Arquivo de dezembro, 2011

É notório que, no imaginário popular do evangélico brasileiro, uma igreja abençoada por Deus é uma igreja enorme. Cheia. De preferência, lotada. Com montes de departamentos, atividades, grupos disso e daquilo, ministérios mis e cheias de bons dizimistas. Quem entra nesses maracanãs da fé costuma achar que ali é a sucursal do Céu, pois tudo é grande, os projetos são ousados, o lance é arrebentar o inferno, mergulhar no oceano do Espirito, ter um grupo de louvor (ou mais de um) com CD gravado, um coral de 300 vozes (por que não 500?), grupo de dança, teatro, evangelismo e vamos que vamos! Só que, para mim, Deus não está nem aí para esse tipo de igreja. E explico por quê.

O Senhor não suporta arrogância e orgulho. A Biblia diz que “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tg 4.6; 1 Pe 5.5). e que “Os arrogantes não são aceitos na tua presença” (Sl 5.5); “O Senhor preserva os fiéis, mas aos arrogantes dá o que merecem” (Sl 31.23); “Embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes, e de longe reconhece os arrogantes” (Sl 138.6).

A Bíblia deixa claro que humildade é uma das características que o Criador mais preza nas suas criaturas. Pois demonstra que elas sabem quem são diante da grandeza do Rei e que têm compreensão de sua natureza: pó. Ocorre que, se você observar com muita atenção, na grande maioria das vezes, líderes e outras pessoas ligadas aos diferentes ministérios dessas megamáquinas da fé são pessoas extremamente arrogantes. Se acham especiais – afinal, Deus as ” abençoou” com tamanho, com quantidade.

Já tive a oportunidade de observar às vezes simples líderes de juventude de megaigrejas se comportarem como os manda-chuvas do pedaço, exigindo tratamento diferenciado, destratando pessoas. Arrogância pura. Causada por o quê? Pelo pensamento equivocado de que “se Deus me pôs à frente de um trabalho tão grandioso, com tantas pessoas sob meu comando, eu devo ser algo especial”. Ao que a Biblia responde: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda” (Pv 16.18).

Quem conhece os bastidores desses Taj Mahals da fé sabe ainda que muitas vezes há pecados relacionados a dinheiro nas coxias dessas megaestruturas. Em impérios eclesiásticos, os olhos crescem. A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida inundam corações outrora puros. Que me perdoem os Mike Murdocks e os Morris Cerullo da vida, mas ter muito dinheiro à mão, acredite, é uma desgraça para o cristão. Pois ele perde o senso de dependência de Deus, torna-se abusador, gasta mais do que precisa, esbanja. O cofre da igreja torna-se acessível a qualquer momento e como “o líder merece, afinal rala tanto por aquela igreja”, sente-se à vontade para sacar,  alem de seu justo salário, quanto e quando quiser daquela conta corrente descontrolada.  E  sem meias-palavras? Isso é pecado.

É pecado pois esse dinheiro não pertence ao líder, mas a Deus. E deve ser investido nas coisas de Deus e não em benefícios para o líder e sua vida pessoal. Entenda isso: o líder de uma igreja é servo. E um servo não é dono da casa de seu senhor. Muito menos do dinheiro dele. Os que lançam mão daquilo que não é seu… bem, precisa dizer o nome que se dá a isso?

Essas megaigrejas se tornam fábricas de ex-bons cristãos: homens e mulheres de Deus que começaram suas caminhadas de fé de joelhos e na simplicidade mas que acabam se corrompendo. Se formos pensar apenas nessas igrejas que se destacam porque fazem música que ganha fama, lançam CDs e DVDs e vão a programas de auditório na TV, veremos pequenos servos de Deus que viraram artistas profissionais gospel movidos a cachê, a glamour, que passaram a amar dar autógrafos. Alisam ou arrepiam os cabelos, usam roupas moderninhas e “ministram” com uma estética que me lembra Elvis Presley  Aliás, voltando um pouco atrás… que piada: cristãos que amam dar autógrafos. Tive que rir desse pensamento.

Mas o pior mesmo são os pastores que se perdem pelo meio do caminho. Pregadores que antes eram devotados a Cristo, homens de joelhos calejados e olhos marejados, homens de Deus humildes e simples que tornam-se vaidosos porque suas igrejas viraram arranha-céus da fé. Refratários a críticas. Acham que o seu jeito é o jeito certo pois, afinal, suas igrejas estao cheias e são enormes  e se esquecem de que a quem muito foi dado muito será cobrado. Organizam eventos faraônicos. Compram canais de TV. E quando menos se espera deixarm de se preocupar com oração, jejum e vigílias para se devotar a empréstimos em bancos, asinaturas de documentos e negociatas com políticos.

Começa então a prostituição. O desejo por ter sempre mais leva muitos dos líderes desses palácios eclesiásticos a buscar qualquer forma de associação que lhes permita ganhar mais e mais. Associam-se ao poder político. Entram na maçonaria. Assinam contratos com gravadoras seculares. Fecham acordos com emissoras de TV pagãs. Quando nos damos conta, o monstro está tão grande que se torna uma besta descontrolada – e lá no meio, perdido em algum canto obscuro, empoeirado e esquecido, fica um tal de Jesus de Nazaré, olhando em volta e tentando dizer “ei… alguem aí se lembra de mim?”.

É por isso que acredito piamente que Deus não está nem aí para esse tipo de igreja. Que Deus ignora megaestruturas. Ignora megaeventos. Há mesquitas muçulmanas enormes. Templos budistas palacianos. Centros de umbanda que ocupam quarteirões inteiros. Grande coisa.  Para o Senhor, pés-direitos altos são irrelevantes. Grandes torres, muitos bancos, milhões de decibeis de uma aparelhagem de som importada… tudo lixo no Reino de Deus. E imagino Jesus se perguntando “pra que isso tudo mesmo”? Ah sim, tem a questão da vaidade…

Nem toda megaigreja vira uma fria mansão vazia de espiritualidade. Nem todo líder de um palácio da fé se corrompe. Mas a experiência mostra que isso só acontece com  poucos. Pois o ser humano se impressiona com tamanhos e grandes números. Isso é inegável. E  tamanhos e números são um convite à vaidade. E a vaidade é o caminho mais curto para a ruína de uma alma.

Igrejas não precisam ser cheias. Precisam ser Igreja. Cristo não precisa de um megaevento por ano em palcos suntuosos, mas de pequenos cultos semanais em igrejinhas onde haja corações derramados. Os poucos membros têm de ser fieis. Têm de cumprir o que na raiz significa “Igreja”: ser eclésia, os chamados para fora do mundo, do pecado, de uma vida de vaidades, orgulho, arrogância e outros pecados fáceis de converter corações puros em soberbos. Jesus quer pessoas bem discipuladas, Ele disse isso em Mt 28.19, quando falou “vão e façam discípulos”. E você acha que Ele estava se referindo a quê? Jesus não disse “vão e encham igrejas”, ou “vão e criem monstros da fé que se achem acima do bem e do mal”. Jesus quer igrejas com homens e mulheres de Deus que entregariam seus peitos à espada e os pescoços aos leões alegremente para não negar Cristo. Só. Pois esse ato já diria tudo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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O polêmico Festival Promessas, que levou alguns artistas gospel à telinha da Globo, causou um grande debate entre três segmentos de cristãos: os que viram nisso uma grande coisa, aqueles que consideraram o evento irrelevante e os que viram no programa um mal. A despeito da posição de cada um sobre o show, um aspecto do debate entre os prós e os contras chamou atenção:  a questão da CRÍTICA.

Uma das principais críticas dos que criticaram quem criticou o espetáculo da Globo é que os críticos…foram críticos. Ou seja: para defender seu ponto de vista são incontáveis os cristãos que adotaram discursos na linha “tem gente que só critica e não faz nada” ou “como pode alguém criticar quem está fazendo algo?” e por aí vai. Diante disso, surgem diversas perguntas: qual deve ser a relação entre o cristão e a critica? De fato quem critica não faz nada? É pecado criticar? Criticar é murmurar? Criticar representa rebeldia? Crítica é algo diabólico? Enfim, há um rosário de assuntos que podem ser debatidos sobre o tema. Mas eu pretendo mostrar até o fim deste texto que se criticar fosse um grande mal, o próprio Deus Pai, Jesus, os apóstolos, a Igreja primitiva, os reformadores e outros cristãos sérios seriam, imagine você, seres malignos. O que simplesmente não é verdade.

Esse ensinamento de que a crítica é algo ruim vem sendo ensinado aos evangélicos que não têm senso crítico por alguns pastores que… não querem ser criticados. Um exemplo famosíssimo (a gravação está no Youtube, para quem quiser ouvir) é o de um conhecido telepastor, dono de uma editora e outras mídias, que prega a Teologia da Prosperidade e  lançou uma campanha para arrecadar milhões do povo prometendo “unção financeira” a quem doasse dinheiro a sua organização – dinheiro que, até onde foi divulgado, serviu para ele comprar um jato particular. Na gravação, esse empresário-pregador solta essa pérola: “Quem critica não faz nada. Você conhece alguma obra de crítico? Você conhece alguma coisa que crítico construiu? Geralmente crítico é um recalcado que tem dor de cotovelo do sucesso dos outros”.

Quando um homem influente como esse lança esse tipo de discurso ao cristão que não tem muita capacidade de discernimento, a ideia soa como sendo uma verdade quase bíblica. Por exemplo: depois que publiquei no APENAS semana passada o post Festival Promessas e a guerra de opiniões e fui atacado por todos os lados por muitos críticos ao que escrevi (como mostrei no post seguinte, Festival Promessas: um raio-x da igreja brasileira), li nos comentários do blog mais pérolas que versavam sobre o fato de alguém criticar outro. Só que, desta vez, vindas de irmãos que apoiam o evento da TV Globo. Pérolas como estas:

“Realmente vivemos em um mundo onde os críticos cristãos também querem se engradecer por isso utilizam das críticas para fazerem seu nome.”

“é complicado,,tem pessoas que não tem,a vontade de realizar ,um culto de rua,e quando outros pracura fazer alguma coisa ,só sóbra criticas,,,faiz alguma coisa ,não perde tempo criticando

“Essa galera não faz nada pra anunciar o evangelho e critica quem faz”.

“Que lamentável essa sua posição! Você, ainda, tem coragem de criticar os irmãos que se ofenderam uns aos outros por causa disso?”

“É mais facil criticar e desqualificar os que o fazem”.

“Reclamava-se tanto que sempre a Globo ou outras emissoras não davam espaço para o Evangelho e quando se chega lá ainda criticam??”

CRITICAR ISSU É REDUNDANTE E HIPÓCRITA.”

“INFELIZMENTE TIVE O DESPRAZER DE CONHECER ESTE BLOG, É MAIS UM DE MUITOS, DOS CRITICOS DA IGREJA, –QUE FICARÃO — CRITICANDO, ENQUANTO JESUS SOBE COM A SUA NOIVA.”

“Prefiro ir e dar de graça o que recebi a permanecer sentado criticando quem realmente está fazendo a obra de Deus.”

“OS VERDADEIROS CRISTÃOS ESTÃO NAS RUAS (…) NÃO PERDENDO TEMPO EM ESTATOS E EM CRÍTICAS“.

“O tempo que você perde criticando, é o mesmo que poderia estar edificando”.

Chamam especial atenção as duas últimas frases, pois a penúltima dá a entender que criticar é perda de tempo e a última desassocia a crítica à edificação, como se fossem antagônicas. O que é interessante nesse debate é que a “famigerada” crítica é apontada como algo menor, pecaminoso, diabólico; e os críticos, naturalmente, só podem ser pessoas mal-intencionadas, frustradas, “recalcadas”, que não ajudam em nada. O tom dos comentários deixa claro que, aos olhos de muitos, ser crítico, ou seja, ter senso crítico no universo cristão, é desqualificador, sintoma de inveja, de apatia, de inoperância ou de qualquer coisa do gênero. Quando, em sua raiz etimológica, criticar significa uma atitude nobre: pelo dicionário, “criticar” significa “analisar, fazer uma apreciação”, “examinar com atenção”).

Aliás, se minha Bíblia não estiver errada, “examinar com atenção” (sinônimo, segundo o dicioário, de “criticar”) é exatamente o que os crentes de Bereia faziam e que lhes mereceu o seguinte elogio de Lucas em Atos 17.11: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo“. Sim, os bereanos foram chamados de “nobres” por serem muito críticos. Que coisa…

O que o cristão crítico que critica quem critica talvez não saiba é que seu tipo de pensamento é resultado de uma enorme ignorância bíblica e histórica. Pois, em especial no caso do Cristianismo, se não fosse a crítica a banda séria e sólida da Igreja hoje talvez nem existisse. Os críticos vêm ajudando a manter a doutrina sã ao longo dos séculos, a preservar a ortodoxia cristã e a purgar os erros cometidos pelo meio da jornada. E mais: se você desmerece alguém por ser crítico, lamento informar, você está desmerecendo o próprio Deus.

“Ahn?! Tá maluco, Zágari! Se crítica é algo diabólico, como Deus pode ser crítico?”. Vamos então aos fatos – antes que aqueles que não leem posts inteiros e já saem criticando sem ter lido tudo comecem cantilenas desmerecendo argumentos – para, sem entrar pelo mérito da opinião pessoal e do achismo, fazer o que todo cristão deveria fazer: olhar para a Biblia e a História da Igreja. E deixemos não que Mauricio Zágari fale, mas sim passemos a palavra ao testemunho das Escrituras e da História:

NA BÍBLIA

Deus Pai é logo de cara o primeiro a fazer inúmeras criticas relatadas nas Escrituras. Em Gênesis 3, Ele critica Adão, Eva e até Satanás por suas atitudes. Depois critica Caim pela morte de Abel. Em Gn 6.3, o Criador critica a humanidade e a chama de “carnal”. Os séculos passam e Deus segue criticando. A crítica que Ele faz aos habitantes da Terra no episódio do Dilúvio dispensa comentários. Na ocasião do Êxodo, o Todo-Poderoso disse que seu próprio povo eleito, Israel, era formado por gente de “dura cerviz”, ou seja, “teimosa”, “intransigente”. Também mandou seus profetas criticarem atitudes de sacerdotes, reis, religiosos, homens e mulheres comuns. Alguém que conheça um pouquinho de Bíblia verá que Jeová, o Construtor do universo, criticou muito – em especial os desobedientes. E aí eu penso nas palavras do telepastor: “Você conhece alguma obra de crítico? Você conhece alguma coisa que crítico construiu?”. Hmmm…o universo, talvez?

Os profetas, então, eram críticos em tempo integral. Jeová mandava um recado e lá ia uma crítica a Jezabel, Davi ou qualquer outro que estivesse em pecado ou cometendo erros. Natã não usou meias-palavras ao criticar o que Davi fez com Urias e Bateseba. Elias dava boas cajadadas. Imagine então Eliseu, que tinha porção dobrada. Sim, o ofício profético no Antigo Testamento fazia do profeta um crítico em tempo integral. Estão aí Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e outros que não me deixam mentir. E o maior dos homens nascidos de mulher (Mt 11.11), João Batista, era tão crítico que Herodias disse a sua filha que pedisse a Herodes a cabeça do profeta, de tanto que ser criticada lhe incomodava (aliás, uma atitude muito comum a quem é criticado: pedir a cabeça de quem o critica).

Então penso em tudo o que os profetas fizeram a mando de Deus  e me voltam à mente as palavras do telepastor: “quem critica não faz nada”E me pergunto: será mesmo que argumentos como “você não faz nada, só critica” têm fundamento? Pois a crítica em si, do ponto de vista bíblico, já é fazer muita coisa! Ou “enquanto eles estão lá fazendo a obra você só sabe criticar”, pois muitas e muitas vezes uma crítica bem feita e bem posta pode gerar muito mais frutos para o Reino de Deus do que subir num palco e cantar meia-dúzia de músicas. Ou ficar pedindo dinheiro na TV.

Mas continuemos na Bíblia. Surge em Israel um homem chamado Jesus de Nazaré. Ele criticou escribas. Criticou fariseus. Criticou saduceus. Criticou publicanos. Criticou Pedro quando o apóstolo quis demovê-lo da ideia de ir à Cruz. Também criticou os apóstolos por serem “homens de pequena fé” na ocasião da tempestade no mar. Criticou aqueles que só amam aqueles que os amam. Criticou os hipócritas que dão esmola alardeando o fato ou oram aos berros para chamar a atenção. Criticou os gentios que se preocupavam com o que haveriam de vestir, comer ou beber. Criticou os que reparam o argueiro no olho do irmão, porém não reparam na trave que está no seu próprio olho. Criticou os falsos profetas, que se apresentam disfarçados em ovelhas, mas que por dentro são lobos roubadores. Criticou os que praticam a iniquidade. Criticou aqueles que viessem a negá-lo diante dos homens. Criticou quem ama seu pai ou sua mãe ou seu filho mais do que a Ele. Criticou quem não toma a sua cruz e vem após Ele… e poderíamos prosseguir numa lista interminável, mas vou parar no capítulo 10 do evangelho segundo Mateus (sim, todas as críticas mencionadas acima estão em apenas 10 capítulos. Imagine se eu prosseguisse até o capítulo 28 e continuasse por Marcos, Lucas e João). É, meus amigos que criticam os críticos: Jesus foi um crítico infatigável. Mas… segundo o tal telepastor, um dos mais influentes do país, “geralmente crítico é um recalcado que tem dor de cotovelo do sucesso dos outros“. Hmmmm…

Nas cartas às igrejas de Apocalipse o desfile de críticas de Jesus continua. A igreja de Éfeso foi criticada por ter abandonado o primeiro amor. A de Pérgamo recebeu criticas por haver entre eles “os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição”. A de Tiatira foi criticada por tolerar que uma tal Jezabel “seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos”. Os cristãos de Sardes foram criticados por Jesus não ter achado íntegras as suas obras na presença de Deus… preciso continuar?

Se você ainda não está convencido da verdade, vamos às epístolas. Caso não saiba, a grande maioria delas foi escrita como forma de criticar atitudes erradas que vinham sendo adotadas nas igrejas a que foram destinadas, com o objetivo de instruir os cristãos e de consertar os erros. Que, aliás, deve ser a finalidade de toda crítica. O apóstolo João escreveu suas três epístolas para combater um grupo de cristãos hereges chamados gnósticos e ele os critica duramente: “Mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo“.

Em Colossenses, Paulo critica os falsos mestres que tentavam combinar elementos do paganismo e da filosofia secular com as doutrinas cristãs, induzindo a um relativismo religioso. Em Filemon, ele critica a falta de perdão. Em Romanos, tece muitas críticas, entre elas à dureza do coração, a desobediência à verdade, à hipocrisia, à adoração de ídolos. Em 1 Timóteo, o apóstolo critica o excesso de eloquência em detrimento da busca do Senhor. E quem acha que nas epístolas Paulo não critica pessoas, em Gálatas o foco está nos judaizantes, criticados por afirmarem que os gentios, para serem salvos, tinham que ser circuncidados e guardar todas as leis de Moisés.

A carta de 1 Coríntios é um caso à parte, tantas são as críticas que Paulo faz, a título de instrução. Ao mau uso dos dons, à imoralidade sexual, às pessoas que celebravam a Ceia do Senhor de modo equivocado e por aí vai.  Merece especial atenção 2 Coríntios, em que Paulo critica veementemente os falsos mestres que buscavam enganar os cristãos da igreja, afastando-os dos verdadeiros propósitos do Evangelho. Já Tiago metralha críticas: ao formalismo, ao fanatismo, ao fatalismo, à crueldade, à falsidade, ao partidarismo,  à maledicência, à jactância e à opressão. Judas, por sua vez, critica os mestres imorais e as heresias da época.

NA IGREJA PRIMITIVA

Por falar em heresias, havia muitas delas no seio da Igreja nos primeiros séculos da era cristã. Saiamos agora das Escrituras e vamos para a História. Naquela época surgiram  grupos como ebionitas, maniqueus, marcionitas, montanistas, donatistas, gnósticos, sabelianistas, apolinaristas, nestorianos, eutiquianos e muitos outros. Todos se apresentavam como seguidores de Cristo, mas pregavam teologias diferentes, em especial quanto à essência de Jesus e a sua relação com o Pai e o Espírito Santo. Contra eles levantaram-se em diferentes épocas muitos e muitos cristãos ortodoxos, sérios, que passaram a defender a são doutrina contra os hereges. E, adivinha só: eles os criticavam duramente, em tratados, cartas e outros textos. Ou seja, se não fosse pelo aguerrido senso crítico dos apologetas da Igreja primitiva muitas heresias teriam tomado conta do seio da igreja. Você enxerga alguma semelhança com nossos dias?

E assim foi pelos séculos. Atanásio criticou duramente Ário por suas posições teológicas no Concílio de Niceia. Agostinho (considerado o maior teólogo da história do Cristianismo) criticou Pelágio por desqualificar a graça na salvação. Lutero (o homem sem o qual não existiria a Igreja evangélica) criticou Roma por todos seus descalabros, o que acabou deflagrando a Reforma Protestante.

Sim, caros críticos que criticam os críticos: a crítica e a Igreja sempre andaram de mãos dadas e em harmonia.

EM NOSSOS DIAS

Há em nossos dias heresias surgindo a cada esquina. Pastores-poetas que inventam que Deus não interfere nas tragédias, pastores emergentes que dizem que Jesus é desnecessário para a salvação, Unções de 900 reais, Teologia da Prosperidade, G-12, Liberalismo Teológico e outras agressões à Palavra de Deus. Fora as atitudes não teológicas, como mercantilização da fé, a criação de celebridades gospel e outros problemas mais.

Diante disso, a pergunta que fica é: devemos abandonar o senso crítico? Devemos parar de criticar o que está errado? Devemos ficar passivos, vendo a banda passar e não fazer nada? Devemos dar ouvidos às besteiras ditas pelos telepastores que não querem ser criticados? Não. Devemos nos posicionar. Temos como exemplos de Jeová aos teólogos modernos (como Alister McGrath, que escreveu O Delírio de Dawkins, criticando o ateísmo de Richard Dawkins). Se a Igreja que ama Cristo, ama a Bíblia e ama a Igreja se calar, a situação ficará ainda pior do que está hoje. Há uma heresia? Critiquemos. Há um abuso dentro da igreja? Critiquemos. Há celebridades enganando o povo de Deus? Critiquemos. É bíblico e historicamente correto.

E COMO CRITICAR DE FORMA A CONSTRUIR?

Mas há uma ressalva: toda crítica tem que ser feita de modo cristão, bíblico. Se formos agir como o mundo não seremos melhores do que ele. Não seremos sal nem luz e é melhor que sejamos lançados fora para sermos pisados pelos homens. Nunca devemos criticar como o mundo critica: com agressões, ofensas, xingamentos, gritarias, ad hominems, argumentos equivocados ou ataques. Devemos seguir os passos do Mestre. Ser mansos e humildes de coração. Devemos criticar como se cada crítica fosse um tijolo posto para erguer uma catedral e nunca como se fosse uma marretada para derrubar paredes. Nosso papel não é esse: temos de ser diferentes. Temos de ser admirados pelo mundo por criticarmos sem ofender e sem dar na cara de ninguém. Temos de andar na contramão do mundo.

Infelizmente, há em alguns setores no meio cristão aqueles que acreditam que crítica é algo diabólico. Já mostrei que não é. Infelizmente, há em alguns setores no meio cristão aqueles que acreditam que crítica é atacar e ofender. Também não é. Criticar é apontar erros com educação. É examinar com atenção e emitir pareceres refletidos. Pois em tudo o que vimos acima, uma coisa fica clara: a crítica deve servir para melhorar as coisas, aproximar as pessoas, construir um mundo mais cristão e, em última (para não dizer primeira) análise, para a glória de Deus.

“Quem critica não faz nada. Você conhece alguma obra de crítico? Você conhece alguma coisa que crítico construiu? Geralmente crítico é um recalcado que tem dor de cotovelo do sucesso dos outros”.

E você, continua acreditando nisso?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Esta semana publiquei aqui no APENAS o post Festival Promessas e a guerra de opiniões. Embora eu tenha deixado muito clara a função do post, que não era dar minha posição sobre o que penso do evento, mas fazer uma análise de como o show musical da Globo provocou uma guerra feia de opiniões entre os evangélicos, fiquei chocado com as reações daqueles que se chamam cristãos. Aliás, bastante chocado. De certo modo, podemos ter  por meio dessas reações um raio-x de como andam corações e mentes dos que se dizem salvos por Jesus. O espetáculo global causou uma verdadeira divisão entre os que o apoiavam ou não. E muitos que não entenderam o texto e pensaram que ele era um ataque ao Festival reagiram com um mundanismo inacreditável. Até pelo titulo do post ficava claro sobre o que o mesmo tratava, pois não era “Festival Promessas é do demônio”  ou “Festival Promessas é uma bênção”, mas Festival Promessas e a guerra de opiniões, o que evidencia de modo bastante direto o epicentro de suas reflexões.

Pouco juízo de valor faz o texto sobre o evento. Mas deixei claro e não fujo: pelas razões já explicadas sou contra. Mas, no todo, minha opinião sobre o mesmo não é o foco, trata-se de uma mera análise dessa polarização entre os favoraveis e os desfavoráveis. Em sua esmagadora e plena maioria, os comentários feitos aqui foram de apoio ao meu texto, o que mostra que há muitos cristãos que, como eu, estão cansados das veborragias gospel. Por outro lado há outros cristãos que, comprovando de forma prática e inequívoca a tese apresentada no post,  lançaram ataques verbais e, o que mais me impressionou: muitas ofensas não foram contra as ideias apresentadas: foram ataques pessoais contra mim! Muitas vezes com argumentos tão torpes que mal dá para acreditar que vieram de gente que se diz crente.  Andar a segunda milha, amar o próximo, fruto do Espírito em certos casos soam como ficções distantes de certos irmãos e fica parecendo que viver a fé é só assistir a shows gospel. Fiquei impressionado e deprimido por ver a quantas anda a cabeça e o comportamento de uma boa parcela dos evangélicos.

Alguns ataques foram tão pesados que não tive coragem de publicar.  Parecia linguagem de prostíbulo. Mandaram-me para lugares que nem o diabo frequenta. Outros discordaram com elegância e  usaram argumentos que, embora eu não concorde, foram expostos com  educação cristã. A esses, palmas – e seus comentários, mesmo discordantes do que penso, foram publicados sem nenhum problema. Sou a favor do diálogo e acredito que pela dialética de ideias podemos tornar a  igreja evangélica brasileira algo menos poluída do que ela está em nossos dias atuais.

Muitos leram o post mas não entenderam nada. Acharam que ele foi escrito para discordar do evento e não compreenderam que seu objetivo não era esse: era exatamente  falar sobre a divisão e a agressividade de parte do povo de Deus – e, ao reagir de forma tão ofensiva, sem que se dessem conta esses irmãos apenas comprovaram a tese que eu levantei no post usando o Festival como gancho: muitos evangélicos no Brasil são grosseiros, mal-educados, desbocados e, em nome de defender aquilo em que creem, lançam mão de ataques a conceitos, pessoas e mais o que estiver na frente.

Conclusão: o discernimento de boa parte dos evangélicos e sua capacidade de compreender mensagens está severamente avariada. Como consequência, choveu comentários citando por exemplo Fp 1.18 (ninguém leu a hermenêutica de Augustus Nicodemus no post Festival Promessas e a guerra de opiniões?), como uma bela justificativa para o Festival. E percebe-se claramente que muitos não leram o texto inteiro.

Outra constatação gravíssima que toda essa agressividade demonstra: grande parte de nosso povo está sendo pessimamente discipulado em suas igrejas e comunidades. Muitos não põem em prática amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, mansidão, domínio próprio. Não aplicam o que Tiago fala sobre o uso da língua. Tratam irmãos em Cristo com uma fúria tão ofensiva que chegam a ser clones da forma de falar de certos telepastores que têm programas sábado de manhã. Em certos momentos, ao ler comentários no post, me senti caído no chão com cristãos me chutando por todos os lados, tamanha a fúria e o ódio destilados. E eu só lembrava do versículo “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13:35) e dizia a Jesus: “Senhor, onde está esse amor?”. Sobram opinadores às pencas. Faltam discípulos de Cristo.

Eu poderia ficar falando muito mais, mas prefiro demonstrar na prática. Lendo o que foi escrito por esses irmãos nos comentários do post você vai entender exatamente o que estou falando. Selecionei alguns pequenos trechos de tudo o que foi dito para que você veja na prática a que estou me referindo (para ler o contexto geral, você pode ir aos comentários e lê-los na íntegra). E aí você leia, analise e veja se a igreja evangélica brasileira não necessita urgentemente se reavaliar e começar a pôr em prática não essa incompreensível defesa de celebridades gospel, mas o fruto do Espírito, as bem-aventuranças e o caráter do Cordeiro de Deus, que é manso e humilde de coração.

E preste bem atenção: tudo o que você lerá abaixo foi escrito por gente que se diz cristã (o que pressupõe no mínimo gentileza e amor na hora de falar). Mas prepare-se para ler um festival de agressões da parte daqueles que se chamam pelo nome do Senhor. Me chamou especial atenção como os comentaristas usam de uma agressividade espartana mas, muitos, no final, usam jargões como “paz” e me chamaram de “querido” e “amado”. O que isso significa: estão acostumados aos estereótipos gospel, à estética gospel e ao linguajar gospel, mas estão completamente distanciados da realidade da Bíblia.

Parece forte afirmar isso? Então apenas recorde que o primeiro mandamento segundo Jesus de Nazaré inclui “amar o próximo como a si mesmo” e agora leia trechos do que foi escrito. Separei os comentários em três categorias: os gratuitamente agressivos; os que, na falta de argumentação sólida, partem para a agressão a pessoas; e os que dizem que partem em defesa de suas ideias dizendo que criticar aquilo em que elas acreditam é ir contra a obra de Deus. E vou repetir mais uma vez para deixar muito claro: esses comentários foram feitos a respeito de um post que tratava não da validade ou não de um show, mas da divisão e da agressividade do povo de Deus.

Como bem definiu em um dos comentários o mano Diogo Cardoso, “No texto, você deixa bem claro a agressividade das opiniões e comentários, e as pessoas, mesmo depois de ler isso, continuam agressivas aqui!!” Vá em frente, leia as frases abaixo dos nossos irmãos e tire suas próprias conclusões:

AGRESSIVIDADE:

“Suas palavras demonstram uma pessoa arrogante, presunçosa e acima de tudo preconceituosa…Esse é o evengelho q vc aprendeu?? Por isso a biblia diz: “Muitos sao chamados, mais poucos sao escolhidos”. (Mat. 22:14). Sinceramente perdí meu tempo lendo tanta besteira escrita por vc…em vez de reclamar ore. P.S.: Sei q nao vai publicar meu comentario… Graça e paz querido!!!”

“Irmão Mauricio, vá se converter. PAZ!”

“Fico realmente estupefato com a sua manifestação. Bem melhor seria se você tivesse sido fiel à sua promessa de ficar caladinho, assim evitaria de falar bobagem”

“Vcs, como cristãos, que pelo que me parece receberam “a verdadeira revelação de Deus” (os outros não), falaram tanto de separação, embate, briga que este festival trouxe entre a igreja, e no entanto, estão reproduzindo o que “supostamente” condenam!”

“Todo trabalhador nesse mundo visa o LUCRO, ou vai me dizer que vc não usa dinheiro para nada? CRITICAR ISSU É REDUNDANTE E HIPÓCRITA.”

“O Zágari quer de todo jeito empurrar de “goela abaixo” suas ideias.”

“A análise feita pelo senhor; me mostra uma análise totalmente carnal e capitalista…mesmo que, crítica…Sendo que a bíblia diz, que “onde dois ou três, estiverem reunidos”…aleluias!!”

“O post acabou ficando tão chato quanto o evento”

DESMERECIMENTO DE PESSOAS E NÃO DE ARGUMENTOS:

“MAÚRICIO ZÁGARI ASSIM COMO OS ARTISTAS GOSPEL VOCÊ TAMBÉM VISA PRESTIGIOS”

“CUIDADO com esse Maurício Zagári. Ele é um tremendo INTOLERANTE e quer dividir o povo de DEUS. Ta fazendo o papel do diabo, servindo a este”

“Um texto que menciona Augustus Nicodemus como grande exegeta não merece respeito. Nicodemus é refém de sua própria interpretação, tradicionalista, pudica e intitucionalizada”

“Mencionar sanchelers e seja la quem quer que seja com esses titulos RIDICULOS ( pois os mais sabios que existem hoje preferem ficar no anonimato, sem titulo algum ) de nada convence” (sic)

“Por fim, gostaria que conhecessem melhor o autor dessas palavras, Reverendo Augustus Nicodemus Lopes. Segundo esse artigo na Wikipedia, ele é calvinista, cessacionista, não crê no falar em linguas. Então, não é obrigado concordarmos com ele em tudo” – detalhe: o seríssimo e respeitado Rev. Augustus não é o autor do post. Eu sim.

“Se gira grana é porque há Muitos Evangelicos e Simpatizantes, o nosso amigo que escreveu esse blog também paga pela Internet ou Rede que usa esse é o sistema não sejamos hipócritas….”

“Eu encerro a minha participação neste site meu irmão pois que, como você também observou, parece que os únicos argumentos “válidos” aqui são os de concordância com o irmão Maurício.”

“Pouco me importa se esse programa teve ou não resultados, odeio a globo, mas tbm me inoja ver com que tamanha bossalidade e superioriedade vc fala nesse blog caro Mauricio Zagari. Mencionar sanchelers e seja la quem quer que seja com esses titulos RIDICULOS (pois os mais sabios que existem hoje preferem ficar no anonimato, sem titulo algum ) de nada convence. Hoje até DOUTOR EM DIVINDADE nós temos !!! Só quero dizer que dentre varios motivos que eu tenho para não dar a minima atenção para toda essa baboseira que vc falou, o mais basico de todos é o fato de que quem postou tudo isso, é um cara que diz que havia feito uma promessa a si mesmo que não falaria sobre o assunto, e quebra essa promessa !!!!!!!! Se vc meu amigo não consegue cumprir com a sua palavra com voce mesmo, quanto mais com quaiquer outra ocasião, pessoa, ou seja la o que for. Acaso eu daria ouvidos a um sujeito sem palavra consigo mesmo. Postando isso aqui vc simplismente se igualou aos outros Perdeu uma oportunidade de ficar quieto. Esse jeito “CRENTES” de falar me irrita, e o que eu acho mesmo é que esse povo todo que se incomoda com essas coisas tem é que SE LASCAR !!!!!!! que droga !!!!!!!!!!!!!”

“Eu acho que ninguém tem que provar nada pra vc Maurício, quem é vc? o auditor do Céu???”

“Não vou deixar aqui versículos bíblicos, pois vejo que são formados em teologia, “doutores da lei”, fariseus.”

“Respeito a opinião do colega, mas fica bem claro no texto seu posicionamento, sua abordagem tendenciosa. Bom também seria respeitar as opiniões de quem defende o evento. Seria o irmão dono da verdade?”

“Entao o teu post que tenho certeza que nao ganhou 1 alma pra Jesus foi útil e o festival que concerteza deu frutos foi inutil? E outra coisa, vc é um desses fermentadores da discordia, ficar publicando essas coisas sem nocao”

“Voce está indo com a grande massa que nao gosta de ouvi-los e fica de fora alfinetando”

CRENÇA DE QUE CRITICAR O ESPETÁCULO SEJA PREJUDICAR A OBRA DE DEUS:

“A tua posição nada mais é do que uma manifestação contrária ao crescimento da obra de DEUS e da evangelização em nosso país e é um atentado contra a união do povo de DEUS!”

“Tenha dó né… com certeza esse evento não difere em nda do culto dentro das igrejas”

“Temos que parar de ficar estudando e torcendo o nariz pra aqueles que realmente estão fazendo. O tempo que você perde criticando, é o mesmo que poderia estar edificando”

“meu amigo, voce fala tanto que o festival promoveu discordia entre os cristao e por isso foi inutil, e seu post, promoveu oque? amor e uniao”

“Será que vocês não percebem que o fato da Globo não se envolver espiritualmente com a causa não quer dizer nada e que o que importa é o canal”

* * *

Esses foram apenas poucos trechos de algumas posições negativas (e publicáveis) postadas na área de comentários do post. Mas, para concluir de forma positiva, depois de tantas ofensas, agressões e baixarias, gostaria de reproduzir um comentário do irmão Inaldo Brito, que, em minha opinião, sintetiza brilhantemente o problema:

Bela postagem Maurício, até então ainda não tinha visto seu blog. Tem um vídeo de Paul Washer, em que ele fala justamente sobre essa questão do pragmatismo, e tem uma frase dele que resume tudo isso: “Métodos carnais atraem pessoas carnais”. Infelizmente é isso que tem acontecido no meio evangélico. Defendemos com tanto vigor os $hows, os ajuntamentos, achando que com isso as pessoas estão sendo atraídas a Cristo. Mas temos que ter em mente, que se pessoas são atraídas a Cristo, não é por causa desse tipo de “é-vento”, mas sim APESAR desse tipo de “é-vento”.

Enfim, infelizmente o que nós vemos são vários “graus espirituais” de crentes. Os que ainda estão com os olhos cobertos com esse tipo de pensamento pragmático, que usam qualquer versículo bíblico sem contexto e mau-interpretado para justificarem seus divertimentos. E aqueles que Deus tem dado o discernimento bíblico através do Seu Santo Espírito para ajudar àqueles que ainda continuam com os olhos cerrados para o verdadeiro Evangelho puro e simples, bem como sua propagação correta. Que o Senhor da seara possa nos instruir a pregarmos Cristo, e Este crucificado, apenas isso e nada mais. Um abraço, Deus te abençoe meu irmão.

Para reflexão: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um.” (Cl 4.6)

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Eu tinha feito um promessa a mim mesmo  de que não falaria nada sobre o tal Festival Promessas aqui no APENAS, pois não quero que este vire mais um blog voltado a polêmicas. Fujo disso. Queria tratar de assuntos realmente sérios e não de uma coisa tão irrelevante para o Reino de Deus como o show que foi exibido na emissora que mais promove o espiritismo, o mal uso da sexualidade, a desagregação familiar e outras práticas e ideologias com que os cristãos que seguem a Bíblia não concordam. Mas me rendi: estou quebrando minha promessa devido à avalanche de irmãos que me mandaram comentários pelo blog e posts pelo twitter cobrando minha posição. Só que, ao contrário do que a maioria dos tweets e dos blogs já abordou à exaustão (creio que tudo o que tinha de ser dito sobre o assunto já foi dito por gente muito séria, que conhece as Escrituras, tem senso crítico e visão, como @renatovargens  @Bp_Walter @augustuslopes e @pulpitocristao), não quero discutir aqui o que esse evento representou, explicar por que ele não significa nada par o Evangelho ou o quê. A inutilidade desse show para o Reino de Deus já está mais do que clara.

O que quero refletir hoje é sobre a desunião e a polarização que houve entre o povo de  Deus no que tange a esse evento. Pois me impressionou como nas redes sociais a coisa provocou uma guerra feia de opiniões entre cristãos pró e contra. Feia mesmo. Quem acompanhou domingo a web e as conversas entre cristãos sobre o assunto se espantou (assim como eu me espantei) com o festival de grosserias, ofensas, fogo cruzado de versículos contra versículos e desrespeito para com o próximo por causa de opiniões conflitantes. Foi vergonhoso. Tendo sido o evento válido ou inválido, o show de  anticristianismo nos bate-bocas via internet entre “cristãos” favoráveis e desfavoráveis deu a tônica do domingo (e continuou na 2a feira). Triste é que isso nada mais é que um reflexo de como a Igreja evangélica no Brasil se encontra atualmente: desmembrada, desunida, em ruínas, vendida, esquartejada, ignorante e festiva. E sobre isso me interessa falar.

Pois a verdade é que todo mundo tem uma opinião para tudo. E, nao se  ofenda, por favor, mas pouquíssimas vezes essas opiniões são embasadas biblicamente e teologicamente. Regra geral, é mero achismo. E isso não é um achismo meu: é uma constatação. Não se analisam os bastidores, as entrelinhas, a História. Nada. É um mero exercício de opiniões – umas sábias, de pessoas coerentes; outras esdrúxulas, irrefletidas e agressivas de cidadãos que… deixa pra lá.

Pois bem, vamos lá. A Rede Globo inventou um programa “gospel” para abocanhar uma fatia dos R$ 2 bilhões de reais que o mercado evangélico movimenta anualmente no país. Isso é fato notório e negar isso seria de uma alienação atroz. Dinheiro é a única motivação da Globo para esse evento, bem como dos pastores que durante toda a vida malharam a Globo e no entanto vergonhosamente fizeram anúncio de seus produtos nos intervalos. Pois o mercado gospel interessa: a pirataria é menor entre os evangélicos, o mercado dá bem mais dinheiro e por isso a gravadora da Globo, a Som Livre, assinou contrato com diversos cantores e grupos que se dizem evangélicos – e a máquina do marketing começou a funcionar: apresentações no Faustão, spots na programação da emissora e tudo mais o que um pop star contratado pela empresa tem direito. (Se você quiser saber mais sobre a cooptaçao de grupos e cantores “gospel” pelo mercado secular pode ler na reportagem que fiz alguns meses atrás para a revista Cristianismo Hoje pelo link  http://migre.me/7dCYL  ).

O não inventado à toa Festival Promessas foi ao ar como o ponto alto, até o momento, dessas estratégias de marketing. O evento em si foi um fiasco, só deu 10% do público esperado, comercialmente só não fracassou totalmente porque a Prefeitura do Rio injetou R$ 2,9 milhões e,  por essa razão, dificilmente será repetido. Mas não se iluda: o  mercado evangélico (você, querido, querida que me lê) dá muuuuuuito dinheiro e já já eles vão inventar outra novidade para abocanhar seu dinheiro. Não ache que vão largar o osso fácil assim não.

Eu trabalhei 11 anos nas organizações Globo, sendo 2 no jornal e 9 na TV, conheço perfeitamente bem como funciona a mentalidade lá dentro (onde o deus único e soberano chama-se Mamon e seu profeta é o “índice de audiência”) e posso falar com muita propriedade: tudo isso só teve uma única motivação: meter a mão na sua carteira. Só. Isso é fato. Quem crê que “Deus tocou no coração de algum executivo da empresa” para que o Festival Promessas ocorresse e “Deus fosse proclamado e glorificado” é vítima de uma ignorância quase esquizofrênica.

Mas esse evento em nada evangelístico breve vai cair no esquecimento, o dinheiro que a Globo ganhou com ele vai ajudar a financiar algo como um programa onde quem beija mais na boca ganha prêmios ou um reality show que incentive o adultério – apresentado por um ex-BBB – e os artistas gospel vão usar a grana que faturaram com o show pra comprar qualquer coisa em Miami… e acabou. Daqui a um ano ninguém vai nem se lembrar dele. Mas a desunião do Corpo de Cristo demonstrada nesse episódio permanecerá – e sobre isso sim me interessa refletir.

Mas, feita a introdução, vamo ao que interessa. Alguns pontos que as reações ao Festival Promessas (até agora não entendi o porquê desse nome, se alguém puder explicar a lógica disso eu agradeço) deixou claros sobre a igreja evangélica brasileira da atualidade são:

1. Argumentos sem base: Enquanto há cristãos que sabem interpretar a Bíblia do modo teologicamente correto, os argumentos que muitos evangélicos usam para defender seus pontos de vista são extremamente emocionais e/ou superficiais. Por exemplo: para tomar as dores do evento no twitter, um dos versículos mais citados pelos seus defensores foi Filipenses 1.18 (“Todavia. que importa? Uma vez que Cristo, de  qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por  verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei“).

Com toda propriedade, o Pastor professor de Bíblia e Hermenêutica Reverendo Augustus Nicodemus Lopes (foto), chanceler do Instituto Mackenzie, fez uma breve explanação hermenêutica do versículo em quatro tweets, que aqui reproduzo: “Paulo se referia aos judeus incrédulos que o estavam acusando nos tribunais romanos, quando ele estava preso em Filipos. Ao acusar Paulo, eles tinham de dizer q Paulo estava pregando q Cristo morreu, ressuscitou e q era o Senhor acima de César. Eles falavam isto para condenar Paulo, mas involuntariamente estavam pregando o Evangelho. É nisto q Paulo se alegrava. Portanto, ñ creio q se possa usar este texto para defender que os crentes podem usar qualquer meio p pregar o Evangelho“. Brilhante.

Mesmo assim, ignorando as normas racionais e consagradas de interpretação bíblica, houve quem atropelasse a boa teologia e respondesse de forma, digamos, emocional: “Pra mim, o texto em si já é bem claro. Mas é lógico que não faltarão “exegeses inspiradas” (sic) do versículo em questão! Sempre. Graças a Deus, que para o Senhor falar conosco, ele não precisa que sejamos chanceleres do Mackenzie, né?“, discordou um irmão por quem tenho muito apreço por sua seriedade com as coisas de Deus, faço questão de ressaltar, um dos que mais respeito no twitter. Mas que nessa pisou feio na bola (desculpe, queridão).

E, como esse exemplo, houve incontáveis. Ou seja, nós, evangélicos,  conscientemente ou não, ainda abraçamos a ideia mística de que para interpretar a Bíblia devemos esperar um raio do Céu, uma revelação do Espirito Santo dada a cada um, e não seguir pelo caminho que os Bereanos, os reformadores e os grandes teólogos sempre trilharam: uma delicada e detalhada análise das Escrituras baseada em normas consagradas e sistematizadas há séculos. A esse respeito, para quem quiser viver um Cristianismo sem misticismos e revelaiadas, sugiro a leitura de dois livros excelentes: Crer é também pensar, de John Stott, e Entendes o que lês?, de Gordon Fee e Douglas Stuart. Lembrando que grandes heresias da História sempre vieram de “revelações diretas de Deus”.

2. Agressividade: Muitos cristãos são extremamente agressivos. Para defender um evento que deveria em tese celebrar o manso e humilde Cordeiro de Deus, usam com quem discorda de si uma agressividade nos bate-bocas digna de fãs de Ultimate Fighting (UFC): distribuem suas opiniões como os gladiadores dessa modalidade de luta bestial, dando socos, murros e pontapés verbais. São verborrágicos, ofensivos, mundanos. Do lado de fora do ringue dos argumentos, esquecem completamente num canto obscuro: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, mansidão e domínio próprio (o fruto do Espirito de Gálatas 5.22,23). Não importa se ofendem ou agridem irmãos em Cristo, importa defender seu ponto de vista. “Não importa a verdade, importa a MINHA verdade e se discordar te pego la fora!” parece ser a tônica das discussões. É a síndrome do telepastor dos programas de TV de sábado de manhã: e daí se sou uma megera verborrágica falando e atacando meus irmãos na fé? Importa que eu fale. E venda, claro.

3. Inutilidade dos grandes eventos: Parte dos cristãos crê que qualquer aglomeração ou exposição na midia “em nome de Jesus” é uma grande conquista do Evangelho. Por outro lado, há os mais críticos e sagazes, que percebem que Marchas para Jesus e festivais como esses não promovem Jesus em nada: são apenas manifestações de poder denominacional, uma forma de ganhar dinheiro e, no fundo, uma boa desculpa. Temos então os crentes crédulos em tudo o que carregue o nome “Jesus” e os que compreendem que grandes eventos não fazem a mínima diferença na proclamação do Evangelho. Que evangelismo eficaz se faz no exemplo pessoal, no corpo a corpo, na pregação de pé de ouvido e não em estruturas megalômanas em que Jesus é um coadjuvante, ofuscado e escondido pelas luzes dos holofotes e pelos decibeis das caixas de som.

4. Discernimento: Os cristãos em grande parte perderam o senso critico. No que tange ao discernimento, há três grupos: de um lado, há uma parcela da igreja sem absolutamente nenhum. Que aceita qualquer novidade que a indústria gospel ou o pastor da moda empurra pra cima de si e acha o máximo. E isso inclui qualquer troço vendido “em nome de Jesus”: festivais, músicas, artistas, pregadores charmosinhos, teologias antibíblicas, igrejas da moda, modos de proceder, produtos, unções de 900 reais, ideias… Basta o artista do qual ele é fã ou o pastor que ele idolatra dizer algo que vira lei. Não há exame das Escrituras, não há debates, não há reflexões: se o ídolo gospel falou, tá falado! Que os anjos digam amém.

O segundo grupo, que se contrapõe a esses crédulos festivos, é o de piedosos, aqueles que sentam em um canto, queixo apoiado na mão, respiram fundo, a cabeça balançando, sem forças, energia ou paciência para tentar argumentar com os do primeiro grupo. Pegam suas bíblias, oram e clamam a Deus para que os olhos dos tais sejam abertos, vivendo sua vida devocional sem se misturar com as polêmicas e as bobajadas gospel.

E há o terceiro grupo, de cristãos devotos, críticos e entristecidos com a Babel que a igreja evangélica visível se tornou no Brasil e que tentam desesperadamente fazer algo para mostrar aos crédulos que Jeus não é Genésio: fazem isso no twitter e em blogs, mas principalmente nos púlpitos: legiões de bons pastores e cristãos anônimos que fazem seu trabalho de formiguinha na proclamação do autêntico Evangelho de Jesus Cristo e no combate aos exageros e absurdos praticados “em nome de Jesus”

5. A ilusão da igualdade: Existe uma ilusão proporcionada pelas redes sociais de que todas as opiniões têm o mesmo peso. E isso simplesmente não é verdade. Nesse cybermundo democrático em que convivemos, parece falsamente que a opinião de qualquer pessoa que nunca leu a Bíblia tem o mesmo peso (sendo que não tem) de irmãos que estudaram a Palavra, se dedicaram anos a fio a leituras, estudos e seminários e sabem que Habacuque e Albuquerque são coisas diferentes. Mas nessa cultura de Big Brother Brasil – onde um iletrado ignorante que nunca pegou um livro mas ficou famoso porque participou de um reality show – senta-se à mesma mesa que um sociólogo ou um antropólogo em programas de debates na TV (como se a opinião de todos valesse a mesma coisa), é natural que essa tendência invada o universo gospel, onde se imita tudo o que o mundo faz.

E aí nós vemos nas redes sociais argumentos inacreditáveis – sendo levantados por molecotes pós-adolescentes que mal sabem a diferença de Roboão para Jeroboão – para combater teólogos e sacerdotes que há 30, 40 ou 50 anos estudam a Palavra de Deus e dedicam suas vidas ao ministério – como se estivessem no mesmo nível. Mas o desnível chega a ser tão exacerbado que às vezes dá vontade de rir até do que é escrito por certos indivíduos. Pra não chorar.

Qual o resultado disso? A igreja evangélica visível está perdendo o respeito pelos que detém o conhecimento. E não despreze o conhecimento: quando você está doente procura alguém que tem uma opinião sobre a sua doença ou alguém que tenha estudado anos e detém conhecimento para curá-la? A resposta é óbvia. Apesar disso, neófitos passam a desprezar os mais experientes, vividos, sábios e detentores de conhecimento bíblico e teológico porque petulantemente se enxergam no mesmo patamar. Isso não é desprezar os menos conhecedores nem considerá-los inferiores ou piores, é apenas constatar o óbvio: quem sabe mais sabe mais. Quem tem mais estrada sabe onde estão os buracos e as curvas perigosas. Achar que todos são iguais em suas opiniões é mera ignorância. Não posso achar que a opinião de Pelé sobre como jogar futebol valha menos que a de um menino que está no dente-de-leite do Santos. Ou que a opinião de um jovem que toca violino há seis meses tem mais substância que a de Itzhak Pearlman sobre formas de se tocar o instrumento.

6. Maquiavelismo: Nós, cristãos, achamos que em nome de “ganhar almas” vale tudo. “Nem gosto daquele estilo musical mas acredito que Deus tenha podido salvar alguma miserável alma que viu o programa“, justificou um irmão no twitter. O grupo de cristãos que crê nisso nem se dá conta de que está usando um argumento maquiavélico, literalmente. Pois foi o filósofo e escritor Nicolau Maquiavel (pintura) quem criou a máxima “o fim justifica os meios” – ou seja: não importa o que você tenha que fazer para alcançar um alvo, se é pra chegar lá tudo está valendo.

Por outro lado, vemos os grupos de cristãos que percebem que dentro da ética cristã não há espaço para esse tipo de pensamento. E isso gerou comentários no twitter como “Hoje a Rede Globo patrocinou mais um passo na secularização da igreja evangélica no Brasil. E os anjos choram“. Ou ainda: “Quem celebra esta incursão da Rede Globo no mercado evangélico não compreende o quanto fomos vendidos com este ato hediondo” – comentários vindos de um respeitado lider eclesiástico.

Curiosamente, o argumento de que “vale tudo para salvar almas” é o mesmo que leva muitos de nós a fechar os olhos para a macumba gospel que acontece em muitas igrejas neopentecostais, como o uso de rosas ungidas, sal grosso, copos de água, óleo santo de Israel, campanhas de sei lá quantos pastores no Monte Sinai e abominações parecidas. “Ah, tudo bem, pelo menos almas estão sendo ganhas”, é o argumento que já ouvi milhões de vezes. Só é bom lembrar que, se em Marcos 16 Jesus diz “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas“, em Mateus 28 ele dá a versão completa da Grande Comissão: não importa só ganhar almas, importa fazer discípulos: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos“. E discípulos são cristãos bem ensinados, treinados na sã doutrina, praticantes do Cristianismo puro e simples. E não corpos que são arremessados para dentro de igrejas, passam a frequentar cultos e a praticar as maiores atrocidades antibíblicas. Pois aí, lamento informar, essa alma não foi ganha para Jesus: foi cooptada para uma igreja. E só.

Conclusão

O Festival Promessas foi apenas uma jogada de marketing comercial da Rede Globo e da Som Livre para faturar dinheiro dos cristãos. Quase todos ganharam com isso: a emissora, o pastor-empresário que antes a malhava mas anunciou seus produtinhos nos intervalos, os artistas que participaram do evento. Rolou dinheiro para todos. Bem, para você não, em especial se é carioca, pois foi do seu imposto que a Prefeitura desembolsou o capital para ajudar a organizar o evento. E também não ganhou nada o Reino de Deus, pois nada do que houve ali foi evangelístico, não ouvi até agora nenhuma história de conversão advinda de alguém ter assistido ao show e a única consequência visível foi o quebra-pau entre os irmãos em Cristo pelas mídias sociais.

Apenas mais uma entre tantas provas de que a igreja evangélica visível no Brasil anda mal das pernas, sem devocionalidade, sem amor, mundana, doente, falida, precisando urgentemente de um milagre de Deus para ser restaurada.

Que a Rede Globo promove valores anticristãos nunca foi novidade. Sexo livre, familias destruídas, baixarias, críticas a pastores, evangélicos sendo apresentados em novelas de forma caricata e depreciativa, exaltação da nudez…enfim, nada de bom em termos bíblicos sai da emissora. E, ao promover um show “gospel” que foi um fiasco de público, o que conseguiu fazer foi dividir ainda mais a igreja evangélica visível. Deflagrou uma guerra verbal e de ofensas, agressões, soberba e petulância. O que há de bom nisso? Responda você.

Aí eu me lembro de 1 Coríntios 12.24-27, que diz “Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele. Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo“. Percebo, então, que esse Festival não serviu de absolutamente nada para glorificar Deus, só trouxe desunião e esquartejou ainda mais o Corpo de Cristo, que já anda tão dividido.

E dividir a Igreja é aquilo que o diabo mais quer.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Leia ainda: Festival Promessas: um raio-x da igreja brasileira

Existe dentro da tradição judaica um conceito que considero um dos mais lindos que existem nas relações humanas: o da Tsedaká. Por vezes é traduzido como “caridade”, mas a raiz da palavra é, do hebraico, Tsedek, ou “justiça”, o que é mais forte do que fazer uma simples caridade. O preceito ordena fazer caridade no sentido de “cumprir a justiça”. Apesar de ser um conceito da tradição judaica, tem muito a nos ensinar. Esse preceito é uma ordem aos judeus a darem Tsedaká, ou seja, a sustentar os necessitados e a aliviar suas cargas. A origem do Tsedaká vem da Torá hebraica, o equivalente ao pentateuco cristão, como no texto que diz “Abrirás tua mão para teu irmão, para teu pobre” (Deuteronômio 15:11). Segundo o rabino Kalman Packouz, o significado é que devemos ajudar os nossos pobres e sustentá-los de acordo com suas necessidades. As normas desse preceito estão explicadas em vários lugares,  inclusive no Talmud, e determinam que mesmo o homem pobre que vive de Tsedaká tem a obrigação de dar Tsedaká, ainda que mínima, a alguém que seja mais pobre do que ele ou tão pobre como ele próprio.

O que me encanta no Tsedaká é seu principio: da mesma forma que Deus cuida de nós, devemos nos esforçar para ajudar o restante da humanidade.

Gosto muito do primeiro parágrafo da oração ‘Shemá Israel’, onde está escrito: “Você deve amar seu Deus com todo seu coração, toda sua alma e todas suas posses”. Os sábios do Talmud perguntam: “Por que está escrito ‘Todas suas posses’? A resposta é que para algumas pessoas é mais difícil separar-se de seu dinheiro que se separar da própria vida”.

No livro “Para Curar Um Mundo Fraturado – A Ética da Responsabilidade”, o Rabino Jonathan Sacks afirma que a ética da Tsedaká calibrada à perfeição vem embebida num insight psicológico, uma vez que o iimportante não seria o quanto você dá, mas como você dá. Isso incluiria o anonimato como essencial à dignidade, além do que nunca devemos constranger os pobres. Aos ricos, não é permitido se sentirem superiores. E nós não damos para ter orgulho de nossa generosidade. Reza a tradição judaica que a Tsedaká deve ser dada com prazer e com um semblante agradável. Que se um pobre lhe pedir dinheiro e você não tiver condições de ajudá-lo no momento, não levante a voz ou aja desagradavelmente. Solidarize-se com ele e, calmamente,  expresse que gostaria de ajudá-lo, mas que no instante não tem como fazê-lo.

Segundo o livro “Love your Neighbour”, do Rabino Zelig Pliskin, a recompensa por praticar a Tsedaká é enorme. No feriado judaico do Yom Kipur os judeus recitam que “três coisas revogam um mau decreto dos Céus”: Teshuvá (retornar ao caminho da Torá), Tefilá (orações) e Tsedaká (atos de justiça, de correção). Mas, de todas essas coisas, o que me soa mais bonito de tudo é que ajudamos porque somos parte de um pacto de solidariedade humana, e porque é o que Deus quer de nós, antes de tudo em honra à confiança em nome da qual Ele temporariamente nos emprestou riqueza.

E eu com isso?

Aí você pode estar se perguntando: “Tá legal, Zágari, tudo isso é muito bonito, mas eu não sou judeu, sou cristão, o que eu tenho a ver com isso?”. Eu diria que tudo.

Chega a ser um clichê quando alguém se refere à comunidade judaica que se diga que é raríssimo ver um judeu desempregado, passando por necessidades ou desamparado. Tive uma conversa com uma judia e ela me explicou que isso deve-se ao conceito do Tsedaká: graças a esse princípio, que é muito levado a sério, nunca um judeu vai desamparar outro: se um israelita estiver em dificuldades financeiras, logo a comunidade se mobiliza para conseguir-lhe um emprego ou auxiliá-lo de algum modo que o tire do aperto.

Eu parei então para pensar no que nós, cristãos  fazemos quando vemos outro cristão necessitado. Sim, nós, que temos como parte do primeiro mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Na maioria esmagadora das vezes em que algum cristão em apuros se aproxima passando dificuldades nossa reação não é abrir a carteira, mas pôr a mão em seu ombro e dizer: “Vou orar por você”. Se você for muito espiritual, diz “vamos orar”, senta ao lado dele, ora junto e pede a Deus que abra as janelas do Céu – mas ainda assim não abre a carteira. Se um cristão pobre vem pedir dinheiro no sinal de trânsito, nós nos rejubilamos em, rapidinho, fechar a janela do carro.

Nosso conceito de amor ao próximo tem sido completamente esquecido. Basta passear pelas ruas das metrópoles e você verá legiões de pedintes, gente querendo um prato de comida. E os cristãos aqui estão tão atrasados para ir ao culto louvar a Deus com as mãos levantadas que não têm tempo de parar, estender a mão e comprar um prato feito que seja pros famintos que nos cercam. Não estou falando dos mendigos profissionais, mas daqueles que realmente precisam.

A título de reflexão, vou lhe fazer algumas perguntas objetivas. E você, que é crente em Jesus Cristo, que vai à igreja todo domingo, responda a si mesmo:

- Qual foi a última vez que você desviou-se de seus afazeres para dar alimento a um faminto?
- Quando você doou pela última vez dinheiro a uma instituição de caridade?
- Há quanto tempo você não tira um tempo para ouvir uma pessoa aflita ou desesperada?
- Qual foi a última vez que você visitou um orfanato ou um asilo?
- Quem de fora da sua família você ajuda financeiramente com um sustento regular?
- Quantas crianças carentes você já apadrinhou pela Visão Mundial?
- Quanto da sua renda você doa por mês para ajudar a sustentar um missionário?

Em contrapartida, responda agora o seguinte:

- Quantas vezes este mês você gastou dinheiro comendo ou lanchando fora de casa?
- Quantas roupas ou sapatos novos você comprou para si nos últimos 60 dias?
- Quanto dinheiro você destinou no ultimo mês para ir ao cinema, ao teatro ou para alugar DVDs?
- Quanto você paga por mês pela sua TV por assinatura?
- Se você é mulher, quanto você gastou no ultimo mês com salão de beleza?
- Quanto dinheiro você gastou este ano com bobagens como capinhas de celular ou outros badulaques do gênero?

Quando eu fiz para mim mesmo essas perguntas tive tanta vergonha de mim que quase me converti ao judaísmo, só para praticar o Tsedaká. Só desisti porque me lembrei que teria de me circuncidar. Então cheguei à conclusão que seria menos doloroso apenas começar a praticar o que Jesus nos ensinou.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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David Wilkerson foi um grande pastor. Acima de tudo porque pregava sem ter nada a perder e por isso o que saía de seus lábios no púlpito eram somente mensagens bíblicas e, muitas vezes, duras.

Lembro-me quando visitei, em 1999, sua igreja em Nova York, a Times Square Church (um antigo teatro localizado no número 1.657 da Broadway), lindíssimo, onde curiosamente anos antes fora a estreia do famoso musical “Jesus Christ Superstar”. Me recordo que antes de o culto começar as cortinas do teatro de veludo vermelho ficam fechadas, enquanto o belíssimo coral da igreja aquece a voz. Confesso: nesse momento, apenas de ouvir os vocalizes, chorei. Perceba: chorei ao ouvir somente o aquecimento do coral, mesmo com as cortinas fechadas – aquilo me fez entender o que era unção – cantando músicas como “Jesus, Lover of My Soul” (isso anos antes de o Hillsong United estragar a música rsrs). Mas lembro de ter sido tão forte o impacto que aquilo causou em mim que decorei a letra:

Jesus, lover of my soul
Jesus, I will never let You go
You’ve taken me from the miry clay
Set my feet upon the rock and now I know

I love You, I need You
Though my world may fall, I’ll never let You go
My Savior, my closest friend
I will worship You until the very end

Curiosamente, quem pregou aquela manhã não foi Wilkerson, foi seu então pastor auxiliar Carter Conlon, e me recordo até hoje da pregação: “Como saber se estou cumprindo a vontade de Deus” era o tema. Tive de viajar a Nova York para ouvir de modo simples a resposta a uma pergunta que me fazia há tempos.

Mas nada disso importa para este post. Eu o criei apenas para compartilhar com você o video com uma pregação de Wilkerson, “Um chamado para a angústia” (agradeço à querida Andreia Araújo por ter me enviado). Coisa fora de moda na Igreja, não é, angústia? Mas não na Bíblia. A pregação é impecável, saída de um coração contrito, verdadeiro e derramado. Dura mais de 50 minutos, mas vale mais a pena do que assistir a um programa de TV desses ditos “evangélicos” de sábado,  que não servem para nada além de ajudar os donos do programa a enriquecer vendendo seu produtos.

Já esta mensagem que reproduzo abaixo ajuda a vender a Cruz. Ouvir esse sermão me fez tomar iniciativas (coisas pessoais, não convém dizer aqui). Mudar atitudes. Esse chamado para a angústia me alcançou e me fez tomar resoluções. Espero que a pregação angustie você como angustiou a mim e te faça tomar alguma atitude, como me fez tomar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Recentemente uma pessoa por quem tenho bastante apreço me disse com muito ódio em suas palavras que “nunca mais leria nada que escrevo”, o que inclui este blog. Confesso que, passado o susto daquela reação absolutamente inesperada, dada a fúria com que foi expressa, em vez de ficar chateado… senti paz. E posso dizer isso, pois, diante do que ela me falou, sei que não lerá o que aqui escrevo agora. Pode até soar estranho dizer que fiquei mais tranquilo por alguém ter parado de  ler minhas reflexões, afinal todo escritor e todo blogueiro quer ser  lido, mas duas boas razões me fizeram suspirar de alívio ao receber uma espinafração seguida do ultimato: “Nunca mais lerei o que você  escreve”.

A primeira razão do meu alívio é por saber que, agora que essa pessoa não me lê mais, posso compartilhar pensamentos – que antes não tinha coragem – com os internautas que ainda aturarem minhas reflexões. Pois, por prezar muito essa pessoa, temia feri-la ao escrever certas verdades. Mas agora esse problema deixou de existir e textos que estão há semanas arquivados simplesmente para não feri-la agora poderei postar. Pois trata-se de alguém de grande sensibilidade e que por isso se magoa facilmente. Acredite: ela ter decidido parar de me ler me tranquiliza, por uma razão que pode parecer soberba para alguns, mas quem tem um coração puro vai compreender. Se você tem a paciência de ler não só os posts do APENAS, mas também os comments escritos pelos irmãos que os leem, vai perceber quantas pessoas deixam registrados testemunhos dizendo que o que leram foi o que precisavam ouvir naquela hora ou que foi uma resposta de Deus a suas orações. Então não só o APENAS, mas muitos e muitos blogs cristãos sérios ajudam a levar palavras, reflexões e admoestações que tocam vidas.

O que, na verdade, não é um mérito de blogs em si. Pois por trás de cada blog cristão sem fins lucrativos há seres humanos que querem o bem do próximo. E que devotam seu tempo precioso para escrever com o objetivo de edificar. É mérito, isso sim, da comunhão de irmãos em Cristo, pois isso é viver IGREJA de fato: se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram, compartilhar verdades e, se preciso for, chamar o irmão amado à responsabilidade – por mais que lhe doa. Seja no ambiente real ou virtual. É o que a Bíblia manda fazer.  Então, se este simples espaço onde compartilho pensamentos puder ajudar a me fazer ser mais IGREJA com os poucos que me leem, é bom que eu o use. E se para isso foi preciso que eu sofresse o boicote de uma pessoa querida, tento ver nisso a vontade de Deus e aceitar passivamente.

A segunda razão da minha tranquilidade por parar de ser lido por essa pessoa é ver que aquilo que penso e, em seguida, compartilho no papel, está alcançando corações e mentes – mesmo que provoque reações furiosas. Em especial num blog cristão que (seguindo o que o cristianismo ensina) também inclui exortação, saber que sua admoestação deixou alguém extremamente irado é sinal de que suas palavras tocaram em alguma área sensível da vida daquele indivíduo. Eu preferia e esperava honestamente que tivesse gerado outro sentimento e outras atitudes, foi uma surpresa sem tamanho para mim, mas de qualquer modo tocou.

E por que essa celeuma?

No caso, o problema deu-se porque essa pessoa decidiu se casar com outra que já me afirmou não amar o suficiente para contrair matrimônio. Escrevi sobre o enorme erro que é isso (e, se você que me lê está vivendo algo semelhante, pondere minhas palavras, pois podem servir para sua vida e te livrar de um grande mal). Na verdade, considero que casar-se sem que você ame profundamente seu pretendente é um dos maiores erros que um cristão pode cometer. Possivelmente o maior erro de sua vida.

Pois o solteiro não tem ideia do que é um casamento e acredita que vai conseguir “construir o amor” com o tempo. Só que isso não existe, é uma ilusão, não vai acontecer, e casar-se com alguém de quem você apenas gosta e que te trata bem é o caminho mais curto para uma infelicidade que vai durar décadas. É atirar-se voluntariamente num abismo de infelicidade e de mentiras.

Eu evitei ser direto com essa pessoa, para ser politicamente correto. Apenas dizia a ela que, se aquele era o caminho que ela tinha escolhido, eu iria orar por ela e por sua felicidade (como de fato oro). Mas tive algumas experiências pessoais e li trechos da Bíblia (como o que originou o post Hipócritas no amor) que me despertaram para o colossal erro que é se casar sem amar plenamente e profundamente o futuro cônjuge, achando que um sentimento de amor conjugal  “se constrói” pela força da vontade. O que é uma balela e simplesmente não ocorre no mundo real. Não acontece. Não vai acontecer. E essa pessoa será infeliz – por mais que ela diga que não, pois é como as coisas são e sempre foram na história da humanidade. E isso não vai mudar pelo poder do pensamento positivo, lamento informar.

Escrevi então um post direto sobre o assunto, chamado Não faça isso!. Mas, depois de ter postado, me arrependi. Achei, num rasgo de consciência, que não tinha o direito de me intrometer na sua vida, por mais destrutivas que você tenha certeza que certamente serão as decisões tomadas por ela. E, por isso, num gesto de zelo, lhe escrevi pedindo que não lesse o post. Pra quê. Fui massacrado. Acusado de falta de amor (ironicamente, por ter falado a verdade). Até me ofender, dizendo que eu fazia aquilo porque “agora era famoso, uma celebridade” (apenas porque ganhei prêmios por um livro que escrevi), num absurdo argumento ad hominem, tive de ouvir. Mas paciência. Ao ver aquela reação tive certeza de que escrever para ela “Não faça isso! Não se case sem um amor profundo!” foi a coisa certa a fazer.

Por quê? Pois, como cristão e irmão em Cristo, fiz a minha parte. Exortei em amor. Zelei. Cuidei. Adverti que essa bobagem de que amor conjugal se constrói por força da vontade é irreal. Que ama-se e depois se casa – e não o contrário. Conheço dois sacerdotes cristãos que desmancharam noivados pouco antes do casamento por perceberem que estavam se casando pelos motivos errados. Um deles a duas semanas do casamento. Tiveram peito e cristianismo suficiente para não se casarem sem o que era preciso e, por tabela, não enganarem seus futuros cônjuges mentindo para eles e fazendo-os crer que eram amados de um modo que na verdade não eram. Isso chama-se hombridade – e admiro esses homens por isso. Tempos depois, conheceram mulheres que de fato vieram a amar, se casaram, tiveram filhos e vivem felizes até hoje.

Conheço gente que se casou pelas razões erradas. Cristãos. E precisam conviver com o amargor dessa decisão todos os dias. E aí você olha esses casos e vê pessoas queridas indo pelo mesmo caminho destrutivo. E tenta alertar. O resultado: é ofendido e perde um leitor. Paciência, nessa hora você lava as mãos em amor e entrega o caso a Deus.

E eu com tudo isso?

A essa altura você pode estar se perguntando: “Zágari, então este post é apenas um lamento? É um desabafo?”. Não, amado, amada. É um alerta, repleto de amor a você que pode estar vivendo algo semelhante, como o que fiz a essa pessoa querida. Só que ela é um caso perdido, tomou sua decisão acreditando na fábula de que vai conseguir “construir um amor” que não existe. E a entreguei na mão de Deus. Mas sei que pode haver pessoas que estejam lendo esta história e vivendo algo parecido – e para quem ainda há tempo de mudar algo.

Um exemplo disso (como Deus faz as coisas, não?) Chegou quando este post já estava escrito, quando eu já estava pronto para publicá-lo, mas fiz questão de inserir aqui. Uma jovem mulher (cuja identidade vou preservar) pediu meu e-mail pelo twitter e me escreveu um longo e-mail contando sobre seu relacionamento com um rapaz por quem não nutre um amor profundo. E o cara é até bem legal. “Ele é realmente um ótimo rapaz, responsável, carinhoso, cuidadoso, respeitador, da igreja”. Começaram a namorar. “Acontece que, durante esses meses eu não consegui sentir por ele aquilo que chamo de amor. Aquele amor que o senhor escreveu no seu blog tantas vezes, que cria guerras, que mudou a História da humanidade algumas vezes, enfim, aquele amor de I Co. 13, que nunca acaba. O que eu sinto por ele é atração, eu gosto dele. Mas, não o amo e tenho muita certeza disso no meu coração”. E foi além: “lhe escrevi uma carta, dizendo que o amava e que era pra sempre, mas me arrependo, porque não era verdade”. Por fim, essa jovem termina o e-mail: “Eu preciso ser sincera: se vejo minha vida sem ele, não sofro, entende? Sei que o amor verdadeiro não é assim. Me ajude, por favor”.

O que eu respondi a ela? O óbvio: termine esse relacionamento. Pois relacionamento pressupõe profundidade, amor imenso, devoção, e não apenas um “amor”… que não é amor.

Então com vocês, queridos irmãos, serei tão direto e objetivo como fui com essa querida amiga do twitter que me escreveu, pois casamento dentro do Reino de Deus é uma das coisas mais sérias que há e não dá pra ficar sendo politicamente correto com um tema tão grave. Pois é a partir do casamento que se formará a família, o alicerce da Igreja erguido sobre a Rocha que é Cristo.

Então ouça, pois serei direto, nada politicamente correto e direi a mais pura verdade, doa a quem doer: se você não ama profundamente seu noivo (ou noiva), NÃO SE CASE. Amor não brota depois de uma bela cerimônia e da coabitação, isso é uma mentira. Se não tem certeza, NÃO SE CASE. Também NÃO SE CASE porque todas suas amigas já se casaram e você não quer ficar pra titia. NÃO SE CASE por pressão social ou dos membros da sua igreja. NÃO SE CASE porque seu sonho é ter filhos, pois filhos biblicamente são consequência de um casamento motivado por amor real e profundo e jamais a causa dele. Você não é obrigado a se casar – só se casa se quer e a responsabilidade de tudo o que advirá disso é exclusivamente SUA. Não tem que fazer isso para prestar contas a outras pessoas. Casamento não tem idade certa, tem a PESSOA certa. Você não tem que organizar seu futuro em cima de motivações erradas. Se suas motivações para casar forem frágeis, NÃO SE CASE! Antes do altar, tudo é possível. Então se você perceber que está indo por um caminho de tristeza, termine namoros, desmanche noivados, faça o que for possível. Porque, depois do “eu aceito”… biblicamente não há mais volta, você assumiu um compromisso eterno. E aí, que Deus tenha misericórdia de você e de seu cônjuge.

Enfim…existem mil motivos para você não se casar. E apenas um para que você o faça. O único motivo que deve levar alguém ao altar é a certeza de que é impossível viver sem aquela pessoa, que, sem ela ao seu lado, a vida não faria sentido.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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No post “O abismo chamado hipocrisia“, aqui do APENAS, tratamos em detalhes a questão desse pecado que, em sua raiz etimológica, tem o sentido de “alguém que desempenha um papel”. Ou seja, hipocrisia tem a ver com fingimento, teatralidade, mentira, falsidade. É quando vocé finge ser, sentir ou pensar algo que não condiz com a realidade. Ocorre que, em minhas leituras bíblicas, descobri, inesperadamente, que as Escrituras dão importância, embora muitos não saibam, a um pecado pouco falado que é a hipocrisia no amor.

Quando falamos de amor, é preciso que haja pelo menos dois participantes: o que ama e o que é amado. Isso em qualquer instância: amor entre homem e mulher, pai e filho, Deus e o homem. Então, se as Escrituras nos advertem sobre hipocrisia no amor, isso significa que há a possibilidade de ou o ser que demonstra amor ou o ser que recebe esse amor não estar sendo 100% sincero na realização desse sentimento. Foi quando me deparei com Romanos 12.9, onde Paulo, num contexto que fala sobre a racionalidade do cristão, ordena: “O amor seja sem hipocrisia”.

Nunca tinha reparado com atenção nessa ordenança: “O amor seja sem hipocrisia”.

E o apóstolo do Senhor é tão rigoroso nessa questão que compara o amor hipócrita a um mal que deve ser “detestado”. Tanto que a sequência do versículo estabelece: “Detestai o mal, apegando-vos ao bem”. Ou seja, aos olhos do apóstolo que, cremos, falou inspirado pelo Espirito Santo, fingimento numa relação amorosa é algo definitivamente detestável aos olhos do Senhor.

Fato é que muitos de nós vivem suas vidas amorosas de forma bastante hipócrita. E nao estou falando de adultério, mas de hipocrisia numa relação legítima. E isso em diversos âmbitos. Tive uma colega de trabalho que mentia ao marido sobre quanto dinheiro gastava por mês. Já aconselhei na igreja pessoas que simulavam orgasmos para agradar o cônjuge em vidas sexuais frustradas. Sei de casos de cristãos que mantém relações íntimas com seus cônjuges imaginando estar com outras pessoas. Conheço jovens moças de igreja que namoram rapazes só porque eles têm dinheiro, carro do ano e lhes oferecem outras vantagens materiais. Existem casais cristãos que vivem juntos sem expor com sinceridade plena aquilo que sentem e pensam. E há, até, quem se case sem amor porque… bem, para ser honesto, nem sei por quê.

“O amor seja sem hipocrisia” é mandamento do Senhor. Seja em que âmbito for. Não ame a Deus com subterfúgios. Não finja que ama quem não ama para que isso te gere benefícios financeiros. “O amor seja sem hipocrisia” significa, na prática, que o amor deve ser sem fingimentos. Deve ser franco. Transparente em todos os sentidos. Se houver problemas, que se busque o diálogo aberto e a oração. A tônica da sinceridade em um relacionamento amoroso segundo os padrões de Cristo é:  ”Amado meu, o que o ocorre é isso, isso e isso. Vamos trabalhar juntos para que não haja nenhum fingimento em nossa relação?”. Caso contrário, se você persistir na teatralidade, estará persistindo naquilo que Deus detesta. É o que tenho tentado viver em plenitude na minha vida depois que esse trecho da Bíblia caiu na minha cabeça como uma bigorna.

“O amor seja sem hipocrisia”. Uau. Que mandamento.

Geralmente, quando pensamos em algo detestável aos olhos de Deus no âmbito da relação a dois entre homem e mulher, só o que nos vem à cabeça é o sexo fora do casamento e a traição. Será? Pois, se eu ou você trazemos a hipocrisia para dentro de uma relação de amor, diz Paulo, também estamos fazendo algo que, assim como todos os demais deslizes relativos a essa área de nossa vida, é biblicamente detestável.

Adultério, fornicação ou hipocrisia no amor… será mesmo que algum desses pecados é pior do que o outro?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Eu sugiro que você não leia este post. É sério. Não continue lendo, pois ele vai machucar seu coração. Ele é muito mais um desabafo de mim para mim aqui dentro do meu mosteiro virtual do que uma comunicação com alguém. E vou usar palavras pesadas, muito pesadas, pois não há palavras leves que exprimam o que vou dizer. O assunto de que vou tratar não tem nada de agradável, nao traz edificação direta, não vai trazer alento a sua alma. Na verdade, vou falar de uma abominação. Esta reflexão tem a ver com ganância, com impureza de alma: o uso de dinheiro sagrado para fins que não sejam a obra de Deus. É um assunto sórdido. Um tema que eu gostaria muito, muito, muito que não existisse, mas que infelizmente existe. Se você já leu a seção Por que esse blog existe? do APENAS sabe que eu criei este blog como modo de pôr para fora da minha mente coisas que me incomodam, que o criei para ser um mosteiro onde me fecharia e poria para fora pensamentos que envenenam minha alma. Então por favor não continue lendo, pode ser que um pouco desse veneno respingue em você. Siga por sua conta e risco, pois o que você lerá adiante não é nada bonito.

A verdade é que estou farto de ver pessoas que usam o Evangelho Santo e Sagrado de Jesus Cristo como desculpa para obter ganho financeiro. Muitas e muitas vezes ilícito, falemos a verdade. A Bíblia nos relata que Judas roubava do dinheiro que viabilizava a subsistência dos apóstolos e de Jesus: os séculos se passaram e hoje parece que, em vez de aprender com o que aconteceu com Judas, que terminou sua vida em desgraça, muitos repetem seu exemplo e continuam metendo a mão na bolsa onde está o dinheiro sagrado da obra de Deus. Os Judas, na verdade, se multiplicaram.

Evidentemente que, do mesmo modo que dos doze apenas um era bandido, hoje a maioria dos que atuam e trabalham em igrejas, em ministérios ou instituições religiosas são pessoas sérias, tementes a Deus, verdadeiras servas do Senhor, para quem dinheiro não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio de viabilizar uma vida digna enquanto não chega a hora de partir para a eternidade. Que isso fique claro. Mas não é essa maioria santa que me incomoda, quem mexe com minhas entranhas são a minoria, aqueles calhordas que buscam atuar na obra de Deus para faturar. Palavras pesadas? Ainda dá tempo de parar de ler
este post, não foi falta de aviso, mas são palavras que definem exatamente o tipo de gente que estou descrevendo, não consigo achar outras que explicitem melhor aquilo que descrevem. Se lhe soar agressivo, por favor pare de ler agora, pois não quero ofender ninguém – é uma mera constatação. Mas essas pessoas são inimigas da Igreja que eu amo e, logo, são inimigas do Cristo que eu amo. E contra isso não há meias-palavras. Assim. serei incisivo e firme no que escreverei – ainda há tempo de ir ler um blog bonitinho que fala sobre coisas cor-de-rosa.

O que mais me enoja são aqueles que enxergam o sagrado ministério pastoral como um “emprego estável”. Esses dão-me ânsias de vômito. São indivíduos que veem no pastoreio um caminho fácil de ganhar a vida, que não estão verdadeiramente preocupados com as ovelhas machucadas do Senhor, que não buscam cuidar das feridas dos soldados da batalha: querem saber como lucrar com a guerra. Esses são abomináveis, pois transformam em emprego algo sacrossanto. Gente despreparada para cuidar até de um cachorro, mas que sobe a púlpitos dizendo estar cuidando do rebanho de Cristo. Hipócritas que fingem ter vocação e chamado pastoral para poder ter acesso livre a dizimos e ofertas e assim levar uma vida materialmente tranquila. É por causa de canalhas como esses que o nome da Igreja de Jesus Cristo foi tão enlameada nas últimas décadas.

E se você acha que estou falando apenas de igrejas neopentecostais que apregoam a satânica Teologia da Prosperidade, saiba que não são apenas os lideres dessas igrejas-empresas que fazem isso. Essa corja você encontra em todo tipo de igreja: tradicional, pentecostal, católica, emergente, igrejas nos lares, na internet… Os bandidos da fé estão em toda parte.

Mas não é só nos púlpitos, na TV e na internet que você os encontra. É aquele diácono que mete a mão na salva, o líder de jovens que surrupia dinheiro de campanhas feitas pela mocidade para arrecadar fundos com esse ou aquele propósito, o tesoureiro que manipula o balancete das igrejas para escorregar uma graninha pro bolso. Esses malignos profissionais da fé podem ser encontrados em qualquer departamento de qualquer modelo de igreja ou comunidade cristã. Judas está bem e vive entre nós.

Na área da música, então, nem se fala. Quantos não são os músicos, cantores, instrumentistas, letristas, produtores, gravadoras, marketeiros e bandos de outros profissionais envolvidos na teoricamente chamada área de “louvor e adoração” que louvam e adoram sim, mas Mamon. Que compõem, tocam e interpretam lindas canções mas de olho na bilheteria, no cachê, nos contratos das gravadoras, nas ofertas… Jesus? É só um tema de música. Um argumento. Uma mera desculpa. Alguém cujo nome rima com Cruz, a gente faz uma musiquinha e vamos faturar. Abominação.

A indústria fonógrafica fisgou de jeito os cristãos, que consomem avidamente CDs e DVDs de músicos que muitas vezes vivem vidas devassas. Mas que cantam tão lindo! São milhões de reais movimentados todos os anos, ao ponto de empresas seculares fecharem contrato com músicos ditos “evangélicos”, que, assim, começam a aparecer por força de cláusulas de contrato em programas como o do Faustão. E o povo de Deus acha que isso é um grande avanço do Evangelho!  Escute isso: não é! São apenas artistas fazendo propaganda de seus CDs e DVDs num programa mundano, tendo ao fundo bailarinas dançando seminuas ao som de músicas que usam o nome do Cordeiro de Deus, do Santo dos Santos. Mas essa divulgação vai gerar milhões de reais em vendas, divididos avidamente entre todos os envolvidos como urubus disputam carniça. E nós, crentes, claro, achamos isso sinal da benção de Deus. Um enorme avanco do Evangelho! Não é. Senão Xitãozinho e Xororó cantando meia hora no Faustão seria avanço de quê?! Acorda, minha gente, é só business e nada mais! Claro, usando o Sagrado nome de Jesus. Abominável.

Sem falar dos políticos, que usam aquele ridículo slogan “irmão vota em irmão” para angariar votos. Seria leviano dizer que todo político é ladrão. Não serei leviano. Há homens sérios que ingressam na vida político-partidária com o real intento de ajudar a sociedade. Mas se você consegue acompanhar o desempenho da maioria dos nossos “irmãos” nas instâncias do poder verá que há muita imundície nas chamadas “bancadas evangélicas”. Irmão vota em irmão? Ok. Mas primeiro prove que você é meu irmão. Gere frutos dignos. Não aceite propina. Não faça negociatas. Não entre em esquemas de desvio de dinheiro. Aí sim quem sabe o cidadão Mauricio Zágari vai votar no cidadão probo e ilibado que você é e que por acaso frequenta uma igreja. E não porque você usa o discurso anticasamento gay como bandeira de campanha ou porque diz que é membro de uma igreja. Igrejas estão cheias de joio e a sua carteirinha de membro não me diz absolutamente nada. Seus atos dizem.

Cansei. Cansei de ver alpinistas sociais usando o nome de Cristo para ganhar uma grana. Isso é usar o nome de Deus em vão e vai contra os mandamentos. É pecado e é blasfêmia. O trabalhador é digno do seu salário e é justo que aqueles que labutam com seriedade na obra de Deus recebam uma remuneração digna por isso. A Igreja (como um todo, desde aqueles que se reúnem em lares até os que celebram em catedrais) vive num mundo material e precisa de dinheiro para manter-se. Jesus precisou, tanto que Judas carregava uma bolsa com o dinheiro que mantinha os doze apóstolos e o Mestre em seu ministério. Um pastor de tempo integral precisa de dinheiro para pagar a escola de seus filhos. Um editor de livros cristãos precisa de dinheiro para pagar o almoço. A faxineira que varre o chão da sala ao final de um culto num lar precisa pagar suas contas de gás e luz. Não há mal algum nisso e é bíblico que quem viva para a obra viva da obra. Leia o que Paulo escreveu. É para isso que servem os tão malfalados – porém totalmente bíblicos – dízimos e ofertas: manter uma estrutura material que tenha condições de propagar as Boas-Novas espirituais do Evangelho.

Deus deu aos homens a atribuição de proclamar Sua Palavra, embora a Biblia diga que era algo que os anjos anelavam fazer. Mas coube ao homem essa tarefa. E homens precisam comer, se vestir, ir ao médico, pagar o ônibus. Por isso necessitam do vil metal: mesmo os que dedicam suas vidas à obra de Deus. Em nenhum lugar da Biblia você vê quem quer que seja dizer que é preciso virar um mendigo para pregar Jesus. Ou viver comendo mel com gafanhotos.  Então é licito e bíblico quem se devota 24 horas por dia à causa do Evangelho ser dignamente remunerado por isso.

Mas a grande diferença está em um coisa chamada MOTIVAÇAO.

E é daqueles que são motivados não por Cristo, mas pelas benesses proporcionadas pelo dinheiro que vem do Evangelho que estou com a paciência esgotada. Aquela trupe de sanguessugas que fazem contrabando de dinheiro dentro de bíblias e cuecas para comprar mansões em Miami. A corja que articula e manipula seus superiores para ser ordenada pastor e assim ter um “emprego estável”. A canalha que sobe em púlpitos para vender o máximo possível de seus livros, DVDs ou CDs. Os calhordas que só “louvam a Deus” mediante um cachê vergonhosamente elevado ou a obrigação de que o pastor local adquira tantos de seus CDs. O político apóstata, eleito com slogans biblicos, que faz conluios para levar propinas saídas do dinheiro público. O vendedor de CDs evangélicos piratas. O empresário travestido de pastor que engana os humildes inventando “unções financeiras”. E por aí vai.

Meu consolo é que o juízo virá. E a coisa vai ficar feia para o lado daqueles que amaram mais as riquezas que a Deus. Pior: aqueles que  usaram o nome de Deus para adquirir riquezas.

Peço perdão. Peço perdão a você por minhas palavras duras. Você que acompanha o APENAS sabe que não costumo ser assim. Mas esse assunto me tira do sério e preciso pôr para fora aquilo que esmaga meu coração como uma bigorna. Não quis ofender ninguém. Mas uma consciência tranquila não se ofende com acusações que não lhe ferem. Se você se sentiu mal por eu ter chamado os supostos “cristãos” que usam o nome do Senhor como um meio de faturar de canalhas, calhordas, corja, abomináveis, sórdidos, gananciosos, bandidos e sanguessugas… conforme-se, lamento. Pois desgraçadamente é isso mesmo o que eles são. Não respeitam a santidade absoluta do Rei dos Reis e roubam ou armam para levar um a  mais do dinheiro doado por pessoas sinceras para ser usado em prol do Reino. E isso entala na minha goela, pois é o que há de mais sujo. Pegam dinheiro abençoado e transformam em dinheiro imundo.

Ainda há tempo de mudar de atitude. Se você tem metido a mão na bolsa, arrependa-se agora. Não hoje: agora. Caia de joelhos e clame o perdão de Deus. É impossível servir a Deus e a Mamon. Impossível. Ou seu tesouro está no Céu ou no cofre do banco. Se você tem sido servo dos cifrões, ainda há tempo de dobrar seus joelhos ante o Nazareno e entender que nu você morrerá. E se você tem feito qualquer coisa em nome de Jesus – eu disse qual-quer coi-sa – tendo em vista não o Reino de Deus e sua justiça mas sim seu lucro pessoal… eu choro por você. Por saber que na frente só lhe resta uma interjeição: “ai”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Felicidade é um conceito bíblico? Depende. Como assim, “depende”? Numa época em que a heresia  neopentecostal transformou o lema mentiroso do “pare de sofrer” num dogma com base na Teologia da Prosperidade, a reação dos defensores da sã doutrina é jogar o pêndulo com toda força para o outro lado. Mas devemos ir com calma. O mesmo Deus que diz “quem quiser vir após mim tome a sua cruz e siga-me” também diz “qual é o filho que pedindo ao pai pão ele lhe dará pedra ou pedindo peixe lhe dará uma serpente?”.  Então o que as Escrituras nos mostram é que o Evangelho é um caminho pedregoso,  sem garantia de felicidade: você pode ser um bom cristão e ainda assim ser infeliz até o fim de seus dias. Mas, por outro lado, o coração amoroso do Pai pode criar muitos momentos de felicidade durante essa caminhada pedregosa e aliviar por sua graça as dores dos pés que fazem a jornada.

O anseio de todo ser humano é ser feliz. Isso é instintivo. Queremos viver longe de dores, frustrações,  desilusões, desamores, problemas. A meta de cada um de nós é acordar de manhã sorrindo, se espreguiçar e passar o dia com um sorriso no rosto. Ah, a vida é bela!, anelamos dizer a cada por-do-sol lindo no horizonte, com um livro de Fernando Pessoa nas mãos, uma música gostosa no fone e a cabeça da pessoa amada no colo, com um cafuné que tem sabor de repouso, descanso e felicidade. Fale a verdade: você não gostaria de viver isso?  Mas aí chega Jesus e estraga tudo.

Isso mesmo. Sabe aqueles filmes em que, de repente, tem um som de vitrola arranhando e o personagem cai do sonho e se vê numa situação de dureza? Pois no Evangelho é exatamente assim. Você está lá, no Arpoador, curtindo o entardecer, sentindo a brisa do mar, quando, sem aviso, o som que vem é o da agulha arranhando o long play. É quando Jesus te sacode pelos ombros e diz: “Tome a sua cruz e siga-me”. Pra quem só quer uma vida de alegria perene isso é o fim da picada.

Não, meu irmão, minha irmã, viver não é um parque de diversões. Viver segundo os preceitos bíblicos, então, é para os fortes. E, paradoxalmente, só se torna forte quem se põe fraco aos pés do Mestre. Pois a alternativa a tomar a cruz e seguir a Cristo é o inferno. Mas a boa noticia é que o Senhor nos diz, em paráfrase: “Tome a sua cruz e siga-me… mas não desanime nem fique ansioso, pois você pode lançar os seus fardos sobre mim: eu tenho cuidado de você”.  Sim, o Evangelho é para os fortes, e a nossa força tem nome: impotência. E é aí que entra a possibilidade da felicidade.

Como assim?

Mas o que impotência tem a ver com felicidade? Isso, na verdade, aprendi com minha filha. Tenho uma filhinha com 11 meses de idade. Ela é impotente. Ainda não consegue andar sozinha, nem se alimentar. Não se veste sem ajuda e se sente dor depende que o papai pare tudo para lhe dar um pouco de analgésico. Para ela, eu e a mãe somos Deus. Quando ela leva um tombo, a tomo no colo, com ela aos berros, faço carinho, sussurro palavrinhas de amor, esfrego o dodói e ela… sorri.

E um sorriso, quando não é fingido, é o maior sintoma de felicidade. Se você quer medir seu nível de felicidade, basta ver com que frequência você sorri quando ninguém está olhando.

Quando bate a fome ela começa a gemer e apontar para a comida. Não raro chora. Aí chega papai ou mamãe, aqueles seres divinos que porão o papá na sua boquinha e farão a sensação de fome sumir. E, quando a primeira colherada chega a sua boca ela… sorri. Sede? Papai dá suquinho na mamadeira e o choro vira… sorrisos. Sono? Uma boa embalada e a ranzinzice vira olhinhos fechados e uma noite de sonhos tranquilos (e acredita que ela dorme… sorrindo?) Carência? Uma engatinhada até meus pés, uma escalada nas minhas pernas  e um pedido de colo com aquela carinha de Gato de Botas do Shrek e bracinhos estendidos derrete o coração do paizão, que pega aqueles oito quilos de amor no colo e… sorrisos.

Mas isso tudo só acontece por uma razão: porque ela entrega suas infelicidades aos cuidados de quem  pode transformar sua impotência em…. sorrisos de felicidade.

O Evangelho não nos promete felicidade. A mensagem da graça é dura. Exige renúncia  das nossas  vontades. Quem não deixar pai e mãe por amor a Cristo não é digno dele. Ou seja: quem não abrir mão do que mais ama não é digno do Salvador. “Venda tudo, dê aos pobres e vambora pra Cruz”, foi a resposta de Jesus para o “mancebo de qualidade”. Dureza. Renúncia. Dificuldade. Choro. Impotência.

Sinto-me constantemente impotente na estrada pedregosa. Mas aí eu engatinho até os pés do Pai, escalo suas pernas, estendo os bracinhos e faço cara de Gato de Botas do Shrek. Aí, se por sua graça papai me pegar no colo, eu sei que vou sorrir de felicidade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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