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O Brasil tomou conhecimento há alguns dias de uma realidade assustadora: os principais frigoríficos do país vêm adulterando seus produtos, vendendo carne podre tratada com ácido cancerígeno para parecer fresca e misturando materiais bizarros ao alimento. Todos ficamos perplexos ao saber que o churrasco, o frango ou a linguiça que consumimos há sabe Deus quanto tempo eram como cavalos de Troia alimentícios: pagamos por algo saudável e recebemos produtos de terrível qualidade, cheios de péssimas surpresas dentro. Para além da natural indignação, esse episódio nos leva a algumas reflexões sobre a natureza humana.

Primeiro, cada vez mais fica patente que a ganância não encontra limites. Para não perder dinheiro, os empresários preferem vender seu produto putrefacto ou recheado de porcarias, o que eles têm plena consciência de que faz mal. A saúde de seus clientes? Só podemos concluir que para eles não importa. Lembro de que há cerca de oito anos fui internado no CTI com septicemia abdominal causada por um filé de frango estragado. Assim que dei entrada no hospital, minha esposa acionou a vigilância sanitária, que deu uma batida no restaurante onde ingeri o alimento podre. Não queira saber as condições que os fiscais encontraram. Posso dizer que, em resumo, a cozinha do restaurante parecia um chiqueiro onde porcos não gostariam de viver. Por isso, sei o que é passar mal por conta da ganância alheia.

Segundo, cada vez mais fica comprovado que a corrupção humana não encontra limites. Trinta e três profissionais do governo, responsáveis pela fiscalização das condições de funcionamento dos frigoríficos, foram afastados do cargo sob a acusação de receber propina para deixar essas empresas fazerem o que bem entendessem. A corrupção não é nova, mas é impressionante como, a despeito dos avanços da civilização, para muitos a vantagem financeira segue sendo mais importante que a verdade. Avançamos em tecnologia, mas como seres humanos somos os mesmos depravados de sempre.

Terceiro, o mandamento de amar o próximo como a si mesmo não parece fazer parte do dia a dia de grande parte da humanidade. Desde que pingue um dinheirinho, seres humanos são capazes de fechar os olhos a toda e qualquer barbaridade feita com a vida alheia. O bem-estar do próximo é posto abaixo da possibilidade de lucro pessoal. O que isso denuncia? Um gigantesco egoísmo. Desde que eu tenha uma boa propina no banco, não me importa que meu vizinho, meu tio, meu professor ou o jornaleiro da esquina ingiram carne podre, produtos cancerígenos, papelão ou cabeça de porco. O que importa é o meu interesse. Os outros? Hm…

Ganância, corrupção, egoísmo. Tudo isso junto mostra como a humanidade é idólatra de si mesma. Jesus disse: “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12). Quem ignora esse mandamento se põe acima de Deus e, com isso, peca por autoidolatria, o pecado maior de Satanás. É triste ver como este mundo caído se assemelha ao pai da mentira, à antiga serpente. Em contrapartida, cada vez mais fica patente como necessitamos de Cristo! Como precisamos da graça salvadora! Pois só ela nos liberta de nossa autoidolatria, nos faz amar o próximo de fato como a nós mesmos, nos faz não amar o dinheiro, nos conforma à natureza de Cristo.

Que Deus converta os corações. Pois, longe do Senhor, tudo o que nos resta é carne podre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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pecados-1Se um pastor comete adultério, todos concordamos que ele deve ser afastado do ministério para ser tratado e restaurado e, só então, reconduzido ao púlpito. Porém, nunca vi um líder eclesiástico sequer ser afastado do cargo por desonrar pai e mãe. Na verdade, nunca conheci nenhum cristão que tenha sido posto em disciplina por desonrar seus pais. Você conhece um único caso assim? Tenho certeza de que não. Interessante, não é? Estamos falando de dois pecados que ferem igualmente um dos Dez Mandamentos, adultério e desonra aos pais (Êx 20.12,14), sendo que honrar pai e mãe é o único mandamento com promessa. No entanto, só damos a devida atenção a um deles. Já parou para pensar por quê? Por que consideramos que certos pecados são mais pecados que outros pecados?

O grande mal que esse tipo de hierarquização de pecados provoca é que acabamos cometendo muitos deles sem nos darmos conta de que estamos pecando ou fingido que não estamos pecando. E isso é terrível, pois os tipos de pecados mais perigosos são aqueles que ou não percebemos que são pecados ou para os quais achamos boas justificativas a fim de cometê-los. Todo mundo sabe que lascívia é pecado, por exemplo, mas nem todo mundo se dá conta de que inveja é um pecado tão grave quanto (Gl 5.21). Todos entendem que assassinato é uma transgressão séria, mas nem todos consideram a cobiça algo tão relevante assim (Êx 20.17). E aí começa o problema. 

pecados-2Todo pecado é grave. Não existe pecado absolutamente nenhum que não entristeça o Senhor. Deus não varre pecados para baixo do tapete. Nenhuma transgressão da vontade divina passa despercebida aos olhos do Deus santíssimo e deixa de entristecer seu coração. Se você ler a lista das obras da carne que Paulo lista em Gálatas 5, verá que inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices e glutonarias estão no mesmíssimo pacote que prostituição, impureza, lascívia, idolatria e feitiçarias. E sobre todo eles (todos!), a Palavra diz: “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). 

Essa é a razão de haver tantos e tantos cristãos que são arrogantes, soberbos, materialistas, invejosos, agressivos, maledicentes, fúteis, debochados, cínicos e agressivos: eles simplesmente não se dão conta de quão abomináveis são tais procedimentos, porque lhes ensinaram equivocadamente que esse modo de ser não é tão problemático assim. Ou arranjam boas desculpas para cometer tais pecados, a fim de se convencer ou de convencer outros de que está tudo bem em ser hostil, raivoso ou invejoso, por exemplo. Mas não está. Por essa razão, multidões de cristãos ou igrejas inteiras estão espiritualmente doentes. 

Sem reconhecer o próprio pecado, nós não nos arrependemos. Sem nos arrependermos, não somos perdoados. Sem sermos perdoados… que Deus tenha misericórdia de nós! Quais são meus pecados de estimação? Que práticas antibíblicas são parte da minha rotina sem que eu faça nada a respeito? Quais são minhas falhas de caráter? Quais são minhas falhas de temperamento? O que faz de mim um pecador habitual? O que precisa mudar? Temos de nos fazer essas perguntas diariamente, se desejamos de fato expressar em nossas obras a fé que nossos lábios professam. 

Felizmente, estamos debaixo da graça de Deus. O sangue de Cristo nos purifica de todo pecado. O Espírito Santo nos chama ao arrependimento e ao perdão. Para isso, precisamos parar de fingir que nosso pecado não é pecado e temos de acabar com a mania de inventar boas desculpas para nossos hábitos pecaminosos. Deus está de braços abertos para nos restaurar, limpar e purificar, mas, para isso, precisamos ser sinceros. Nossas justificativas não fazem nosso pecado ser menos pecado aos olhos de Deus. 

pecados-3A hora é esta. Convido você a fazer um exame de consciência e admitir seus hábitos pecaminosos. Temos de parar com essa ideia cultural e maligna de achar que só desagrada a Deus sexo ilícito, embriaguez, idolatria e fofoca. Comece a analisar se você não comete aqueles pecados a que quase ninguém dá atenção, como arrogância, ódio, hostilidade, discórdias, ciúmes, acessos de raiva, ambições egoístas, dissensões, divisões e inveja. Ao se conscientizar de que os pecados a que você não dá muita atenção são tão malcheirosos às narinas divinas quanto aqueles que você mais condena, estará muito mais próximo de fazer uma faxina em sua alma, ao abandonar transgressões que poluem profundamente sua vida sem que você dê muita atenção a elas.

Quais são os pecados que Deus varre para baixo do tapete? Nenhum. Absolutamente nenhum. A boa notícia? “Quem oculta seus pecados não prospera; quem os confessa e os abandona recebe misericórdia” (Pv 28.13). A misericórdia está ao nosso alcance, basta tomarmos as atitudes certas. Não amanhã, não daqui a pouco. Já. O que estamos esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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oscar-1Foi vergonhoso. Na cerimônia deste ano de entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema americano, a maior gafe possível aconteceu: na hora de anunciar o vencedor na categoria “Melhor filme”, a organização trocou os envelopes. Resultado: foi anunciado como vencedor o longa-metragem La la land. Equipe e elenco subiram ao palco. Beijos e abraços. Comemorações. Os produtores seguraram a estatueta e fizeram discursos de agradecimento. Foi quando, para surpresa geral, entraram algumas pessoas da organização no palco para corrigir o anúncio: o vencedor na realidade era outro filme, Moonlight. O envelope errado havia sido entregue ao ator que apresentava o prêmio. Que vergonha. Surge a pergunta: como pode os organizadores de um evento tão bem ensaiado e preparado como a cerimônia de entrega do Oscar cometerem um erro tão elementar como esse? A Bíblia responde. 

A resposta do evangelho é: o ser humano falha. Erra. A perfeição não existe entre nós, por mais que nos esforcemos. Esforço humano nenhum nos livra de nossa natureza falível. Ninguém é digno de abrir os selos. Todos pecamos e destituídos fomos da glória de Deus. Todos nascemos miseravelmente pecadores, inclinados ao erro, desejosos de transgredir a vontade divina. Precisamos desesperadamente da graça do Criador, que nos justifica aos olhos do Todo-poderoso. Não fosse ela, carregaríamos um peso tão grande de culpa nas costas, por conta de nossos muitos e frequentes erros, que jamais poderíamos herdar a vida eterna. 

Eu entrego envelopes errados todos os dias, muitas vezes por dia. Por mais que me organize e me esforce para entregar os envelopes certos, no frigir dos ovos entrego os errados. Por minha causa, muita gente tem de devolver as estatuetas e abafar os discursos de agradecimento. Sou culpado disso, pois sou tão falível quanto os organizadores do Oscar. E você também é. 

O pecado é essa força, ao mesmo tempo humana e desumana, que me distancia da capacidade de acertar sempre. Felizes são aqueles que percebem tão terrível realidade e, por essa razão, correm aos pés do único que nunca errou, sedentos por sua graça. Precisamos da misericórdia daquele que é capaz de nos perdoar quando erramos. É possível que o funcionário responsável por entregar o envelope certo ao apresentador do Oscar tenha sido demitido depois de cometer tão grande gafe, não sei. Mas sei com certeza que Deus nunca demite os que erram, desde que se arrependam, reconheçam sua natureza destituída de méritos e recorram ao perdoador, abraçando-o como Salvador e aquele que “perdoa todas as tuas iniquidades” (Sl 103.3). 

Many identical businessmen clones. Businessman production conceptMeu irmão, minha irmã, essa é a razão pela qual devemos corrigir com mansidão e misericórdia os que erram, no intuito de restaurá-los. Não devemos ser tão furiosos e arrogantes em nosso trato com os que transgressores, pois  transgredimos tanto quanto eles; a diferença é só o tipo de transgressão. Devemos estender aos que erram a mesma graça que Deus nos estende quando erramos, pois nosso objetivo não é detoná-los, mas restaurá-los, mediante o arrependimento e o perdão. Seja menos implacável. Seja menos condenador. Seja mais compassivo. Seja mais restaurador. Até porque o único em condições de condenar quem erra não somos eu ou você, é aquele que foi condenado, injustamente, pelos nossos erros. Felizmente, ele subiu à cruz em nosso lugar e pagou o preço que competia a mim e a você pagar, nos permitindo, apesar de nós, ter acesso à glória eterna do Deus que está acima de todo e qualquer erro. 

O erro do Oscar me faz ver a necessidade de priorizarmos o que de fato é prioritário. Menos condenação, mais restauração. Menos agressividade, mais paz. Menos farisaísmo, mais mea culpa. Menos palavras duras, mais palavras mansas e temperadas. Menos carne, mais espírito. Menos ego, mais Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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sonho-1Quando dizemos que temos um sonho, isso significa que temos um desejo no coração que esperamos que se realize, apesar de não haver nenhuma certeza de que ele ocorrerá. É como quando eu digo “Meu sonho é viajar para a Lua”. Quando expresso isso, significa que viajar para a Lua é algo que eu gostaria muito de fazer, porém não tenho nenhuma segurança de que conseguirei algum dia. Há o desejo; não há a garantia. Nesse sentido, sonhar com algo está no campo da fé e não da razão. É uma expectativa, uma possibilidade, e não uma certeza. No sonho só cabem probabilidades. 

Se dizemos que Deus tem um sonho, isso o esvazia de toda onisciência e onipotência. O deus que sonha não tem certeza do futuro, mas transita no campo da expectativa. O deus que sonha não é Deus, pois não tem segurança do futuro, não é soberano sobre o que vai acontecer, apenas cruza os dedos e fica na torcida. O deus que sonha é um deus sem glória. O Deus da Bíblia, por sua vez, é o Deus que tudo pode e cujos planos não podem ser frustrados (Jó 42.2). 

Deus sabe tudo o que vai ocorrer desde a fundação do mundo. O futuro para ele é tão presente quanto o passado, pois ele habita fora do tempo. Portanto, não, Deus não tem sonhos. Tem planos de ação. Ele já sabe o que vai fazer. Se acordo de manhã e digo “Vou escovar os dentes”, isso não é um sonho meu, é algo que sei que ocorrerá, pois estou me levantando da cama para realizar. 

Portanto, a expressão “Sonhe os sonhos de Deus” é antibíblica. É uma expressão que esvazia Deus de seu poder, o destitui de seu trono e faz dele alguém que sabe tão pouco sobre o futuro e tem a mesma possibilidade de influenciá-lo quanto nós, seres criados. O deus cujos sonhos preciso sonhar é um ídolo, um bezerro de ouro. 

Meu irmão, minha irmã, não ore ao Senhor pedindo que os sonhos dele se realizem em sua vida. Isso não vai acontecer. Pois é o mesmo que pedir que ele não realize nada em sua vida, visto que ele não tem sonhos. Ore pedindo-lhe que cumpra sua santa vontade, a mesma que guia os passos do mundo desde tempos imemoriais. Ao fazer isso, ore com a certeza de que o Deus todo-poderoso estará agindo para realizar aquilo que se encaixa no perfeito mecanismo que ele criou e conduz da caminhada da humanidade debaixo de seu absoluto poder. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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novo-1É interessante como somos fascinados pelas novidades no que se refere à fé. A pregação que nos prende e assombra é aquela que nos leva a comentar “Uau, nunca tinha pensado desse modo!” ou “É a primeira vez que enxergo por esse ângulo!”. O livro cristão que nos impressiona é o que nos faz exclamar “Que sacada genial!”. Gostamos do que parece inovador, inédito. O teólogo que estimamos é o que nos mostra como aquela passagem bíblica não era nada do que acreditávamos até então. A teologia que nos seduz é a que está “à frente do nosso tempo”. Sejamos sinceros: fé boa para muitos de nós é a que tem cheiro de novo, cujo verniz é brilhante, recém-saída da fábrica, que vem para derrubar as antigas ideias. Mas existe um grande problema nesse apreço pela redescoberta do cristianismo, como veremos a seguir.

Semana passada, eu estava triste, por uma série de razões. Meu coração estava pesado, com os pensamentos indo e vindo, um desassossego que não passava. Eu orava a Deus, pedindo paz. Foi quando minha filha chegou da escola, eu a abracei e deitamos em minha cama. Estava um dia fresco, com uma brisa gostosa, e ficamos ali, deitados, em silêncio. Olhei pela janela para o bosque que há nos fundos de meu prédio, uma paisagem que vejo o dia inteiro, pois trabalho de frente para ela. Mas, naquele momento, o flamboyant que fica pelo menos oito horas por dia diante de meus olhos chamou minha atenção. Suas flores vermelho-alaranjadas faziam um belo contraste com o verde das folhas e uma enorme quantidade de pássaros revoava ao redor da árvore. Flores. Pássaros. Essa imagem levou meus pensamentos a um trecho da Bíblia que conheço de cor, de tanto que já li e cuja verdade é tão óbvia em meu coração:

img_7694“Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros? Qual de vocês, por mais preocupado que esteja, pode acrescentar ao menos uma hora à sua vida? E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?’. Essas coisas ocupam o pensamento dos pagãos, mas seu Pai celestial já sabe do que vocês precisam. Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias inquietações. Bastam para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.25-34, NVT).

Aquela imagem tão simples, antiga e conhecida, de pássaros e flores, me remeteu a uma verdade que foi pregada dois mil anos atrás e que continua tão atual como no dia em que Jesus a ministrou em um monte de Israel. O refrigério veio com cheiro de madeira antiga, com cor de página amarelada. Do canto de meu olho escorreu uma pequenina lágrima de gratidão a Deus, por me mostrar naquele momento que a resposta divina para a maioria de nossas questões não se encontra naquilo que revoluciona e impressiona pela inovação, mas em antigas e empoeiradas verdades. Sim, ali percebi que Deus espera de nós menos “uau!” e mais “como pude esquecer disso?”.

A mensagem do evangelho de Cristo não muda. É um tesouro que passa de geração a geração de forma irretocável. O que muda é o baú em que o tesouro é apresentado. É como uma tradução nova da Bíblia: o conteúdo é o mesmo de sempre, a escolha das palavras é diferente. O Deus é o mesmo, a capa segue estilo atual. A mensagem salva, liberta, cura e transforma há dois mil anos e continuará a fazê-lo da exata mesma maneira. O Espírito é o mesmo velho Espírito. O pecado é o mesmo velho pecado. O arrependimento é o mesmo velho arrependimento. A salvação é a mesma velha salvação. A glória eterna… bem, ela é eterna.

novo-2Meu irmão, minha irmã, no que se refere ao evangelho, devemos procurar menos novidades, menos maquiagem, menos pregações inovadoras. Procure contextualizar a mensagem, sempre, mas lembre-se de que o tutano das boas-novas de Cristo não tem em si nenhuma novidade, e por uma única razão: a verdade divina é imutável. Não valorize pregadores, pregações, teólogos, livros, canções, igrejas, modelos de evangelismo ou o que for pelo fato de ser inovador. Porque, muitas vezes, tentar inovar o que é antigo e belo é como vestir roupas de bebê em um velho senhor: não faz sentido algum e chega a beirar o ridículo. Melhor é vesti-lo com uma roupa bela, sóbria e conservadora, que preservará sua elegância e não desviará a atenção do que realmente importa.

Flores. Pássaros. O que há de novo nisso? Nada. Mas a mensagem que eu precisava ouvir naquele momento não tinha de ser inovadora: tinha de ser verdadeira. E foi: Seu Pai celestial já sabe do que você precisa; portanto, não se preocupe. Palavras pronunciadas ao vento dois mil anos atrás, que pousaram em meu coração na hora certa.

Onde dói a sua dor, meu irmão, minha irmã? Onde você tem procurado respostas? Em maquiagens com cheiro de novo ou em verdades imutáveis, eternas e com cheiro de guardado? Talvez, no mundo das inovações não caibam realidades cristãs, portanto, cuidado com buscas infrutíferas. Lembre-se de que “a palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.25). Atenção a este verbo: permanece. Permanecer significa “continuar sendo; prosseguir existindo; conservar-se, ficar”. Portanto, a Palavra de Deus é sólida, rochosa, inabalável, que tem continuidade, que continua como antes. Não há novidades nas boas-novas de Cristo, não há inovações: ela é o que é. Muitas vezes, é justamente o ímpeto por inovar que acaba gerando heresias, desvios, tristeza, superficialidade, orgulho, arrogância, vaidade, distanciamento do evangelho.

novo-3Fica a recomendação de alguém que foi impactado por algo tão simples como flores e pássaros: cuidado com a tinta nova, pois ela pode desviar sua atenção do antigo que realmente importa. Se o ser humano gosta de inovações e surpresas, Deus gosta das boas e velhas verdades. Arrependimento. Perdão. Graça. Fé. Amor. Paz. Cruz. O que há de novo nisso?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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susto-1Lá para setembro do ano passado eu já sabia direitinho como seriam os meses seguintes de minha vida: eu mandaria pintar meu apartamento para viver nele mais 15 anos, passaria as férias de janeiro em Cabo Frio, minha esposa seguiria feliz e contente em seu trabalho, meu irmão continuaria seu serviço missionário na Espanha sem interrupções, meu pai e minha mãe prosseguiriam em sua vida tranquila de aposentados… tudo na paz e sem grandes preocupações. Sem sobressaltos. Era só seguir o fluxo dos dias e minha bem roteirizada vida permaneceria planejadinha e previsível. Que tolo, eu. Em pouco tempo, veio o furacão. A vida tranquila de meus pais sofreu um baque quando o estado parou de pagar seus salários, e em vez de pintar meu apartamento vi a necessidade de trazer meus pais para morar comigo, e por isso passei a procurar casa nova, e pusemos à venda o apartamento de meus pais, e minha esposa teve uma mudança drástica no trabalho, e tive de cancelar as férias, e meu pai acabou adoecendo e falecendo, e por isso meu irmão teve de voar correndo para o Brasil, e minha mãe passou a morar comigo e…

Acredite: se você me dissesse em setembro que minha vida em fevereiro seria como está hoje, eu riria. Não tinha como. Mas… teve. 

