Arquivo da categoria ‘Prêmio Areté’

Hoje gostaria de refletir com você sobre um mal que assola todos nós. Para tanto, preciso começar explicando que semana passada recebi um prêmio por um livro que escrevi. O Prêmio Areté é uma premiação anual da Associação dos Editores Cristãos do Brasil, uma espécie de “Oscar” da literatura cristã em nosso país. Meu livro “Confiança inabalável: Um livro para quem quer vencer o medo e a ansiedade” foi escolhido o melhor do ano na categoria “Melhor livro de meditação, oração e comunhão”. Você pode imaginar a avalanche de elogios e congratulações que recebi. E, com eles, começaram a brotar em meu coração alguns dos sentimentos mais destrutivos para um ser humano: vaidade e orgulho. Sim, é feio confessar isso, mas é a pura verdade e negar seria hipocrisia: por alguns instantes, eu cri que era digno de receber os louvores por esse feito. Felizmente, isso durou pouco tempo, pois, logo, o Espírito Santo soou o alarme. Quando me dei conta de que tais sentimentos estavam brotando em meu coração, parei. Silenciei. Afastei-me das vozes. E me pus em meu devido lugar. Sabe… absolutamente todos nós somos tentados na vaidade, na soberba, no orgulho. Todos! Eu, você e o resto da humanidade. A questão é: o que fazer quando essa erva daninha germina em nossa alma?

Como devemos lidar com as nossas qualidades? Quais são os pensamentos mais secretos que passam pela sua cabeça quando alguém diz que você é uma bênção, alguém maravilhoso, com capacidades extraordinárias? Como fica o seu coração quando dizem que a sua pregação foi sensacional, que você canta como ninguém, que o livro que escreveu mudou vidas, que seu conhecimento teológico é inigualável, que você é ótimo no que faz, que seus talentos o destacam dos demais? Essa é uma questão muito delicada e sempre presente na vida de um cristão, pois sabemos que a Bíblia nos ensina a humildade, enquanto nosso ego vive querendo nos exaltar. 

O grande problema da vaidade, do orgulho, da soberba, da altivez é que tais sentimentos fazem de nós idólatras e ladrões. Deus disse: “Não permitirei que meu nome seja manchado e não repartirei minha glória com outros” (Is 48.11, NVT). Toda glória e toda exaltação pertencem ao Criador e, se passamos a nos glorificar e a acreditar que devemos ser exaltados, nos tornamos ídolos no altar do nosso coração e roubamos a glória que pertence única e exclusivamente a Deus. Portanto, ao nos envaidecermos e nos ensoberbecermos, ferimos o primeiro e o sétimo mandamentos. Conclusão: vaidade e orgulho são cânceres para a alma. Se aceitamos isso em nossa vida, nos tornamos como Satanás, que, de modo prepotente, quis ser exaltado à revelia do Criador. 

Você poderia pensar: mas se eu tenho tais qualidades, qual seria o problema de aceitar os elogios, as bajulações, a exaltação? A resposta bíblica a essa questão veio de Tiago: “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu. Nele não há variação nem sombra de mudança” (Tg 1.17, NVT). O que isso quer dizer é que tudo o que temos de bom em nós não nos pertence, mas é concessão de Deus. Vou dar um exemplo. 

Você abre o filtro de água em sua casa num dia de calor escaldante e sacia a sua sede com aquele líquido maravilhoso, fresquinho e refrescante que sai da torneira. Então, vira-se para o cano que leva a água do rio até sua cozinha e começa a elogiá-lo: “Cano, como você é maravilhoso! Devo tanto a você, seu cano talentoso, que produz uma água tão gostosa! Bendito é você, cano, que gera a água que me dá vida!”. O cano vaidoso pode pensar: “Sim! Eu sou demais, veja como a MINHA água é inigualável!”. Já o cano humilde estranhará e responderá: “Mas, meu amigo, essa água não é minha, eu não tenho nenhum mérito na produção dela, tudo o que faço é ser um canal para que ela venha da fonte até você”. Meu irmão, minha irmã, eu e você somos o cano. Deus é quem tem o mérito por produzir a água, construir o cano e o instalar no lugar certo, a fim de que funcionasse corretamente. Nosso papel é apenas conduzir a água da vida do manancial até os sedentos. Nosso mérito nisso? Nenhum. Assim como o cano não tem mérito algum pela água que transporta. 

Receber orgulhosamente o mérito por isso é querer ser manancial quando somos apenas cano. Também é roubar de quem nos criou e criou a água toda a glória pela existência da água e por nos ter posto na posição certa para conduzi-la. Somos canos rachados e enferrujados. Toda honra e toda glória são da fonte de águas vivas. 

Meu irmão, minha irmã, você fará muitas coisas bem feitas ao longo da vida. E isso é ótimo! Prepare-se da melhor forma possível e esforce-se ao máximo para realizar tudo com excelência. E tenha a certeza de que ações bem realizadas receberão elogios. Prêmios. Troféus. Muitos “parabéns” e louvores. E, nessas horas,  a semente da vaidade vai germinar. O orgulho brotará. Isso é líquido e certo. E não adianta negar, porque esses sentimentos brotam queiramos nós ou não. A questão é: regamos e adubamos essa planta comedora de almas ou a arrancamos pela raiz? A Bíblia responde: “O orgulho leva à desgraça, mas com a humildade vem a sabedoria” (Pv 11.2, NVT); “A arrogância precede a destruição; a humildade precede a honra” (Pv 18.12, NVT); “O orgulho termina em humilhação, mas a humildade alcança a honra” (Pv 29.23, NVT); “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria” (Tg 3.13, NVT). 

A tentação, esse broto recém-saído da semente, não é o problema. Nem novidade. É certo que imediatamente após o elogio virá a vaidade, pode ter certeza. Mas o grande xis da questão é que você não pode permitir que ela se instale em seu coração, pois, se permitir, o broto crescerá e se transformará na terrível árvore do pecado. E seus frutos são venenosos. Portanto, assim que você perceber a vaidade, o orgulho e a arrogância brotando dentro de si, esmague esses sentimentos antes que seja tarde. Sufoque-os. Mostre-lhes quem é que manda. E quem manda, lembre-se, não é você: é Deus. 

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O prêmio que recebi pelo “Confiança inabalável” não é meu. Foi Deus quem iluminou minha mente para que eu pusesse as ideias no papel. Uma equipe de 40 pessoas da editora Mundo Cristão trabalhou para que o livro existisse, da edição do texto à distribuição nas livrarias, eu não fiz o livro sozinho. Hernandes Dias Lopes escreveu o prefácio e William Douglas, a apresentação. E é o Espírito Santo quem usa as palavras do livro para tocar corações e transformar vidas. É uma obra cheia de contribuições e de dedos de outras pessoas, além de vir de Deus e ser usada por Deus no coração de cada leitor. Por que, então, eu deveria ter vaidade? O que justificaria eu ter orgulho? Sou cano! Deus é quem idealiza, distribui os dons e talentos, ilumina mentes, usa o resultado na edificação de vidas… Tudo vem dele, para ele. A Deus a honra, a glória, o louvor, a exaltação. Ele é digno, bom, justo, soberano, maravilhoso, inigualável. E eu? Eu sou indigno, mau, falho, imperfeito, pecador, desesperadamente carente da graça de Deus. 

Meu irmão, minha irmã, quando vier a vaidade, lembre-se de que você é cano. Quando muitos te elogiarem e te abraçarem com os olhinhos brilhando, lembre-se: cano. Quando te exaltarem, te seguirem aos milhares no facebook, te abraçarem emocionados por tirar uma foto com você, escreverem e falarem palavras de louvor às tuas grandes qualidades, sussurre baixinho para não se permitir esquecer: “CANO…”. 

Cano… 

Cano…

Cano. 

Só a Deus a glória. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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CHABPOLIN 1Gostei muito quando assisti a uma entrevista do ator mexicano Roberto Bolaños, conhecido por interpretar os personagens Chaves e Chapolin na televisão, pois ele disse algo que sempre pensei. Indagado sobre o que  achava de heróis como Superman e He-Man, ele respondeu: “Eles não são heróis. Herói é Chapolin Colorado. O heroísmo não consiste em não sentir medo, e sim em superá-lo. Superman é um super-herói, é todo-poderoso, por isso não sente medo. Chapolin morre de medo e, consciente dessa deficiência, ele enfrenta o medo. Isso é ser um herói. E ele perde muitas vezes, o que é outra característica dos heróis”. A reflexão de Bolaños é muito boa. Quando escrevi a série de livros de ficção cristã que teve início com O enigma da Bíblia de Gutenberg, uma das características que fiz questão de manter em todos os livros é que Daniel, o protagonista e herói das aventuras, não é, nem de longe, perfeito: ele erra com frequência, mas aprende com suas falhas e se esforça por não mais errar. Achei pertinente Bolaños ter dito o que disse, pois eu sempre afirmei que Daniel era o herói dos livros justamente porque ele erra, é verdade, mas se recusa a estagnar no pecado e se arrepende, aprende com os erros e se esforça para não mais errar. O que é uma lição para a minha e a sua vida. 

Ao longo de sua trajetória, você ainda vai errar, e muito. Terá pensamentos inconfessáveis. Pecará por deixar de fazer o bem. Desobedecerá muito a Deus em nome de boas desculpas. Usará sua língua para o mal. Se encherá de orgulho. Desprezará o pobre. Sentirá inveja do rico. Desonrará pai e mãe. Desejará o mal de quem te fez mal. Odiará. Cobiçará. Incitará em vez de pacificar. Se envaidecerá. Negará Jesus com suas atitudes. Terá preguiça. Enganará pessoas. Fará coisas ainda piores. E, se disser que não fará nada disso, mentirá. Como eu posso afirmar? Simples: porque você não é um super-herói, é um mero mortal. E mortais pecam. 

jESUSA boa notícia é que você tem dois caminhos a seguir: pode se conformar em continuar cometendo seus pecados de estimação ou seguir pelo heroico caminho da resistência. Que você ainda vai pecar muito, isso é fato. A grande questão é: o que fará quando isso acontecer? O que aprenderá? Que estratégias desenvolverá para não voltar a cometer o mesmo erro? De que modo ter pecado o ajudará a não mais pecar? Se você extrair ensinamentos e aprendizado dos seus pecados, refletir sobre eles, criar mecanismos que o ajudem a evitar incorrer nas mesmas transgressões e conseguir de fato vencer as tentações… a meu ver, será um herói. 

O enigma da Biblia de GutembergJesus, na eternidade, era o super-herói maior. Para ele não havia nem kriptonita. Mas, ao encarnar como homem, ele tornou-se o herói da humanidade, pois, passível de pecar, não pecou. Tentado em tudo, não cedeu. Confrontado no deserto por seu arqui-inimigo, o derrotou pelo poder da Palavra. Jesus nos deu o exemplo maior de heroísmo e provou que é possível ser um herói. Você pode. Deus te deu conhecimento de sua vontade. Deu domínio próprio. Deu seu Espírito. De que mais você precisa? Certa vez, me perguntaram em quem eu havia me inspirado para criar o Daniel, o herói de meus livros de ficção, que erra mas aprende, se arrepende e, depois, faz a coisa certa. Na hora, respondi: “em ninguém”. Hoje, percebo que respondi errado.

Eu me inspirei em alguém, sim: em mim e em você, os chapolins da vida real. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo, como já citei anteriormente aqui no APENAS, daqui a alguns dias será lançado meu novo livro, “O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios“. Em função disso, venho refletindo há muito tempo sobre o tema. A Mundo Cristão me pediu que desse uma entrevista para o blog da Editora, dando uma palinha sobre o que será o livro e aspectos da questão de que ele trata. Por conter reflexões que julgo ser muito importantes para quem está atravessando períodos de sofrimento, já divulguei por meu perfil no Facebook a entrevista. Como, porém, mais de mil assinantes do APENAS não me acompanham pelo facebook.com/mauriciozagariescritor, decidi compartilhar também por aqui a entrevista, na esperança que lance raios de luz em espaços sombrios da vida de quem esteja atravessando momentos difíceis. Paz a todos vocês que estão em Cristo,
mz

Maurício Zágari, em entrevista à MC, fala sobre “O fim do sofrimento”

entrevista maurício zágari

Confira nossa conversa com o autor e saiba mais sobre o livro que aborda um dos temas mais delicados da experiência humana.


Maurício Zágari. Teólogo, jornalista, editor, autor, professor, esposo, pai. São muitas as experiências que fazem desse jovem escritor de 43 anos, fluminense de Nova Friburgo (RJ), uma pessoa que se comunica com facilidade e clareza e que, por meio de seus artigos e publicações, toca o coração de uma multidão de leitores que encontra alento, direcionamento, ânimo e motivação em seus textos sempre pautados pela Palavra de Deus.

Vencedor do Prêmio Areté nas categorias “Autor revelação” e “Melhor livro de ficção/romance” por O Enigma da Bíblia de Gutemberg (2010), Maurício é o autor de Perdão Total – um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, lançado pela Mundo Cristão em 2014, publicação que logo se tornou em sucesso de vendas no Brasil.

Em 2015, uma nova obra do autor chega às livrarias – O fim do sofrimento: um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. Nele, Zágari aborda o tema o fim do sofrimento a partir duas perspectivas: o fim como finalidade e propósito; e o fim como término e extinção do tempo de luta e de dor. Estruturado em torno de trinta afirmações que pessoas em sofrimento costumam expressar, a obra traz um conjunto de reflexões baseadas nas Escrituras e que têm por objetivo fortalecer e orientar todos aqueles que estão tristes, fracos ou abatidos.

Em entrevista à Equipe de Comunicação da Mundo Cristão, Maurício Zágari fala mais sobre o lançamento e sobre esse assunto delicado que permeia a experiência humana. Nela, o autor ainda esclarece o porquê de existência do sofrimento no mundo e dá orientação para quem está enfrentando a depressão. Confira!

Mundo Cristão:O fim do sofrimento”? O que o motivou a escrever um livro sobre esse tema?

Maurício Zágari: Decidi escrever essa obra por observar a angústia de multidões de pessoas que vivem os mais variados tipos de sofrimento sem saber como encontrar alívio, consolo e paz. Elas sofrem, choram, se entristecem, se deprimem e não enxergam caminhos. O livro aponta esses caminhos com honestidade e fidelidade bíblicas, sem fazer falsas promessas. Meu intuito é levar o leitor a experimentar a paz em meio à dor, seja ela de corpo, seja de alma.

O fim do sofrimento tem dois objetivos principais. Primeiro, mostrar, à luz da verdade bíblica, por que um Deus bom permite que pessoas sofram. Segundo, oferecer respostas honestas, baseadas nas Escrituras, que tragam alívio para o fardo do sofrimento. É, portanto, um livro que oferece respostas para a mente mas, também, paz à alma.

MC: Sofrimento e fé podem caminhar juntos? O que dizer sobre determinadas abordagens triunfalistas que negam o sofrimento e o veem apenas como efeito de ações demoníacas ou como “punição” em resultado de alguma prática pecaminosa?

Maurício Zágari: Sofrimento e fé caminham juntos de Gênesis a Apocalipse. Ter fé não nos isenta de sofrer. Jesus tinha fé e não há quem possa negar que ele não tenha sofrido terrivelmente, a ponto de dizer “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal” (Mt 26.38). E, isso, antes mesmo de o prenderem e de começar o agonizante processo de tortura que durou até a cruz.

Os apóstolos também sofreram muito, apesar de terem uma fé tão grande a ponto de dar a vida pelo evangelho. Os mártires da Igreja primitiva são outro exemplo. Jó. Abraão. José. Moisés. Davi. Elias. Daniel. Jeremias. E tantas outras pessoas que conhecemos pelo relato bíblico e pela história da Igreja e que sofreram bastante, apesar de ter muita fé. É um fato inegável: ter fé não nos isenta de sofrer.

O chamado “triunfalismo” é um ensinamento de quem, lamentavelmente, não compreende o que a Bíblia fala sobre a questão do sofrimento ou sobre o modo de Deus agir. Espero que os irmãos que seguem essa doutrina venham a compreender o que a Escritura realmente diz sobre o assunto. Oro ao Senhor para que O fim do sofrimento seja um instrumento nas mãos de Deus para a transformação de corações e mentes.

MC: Mas… se Deus é bom e Todo-poderoso, por que então existe o sofrimento no mundo?

Maurício Zágari: O sofrimento é efeito colateral do pecado. Deus não é o culpado por nossas dores, o pecado é. Desde que Adão e Eva deram espaço à desobediência, a humanidade colhe os frutos amargos da transgressão. Repare que, quando Deus descreve ao primeiro casal quais seriam as consequências da Queda, ele menciona três vezes o sofrimento, como vemos em Gênesis 3.16-17.

No entanto, Deus não ficou apático ante a entrada do sofrimento no mundo. Justamente por ser infinitamente bondoso, gracioso, amoroso e misericordioso, ele decidiu desfazer esse mal, ao entregar Jesus para morrer pelos pecadores. Assim, aqueles que o recebem como Senhor e Salvador ganham, sem merecer, acesso a uma eternidade totalmente livre de sofrimento, dor, choro ou angústias.

“O fim do sofrimento” deixa claro que nossas aflições são uma vírgula em nossa história, não o ponto final. Teremos uma eternidade de paz e felicidade ao lado de Jesus. A questão é: o que devemos fazer enquanto estamos no olho do furacão, como agir para ter paz agora, quando o sofrimento nos agarra e parece não querer largar mais? É isso que o livro responde.

MC: No livro, você faz uma breve e importante abordagem sobre os dois principais tipos de depressão. Resumidamente, a depressão que é uma doença causada por alterações químicas do cérebro e a que é resultante do profundo abatimento da alma. Como distinguir uma da outra e como saber que é a melhor hora para buscarmos ajuda profissional e espiritual, respectivamente?

Maurício Zágari: Se alguém está sofrendo de depressão, o melhor momento para buscar ajuda é ontem. Depressão é um quadro que não permite adiar a procura por auxílio, pois ela é capaz de transformar uma pessoa em outra. E só quem pode dizer de que tipo de depressão sofremos é um médico psiquiatra. O especialista faz uma análise do caso e, se for diagnosticada a depressão, é preciso buscar tratamento. Dependendo de cada caso, há diferentes tipos de providências a tomar, sejam elas médicas, psicológicas ou espirituais. Isso é um assunto sério e deve ser visto com a gravidade que merece, sem misticismos ou irresponsabilidade.

MC: Na era das redes sociais, da publicidade e da busca incessante por satisfação e por estilos de vida que não condizem com a realidade da maioria das pessoas, saber que “ninguém é alegre o tempo todo” gera um choque e ao mesmo tempo um alivio. De que forma essa consciência pode libertar um indivíduo para vivenciar suas dores e lutas sem vergonha ou retraimento?

Maurício Zágari: Jesus deu a resposta: conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Temos de lidar com nossas dores e lutas dentro do que a Bíblia estabelece como sendo verdade e não segundo o que as novelas, os filmes de Hollywood, a propaganda e a cultura secular vendem como verdade. Só em Cristo, que é a verdade suprema, temos liberdade real e somos capazes de caminhar sem temer influências alheias à realidade conforme as Escrituras apresentam.

Ninguém é alegre o tempo todo. Isso é um fato da vida, pois é um fato bíblico. Nenhum ser humano apresentado nas Escrituras foi alegre o tempo todo. Nenhum. Vivemos sob o peso do mundo material e espiritual que nos cerca e da nossa carne — e não há como ser constantemente alegre debaixo dessa pressão. Mas, pela graça de Deus, somos habitação do Espírito Santo, que tem entre as virtudes de seu fruto a alegria. Por isso, é totalmente possível encontrarmos em Deus alegria e felicidade nos momentos mais sombrios. É o que O fim do sofrimento mostra.

MC: E sobre o fim do sofrimento num sentido de término e extinção. Saber que um dia Deus acabará com todos os sofrimentos da humanidade também é uma abordagem libertadora. Certo?

Maurício Zágari: Veja como a Bíblia descreve o futuro daqueles que vivem em Cristo: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.3-4).

Tem como não se emocionar, se alegrar e vibrar de alegria e felicidade ao ler essa afirmação? Essa é a promessa mais extraordinária, espetacular e maravilhosa das Escrituras! Vamos viver com o próprio Deus, em sua companhia pessoal, numa realidade sem tristezas, sem dor… sem sofrimento! Como nos mostra O fim do sofrimento, esse entendimento é esplendidamente libertador e deve nos dar forças para caminhar a cada dia, sabendo que o nosso destino final é pura glória e paz.

MC: Qual a sua mensagem para os leitores e, especialmente, para aqueles que estão atravessando momentos sombrios?

Maurício Zágari: Meu irmão, minha irmã, Deus não se esqueceu de você nem está alheio à sua dor. Ele entende e sente o que você está enfrentando e usa o seu sofrimento para uma finalidade maior. A Bíblia afirma que “os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2Co 4.17-18).

Abrace essa certeza, sabendo que tudo o que você está enfrentando hoje terá uma finalidade que resultará em glória. Que finalidade é essa? Não sei. Mas Deus sabe. E aquele que sabe todas as coisas é quem conduz você pessoalmente, rumo a um futuro de paz, alegria, felicidade e glória eternas. Tenha paciência, por saber que sua vida está em boas mãos: aquelas que foram cravadas numa cruz por amor a você.

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o fimNasci. O primeiro olhar para fora do ventre de minha mãe me assombrou: que mundo pavoroso era esse que se descortinava diante de meus olhos, acostumados ao conforto, à segurança e à certeza do útero materno? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas saí para o mundo e logo vi que aquela novidade não era o fim.

Comecei a engatinhar e meus pais passaram a me incentivar a andar sobre duas pernas. Me apavorei. Estava acostumado à segurança dos quatro pilares sobre os quais engatinhava; as alturas me amedrontavam. Achei que não sobreviveria a aquela mudança. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a caminhar e vi que aquela novidade não era o fim.

