Arquivo de março, 2012

Tenho conversado com algumas pessoas sobre casamento entre cristãos e curiosamente surgiram algumas divergências de opiniões. Infelizmente, alguns matrimônios não são bem-sucedidos. A taxa de divórcios entre cristãos e não cristãos é a mesma. Será que é porque casamos pelas razões erradas? Será que você sabe biblicamente por que um homem deve se unir a uma mulher e constituir uma família? Será que as igrejas estão orientando bem seus membros sobre como tomar essa decisão tão importante de modo bíblico? Se você está pensando em se casar, será que é pelas razões certas?

Sabendo que a família é a célula-mater da Igreja, esse é um assunto que não deve ser desprezado. Por isso o APENAS decidiu lançar pela primeira vez uma enquete para saber sua opinião. Na verdade, são duas perguntas. Primeiro queremos saber sua opinião sobre qual deve ser a grande motivação do cristão para se casar.

Em seguida, o APENAS gostaria de saber se, caso você não encontre logo uma pessoa que preencha o quesito que você assinalou na primeira pergunta, se você considera que deve-se casar assim mesmo ou esperar no tempo de Deus pela pessoa que atenda às suas expectativas, demore o tempo que for – mesmo que sejam anos.

Vote segundo o seu entendimento nos dois formulários abaixo e depois compare sua resposta com a dos seus irmãos. Em breve postaremos um texto sobre o assunto aqui no blog, com base nas respostas e trazendo aspectos bíblicos para a discussão. Mas primeiro queremos saber o que você pensa. Será que a voz do povo é mesmo a voz de Deus… ou não?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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por Eliana Neves (@elianapon), convidada especial do APENAS

Tenho 29 anos. Desde os 3 sofro de uma doença autoimune chamada “psoríase”, que provoca inflamação e descamação na pele. Não tem cura para a medicina. Seu controle depende de medicamentos pelo resto da vida. Também desde criança tenho enxaqueca, outra enfermidade para a qual a medicina desconhece a cura e cujo controle depende de tratamento pelo resto da vida. Nasci e cresci em um lar cristão. Dentro da igreja. E o fato é que desde criança já participei de inúmeras campanhas por cura. Campanhas de 7 semanas, de não sei quantos dias de jejum e oração… enfim, campanhas de todos os tipos. Meus pais, na ânsia de querer ver a filha sem dor e com uma pele saudável, me levavam em todo lugar em que tivesse um pastor que ministrasse cura. E, todas as vezes, sem exceção, eu ouvia ao final: “Você está curada, querida.  Creia!” , “Se você sentir dor novamente, é o diabo testando sua fé, repreenda!”, “Os sintomas estão aí, mas a cura já ocorreu, você tem que crer”, “Tome posse da cura”, “Eu decreto a sua cura, em nome de Jesus”. Eram momentos de muito entusiasmo, eu me lembro. Não faltavam “aleluias” e “glórias a Deus”.  Por fim, após certo tempo sem que houvesse a cura, eu escutava a mais cruel de todas as afirmações: “Você não foi curada porque não teve fé suficiente”.

Eu, ainda criança, não entendia essa afirmação dos irmãos, no sentido de já ter sido curada e continuar com os sintomas como um sinal de teste da minha fé. Como se Deus tivesse concedido a cura mas, depois de alguns dias, pelo fato de a minha fé não ser suficiente, tivesse tomado a cura de volta para Ele e me devolvido a enfermidade de novo. Quando mais velha, comecei a procurar algo que justificasse isso na Bíblia, mas eu não encontrava. Não havia coerência. E, o fato é que até hoje não encontrei, simplesmente porque é um ensinamento que vai contra tudo o que a Palavra de Deus ensina.

Ou melhor, não tinha encontrado. Até ler recentemente um livro que mudou meu entendimento. Seu título é A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO (de Maurício Zágari, editora Anno Domini).

Quando terminei a leitura de A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO (veja AQUI), pensei no quanto o sacerdote que escreveu o prefácio, Walter McAlister, estava certo quando escreveu  o seguinte: “Louvo a Deus pela coragem e a compaixão que este livro revela no seu autor”. Confesso que, antes de ler o livro, me perguntei o motivo pelo qual ele teria se referido a coragem. Mas, ao concluir a leitura, entendi. O livro revela coragem na medida em que desconstroi a falsa ideia de vitória pregada hoje no meio evangélico e defendida por sacerdotes que influenciam incontável número de cristãos. E, confesso, que já influenciaram a mim também.

Realmente não é fácil enfrentar uma heresia tão disseminada, sobretudo nos dias atuais, em que admitir que um cristão pode não obter aquilo que deseja de Deus, mesmo que tenha muita fé, chega a ser considerado uma blasfêmia por alguns. E, mais uma vez confirmando a afirmação de Walter McAlister, (premiado com 4 Prêmios Areté, inclusive “Livro do Ano”, por “O Fim de Uma Era“) percebi também que o livro, além de revelar a coragem de enfrentar a heresia triunfalista que contaminou nossas igrejas, revela compaixão pelo fato de consolar biblicamente aqueles que buscam uma vitória tão pregada hoje nas igrejas e que, não raramente, nunca acontece.

É claro que Deus cura, se Ele quiser. Mas, não é meu direito exigir isso dEle. Assim como não significa que um cristão nunca pode adoecer. E, aqui, cito uma frase do livro A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO: “Deus é Senhor, não nós”.

De fato, a heresia criada acerca da vida cristã sem problemas, além de desonrar a Deus, causa muito sofrimento ao cristão. Penso que, como eu, há muitos por aí. Certamente com problemas diferentes, familiares, de ordem financeira etc., mas também pedindo a Deus por um milagre que não aconteceu. E que só vai acontecer se o Senhor, que é soberano, assim quiser. O problema é que muitas dessas pessoas sofrem caladas na igreja de hoje, que prega apenas triunfalismo e usa a promessa de Jesus de vida abundante para distorcer o Evangelho e proclamar que cristão que é cristão de verdade vive de milagre.

E, não bastasse a existência de cristãos que sofrem sozinhos, a heresia traz para o seio da igreja milhares de pessoas que estão atrás de milagres, mas não de Jesus. Querem as bênçãos, mas não se comprometem com uma vida de luta contra o pecado. Afinal, Deus é bom e quer apenas a nossa felicidade. Crescem os evangélicos, mas não cresce o reino de Deus. Creio que, além de falsos mestres, há muitos cristãos bem intencionados que pregam esse “evangelho de vitória” porque assim foram ensinados.

E é aí que recomendo o livro A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO. Primeiro, porque o livro mostra, por intermédio de uma exposição bíblica maravilhosa, que absolutamente nada do que fizermos ou de quanta fé demonstrarmos ter fará com que tenhamos mérito em merecer alguma benção ou vitória de Deus. É tudo pela graça. Segundo, porque os cristãos bem intencionados que pregam um “evangelho” distorcido pelo fato de assim terem sido ensinados, poderão enfim entender o que a Bíblia expõe sobre o tema. Terceiro, porque aqueles cristãos que sofrem calados por não receberem a vitória que tanto almejam, perceberão que a graça de Deus lhes basta e que a verdadeira vitória do cristão é outra bem diferente – que só lendo o livro para saber qual é.  Neste aspecto, os relatos que o livro traz sobre os cristãos da igreja primitiva e os reformadores nos mostram o quanto o cristão está sujeito sim ao sofrimento enquanto estiver nesta terra. Esses relatos falaram muito ao meu coração.

Mas, além de tudo isso, o que mais me edificou neste livro foi o chamado de Deus para que voltemos os olhos àquilo que Sua Palavra diz. Para que, seguindo o exemplo dos cristãos da Igreja primitiva e dos reformadores, possamos nos desapegar dessa vida terrena e dos valores do mundo.

Encerro por aqui, pois, se fosse falar tudo o que esse livro me ensinou, o texto ficaria muito extenso.

O tema “vitória” necessita ser repensado à luz da Bíblia. Que A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO abençoe, instrua e console a muitos, assim como fez comigo. E que toda honra e toda glória sejam dadas apenas ao Senhor para sempre.

Eliana Neves, @elianapon no twitter (convidada especial do blog APENAS para fazer uma crítica sobre A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO por ter sido a primeira a adquirir o livro junto à editora).

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Eu já havia assistido ao vídeo sobre a vida de Zac Smith e me escangalhado de chorar ao vê-lo. Recentemente postei o texto Como lidar com perdas? e no espaço para os comentários o mano Luiz Felipe compartilhou esse mesmo vídeo. Fato é que Zac, um cristão casado e pai de três filhos, tinha câncer em estado terminal. Bem, assista ao vídeo – que tem menos de cinco minutos, você não vai se arrepender – e depois continuamos conversando:

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Sim, Deus é Deus e Deus é bom. Mas o que mais me chamou a atenção nesse vídeo é que Zac, que veio a falecer 1 ano e 8 meses após seu diagnóstico, termina dizendo: “A Deus seja a glória”. Isso foi o que arrancou-me lágrimas. Pois lembrou-me de algo muito concreto que aconteceu em minha vida. Já falo sobre isso.

Porque saber que Deus é Deus é fácil. Os demônios sabem. Saber que Deus é bom… basta ler João 3.16 para ter certeza. Agora… dar glória a Deus em meio a dores e à quase certeza da morte? Jesus… eis aí um ato de bravura, um genuíno ato cristão. Algo raro de se ver em nossos dias. Acostumados a um Deus venerado em eventos com nomes absurdos e marketeiros como “Vida Vitoriosa para Você”, os cristãos perderam o hábito de em tudo dar graças. Inimigos da fé vendem essa ideia de que vitória em Cristo é uma VIDA repleta de bençãos, sorrisos, alegria sem fim… e milhares acreditam. Aí quando a inevitável dor chega, os enganados pelos pregadores do triunfalismo e da prosperidade ficam se lamuriando, como se Deus fosse obrigado a lhes conceder benesses. “Senhor, mas eu sou teu servo!”, cobram os coitados que acreditaram na “Vida Vitoriosa para Você”. Peitam Deus, exigindo sua “vitória”. Não entenderam nada do Evangelho. Nada. Nada. Zac Smith entendeu.

Já ouvi muitos dizerem que a missão da Igreja é ganhar almas. Errado. Essa é uma de suas tarefas. A missão da Igreja sempre foi e sempre será GLORIFICAR DEUS. Na alegria, no júbilo ou no câncer. Ou no leito de um CTI.

Lembro do dia em que, há cerca de cinco anos, fui almoçar com colegas de trabalho e comi um frango à parmegiana em um restaurante cuja cozinha (a Vigilância Sanitária constatou numa blitz, mediante denúncia de minha esposa) parecia um aterro sanitário. Resultado: às 19h eu dava entrada na emergência do hospital. Diagnóstico: septicemia abdominal. Em português: infecção generalizada na cavidade abdominal. “Esse restaurante te serviu rato podre, tem que ir para o CTI AGORA”, me disse a médica de plantão. Lembro de como me contorcia em dores, de como tinha vontade de vomitar e ir ao banheiro, mas meu organismo por alguma razão se recusava a expelir as imundícies que me foram servidas naquele restaurante.

Não havia leitos disponíveis no CTI do hospital, então minha heróica esposa começou a brigar com o plano de saúde para conseguir uma transferência. Enquanto isso eu ficava ali, no leito da emergência, um soro espetado no braço e a agonia de contorções me impedindo de ficar parado. De tempos em tempos tiravam meu sangue. Queria despir-me de mim. Enfim, após muita luta, minha esposa conseguiu uma vaga numa clínica particular, a Santa Bárbara, pequena e desconhecida mas que merece meus aplausos.

A ambulância só chegou de manhã, devia ser algo em torno de 6h ou 7h. Passei a madrugada com dores horríveis, cólicas e insone. Me amarraram a uma maca e me levaram para a ambulância. Era uma manhã cinza e chuvosa, quase um clichê de cinema. Em 20 minutos estávamos na porta da clínica, onde fui desembarcado, ainda atado à maca, e conduzido com a chuva caindo sobre meu rosto do carro até a porta. Minha sensação ia do abandono ao sofrimento, um misto de sentimentos difícil de explicar. Fui conduzido por corredores e elevadores até o CTI, onde entrei e me levaram ao leito onde eu ficaria pelos três dias seguintes. No trajeto eu ia passando pelos demais pacientes internados, em sua maioria idosos, um cenário deprimente de corpos entubados, seres humanos monitorados por máquinas e almas sem brilho no olhar.

Enfim me transferiram da maca para o leito, me deram remédios, os médicos me fizeram perguntas, fui furado, posto no soro, recebi medicamentos, fui atado a montes de fios e… acabou. Minha esposa foi obrigada a se despedir após eu mentir para ela, dizendo que estava tudo bem, e todos saíram. Fiquei só. O som do ambiente eram alguns “bipes” de máquinas e monitores cardíacos e uma voz que vinha de algum outro leito próximo e que pelos três dias que viriam pela frente me enlouqueceria com gemidos que soavam mais ou menos assim: “Aaaaaa-a-a-aaaaaaiiiiii… aaaaaaaiiiiiiiiiii… aaaaaaiiiiiiiiiiii…”.

Naquele momento… lembro-me como se fosse hoje: finalmente, as lágrimas desabaram de meus olhos, misturando-se à água da chuva, que ainda umedecia meu rosto, meus cabelos. Ali estava eu: em dores agonizantes, ouvindo a dor de outros,  com a incerteza do que iria acontecer, aos soluços, assolado por uma depressão enorme… e só.

