Como suportar pessoas insuportáveis na igreja

Publicado: 08/11/2011 em Amizade, Amor ao próximo, Espiritualidade, Graça, Igreja dos nossos dias, Pecado, Uncategorized

Todos nós conhecemos e convivemos com pessoas insuportáveis dentro da igreja. Gente chata, pedante, mentirosa, enganadora, hipócrita, arrogante, sem noção, inconveniente, deselegante, ofensiva, sem limites, abusada, sem amor, irritante, insubmissa, incompatível… Nossa, são tantos os adjetivos que tornam uma pessoa insuportável que fica até difícil listar todos. Mas elas estão aí, fazem parte da nossa vida, a convivência geralmente é compulsória e não tem jeito: somos obrigados a compartilhar ambientes, conversas, tarefas ou simplesmente a presença delas. A pergunta é: como suportar as pessoas insuportáveis que convivem conosco na igreja?

Nessa hora, como em tudo na vida, temos que voltar nossos olhos para as Sagradas Escrituras em busca de respostas. Porque, se formos agir segundo a nossa carne, simplesmente vamos começar a brigar, ofender, cortar relações e a ter outras reações nada espirituais com relação a essas pessoas insuportáveis. Quando, na verdade, Jesus deseja que nós consigamos conviver com o diferente. Porque, se você parar pra pensar, a pessoa nada mais é do que uma “pessoa diferente” de você. Numa família, por exemplo, onde todos falam baixo, o insuportável é aquele primo que fala alto como um italiano. Já num família de italianos, o insuportável pode ser aquele que não participa da bagunça, como aquele primo que se comporta como um inglês.

Então, ser ou não ser insuportável depende de quão diferente alguém é de você. Esse é o parâmetro. Eu já ouvi de certas pessoas “nossa, o fulano é tão caladinho”. Outras vezes, ao final de uma viagem soube que esse mesmo fulano incomodou as pessoas no carro “de tanto que ele falou”. Certamente tal fulano não é calado e tagarela ao mesmo tempo, mas dependendo do contexto em que está se torna mais ou menos insuportável.

E, vou te contar um segredo: a esmagadora maioria das pessoas é diferente de você. Logo, insuportável. Dentro da igreja, então, onde todos deveriam ser um amor e agir segundo o exemplo de Cristo, o coeficiente de insuportabilidade é enorme. Que fazer? Deixar de ir à igreja? Fugir da comunhão?

Paulo toca no assunto em Efésios 4. Ele diz: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor“. Repare: de todas as atitudes que o apóstolo poderia nos recomendar ter ele nos manda logo “suportar uns aos outros“. E se você for pensar bem, ele certamente não está mandando suportar quem é gente fina, os carismáticos, os que nos fazem rir e sorrir. Está se referindo aos insuportáveis.

Mas, Zágari, e aí, qual é o segredo para conseguir isso? Como suportar os insuportáveis como a Biblia manda? O segredo é o que Paulo diz logo depois: “suportando-vos uns aos outros em amor“. Amor: essa é a formula mágica.

Isso se confirma quando lemos 1 Co 13.7: “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta“. Sim, o amor tudo suporta, inclusive o que é insuportável. Senão não seria “tudo”. “Mas falar de amor é fácil”, alguém poderia argumentar”, “na hora de lidar com a pessoa insuportável quero ver amar de verdade”. Só que esse amor não se restringe a um sentimento fácil. Exige esforço. Exige a consciência de que dele depende a união do Corpo de Cristo. Repare o que o apóstolo Paulo diz em Efésios logo em seguida a “suportando-vos uns aos outros em amor”: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação“.

Amar aqui é uma atitude apresentada como algo que exige esforço. E não um esforço qualquer, mas um esforço “diligente”, ou seja, com zelo, com cuidado, com dedicação. E com qual finalidade? “Preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz“.

Deus deseja paz para sua Igreja. Deseja paz para cada membro de seu Corpo. Para os gente fina, mas também para os insuportáveis. Jesus nunca prometeu que na congregação dos santos todos seriam pessoas fantásticas, nossos melhores amigos. Temos que amar todos os que ali estão, o que significa um grande esforço para aturá-los em suas chatices. Você certamente sabe quem são os insuportáveis da sua igreja. Ame-os. Suporte-os.  Despenda esforços nesse sentido.  E faça isso com zelo. Pois essa é a única forma possível de haver unidade na Igreja.

Ah, só mais uma coisa: nunca se esqueça de que o insuportável da sua igreja pode ser… você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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comentários
  1. marcojuric disse:

    Bom dia Zágari!

    É, espero que meus irmãos tenham bastante amor, pois reconheço que sou bem insuportável em algumas de minhas atitudes/jeito…a espada corta lá e corta cá…rssss

    God bless you!

  2. Lelê disse:

    Aff… Mauricio
    Com essa vc foi fundo, hien?
    Eu admito! Eu devo ser uma dessas pessoas insuportáveis. E vou mais fundo ainda, acho q não sou! rs

    A pior coisa é qd os estranhos acham que são as pessoas mais comuns da face da terra! E são praticamente uns ET’s! Eu reconheço, estou falando de mim msm! rs

    E por achar que sou uma pessoa insuportável, tenho que ao menos tolerar o diferente. Amar o estranho. E isso é muito difícil, mas com a graça de Deus eu chego lá! E por reconhecer que faço parte de uma minoria esmagadora, eu me recolho à minha insignificância e simplismente me calo para não gerar confusão e acabo me afastando!

    Mas um dia eu creio que Deus pode fazer um milagre, como tantos que Ele já fez, e me tornar uma pessoa menos insuportável!

    Obrigada mais uma vez!
    Lelê

    P.S: Dos “adjetivos” citados eu não sou, mentirosa, enganadora, hipócrita, ofensiva, sem limites, abusada, sem amor, insubmissa…ok? rs

  3. Muito bom seu post, parabéns.

  4. Eliana disse:

    Belo texto, Maurício! Mais uma vez…

  5. Sheyla disse:

    Uau que texto FORTE! Nota mil pra vc, Mauricio como sempre! Me veio a mente um texto de reflexão:

    “Ninguém muda ninguém;
    ninguém muda sozinho;
    nós mudamos nos encontros.

    Simples, mas profundo, preciso.
    É nos relacionamentos que nos transformamos.

    Somos transformados a partir dos encontros,
    desde que estejamos abertos e livres
    para sermos impactados
    pela ideia e sentimento do outro.

    Você já viu a diferença que há entre as pedras
    que estão na nascente de um rio,
    e as pedras que estão em sua foz?

    As pedras na nascente são toscas,
    pontiagudas, cheias de arestas.

    À medida que elas vão sendo carregadas
    pelo rio, sofrendo a ação da água
    e se atritando com as outras pedras,
    ao longo de muitos anos,
    elas vão sendo polidas, desbastadas.

    Assim também agem nossos contatos humanos.
    Sem eles, a vida seria monótona, árida.

    A observação mais importante é constatar
    que não existem sentimentos, bons ou ruins,
    sem a existência do outro, sem o seu contato.

    Passar pela vida sem se permitir
    um relacionamento próximo com o outro,
    é não crescer, não evoluir, não se transformar.

    É começar e terminar a existência
    com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

    Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser
    várias marcas de pessoas extremamente importantes.

    Pessoas que, no contato com elas,
    me permitiram ir dando forma ao que sou,
    eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor,
    mais suave, mais harmônico, mais integrado.

    Outras, sem dúvida, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas.

    Faz parte…
    Reveses momentâneos servem para o crescimento.
    A isso chamamos experiência.

    Penso que existe algo mais profundo,
    ainda nessa análise.
    Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos.

    Os seres de grande valor,
    percebem que ao final da vida,
    foram perdendo todos os excessos
    que formavam suas arestas,
    se aproximando cada vez mais de sua essência,
    e ficando cada vez menores, menores, menores…

    Quando finalmente aceitamos
    que somos pequenos, ínfimos,
    dada a compreensão da existência
    e importância do outro,
    e principalmente da grandeza de DEUS,
    é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

    Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
    Sabemos quanto se tira
    de excesso para chegar ao seu âmago.
    É lá que está o verdadeiro valor…

    Pois, DEUS fez a cada um de nós com um âmago bem forte
    e muito parecido com o diamante bruto,
    constituído de muitos elementos,
    mas essencialmente de AMOR.
    DEUS deu a cada um de nós essa capacidade,
    a de AMAR…
    Mas temos que aprender como.

    Para chegarmos a esse âmago,
    temos que nos permitir,
    através dos relacionamentos,
    ir desbastando todos os excessos
    que nos impedem de usá-lo,
    de fazê-lo brilhar.

    Por muito tempo em minha vida acreditei
    que amar significava evitar sentimentos ruins.

    Não entendia que ferir e ser ferido,
    ter e provocar raiva,
    ignorar e ser ignorado
    faz parte da construção do aprendizado do amor.

    Não compreendia que se aprende a amar
    sentindo todos esses sentimentos contraditórios e…
    os superando.

    Ora, esses sentimentos simplesmente
    não ocorrem se não houver envolvimento…
    E envolvimento gera atrito.
    Minha palavra final: ATRITE-SE!
    Não existe outra forma de descobrir o AMOR.
    E sem ele a VIDA não tem significado.”

    Enfim…que Deus tenha misericórdia de mim, porque confesso, muitas vezes sou INSUPORTÁVEL! Grande beijo no seu coração!

  6. kkkkkkkkk Sinto-me exatamente assim hoje. Insuportável!!!!!
    … Bem, eu vou deixar o barro secar.
    Abençoada seja tua vida!

  7. aline disse:

    O pior do insuportável é que mesmo você fazendo de tudo pára conviver bem, tentando remediar de todo lado pára que sua vida seja útil a Deus e aos insuportáveis, sem que isso gere nenhum tipo de invasão à vida do insuportável, mesmo você se privando e se abstendo de coisas que são suas de direito porque Deus disse que são, lá estão os insuportáveis se esforçando para que sejam bem sucedidos em seu propósito: o de não respeitar a Deus e nem ao próximo e garantirem que sempre estarão perturbando a vida de alguém, pensando que são imunes até mesmo à Justiça Divina.

  8. Ana disse:

    Olá, Maurício, um bom tema para refletir esse…
    Eu desde tenra idade tenho a mania ou a virtude de sempre está analisando minhas atitudes, é como se eu fosse meu próprio carrasco rsrsrs, mas entendo perfeitamente que tal atitude é fruto da atuação do ES em mim, que quer sempre que realizemos a vontade de Deus e não nossa própria vontade. Glória a Deus por isso e que assim seja até o fim da minha jornada aqui na Terra. Estive matutando sobre o que seria mesmo uma pessoa insuportável…Uma pessoa é insuportável a partir da ótica de quem? Uma pessoa que é insuportável pra uns pode não ser para outros. Por isso temos que ter cuidado com nossas atitudes pra não ferirmos as pessoas achando que somos pessoas amáveis e agradáveis quando, na verdade, somos mesmo é insuportáveis também. Lendo esse texto lembrei de uma jovem que conheci recentemente em um curso que fiz nas férias de trabalho. Ela,uma jovem bonita, agradável e bem inteligente, em uma das conversas que tivemos na hora do intervalo foi questionada pelo professor sobre o pq da mesma falar sempre com os dentes cerrados e muito baixo. Foi então quando ela contou que estava falando daquele jeito, e já fazia um determinado tempo, pq pessoas próximas a ela diziam o tempo todo que ela falava muito alto e era muito exagerada em suas expressões( gesticulava muito, abria muito os olhos. Bem que eu a achei bem parecida comigo rsrsrsrs), então, por causa disso ela mudou seu jeito pra agradar a essas pessoas e pra evitar a crítica de quem porventura viesse fazer o mesmo posteriormente. Confesso fiquei muito chocada com o que escutei…
    Penso que todos tem um jeito especial de ser e que devemos olhar pras pessoas e tentar enxergar a beleza que elas carregam. Todos somos especiais e nossas diferenças embelezam ainda mais nosso cotidiano e relacionamentos.

    Um abraço,
    Ana

    P.S: Não estou querendo dizer que nunca achei uma pessoa insuportável rsrsrs, não cheguei ainda a esse nível de perfeição, e creio que nunca chegarei enquanto estiver aqui nesse mundo. Porém, acredito que quando tentamos pensar de forma correta, ou seja, tentando imitar Jesus, seremos sempre pessoas melhores e cristãos mais amorosos.

    • Ana,
      reflexão elogiável a sua. Gostei muito da sua forma de ver a questão. E bastante cristã.
      No amor do Senhor, eu, o mais insuportável de todos (é só perguntar a minha mãe rs),
      Mauricio

      • Ana disse:

        Obrigada!

        Abraços,

        Ana ( chata de galocha, como meu pai costuma me chamar rsrsrsrs).

  9. Dedê disse:

    Bem, eu concordo em parte com o texto. Pois acho que é sempre mais cômodo para as igrejas fingirem que não existe um problema, tolerar, passar por cima e agir comos e nada estivesse errado.

    Claro que devemos amar, suportar e todas essas coisas que sempre se ouve qdo surge uma pessoa mal educada em nosso meio. Mas acho que os líderes tb devem trabalhar essas pessoas, pois elas são pedras de tropeço para muitos e envergonham o evangelho.

    Daí eu pergunto: Até que ponto devemos nos calar diante das atitudes arrogantes e mal educadas de alguém que se diz cristão e que não muda o seu jeito de agir?

    Recentemente conheci um zelador numa igreja que pelo que me disseram, sempre foi grosso com todo mundo. Trata as pessoas mal e nunca foi corrigido. Já ouvi gente que foi maltratada por ele dizer: “Viu? Por isso não faço mais coisas nessa igreja. Pra ser tratada dessa forma?”

    E ele continuava lá, invicto. Levamos o problema ao pastor e nada se resolveu. Parecia que o cara estava “acima do bem e do mal”. Não podia ser tocado, talvez por ser um “crente” antigo. E ele continuou a tratar mal as pessoas, com sua arrogância e certeza de impunidade. Até que não aguentei e explodi (sou crente mas não tenho sangue de barata) e falei o que ele precisava ouvir.
    Levei ele ao pastor para ver se algo seria feito, já que ninguém tinha coragem de fazer nada. Não sei no que deu. Espero sinceramente que ele tome jeito, pois o mínimo que esperamos qdo vamos à uma igreja é respeito. Uma coisa é personalidade, outra é permanecer em pecado. Somos todos pecadores sim, não podemos jogar pedras. Mas também somos adultos e animais racionais. Temos sã consciência do que fazemos e portanto, podemos sim mudar e essa é a característica do convertido: mudança de atitude, mudança de vida.

    A liderança precisa entender que quando os líderes se calam e se omitem, os membros tentarão resolver os problemas do jeito deles, já que ninguém faz nada.

    É mto fácil falar para as pessoas ao redor tolerarem e mudarem seu jeito de agir para se adaptarem a quem está errado. Ou seja, não magoamos o nosso irmão com a verdade, preferindo que ele continue em seu pecado e vá para o inferno.

    Será que era realmente isso que Jesus queria qdo nos ensinou sobre amar e tolerar?

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