Minhas fraldas foram removidas e notei que, a cada vez que fazia o que sempre antes fizera na cama, tomava uma bronca dos meus pais. Como seria possível viver sem fazer xixi na hora em que bem entendo, no conforto da minha caminha?, espantei-me. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a fazer pipi no peniquinho e vi que aquela novidade não era o fim.

Fui matriculado numa escola e, no primeiro dia de aula, me desesperei quando vi meus pais saindo pela porta. Nunca tinha ficado sozinho, longe deles, com pessoas estranhas. Gritei e chorei, esperneei e dei escândalo. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas fui descobrindo as novidades do colégio, fazendo novas amizades e vi que aquela novidade não era o fim.

Aos poucos, as brincadeiras das aulas foram substituídas por lições e, em vez de me divertir, passei a ser cobrado, tinha de responder o que sabia numa prova, era muita cobrança e olhares tortos quando a nota aparecia em caneta vermelha em vez de azul. O que é isso, por que não posso simplesmente brincar? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a descobrir o prazer de aprender e vi que aquela novidade não era o fim.

Peguei caxumba. Sarampo. Catapora. Febres altíssimas faziam minha cabeça ficar como um balão. Como é possível, se nunca antes tive isso? Que sofrimento, que dor, que desamparo… “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas depois de remédios e repouso eu me recuperava e vi que aquela novidade não era o fim.

Mudei de escola. No primeiro dia de aula saí da sala para ir ao banheiro e o inspetor veio me dar bronca. Espantei-me por perceber que precisava, agora, pedir permissão até para isso. Gente nova. Cadeiras duras. Cadernos e livros. Cobranças e mais cobranças. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas o estudo foi adiante, a disciplina passou a ser praxe e vi que aquela novidade não era o fim.

Começaram a nascer pelos no meu rosto. Descobri que teria de roçar uma lâmina afiada na cara com frequência. O que tinha acontecido com aquela pele que nunca me dera trabalho, para que bastava lavar o rosto e estava tudo certo? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a me barbear com agilidade e ver que podia usar aquela habilidade para mudar minha aparência de tempos em tempos e vi que aquela novidade não era o fim.

Espinhas! Montanhas amarelas gigantescas passaram a brotar como erva daninha em minha pele, causando dor, abrindo crateras, sangrando, me deixando mais feio do que já era, me obrigando a ir a uma dermatologista e esfregar cremes fedorentos pelo corpo. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas passei a fazer limpeza de pele, evitar alimentos que estimulavam o nascimento de espinhas e a me acostumar com a nova aparência e vi que aquela novidade não era o fim.

Vestibular. O destino de uma vida sendo definido na ponta da caneta. Estresse. Estudos diários. Livros, cadernos, pilhas de anotações. Que desespero, os colegas se apavorando, os pais tensos. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas fiz as provas, passei e vi que aquela novidade não era o fim.

Faculdade. Novas pessoas. Novas disciplinas. Novo ambiente. Novos itinerários. Tudo novo. Tinha de tirar média sempre acima de 7 para manter a bolsa. O primeiro dia de aula me deu calafrios. Primeira nota: 3,5. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas comecei a estudar, descobrir as alegrias da carreira, a fazer novos amigos e vi que aquela novidade não era o fim.

Primeiro estágio. Convivência com profissionais. Ter chefe. Ter responsabilidades. A coisa agora era séria. A primeira reportagem que escrevi foi riscada de cima a baixo pelo meu chefe, que reescreveu tudo. Sentimento de incompetência. Será que dou para essa profissão? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo aprendi as tarefas, meus textos deixaram de ser tão rabiscados, o trabalho foi sendo reconhecido e vi que aquela novidade não era o fim.

Fui acordado certa noite pela minha família. Minha avó, morta em sua cama. Ajudei a trocar sua roupa, lágrimas saltando dos olhos. Desesperei-me com a perda de minha grande amiga. Como é possível nossos amados partirem assim? “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas a dor da perda com o tempo tornou-se uma gostosa lembrança e vi que aquela novidade não era o fim.

Primeiro emprego. Agora eu era um repórter e redator de um dos principais jornais do país. Responsabilidade maior, rotina diferente, plantões de fim de semana, entrevistas com pessoas importantes; um espanto. Tive medo dessa nova realidade, que prometia durar até a aposentadoria. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo me tornei um jornalista com domínio sobre a profissão e vi que aquela novidade não era o fim.

Meu único irmão partiu para uma viagem de dois meses para a Europa. Inesperadamente, conseguiu uma bolsa de pós-graduação e tornou-se residente fixo de um país do outro lado do oceano, numa era em que não havia internet. O vazio foi enorme: eu tinha perdido a unha da minha carne. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo aprendi a ser “filho único” e vi que aquela novidade não era o fim.

Mudança de emprego. De um jornal para outro. Do outro para a televisão. No primeiro dia na emissora, a apresentadora me pede paras “esqueletar um texto”. Que diabos é “esqueletar um texto”? Quem são essas pessoas ao meu lado? Como assim, tenho que pensar nas imagens para meus textos? Não sei nada! Socorro! “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo aprendi a fazer programas de televisão, depois virei editor e vi que aquela novidade não era o fim.

Dor. Diagnóstico: fibromialgia. Abrir mão de tocar violão, dirigir automóveis, carregar peso, digitar no computador. Prognóstico: incurável. Depressão. Dor. Tristeza. Dor. Mudanças. Dor. Falta de perspectiva. Dor. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo descobri que ou aprendia a lidar com aquilo ou desistia de viver e, assim, encontrei caminhos e vi que aquela novidade não era o fim.

Casamento. Casa nova, bairro novo, obrigações novas, igreja nova, contas, pregos na parede, reuniões de condomínio, responsabilidade, amar a esposa como Cristo amou a Igreja… ufa! “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas em pouco tempo descobri as alegrias da vida a dois e vi que aquela novidade não era o fim.

Arrisquei escrever um livro. Recusado por todas as editoras do universo. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Descobri que eu era um escritor medíocre. Incapaz. Desinteressante. Pensei em desistir. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, enfim, uma editora decidiu apostar no livro, que ganhou dois prêmios Areté, e vi que aquela novidade não era o fim.

Parabéns, você vai ser papai! De repente, surge um bebê nos meus braços. Choro. Fraldas. Choro. Dodói. Choro. Noites em claro. Choro. Responsabilidades. Pavor por ser responsável por uma vida. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas logo conheci as maravilhas da paternidade, senti o afeto de uma filha, descobri um amor que não se iguala a nada no mundo e vi que aquela novidade não era o fim.

Mudança de rumo: do jornalismo para o mundo editorial. De editor de televisão passei a ser chamado de editor de livros. Universo novo. Tarefas diferentes. Detalhes desconhecidos. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, logo, descobri a alegria de editar livros e vi que aquela novidade não era o fim.

Envelheci. Os cabelos ficaram brancos. A barba também. A pele perdeu o viço. O corpo deixou de acompanhar o ritmo da mente. Limites novos. Dificuldades crescentes. Agora eu era um senhor idoso. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, logo, descobri que a vivência e a maturidade trazem muita felicidade e vantagens e vi que aquela novidade não era o fim.

O tempo passou correndo. Onde está minha juventude? Cadê os anos, que não vi passarem? Espantei-me com a chegada do futuro e a distância cada vez maior entre o hoje e a aurora da minha vida. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, enfim, vi que minha vida tinha sido bem vivida, apesar de erros, pecados, tristezas e decepções, e vi que aquela novidade não era o fim.

Aposentadoria. Sentimento de inutilidade. Para que eu sirvo agora? Passei a ser tratado como um bibelô ou como um débil pelas pessoas. Olhares tortos de uma sociedade que despreza os mais velhos. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas descobri a alegria de ter tempo para viver, netos para desfrutar, coisas nunca antes realizadas a realizar e vi que aquela novidade não era o fim.

E, afinal, chegou o fim. Os olhos escureceram, o mundo sumiu, o corpo desmoronou, uma dor aguda seguida de silêncio. A única certeza da vida agora era um fato. Morri. Sim, a morte, finalmente, chegara. “Tenho medo do desconhecido, não quero não”, pensei. Mas, de repente, em meio à escuridão surge uma luz, e um homem sorridente aparece diante de mim. Com furos nas mãos e nos pés, e um olhar de puro amor, ele segura a minha mão.

E vi que aquela novidade não era o fim. Era apenas o começo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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De fato não é. É um agradecimento. Pois quero agradecer a você que tem tido a paciência de ler as minhas reflexões sobre a Igreja, a fé cristã e as coisas de Deus aqui no blog APENAS. Como? Agora que ele ultrapassou os 325.000 acessos, com exatamente 1 ano e 1 mês no ar, 1.240 assinantes e 174 textos publicados, faço questão de  agradecer pela sua companhia e pelo carinho que sempre teve com o blog. Por isso, conversei com a editora Anno Domini, que gentilmente concordou em presenteá-lo com um dos meus 4 livros já lançados (se quiser, pode clicar em cima do nome para saber mais sobre cada um):

A VERDADEIRA VITÓRIA DO CRISTÃO

O ENIGMA DA BÍBLIA DE GUTEMBERG

7 ENIGMAS E UM TESOURO

O MISTÉRIO DE CRUZ DAS ALMAS

Resolvi então fazer uma brincadeira, mas que vai também me ajudar a entender um pouco mais a cabeça do cristão brasileiro. É o seguinte: no final deste texto há uma lista com os 50 posts mais lidos do blog, embaralhados fora de ordem. Ou seja: você não sabe, tirando os três mais lidos, que constam na barra superior do blog, qual foi mais lido que qual.

O objetivo é você votar nos textos que mais impactaram a sua vida – e você pode votar em até 3 posts. Como a enquete não registra seu nome, o que você precisa fazer para concorrer é votar e, depois, no espaço dos comentários, simplesmente escrever seu nome e e-mail de contato. Eles serão anotados mas não publicados. Quando o blog chegar a 350.000 acessos (o que estimo que deve acontecer dentro de cerca de 15 dias) a votação estará encerrada e faremos o sorteio. Será sorteado um exemplar de cada livro entre todos os que votaram, ou seja, no total 4 leitores serão presenteados com um livro. Só é possível votar uma vez.

Ao final, divulgarei aqui no blog o nome dos vencedores e os 10 posts mais votados por vocês, na ordem do Top Ten.

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E um bônus…

Uma novidade: no próximo mês de agosto, a Anno Domini lança meu novo livro, O RITUAL, o quarto da série Geração Ação, que teve todos seus 3 livros já publicados indicados como finalistas do Prêmio Areté de excelência em literatura cristã, sendo que  O ENIGMA DA BÍBLIA DE GUTEMBERG  ganhou dois troféus: o de “Melhor Livro de Ficção e Romance” e o de “Autor Revelação do Ano”.

Pois o primeiríssimo exemplar de O RITUAL que chegar da gráfica será sorteado entre os irmãos que votarem.

O RITUAL tem prefácio de Nina Targino, Coordenadora Nacional do movimento Desperta Débora de mães que oram por seus filhos (http://www.despertadebora.com.br/) e você pode ler abaixo um trecho do mesmo.

O livro foi escrito a partir de entrevistas com 21 pastores de diferentes estados do Brasil, que responderam à pergunta: “Quais são os maiores desafios que os jovens da sua igreja enfrentam nos dias de hoje em sua vida de fé?”. Com as respostas, construí a história de O RITUAL, uma trama que envolve satanismo, amor, aventura, adrenalina, muita Bíblia e debates sobre a realidade dos jovens cristãos de nossos dias.

E aqui você pode ver, em primeiríssima mão, a capa de O RITUAL e, depois, o texto de contracapa, com o trecho do Prefácio de Nina Targino. E logo abaixo está a enquete para você votar e concorrer aos 5 livros.

Não esqueça: após assinalar os 3 posts do APENAS que mais te edificaram, vá até o final em clique no botão “VOTE” para que seus votos sejam computados. Obrigado por participar dessa brincadeira e que Deus te abençoe!

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Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.

É muito difícil falar das coisas que fazemos e produzimos. Em especial no nosso meio cristão, onde isso pode soar como soberba, autopromoção e atribuição de glórias a si e não a Deus – mesmo que essa não seja nossa intenção. Por isso, gosto quando alguém que não eu faz uma crítica educada e bem embasada de algo que produzimos, pois tira de nós a suspeição. Por exemplo: quando você escreve um livro e acredita que o seu conteúdo pode edificar e até transformar vidas, é natural que deseje que ele seja lido pelo maior número possível de pessoas, para que a mensagem seja passada adiante e ajude muitos a corrigirem erros que possam estar praticando (até mesmo sem saber) e a se tornarem cristãos mais próximos e íntimos de Deus. Ao escrever A Verdadeira Vitória do Cristão não foi diferente: acredito naquilo que escrevi e naturalmente meu desejo é que alcance o maior número possível de vidas, não seria hipócrita de negar isso. Também não é bem visto em nosso meio dizer o que vou dizer, mas o farei para que você entenda minhas intenções ao mencionar esse livro: não recebo um centavo sequer por ele, os meus direitos autorais foram todos doados. Não falo isso para que você pense que sou um cristão magnânimo, não sou, mas falo apenas para que entenda que divulgo essa obra e incentivo sua leitura por puro senso missional – e não por interesses financeiros.

Fato é que recebi pelos comentários do APENAS o texto abaixo do mano Ayres Filho, que leu o livro e me enviou essa crítica. Não sou fingidor, por isso deixo claro que reproduzo o texto – com autorização do autor – para incentivar você a, se ainda não leu, ler A Verdadeira Vitória do Cristão. Eu não conhecia Ayres, não pedi que ele escrevesse o texto e ele o fez voluntariamente. O reproduzo aqui por sentir que um comentário tão imparcial de alguém que nunca conheci pessoalmente poderia levar mais pessoas a se interessarem por sorver o que o livro diz e – queira Deus – perceberem por meio dessa leitura as muitas mentiras que vêm sendo pregadas e divulgadas por aí sobre o conceito bíblico de “vitória”. Sem mais, passo a palavra ao mano Ayres sobre A Verdadeira Vitória do Cristão:

* * *

Prezado Irmão em Cristo Zágari,

Confesso que não o conhecia, nem havia lido nenhum artigo seu, nem nenhum dos seus livros, até que chegou em minhas mãos o seu mais recente livro: A Verdadeira Vitória do Cristão. Através dele, cheguei ao seu blog, e cá estou para postar essa mensagem pra ti, na esperança de um retorno nesse espaço democrático.

Quero deixar registrado aqui o quanto foi impactante e ainda está sendo pra mim a sua leitura a respeito do conceito de “vitória” e de todas as apropriações errôneas cometidas por igrejas diversas e pastores diversos a repeito das pregações e práticas cristãs.

