reclamao 1Escrevo este texto dentro de um avião, a caminho de Recife, onde vou pregar. Sentados nas poltronas à minha frente há dois homens, conversando em voz alta, o que me permite ouvir todo o diálogo. Um é peruano e o outro, alemão e ambos estão de férias no Brasil. O que me impressiona no papo deles é que tudo gira em torno do que existe de ruim em nosso país: passagens de avião muito caras, sujeira nas ruas, pobreza, um monte de coisas. Eles reclamam, reclamam e reclamam. Ou, em linguagem bíblica, murmuram, murmuram e murmuram. Confesso que a conversa começou a me incomodar, como brasileiro que reconhece os problemas que temos mas, ainda assim, ama o Brasil e quer vê-lo melhorar cada vez mais. Não me incomodo pelo que estão falando, tudo é verdade e temos de reconhecer as falhas de nossa pátria. Meu incômodo deve-se ao fato de os dois cavalheiros se restringirem a falar mal, ridicularizar, reclamar… sem propor coisa alguma nem fazer nada para consertar o que está errado: é a murmuração pela murmuração. O que, aliás, é um tipo de comportamento muito comum: adoramos murmurar, mas pouco agimos no sentido de resolver os problemas – o que é absolutamente inútil. Será que você costuma fazer isso?

O exemplo bíblico clássico de murmuração é o do povo de Israel no deserto, nos quarenta anos que levou entre o Egito e a Terra Prometida. Eles só conseguiam ver o que havia de ruim na situação: falta de carne, calor, cansaço, escassez de água, a demora de Moisés no monte… só viam a metade vazia do copo. E foi isso que irritou Deus. Povo ingrato. De dura cerviz. Reclamão. Murmurador. “Contendeu, pois, o povo com Moisés e disse: Dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao SENHOR? Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (Êx 17.2-3). 

reclamao 2Costumamos criticar os israelitas por sua postura, mas, com muita frequência, fazemos a exata mesma coisa. É muito comum reclamarmos da vida mas fazermos pouquíssimo para melhorar as coisas. Reclamamos do governo, da alta do dólar, da corrupção, do chefe, do emprego, da professora, dos pais, da saúde, da goteira, do aumento dos preços, das ruas esburacadas, da ciclovia, da pobreza, da chuva, do sol, das formigas, de Marte, da física quântica, da tonga da milonga do cabuletê,…meu Deus! Tá tudo ruim! 

A grande questão é: o que cada um de nós faz para melhorar o que está ruim? Esse é o ponto. 

A vida na terra é imperfeita. As pessoas são pecadoras. O mundo jaz no maligno e nele teremos aflições. Essa é a realidade da existência. Então o fato de haver problemas não deveria nos surpreender, é previsível que haja. O que devemos pensar é: como reagir a eles? Murmurando, reclamando, xingando e esbravejando… ou fazendo algo a respeito?

Breclamao 3asta passarmos meia hora passeando pelo Facebook e parece que mergulhamos no oceano da murmuração. E estou falando de nós, cristãos. Vejo irmãos em Cristo reclamando do governo, da militância gay, dos arminianos, dos calvinistas, dos pentecostais, dos cessassionistas, da teologia da prosperidade, do pastor fulano, do cantor sicrano, da igreja institucional, da igreja desigrejada, do líder que inventou um novo título para si, dos hereges, dos outros hereges, de mais tantos outros hereges… mamma mia. O problema é que a maioria que vejo reclamar está apenas… reclamando. Talvez nem ore a respeito. Tampouco tome atitudes concretas para melhorar o que está errado, não busca dialogar com os equivocados, sair em auxílio dos desassistidos, conversar com os desviados, discipular os desencaminhados. Parece que reclama pelo puro prazer de reclamar. E isso não ajuda em nada. Há pessoas que basta eu ver a foto na timeline e já tenho certeza de que a postagem será negativa, pesada, murmuradora, acusadora. E vai ficar por isso mesmo, porque a pessoa não vai além da reclamação. Não faz nada a respeito. Só reclama. E no dia seguinte, reclama mais. E, depois, reclama de novo. E assim por diante. 

