Arquivo da categoria ‘Teologia da Prosperidade’

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Existe muito debate em nossos dias com relação ao dízimo. Em grande parte, essa instituição cristã – que não foi questionada por séculos – começou a sofrer muitos ataques nas últimas décadas por causa de abusos cometidos por determinados segmentos que se dizem evangélicos e são adeptos da “teologia” da prosperidade. Esses abusos cometidos com relação aos dízimos e ofertas, capazes de chocar pessoas cristãs ou não cristãs, acabaram demonizando o dízimo e as ofertas fora da igreja e, até mesmo, em certos setores dentro dela própria. Ao ver os métodos absurdos que vêm sendo usados pelos tais para convencer fieis a dar dinheiro para igrejas, com argumentos antibíblicos, os não cristãos passaram a ver a entrega de dízimos e ofertas apenas como um golpe bem aplicado por líderes eclesiásticos espertalhões para enriquecer às custas da credulidade de incautos. Por outro lado, surgiu com toda força um movimento dentro da própria igreja que advoga que não é ordenança bíblica a entrega do dízimo em nossos dias. Pois bem: eu  entrego o meu dízimo. Mais do que isso: estou ensinando minha filha fazer o mesmo. E explico por quê.

Acredito que existem virtudes humanas e cristãs que se manifestam de forma muito mais enfática quando temos de mexer no bolso. Admitamos: poucas coisas na vida são tão importantes para o ser humano como o dinheiro. Trabalhamos, investimos, nos esforçamos e fazemos muitas coisas para poder receber nosso merecido dinheirinho. É com ele que compramos alimentos e outras necessidades básicas e também nos damos ao luxo do supérfluo, aquilo que, se não tivéssemos, não faria nenhuma diferença – mas que adoramos ter. Naturalmente, abrir mão de uma fatia dos rendimentos tira de nossas mãos a possibilidade de adquirir grande parte daquilo que queremos ter, por isso é tão difícil abrir mão de dez por centro de sua renda.

dinheiroEvidentemente, o primeiro argumento contra ou a favor do dízimo deve ser seu fundamento bíblico: seria a entrega do dízimo às igrejas um mandamento bíblico para os nossos dias? Na verdade, esse é o argumento que eu menos quero abordar aqui, pois não tenho nada de novo a trazer a esse debate quanto à canonicidade do dízimo. As discussões sobre isso já foram exaustivamente feitas e estão fartamente disponíveis na internet, você pode pesquisar e vai encontrar argumentos enfáticos contra e a favor do dízimo, com base em muitos argumentos bíblicos de um lado e de outro. Entrar por esse caminho aqui seria chover no molhado. Para esta argumentação, basta eu dizer que, pessoalmente, convenceram-me os argumentos de que, sim, o dízimo é um mandamento bíblico para os nossos dias. Mas há outras questões. Vamos supor que eu acreditasse que não houvesse uma ordem divina para que entregássemos o dízimo. Ainda assim eu ensinaria minha filha a entregá-lo, por diversos motivos. E são esses motivos que, acredito, conferem ao dízimo beleza e virtude.

criancas-259x300Primeiro, eu desejo que minha filha seja uma pessoa generosa. E a única maneira de se aprender a generosidade é abrindo mão daquilo que é importante para você. Não acredito que ninguém nasça generoso, basta você olhar as crianças pequenas, que batem e mordem umas às outras porque querem ficar com o brinquedo do momento. Vi isso repetidas vezes na escola de minha filha, quando ela e seus colegas se estapeavam na disputa por brinquedinhos, livros e outras coisas. Vejo isso sempre que me deparo com crianças no seus primeiros anos de vida. Portanto, acredito que generosidade é uma virtude que se aprende e se desenvolve. Tenho procurado ensinar minha filha a ser generosa, seja estimulando-a a doar parte de seus brinquedos e roupas, seja dividindo o lanche com os amigos, seja aproveitando qualquer oportunidade que eu tenho para dizer a ela que fico orgulhoso quando ela compartilha o que tem. Tenho lhe ensinado que melhor coisa é dar do que receber. Ela já tem seus cofrinhos, onde deposita moedinhas que recebe por uma ou outra razão, e quero ensiná-la a tirar parte dessas moedas para dar a outras pessoas e à igreja. Se isso for bem exercitado, creio estar contribuindo para fazer dela uma mulher generosa e caridosa.

Young woman walking with shopping bags, low sectionSegundo, não quero que minha filha seja uma pessoa materialista, isto é, que valoriza excessivamente os bens materiais e procura satisfação ou compensações em coisas, objetos. Tenho lhe ensinado que não devemos acumular tesouros nesta terra e isso passa por compreender que tudo aquilo que temos nesta vida é passageiro, não tem valor em si mesmo e é apenas um instrumento para coisas maiores, mais valiosas e eternas. Uma excelente maneira de ensiná-la a se desapegar dos bens materiais é mostrando o que verdadeiramente importa, para que ela consiga se desfazer, sem dor no coração, de objetos e valores. Por exemplo, eu jamais digo a ela, em nenhuma ocasião, que uma roupa que ela vista faz com que fique mais bonita; pelo contrário, sempre que ela chega toda orgulhosa para me mostrar uma roupa nova que ganhou eu digo: “Bebê, você deixou essa roupa linda!”. Assim, em tudo o que faço procuro mostrar-lhe o que verdadeiramente tem valor. E tenho ensinado que não se pode servir a Deus e às riquezas, sendo que riquezas se traduzem não só em dinheiro, mas naquilo que se pode acumular a partir do uso do dinheiro. Entregar o dízimo é uma excelente  forma de abrir mão de ter uma série de benefícios materiais em função de algo mais sublime.

ddddTerceiro, eu quero que ela entenda a importância da estrutura que sustenta a Igreja de Cristo nesta terra. Isso pode se referir a diversas coisas, como a igreja local, ministérios de ajuda humanitária, organizações missionárias e muitas outras iniciativas. Procuro mostrar a ela que essa estrutura só existe se nós, cristãos, contribuirmos materialmente para que elas continuem funcionando. Porque qualquer uma delas só é capaz de existir se houver quem a mantenha. Jamais vou ensinar a minha filha que ela deve entregar o dízimo à igreja como uma forma de barganhar bênçãos com Deus. Pelo contrário, vou lhe explicar que o dízimo ajuda a pagar a conta de luz da igreja, a pintar as paredes do santuário onde nos reunirmos, a sustentar os pastores que se dedicam a cuidar em tempo integral das ovelhas, a comprar cestas básicas para ajudar os mais necessitados, a financiar iniciativas que contribuíram para levar o evangelho a muitos lugares. Com isso, estou ensinando que a proclamação do evangelho neste mundo material em que vivemos depende de recursos que só virão daqueles que já foram alcançados pelo evangelho, sem que haja nenhum tom de interesse pessoal nisso; mas, sim, como uma expressão de amor pelo Reino de Deus.

Quarto, ao entregar o dízimo, ela está exercitando virtudes do fruto do espírito, como, por exemplo, o domínio próprio. Quando se deseja comprar algo com aquele dinheiro, é preciso autocontrole para se manter fiel ao propósito de contribuir financeiramente com o dízimo. Assim, quando é difícil tirar uma parcela do seu salário, entregar o dízimo nos ajuda a fazer aquilo que acreditamos acima daquilo que queremos. É um modo de negar-se a si mesmo para seguir após Cristo.

casa sobre a rochaQuinto, é preciso ter muita convicção do que se crê para ser um cristão no mundo de hoje. Não é fácil agir e defender os valores que nos conduzem diante de um mundo para o qual os preceitos bíblicos não fazem o menor sentido. Ao ensinar  minha filha a ser uma dizimista, também estou ensinando que ela deve agir segundo a sua fé e não segundo aquilo que todas as outras pessoas ao redor dizem que ela tem de fazer. Exercitar a entrega do dízimo quando começar a ganhar mesada e assumir isso na frente dos colegas de escola fortalecerá muito a sua firmeza e postura de nadar contra a corrente dos valores mundanos, mantendo-se firmemente alicerçada na rocha. Assim, no dia em que todas as suas amigas resolverem assumir um comportamento sexual em desacordo com a fé cristã, ela terá a capacidade de ser diferente, apesar das piadas e tudo mais que ouvirá. Ou no dia em que todos os amigos da faculdade forem fumar maconha numa festa, ela terá a firmeza de personalidade para não participar quando todos estiverem fumando juntos. Ou, ainda, no dia em que ela for trabalhar em uma empresa em que a maioria de seus colegas desonra a chefia ou até mesmo dá desfalques financeiros, ela conseguirá se manter íntegra e separada de tudo aquilo de errado que for feito ao seu redor. A entrega do dízimo já na infância é um excelente treinamento para fazer o que ninguém mais faz com a cabeça erguida e sem se deixar guiar pelos comentários e pelas críticas dos outros.

Essas são algumas razões que me levam a ensinar a minha filha a importância de entregar o dízimo. Peço a Deus que ela cresça compreendendo os verdadeiros motivos pelos quais nos desapegamos de uma parte da nossa renda, pois acredito firmemente que isso fará com que ela desenvolva muitas virtudes fundamentais para a vida de um cristão. Creio que é um preceito bíblico? Sim, creio. Mas, mesmo que não acreditasse nisso, eu daria o dízimo e estimularia todos que o fizessem, pois o desapego do dinheiro contribui para que qualquer um de nós manifeste qualidades que, simplesmente, não têm preço.

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.19-21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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AntenadosQueridos irmãos e irmãs em Cristo,

esta semana foi ao ar uma entrevista que concedi à rede Boas Novas de televisão sobre temas variados, como a situação da Igreja brasileira, a necessidade de perdoar e os erros que são cometidos sobre o assunto, como lidar biblicamente com o sofrimento, literatura cristã, ficção evangélica, práticas erradas em nosso meio e uma série de outras questões. Ontem a emissora disponibilizou os 4 blocos do programa no YouTube e penso que seria interessante compartilhar com vocês, caso aquilo que falamos edifique de alguma forma a sua vida. Seguem abaixo os links dos 4 blocos, que você pode assistir pelo computador ou pelo smartphone. Se você tiver o desejo de assistir, peço a Deus que abençoe a sua vida.

BLOCO 1

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BLOCO 2

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BLOCO 3

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BLOCO 4

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Successful-PeopleTodo mundo quer ter sucesso. Isso é um problema? De modo algum, é um desejo lícito. Almejar ser bem-sucedido, aliás, é parte da natureza humana, ninguém faz qualquer coisa para que dê errado e fracasse. Então, se você busca o sucesso, saiba que não está pecando nem cometendo nenhum mal. Só tem um enorme porém: temos de entender exatamente o que significa “sucesso” para um cristão, isto é, o que a Bíblia define ser um cristão bem-sucedido. Será que sucesso para um filho de Deus é a mesma coisa que para um não cristão? Quando fui buscar uma imagem para ilustrar este post fiz um acordo comigo mesmo: eu escreveria sucesso no Google e a primeira foto que surgisse nos resultados da pesquisa eu utilizaria. Pois a primeira fotografia que apareceu foi essa aí: um  homem no topo de uma montanha, braços erguidos, celebrando uma conquista do ego, algo obtido por seus próprios esforços, um feito que possivelmente lhe trará fama e fortuna. Outras imagens semelhantes surgiram no topo da página e serão as que utilizarei ao longo deste texto. Para pensarmos sobre o conceito cristão de sucesso, vou iniciar com um exemplo pessoal, que deflagrou esta reflexão.

Tenho refletido muito sobre essa questão de “sucesso” devido a algo que ocorreu semana passada: meu novo livro, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar esgotou a primeira edição, de 5 mil exemplares, apenas 17 dias após o lançamento oficial e menos de 30 dias após o lançamento real. Para que você entenda, no meio literário isso é um fato raro para obras de um autor desconhecido como eu, que não tem fama ou celebridade. Pois bem, quando a notícia foi divulgada, comecei a ouvir muitas vezes a palavra “sucesso”. No meu perfil no facebook (facebook.com/mauriciozagariescritor), irmãos e irmãs carinhosamente me deixaram recados celebrando esse “sucesso”. Um programa de rádio quis me entrevistar “devido ao sucesso do livro”, como o apresentador mesmo disse. Amigos que me encontraram pessoalmente gentilmente me parabenizaram pelo “sucesso”. Então essa coisa de “sucesso” começou a pipocar diante de mim nesses últimos dias e, naturalmente, passei a refletir sobre o assunto.

sucessoA pergunta é: a boa vendagem do meu livro em tão pouco tempo representa sucesso? A conclusão a que cheguei é: não. Pois entendo que sucesso depende da sua motivação e do seu objetivo ao realizar algo. Fui ao dicionário olhar e vi que a definição de “sucesso” é: “Resultado de ação ou empreendimento”. Ou seja, se um escritor lança um livro com a meta de ganhar o máximo de dinheiro que puder, tornar-se mais conhecido, receber elogios que alimentem sua vaidade e outros benefícios mundanos como esses, vender 5 mil exemplares em menos de um mês pode ser, sim, considerado sucesso, pois o resultado desse empreendimento atendeu ao desejo do coração do escritor. Mas, se a motivação dele ao escrever um livro é que os leitores sejam transformados, recebam alívio para seus fardos, entendam melhor o evangelho, alcancem paz de espírito e vivam de modo mais conformado a Cristo, vender muitos ou poucos exemplares não fará a menor diferença: o que realmente determinará o seu sucesso é se o conteúdo da obra, a sua mensagem, alcançou e transformou vidas – independentemente da quantidade de exemplares vendidos. Logo, segundo esse pensamento só poderei me considerar um autor de sucesso se eu vier a ouvir relatos de pessoas que conseguiram perdoar ou se perdoar por causa do que leram no Perdão Total. Aí, sim, minha oração será “Obrigado, Senhor, porque o livro foi um sucesso”.

Esse exemplo pessoal se aplica a tudo aquilo que realizamos. Permita-me te perguntar: por que você faz o que faz? Quais são as motivações do seu coração ao ir para o trabalho, ao estudar na escola, ao ir à igreja, ao pregar no púlpito, ao servir na obra de Deus, ao escrever em um blog, ao postar textos e fotos no facebook, ao pedir ao Senhor um(a) namorado(a), ao acordar pela manhã e viver mais um dia? Só ao responder com sinceridade essas perguntas você poderá determinar se é uma pessoa de sucesso ou não. Mais ainda: se somos cristãos, a nossa motivação sempre, sempre e sempre deve ser ajustada aos padrões bíblicos. Portanto, resultados positivos de empreendimentos que realizamos não farão de nós pessoas bem-sucedidas caso estejam em desacordo com a vontade de Deus. Permita-me dar alguns exemplos.

sucesso0O mundo estabelece como um dos principais fatores determinantes de sucesso o enriquecimento financeiro. Mas Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.19-20). Diante disso, se você estabelece como meta na vida ajuntar tesouros na terra, sem se preocupar em ajuntar tesouros no céu, por mais que se torne um bilionário você será um fracassado. Outro exemplo: a Bíblia estabelece numerosas vezes que o padrão cristão é não devolver mal com mal. “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens” (Rm 12.17); “Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos” (1Ts 5.15); “Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa” (Pv 17.13). Assim, por mais que alguém se considere bem-sucedido por ter conseguido se vingar de uma pessoa que lhe fez mal, diante de Deus ele será um grande fracasso.

sucesso2Os exemplos seriam muitos. Mas acredito que podemos resumir tudo o que a Bíblia define como sucesso em um único versículo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Assim, faça você o que fizer, se lucrou financeiramente, obteve fama, foi elogiado, recebeu aplausos ou o que for, mas não realizou seus empreendimentos tendo como finalidade primordial a glória de Deus… considere-se um enorme fracassado. Por outro lado, se você trabalha, estuda, produz, canta, prega, escreve, se casa, fatura, labuta na obra do Senhor ou faz qualquer outra coisa com a motivação de glorificar a Deus, então todas as suas conquistas serão estrondosos sucessos. E o que é glorificar a Deus? Em essência, é cumprir o grande mandamento: amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Portanto, tudo o que você realiza por amor ao Pai celestial e por amor ao seu próximo representa glória para o Senhor e faz de você um sucesso total.

E nunca podemos nos esquecer de uma realidade suprema: qualquer sucesso que tenhamos não é nosso, é de Deus. Tiago foi no cerne dessa verdade: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Se o seu “sucesso” te envaidecer ou te fizer orgulhoso, soberbo ou altivo, você é o maior dos fracassados, pois está se vangloriando por algo que nem mesmo é mérito seu: é fruto da graça de Deus.

sucesso5Escrevo livros e posts deste blog para abençoar a sua vida e tentar ajudar de algum modo a conformá-lo mais à imagem de Cristo. E faço isso por amor a Deus e por amor a você. Se meus escritos alcançam essa meta, então pode me considerar um homem de sucesso, a despeito de quantos de meus livros forem vendidos e de quantos assinantes tiver este blog. Isso é o que vale para mim. E para você? O que você faz tem por motivação Deus e o próximo ou sua própria vaidade ou o amor por si mesmo, pela fama e a fortuna? Responda isso com toda sinceridade e você descobrirá se é bem-sucedido ou um fracassado. Ah, sim, e para terminar este texto, deixei por último uma imagem do que eu considero sucesso para uma pessoa – não segundo o Google ou o senso comum da sociedade, mas segundo a Bíblia sagrada. Compare esta última foto com as demais que ilustram este post e diga qual representa mais “sucesso” para você. A sua escolha vai dizer muito sobre os conceitos que norteiam a sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

< Enquanto a segunda edição não chega da gráfica, o livro está disponível on-line na loja virtual da Saraiva: http://www.saraiva.com.br/perdao-total-8187731.html >

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Assisti absolutamente estarrecido aos telejornais na sexta-feira passada. As imagens da barbárie que foi a violência em diferentes cidades do Brasil, com atos de vandalismo, depredações, ofensas, agressões, confrontos, roubos de lojas, ataques a bancos e o cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos de bem me deixaram paralisado e de olhos marejados. O país que eu amo está em uma guerra civil descontrolada. Quando manifestações pacíficas por causas sociais justas degringolam e viram um caos primitivo e sanguinário é sinal de que o país precisa urgentemente de socorro. Assisti ao pronunciamento de nossa presidenta, em cadeia nacional de rádio e TV, em que ela desfilou uma lista bastante colorida de ações que pretende tomar para resolver os problemas. Achei tudo ótimo. Afinal, quem não gostaria, por exemplo, de ver todos os royalties do petróleo destinados à educação? Sou filho de professores do estado aposentados, há décadas anseio por escolas públicas melhores. Em 1987 fui às ruas – em manifestações pacíficas – pedir por isso e pela meia passagem para estudantes. Eu fui um cara-pintada da era Collor. Só que, depois de ouvir as possíveis soluções de nossa presidenta com um pouquinho de alegria dentro de mim, meu lado reflexivo me lembrou de uma triste realidade: nada do que ela propõe vai resolver nada.

Parei para pensar, quando terminou o show dos telejornais, que o que está acontecendo pelo Brasil afora não é um “a que ponto chegamos”, mas sim um “e lá vamos nós de novo”. O que vi na TV foi Caim matando Abel. Sodoma se corrompendo. Exércitos destroçando os povos vizinhos na antiga Palestina. Davi assassinando Urias. Diná sendo estuprada. Sansão estraçalhando filisteus. A Babilônia pondo Jerusalém abaixo. Jefté matando a própria filha. Jael cravando a cabeça de Sísera no chão com uma estaca. Jacó enganando seu irmão e seu pai e sendo enganado pelo sogro. Os irmãos vendendo José como escravo. Os primeiros cristãos sendo atirados aos leões. Inocentes queimados na fogueira da Inquisição. A igreja corrupta vendendo indulgências. As guerras entre católicos e protestantes. O papa de Roma amaldiçoando o patriarca de Constantinopla e o patriarca amaldiçoando o papa. As trevas da Idade Média. A corrupção do clero. O holocausto nazista. As invasões bárbaras. A Jihad islâmica. O martírio dos huguenotes na Guanabara. Índios dizimados. Negros escravizados. Pedofilia de padres. Teologia da Prosperidade de pastores. Gays querendo matar cristãos e cristãos querendo apedrejar gays. Cristãos ofendendo cristãos nas redes sociais.

Sim, minha conclusão, ao final dos telejornais, foi a mesma de Salomão três mil anos atrás: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1.9-10). Porque tudo o que está acontecendo no Brasil tem uma única causa, uma única explicação, uma única origem. Que é a mesma para toda essa lista de barbaridades e atos de violência que ocorrem desde que um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva caminharam sobre a terra:

Pecado.

Fiquei estarrecido, chocado, emocionado e abatido por tudo o que vi na TV. Mas não fiquei surpreso. Pois sei bem do que nós, seres humanos, somos capazes. Eu e você somos portadores dessa gangrena espiritual chamada pecado, que gera em nós sintomas como os que estão se manifestando entre as hordas de monstros que disseminaram a barbárie nos últimos dias pelo Brasil. Sim, o pecado faz de nós animais, bestas selvagens cuja única racionalidade é a irracionalidade. Todo pecado faz isso, todo. Eu ouvi cético às explicações dos jornalistas, comentaristas e entrevistados sobre as causas dos atos de brutalidade ocorridos em Salvador, Belém, Rio, São Paulo e tantas outras cidades. As análises são todas muito interessantes, mas a verdade é que a raiz de tudo o que vi, cada vidraça quebrada, cada gota de sangue derramado, cada poste derrubado, cada cabine da polícia incendiada… é esse terror invisível que carregamos dentro de nós chamado pecado.

E, por mais que tenha ficado alegre com as medidas que a presidenta diz que tomará, no fundo sei que nada adiantará. Porque tudo o que é feito no âmbito social fica no exterior do homem e, portanto, é paliativo. Qualquer atitude que se tome só vai amainar as coisas, nenhuma solução humana é solução. Pois o problema, a raiz, a origem de tudo isso é o pecado. E pecado não se resolve com canetadas, decretos ou mobilizações sociais. Só se resolve com Jesus de Nazaré.

Diante disso, fiquei pensando: qual é o nosso papel, como cristãos, diante desse cenário infernal que viraram nossas ruas? O que a Igreja (eu e você) devemos fazer? Organizar manifestações? Emitir notas públicas de repúdio? Eleger mais pastores em cargos públicos? Gritar palavras de ordem? Criar hashtags no Twitter? Escrever mais posts sobre a violência no Brasil em blogs? Nada disso. Tudo isso é correr contra o vento. Simplesmente porque nada disso elimina o pecado da humanidade. Se a Igreja quiser ser Igreja tem de lutar com as armas de quem foi “chamado para fora”. Ou seja: tem de lutar com armas diferentes das que usam os que “estão dentro”. Deixemos as marchas, passeatas, entrevistas coletivas, notas oficiais em sites institucionais e outras coisas do gênero para a sociedade não cristã. O nosso papel é proclamar Cristo. Pregar o evangelho. Anunciar as boas novas de salvação.

A lógica é simples e existe há dois mil anos: só existe uma cura para o pecado. O remédio se chama Jesus. Eu e você sabemos disso. O mundo não sabe. Por isso temos de levar essa cura aos que estão doentes. Contra os violentos levemos o Príncipe da Paz. Contra os sanguinários levemos o manso Cordeiro. Contra os depredadores levemos o reconstrutor. Contra os que matam levemos quem dá vida. Os royalties do petróleo não vão salvar do pecado os baderneiros mascarados. Nem bombas de gás lacrimogêneo. Tampouco tropas de choque. Projetos sociais menos ainda. A Copa do Mundo também não. Grupos de trabalho da presidência não tiram o pecado do mundo. Toda solução possível é apenas assoprar o ferimento, não arranca a raiz do problema.

Propor Jesus como solução para a crise no Brasil não é ser simplório. Não é ser ingênuo. Não é espiritualizar uma realidade concreta. Não é ser bobo. Propor Jesus como a solução do caos no Brasil é ser bíblico. É ser cristão. É propor a única cura possível para a única causa de tudo o que está acontecendo. Quer colaborar para o fim da violência em nosso país, meu irmão, minha irmã? Pregue a Cristo, e ele crucificado. Anuncie o evangelho verdadeiro. Proclame a salvação da cruz. Abra a boca! Homens livres do pecado, redimidos, restaurados, nascidos de novo não depredam, não roubam, não batem, não apedrejam, não incendeiam, não agridem, não ofendem, não machucam, não brigam, não matam. Homens livres do pecado são pacificadores, humildes de espírito; têm domínio próprio, amor, benignidade, bondade, olhos meigos e um tom de voz suave. São a imagem de Cristo.

As imagens da violência e da brutalidade em nosso país conclamam a mim e a você para a ação (recomendo a leitura do post “É tempo de orar”). Mas, se eu e você somos cristãos, a nossa ação não pode ser a mesma do mundo. O mundo sabe organizar manifestações, fazer grupos de trabalho e convocar mais policiais. Deixe o mundo fazer o que o mundo sabe fazer, pois essas são as soluções que ele conhece. Eu e você temos de fazer aquilo que o mundo não sabe: proclamar Deus. Brilhar a luz de Cristo nas trevas. Apresentar a cruz. Você é um embaixador do reino. Então aja como tal. O pecado está pondo as garras para fora e todos estão vendo, pois está sendo exibido em rede nacional de TV. Mas será que alguém está vendo Jesus? Não, não está. Porque isso os telejornais não mostram. Logo, mostrar Cristo e divulgar sua mensagem compete a mim e a você.

E aí, o que você vai fazer a esse respeito? Ver mais um jogo de futebol?

Paz a todos vocês que estão em Cristo – para que possam levar essa mesma paz a todos aqueles que não estão.
Maurício

JacarezinhoDuas semana atrás preguei em uma bela igreja, localizada na principal avenida da zona norte do Rio de Janeiro. O espaçoso santuário era muito bem organizado, com tudo muito limpo, uma estrutura primorosa. O culto estava lotado, com algumas centenas de pessoas, muitas delas em pé no fundo da igreja. Os louvores traziam hinos antigos misturados com hinos atuais. Já no último fim de semana fui pregar em outra igreja, dentro da perigosa favela do Jacarezinho (foto). Para chegar lá você passa por baixo de um viaduto, atravessa a pé a linha do trem por um buraco em um muro, encara um mergulhão inundado de água malcheirosa, percorre uma longa rua que margeia um enorme canal com esgoto a céu aberto, passa ao lado de pelo menos dois lixões com pessoas catando coisas ali. Cheguei à igreja, na verdade uma espécie de garagem adaptada, e comecei a falar para os cerca de quinze ouvintes presentes. Eu competia com um pagode em último volume no boteco ao lado e ficava sentindo durante a preleção um cheiro de maconha que vinha sabe Deus de onde. O louvor era composto de composições dos próprios músicos do local, que incluíam musicas como “Injete na veia o sangue de Jesus”. Não pude deixar de refletir sobre a diferença entre essas duas realidades.

A constatação é que, para os propósitos do reino, entre elas não há diferença alguma. Tanto na igreja cheia e com recursos quanto na igrejinha humilde e com pouca gente havia cristãos ávidos por uma palavra bíblica. Nas duas havia não cristãos, carentes de salvação. Em ambas havia amor entre os membros, dedicação à preparação do louvor antes do culto, carinho com o pregador, lideranças que estavam ali graças a um profundo chamado para a obra. Quando vi tudo aquilo, percebi que a discriminação contra igrejas com muitos membros, compostas de pessoas com uma confortável condição financeira, é uma bobagem. E também percebi que a discriminação com igrejas compostas por poucas pessoas, de poder aquisitivo mais baixo, é um igual absurdo.

E isso por uma simples razão: a realidade espiritual em ambos os locais é idêntica: são almas carentes de salvação que, uma vez salvas, precisam ser discipuladas. Pessoas pobres e pessoas ricas precisam de salvação do mesmíssimo modo.

CruzMe senti muito bem na primeira igreja. Havia carinho, afeto, preocupação. Pessoas como Pr. Walmir Cohen, Marco Túlio, Fabiano e Pr. Sérgio deixaram em mim marcas de amor e a certeza de que éramos membros da mesma família, em busca do mesmo objetivo. Me ofereceram uma deliciosa massa ao molho branco, com banana caramelada. Na segunda igreja me senti igualmente amado. Havia carinho, afeto, preocupação. Pessoas como Pr. Jean, Marcos, Pr. Thiago e seu Josué transpareceram a certeza afetuosa de que pertencemos à mesma família, em busca do mesmo objetivo. Me ofereceram um delicioso pão com requeijão e guaraná Tobi, com biscoitos doces. A palavra foi ministrada em ambos lugares e, ao final de culto, os comentários dos irmãos que vieram falar comigo foram muito semelhantes: dúvidas teológicas, pedidos de oração, relatos daquilo que Deus havia falado aos seus corações pela ministração.

A diferença entre as duas realidades, do ponto de vista do discipulado, da necessidade de arrependimento e crescimento, da busca por Cristo, da necessidade de conhecimento bíblico? Absolutamente nenhuma.

Cruz2Já tinha dificuldade de entender isso antes, e agora – depois dessas duas experiências – ela aumentou: como pode, do ponto de vista espiritual, certos pregadores ou cantores só aceitarem ir ministrar em uma igreja onde lhe deem grandes ofertas ou onde haja muitos membros para comprar seus CDs? À luz da carne a explicação é óbvia para qualquer um, mas… à luz do mundo espiritual? Incompreensível. Minha oração sempre é que, a cada ministração minha, pelo menos uma única vida seja radicalmente mudada e transformada para melhor. E, nas duas igrejas que visitei em menos de duas semanas, havia montes de “uma única vida”. Quinze “uma única vida” ou centenas de “uma única vida” são, em essência, a mesmíssima coisa. Não há diferença alguma. Ai de mim escolher onde prego ou palestro com base no número de membros, na riqueza da comunidade ou qualquer outro aspecto irrelevante como esses. Deus me livre. Deus, por favor, me livre disso.

Por outro lado, também fiquei pensando: como pode alguém achar que o evangelho é só para os pobres e os de situação financeira mais carente? A alma sedenta de Cristo precisa ouvir as verdades do evangelho independentemente de habitar um corpo que desfruta de certo conforto financeiro. Confesso que ouço com ceticismo propostas surgidas no seio da igreja de nossos dias. Teologias direcionadas exclusivamente aos pobres, como se os ricos não fossem igualmente amados por Deus, são segregacionistas e, portanto, deficitárias e limitadas do ponto de vista bíblico. Por outro lado, teologias que privilegiam a riqueza e os abastados, centradas em prosperidade material, claudicam por restringir o escopo do reino de Deus. Ambas estão erradas. O socialismo espiritual é um erro. O capitalismo espiritual é um erro. O igualitarismo espiritual é a proposta do evangelho. Pois o reino de Deus é para todo aquele a quem Jesus chamar e não para quem tem mais ou menos dinheiro no banco.

Cruz3O céu é para os salvos, não exclusivo dos ricos ou dos pobres. O céu é para indivíduos. Pessoas. Almas humanas. Se o pecador se chama Zé ou Joseph, Raimundo ou Raymond, isso é irrelevante. Tenho sido despertado cada vez mais para as barreiras entre pessoas devido a aspectos de sua natureza humana. Minha oração a Deus é que Ele me livre de olhar para o próximo, no que tange à espiritualidade, devido a seu poder aquisitivo. Raça. Modo de vestir. Lugar onde mora. Perfume que usa. Denominação em que congrega. Tamanho e riqueza do santuário em que adora. Modelo do carro que dirige. Correção gramatical na forma como fala.  O exclusivismo tem me assustado, e tenho orado ao Senhor que extirpe esse mal totalmente de mim.

Não posso achar que só o louvor com hinos antigos, piano e violoncelo é aceitável. Acredite: na favela do Jacarezinho é “Injete na veia o sangue de Jesus” que estabelece o religare entre a criatura e o Criador. Pagode gospel na catedral presbiteriana também não faz sentido. A leitura recente dos livros “O plantador de igreja”, de Darrin Patrick (editora Vida Nova), e de “O impacto do reino”, de David Wraight (editora Palavra) me despertaram profundamente para a questão da contextualização do evangelho. Hoje vejo o quanto ela é essencial. O contexto muda, a essência é a mesma. Numa comunidade pobre há almas carentes, num contexto de pobreza. Numa comunidade de classe média há almas carentes, num contexto de classe média. Numa comunidade rica há almas carentes, num contexto de riqueza. Mas o que importa aqui são as “almas carentes”.

EsponjaEstou na caminhada. Cheguei ao ponto ideal? De jeito nenhum. Ainda há muita natureza humana falha e que faz acepção de pessoas dentro de mim. Peço a Deus que esprema esse mal para fora do meu organismo espiritual. A diferença é que, hoje, faz parte intrínseca de minha caminhada de fé a oração para que eu veja o próximo como Jesus vê e não segundo os valores que constam em seu imposto de renda. Você gostaria de caminhar junto comigo nessa direção?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício