Posts com Tag ‘vigiai e orai’

Bastou um segundo de desatenção, um tropeço em um degrauzinho da calçada e pronto: o tombo. Ouvi o grito. Virei-me e lá estava ela, de rosto colado no chão. Corremos para socorrê-la, mas minha mãe, baratinada, parecia confusa, tonta. Ainda prostrada no chão, emitiu a  indagação: “O que aconteceu? Eu caí? Caí, foi?”. Táxi urgente, corremos para a emergência, o sangue descendo em profusão da têmpora. Após a tomografia, o diagnóstico: sangramento no cérebro. Era imprescindível ir ao CTI. Assim fizemos. 

Por causa de um tombo, uma semana no hospital, radiografias, exames, tratamentos, medicamentos. O sangue era pouco, o organismo absorveu. Passado o susto, alta hospitalar. Mamãe está de volta ao lar. Dois meses e meio depois, mamãe é internada novamente. Não consegue falar. Emergência. Tomografia. Sangramento grande no cérebro. Internação. Tudo por causa daquele maldito tombo. 

Mamãe não consegue falar. Diagnóstico: hematoma subdural, o acúmulo de sangue na caixa craniana, que pressiona o cérebro. “Ela pode entrar em coma e morrer a qualquer momento”, dispara o médico do CTI. A única esperança é a cirurgia. Mas, como minha mãe toma anticoagulantes, é preciso esperar uma semana para operar. Uma semana tensa, pedindo a Deus que o sangramento pare a tempo de operar. O tombo é o culpado. 

No terceiro dia, o susto: além de não conseguir mais falar, minha mãe não consegue mais mexer a mão direita. Está visivelmente abatida. No quarto dia, paralisia do braço direito. Meu irmão voa da Espanha ao Brasil, já esperando o pior. Até que, finalmente, dez dias após a internação, sinal verde para a cirurgia. O crânio é perfurado. O sangue é drenado. Ela volta ao CTI, com um tubo saindo da cabeça, ainda com fluidos escorrendo. Tudo por causa do tombo. 

Caminhamos pela vida com desenvoltura. Somos cristãos confiantes, cremos que resistiremos às tentações. Conhecemos a verdade, caminhamos pela verdade, pregamos a verdade, lutamos pela verdade. Mas… basta um degrauzinho na calçada e pronto: o tombo. Por isso, o alerta bíblico: está de pé? Preste atenção! Cuidado para não cair! Faça o que for preciso para evitar o tombo. 

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Meu irmão, minha irmã, não há necessidade de eu lhe dizer o que precisa fazer para não levar um tombo na sua santidade. Você sabe. Ainda assim, permita-me lembrá-lo: primeiro, caminhe sempre olhando para o chão, para que não leve um tombo sem perceber, isto é, vigie. Segundo, tenha os olhos fixos não só nos seus pés, mas fique atento à distância, antecipando os obstáculos perigosos do caminho e desviando-se deles antes que cheguem perto, isto é, antecipe-se: enquanto o obstáculo ainda é uma tentação, corra dele, antes de sentir o gosto do asfalto do pecado. Terceiro, esteja sempre atento aos alertas do seu companheiro de jornada, isto é, tenha uma vida de oração e estudo da Palavra, para que haja uma sintonia constante entre você e a voz de Deus. 

Em linguagem bíblica: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). 

Minha mãe se arrebentou. Quase morreu. Mas, hoje, se recuperou. Ainda precisa de fisioterapia, pois todo tombo tem consequências que demandam tempo para passar. Mas ela está de pé. Caminha. Com limitações, mas caminha. Precisa de ajuda para tomar banho. Tem de passar por 90 dias de observação, sempre acompanhada por alguém. Mas ainda não foi desta vez que sua jornada terminou. Há vida à frente. De igual modo, é fundamental que você saiba que, se tomou um tombo, isso não significa um ponto final. Nada disso. Há vida à frente. Há restauração. Há recuperação. Há perdão. Coma, beba e recupere as forças, porque sua jornada será sobremodo longa. Viva o luto, tome os remédios, aceite limitações temporárias, conforme-se com os hematomas, leve o tempo necessário para que suas pernas sejam fortalecidas e seu equilíbrio seja restabelecido . A única coisa que não pode acontecer é você permanecer no chão. 

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E, se alguém lhe disse que seu lugar é no chão, não acredite. É uma mentira diabólica. Jesus não deseja ver ninguém prostrado, a ética dele não é a da punição sádica, mas a da restauração bendita. Pense no que você pode aprender com o tombo para sua vida daqui em diante. Reflita sobre como usar essa experiência para o seu crescimento e amadurecimento, de preferência transmitindo as lições aprendidas a outras pessoas. 

Tombos doem. Machucam. Deixam cicatrizes e sequelas. Mas podem ser evitados, se você tomar as precauções necessárias. Porém, se ele acontecer, lembre-se de que você tem um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo, e que, se houver arrependimento, pedido de perdão e a intenção sincera de não mais incorrer no mesmo tropeço, você será restaurado. Totalmente restaurado. 100% restaurado. Pois Deus não deixa sequelas. O chão não é o seu lugar, ele é apenas um mestre que lhe ensinará muitas coisas. Aprenda. Levante-se. Deixe Cristo limpar o sangue provocado pelo tombo com o sangue provocado pela cruz e vá em frente, de cabeça erguida, rumo a uma vida que ainda tem muito a oferecer. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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perigos 1Semana passada tirei alguns dias de folga em um hotel numa cidade de praia. Foi bom descansar um pouco, mas não deu para driblar os inevitáveis revezes da vida. Por isso, o meu passeio teve a sua cota de sofrimento. Ocorreram dois incidentes que me fizeram pensar sobre algumas questões ligadas à nossa vida espiritual, em especial sobre os perigos que nos espreitam ao longo da vida. Gostaria de compartilhar com você um pouco dos meus pensamentos.

Primeira questão: estou com 43 anos e o avançar da idade me fez perder cabelos. Muitos cabelos. Como meu pai, meus tios e meu avô paterno, chegou o tempo em que meu DNA disse: “Zágari, agora é hora de você ficar calvo”. E pronto. Não tem capiloton, oração ou unção que resolva essa questão: quando o assunto é queda de cabelo, vamos que vamos. E, como não faço implante nem nada do gênero, assumo a minha idade e o desmatamento capilar não me incomoda. Com isso, fui presenteado por Deus com duas boas entradas nas laterais superiores da cabeça. Mas isso gerou um problema ao qual não atentei. Depois de 43 anos passando filtro solar nos mesmos lugares de sempre na hora de ir à praia, não me dei conta de que nos últimos meses a área de pele exposta aumentou. O resultado é que não passei protetor na área acima da testa e fiquei com minhas duas entradas com cor de pimentão. E ardendo – muito.

piscinaSegunda questão: minha filha ama piscina. Do alto de seus 4 anos, tem fascinação por ficar na água. Como faz natação desde 1 ano e meio, nunca usou qualquer tipo de bóia e nada com destemor em águas profundas. Por isso, fomos muito à piscina do hotel. Minha filhota gosta muito de me ver nadando de uma lado a outro, por baixo d’água. Só que, naquela tarde, ela me pediu que nadasse “como sereia”, ou seja, com as mãos ao lado do corpo e ondulando as pernas. Para agradá-la, assim eu fiz. Acontece que a piscina estava com muito cloro e meus olhos já estavam irritados. Por isso, tive a brilhante ideia de fazer a travessia com os olhos fechados. E assim fui, calculando a direção em que deveria seguir. Pra quê.

Sem que eu percebesse, fui me dirigindo cada vez mais ao fundo, arqueando o corpo e mexendo a cabeça para cima e para baixo. Foi quando atingi o chão da piscina e, por estar de olhos fechados, dei uma cabeçada com toda força nos azulejos. Acredite: foi um pancadão. Emergi atordoado e, antes mesmo que saísse da água, já ouvi minha filha gritar:

– Papai, tá escorrendo sangue! Muito sangue! Muito sangue, papai!

sanguePois é, abri um enorme corte na testa e o sangue começou a descer em profusão pelo meu rosto. Chamei a bebê, pressionei uma toalha contra a ferida, para estancar o sangramento, e me dirigi à recepção do hotel, onde, sob olhares assustados dos funcionários, pedi auxílio. Acabei dentro do quarto, deitado e sendo atendido por minha esposa e uma enfermeira, que fez um curativo e mandou pôr gelo sobre o enorme inchaço que se formou. Daí em diante, as fotos da viagem ficaram lindas: eu com um curativo esquisito e assimétrico na testa.

No caso da cabeça queimada, o problema foi ignorar um perigo iminente. No caso da ferida na testa, o problema foi descuidar da segurança. O resultado nas duas situações: dor e sofrimento.

Muitas vezes, nós nos machucamos porque não estamos atentos o suficiente. Ignoramos os perigos da caminhada ou os conhecemos mas fechamos nossos olhos a eles. O resultado será sempre negativo: tristeza, mágoa, sofrimento. Se você sabe quais são as áreas em que corre mais riscos na sua vida espiritual, em que é mais tentado, em que seus pontos fracos estão mais latentes, fica a recomendação: não baixe a guarda. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Você conhece as próprias fraquezas, sabe onde a tentação te  conquista para o pecado com mais facilidade, mas, ainda assim, fecha os olhos e nada em direção ao fundo? Pois o resultado é sangue.

perigoOu, então, está desatento aos perigos da jornada, acostumado à zona onde sempre esteve em segurança e não se dá conta de que uma armadilha pode estar armada logo depois da esquina? Cuidado com o comodismo. Cuidado com o “sempre foi assim”. Cuidado com o que parece não ameaçar. Não banalize nem desdenhe os perigos. Porque a ameaça é real e ela pode vir de onde menos você espera. Se não ficar sempre atento ao que pode surgir do nada e te surpreender, você corre o risco de acabar com a cabeça queimada.

Meu irmão, minha irmã, nossa caminhada pela vida não é um passeio. Gostaríamos que fosse, mas não é. O perigo nos espreita. “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.8-9). Por isso, precisamos estar atentos e, também, nos anteciparmos ao que pode nos atacar.

proteção divinaSe, por um lado, conhecemos os perigos, por outro estamos sujeitos ao que pode nos advir sem aviso prévio. Por isso é tão importante aquilo que pedimos ao Senhor na oração do pai-nosso: “…não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mt 6.13). Nessa petição solicitamos ao sentinela de nossa vida, que não dormita jamais, que nos proteja até mesmo do que não esperamos: que ele nos livre do mal; de todo ele, o visível e o invisível. Afinal, “se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Sl 127.1).

E uma última recomendação: nunca se esqueça de agradecer a Deus por toda a proteção dele. Eu poderia ter ficado totalmente queimado, mas só acabei ardido em uma pequena parte da cabeça. E poderia ter tido um traumatismo craniano, mas só sofri um corte e um calombo na testa. Obrigado, Senhor, porque foste o sentinela de minha vida e me livraste do mal. Por mais que pareça que sofri males durante minha viagem, sei que mais do que tudo, fui protegido pela poderosa mão do Onipotente. E em tudo dou graças, por conhecer o amor, o poder e a proteção do Pai.

E você, como tem se precavido dos perigos iminentes? E quais têm sido seus cuidados com a segurança de sua alma? E se, mesmo tomando todos cuidados e precauções, você acaba se ferindo, como é a sua oração? Com reclamações e murmurações ou com um coração grato a despeito das circunstâncias ruins da vida? Medite sobre essas perguntas e, se constatar alguma deficiência, está na hora de tomar atitudes práticas e bíblicas que o levem a assumir uma posição cada vez mais vigilante, cuidadosa e grata a Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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imagePassei os primeiros dias das férias deste ano em Cabo Frio (RJ), cidade que frequento há muitos anos por ter a praia que considero a melhor do planeta, a Praia das Dunas. Se dependesse de mim, chegava ali todo dia às cinco da manhã e ia embora após o sol se pôr, com a alma lavada e as forças renovadas. A água é maravilhosa, as ondas são na medida certa, a areia é fina e gostosa, as dunas são deliciosas, a paisagem é idílica, as temperaturas são irretocáveis, o céu é belíssimo… enfim, para mim não precisaria haver outra praia no mundo, essa me bastaria. Só que, como nada nem ninguém é perfeito, ela tem uma característica interessante: em determinados dias, nela venta muito. Mas muito. Entenda: não é um vento forte qualquer, é um vendaval daqueles que roubam chapéus da cabeça, levam cangas embora, fazem a areia correr acelerada rente ao chão e açoitar quem estiver deitado e – o ponto em que desejo focar as atenções – arrancam as barracas de praia da areia e as fazem sair quicando, rolando e rodopiando a dezenas de metros de distância. Nessas últimas férias, houve um dia desses, no qual observei muitas situações de pessoas ao meu redor que tiveram suas barracas sequestradas pelo vento e precisaram sair correndo atrás delas – pagando aquele mico – enquanto suas barracas davam mil cambalhotas e, na rota de fuga, acertavam pessoas, quebravam hastes, derrubavam outras barracas… Cenas de filmes de Jerry Lewis.

Percebi que, em geral, as pessoas cujas barracas lhes causavam essas situações constrangedoras vinham de cidades e estados em que não há praia (percebe-se pelo sotaque). Ou seja, elas não estavam habituadas àquele tipo de lugar e a tudo o que envolve a atividade de ir à praia. Por isso, naturalmente, não tinham as manhas nem conheciam os macetes para evitar a fuga das barracas. Como já faz mais de quinze anos que frequento a Praia das Dunas pelo menos algumas vezes por ano, aprendi as lições (depois de ter a minha própria barraca levada pelo vento em algumas ocasiões, claro). Falemos um pouco sobre como evitar que essa tragicomédia ocorra.

A primeira coisa a fazer é cavar um buraco muito fundo na areia, para inserir o pau da barraca o mais profundamente possível. Assim, será mais difícil que a dita cuja saia voando, uma vez que estará bem alicerçada no chão. Reparei que algumas vítimas do roubo eólico de barracas fincavam o suporte apenas alguns centímetros na areia. Com isso, assim que o vento batia, a barraca era levada rápida e facilmente.

Outra medida é pôr a barraca bastante inclinada na direção contrária ao vento. Se ele sopra rumo à direção oeste, por exemplo, você deve pôr a barraca bem inclinada em direção ao leste. Porque, meu irmão, minha irmã, se você não fizer dessa maneira, pode dizer adeus à sua proteção contra o sol. Vi algumas pessoas fincarem o pau da barraca de forma perpendicular ao solo, o que invariavelmente facilitava bastante as artimanhas furtivas do vento. Pôr a barraca na vertical não é uma decisão nem um pouco sábia em dias de vento.

Mas a coisa não para por aí. Muitos perdem suas barracas não porque elas são arrancadas da areia, mas porque quebram naquele lugar em que a parte de cima se encaixa na de baixo. Pois ali é um local frágil, propenso a rachar, entortar, amassar, soltar. É o ponto fraco da barraca. Uma medida simples e que ajuda muito é pegar uma toalha, camisa ou mesmo o saco em que se transporta a barraca e amarar ali, atando as pontas em alguma cadeira (como se fosse uma tipoia). Com isso, você reforça o ponto mais vulnerável, diminui o treme-treme da barraca (e, com isso, o movimento de vai-e-vem que acaba facilitando a quebra) e estabiliza toda a estrutura.

Por fim, algo óbvio mas que muita gente não pensa em fazer: encostar uma das cadeiras no pau da barraca. Isso evita que o vento balance o suporte, mantendo-o firme no lugar e menos propenso a oscilar furiosamente (o que, normalmente, amplia o diâmetro do buraco na areia e abre espaço para a barraca sair voando).

Se você tomar essas medidas simples e eficientes em dias de vento forte, aumenta enormemente a probabilidade de que terá momentos agradáveis na praia sem se preocupar se a sua barraca sairá rolando em disparada pela areia. Do mesmo modo, se observarmos alguns cuidados elementares em nossa vida espiritual, teremos a certeza de que a nossa caminhada no dia a dia sujeito a vendavais e tempestades será muito mais tranquila e segura.

Assim como muitos dos que têm suas barracas levadas pelo vento passam por isso por não conhecer muito bem as manhas e os macetes da praia, a maioria daqueles que enfrentam situações adversas no dia a dia sofrem sem saber o que fazer por desconhecer as verdades espirituais. E não existe outro modo de descobrir realidades que nos dão esperança e segurança por meio de Cristo sem conhecer e entender as Escrituras sagradas. Estudar a Bíblia é se familiarizar com as causas e os efeitos da existência humana e ganhar intimidade com o Deus que pode nos sustentar nos momentos ruins e iluminar o caminho nas horas de escuridão. Portanto, ter conhecimento bíblico amplo é algo indispensável para suportar os vendavais do dia a dia. Se você ainda não tem, corra atrás de conhecimento. Leia a Bíblia. Leia bons livros cristãos. Leia bons livros não cristãos. Faça cursos. Debata com amigos. Estude. Cresça em conhecimento.

Vamos além. Vimos que cavar buracos profundos onde fixar o suporte mantém a barraca firme no lugar. Do mesmo modo, um cristão precisa ter profundidade em sua vida espiritual para ter firmeza e solidez no cotidiano. Isso significa pegar o conhecimento bíblico sobre o qual falamos no parágrafo anterior e levá-lo a patamares mais profundos de vivência. Ou seja, não basta conhecer e entender a Bíblia, é preciso viver profundamente as verdades que ela ensina. Por exemplo, mais do que saber que é preciso amar o próximo, é necessário pôr em prática ações rotineiras que demonstrem esse amor. Ou, então, mais do que apenas saber que não se deve pagar mal com mal, é indispensável saber sofrer quando aperta o calo e deixar a cargo de Deus a vingança (Rm 12). E por aí vai. Entenda: viver a fé em profundidade não tem absolutamente nada a ver com fazer mestrados ou doutorados em teologia, isso é apenas aquisição de conhecimento. Profundidade, no que se refere ao evangelho, refere-se a viver intensamente o conhecimento que se adquiriu. Cristãos superintelectuais que não praticam o que estudaram são o tipo de cristão mais raso que há.

Também vimos que inclinar a barraca na direção contrária ao vento é importante para mantê-la em pé. De igual modo, o cristão deve estar sempre firme em sua oposição a tudo aquilo que contraria a Palavra de Deus. Querer seguir a favor dos ventos do mundo é pedir para a barraca ir embora. Deixe para lá o que diz o politicamente correto, os valores pregados pela televisão, as práticas de quem desconhece Cristo. Oponha-se a tudo o que desvirtua a Palavra de Deus. Nade contra a correnteza. Firme-se contra o vento.

A ventania também leva embora muitas barracas porque elas quebram em seus pontos fracos. O cristão precisa reconhecer seus pontos fracos e tomar medidas para não ceder onde é mais suscetível. Cada um sabe quais são suas fraquezas, as tentações que mais o levam a pecar. Você certamente conhece as suas. Então, se não quiser sucumbir às tentações e acabar imerso num mar de pecado, tome antecipadamente as providências cabíveis. Cerque-se de cuidados. Vigie. E, assim, terá mais segurança de que não quebrará quando a força das tentações soprar além do que seus pontos fracos parecem ser capazes de aguentar.

Por fim, do mesmo modo que escorar o pau da barraca em uma cadeira ajuda a mantê-la no lugar, não tente encarar os ventos da vida sozinho. Conte com o apoio de bons irmãos em Cristo, que o ampararão na hora da crise. Ninguém basta a si mesmo, meu irmão, minha irmã, todos precisamos de quem nos apóie, socorra, ampare, escute, aconselhe, exorte, console. Procure ter bons amigos cristãos, que não o abandonarão ao conhecer suas dificuldades ou falhas, mas que, justamente nas piores horas, permanecerão ao seu lado. Também é essencial que você congregue em uma igreja que tenha bons pastores, homens realmente vocacionados e que sangram por você; e não aproveitadores, animadores de auditório, traidores de seus segredos ou pessoas ambiciosas ou arrogantes: você precisa de pastores de verdade e não apenas de líderes. Em resumo: caminhe ao lado de irmãos em Cristo que estejam dispostos a escorá-lo quando vier o vendaval.

Conhecimento bíblico, vivência em profundidade desse conhecimento, oposição firme aos valores do mundo, precaução no que se refere aos seus pontos fracos e o apoio de outros cristãos com quem você possa contar na adversidade: se você tiver esses elementos presentes no dia a dia, garanto que estará muito mais preparado para enfrentar os grandes vendavais da vida. E se perceber que algum desses elementos falta, corra atrás dele. Ou você acabará tendo de correr atrás da barraca.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

erosao1Um câncer começa com uma única célula defeituosa. Um vírus microscópico é capaz de tirar uma vida. Cupins menores do que uma unha conseguem destruir toda uma casa. Uma pitada de veneno mata. Um punhado de grãos de cocaína são suficientes para causar uma overdose letal. Bactérias ínfimas provocam estragos monstruosos. Tudo isso são exemplos de que não é preciso algo ser grande para gerar enormes danos. Em nossa vida espiritual não é diferente: muitas vezes são os “pequenos pecados” que acabam nos conduzindo a grandes quedas – isto é, justamente os pecados que não consideramos muito problemáticos é que poderão acabar nos afastando de Deus. Uma onda do mar não destrói uma rocha. Na verdade, parece ter pouco efeito sobre ela. Mas ponha uma onda, após outra, após outra. Adicione tempo. Em alguns séculos você terá um buraco naquele pedaço de granito sólido e aparentemente impenetrável. É o processo chamado erosão. Nossa alma também pode ser vítima da erosão do pecado.

A Bíblia nos alerta para sempre vigiarmos, em oração. E de fato fazemos isso. Tomamos precauções contra muitos pecados e até que nós saímos bem. Evitamos andar nos becos escuros das grandes tentações, pois sabemos que ali há transgressões aguardando por nós atrás de cada poste. Mas nos expomos em plena luz do dia aos “pequenos pecados”.

erosao2Começamos praticando o que consideramos que são delitos menores, aparentemente insignificantes. É a “mentirinha branca”, por exemplo, aquela que “não faz mal a ninguém”. Ou somos só um pouquinho agressivos com aquele vendedor de telemarketing que nos irrita ligando no sábado. Que mal faz, afinal? Olhamos de cara feia para o cidadão no ônibus que passou de qualquer maneira e esbarrou na gente. Topamos não pedir nota fiscal do serviço que nos é prestado, desde que o preço cobrado seja mais baixo, assim todos saem ganhando! Fazemos aquela fofoquinha santa da irmã, porque, bem, não chega a ser maledicência, né, é só um comentariozinho de nada. E por aí vai. Ficamos descansados, achando que nada disso representa algo demais.

Só que “Um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7). O que acontece é que os pequenos delitos, os “pecadinhos que não fazem mal a ninguém”, acabam nos acostumando ao pecado. Nos insensibilizam à transgressão. E, com isso, passamos a ver a desobediência a Deus como algo que não nos enoja mais. Algo “aceitável”.

erosao0Por que você acha que Jesus disse que não deveríamos nem ao menos chamar alguém de “tolo”? Porque as desavenças nos acostumam ao ódio e, dentro de algum tempo, dar um tiro em alguém não será algo tão mau assim. Por que você acha que Jesus disse que se olhássemos para alguém com desejo no coração já estaríamos adulterando? Porque a cobiça dos olhos dentro de algum tempo nos acostuma ao delito e daqui a pouco deitar-se com alguém não soa tão grave assim. Em outras palavras, a ética de Cristo estimula você a cortar todo mal pela raiz, ela é preventiva e mostra que não existe pecado “menos grave” que outro. Hoje você dá propina no trânsito; amanhã no Congresso Nacional.

Estava pensando: será que o primeiro pecado de Satanás foi a rebelião contra Deus, já no ato do “golpe de estado” que tentou dar? Não posso afirmar, pois a Bíblia não afirma, mas eu acredito que ele deve ter alimentado pecados – se não na prática – pelo menos no seu coração por muito tempo. O motim foi o clímax. Não acredito que ele foi para a cama como um querubim magnífico e sem mancha e acordou dizendo “Acho que hoje vou me insurgir contra Deus”. Muito difícil crer nisso. Especulo que tenha sido um longo processo, talvez pontuado por algumas transgressões que ele considerava “menores”. Claro, isso tudo é puro fruto da minha imaginação, mas me faz todo sentido.

Cuidado com os pecados que lhe parecem insignificantes. Eles não são. “Pecadinhos de nada” têm o poder de uma bomba atômica. E eles vão fazer você se acostumar com o ato de pecar. Uma vez que transgredir naquilo que você considera inofensivo se torna uma prática tranquila aos seus olhos, você não vai parar quando se deparar com algo que entende ser mais grave. Simplesmente porque desobedecer Deus virou algo comum.

erosao00Não permita que isso ocorra. Convido você a refletir sobre os seus “pequenos delitos”, aqueles a que não presta muita atenção, que não o incomodam tanto assim. E o estimulo enfaticamente a abandonar a prática desse delito. Ele não é insignificante. É maligno. É destrutivo. Cam não achou que rir do pai bêbado era algo muito problemático. Adão e Eva devem ter pensado que, ora bolas, era apenas uma frutinha. Davi possivelmente se convenceu de que “ah, será só um recenseamento”. Saul talvez tenha suposto que somente um sacrifício sem a presença do profeta não seria lá grande coisa. Deu no que deu.

Você pode se considerar uma rocha de santidade. Talvez creia que está tão alerta contra as tentações que nada vai te alcançar. Mas as ondas estão batendo. A erosão está destruindo as suas defesas contra o pecado. Se você não tomar uma providência agora mesmo… a montanha inteira pode vir abaixo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício