Jesus nunca construiu templos

Publicado: 09/07/2011 em Espiritualidade, História da Igreja, Igreja dos nossos dias, Igreja institucional

A frase está na moda: “Jesus nunca construiu templos“. Geralmente, esse mantra é repetido por pessoas bem intencionadas, cristãos que se revoltam contra modelos de igrejas abusadoras, legalistas, cheias de normas humanas e onde as pessoas se reúnem em geral para assistir a cultos e não para viver uma vida diária de fé. Na cabeça desses irmãos, o famigerado templo se tornou o símbolo de um modelo falido, anticristão, injusto e meramente formalista. Seriam paredes vazias, sem espiritualidade.

Naturalmente, esses irmãos acabam, mais dia, menos dia, abandonando suas igrejas. “Afinal, o templo do Espírito somos nós”, argumentam, “e não precisamos de templos de pedras”. “Nós somos a Igreja e não precisamos de igrejas”, bradam. Assim, mediante o desprezo que nutrem pelos templos feitos pelas mãos de homens e por todo o significado que trazem consigo a respeito das instituições que abrigam, alguns desses cristãos se tornam “desviados”. Outros ficam em casa e acham que podem viver um cristianismo fora da coletividade (o que não é bíblico). E há ainda aqueles que buscam comunidades alternativas (que são tão institucionalizadas como qualquer igreja, como já discuti no post “Jesus X Igreja: tornei-me cristão quando saí da igreja“). Esses preferem se reunir em casas, jardins, quintais, salas de estar ou coisa parecida. Há nessa expressão uma certa ilusão de que assim estão vivenciando o cristianismo como se fazia na Igreja primitiva.

Desse modo, o templo tornou-se personificação do mal, do cristianismo de fachada, falido, desumano. O templo passou a ser associado a estruturas onde o indivíduo é apenas um número e não uma alma, onde o pastor é um senhor feudal no comando de um grupo de campesinos que lhe seguem por medo de desobedecer o “ungido intocável do Senhor”. E assim, na mente desses irmãos, clama-se constantemente: vade retro, templo.

É comum lermos no twitter, em blogs e outras redes sociais essa afirmação: “Jesus nunca construiu templos“. O que o indivíduo quer dizer com isso é que Jesus nunca teria se preocupado em criar esse tipo de estrutura, como as que existem hoje, que o Mestre só investiu nos relacionamentos e não em paredes. Em parte, é um argumento bonitinho, tem seu charme. Mas, por outro lado, é um argumento perigoso, pois desqualifica algo que Jesus não desqualificou. Como assim? Vamos por partes.

Primeiro (e isso seria só uma mera curiosidade), nós não podemos afirmar que Jesus jamais participou da construção de um templo religioso. Lembremo-nos que ele trabalhava em carpintaria. Quem sabe se em seu ofício de carpinteiro Jesus não teve de fazer bancos para sinagogas, mesas para rabinos ou mesmo vigas e telhados para templos judaicos? Nós não sabemos isso. Como profissional de carpintaria Jesus pode muito bem ter se envolvido na construção de templos ou de elementos usados em templos, é algo que faz até bastante sentido. Então, só essa margem de dúvida já nos deixa no mínimo com uma pulga atrás da orelha com relação a esse argumento. Afirmar o inafirmável é muito perigoso.

Mas tudo bem, como trata-se de um argumento especulativo, o deixemos em segundo plano e nos concentremos naqueles que são factuais. Pergunto então o seguinte: só porque Jesus não fez pessoalmente alguma coisa isso a desqualifica? Por exemplo: Jesus nunca jogou futebol, até onde a Bíblia relate. Não deveríamos então eliminar os esportes da nossa rotina? Jesus nunca orou pedindo uma esposa, não deveríamos nós parar de fazê-lo então? Vamos além: o hábito dos judeus da época de Jesus era orar com os olhos abertos, fixos no céu. Então, por conseguinte, orar de olhos fechados como fazemos hoje seria errado? Prossigamos: Jesus pregou e ensinou muitas vezes sentado. Então púlpitos e tablados de salas de aula em seminários teológicos deveriam ser abolidos? E mais: Jesus nunca usou terno e gravata, então deveríamos ir às reuniões de túnica? As viagens de Jesus eram feitas a pé, logo todos os que criticam as estruturas eclesiásticas formais deveriam abolir carros e ônibus? E mais: Jesus nunca cozinhou macarrão. Não posso comer então um espagueti? A Bíblia não mostra Jesus cantando em corais, que fazemos então com os nossos? E repare: Jesus nunca escreveu um único livro sobre espiritualidade, teologia ou outros aspectos da fé cristã. Então devemos fazer uma grande fogueira com o que as editoras cristãs publicam? Só para terminar: Jesus nunca usou internet. Então o que você está fazendo aí lendo este blog, seu pecador?!?! E Jesus nunca tuitou. Então por que você tuita, seu legalista?!?!

E para aqueles que acham mais espiritual se reunir em casas do que em templos perguntaríamos: quantas casas a Bíblia diz que Jesus ergueu mesmo? Quantos jardins? Quantas salas de estar? Resposta: nenhuma. Zero. Então, pelo mesmo raciocínio lógico, se templos são instituições ruins para a prática cristã por Jesus nunca ter erguido um templo, logo casas, apartamentos, sítios e quaisquer outros ambientes também o são, visto que Jesus nunca construiu nada disso. O que é simplesmente um raciocínio absurdo.

Já é hora de, em vez de ficarmos repetindo sem pensar chavões, clichês e mantras que ouvimos por aí, ouvirmos o que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto: “Onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mt 18.20). E, meu amigo, minha amiga, se esses dois ou três estiverem dentro de um templo de uma igreja institucional pode ter certeza absoluta de que ali o Senhor Jesus estará presente. Queiram os críticos, quer não.

Poderíamos seguir por horas pensando em exemplos de coisas que Jesus não fez e que nós fazemos e… sabe aonde isso nos levaria? A lugar algum. Simplesmente porque o argumento de que algo é desqualificado espiritualmente porque “Jesus nunca fez” é de uma infantilidade sem par. É muito limitado. Pois o que importa são os princípios.

Afinal, deveríamos ter templos ou não?

Mas a questão de se deveríamos ou não ter templos é interessante, então falemos um pouco sobre o uso de templos dentro da fé e da prática cristãs. E aqui é importante ter conhecimento histórico. No início do cristianismo, da época de Jesus até o ano 313, quando Constantino emitiu o Édito de Milão, a fé cristã era proscrita. Era necessário fazer reuniões e cultos de maneira disfarçada, pois as celebrações cristãs eram passíveis de morte devido à legislação do Império Romano. Logo, as pessoas iam às casas umas das outras fingindo uma visita social para ocultar as intenções de culto – exatamente como acontece hoje em países como a China, onde participar de cerimônias cristãs pode lhe condenar à morte. Isso não tinha absolutamente nada a ver com uma suposta reprovação de templos. Não se podia erguer templos simplesmente porque a coisa tinha de acontecer na surdina e não porque cultuar em casas fosse “mais espiritual” ou “mais dentro do espírito de Cristo”. Simplesmente era proibido.

Pelo contrário, escavações arqueológicas já revelaram o mais antigo local de culto cristão do mundo (foto ao lado), em Rihab, a 40 Km de Amã, na Jordânia, construído entre os anos 33 e 70 da nossa era. O templo (atenção, eu disse templo) subterrâneo, de estrutura circular, possui vários escalões e assentos de pedra para os sacerdotes. A tese dos arqueólogos sustenta que o local acolheu os primeiros cristãos até à data em que os romanos abraçaram oficialmente a fé, no século IV. Pelo que se encontrou ali, tudo mostra que esse local cristão encontrado seja o mais antigo onde se celebrou Cristo com orações e liturgia.

Além disso, quem teve a oportunidade de visitar as catacumbas dos primeiros séculos, como a de San Calixto, em Roma, ou as de Nápoles (como eu tive) vê claramente que, em meio a todas as sepulturas, havia câmaras que serviam para a celebração religiosa e a realização de cultos. Ou seja, poderíamos chamar de mini-templos, uma vez que o fato de serem escavados sob a terra limitava seu tamanho. Tudo isso são provas de que a Igreja primitiva nunca teve nada contra a reunião e a celebração litúrgica de cerimônias cristãs em ambientes especificamente preparados para esse fim (templos, veja você), ao contrário do que o grupo de irmãos anti-templo vive repetindo. Isso é um fato histórico.

Mas esses templos que havia nos três primeiros séculos eram minoria, devido ao caráter proscrito da fé cristã naquele tempo. O padrão era celebrar os cultos em residências, para que as autoridades não descobrissem. Era mais fácil e mais discreto. Não tinha nada a ver com espiritualidade ou simplicidade. Chega então o Concílio de Niceia, em 313 a. D. e o imperador Constantino ordena o fim da perseguição aos cristãos e a liberdade de culto. Agora os cristãos não tinham mais que se esconder e podiam prestar adoração à luz do dia. Começou-se então a construir templos no formato de grandes edificações, que seguiam o modelo do que já existia e era bastante comum naquela época: as basílicas romanas.

As basílicas eram prédios dedicados à administração da cidade, fóruns civis e coisas parecidas. O formato era ótimo, pois eram espaços amplos e com boas acústicas. E agora, com os cristãos que antes se escondiam podendo assumir publicamente sua fé, junto aos muitos indivíduos que começaram a se converter (uns de fato e outros por puro interesse, ressalte-se), o número de cristãos visíveis tornou-se enorme. E, naturalmente, desejaram expressar-se em coletividade. Como eram muitas pessoas afluindo aos templos, tornou-se necessário erguer santuários grandes, com capacidade de abrigar muita gente.

E assim foi, ao longo dos séculos. Os homens ergueram as grandes catedrais, numa manifestação da grandeza de Deus (o pé direito alto, por exemplo, tem o objetivo de elevar os olhos do fiel para cima, para a transcendência, nada é à toa na simbologia de um templo cristão). Hoje, temos joias arquitetônicas espalhadas pelo mundo que são marcos da caminhada cristã ao longo dos séculos. Como muitos odeiam o passado, talvez isso lhes soe como uma ofensa. Mas quem sabe valorizar a trajetória da Igreja ao longo de seus 2 mil anos sabe que tem muito a aprender com o que aqueles que vieram antes de nós fizeram, seja errando ou acertando.

E, assim, os templos chegaram aos nossos dias. Depois da Reforma Protestante, um pouco mais destituídos de grandiosidade, mas igualmente eficientes. Quantos e quantos não foram os pecadores que receberam a mensagem da salvação por terem ido a cultos realizados em templos tradicionais ou mesmo, em nossos dias, em antigas salas de cinema ou em auditórios como o da Asociação Brasileira de Imprensa. Ou mesmo em igrejinhas de beira de estrada. Ou ainda – e temos de reconhecer isso, apesar de todas as restrições – em projetos megalômanos como a Catedral Mundial da Fé. Fato é que os templos continuam servindo de referência religiosa, de local de convergência, onde o pecador, o desesperado, o desiludido, o suicida vão em busca de alento e de transformação. Só por isso já valeria a pena termos essas referências, esses locais caraterísticos, que aqueles que os veem subentendem imediatamente que ali se reúne o povo de Deus.

Quando Jesus me converteu, eu estava numa situação de profunda tristeza. Senti-me tocado pela necessidade de buscar Deus. Era ignorante, não sabia onde. Não conhecia nenhum grupo alternativo que se reunisse em casas nem comunidades de fé menores ou células domésticas. Se eu olhasse em volta, só veria casas e prédios. Mas eu sabia muito bem onde ficava o templo da Assembleia de Deus na Ilha do Governador, bairro do Rio de Janeiro onde eu morava. E foi por ter esse referencial que me arrastei até lá, deprimido e em lágrimas, em busca do colo de Deus. E o encontrei, na forma de irmãos que me ouviram, oraram por mim, pregaram a Palavra, me aconselharam e me acolheram. Lembro-me, por exemplo, do querido irmão Tinoco, que me recebeu naquela manhã. E tudo isso porque ali havia um templo. Que Jesus não construiu. Sim, é verdade, Jesus não construiu o templo da Assembleia de Deus na Ilha do Governador. Mas ali e em outros milhares de templos cristãos espalhados pelo mundo milhares de pessoas sabem que podem se encontrar para buscar palavras de esperança, de renovação, de justificação. Palavras de vida eterna. E exercer plenamente a sua espiritualidade.

Quer saber? Pensando nisso percebo que quem construiu o templo daquela igrejinha onde fui resgatado da dor, do sofrimento, do pecado e da morte eterna foi Jesus sim. Pode não ter sido com as próprias mãos, mas acredito que Ele estava segurando na mão de cada pedreiro que a construiu. E mais: se Jesus nunca erigiu pesoalmente nenhum templo, não creio que os desaprove. Até porque, convenhamos, seria muito ruim nos reunirmos na chuva.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Comentários
  1. MARISE disse:

    Você, e também eu, amamos a igreja: a invisível e a visível. Linda a história da sua conversão. Um dia, Deus me guiou para uma igreja tb, e, estou lá até hoje. Lugar de adoração, de relacionamento com Deus e de comunhão com o Corpo. Deus continue te abençoando e usando sua instrumentalidade intelectual para que muitos sejam edificados. Sou sua fã. Paz!

  2. Rafael Santos da Costa disse:

    Mto bom Mauricio, tenho lido alguns posts e tem sido inteligente, coerente e por fim abençoador….
    grande abraçooo

    @rafinaloked

  3. Alessandra Figueredo disse:

    Não há nada que retocar no texto, está fantástico!
    Que Deus continue te usando para falar com o povo através deste meio que Jesus nunca usou…
    Parabéns! Como vc escreve bem! Aff..

  4. @bcayres disse:

    De acordo com o Dr. Rodrigo Silva, arqueólogo, é muito provável que Jesus tenha trabalhado com carpintaria pesada (construção de muralhas, prédios e, quem sabe, sinagogas…).

  5. Regina disse:

    Como Deus é maravilhoso, né Maurício?
    Sua história toca nossas histórias de encontro com Jesus Cristo, Pastor que pega o cajado e nos encaminha, ovelhinhas bobas que somos, para Casa do Pai. E Ele é tão incrivelmente misericordioso que nos perdoa tantos questionamentos inconsequentes, e até mesmo inúteis, porque até esses fazem parte de nossa humanidade. Importa que sejamos lúcidos em nossa fé, fincando nossos pés na rocha da salvação e do amor. O resto, é especulação do mundo, que anda mais doido e doído do que nunca.

    Ele o converteu (lindo isso!) e neste espaço você, com uma lógica abençoada – como já lhe disse, não nos deixa esquecer que também somos convertidos por seu Amor, todos os dias. Confesso que já estive na posição de questionar inconsequentemente a reunião em templos, mas hoje sei que é como você bem descreve, os templos são sinais visíveis da Casa de Deus na Terra – mesmo que alguns existam para aqueles que, não convertidos de verdade, construam seus templos na areia, para os vendilhões da fé e etc.

    De nada adianta buscar vestígios da existência real de Jesus Cristo, como a gente ouve as pessoas questionando ou as chamadas dos programas de tv a cabo , porque Ele é muito maior que nossa existência física e sem fé Ele não existirá mesmo, em tempo algum, para ninguém, ainda que tenha vivido entre nós em carne e osso.

    Bom fim de semana, na Paz e no Amor Eterno de Jesus
    Bj

    • Regina, fico feliz que vc tenha alcançado essa compreeensão. Na minha visão, é um entendimento que vem com o amadurecimento, com a idade, com a vivência.
      Temos que tratar dos que foram feridos em igrejas institucionais e por isso acusam injustamente os “templos” (metaforicamente) de serem o “grande Satã”. Espero que os esclarecimentos e as reflexões que humildemente posto aqui ajudem alguém a compreeender isso. E se for alguém que se afastou da comunhão, que volte, seja tratado e passe a tratar daqueles que precisam tanto do carinho de gente que foi ferida em igrejas mas foi tratada e curada.

      Beijo grande pra ti, no amor dAquele que não habita em templos feitos por mãos humanas…mas que os frequenta sempre que há dois ou mais ali reunidos em Seu nome.

      • Regina disse:

        Maurício
        Lembro que ainda preadolescente, atéia e ‘a toa’, aparentemente, pedia um único presente a Deus (se Ele existisse, assim pensava eu…): queria sabedoria. Creio que desde sempre a ovelha burrinha aqui estava sendo monitorada :) pelo Pastor, porque nunca pedi materialidade…!!! Não creio que a tenha, mas a busco, incessantemente, na Palavra de Deus. Já vivi um tanto de tempo perdido em crenças vazias, vivi um tanto de vida errada, errática, tudo porque não possuía a educação na Palavra. Hoje sei que tudo posso, mas somente nAquele que me fortalece, ensina e admoesta. Sofrer foi e é a razão de viver a Alegria em Cristo todos os dias. Creio que a compreensão veio com a conversão de rumo, da estrada tortuosa do niilismo para o Amor de Deus. Graças!!!!
        Bj

      • Regina,

        “Naquela noite Deus apareceu a Salomão e lhe disse: “Peça-me o que quiser, e eu lhe darei”. Salomão respondeu: “Tu foste muito bondoso para com meu pai Davi e me fizeste rei em seu lugar. Agora, Senhor Deus, que se confirme a tua promessa a meu pai Davi, pois me fizeste rei sobre um povo tão numeroso quanto o pó da terra. Dá-me sabedoria e conhecimento, para que eu possa liderar esta nação, pois quem pode governar este teu grande povo?” Deus disse a Salomão: “Já que este é o desejo de seu coração e você não pediu riquezas, nem bens, nem honra, nem a morte dos seus inimigos, nem vida longa, mas sabedoria e conhecimento para governar o meu povo, sobre o qual o fiz rei, você receberá o que pediu, mas também lhe darei riquezas, bens e honra, como nenhum rei antes de você teve e nenhum depois de você terá”. (2 Cr 1.7-12)

        Preciso dizer mais? Deus te abrace e acarinhe, minha amiga.

  6. Que delícia! Que viagem na história! Quanto tens acrescentado ao meu pouco conhecimento!
    Que o Senhor continue te abençoando, inspirando, derramando Sua sabedoria sobre você.
    Tenha um domingo maravilhoso na presença do Pai.
    abraços
    Soraya Barros

  7. Moniky fialho disse:

    Poxa, otimo texto. Muito coerente! Louvo a Deus por sua vida.
    Evangelho simples.
    Obrigada pelo ensino.
    Abraços,
    Moniky Fialho

  8. Alex disse:

    Bom dia Maurício, excelente texto meu amigo, acredito que a maioria que defende essa tese de que Jesus não construiu templos na verdade não sabe estar em comunhão, viver em comunidade e normalmente não se submete a lideranças, mas cada um vai dar conta de si não é verdade, parabéns pelo texto.

    Uma semana abençoada

    Alex Costa

  9. Day disse:

    Dispensa comentários! Só vou comentar para “glorificar a Deus” por essa visão que nos ajuda a tirar as pulguinhas da duvida de trás da nossa orelha, quanto ao que tanto se fala… mas a bíblia contesta e prova afim de nos orientar ,nos guiar pelas veredas da verdade.

    Abraços,querido! Paz

  10. cajeron disse:

    Ainda lendo, e continuo gostando. Deus o abençoe.

  11. Ótimo post, eu já fiz vários sobre esse assunto e concordamos. Mas acho que a dificuldade dessas pessoas é encontrar uma comunidade em que eles se sintam confortáveis. Me parece que boa parte saiu de igrejas doentes por heresias.

    Há igrejas sérias, mas é duro encontrar igrejas com pessoas sofisticadas, a educação no meio religioso sobre sua própria religião empobreceu bastante.

    Claro que é um crime não admirar a simplicidade das pessoas que seguem temendo e tremendo na fé mesmo sem conhecer 2000 anos de cristianismo e filosofia cristã na ponta da língua. O problema também está no enorme preconceito dessas pessoas com os mais simples.

    Na paz do Eterno! Grande abraço!

    • Charles, obrigado pelo carinho e pelas palavras.

      Eu vejo muitas explicações diferentes para a saída dessas pessoas (se te interessar, dá uma lida em outro artigo que escrevi sobre o tema, onde procuro aprofundar mais a questão: Jesus X Igreja ).

      Heresias são apenas uma das explicações: há falta de afeto da parte de irmãos, há atitudes equivocadas da parte de pastores mas, convenhamos, a responsabilidade em grande parte das vezes (se não na maioria) é das próprias pessoas que saem, que querem viver vidas em desacordo com o Evangelho bíblico e, ao serem questionadas por suas posições, não aceitam e pulam fora. A verdade, Charles, é que tem muito cristão mimado: “se não for do meu jeito, então não presta”. Há muitos também que estão atrás de um Evangelho fácil, que exclui “tome a sua cruz e siga-me”, e não querem se submeter às exigências da graça severa de Deus.

      Concordo com vc sobre a escassez de igrejas bem preparadas. Mas eu nem diria que é dificil encontrar igrejas com pessoas “sofisticadas”, mas sim com pessoas “instruídas na fé”. Multidões se dizem cristãs mas nunca pegaram a Bíblia para ler e acham que sabem tudo sobre a fé. Aí quando um pastor ou irmão com mais conhecimento aponta seus equívocos elas se irritam e pulam fora, em busca de um lugar que lhes seja mais confortável.

      Conheço muitos assim. Querem igrejas democráticas, ou igrejas que aceitem o divórcio, ou coisa parecida. Quando a igreja se posiciona (de acordo com a Biblia, diga-se de passagem) sobre seus erros, o argumento é sempre o mesmo: “falta amor”, “falta graça” etc. Se vc tiver um pouquinho mais de paciência, deixei muito clara minha visão sobre isso no artigo Heresias em nome do amor)

      As igrejas hereticas estão multiplicando-se como coelhos (EM ESPECIAL dentro da internet, onde pastores que pregam heresias como Teologia Relacional, Teologia da Prosperidade ou a pseudoTeologia do Amor ganham adeptos ingênuos aos borbotões). Mas não acredito que o problema maior seja esse. Pelo que observo, o problema maior é a recusa de muitos em se submeter às exigências do Evangelho, porque, advogam os tais, um Jesus de amor e graça não exigiria esforço ou renúnica. E, assim, jogam a Biblia no lixo.

      É uma pena. Resta-nos amar essas pessoas, nos dispor ao diálogo com elas (e minha experiência me mostra que em geral elas se fecham em guetos de desigrejados e fogem totalmente do diálogo), orar por ela e continuar proclamando o puro Evangelho da graça até o grande e temível dia da volta do Senhor.

      Obrigado pelo teu comentário, espero podermos comungar muito ainda com vc – alguém que visivelmente tem clareza de ideias.
      Na paz e na graça do Mestre.

  12. [...] Jesus nunca construiu templos [...]

  13. [...] assunto você pode ler nos artigos Jesus X Igreja: tornei-me cristão quando saí da igreja e Jesus nunca construiu templos). E aí você percebe que a igreja dos sem igreja é apenas mais do mesmo, só que com cores [...]

  14. pierre roger disse:

    Eu também sou um desses que diz que o templo somos nós!

    Mas não apenas porque nos ajuntamos sob um teto que estaríamos errados , pelo contrario nós devemos nos congregar,o problema todo esta em alguns elementos que foram adicionados sem respaldo bíblico, como por exemplo lugares de honra para homens, já que nosso próprio salvador disse que deveríamos ser humildes, logo aqueles que ensinam deveriam estar cientes disso, e praticar , dessa forma estariam ensinando mais do que com palavras.
    Outra coisa são os não menos polêmicos dízimos, que para terem respaldo usam um texto que os acusam a eles mesmos (Malaquias 3:10), já que os dízimos eram comida que era entregue para sustento dos que cuidavam do templo, e o principal a viuvá o órfão,o estrangeiro e o necessitado, o que até hoje é feito da mesma forma, recebe-se o dizimo paga-se as contas do templo, o salario do pastor e dos que cuidam do templo, o resto(na maioria das vezes) e colocado em um banco para ser erguido mais um templo maior e esse ciclo se repete.

    Não haveria problema nenhum e nenhum desentendimento entre irmãos se apenas tivéssemos um lugar para nos reunir, em que objetos não fossem cultuados,musicas não recebessem adoração(sim porque deveríamos adorar em espirito e em verdade , não apenas diante de uma musica, isso digo porque a instrução que se recebe e que o momento do louvor e o momento da adoração!. [más não sou ninguém para julgar a adoração dos outros]),e toda arrecadação fosse usada para ajudar o que estivesse precisando entre nós e também as pessoas da comunidade.

    Poderia colocar mais coisas…porém já ficou grande demais rsrsrsrsrsrsrs

    que Deus te abençoe meu irmão, e a cada um que vier a seu blog.

    • Mano Pierre,
      obrigado por expressar suas opiniões. Creio que anatemizar os santuários é atirar pedras naquilo que não é o problema. Sim, natural que o templo somos nós, nem seria questão de opinião, é o que a Biblia diz. No entanto o fato de os templos do Espirito congregarem sob um templo de pedra não é pecado, não desmerece a pratica, não configura nenhum mal nem é antibiblico. Lembremos que Jesus frequentava o templo de Jerusalem e as sinagogas. Que ele celebrou a Ceia sob um teto. Que ele curou o paralítico dentro de um ambiente fechado. Esse não é o mal.

      Sobre os dízimos, são bíblicos e muitas vezes eram dados em dinheiro, quando o que lhes entregava vinha de longas distancias. A nova moda de combater o dizimo (curioso, pense, em 2 mil anos de fé cristã nenhum pensador ou teólogo, católico, ortodoxo, reformado, pre-igreja oficial etc nunca combateu a entrega do dizimo) é uma novidade criada há menos de 20 anos.

      Minha visão bíblica, querido, respaldada nas palavras do Senhor Jesus (“fazei estas coisas sem deixar de fazer aquelas”) é que combater a entrega do dizimo seria desprover os recursos necessários para a manutenção e a propagação da igreja. A quem isso interessa? A resposta não é tão difícil assim de encontrar.

      É possível se reunir numa casa e celebrar Cristo? Lógico que sim. É o melhor modelo? Tenho minhas duvidas. Ou vc acha que esse modelo com o tempo não descambaria para uma nova forma de instituição? Já escrevi Posts sobre isso. Se vc tiver paciência de ler verá que é inevitável.

      Respeito sua opinião sempre. É seu direito tê-la. Mas meu ponto de vista está bem explicitado no post, creio que não necessitaria me alongar.

      Um abraço forte, no amor dAquele que nos une.

  15. Continue pensando…

  16. jefferson foaid disse:

    Deus atraves de você falou comigo, tenho um amigo que esta nessa situação decepcionado com a igreja e fala tudo que vc falou em relação a templos e tal,em algumas partes do seu texto ate parece ele falando rsrs.
    Que Deus o abençoe sempre, eu louvo a ele por vc fique em paz querido

  17. jefferson foaid disse:

    Só mais uma coisinha otimo texto esclareceu todas as minhas duvidas,so queria saber mais uma coisa a igreja de corintios era fisica (ou seja templo, pedra sobre pedra…) ou espiritual (tipo somos a igreja templo e morada do espirito santo) ?

    Desde ja agradeço fique em paz!!!

    • Mano,
      a Iigreja de Corinto era domestica, pois como o Império Romano proibia reuniões cristãs sob o risco de morte, as pessoas eram obrigadas e fingir que iam fazer visitas sociais à casa de outras pessoas e ali faziam suas celebrações. Só por isso.
      Só no ano 313, com o Edito de Milão, o imperador Constantino liberou o culto cristão como algo legal e com isso os cristãos que estavam escondidos em lares correram pra fazer templos e assim poder congregar em maior número.
      Respondido?
      Se vc quiser saber mais sobre os decepcionados com a igreja, há outros posts no blog que falam sobre isso e assuntos correlatos e uma reportagem que escrevi para a revista Cristianismo Hoje que podem te ser uteis:

      Reportagem:
      http://cristianismohoje.com.br/interna.php?id_conteudo=596&subcanal=30

      Posts (barra à esquerda do blog):
      Jesus X Igreja: tornei-me cristão quando saí da igreja
      Hippies, porcos e a Igreja institucional
      Religião, dogma, tradição e outros palavrões
      Jesus nunca idealizou uma igreja perfeita
      O pecado supremo na Igreja evangélica: pensar

      Espero ter ajudado. Na paz.

  18. Jesus habita nos templos feitos por Suas mãos (nós), os quais encontram-se dentro de templos feitos por mãos de homens. Logo, Jesus está ali também, no meio deles, como disse que estaria.

    Graças ao bom Amigo pela sã consciência, a qual o mano vem disseminando entre as ovelhinhas do Bom Pastor.

    Um beijo, mano.

  19. [...] tornei-me cristão quando saí da igreja ,  Hippies, porcos e a Igreja institucional e Jesus nunca construiu templos. Como toda moda, vai passar. Qualquer pessoa que conheça História da Igreja sabe que esses [...]

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