Até então eu nunca tinha ouvido falar de Zac Smith. Mas, em meio à dor e ao sofrimento daquele instante, a mesma convicção que alcançaria aquele homem encheu meu coração. Lembro que me dei conta de que na verdade eu não estava só. Não, querido, querida, não pense que sou um supercrente ou um grande homem de Deus. Sou tão pó e cinza como qualquer um. Mas naquele instante fui inundado por uma convicção sobrenatural de que AQUELE era um dos momentos pelos quais eu ia aos cultos todo domingo, pelos quais eu levantava as mãos no louvor, ouvia as pregações. Ali me dei conta de como é fácil ser cristão quando há uma “Vida Vitoriosa para Você”, sem dor, de apenas ir a showzinhos gospel, participar de retiros e comer pizza com a galera da igreja depois do culto. Mas percebi que estava vivendo um momento kairos, um daqueles instantes em nossa vida em que Deus parece que vira e fala “taí, chegou o sofrimento, o que você tem a me dizer?”.

Fixei o olhar numa quina do teto, as lágrimas descendo, e comecei a glorificar Deus. E isso em meio a soluços e espasmos. Não me ache especial por ter feito isso. Pois o que fiz é nada menos do que o Senhor espera de TODOS os seus filhos: louvor na hora da dor, exaltação de Seu nome em meio à humilhação, glorificação que sai de lábios trêmulos de agonia, reconhecimento de Sua bondade e de seu amor na hora da tragédia. Deus não quer servos  que digam que Ele abriu mão de Sua soberania quando a desgraça vem. Deus quer servos que glorifiquem Seu Santo nome quando a desgraça vem. E naquele momento era como se o Espírito Santo dissesse: “E agora, Mauricio, murmuração ou glorificação?”. Não culpei Deus. Sabia que Deus era Deus e que Deus era bom. E optei por dar a Ele toda a glória que lhe é devida, pois Ele é digno, maravilhoso e supremo, a essência do amor: mesmo num leito de dor, choro e depressão, o Criador dos céus e da terra não deixou de ser o único merecedor de louvor, adoração e glória.

Não, a missão da Igreja não é ganhar almas. É glorificar Deus. Mas, mais do que isso, é glorificar Deus nas piores horas da vida. É para aprender isso que você vai à igreja, meu irmão, minha irmã. Para aprender que adoração não é ficar berrando em cultos cheios de raio laser e onde a tônica é “Vida Vitoriosa para Você”. Isso é um falso evangelho, não se deixe enganar. A Bíblia fala sobre o perfeito louvor. Minha teoria é que o perfeito louvor é aquele que sai de nossos corações, passa por nossos lábios e alcança o Céu nas piores horas de nossa vida. Quando temos tudo para dizer “maldito seja esse Deus injusto” mas em vez disso afirmamos: “Bendito seja o nome do Senhor, justo e digno, magnífico e magnânimo, rico em bondade e infinito em misericórdia. Glorificado seja!”

Três dias depois eu deixava o CTI. Mais magro, mais pálido e com os braços cheios de furos. Ainda me alimentava de papinhas e sopas. Sobrevivi. Saí andando da clínica e me lembro de ter admirado o primeiro raio de sol ao pisar na rua como uma dádiva. E meu louvor a Deus, depois daquela manhã, nunca foi igual a antes. Pois sei que sou barro em mãos santas, puras e gloriosas.  Parei de pecar? Não. Continuei cometendo erros? Todos os dias, como o ser humano que sou. Mas em meu coração falho e adâmico repousa desde então uma certeza que antes eu conhecia de ouvir falar e que a partir daquela manhã tornou-se concreta como rocha em minha vida: Deus é Deus e Deus é bom. A Deus seja a glória – independente das circunstâncias. Amém.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

(Dedico este post ao irmão Zac Smith e a todos aqueles que nos precederam na volta pra casa tendo compreendido qual é a verdadeira vitória do cristão e assim partiram sem murmurar contra Aquele que é digno de toda a honra e toda a glória).

Lamento, mas com perda não se lida: se sofre. “Que horror,  Zágari”, você poderia dizer, “não é bem assim”. Desculpe, mas é sim. É a pura verdade. Ao longo da nossa vida perdemos muitas coisas: bens materiais, tempo, crenças, saúde e, o que é mais precioso: pessoas. O parente que morreu. O irmão que foi morar em outro país. O amigo que te apunhalou pelas costas. A mulher amada que se casou com outro. A verdade crua é que, nessas situações, não há nada a se fazer. Exceto sofrer.

Eu sei, esse pensamento contraria o triunfalismo que é pregado em milhares de púlpitos brasileiros, segundo o qual sofrimento é para ímpio, crente não sofre. Mentira. Jesus, que era um homem de dores, nos prometeu aflições. Nos prometeu sofrimento. Nos disse que haveria perda.  “Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á.” (Mt 10.38, 39). Perda. Ela virá. E com ela, sofrimento. Prepare-se.

“Diga para quem está ao seu lado: Somos mais do que vencedores!”, bradarão os empolgadores de multidões. Mas quer saber a verdade nua e crua, meu irmão, minha irmã? Ao longo da sua vida você vai perder. Muitas coisas. Muitas pessoas. Estenderá a mão e não as alcançará. E vai sofrer por isso. Acostume-se: assim é a vida. Davi, o homem segundo  o coração de Deus, perdeu mais de um filho. O primeiro que teve com Bateseba morreu bebê. Absalão foi assassinado. Te convido a ouvir a voz do pai quando soube da perda, relatada em 2 Samuel 18.33. Mas não leia simplesmente o versículo. Sinta-o. Tente sentir o que se passava no mais íntimo do coração do homem segundo o coração de Deus: “Então, o rei, profundamente comovido, subiu à sala que estava por cima da porta e chorou; e, andando, dizia: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!”.

Quanta dor, meu Deus, quanta dor.

Perda. Dor. Lágrimas. Angústia. Sofrimento. Certos e garantidos na vida daqueles que amam o Senhor e que lhe são fieis.  Jó, “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal”, perdeu os sete filhos e as três filhas de forma terrível. Todos ao mesmo tempo e de maneira sangrenta. Morreram esmagados, sob os escombros de uma casa que desmoronou. Consegue nem que seja de longe imaginar (eu não consigo) o que sente um pai que perde dez filhos de uma vez estraçalhados por escombros? Dizem que a dor de perder um filho é a pior que há. Agora multiplique por dez e você terá uma vaga ideia do que o que o “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” sentiu. E, se ele passou por aquilo, por que conosco seria diferente? Eu, Mauricio Zágari, não chego à sola dos pés de Jó. Nem de longe sou um homem segundo o coração de Deus, como Davi, embora quisesse ser. E, apesar disso, desejo que minha vida seja um mar de rosas. E… confesse: você também quer. Petulantes que somos.

Duras palavras, meu irmão, minha irmã. Sei disso. Mas o descanso está apenas no porvir. Não há explicações para a perda, além da soberania de Deus, cujos caminhos são mais elevados que os nossos, que conhece todos os mistérios e cuja essência é o mais puro amor. Então como compreender isso?