Ao lê-lo, imediatamente veio em meus pensamentos uma indentificação com os seus, sobretudo, na crítica pertinente e contundente de pregações e formas de se congregar na contemporaneidade. A cada lauda lida de seu livro, eu dizia pra mim mesmo: – É isso que penso, é isso que eu acho, só que nunca conseguir colocar em palavras esses pensamentos, que não são só pensamentos não, é mais que isso, são sensações, impressões quase que cinestésicas com relação o que a Bíblia afirma e o que os homens inventam sobre o Reino de Deus.

Estou extasiado com essa leitura e a tenho recomendado para alguns amigos cristãos e sobretudo os não cristãos. Seu livro me parece uma espécie de evangelização contemporânea alicerçada no real, no “papo reto”, no estudo, na pesquisa, e não numa cegueira e em ignorância espiritual.

Você trabalha a fé, o Deus vivo, mesmo com as nossas mazelas e impefeições humanas e que mesmo que para os olhos de muitos, estejamos “no erro” para as ditas “leis cristãs”, o Deus misericodioso pode conceder a benção, a graça, ou vitória, só Ele, e somente se Ele quiser, sem maiores avaliações de ação correta ou incorreta.

O mais bacana, (isso é uma leitura pessoal) percebo em seu discurso, que a “vitória” pode vir para ímpios, para justos, para agnósticos, ateus, que o fato do cidadão ser crente não lhe dá garantia de nada. É Deus que tem o plano, é Deus que tem o propósito, é Deus quem dá a vitória, sendo nós “certinhos” ou não. Já vi tanto ateu vitorioso e muito abençoado, que chega dar dó da sua estúpida compreensão de autossuficiência, achando que foi ele, ele e ele o responsável por aquelas “vitórias”.

Enfim, por último, gostaria de fazer uma analogia com Clarice Lispector de como me sinto ao lê-lo. Ela, a Clarice, tem o talento literário e a capacidade para materializar o abstrato em palavra. Clarice consegue dizer o indizível, mesmo quando ela diz que tem sentimentos que não cabem nas palavras. Ainda sim, ela encontra algo que preencha essa necessidade de dizer o que não pode ser dito. Seus escritos conseguem matrerializar aquilo que todo cristão sente e vive na carne , mas não confessa pra si, sem falar no receio da represália de seus pastores.

Obrigado pela prazerosa e realista leitura elucidativa. Serei doravante um leitor seu fiel, e adoraria conhecê-lo pessoalmente um dia para trocarmos impressões.

Carinhosamente,
Ayres Filho.

* * *

E aqui termina o texto do irmão Ayres. Eu, Zágari, espero que as palavras dele incentivem você a conhecer A Verdadeira Vitória do Cristão, a analisá-lo com olhar crítico e a ver se a perspectiva que hoje tem sobre as coisas de Deus confere com o que a Bíblia diz. Para saber mais sobre o livro, você pode ler o post que publiquei na semana do lançamento a respeito do conteúdo da obra (AQUI). Nele conto como ela nasceu, como surgiu a ideia de transformar um estudo pessoal num livro e reproduzo trechos do prefaciador: o escritor, sacerdote e teólogo Walter McAlister, vencedor de quatro Prêmios Areté (a premiação máxima da literatura cristã brasileira, que atesta a excelência das obras) por seu excepcional O Fim de Uma Era (que recebeu os troféus de “Livro do Ano”, “Autor Nacional” e “Melhor Livro de Vida Cristã) e pelo devocional “O Pai Nosso” (laureado com o troféu de “Melhor Livro de Inspiração/Meditação”).

Peço desculpas por este post não ser uma reflexão como as que costumo fazer aqui no APENAS, de edificação, consolo ou exortação. Mas se você decidir ler A Verdadeira Vitória do Cristão (também disponível pelo 0800-701-3490, ligação gratuita), tenho certeza que será mais abençoador que qualquer texto que já escrevi neste blog.

Oro a Deus que essa leitura edifique muito você, o transforme para melhor e o aproxime ainda mais de Deus. Que as palavras de A Verdadeira Vitória do Cristão mostrem a você qual é a vitória que verdadeiramente a Bíblia nos promete… e não a que os homens inventam.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Uma das maiores invenções da humanidade foram os livros. Não foi à toa que Deus escolheu tinta sobre papel para se revelar aos homens, pela Bíblia. Graças à literatura você consegue perpetuar conhecimento por milênios, passar ideias e emoções de geração a geração, fazer rir, chorar, se emocionar, aprender, crescer, viver. Sim, pois graças à Bíblia temos vida: é por ela que descobrimos o caminho da vida eterna, Jesus Cristo. Por isso amo livros e – confesso – tenho pena de quem diz que não gosta de ler, pois não sabe o que está perdendo. Foi esse amor pela literatura que me leva a passar para o papel aquilo que Deus põe em meu coração. Assim surgiram seis livros que escrevi: O Enigma da Bíblia de Gutemberg, 7 Enigmas e um Tesouro e O Mistério de Cruz das Almas (livros de ficção cristã publicados pela editora Anno Domini na série Geração Ação), A Verdadeira Vitória do Cristão (obra teológica que mostra qual é o real conceito bíblico de “vitória”, lançado no início deste ano), “O Ritual” (quarto livro da série Geração Ação, que será publicado no segundo semestre) e um último já escrito e aguardando aprovação da editora. Minha motivação para escrever todos esses livros foi unicamente edificar a Igreja, sem mais expectativas. Qual não foi então minha surpresa quando O Enigma da Bíblia de Gutemberg recebeu ano passado o Prêmio Areté de excelência em literatura cristã na categoria “Melhor Livro de Ficção/Romance”, 7 Enigmas e um Tesouro foi indicado na mesma categoria (e perdeu para o meu outro livro, pois curiosamente concorri contra mim mesmo) e ainda recebi o troféu de “Autor Revelação do Ano”, absolutamente imprevisto. E é sobre isso que quero falar: os imprevistos de Deus. Pois este ano o Senhor me surpreendeu novamente quando descobri que O Mistério de Cruz das Almas também foi indicado para o Prêmio Areté, o que pôs toda a trilogia inicial da série Geração Ação entre os melhores livros de ficção cristã do país, entre centenas de títulos. E aí eu digo aquilo que você muitas vezes já deve ter dito: “Por essa eu não esperava”.

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Na oração do Pai Nosso me chama muito a atenção a frase “…e livra-nos do mal”. Pode parecer um pedido normal. Mas você já parou para pensar quantas e quantas vezes Deus lhe livrou de perigos, situações desagradáveis, riscos, doenças e muito mais só por ter pedido isso a Ele… sem que você nem tomasse conhecimento? Aquele ônibus que passa direto, você ainda xinga o motorista mas sem que tenha conhecimento lá na frente ele será assaltado? Ou o pneu que fura, você fica irado e irritado, mas que se isso não tivesse ocorrido teria sido pego por um caminhão no próximo cruzamento? Ou ainda uma doença que te fez faltar àquela prova da escola e evitou que saísse na rua onde um vaso de plantas caído de uma janela do décimo andar de um prédio esmagaria sua cabeça?

Quando a Bíblia diz que os anjos do Senhor acampam ao nosso redor e nos livram isso não é brincadeira. Não os estamos vendo, mas constantemente Deus dá ordens a eles a nosso respeito, para que atuem e provoquem imprevistos. Situações que não esperamos. Mudanças de planos. Surpresas. Mas que se reverterão a nosso favor. Decisões divinas que nunca saberemos até que cheguemos à eternidade.

Os mistérios de Deus são insondáveis. Por que Ele decide por uma coisa e não outra compete única e exclusivamente a sua soberania. É um enigma. Ele é um Pai que dá peixe e pão aos seus filhos e não serpente e pedra. Primeiro porque Ele é bom e nos ama. Segundo porque aprouve a Ele fazê-lo. Explicações racionais não há. Por que o Criador do universo decide tocar os corações de um grupo de jurados da Associação Brasileira de Editores Cristãos para que todos os três livros que lancei de uma mesma série estivessem entre os considerados melhores do país? Não faço a mínima ideia. Certamente não é por vanglória ou para despertar vaidade no autor, pois isso iria contra os princípios bíblicos. Fiquei pensando nisso. Talvez porque Deus queira que com isso os livros se tornem mais conhecidos e, assim, sua mensagem de edificação alcance mais pessoas? Talvez. Mas a certeza eu nunca terei. A única certeza que isso me dá é que Ele é imprevisível e faz coisas que nunca imaginaríamos em nossa vida.

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Sei que Deus se preocupa conosco. E sei que Deus zela pela sua Igreja. O Enigma da Bíblia de Gutemberg aborda questões como o que significou o sacrifício de Cristo, respeito a pais e autoridades, nunca mentir, a importância da familia, não julgar pessoas por seu passado ignorando os frutos do presente e outros temas bíblicos. Já 7 Enigmas e um Tesouro trata de importância da amizade, não julgar as pessoas pela aparência, não fazer acepção de pessoas, namoro em jugo desigual, o peso do arrependimento quando se peca e outras coisas mais. E O Mistério de Cruz das Almas mostra biblicamente o risco de livros como “Harry Potter” e a série “Crepúsculo”, mostra o que a Bíblia diz sobre feitiçaria e criaturas das trevas, aborda a importância de missões, destaca como ter fé inabalável em Deus mesmo quando tudo vai mal é fundamental revela como estar antenado nos planos do Senhor para nossa vida e muito mais. E, algo essencial: toda a trilogia enfatiza a importância da oração e do estudo da Bíblia. Então, diante de tudo isso, suponho que essas indicações e prêmios vieram para que todos esses valores cristãos e todas essas mensagens que visam a levar a igreja a voltar a ser Igreja sejam mais difundidas, lidas, assimiladas e postas em prática na vida de milhares e milhares de cristãos e mesmo não cristãos.

Aliás, esse ponto é mais uma prova dos imprevistos de Deus. Escrevi essa série com cristãos em mente. Para edificação do Corpo de Cristo. Para ajudar no discipulado. Tanto que muitas igrejas os estão usando para trabalhar as questões que abordam com seus jovens e adolescentes. Tenho palestrado em algumas e visto o fruto da leitura dos livros: irmãos e irmãs que me procuram ao final para dizer que terminaram namoros equivocados, fizeram pazes com pessoas, compreenderam melhor o sacrifício de Cristo e muitas outras bênçãos vindas da reflexão que a leitura da trilogia provocou. Mas para minha surpresa…eis que Deus me surpreende novamente e descubro que há jovens e pastores usando os livros como instrumento de evangelismo. Nunca imaginei isso. Escrevi para cristãos. Mas muitos jovens têm presenteado amigos da escola, parentes, colegas da faculdade e outras pessoas com os livros em amigos ocultos, aniversários e ocasiões similares – uma forma sutil de passar a mensagem da Cruz embutida em obras que entretém, divertem e prendem a atenção por toda a ficção e a adrenalina que provocam. O imprevisto de Deus de novo em ação.

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Compartilhei com você a partir da minha experiência com a série Geração Ação como Deus tem me mostrado que Ele age de formas absolutamente imprevisível. Certamente você tem experiências para contar nesse sentido. Se nunca prestou atenção a isso, comece a ver no seu dia a dia fatos que ocorrem de modo totalmente sem expectativas e que mudam o rumo da sua vida. Se tiver o discernimento para isso, perceberá Deus intervindo na tua História. No meu caso, o maior ganho com as indicações e os prêmios recebidos pelos livros não foram os troféus de plástico e mármore (um até se espatifou no chão e teve de ser substituído). Pois essas coisas são perecíveis. O maior ganho foram as vidas que tomaram conhecimento dos livros por causa da premiação e a experiência que isso me proporcionou com Deus. Aprendi a entender melhor os imprevistos.

E descobri algo fundamental para a vida cristã: que aquilo que chamamos de “imprevistos”, para Deus é exatamente o que Ele tinha previsto fazer.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Normalmente aqui no APENAS eu discuto as coisas de Deus e da nossa fé. Mas este post será um pouco diferente: quero hoje viver a fé e não debater sobre ela. Você já vai entender. Farei isso após ter vivido uma experiência que me mostrou uma vez mais que Deus é absurdamente imprevisível. Ocorre que fui convidado para dar uma palestra sobre três livros que escrevi para a editora Anno Domini, voltados para jovens e adolescentes, no Congresso Anual do Ministério Despera Débora, que conta com 80 mil mulheres em todo o mundo em oração por seus filhos. Nina Targino, uma das pessoas mais doces que já conheci, é a coordenadora nacional desse ministério e escreveu o prefácio do quarto livro da série, chamado O RITUAL, que será lançado ainda este ano. Fiquei muito lisonjeado quando ela, e louvo a Deus por isso, leu os quatro livros e mostrou-se encantada pela série (chamada Série Geração Ação), disse-me que esses livros eram resposta de oração e me convidou para palestrar para as cerca de 500 coordenadoras do Desperta Débora em todo o país. Sendo assim, saí do Rio rumo a Belo Horizonte certo de que estava indo para falar. Mas mal sabia eu que estava indo para ouvir.

Cheguei ao evento, fiz a palestra sobre a série e ainda sorteamos exemplares de O Enigma da Bíblia de Gutemberg (livro vencedor dos prêmios Areté de excelência em literatura cristã nas categorias “Melhor Livro de Ficção/Romance” e também “Autor Revelação do Ano”), 7 Enigmas e um Tesouro (finalista do Prêmio Areté na mesma categoria) e O Mistério de Cruz das Almas. Estava feliz, foi uma grande festa, aquela alegria tradicional que ocorre em sorteios. Terminada minha participação, sentei ao lado de Nina para escutar a próxima preletora, uma senhora chamada Ivanise Espiridião da Silva. Eu não a conhecia. Como meu voo só saía dali a algumas horas, resolvi permanecer e ouvir o que ela falaria. Eu não sabia, mas dentro de poucos minutos Ivanise tiraria o sorriso de meu rosto e me faria chorar copiosamente.

Ela é ninguém menos que a presidente do Movimento Mães da Sé. É um grupo formado por pais cujos filhos desapareceram. Sumiram do mapa. E simplesmente as autoridades fazem pouco ou nada para encontrá-los. Como me contaria depois – na carona que lhe dei ao aeroporto -, quando sua filha Fabiana, de 13 anos, desapareceu, Ivanise procurou uma delegacia. O delegado simplesmente virou-se para ela e disse que não procuraria a jovem pois “ela deve estar em algum motel com o namoradinho”. E não fez nada. Nisso se passaram 16 anos e Fabiana continua desaparecida. Não. Fabiana não estava em motel algum: ela incorporou-se às cerca de estimadas 200 mil pessoas que somem por ano no Brasil (como Ivanise me contou, existem estatísticas oficiais no país até sobre roubo de carros, mas nenhuma sobre o desaparecimento de seres humanos. O que há são especulações a partir de dados de 13 anos atrás).

Ivanise fez sua palestra. Ela escreveu o texto e o leu, em meio a pausas e lágrimas. Ao final eu estava tão tocado e comovido que pedi a ela se poderia me ceder o texto para que eu o publicasse aqui no APENAS. Serei muito direto: meu objetivo é que você seja tocado como eu fui, entre no website do Mães da Sé e invista minutos do seu dia para ver se você consegue ajudar a identificar algum dos desaparecidos, cujos pais estão em desespero. Ouça agora as palavras que foram lidas com voz embargada por Ivanise e que silenciaram todos os presentes. É uma pena que sem o tom usado na leitura perca-se a prosódia dessa mãe desesperada:

“Dizem que sou uma mulher forte e corajosa, porém me sinto muitas vezes fragilizada pelas peças que a vida me pregou. Mas sou uma mulher abençoada por Deus, afinal Ele me deu dois grandes tesouros, minhas filhas, Fabiana e Fagna – lindas, inteligentes, tudo o que um dia sempre desejei: ter uma família formada com marido e filhos, já que venho de uma família de 10 irmãos. Filha de agricultores, nasci numa cidade no interior de Alagoas, hoje com 30 mil habitantes.

Nunca tive nenhum privilégio, trabalhei na roça até os 18 anos, quando casei e fui morar em São Paulo, uma megalópole. Como meu esposo trabalhava e eu ficava sozinha, logo quis ter filhos. Primeiro nasceu a Fabiana e, 11 meses depois, veio a Fagna. Minhas filhas foram o maior presente que ganhei do Senhor Jesus. E na minha concepção de felicidade eu tinha uma família feliz.

Até que, em 23 de dezembro de 1995, minha filha Fabiana saiu de casa acompanhada de uma colega de escola para visitar uma amiga que fazia aniversário aquele dia. No retorno para casa, desapareceu a cerca de 120 metros de distância de onde morávamos. Fabiana estava com 13 anos. Hoje minha filha tem 30 anos.

A partir daí minha vida transformou-se em um pesadelo. Iniciei minha busca. Durante três meses procurei minha filha sozinha, visitando hospitais, IML, hospitais psiquiátricos, pelas ruas e viadutos, principalmente na região central de São Paulo. Essa busca foi me desgastando física e psicologicamente. Cheguei à beira da loucura. A vida não tinha mais sentido para mim sem minha filha. Até que, num dia de desespero e muita dor, pedi ao Senhor Jesus que me mostrasse uma forma de poder esperar até o momento em que Ele achasse que estava preparada para encontrar minha filha, viva ou morta. Por acaso, uma amiga da faculdade me passou o telefone de uma organização que havia no Rio de Janeiro, o Centro Brasileiro em Defesa da Criança e do Adolescente, onde cadastrei minha filha.

Algumas semanas depois fui convidada para participar de uma novela que juntou ficção e realidade e mostrou depoimentos de mães que tinham os filhos desaparecidos. Durante as gravações, conheci outras mães que estavam passando pelo mesmo drama que eu. Juntamente com outra mãe que foi comigo gravar a novela demos início ao Movimento Mães da Sé, que nasceu em 31 de março de 1996.

Transformei minha dor em uma luta constante, não só pela minha filha, mas para ajudar outras mães que vivem o mesmo drama. Tenho aprendido muito com essa família numerosa que Deus me deu. Somos irmanadas pelo mesmo objetivo, que é encontrar nossos filhos. Afinal, o Estado nos deve essa resposta. Nossa luta é uma luta isolada, sofremos o total abandono do poder público.

Aprendi a sobreviver e não desistir, pois como mãe não posso jamais desistir da busca do único bem mais precioso que Deus me deu. Tenho travado uma longa e triste batalha com a vida, mas aprendi também que não existe causa perdida, pois a única causa perdida é aquela que você abandona.

Ainda não encontrei a minha Fabiana, mas já devolvi a alegria a 2.657 casos localizados com vida e 211 óbitos. Se Deus me levar hoje, irei em paz. Pois minha filha vive em cada uma dessas crianças e adultos que ajudei a voltar para suas famílias.

Ao longo desses 16 anos de luta, aprendi que é enfrentando as dificuldades que me fortaleço, é superando meus limites que cresço como pessoa, é tentando resolver os problemas que amadureço, é desafiando o perigo que encontro coragem para enfrentá-lo e descubro o quanto cresço quando exigem de mim mais do que as minhas próprias forças – o que muitas vezes está além dos meus limites.

Aprendi a valorizar cada  minuto que a vida me dá, pois ele é único: sendo bom ou ruim, jamais haverá outro igual. Por isso nunca penso naquilo que acabou, mas sim naquilo que valeu a pena enquanto durou.

Lembrar os 16 anos do Movimento Mães da Sé é, acima de tudo, um ato de continuidade da busca por justiça, dignidade e verdade. A nossa luta não se perdeu no caminho, tampouco é em vão. De tudo fica um pouco, que será suficiente para tecer o fio da memória – que serve para alimentar a luta por justiça e contar a violência do Estado.

É tempo de lembrar. E fazer da lembrança dos nossos filhos o combustível para a luta que continua até encontrarmos uma resposta. O resultado desse esquecimento vemos hoje, quando execuções sumárias, torturas e desaparecimentos forçados continuam a ser praticados, em número muito maior e atingindo muito mais pessoas, por agentes estatais. Nos recusamos a mais um esquecimento nessa triste história.

Há 16 anos iniciamos, dando os primeiros passos onde muitas mães, pais, irmãos e amigos que nos seguiram – mostrando que não podemos mais esperar por justiça deixando tudo por conta do Estado.

A dor integra a natureza de nosso trabalho. É em meio a nossa dor e nosso sofrimento que buscamos e recolhemos a solidariedade e o alento de nossos parceiros em nosso trabalho, que não só alivia nossa caminhada como amplia nossas vitórias e impõe-nos o compromisso de com eles nos congratularmos, ainda perguntando: para onde estão indo nossas crianças? Mantemos acesa a chama da esperança de um reencontro único, mesmo sem saber o dia e a hora em que ele possa acontecer.”

Aqui acabou o testemunho de Ivanise. Seguiram-se alguns instantes de silêncio e ela completou, de improviso:

– E você pode estar se perguntando o que tem isso a ver com o Congresso do Desperta Débora e por que eu vim aqui. Eu vim buscar forças. Eu vim buscar colo.

Desnecessário dizer a enorme comoção que se seguiu a essas palavras.

Se você puder, meu irmão, minha irmã, entre no website do Mães da Sé. Quem sabe você não será o responsável por devolver um filho aos seus pais desesperados? Use bem seu tempo na web. E divulgue esse trabalho. Quanto mais pessoas olharem as fotos dos desaparecidos, mais chance há de eles serem encontrados.

Na nossa ida ao aeroporto perguntei a Ivanise (foto) qual era a melhor forma de ajudar. E ela respondeu que era olhando o site para, quem sabe, se lembrar de alguém que você tenha visto em algum lugar e cujos pais estão destruídos pela falta de informações.

Esse é o melhor colo que você pode oferecer. E, ao ouvir o testemunho de Ivanise, vi que hoje era dia de o APENAS não falar sobre o Evangelho, mas vivê-lo em sua plentiude: amando o próximo.

Ame o próximo. Acesse agora www.maesdase.org.br. Você pode salvar vidas e devolver a alegria a famílias destruídas. Para qualquer informação, o telefone da sede do Movimento é (11) 3337-3331.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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