Temos de agir para que as coisas fiquem melhores. Tomar atitudes. Ter iniciativa. Orientar, abraçar, ensinar, encontrar, conviver. Investir tempo, esforço e energias. Reclamar por reclamar só faz de nós reclamões. Mais ainda: inúteis reclamões. Pois o blá-blá-blá por si só não faz de você um apologeta, um reformador, um herói da fé, nada disso. Faz de você… um murmurador cuja murmuração não gera nada de positivo. É inócua. Placebo. Você vira um reclamão admirado por um séquito de reclamões que gostam de quem reclama boas reclamações. Mas consequências práticas eficazes e transformadoras? Zero. 

reclamao 4Se você identifica que algo está mal, aja! Aja em prol do bem. Só falar não adianta se você não transformar essa reclamação em ação. Ponha a mão na massa. Faça acontecer. E aí, quem sabe, a sua murmuração vai virar, de fato, apologia, reforma, evolução, edificação – e, com isso, você deixará de ser um bem preparado especialista em reclamação e se tornará um bem-sucedido promotor de  mudanças, renovação da mente, cristianismo pratico. Deus não ficou olhando a humanidade pecadora e murmurando “Como eles pecam! Quanta transgressão! Que coisa horrível! Bando de desviados! Seus hereges!”. Pelo contrário, ele agiu: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17).

O peruano e o alemão desembarcaram no aeroporto, apertaram as mãos e se despediram, seguindo seu caminho e deixando para trás os problemas sobre os quais tanto falaram. Desfrutaram do prazer de murmurar, mas viveram o desprazer de somente murmurar, sem serem em nada úteis na solução dos problemas que apontaram. Eu não quero isso para minha vida. Peço a Deus que no meu epitáfio conste não algo como “Aqui jaz alguém que murmurou e reclamou com bons argumentos e belas palavras”, mas, sim, algo como “Aqui jaz alguém que agiu de fato no sentido de mudar o mundo e as pessoas para melhor”. E você? Qual é a sua escolha? 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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empatia 1Lembro-me do primeiro enterro a que fui na minha vida. Cheguei ao funeral do meu tio Guilherme e logo encontrei a esposa dele, a tia Helena. Ela estava aos prantos, desconsolada. Se não estou enganado, eu deveria ter por volta de uns 12 ou 13 anos. Tudo o que eu sabia sobre o que devemos dizer em uma situação como aquela foi o que eu tinha visto em programas de televisão e em filmes. Por isso, inexperiente, o que eu lhe disse foi o maior clichê, sem reflexão, sem pensar que aquela frase simplesmente não traria nenhum consolo. Fiz um olhar triste e mandei: “Tia, ele está melhor do que nós”. Que horror. Ela fez uma cara sem nenhuma reação e simplesmente continuou chorando. Recordo-me que me senti mal, porque percebi na hora que aquilo que eu tinha dito simplesmente não significava nenhum consolo para ela. Guardei aquele momento na lembrança como se fosse hoje, talvez por ter me sentido muito mal pelo fato de, em vez de me expressar com todas as minhas fibras e dizer algo das profundezas de minha alma, ter lançado mão de um uma frase feita, um clichê vazio, algo que foi dito por ser dito, mas que não teve eficácia alguma no sentido de amainar as dores da minha tia. 

Pensar naquele momento me faz ver como não adianta falar qualquer coisa, em especial nos momentos de crise. Falar por falar é inútil, nossas palavras precisam ser muito bem escolhidas e vir do fundo do coração. Muitas vezes, não devemos nem usar palavras: basta um abraço, basta o silêncio solidário. Enquanto os três amigos de Jó ficaram em silêncio ao seu lado, ele se sentiu amparado, mas foi só Elifaz, Bildade e Zofar abrirem a boca e começou um show de palavras que em nada ajudaram Jó naquele momento de angústia. Muitas vezes, o calar é a nossa melhor atitude. 

Nesse sentido, algo que sempre me causou estranheza é a pergunta “tudo bem?”. Já reparou como ela não quer dizer nada? Essa expressão tornou-se, na verdade, uma saudação padrão, algo educado de se dizer, mas, na realidade, numa quantidade mínima das vezes em que perguntamos a alguém se está tudo bem nós de fato temos o real interesse de saber a resposta. Tanto que, automaticamente, já esperamos que nosso interlocutor responda: “Tudo”. Se ele diz “não estou bem”, na maioria das vezes nem sabemos direito como reagir.

Nas redes sociais esse fenômeno das palavras que perdem o sentido chega a ser engraçado. Parece que em muitas ocasiões os termos são usados sem que o seu real significado seja o que se deseja dizer. Por exemplo: “lindo”. No Facebook tudo é “lindo”, todos são lindos. Às vezes vejo alguém postar uma foto do filho, de um casal em viagem, do prato de comida, de um bicho de estimação, de uma frase de efeito e, quando vou ler os comentários, tudo tem uma enxurrada de “lindo”, “linda”, “lindos”. É como se já se tivesse criado uma maneira de dizer que você achou algo legal e, portanto, “lindo” passa a significar uma série de coisas e não necessariamente o seu sentido original: “belo”, “formoso”. 

Existe ainda uma outra expressão que acho bem estranha. É o “fica bem”. A namorada vem, dá um fora no namorado, vira-se para ele e diz: “Fica bem, tá?”. É óbvio que ele não vai ficar bem! Mas ainda assim ela diz. Isso me soa como se eu virasse para alguém no meio do deserto do Saara e dissesse “Fica com frio, tá?”. Ninguém vai sentir frio só porque eu falei, assim como ninguém vai se sentir bem só porque alguém disse “fica bem”. 

empatiaMeu irmão, minha irmã, pense bem no que você diz. Escolha palavras com significado, principalmente quando está partindo ao encontro de alguém com o intuito de consolá-lo. Para quem está em angústia, depressão, crise, sofrimento, abatimento ou qualquer situação ruim o mais importante é um gesto, uma atitude, uma ação. Coloque-se no lugar do outro. Tenha empatia. Repare que Jesus não se virava para os cegos, leprosos e doentes que o procuravam e dizia “fica bem”: ele agia em favor deles, movido de íntima compaixão. 

Hoje, quando vou a um funeral, raramente digo algo à família de quem partiu. Prefiro dar um abraço apertado e ficar por perto, para que vejam que estou disponível caso precisem de algo. Acredito que isso demonstra muito mais empatia e compaixão do que soltar palavras vazias, que são ditas só para cumprir uma formalidade. 

Deixe que a compaixão te mova. E te mova para agir em favor do próximo, muito mais do que falar. Não só pergunte se está “tudo bem”, mas faça algo para que o outro se sinta bem. A Bíblia nos diz para chorar com os que choram e isso significa trazer para dentro do nosso peito a dor do outro, muitas vezes sem que seja necessário dizer nada. Acredito que, ao fazer isso, você estará de fato contribuindo para o bem-estar do próximo e se conformando muito mais à imagem de Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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meu corpo minhas regras 3

Minha casa é minha. Eu a comprei com meu dinheiro, ganho com o suor do meu trabalho. Meu nome está na escritura e ela me pertence. Tenho o direito de trazer para dentro dela tudo o que eu bem entender, tudo o que eu quiser comprar no supermercado, os móveis da minha escolha, as roupas que eu decidir adquirir, até mesmo um cachorro, um gato, um camelo ou uma jararaca, se eu quiser. É meu direito. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Isto mesmo: como a casa é minha, as regras do que faço dentro dela sou eu que estabeleço. Tenho total liberdade de andar nu pelos cômodos, se desejar, de vestir um casaco pesado no verão ou mesmo de andar para lá e para cá com um chapéu de Carmen Miranda. Isso pode parecer maluquice, mas não me importa, já que as regras na minha casa sou eu que faço.

Se eu quiser, posso pegar uma máquina de fumaça e encher os quartos com fumaça  fedorenta, nada me impede de fazer isso. Posso, também, pegar sacos cheios de lixo e espalhar todo o conteúdo pelo chão, da cozinha ao banheiro, no quintal e na área de serviço. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Posso também entupir toda a tubulação com gordura e encher os ralos de sujeira. Tenho o direito de pintar as paredes de preto e o teto de rosa choque, se assim tiver vontade. E mais: se me der na telha, posso pichar a fachada, pendurar enfeites esquisitos nas janelas, decorar as portas com qualquer tipo de penduricalho, derrubar muros e fazer obras. Tenho esse direito. Quem manda na minha casa sou eu. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

Como sou o dono dela, posso te trazer para morar por um tempo na minha casa, mesmo que você não tenha pedido. Mas atenção: uma vez que esteja dentro dela, eu tenho o direito de fazer o que quiser com você. Afinal, é a minha casa, e na minha casa o que vale são as minhas regras. Então, uma vez que eu tenha posto seu corpo dentro dela, mesmo que você não tenha me pedido para entrar, tenho total liberdade de fazer o que bem entender com ele. Principalmente porque, uma vez dentro da minha casa, você vai se alimentar da comida que eu te der, vai respirar o ar que chegar a você através do espaço que me pertence, vai beber da água que eu providenciar, vai se aquecer com o calor que minhas paredes te proporcionarem, vai sobreviver com os recursos que a minha casa te fornecer. Portanto, não tem discussão: pelo fato de você estar dentro da minha casa, o que vale são as minhas regras e seu corpo me pertence. Em outras palavras, você me pertence. Logo, sua vida me pertence. Pois a casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

neném 3Aliás, fique sabendo: uma vez dentro da minha casa, tenho total direito de te matar. Isso mesmo: já que você está dentro de minha propriedade e vivendo a partir dos recursos que eu te proporciono, eu posso te assassinar, se isso atender aos meus interesses. E não adianta protestar. A casa é minha. E minha casa, minhas regras.  Já sei. Você vai alegar que não tenho esse direito e começar a me dar argumentos: vai dizer que seu corpo não faz parte da minha casa, que seu código genético é diferente daquilo que forma minha casa, vai tentar sobreviver afirmando que está habitando em minha casa só por um tempo e em breve sairá dela, vai alegar que seu direito à vida é maior que meu direito de propriedade sobre minha casa, blá-blá-blá. Desculpe, não estou interessado em saber de nenhum argumento. Eu sei que você não é minha casa,  que seu corpo é uma entidade totalmente à parte das paredes e do teto que me pertencem, que está nela apenas por algum tempo e depois vai embora, que você tem tanto direito de viver quanto eu tenho de possuir minha casa… eu sei de tudo isso. Mas, quer saber? Nada importa: a casa é minha. E minha casa, minhas regras.

E eu quero te matar. 

Eu quero te matar porque me é mais conveniente. Porque isso será melhor para mim. Porque atende aos meus interesses.  Porque sua presença na minha vida me atrapalha. Por um monte de razões. Não me importa que você seja apenas um hóspede temporário, que não faça parte da minha casa, que esteja desfrutando dos recursos que ela te oferece só por algum tempo, que eu é que seja a responsável por você estar dentro dela ou mesmo que você tenha direito à vida, já que seu corpo não é propriedade minha. Não quero saber. Matar você será melhor para mim. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

É isso o que eu tinha a te dizer, filhinho. Agora prepare-se para morrer, porque a mamãe vai te matar. Afinal, eu te pus – sem que você pedisse – dentro da minha casa, que é o meu corpo, e isso obviamente me dá total direito de exterminar a sua vida. Sim, seu corpo é seu. Mas meu corpo é meu. E meu corpo, minhas regras. E isso… faz todo sentido. Ou não?

neném 1

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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corrupto 1Não é segredo para ninguém que o Brasil tem sido varrido por um tsunami de corrupção. Pessoas nos mais variados escalões do governo e de empresas associadas têm sangrado os cofres públicos em bilhões de reais. A coisa está feia. E isso, naturalmente, nos deixa indignados. A minha pergunta é: será que temos uma situação moral equilibrada o suficiente para criticar os grandes corruptos? Ou será que nós também damos a nossa contribuição ao conjunto das corrupções do país? Mais ainda: será que existe diferença entre “grande” corrupção e “pequena” corrupção ou será que qualquer corrupção é corrupção? Será que você se arrependeu e deixou de fato os seus pecados do passado ou fingiu que não os cometeu, ou não se arrependeu e segue tocando a vida como se nada tivesse ocorrido? Vamos refletir um pouco sobre as nossas atitudes. 

Estou escrevendo este texto dentro de um avião, a caminho de um congresso em que vou palestrar. Fiquei impressionado com a quantidade de transgressões que vi ao meu redor desde que cheguei ao aeroporto. Aliás, desde antes: ao pagar o taxista que me conduziu, ele me devolveu um troco menor do que o devido, arredondando o valor da corrida sem perguntar se eu estava de acordo. Depois, logo no check-in, presenciei uma pessoa tentar furar a fila. Na hora de passar no detector de metais, vi uma senhora tentando de qualquer jeito convencer o funcionário do aeroporto a deixá-la passar com uma tesoura de unha na bolsa, o que é proibido. Assim que entrei na aeronave, vi que havia uma jovem sentada no meu assento, que tinha um espaço maior para as pernas, e, quando indiquei que ali era meu lugar, ela pulou para o lado e, novamente, teve de ser removida pela aeromoça quando o cavalheiro que tinha direito ao assento chegou. Na hora da decolagem, vi um senhor de terno e gravata mexendo tranquilamente em seu celular, o que é proibido. E isso até agora, possivelmente até o pouso verei outras transgressões ou tentativas de burlar as normas. 

A realidade é que estamos acostumados a burlar a lei sempre que possível. Muitos profissionais cristãos prestam serviços sem dar nota fiscal ao cliente, para não pagar taxas. Não são poucos, também, os que sonegam o  imposto de renda. Furamos fila, procuramos dar jeitinhos, damos um “cafezinho” a policiais de trânsito para não receber multa, fingimos que não vimos o troco a mais que nos deram, fazemos escrituras de imóveis com valor irreal para não pagarmos tributos, subornamos fiscais… a lista é enorme. Para muitos, atos de corrupção como esses são justificáveis. Só que não são. São pecado. 

Outro tipo de corrupção bastante comum está no campo das omissões. Sim, não pense que ser corrupto é apenas participar de ações ilegais: fechar os olhos ao que está errado faz de você tão corrupto quanto. “Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando” (Tg 4.17). Frases curiosas como “faça o que tem de fazer, só não me conte” fazem de você um corrupto como qualquer outro. Ir para a sala ao lado enquanto seu sócio dá propina ao fiscal não faz de você menos culpado. Quem se omite diante do bem está perpetrando o mal. 

corrupto 2Toda ação de corrupção sempre virá enganchada a uma boa desculpa. Todo corrupto terá sempre uma justificativa no bolso. Expressões como “É que…”, “Mas se…”, “Veja bem…” e “Não é bem assim…” carregam em si grande carga de pecado, quando utilizadas para tentar justificar uma transgressão. Mas não justificam. Simplesmente porque os fins jamais justificam os meios: um processo pecaminoso para alcançar um fim santo contamina tudo. Não existe algo bom que para ser alcançado teve de exigir meios maus. Maldade é maldade. Corrupção é corrupção. Pecado é pecado. 

Também não existe grande ou pequena corrupção. O que muda é apenas o valor envolvido. Um político que rouba bilhões dos cofres públicos não é mais corrupto do que o cristão que dá propina a fiscais. Ambos estão no mesmo barco, precisam se arrepender do mesmo modo, pedir perdão do seu pecado e se humilhar diante de Deus. E, claro, responder diante da justiça humana pelo seu crime. 

Permita-me, perguntar, meu irmão, minha irmã: será que você praticou ou tem praticado atos de corrupção? Transgressões que considera “insignificantes” ou “menores”? Você tem burlado normas? Tem cedido a pressões para alcançar seus objetivos? Tem fechado os olhos ao erro e fingido que não está sabendo de nada? Se esse é o caso, eu gostaria de convidá-lo ao arrependimento. Ao abandono da prática. E, se foi um ou mais de um evento isolado, o convido à confissão desses pecados e à tomada de responsabilidade por eles. Só assim você terá condições morais de criticar políticos ladrões, empreiteiros corruptos, governantes desonestos. 

corrupto 3Lembre-se da história de Zaqueu, o corrupto. Foi somente no dia em que ele decidiu, “se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8) que Jesus lhe disse: “Hoje, houve salvação nesta casa” (Lc 19.9). Esse é um relato contundente de como aquele que cedeu à tentação da corrupção deve proceder. Zaqueu não deu justificativas, tampouco “boas desculpas”, não procurou mostrar os benefícios que ter agido de modo ilícito proporcionaram, nada disso. Ele simplesmente reconheceu seu pecado, o confessou e tomou atitudes práticas para consertar o que tinha feito. Fora disso não há salvação. 

Convido você a um exame de consciência. Se queremos um Brasil mais honesto e livre da corrupção nas altas esferas, precisamos começar por nós mesmos, nas pequenas esferas. Não negocie o inegociável. Só assim teremos moral para exigir o mesmo dos outros. Se você transgride por ações ou omissões, isso te tira o direito de exigir o fim da transgressão dos outros. Como diz a conhecida passagem bíblica, “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu. Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7.3-5).

Meu irmão, minha irmã, não seja hipócrita. Busque agir com correção em tudo, mesmo que isso custe algo a você. Pode ser que haja prejuízo na terra, mas, pode ter certeza, haverá um enorme lucro nos céus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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amor 2Deus é amor. Amar é o maior mandamento. Se falássemos a língua dos homens e dos anjos mas não tivéssemos amor, nada seríamos. Foi porque Deus amou o mundo que deu seu Filho para morrer por aqueles que viriam a crer nele. De Gênesis a Apocalipse encontramos na Bíblia a realidade de que é absolutamente impensável cogitar o cristianismo sem incluir o amor em tudo o que fazemos. Devemos, por isso, sempre considerar se estamos de fato vivendo o evangelho com o amor verdadeiramente bíblico. Pois, caso falte o amor em nossos pensamentos, ações e atitudes, devemos repensar radicalmente a maneira como temos vivido a fé. 

É o amor pelos que estão a caminho do abismo que nos leva a pregar o evangelho. É o amor pelos recém-convertidos que nos faz investir tempo, esforço e paciência em discipulá-los. É o amor que impulsiona aqueles que foram escolhidos por Deus como mestres a devotar-se a lecionar, para o amadurecimento dos santos. Se não for por amor a Deus e ao próximo, é ridiculamente inútil estudar teologia. Se não for para agir movido pelo mais profundo amor, os dons não servem para nada. 

O amor leva os cristãos verdadeiros a praticar a caridade e a filantropia. É o amor que leva os filhos de Deus a lutar pelos mais pobres, pelos desamparados, pelos desassistidos. Qualquer ação em benefício do próximo que não seja motivada por amor não tem nada a ver com Cristo: é mero ativismo. 

O amor nos faz tolerar os diferentes. É somente impulsionados pelo amor que conseguimos estender o perdão sincero e libertador. É apenas por causa do mais cristalino amor que temos a capacidade de não devolver mal com mal e de nos humilharmos diante dos que nos fazem as piores maldades. Só o amor nos faz capazes de negar a nós mesmos, renunciar aos nossos instintos mais primitivos e agir com total abnegação diante das situações mais adversas. 

O amor apaga o ódio, suprime o egoísmo, vence a agressividade, dissolve a amargura, nos leva ao joelho, nos conduz ao arrependimento das transgressões. É porque muito amamos que perdoados são os nossos muitos pecados. O amor arrefece a ira, semeia a paz, conduz ao entendimento, desfaz inimizades, gera a reconciliação. O amor é esperança. O amor é força para continuar. O amor é vida. 

Quem não ama torna-se amargurado, arrogante, intragável. Sem amor, todos são uma ameaça em potencial até que se prove o contrário. A falta de amor cria abismos entre seres humanos e forma misantropos e alienados. A ausência do amor gera monstros egoístas, ambiciosos e interesseiros, indivíduos de cenho carregado, olhar pesado e sorriso escasso. Quem não ama se desumaniza. Quem não ama se afasta do ideal de humanidade estabelecido pelo Criador. Quem não ama se distancia do Altíssimo. Quem não ama torna-se digno de pena. 

Sim, o amor é mais do que um santo remédio: é um remédio santo. Um remédio para nossas dores, amarguras e tristezas, para a solidão e o abatimento. O amor salva vidas. O amor gera vidas. O amor é Deus se fazendo presente em nossa existência. Amar é experimentar um lampejo da divindade. 

O amor verdadeiro, bíblico, não é o dos contos de fadas, bobo, pueril e parnasiano. É amor que nasce da razão, viceja na emoção e frutifica na forma de ações. É maduro e sólido, demonstrado por atitudes consequentes e com resultados reais. O amor que nasce em Deus e deságua em nós não é invisível e idealizado: é concreto, transformador e sempre gera resultados sensoriais. O amor verdadeiro não para no coração, não acaba em nós mesmos e muito menos cabe em nós. 

Ah, se vivêssemos de fato o amor como Deus o criou! Seríamos menos ego e muito mais oferta. Seríamos menos vaidade e muito mais abnegação. Seríamos menos horríveis e muito mais admiráveis. 

Ame, meu irmão, minha irmã. Mas antes aprenda o que é amar. Aprenda na Escritura o que é de fato o verdadeiro amor de Cristo, e não aquilo que você supõe que é ou que filmes e contos de fadas tentam te convencer que é. Perceba que o amor real dá a vida pelo próximo e prefere o outro em honra. Amor custa, e custa caro. Mas, sabe… no final das contas, você descobre que valeu a pena. 

Ame. Ame com o coração. Ame com a razão. Ame com as atitudes. E aí você estará amando como o Senhor o criou para amar. E só amando com todas as fibras do seu ser e com toda a força de sua alma você glorifica a Deus. 

Ame bem. E ame sempre. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Pode soar estranho eu dizer isso, mas o seu pecado pode ser muito útil para ajudá-lo a viver uma vida de santidade. Aliás, permita-me ser um pouco mais específico: não o pecado em si, mas a percepção do seu pecado. É quando você se dá conta de que peca todos os dias, e muito, que passa a olhar para os demais pecadores em igualdade de condições, compreendendo que você não é moralmente superior a ninguém. Pois o fato de termos a natureza pecaminosa em nós nos nivela a todos, algo que só Jesus é capaz de desfazer. É ao confrontar-se com sua inclinação incorrigível para fazer o mal que percebe que os demais pecadores são simplesmente o que você também é: alguém que erra vez após vez e carece da graça divina. 

A percepção do nosso pecado retira de nossos olhos a soberba, de nossos lábios a acusação e de nosso coração a arrogância. É ao nos percebermos culpados de tantas falhas que somos capazes de estender uma mão restauradora ao pecador, em vez de um dedo acusador. Miseráveis homens que somos, sujeitos à escravidão do pecado e às tentações mais vis. E quantas vezes sucumbimos! É… não temos o direito de nos colocarmos num patamar moral superior ao dos outros pecadores. O que temos é o direito de clamar pela misericórdia divina. Ajuda-nos, Senhor, em nossas misérias, pois não somos melhores que nossos pais…

Eu valorizo o meu pecado. Não por ele merecer minha valorização. Eu o odeio. Eu o abomino. Assim como abomino o seu pecado. Assim como abomino qualquer pecado. Mas o meu pecado é uma pedra no sapato que constantemente, a cada passo de minha jornada, ajuda a me pôr no meu devido lugar: pó. Nesse sentido, ele é um indesejável aliado, que constantemente me recorda de que o único caminho é ser misericordioso com os meus iguais: aqueles que pecam todos os dias. 

Não tenho opção a não ser estender compaixão e perdão. Pois preciso fazer ao próximo o que gostaria que fizessem a mim. E ai de mim se não fosse a misericórdia e a compaixão e, acima de tudo, a graça, que me trata como se eu não fosse pecador. Não ser gracioso não é uma opção. Mas quem gosta de ser gracioso? Nós queremos é ver sangue! Só que, se não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim, eu não importo. Tenho de negar a mim mesmo, tomar a minha cruz e seguir o manso Cordeiro. 

Valorize o seu pecado, para que se lembre constantemente dele e faça de tudo para esmagá-lo. Jesus nunca se esqueceu do seu pecado, tanto que subiu à cruz para que um dia você pudesse, enfim, se ver livre dele. Esse dia chegará. Num lugar chamado eternidade você não terá mais de conviver com pecado algum. Até lá, que ele sirva como um lembrete continuo de que você não é melhor do que ninguém. 

E ainda assim, Deus te ama. Que amor sublime e extraordinário…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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