Adeptos do Teísmo Aberto e da Teologia Relacional se chocam tanto com esse fato da vida, que o Deus amor permite tanto sofrimento, que preferiram forjar a explicação herética de que “nas perdas e tragédias Deus abriu mão de sua soberania e não participa”. Mentira. Deus nunca abriu mão de sua soberania, é atributo seu inseparável de seu Ser tanto quanto o amor. E do mesmo modo que o Senhor nunca deixaria de ser 100% amor, Ele nunca deixaria de ser 100% soberano. “Tá, Zágari, então como você explica as perdas e o sofrimento?”. Eu não explico, querido, querida. Sou incapaz e incompetente para compreender a mente de Deus. Sei que sofrerei perdas. Sei que sentirei dor. Sei que sofrerei. Sei que viverei lutos por pessoas que morreram e também por aquelas que seguem vivas, mas que perdemos. O que me cabe fazer? Fazer e dizer como Jó (Jó 1.21-23): “Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”.

Explicação não há. Há sim uma compreensão, que está em Romanos 9.14ss: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. (…) Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. (…) Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?”.

Você está vivo? Então prepare-se para ter perdas. Para sofrer. Prepare-se para o ai. Sim, você chorará. Prometer que só porque você é cristão e o Espírito habita em si isso não acontecerá é mentira triunfalista e antibíblica. Não creia nela.

Mas há um porém.

Uma simples promessa, escondida no meio de 66 livros, para aqueles que chegarem, doloridos, sofridos e vitoriosos, ao final da jornada: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. Essa é a esperança. Perderemos nesta vida. Ganharemos na próxima. Eis a essência do Evangelho.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Existem três tipos de escoteiros: do ar, do mar e básico (que faz atividades em terra). Quando era pré-adolescente, fui escoteiro do mar. Pois é, esse da foto aí ao lado sou eu mesmo. Todo fim de semana saía com meus companheiros para velejar pelas águas da Baía de Guanabara, no Rio, e participar de regatas ou outras atividades. Nunca peguei hepatite ou outra doença similar,  graças a Deus, apesar de ter caído inúmeras vezes nas águas imundas e oleosas da Baía. Geralmente saíamos em escaleres, que eram barcos para 8 a 12 pessoas, e eu fazia parte da Patrulha Lobo do Mar, que navegava num escaler da 2a Guerra Mundial, o Nimbus. Num barco dessa envergadura, cada um tem uma atribuição. Meu papel era o de proeiro, ou seja, aquele que cuida da proa e de tudo o que exige ali estar – detalhes que não vêm ao caso. Mas o que eu gostava mesmo era de sair ao mar não de escaler, mas de Optimist, um barquinho pequeno para apenas um tripulante.

No Optimist você é responsável por tudo. É quem comanda o leme, quem enfuna a vela, quem faz as vezes de “bomba d’água” (tira a água que entra no fundo da embarcação) e tudo o mais. O Optimist é uma delícia. Se você pega um bom vento consegue velocidades espetaculares e enquanto o vento empurra o barquinho a toda velocidade ele aderna (se inclina) e você pode, por exemplo, lançar todo seu corpo para o lado de fora e arrastar os cabelos pela água. É uma sensação gostosa e indescritível.

Fato é que estamos, eu e você, num barco chamado vida. Enfrentamos momentos de tormenta, de bonança, de ondas altas, de marolas, dias de céu azul e noites de raios e trovoadas.  Todos nós. O complicado é que nossas vidas não são como Optimists, em que temos controle absoluto de todas as funções, ela é um escaler (foto à esquerda). Só que num escaler não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Por ser uma embarcação grande, é impossível, por exemplo, estar na proa e no leme ao mesmo tempo. Ou cuidar da bujarrona (espécie de vela auxiliar) e tirar água do fundo do barco simultaneamente. Um  barco desses não sai do lugar se a vela não estiver levantada, pois ele é movido a vento (ou só remando, o que não é nada agradável – deixa bons calos nas mãos), então enfunar (erguer) a vela é fundamental. Só que fazer isso e deixar o leme solto vai levar a embarcação a qualquer direção para onde o vento soprar. Mas se você fica só no leme e não levanta a vela, dá direção ao barco mas ele vai ficar paradinho, paradinho… E aí, como fazer?

Quando eu era escoteiro, a função mais cobiçada no escaler era a de timoneiro: assumir o leme. Você fica sentadinho, o ventinho batendo no seu rosto, na sua confortável zona de segurança. E dá uma sensação de poder. É VOCÊ quem determina para onde vai o barco. Uma mexidinha e ele corre na direção oposta. Já erguer a vela não é algo que muitos queiram fazer. Pois é preciso puxar cabos com força, machuca a mão, exige esforço, doem os bíceps… não é mole não. Mas enfim a vela sobe até o topo do mastro o vento a infla e o escaler ganha velocidade.

Nossa vida com Deus é como velejar num escaler. Temos de optar que função assumir, não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Como dizia Cecilia Meireles, “ou se põe a luva ou se põe o anel”. E nesse barco há dois passageiros: você e Jesus. A pergunta que você tem de se fazer é: que função quero assumir? Ah! A tentação é logo pegar o leme. Dá mais segurança. VOCÊ controla seus rumos, seus caminhos, seu destino, sua trajetória. Sim, VOCÊ vira o senhor da sua vida, quem diz se ela vai para a esquerda ou para a direita. É uma zona de conforto, você põe a mão no leme e diz para onde quer que sua vida siga. E lhe digo uma coisa: é um direito seu. Você pode fazer isso. Você tem poder de decisão.

Só que…

No que você assume o leme sobra para Deus erguer a vela. Bem, Ele tem força e a ergue sem nenhuma dificuldade. Mas aí, com a vela enfunada e o barco em movimento, só resta ao Todo-Poderoso sentar e ficar observando o que você está fazendo. E, posso te garantir: Ele fará isso meio temeroso. Pois sabe exatamente o caminho do porto seguro, sabe onde estão as rochas submersas e os recifes de coral. Mas você não sabe.

Então, meu irmão, minha irmã, não seria mais sábio inverter as posições? Abrir mão de ter tanto controle sobre a sua vida e deixar Cristo assumir o leme? Eu sei, dá medo. Não sabemos o rumo que Ele vai tomar. Não sabemos quanto tempo levará até atracarmos em terra firme. Ficamos sentados observando, sem o controle da situação. Mas fizemos nossa parte! Levantamos a vela! E com isso o barco entra em movimento e o timoneiro consegue dar rumo à embarcação. Querido, querida, abra mão do leme. Não tema. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará” (Sl 37.5).  Essa é a proposta do Evangelho: rendição. Dependência. Esperança. Confiança. Fé.

Nas vezes em que arranquei o leme das mãos de Cristo sempre me espatifei contra as rochas. Eu não quero o leme, por mais confortável que seja. Quero apenas levantar a vela, ou seja, fazer a minha parte, e depois descansar no Senhor. Ele conhece o caminho. Ele conhece os perigos. Ele sabe como me levar aonde planejou me levar desde antes da fundação do mundo. Que o vento do Espírito sopre, eu faça minha parte levantando as velas e Jesus assuma o leme da minha vida. Essa é a única maneira de eu poder relaxar, me deitar na proa, deixar o Sol da Justiça aquecer meu rosto e desfrutar desse delicioso passeio chamado vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Tenho 40 anos. Na minha infância, quando alguém reproduzia o comportamento de outro a gente no colégio chamava de “macaco de imitação”. Não tenho certeza, mas creio que essa gíria já caiu em desuso, pois não vejo mais as crianças chamarem outras disso. De qualquer modo, sempre que observo alguém mimetizar o comportamento de outra pessoa, minha memória puxa lá do fundo do baú aquela gíria e a imagem de um bando de crianças apontando para outra e todas gritando juntas – no que em nossos dias seria bullying: “Macaco de imitação! Macaco de imitação! Macaco de imitação!”. Por mais estranho que possa soar, é exatamente assim que hoje em dia se forma um cristão: a pessoa é convertida, começa a frequentar a igreja e lá observa o que os irmãos fazem, como se comportam, que linguagem falam e como vivem sua relação com Deus. E aí passam a reproduzir esse comportamento crendo piamente que aquilo ali é ser cristão. Repare só: se o irmão é convertido em uma igreja do reteté vai sapatear e berrar “glórias” e “aleluias”. Se for em uma bem tradicional, vai achar que bater palmas na hora do louvor é pecado. Se for em um grupo alternativo, tipo igreja em lares, vai demonizar a Igreja institucional. Se for numa congregação emergente vai achar crente de terno e gravata uns fariseus. Se for num grupo de desigrejados vai jurar que “eu sigo Jesus e não religião”. E por aí vai. Sejamos honestos: somos belíssimos “macacos de imitação” na hora de definir o tipo de cristãos que seremos.

A grande questão é que isso é pura casca. Não mostra essência. Essa foto que você está vendo à esquerda somos eu e minha filhinha de um ano num culto. Sentamos no último banco, para que, se ela começasse a fazer barulho, eu pudesse sair rapidamente com ela do santuário sem atrapalhar a celebração. Obviamente, de lá era possível ver o que todos os demais na igreja estavam fazendo. Agora… observe o que ELA está fazendo. Na hora do louvor ela vê todo mundo na igreja levantando as mãos, olhando para o céu, batendo palmas e ela faz tudo igualzinho. E a foto não faz justiça à aparência de devocionalidade que ela exprime. Ela olha pro céu, fecha os olhinhos, mexe a boca como se estivesse orando e canta daquele  jeito que crianças de um ano cantam, balbuciando os sons. Em casa, ela tem uma boneca da Mônica que dança e se balança toda. Quando apertamos um botão no peito dela, o bonequinha para. Pois de vez em quando a boneca cai de costas no chão e parece estar estrebuchando. Aí eu brinco com a filhinha: “Expulsa o capeta dela, filha”, ao que a pequenina dá um tapa no peito da pobre Mônica e emite um gritinho, como se dissesse “sai!”. E a Mônica para na hora com a “manifestação” e fica quietinha, liberta de todos os “espíritos malignos”.

Bem, aí eu pergunto: será que em todos esses momentos a minha herdeira, que só fala “papai”, “mamã” e “sodadi”, está vivendo uma devocionalidade real? Será que ela está de fato louvando a Deus na igreja e libertando bonecas de demônios? A resposta é óbvia: não, ela não tem a menor noção do que está fazendo. Está apenas imitando os outros, como uma boa… macaquinha de imitação. Mas se você olha na hora do louvor… meu irmão, minha irmã…vai dizer que ela é a mais crente da igreja.

Infelizmente isso é o que está acontecendo em grande parte da Igreja evangélica brasileira de nossos dias. Os santuários, é fato, estão lotados. Mas, se você reparar… uma enorme parte de quem está ali não está em espírito e em verdade prestando culto ao Senhor (porque culto não se “assiste”, se “presta”, você tem essa noção?), mas macaqueando. Quem prega percebe isso com muita clareza. Por exemplo, ao final de uma pregação eu tenho por hábito levar a congregação a fechar os olhos, introspectar-se e refletir por poucos minutos sobre o que foi pregado. “Feche seus olhos, por favor e…”. Posso afirmar que em absolutamente todas as vezes em que fiz isso tive de pedir de novo: “Por favor, TODOS fechem os olhos e os mantenham fechados”, pois inevitavelmente vai haver uns quatro ou cinco que abrirão os olhos, darão uma espiada em volta, bocejarão, mexerão em algo de suas roupas, cochicharão algo com alguém que esteja ao lado… ou seja, não estão realmente preocupados em aproveitar aquele momento para praticar a introspecção e o religare com Deus. Que a meu ver é o momento mais importante de uma pregação: quando o pregador se cala e quem o ouviu reflete sobre o que escutou, aplicando o que eram palavras em sua vida, tornando-as ação.

Para que ler a Bíblia se tudo o que preciso fazer para transparecer que “sou cristão” é repetir dois ou três versículos que ouvi alguém dizer? Para que ser santo se basta escrever coisas no twitter ou no facebook que me deem uma aparência de santidade (de preferência, pondo na Bio “menina dos olhos de Deus” ou, como ouvi outro dia, “Filho do Deus Altísssimo”)? Para que orar se basta imitar os outros, fechar os olhos e erguer as mãos? Para que dar a outra face se para acharem que sou cristão basta macaquear um “a paz do Senhor”? Para que chorar com os que choram se basta macaquear um “vou orar por você”? Para que ter devocionalidade com Deus no seu quarto se ali não tem nenhum irmão para admirar suas macaqueadas? Melhor assistir ao futebol, à novela, ao BBB ou ao UFC. Não tem ninguém pra ver mesmo, né? Então fingir que ora pra quê?

Em casa minha filhinha macaquinho de imitação nunca levantou a mão sozinha com Deus na hora em que toca uma música de louvor. Mas quando o pai ouve ópera e brinca de Plácido Domingo cantando “Nessun Dorma” ela vira uma diva do municipal. Parece Maria Callas: mesma postura, mesmo gestual. Antes de comer, a família dá as mãos, ela na roda, e ao final todos dizem “amém”. E… adivinha só? Ela também diz “amém”. Não entendeu nada do que foi dito, nem ao menos entende por que todos deram as mãos. Mas como todos falaram ela também fala.

Quando o pai lê com ela a “Biblia das Crianças” e aponta o desenho ela sabe repetir direitinho o nome do personagem que ali está representado, por imitar aquele nome que papai já repetiu montes de vezes: “Jesus”. Mas não o conhece. Não sabe quem Ele é. Não tem uma relação de intimidade com Ele. Não põe em prática seus mandamentos. Mas é um belo macaquinho de imitação: “Quem é esse, filhinha?”. “Jesus!”. Mas se eu perguntar a ela QUEM É ESSE na plenitude da pergunta… ela ficaria me olhando com cara de boba, sem ter a menor ideia, pois apenas reproduz comportamentos cristãos. Com 1 ano de idade ela ainda não é uma cristã: não entende o plano de salvação, não foi convertida pelo Espirito de Deus, não vive o fruto do Espirito. Mas vai todo domingo à igreja, levanta a mão na hora do louvor, diz “amém” ao final das orações, reconhece quando lhe apontam “Jesus”. Mas vida com Deus? Zero.

Aí eu olho em volta. E, confesso, em alguns momentos os que se chamam pelo nome do Senhor agem de modo tão anticristão que me pergunto até que ponto estamos vivendo Cristo ou apenas somos macacos de imitação daqueles que deveriam dar a outra face, andar a segunda milha, pacificar, pagar o mal com o bem, não se vingar, amar o próximo como a si mesmo. E, como não sou o juiz do universo, me pergunto até que ponto eu mesmo não estou comendo bananas na hora da Ceia. Essa é uma reflexão que nunca devemos deixar de nos fazer: como está nossa devocionalidade? Feche os olhos (se puder) e pense: como está a SUA devocionalidade?

A resposta a essa pergunta está embutida na resposta a outra pergunta: você vive de fato Cristo em tudo o que faz e pensa ou apenas replica como um macaquinho de imitação o comportamento, os jargões e o modo de cultuar dos crentes? Pare. Pense. E responda a si mesmo. Para não ter de responder a Deus naquele grande e terrível dia em que estará face a face com o Criador.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Queridos irmãos e irmãs, como prometido vai aqui o resultado do sorteio para ganhar o livro “A Verdadeira Vitória do Cristão“, de autoria deste escritor, lançado terça-feira passada pela editora Anno Domini (www.editoraannodomini.com.br/livraria). Participaram ao todo 745 irmãos e irmãs pelo twitter e 2 pelos comentários do blog APENAS. Alguns queridos publicaram tantos tuítes desejando ganhar o sorteio que minha vontade era dar os livros de cara para eles, mas preciso manter a ética e seguir o que prometi, realizando um sorteio de fato. Assim, os cinco irmãos que foram contemplados (e, me perdoem, como sou um quarentão, não sou muito bom com esses sites de sorteio, então foi na base do papelzinho mesmo) são:

PC Amaral (@pcamaral)
Genilda Silva (@Genilda_Silva)
Projeto Spurgeon (@ProjetoSpurgeon)
Priscila Dinah (@prisciladinah)
kendi wakizaka (@kendiwakizaka)

Se você é um desses cinco, por favor passe pelos comentários deste post até a próxima 6a feira o endereço completo para envio do seu livro e eu repassarei para a editora, que mandará pelo correio.

Se você não foi sorteado nessa promoção, não desanime. Ainda dá tempo de participar da promoção que a própria editora Anno Domini (@AnnoDomini_) está fazendo no seu Facebook para presentear mais cinco irmãos com o livro. Além disso, o pessoal do blog/twitter @SerCristaoEh também está sorteando um exemplar.

Se você não for sorteado em nenhuma promoção, o livro “A Verdadeira Vitória do Cristão” está à disposição em diversas livrarias do país ou pelos serviços da editora: 0800-701-3490 (ligação grátis) ou pela loja virtual (clique AQUI).

Tendo você sido sorteado em alguma dessas promos ou se vier a adquirir o livro, oro a Deus para que ele venha a edificar muito a sua vida. Não custa lembrar as palavras de Walter McAlister, sacerdote e vencedor de 4 troféus no Prêmio Areté de literatura cristã e que escreveu o prefácio de “A Verdadeira Vitória do Cristão“. Suas palavram falam mais sobre o livro do que qualquer coisa que eu pudesse dizer a respeito:

A Verdadeira Vitória do Cristão é um livro indispensável para quem quer ter uma vida de vitória plena e bíblica em Cristo e para os que pregam e ensinam a Palavra de Deus. Louvo a Deus pela coragem e a compaixão que este livro revela no seu autor, Maurício Zágari. Sua exposição bíblica é maravilhosa. Seu relato das testemunhas e dos mártires da História da Igreja cristã, uma inspiração. Sua mensagem é clara, nos apruma, nos consola e nos chama para viver uma fé verdadeira e operante. Tenho certeza de que esta obra vai revolucionar um número incontável de vidas. Sei que para alguns será um consolo que lhes provocará lágrimas de alívio e renovará a sua fé no Deus da nossa salvação. Para outros, será um curso de desprendimento e mudará o seu modo de pensar, além de podar os galhos mortos da sua vida.”

A Verdadeira Vitória do Cristão é um livro que chega tarde para muitos, mas que, graças a Deus, enfim chegou. Eu o recomendo a todos, sem exceção. Recomendo-o principalmente àqueles que choram e se perguntam se Deus realmente está cuidando deles. Também será uma excelente leitura para quem está consternado por achar que vive uma vida abaixo da ideal. Os pastores, pregadores e mestres precisam obrigatoriamente ler este livro e refletir, para que certos males, já disseminados por muitos de nós, não continuem a ser perpetrados. A Verdadeira Vitória do Cristão é um autêntico ‘salva-vidas’. [...] Esta obra mostra aos supostos cristãos ‘derrotados’ que, segundo a Bíblia, eles são mais do que vencedores.”

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Praticamente já me acostumei. Na época em que dava aulas no seminário teológico, raros eram os alunos que me chamavam de “professor”. Creio que por a maioria de seus professores serem pastores, estavam condicionados a levantar o dedo e começar: “Mas, Pastor…”. No início eu corrigia. “Não sou Pastor, querido…”, mas depois de nove anos eu já deixava para lá. Aqui no APENAS e no twitter a história se repete: é curioso observar a quantidade de pessoas que me chamam de Pastor nos comentários e nos tuítes do twitter – embora no link “Quem sou eu” deixe bem claro que não passo de uma ovelhinha. Isso começou a acontecer com tanta frequência aqui no mundo virtual que passei a refletir sobre isso. E cheguei a uma conclusão triste.

Faltam referenciais para a Igreja evangélica brasileira. O povo leigo – eu e você – está carente de líderes que lhes edifiquem, exortem e consolem. A coisa está tão difícil, as referências pastorais vistas na grande mídia são tão funestas que o rebanho não tem exemplos dignos. Acabam buscando-os em pessoas como eu, que não passo de um avatar em apenas mais um blog da Internet. E isso está errado. Eu não deveria ser referencial para ninguém. Seu pastor sim. Pois foi ele quem Jesus escalou para cuidar de sua alma.

Quando os israelitas passaram muito tempo sem Moisés não demoraram a construir o bezerro de ouro. E, sem lideranças presentes ou sólidas, temos feito isso. Pois é um anseio natural a todo ser humano ter quem lhe aponte caminhos, instrua, aconselhe, abrace, dê o amor que um Pastor dedica a suas queridas ovelhinhas. Só que infelizmente uma enorme parcela dos pastores está longe, bem longe de ser referencial: em vez de serem exemplo, um reflexo de Cristo, são déspotas, desumanos, abusadores, interesseiros, alpinistas sociais, empresários da fé. E, acredite, o povo mais cedo ou mais tarde sente o cheiro de enxofre. O resultado natural é abandonar o aprisco daquele Pastor mal preparado e buscar outro. Dependendo da região em que se viva, é tão difícil encontrar bons exemplos no púlpito que muitos se desigrejam.

Certo leitor do APENAS me pediu meu e-mail. Passei para ele, que me contou dificuldades que estava enfrentando e pediu aconselhamento. Como sempre faço, a primeira pergunta que envio é a de praxe: “Você já conversou com seu Pastor sobre isso?”. E ele me deu uma resposta que me arrasou: “Não, porque da última vez que conversei sobre uma questão íntima com ele no dia seguinte a igreja inteira estava sabendo”. Aquilo rasgou meu coração. O Pastor acima de tudo deve ter a confiança do rebanho. Ele é uma figura paterna e nada pior do que um pai traidor. E há muitos mal preparados.

Há bastante irmãos que me escrevem com dúvidas bíblicas, questionamentos teológicos, pedem dicas de livros e coisas do gênero. E eu: “Já perguntou ao seu Pastor?”. E na maioria das vezes ouço: “Ele não tem preparo para responder” ou “ele não tem conhecimento suficiente”. E por aí vai. Outros contam seus dramas, choram, desabafam, buscam colo e ombro. Não me nego a dá-los. Mas por dentro me rasgo e me pergunto “onde estão os pastores dessas almas tão cheias de feridas, dores, histórias tristes, intenções suicidas, pecados, solidão, mágoas, desorientação?”.

Entenda que não estou pondo todos no mesmo saco. Muitos e muitos pastores são homens de Deus, vocacionados, que estudaram, se prepararam, leem bons livros constantemente, têm vidas de oração e leitura bíblica, são piedosos e humildes,  Pastores com “P” maiúsculo. Na igreja em que congrego mesmo tenho três pastores que são referência para mim. Homens simples, próximos, devotados, desprendidos, amorosos. Conheço com certa profundidade suas vidas pessoais e ponho não minha mão, mas meu corpo inteiro no fogo por eles. Mas muitos e muitos e muitos por esse Brasil afora não dispõem do privilégio de que eu disponho: não têm em seus pastores alguém em quem se espelhar. Se você tem seja muito grato a Deus.

E o que fazer? Pois há – neguem os desigrejados o quanto quiserem – uma unção especial sobre a vida dos autênticos pastores. Paulo falou aos efésios (Ef 4.11) sobre esse ministério, esse dom. Logo, desprezar o autêntico dom do pastoreio é pecado e é antibíblico. Precisamos de pastores. Sem pastores as ovelhas se desgarram. Mas que sejam homens de Deus, que saibam dizer ao povo não o que ele quer ouvir, mas o que ele precisa ouvir – a partir das Escrituras. Pastores não são psicólogos. Têm uma função excelente no Reino de Deus e seu chamado é sobrenatural, não é algo que se aprende.  Por isso, temos de orar ao Senhor da seara por vocações. Que o Senhor vocacione mais e mais homens para conduzir seu rebanho, que anda tão perdido ante o turbilhão de teologias espúrias, ensinamentos apócrifos, heresias, más intenções, sacerdotes de vida dúbia, e, me perdoem a dureza, ladrões e aproveitadores. Oremos ao Bom Pastor para que levante entre nós aqueles que nos levantarão quando estivermos caídos, E que nos livre não só do mal, mas dos maus.

Espero sinceramente e oro para que cada cristão deste país tenha um Pastor em quem confiar,  com quem contar, em quem se apoiar, que possa exortá-lo, que seja tudo do que uma ovelha precisa. Que tome o leão pela juba e arranque a ovelhinha de suas presas, para usar as palavras de Davi. Pois o que ouço de muitos irmãos é que o lobo entra no aprisco e os pastores ficam só sentados, mascando um chicletinho, observando inertes as ovelhas serem trucidadas pelas feras enquanto só se preocupam em aumentar seus templos, conseguir mais dizimistas,  trocar de carro todo ano, aparecer na TV e de preferência ganhar fama e projeção. Não sou eu quem digo isso. São os seus próprios membros. Que triste. Que triste. Que triste.

Ovelhas são pessoas. Pessoas são almas.  E como diz Walter McAlister, Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida, como registrado em seu livro “O Fim de Uma Era”, do ponto de vista humano o Pastor é “o responsável pelo destino eterno de almas humanas”. Meu Deus. Que responsabilidade! E muitos levam isso tão na flauta que suas ovelhas precisam recorrer a mim, um leigo, um simples membro de igreja, um zé-ninguém em termos ministeriais em busca de acolhimento, conselho e instrução  – que deveriam encontrar nas suas casas de fé.

Eu não sou Pastor. Mas se uma ovelha machucada chegar até mim, tenha a certeza de que vou, como ovelha, lamber cada uma de suas feridas. Esse não deveria ser meu papel. Mas se homens que foram chamados por Deus para sarar as feridas dão as costas a quem depende deles… deixar essas ovelhas balindo de dor à beira da estrada seria um gesto desumano e até anticristão.  Que Deus tenha misericórdia de seus filhinhos e lhes dê Pastores que cuidem de suas almas – e não blogueiros como eu, que não passam de avatares numa página fria da Internet.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Esta semana publiquei o post “A Verdadeira Vitória do Cristão“, em que contei como, ao folhear uma revista evangélica, dei de cara com um anúncio que fazia propaganda de um livro de um famoso telepastor brasileiro, defensor da Teologia da Prosperidade, que garantia que quem lesse aquela obra teria “vitória” certa em sua vida. O título do livro era “Vitória… alguma coisa“. Contei como aquilo mexeu comigo e como decidi fazer uma pesquisa na Bíblia sobre o significado real de “vitória” na vida do cristão. Para compreender exatamente o que quer dizer, por exemplo, “somos mais do que vencedores”. E relatei como iniciei uma extensa investigação nas Escrituras sobre o assunto – mania de jornalista que também é formado em Teologia – com descobertas que jogam no lixo milhares de pregações feitas todos os dias pelos pregadores do triunfalismo, da prosperidade, daqueles que prometem “lições de vitória” e outros da mesma estirpe.

O resultado foi a publicação, com lançamento esta semana, do livro “A Verdadeira Vitória do Cristão”, meu quarto livro pela editora Anno Domini, a mais premiada no último Prêmio Areté (a mais importante premiação literária cristã do país), prefaciado para minha honra por ninguém menos que Walter McAlister, ganhador de 4 Prêmios Areté, entre eles “Livro do Ano” e “Autor Nacional do Ano”, por seus livros “O Fim de Uma Era” (foto à dir.) e “O Pai Nosso“. Quando ele leu meu livro fez questão de prefaciar o mesmo.

Pois bem. Reproduzo neste post trechos da introdução do livro, que considero tão missional que abri mão de receber um centavo sequer pelos direitos autorais. Essa é uma obra para quem quer entender exatamente o significado de “vitória” na Bíblia, para não se deixar enganar por pregações, livros, CDs e DVDs mentirosos, que prometem o que as Escrituras não prometem. É para quem não quer se deixar enganar e deseja alertar seus irmãos contra os lobos travestidos de cordeiro que pregam uma falsa vitória e um falso evangelho. Hoje reproduzo trechos da Introdução de “A Verdadeira Vitória do Cristão”, para você tomar mais intimidade com o conteúdo do livro. Segue abaixo, no trecho entre os dois banners:

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“‘A vitória é nossa, pelo sangue de Jesus!” Na igreja em que me converti ao Evangelho de Jesus Cristo, essa frase tradicionalmente encerrava todos os cultos, sob a batuta do celebrante e ecoada em alta voz por toda a congregação. Como um grito de guerra triunfal, garantia a todos os presentes uma subentendida vida vitoriosa, sem derrotas, de plenitude de conquistas, uma linha ascendente de êxito. Independentemente do seu significado teológico preciso, a afirmação – que é verdadeira e bíblica – era interpretada pelos membros da igreja como uma promessa de bênção no dia a dia de cada cristão. Sim, a vitória é nossa: na compra do carro, no dinheiro para o aluguel, na cura da doença, na libertação do marido alcoólatra, na conversão do filho traficante, no ganho da causa na justiça, na conquista do emprego e em todas as outras necessidades que tenhamos nesta vida – inclusive financeira. Líquido e certo.

Nos meus primeiros tempos como convertido, considerei aquilo fascinante e empolgante. Agora eu fazia parte de um grupo de elite para quem Jesus tinha conquistado a vitória ao dar seu sangue e minha vida prometia ser colorida, espetacularmente abençoada. Tudo de que eu precisava era ter fé e confiar que “a vitória já é certa”, e, com isso, “tomar posse da vitória” – porque, afinal, “sou filho do Rei!”.

Essa compreensão ganhava robustez a cada nova pregação a que eu assistia sobre vitória e toda vez que eu via programas ditos “evangélicos” na TV ou entrava nas livrarias do segmento. Afinal, a enxurrada de DVDs, livros, CDs de pregação e similares que traziam em seus títulos e temas a questão da vitória do crente em Jesus me soterrava o tempo todo com a certeza de que nasci para “ser cabeça e não cauda” e, seguindo a fórmula mágica aprendida com “lições de vitória” da vida de personagens bíblicos, teria os caminhos desimpedidos e a estrada para o sucesso e a tranquilidade escancarada à minha frente. Sim, a vitória era minha! (…) Ou seja: Jesus me garantia vitória, não importando o problema que eu tivesse. Cem por cento certo.

Porém, o tempo foi passando e comecei a perceber uma triste realidade, que em geral nós, cristãos, fingimos que não vemos ou então disfarçamos, mudamos de assunto. Inúmeras vezes, a compra do carro não sai como queremos, não conseguimos dinheiro para o aluguel, pessoas descem ao leito de morte sem nunca terem obtido a cura da doença, o marido permanece alcoólatra, o filho traficante é fuzilado sem ter se convertido, perde-se a causa na justiça, a empresa onde se desejava o emprego dá uma resposta negativa e muitas outras necessidades ou desejos que tenhamos nesta vida nunca são satisfeitos. Muitos financeiramente pobres se convertem ao Cristianismo, vivem uma vida de fé autêntica, sendo pobres, e deixam esta vida tão pobres como antes. Constatar esse fato foi um choque. Se Deus garantia a mim e a meus irmãos a vitória nesta vida, como explicar que diariamente eu e eles tivéssemos de encarar situações que evidenciavam a “derrota” em uma série de circunstâncias?

Explicações vinham de todos os lados, a maioria nada convincente: a fé foi pequena, Satanás sabotou minha bênção, eu não decretei a vitória, não pedi direito, não “tomei posse” da bênção e por aí vai. Com o tempo e a observação dos fatos inquestionáveis do cotidiano, essas explicações começaram a ganhar um sabor inconfundível de desculpa esfarrapada. E, se era garantido que eu teria a vitória se obedecesse aos “passos” ensinados e eu não a tinha em muitas situações, certamente a culpa era minha e não de Deus. Logo, vinham culpa, traumas e a sensação de derrota, incapacidade, incompetência. Se eu não saía “vitorioso” de alguma batalha, eu era o miserável responsável, um cristão incompleto, incompetente, néscio, inferior. Deus com certeza estava decepcionado comigo, pois Ele me dera a vitória e eu não conseguira – ou soubera – “tomar posse da bênção”. Muito pior era quando eu seguia à risca as “lições de vitória” e dava todos os “sete passos para vencer”, comparecia aos sete dias da “campanha da vitória”, mas não alcançava meus objetivos. O que, aos olhos daqueles ensinamentos, faziam de mim um derrotado total. E comecei a reparar que isso também acontecia com os irmãos ao meu redor. (…)

Foi então que pulou ante meus olhos a percepção de que “a vitória é nossa, pelo sangue de Jesus” não significava exatamente o que tinham me ensinado. A frase era correta segundo a Bíblia, mas seu sentido parecia não ter coerência. Decidi, então, ignorar os livros triunfalistas de autoajuda de televangelistas famosos que trazem “vitória” no título e investigar a fundo o significado desse conceito.

Para isso, comecei um extenso e demorado estudo do tema na Bíblia, buscando analisar os contextos e procurando o entendimento até mesmo nos originais. Espantei-me com o que encontrei. O resultado que apresento neste livro me surpreendeu principalmente por estar tão distante daquilo que a Igreja evangélica brasileira passou a ensinar. (…)

As constatações desse estudo estão expostas ao longo das próximas páginas. São conclusões que vão de encontro ao que vem sendo pregado nas igrejas evangélicas brasileiras, em especial nas neopentecostais, por aqueles que praticam o que passei a chamar de vitoriolatria – o culto à vitória. (…)

Este livro tem dois objetivos básicos. Primeiro, mostrar que não existem fórmulas para a vitória. De nada adianta seguir manuais evangélicos, pregações, livros, CDs e DVDs que prometem ensinar o caminho seguro para se alcançar o triunfo nas necessidades e lutas da nossa vida. Segundo, identificar qual é o real significado de vitória de acordo com a Bíblia.
Para construir esta obra, percorremos mais de 160 versículos bíblicos, investigamos muitas páginas de obras cristãs, exploramos regras de exegese e hermenêutica, viajamos aos tempos do Cristianismo primitivo. Aqui apresento em linguagem fácil e acessível a qualquer um cada passo da investigação, que é bastante detalhada. Mas que precisa ser assim, uma vez que a compreensão de verdades espirituais não pode ser feita, como é moda atualmente no Brasil, na base do achismo e de fórmulas fáceis. Muitas das quais correm por fora das verdades bíblicas.”

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Sem mais palavras, desejo a você, que tiver a ousadia de ler esta obra, que seja muito abençoado. Por isso faço esta divulgação sem nenhum constrangimento, uma vez que não vou ganhar um tostão com o livro. E ainda incentivo a que você leia e, se for edificado, dê de presente, recomende, indique, divulgue, retuite.

Se desejar, pode adquirir pelo site da editora (clique AQUI) ou ligando gratuitamente pelo 0800-701-3490. O livro é enviado pelo correio para sua casa. E oro a Deus que ele abençoe muito a sua vida, pois para isso é que foi escrito.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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