susto-4A coisa mais previsível da vida é que o imprevisível acontece. De repente, você dobra uma esquina e um piano cai em sua cabeça. De uma hora para outra, vem o Estado Islâmico e, quando você vê, não mora mais em uma cobertura duplex na Síria, mas em um campo de refugiados na Grécia. Sem nenhum aviso, o governo muda uma regra e você passa a receber um salário bem menor. Imprevistos que mudam tudo. Em pouco tempo, o que era confortavelmente estável tem de ser refeito, repensado, replanejado. E esses imprevisto, creia, são totalmente previsíveis. A Bíblia nos mostra isso com clareza. Penso em Jó, pobre homem. Vivia em paz, feliz, cercado de uma família maravilhosa, cheio de bens, deleitando-se no Senhor. Dias depois, estava arrebentado, em crise existencial. Quem poderia prever isso? Pedro sempre foi pescador e creio que acreditou que sempre seria, até que aparece um nazareno e faz dele um pescador de homens. Quem poderia prever isso? Davi estava no campo, pastoreando como possivelmente acreditava que sempre faria, quando chega um profeta e faz dele rei de uma nação. Quem poderia prever isso? 

Tiago discorreu sobre a imprevisibilidade da vida: “Prestem atenção, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos a determinada cidade e ficaremos lá um ano. Negociaremos ali e teremos lucro’. Como sabem o que será de sua vida amanhã? A vida é como a névoa ao amanhecer: aparece por um pouco e logo se dissipa. O que devem dizer é: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isso ou aquilo’. Caso contrário, estarão se orgulhando de seus planos pretensiosos, e toda presunção como essa é maligna” (Tg 4.13-16). 

susto-5Jesus contou uma parábola sobre essa realidade: “Um homem rico tinha uma propriedade fértil que produziu boas colheitas. Pensou consigo: ‘O que devo fazer? Não tenho espaço para toda a minha colheita’. Por fim, disse: ‘Já sei! Vou derrubar os celeiros e construir outros maiores. Assim terei espaço suficiente para todo o meu trigo e meus outros bens. Então direi a mim mesmo: Amigo, você guardou o suficiente para muitos anos. Agora descanse! Coma, beba e alegre-se!’. Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Você morrerá esta noite. E, então, quem ficará com o fruto do seu trabalho?’.” (Lc 12.16-21)

Meu irmão, minha irmã, tenha esta certeza: a vida humana transborda de incertezas. A paz pode se transformar em guerra a qualquer segundo. A tristeza pode se transformar em alegria sem aviso. A incerteza é certa. O imprevisível é previsível. Diante disso, dá para viver bem? Sim, dá. Basta estar alicerçado naquele em quem não há variação nem sombra de mudança (Tg 1.17), pois, passem céus e terra, suas palavras não passarão. Ele não muda (Ml 3.6; Hb 13.8). Se tudo é fugaz e flexível, Cristo segue inabalável, sólido, confiável. 

Seu salário diminuiu? Deus segue grande. Um parente morreu? Deus segue vivo. Seus planos foram frustrados? Os planos de Deus não podem ser frustrados. Sua vida virou uma grande confusão? Deus segue sendo de paz e não de confusão. Subitamente ficou tudo ruim? Deus segue sendo bom. Haja o que houver, Deus segue sendo Deus. 

susto-3O imprevisível é previsível. De uma hora para outra, qualquer coisa pode mudar. Felizmente, também é previsível que para Deus nada é imprevisível. Ele sabe tudo de antemão. Aquilo que nos surpreende estava claramente esquematizado e planejado na mente divina. Os grandes sustos e as reviravoltas da vida não assustam nem desestabilizam o Deus que já sabia que ocorreriam. Nada – nada! – surpreende o Senhor. Nada é imprevisível no entendimento divino. O Criador tem controle absoluto das mínimas coisas. Por essa razão, na hora em que o imprevisível pular à sua frente, mantenha-se firme e confie que ele não é maior do que o Deus que, previsivelmente, ama você, cuida de você e deseja conformar você à natureza de Cristo. Pois Deus sabe que, ao permitir que o imprevisível roube o seu fôlego, ele o estará conduzindo cada vez mais ao centro da sua divina vontade. 

Perceber isso faz-nos chegar, afinal, à grande conclusão: o imprevisível não existe. Nós é que não sabemos quais são os planos de Deus e, por essa razão, nos iludimos ao achar que aquilo que nos é surpreendente surpreende a Deus. Portanto, meu irmão, minha irmã, quando vier o imprevisível, glorifique o Senhor, por saber que, acima dos sustos e das mudanças, paira, gloriosa, a vontade absoluta, inquestionável e magnífica do Todo-poderoso. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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