artigo não assinado em que aponta a negligência de grande parcela dos cristãos no que tange aos pecados ligados à injustiça social. Diz o texto: “A maior parte dos pregadores tem chamado a minha atenção para os pecados do sexo – o amor livre, a prostituição, o adultério, a pornografia, o homossexualismo – indicando a conduta certa nesta área. Agradeço a Deus por isso, mas lamento muito o silêncio, a falta de clareza e de ênfase na outra pregação, não menos importante que a anterior (…) Por falta de profetas nesta área, demorei muito tempo a compreender que é pecado tanto trair o cônjuge como deixar o irmão de estômago vazio”. Creio que o autor teve 101% de clareza em sua afirmação, pois conseguiu enxergar o quanto a “ditadura do sexo” está desviando as nossas preocupações de muitos outros tipos de pecados.

Não quero ser mal compreendido, então preciso enfatizar algo: pecado sexuais são graves. Nunca vou dizer o contrário nem vou passar a mão na cabeça deles. São horríveis e ponto. Toda prática sexual ilícita é destrutiva e só gera problemas, dor, morte e devastação. Sofro com um gosto amargo na boca só de pensar nos erros que cometi nessa área (e se você está praticando algo do gênero recomendo, por amor a sua vida e a sua alma, que pare imediatamente, já – de preferência, ontem). Mas o grande mal de se resumir os pecados graves a sexo é que todos os outros pecados graves começam a ser praticados sem que se dê o devido peso a eles.

Sexo3E vou te contar um segredo: todo pecado é grave. Não existe “pecado não grave” ou “pecado menos grave”. Poderíamos nos perder em discussões eternas sobre “pecadinho e pecadão”, “pecados para a morte” ou mesmo o conceito católico romano de “pecado mortal e pecado venial”. Conheço a teologia de tudo isso e a grande conclusão, em última análise, é uma só: pecado é pecado. Desobediência é desobediência. Morte espiritual é morte espiritual. Não existe morte que mate mais do que outra morte. Quem morre de queda de avião morre tanto quanto quem morre de pneumonia. Quem morre numa explosão nuclear morre tanto quanto quem morre de dengue. Tirando a imperdoável blasfêmia contra o Espírito Santo (que é atribuir atos divinos ao Diabo), os demais pecados estão todos no mesmo saco: representam morte espiritual e carecem de arrependimento, confissão e abandono.

Se um ministro do evangelho comete um pecado sexual, ele imediatamente é afastado de seu cargo. E isso é correto, pois essa alma preciosa e valiosa está doente e necessita ser tratada, cuidada, pastoreada, sarada e, só então, reconduzida às suas atividades ministeriais. Mas não deveria ser assim também com um ministro que peca pela inveja? Pela ganância? Pela arrogância? Pela soberba? Pela corrupção? Falta de amor? Vaidade? Maledicência? Dissensões? Partidarismos? Egoísmo? Egocentrismo? Hipocrisia? Abuso de poder? Favorecimentos ilícitos? Violência verbal? Injustiça? Traições? Quebra da ética pastoral? Mau uso do dinheiro da igreja? Etc., etc., etc? Confesso que não consigo me lembrar de quase nenhum caso de um ministro que tenha sido afastado do cargo por qualquer um desses pecados. Graves, diga-se. Hediondos. Um pastor soberbo, agressivo, corrupto ou vaidoso é uma anomalia espiritual. Precisa de tratamento tanto quanto um viciado em pornografia na internet.

Sexo4E não estou nem de longe falando apenas de ministros do evangelho. O mesmo se aplica a cada um de nós. Em um culto recente em minha igreja, um de meus pastores iniciou a celebração convidando a congregação a confessar seus pecados a Deus. Claro que me lembrei de meus pecado sexuais. Mas também me lembrei de muitos e muitos e muitos outros tipos de pecados, a ponto de a oração terminar e eu ter de interromper meu ato de contrição sem ter tido tempo de conversar com o Senhor sobre todos. Poucas vezes nos derramamos em lágrimas por termos sido, por exemplo, invejosos, iracundos, gananciosos, espertalhões, abusados ou por termos usado o “jeitinho brasileiro” (que é pecado, diga-se de passagem). Praticamos essas transgressões contra Deus sem nenhum drama de consciência, enquanto legiões de irmãos se deprimem por estarem, por exemplo, escravizados ao vício em pornografia. Por ser uma situação tão inexistente, chega a soar engraçado imaginar um líder ir a público dizer:

– Meus irmãos, preciso me licenciar do ministério pois não honro meu pai e minha mãe e tenho de me tratar espiritualmente.

Ou um membro de igreja que procure auxílio em gabinete pastoral afirmando:

– Pastor, preciso de libertação porque sou muito invejoso.

Inferno de DanteVocê já viu alguém ser disciplinado na igreja por ter praticado a glutonaria? Eu nunca. Na verdade, em todos os meus anos de convertido nunca ouvi uma única pregação, escutei uma música gospel ou li um livro cristão sequer que fosse sobre esse pecado. Parece engraçado eu estar dizendo isso? Não quando lemos na Bíblia que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). Meu irmã, minha irmã, isso é extremamente sério! Essa passagem, por exemplo, me mostra que a glutonaria é tão grave e tem consequências tão severas como a fornicação, por exemplo, e outros pecados sexuais. E aqui reside o perigo, o xis da questão: se eu te perguntar quantas vezes você adulterou na vida, pode ser que me responda, indignado e ofendido: “Nunca!”; mas, sinceramente, quantas vezes você foi glutão? Umas 50? 100? 200? 300? E será que ao menos se arrependeu e pediu perdão a Deus por isso? Ainda: será que ter pecado pela glutonaria sem arrependimento faz de você menos culpado diante do Senhor do que se tivesse fornicado mas se arrependesse e pedisse perdão com toda sinceridade?

A mesma passagem que mostra a gravidade da obra da carne glutonaria a inclui no mesmo grupo que “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas” (Gl 19-21). Atravessamos a vida com nossa santidade sexual intocada mas cultivamos inimizades, sentimos ciúmes, promovemos discórdias, estimulamos facções, sentimos inveja e por aí vai – sem que nos arrependamos ou peçamos perdão ao Senhor. Será mesmo que estamos tão melhores assim na fita?

Todo pecado é grave. Mas existe um tipo de pecado que, sim, é mais grave do que os outros: o pecado não confessado. Enquanto ficarmos pondo corretamente o dedo na cara dos pecados sexuais mas passando incorretamente a mão na cabeça dos demais tipos de pecados, estaremos deixando de pregar contra eles, continuaremos a praticá-los sem arrependimento, não os confessaremos a Deus e, com tudo isso, seremos engolidos por atos hediondos para o Senhor mas a que não damos tanta atenção porque, para nós, não são tão hediondos assim.

Eis o grande mal da ditadura do sexo: deixamos de confessar nossos outros pecados, igualmente perniciosos.

Pecados sexuaisPode ser que você tenha se casado virgem, nunca tenha se masturbado, viva uma vida livre de adultérios e jamais tenha espiado pornografia na internet, entre outras atitudes sexuais biblicamente ilícitas. Se esse é o seu caso, ótimo – mas cuidado: sua sexualidade pode não te afastar de Deus, porém, de repente, sua língua, seus olhos, seu coração, seu ego ou suas atitudes o estão mantendo a anos-luz de distância do Senhor.

Quais são os pecados que você comete habitualmente mas aos quais não dá muita importância? Lembre-se de Provérbios 28.13: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. Examine-se, pois, o homem a si mesmo… e alcance a misericórdia do Pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício