perigos 1Semana passada tirei alguns dias de folga em um hotel numa cidade de praia. Foi bom descansar um pouco, mas não deu para driblar os inevitáveis revezes da vida. Por isso, o meu passeio teve a sua cota de sofrimento. Ocorreram dois incidentes que me fizeram pensar sobre algumas questões ligadas à nossa vida espiritual, em especial sobre os perigos que nos espreitam ao longo da vida. Gostaria de compartilhar com você um pouco dos meus pensamentos.

Primeira questão: estou com 43 anos e o avançar da idade me fez perder cabelos. Muitos cabelos. Como meu pai, meus tios e meu avô paterno, chegou o tempo em que meu DNA disse: “Zágari, agora é hora de você ficar calvo”. E pronto. Não tem capiloton, oração ou unção que resolva essa questão: quando o assunto é queda de cabelo, vamos que vamos. E, como não faço implante nem nada do gênero, assumo a minha idade e o desmatamento capilar não me incomoda. Com isso, fui presenteado por Deus com duas boas entradas nas laterais superiores da cabeça. Mas isso gerou um problema ao qual não atentei. Depois de 43 anos passando filtro solar nos mesmos lugares de sempre na hora de ir à praia, não me dei conta de que nos últimos meses a área de pele exposta aumentou. O resultado é que não passei protetor na área acima da testa e fiquei com minhas duas entradas com cor de pimentão. E ardendo – muito.

piscinaSegunda questão: minha filha ama piscina. Do alto de seus 4 anos, tem fascinação por ficar na água. Como faz natação desde 1 ano e meio, nunca usou qualquer tipo de bóia e nada com destemor em águas profundas. Por isso, fomos muito à piscina do hotel. Minha filhota gosta muito de me ver nadando de uma lado a outro, por baixo d’água. Só que, naquela tarde, ela me pediu que nadasse “como sereia”, ou seja, com as mãos ao lado do corpo e ondulando as pernas. Para agradá-la, assim eu fiz. Acontece que a piscina estava com muito cloro e meus olhos já estavam irritados. Por isso, tive a brilhante ideia de fazer a travessia com os olhos fechados. E assim fui, calculando a direção em que deveria seguir. Pra quê.

Sem que eu percebesse, fui me dirigindo cada vez mais ao fundo, arqueando o corpo e mexendo a cabeça para cima e para baixo. Foi quando atingi o chão da piscina e, por estar de olhos fechados, dei uma cabeçada com toda força nos azulejos. Acredite: foi um pancadão. Emergi atordoado e, antes mesmo que saísse da água, já ouvi minha filha gritar:

– Papai, tá escorrendo sangue! Muito sangue! Muito sangue, papai!

sanguePois é, abri um enorme corte na testa e o sangue começou a descer em profusão pelo meu rosto. Chamei a bebê, pressionei uma toalha contra a ferida, para estancar o sangramento, e me dirigi à recepção do hotel, onde, sob olhares assustados dos funcionários, pedi auxílio. Acabei dentro do quarto, deitado e sendo atendido por minha esposa e uma enfermeira, que fez um curativo e mandou pôr gelo sobre o enorme inchaço que se formou. Daí em diante, as fotos da viagem ficaram lindas: eu com um curativo esquisito e assimétrico na testa.

No caso da cabeça queimada, o problema foi ignorar um perigo iminente. No caso da ferida na testa, o problema foi descuidar da segurança. O resultado nas duas situações: dor e sofrimento.

Muitas vezes, nós nos machucamos porque não estamos atentos o suficiente. Ignoramos os perigos da caminhada ou os conhecemos mas fechamos nossos olhos a eles. O resultado será sempre negativo: tristeza, mágoa, sofrimento. Se você sabe quais são as áreas em que corre mais riscos na sua vida espiritual, em que é mais tentado, em que seus pontos fracos estão mais latentes, fica a recomendação: não baixe a guarda. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Você conhece as próprias fraquezas, sabe onde a tentação te  conquista para o pecado com mais facilidade, mas, ainda assim, fecha os olhos e nada em direção ao fundo? Pois o resultado é sangue.

perigoOu, então, está desatento aos perigos da jornada, acostumado à zona onde sempre esteve em segurança e não se dá conta de que uma armadilha pode estar armada logo depois da esquina? Cuidado com o comodismo. Cuidado com o “sempre foi assim”. Cuidado com o que parece não ameaçar. Não banalize nem desdenhe os perigos. Porque a ameaça é real e ela pode vir de onde menos você espera. Se não ficar sempre atento ao que pode surgir do nada e te surpreender, você corre o risco de acabar com a cabeça queimada.

Meu irmão, minha irmã, nossa caminhada pela vida não é um passeio. Gostaríamos que fosse, mas não é. O perigo nos espreita. “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.8-9). Por isso, precisamos estar atentos e, também, nos anteciparmos ao que pode nos atacar.

proteção divinaSe, por um lado, conhecemos os perigos, por outro estamos sujeitos ao que pode nos advir sem aviso prévio. Por isso é tão importante aquilo que pedimos ao Senhor na oração do pai-nosso: “…não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mt 6.13). Nessa petição solicitamos ao sentinela de nossa vida, que não dormita jamais, que nos proteja até mesmo do que não esperamos: que ele nos livre do mal; de todo ele, o visível e o invisível. Afinal, “se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Sl 127.1).

E uma última recomendação: nunca se esqueça de agradecer a Deus por toda a proteção dele. Eu poderia ter ficado totalmente queimado, mas só acabei ardido em uma pequena parte da cabeça. E poderia ter tido um traumatismo craniano, mas só sofri um corte e um calombo na testa. Obrigado, Senhor, porque foste o sentinela de minha vida e me livraste do mal. Por mais que pareça que sofri males durante minha viagem, sei que mais do que tudo, fui protegido pela poderosa mão do Onipotente. E em tudo dou graças, por conhecer o amor, o poder e a proteção do Pai.

E você, como tem se precavido dos perigos iminentes? E quais têm sido seus cuidados com a segurança de sua alma? E se, mesmo tomando todos cuidados e precauções, você acaba se ferindo, como é a sua oração? Com reclamações e murmurações ou com um coração grato a despeito das circunstâncias ruins da vida? Medite sobre essas perguntas e, se constatar alguma deficiência, está na hora de tomar atitudes práticas e bíblicas que o levem a assumir uma posição cada vez mais vigilante, cuidadosa e grata a Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. zejuno disse:

    Pazz de Deus Mauricio.

    “Cuidado com o comodismo. Cuidado com o “sempre foi assim. Cuidado com o que parece não ameaçar. Porque a ameaça é real e ela pode vir de onde menos você espera. Se não ficar sempre atento ao que pode surgir do nada e te surpreender, você corre o risco de acabar com a cabeça queimada.”

    O seu alerta diz tudo: comodismo e confiança demais.

    O calcanhar de Aquiles SEMPRE foi o comodismo e confiar demais, cegamente, achando que “mão que afaga nunca me apedrejara”.

    Tenho 42 anos e também estou com as entradas aumentando – e saltando aos olhos.

    Pelo comodismo e pela confiança exagerada… muita dor e sofrimento.
    Perdas irreparáveis. Danos irreversíveis.

    Mas, diferente de você, que ao passar por estes percalços soube tirar uma lição de vida, refletir e ficar precavido, eu sempre exerci a auto-sabotagem.

    E tem um agravante, que acredito, não acontece e/ou aconteceu contigo, que é ficar se culpando infinitamente por ter dado brecha para o acontecido. Se fosse eu teria sido “por que não passei o bronzeador, por que nadei de olho fechados… se tivesse passado o bronzeador… se os olhos estivessem abertos… bronzeador… abertos…”. Entende?

    Sentir-se culpado é sofrer infinitamente.
    E agora pense em sentir-se culpado por culpas e mais culpas?
    É como uma doença que vai comendo por dentro.
    (…)
    Oração? Crer na graça e no perdão? Ler suas reflexões…

    Ora da certo. Ora não sei…

    Dizem que é falta de fé, pecado oculto, maldição, bruxaria ou que brinco de ser cristão.

    Independente, sua reflexão é mais um conhecimento que agrego para minhas meditações diárias.

    E bem vindo ao clube!

    Abraços.

    José.

    • Olá, José,
      .
      a solução para a culpa é se perdoar, mano. Você precisa encontrar o caminho para se perdoar, largar esse fardo de culpa e seguir em frente. Sua âncora está te prendendo ao passado, quando você precisa desvencilhar-se dela para viver o presente e o futuro. Deus deseja a nossa restauração, quem nos acusa dia e noite é o Inimigo. Oro por ti, querido, para que você encontre a paz.
      .
      Abraço fraterno, no amor do Deus da graça,
      mz

  2. Isac disse:

    É exatamente assim. É incrível como somos negligentes em quase toda área da nossa vida. O texto me fez refletir muito, Que DEUS abençoe!

  3. Mariana Dias disse:

    . Eu sei quais são as minhas fraquezas, e ficar no comodismo quanto a isso é horrível.
    Esse texto é uma grande reflexão, obrigada! Deus abençoe.

  4. Nossa! Seu post tem um perspectiva espiritual enorme. Palavras que realmente fazem bastante sentido. Concordo fielmente com você e gostei muito do que você me apresentou. Foi meu primeiro contato com seu blog e gostei muto! Que Deus te abençoe!
    http://www.aoqope.blogspot.com

    • Olá, Vinicius,
      .
      Fico feliz que o texto tenha edificado a sua vida e peço a Deus que te abençoe com graça e paz todos os dias da sua caminhada.
      .
      Abraço fraterno, na paz de Deus,
      mz
      Facebook.com/mauriciozagariescritor

  5. […] Os perigos da vida e os livramentos de Deus. […]

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