Posts com Tag ‘Tim Keller’

“Quem é o seu teólogo favorito?”. Essa pergunta me foi feita recentemente por uma irmã que participou de um bate-papo ao vivo que organizei em meu facebook (uma “live”, como se costuma chamar), para falar sobre livros de ficção cristã, por conta do lançamento, mês passado, de meu mais recente livro, Sete enigmas e um tesouro (editora Mundo Cristão). Não tive dúvidas: na mesma hora, respondi: “Meu teólogo favorito é a dona Maria”. Diante das reações de espanto dos amigos que participavam do bate-papo virtual, que esperavam nomes como Tim Keller, Agostinho ou Dooyeweerd, expliquei quem é essa grande e profunda teóloga. Gostaria de lhe falar sobre isso também.

É muito comum, quando se fala de teologia, pensar-se que um “grande teólogo” é um acadêmico. Aquela pessoa que tem muitos livros escritos e que dá aula em seminário teológico, além de palestras em conferências e congressos. Sem desmerecer os queridos irmãos que se encaixam nessa descrição, não considero esse o perfil de um “grande teólogo”. O “grande teólogo” é, para mim, aquela pessoa que consegue viver tudo o que a teologia cristã abarca com real profundidade e intimidade com Deus.

Pobreza, ou pequenez, de conteúdo, em se tratando do evangelho, não é a ausência de parâmetros acadêmicos. Muitos teólogos transbordantes de conhecimento intelectual são pobres no conteúdo cristão e muitos irmãos e irmãs com pouca bagagem teológica formal são ricos no conteúdo do evangelho que propagam. Riqueza de conteúdo cristão não significa capacidade de decorar o que dezenas de pensadores e teólogos disseram ou escreveram. Isso é acúmulo de conhecimento, o que é excelente e deve ser feito, mas não é pré-requisito para uma mensagem cristã ser rica. Em Cristo, riqueza pode vir da simplicidade.

Uma mensagem rica em conteúdo cristão é qualquer uma, simples ou complexa, que enxergue o cerne do evangelho e consiga transmitir para o interlocutor os valores e conceitos vitais do reino, sobre os quais a boa-nova de Cristo está alicerçada. Mensagens notoriamente simples, coloquiais e acessíveis no conteúdo podem carregar enorme profundidade teológica cristã. Ou você crê que os extremamente simples Sermão do Monte e parábolas de Jesus são rasos, superficiais e pobres em sua mensagem?

A realidade é que ser simples não é ser pobre. E ser rebuscado não é ser rico. Há teólogos que carregam gigantesca bagagem intelectual mas que usam seus muitos conhecimentos a fim de menosprezar pessoas e grupos dos quais discordam. Falam com muito conhecimento acadêmico, mas o que suas palavras geram são dissensões, menosprezo, ódio e arrogância — tudo, vícios condenados biblicamente. Nesse sentido, sua mensagem é, apesar de rebuscada, paupérrima. Embora a ignorância acerca do conhecimento teológico acadêmico não seja em nada desejável, por definição bíblica um analfabeto pode ser muito mais rico em seu conteúdo espiritual do que um PhD em Teologia, desde que ele transborde em devoção, piedade e temor resultante de riquezas relacionais com Jesus.

As palavras de Paulo em Colossenses 3.12-16 nos mostram o que profundidade teológica significa: possuir conteúdo transbordante de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Compreensão. Perdão. Um diálogo teológico cristão rico e profundo em sua mensagem é o que ocorre entre pessoas que deixam a paz de Cristo governar seu coração, e não que recorrem à sua vasta bagagem intelectual a fim de esmagar o adversário debaixo dos pés de seus argumentos retóricos bem construídos. Derrotar, afinal, não é a meta – edificar é. Precisamos de menos machões briguentos e arrogantes nos diálogos teológicos e precisamos de mais pessoas que consigam dialogar com o diferente demonstrando as virtudes do fruto do Espírito. Não custa lembrar quais são elas: Mansidão. Amor. Paz. Amabilidade. Domínio próprio. Alegria. Fidelidade. Paciência. Bondade. Isso é riqueza no conteúdo da mensagem. É profundidade. E é grandeza.

BNJC_arte para blog APENAS

Clicando na imagem acima você vai para a livraria virtual Amazon

Dona Maria não é uma pessoa real. É uma personagem que criei para representar as muitas pessoas que cruzaram meu caminho e que são simples em seus conhecimentos acadêmicos sobre a teologia cristã, mas riquíssimas em sua aplicação da teologia cristã em sua relação com Deus e o próximo. Dona Maria é o irmão Tinoco, a irmã Célia, o pastor Luiz e tantos outros anônimos que me ensinaram com profundidade ímpar o que significam o cristianismo e o ser cristão.

Por outro lado, cruzaram minha vida ao longo dos anos pessoas dotadas de títulos extensos e pomposos; com fama entre os evangélicos; dotados de memórias prodigiosas para decorar nomes de autores, teólogos, filósofos, citações e trechos de livros, mas cujo impacto transformador na minha vida foram neutros ou, até, extremamente negativos. Esses, apesar de seus muitos predicados, não considero “grandes teólogos”. São apenas cristãos cheios de conhecimento, mas rasos e pequenos em seu temperamento, em sua piedade, em seu exemplo, em sua autopercepção e na manifestação do amor cristão.

Meu irmão, minha irmã, não se satisfaça com o pouco conhecimento da teologia acadêmica. Busque, sempre, adquirir mais e mais bagagem intelectual, penso que Deus se agrada disso. Porém, se esse conhecimento vier despido de piedade, intimidade com Cristo, amor visceral ao próximo, humildade (vivida e não fingida) e abnegação, tenha a certeza de que você jamais será um “grande teólogo”. Aliás, pensando bem, não procure ser um “grande teólogo”, mas, sim, um cristão humilde e que aplica a teologia na prática da vida, para edificar a Igreja e glorificar a Deus, assassinando a cada nova manhã o seu próprio ego. Se formos assim, aí sim, a nossa teologia terá valido para alguma coisa além de alimentar o nosso gordo ego teológico.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
.
Anúncios

casar1É enorme a quantidade de casamentos problemáticos entre cristãos. Alguns dos posts mais lidos e comentados aqui do APENAS são os que versam sobre problemas matrimoniais. Muitos dos livros mais vendidos pelas editoras cristãs são os que tratam do assunto. Um dos tipos de ministério “direcionado” que mais surgem é o voltado a famílias e casamentos. Esses fatos denunciam que cristãos enfrentam problemas conjugais tanto quanto não cristãos. Pelo espaço dos comentários do blog chegam até mim muitos casos de pessoas que buscam respostas para problemas conjugais, em situações as mais variadas (se é o seu caso, procure seu pastor, ele é quem melhor pode aconselhá-lo). Em programas de rádio e palestras de que já participei sobre o assunto vejo tipos de problemas que jamais imaginaria, que vão da chamada “incompatibilidade de gênios” a casos de incesto. O que fica muito claro é que o casamento é uma das áreas mais visadas nos ataques espirituais contra os cristãos e por uma simples razão: ao se destruir uma família, ocorre a desestruturação dos cônjuges em diversos âmbitos, os filhos ficam traumatizados, as comunidades são abaladas e, com tudo isso, fere-se a Igreja de Cristo. Assim, qualquer ataque a um casamento é uma afronta direta a Deus. Para quem vive desilusões e problemas no matrimônio, muitas vezes o divórcio é a solução. Já para mim, uma das soluções para problemas matrimoniais é uma mudança na sua compreensão acerca do verdadeiro propósito do casamento.

Como todo mundo, eu me casei acreditando naquelas frases feitas, como “Casei para ser feliz” ou “Casei para fazer o meu cônjuge feliz”. De um modo ou de outro, o que por anos foi muito claro é que o matrimônio tem – no imaginário popular – como finalidade levar o casal à felicidade. É o que nos ensinam nos contos de fadas, em que príncipe e princesa necessariamente têm de “ser felizes para sempre” e ninguém ensina a nossos filhos que príncipes e princesas não vivem deitados eternamente em berço esplêndido, tampouco são lindos de morrer (lembra do príncipe Charles, por exemplo?). Pelo contrário, eles têm obrigações, cotidianos corridos e estressantes, assuntos complicadíssimos do reino para resolver, responsabilidades graves, estresse constante pelo assédio da imprensa (lembra de como foi a morte da princesa Diana, fugindo dos paparazzi?), que exigem demais deles.

Mas a imagem ensinada aos pequenos é que príncipes e princesas são bonequinhos lindos e cheirosos, sempre felizes, eternamente de bem com a vida, numa utopia destrutiva para a formação de identidade de um ser humano – é por isso que sinto pânico quando ouço crianças serem chamadas por cargos da monarquia, como “reizinho” e “princesinha”. E, assim, somos adestrados desde os primeiros anos de vida a acreditar que o casamento tem de nos conduzir a esse estado de “ser feliz para sempre”. O que, aliás, é impossível, nunca acontecerá com ninguém e é propaganda enganosa. Mas todo mundo sobe ao altar acreditando nisso.

princesasA princesinha da mamãe um dia vai se casar com um ogro, que, por mais esforçado que seja, terá todos os defeitos que ela não espera (afinal, tirando o Shrek, os príncipes dos contos de fadas nunca têm defeitos). O principezinho do papai um dia se casará com uma mulher que não é delicadinha e obediente como a princesa dos desenhos animados (ou você acha que a rainha Elsa, de “Frozen”, nunca vai engordar, criar pelanca e dar ataques de TPM?). A realidade é a realidade, mas aprendemos de nossos pais e ensinamos a nossos filhos que nosso casamento tem de ser exatamente como na ficção. Que, como diz o nome, é ficção. A realidade tem cores, cheiros e um peso enormemente diferentes.

Adestrados por essa mentalidade equivocada, hedonista e antibíblica de que casamento foi feito para nossa felicidade ininterrupta, subimos correndo ao altar com essa ideia totalmente irreal em mente. Seguimos para a lua de mel com ela. E, pior de tudo, prosseguimos pela vida tomando-a como o critério para julgar se um casamento é bem-sucedido ou não. Só que, por acreditarmos no conto de fadas da felicidade ininterrupta, quando somos confrontados pela realidade é impossível não se frustrar com o cônjuge, não se desapontar, não se chocar com a enorme distância entre ele e aquele lindo príncipe sem espinhas, nariz escorrendo ou cheiro de suor que desperta a Branca de Neve de seu sono com um lindo beijo nos lábios (já imaginou o hálito da Branca de Neve depois de tanto tempo dormindo, sem escovar os dentes?).

washerEu acreditei por muitos anos na mentira da felicidade como critério para julgar a solidez de um casamento. E, assim como você, tive muitas infelicidades ao longo de minha vida matrimonial justamente porque em muitos momentos me vi infeliz. E, assim, a infelicidade alimenta a infelicidade, num ciclo que parece não ter fim. “Se quero ser feliz no casamento mas não sou sempre feliz na vida a dois, então meu casamento é um desastre”, cheguei a penar. Tudo mudou quando ouvi há poucos anos uma pregação do pastor Paul Washer, no YouTube, que causou uma grande transformação na minha forma de enxergar o matrimônio. Recomendo enfaticamente que você assista (clique AQUI). Como toda pregação eficaz e bíblica, ela mexeu com minhas estruturas e modificou minha forma de ver tudo.

Essencialmente, o que Washer ressalta, com muita correção bíblica, é que o casamento não foi criado por Deus para nos fazer felizes, ao contrário do que prega a sociedade em que vivemos. “O verdadeiro propósito do casamento é que ambos sejam conformes à imagem de Jesus Cristo”, diz. Essa percepção mudou totalmente a minha visão sobre o casamento. Ouvir essa pregação foi como uma cortina que se levantasse diante de meus olhos e me fez compreender enormemente coisas que antes eu não compreendia. Meus paradigmas foram transformados. E Deus promoveu em mim a metanoia, a renovação da mente de que Paulo fala em Romanos 12.2.

Meu casamento tornou-se perfeito depois disso? Claro que não. Eu não sou perfeito e minha esposa também não é, lógico que nosso matrimônio jamais seria (ou será) perfeito. Mas o entendimento do verdadeiro propósito do casamento fez com que meus esforços e minhas percepções começassem a me conduzir por caminhos completamente diferentes. Quando você compreende que não se casa para ficar sorrindo, dançando e pulando o tempo inteiro, com dentes brilhantes sob a luz do luar, passa a ter atitudes muito contrárias às que tinha antes.

casalEntenda algo. Se seu cônjuge é turrão e cabeça dura mas você acredita que ele teria de ser diferente para você ser feliz, então você viverá eternamente insatisfeito (ou você ainda acredita na ideia de que as pessoas mudam conforme o seu querer? A sua vontade de que mudem não mudará ninguém). Mas, se entende que seu cônjuge turrão faz com que você se torne alguém mais paciente, então enxerga que o seu casamento com alguém cabeça dura te conforma mais à imagem de Cristo. Outro exemplo: se o seu marido (ou a sua esposa) é meio brigão, comece a tentar ver que isso pode desenvolver em você um lado pacificador cada vez maior. Ou, ainda, se o seu cônjuge é do tipo que de vez em quando busca iniciar briguinhas e discussões, perceba quanto isso te leva a crescer em domínio próprio. Em outras palavras, cada defeito da pessoa com quem você se casou pode ser visto de duas maneiras: ou como um obstáculo à sua felicidade e à sua ideia de casamento conto de fadas, ou como um meio que Deus estabeleceu para que você seja cada vez mais assemelhado a Cristo. Como disse Paul Washer, “Ele [Deus] quer prová-lo e testá-lo de forma que você será conformado à imagem de Jesus Cristo”.

Sei que muitos não concordarão de imediato com essa visão, o que é totalmente compreensível. Não é fácil mudar décadas de uma ideia formatada, que foi inserida na sua cabeça desde que você usava fraldas. Mas, se você consegue adquirir a percepção de que seu cônjuge não é um adversário imperfeito que chegou para atazanar sua vida, mas, sim, um aliado imperfeito que chegou para criar mais e mais intimidade entre você e o Cordeiro de Deus… tudo muda. Em mim mudou.

aliançaO Senhor quer nos fazer crescer em misericórdia, graça e amor incondicional. Deus deseja que cresçamos a partir das fraquezas de nosso cônjuge – e ele, das nossas – para que cuidemos e amemos nossos maridos e nossas esposas mesmo quando eles não atenderem às nossas expectativas. Sei que você vai questionar muito o que escrevi aqui quando olhar seu cônjuge, lembrar de todos os defeitos, falhas e pecados dele – repetidos dezenas de vezes, muitas delas sem arrependimento. Vai achar loucura que ter de enfrentar isso seja algo que venha para o seu crescimento. E é mesmo: “a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18). Sim, é loucura a olhos humanos. Mas é crescimento espiritual aos olhos divinos. “‘Os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos’, declara o SENHOR. ‘Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos'” (Is 55.8-9).

Desde que ouvi essa pregação, volto a ela com frequência. Ouço e ouço de novo. A demolição de ideias que nos acompanharam por décadas nunca é algo rápido ou fácil. Exige humildade e dói. Mas a reconstrução é libertadora. Só Deus sabe como essa nova percepção da realidade bíblica mudou totalmente a forma de enxergar meu casamento e minha esposa e, com isso, mudou muito em mim. O que antes eu via como defeito agora enxergo como canal de bênção. O que antes eu acreditava que subtraía hoje eu vejo que soma. Ainda estou no processo, mas já é possível observar a diferença que faz o abandono da teoria irreal de que casamento tem como finalidade a felicidade eterna. Pois essa teoria necessariamente pressupõe a existência de um cônjuge que seja perfeito a ponto de ser capaz de nos proporcionar felicidade eterna e, também, na existência de perfeição em nós, para que possamos proporcionar felicidade eterna a nosso cônjuge. Só que isso não existe, jamais existiu e nunca existirá. Ninguém jamais será perfeito, meu irmão, minha irmã. Você jamais será perfeito. Logo, o cônjuge ideal só existe nos nossos sonhos irreais. É por isso que você é um cônjuge tão imperfeito. A realidade é o que está dentro de sua casa – seu cônjuge e você. E é a partir dessa realidade que Deus quer conformar ambos à imagem de Cristo.

casal0Sei que deve ser muito duro para você ler isso. Acredite, não escrevo este texto com o coração leve. Pois entendo perfeitamente o que é alguém que vive realidades muito difíceis em sua vida conjugal olhar para elas e aceitar que Deus as permite para seu crescimento espiritual. Compreendo se você se revoltar contra esse pensamento, embora lamente caso não consiga enxergar a profundidade espiritual que ele carrega em si. Mas a sabedoria bíblica que essa mensagem compartilha é fulminante. Como diz Pr. Washer com extremo discernimento espiritual, “Como Deus te ama muito, ele não lhe dá alguém compatível com você. Isso ocorre porque Deus é muito melhor do que você e os seus presentes são muito maiores do que aqueles que você poderia sequer dar a si mesmo. Você ia querer uma vida fácil e com perfeita compatibilidade. Deus não vai te dar isso, porque isso nunca produz caráter cristão, piedade verdadeira ou conformidade com a imagem de Jesus Cristo”.

Vi em outro vídeo – de uma curta conversa entre John Piper, Tim Keller e D.A.Carson – que o  pastor, teólogo e mártir cristão Dietrich Bonhoeffer disse que “a aliança entre marido e mulher sustenta o amor e não o amor sustenta a aliança” (veja o vídeo AQUI). O pacto que fazemos no altar é, acima de tudo, de respeito a uma aliança, antes de ser de amor. Quando você compreende isso, tudo muda. E, pode acreditar, você passa a amar muito mais. E, se você rompe esse pacto, tudo torna-se muito pior. Por isso, fica aqui o conselho enfático: se você falhou nas promessas estabelecidas na aliança, não descarte esse casamento, pelo contrário, busque na graça de Deus o restabelecimento da aliança e prossiga em frente. Houve erros e pecados que feriram os termos da aliança entre você e seu cônjuge? Então recorra ao Senhor em busca da restauração – pois ele deseja, pode e vai restaurar seu casamento se você tão somente se dispuser a isso.

cruz de cristoPeço a Deus que todas as dificuldades de sua vida matrimonial venham a fazer você e seu cônjuge crescerem em intimidade com Deus. Que as falhas e imperfeições suas e de seu cônjuge sirvam para conformá-los cada vez mais à imagem de Cristo. Pois “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho…” (Rm 8.28-29). Você não é perfeito. Seu cônjuge não é perfeito. E, para tentar aproximar vocês dois um pouco mais da perfeição, o Ser perfeito criou essa estranha ferramenta chamada casamento. Use-a e torne-se a cada dia um pouco mais como Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Clicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

Biblia1Você já parou para pensar por que Deus decidiu se revelar justamente por meio de um livro – a Bíblia? Haveria centenas de maneiras diferentes de ele se apresentar à humanidade e de expôr o plano de salvação, mas a estratégia adotada pelo Senhor foi justamente tinta sobre papel. Claro, ao longo dos 1.500 anos em que as Escrituras foram escritas, não havia o formato de livro que conhecemos hoje, com páginas coladas ou costuradas, capa e quarta capa. A coisa era mais rústica, os textos eram registrados em pergaminho ou em pele de animais curtida, em rolos enormes. A coisa evoluiu e o formato chegou ao que temos em nossos dias. Mas, independente da forma, o fato é que o conteúdo do que Deus tinha a transmitir à humanidade foi gravado para as gerações futuras com tinta sobre uma superfície. Contextualizando: livros. Teria sido à toa? Será que o Senhor não é criativo o suficiente para ter bolado montes de outras maneiras de se apresentar? Essa realidade nos desperta para a importância que têm os livros. E não, este não é um post literário, o assunto é altamente espiritual.

Recebi um comentário aqui no APENAS de um irmão, que, democraticamente, expôs sua visão – que respeito, mas da qual discordo com absoluta veemência. Escreveu ele: “NÃO LEIAM O QUE ” HERNANDES DIAS LOPES ” OU QUALQUER OUTRO ” SUPOSTO ” AUTOR CRISTÃO DIZEM ESTAR NA ESCRITURA , MAS LEIAM AS ” ESCRITURAS SEM NENHUM — A C R É S C I M O — OU SEJA : ” SEM COMENTÁRIOS , SEM ESTUDOS OU QUALQUER OUTRO ACRÉSCIMO QUE TE SUGIRAM QUE ISTO ACRESCENTAR LHE Á UM ACRÉSCIMO A SUA VIDA ESPIRITUAL ! ! ! ISTO É UMA GRANDE MENTIRA ! ! !” (sic). Confesso que pisquei bastante olhando isso, refleti por um longo tempo e fiquei realmente triste por ver que ainda há aqueles que têm esse tipo de visão. Por isso, decidi compartilhar alguns pensamentos sobre esse assunto tão vital.

Primeiro, vamos falar sobre literatura em si, para depois tratarmos da questão espiritual.

Biblia2Sem livros, a humanidade ainda caçaria com lanças e se vestiria de pele de animais. Não teríamos medicamentos, muito menos tecnologia, a educação seria extremamente limitada e viveríamos em cavernas ou, se muito, em tendas. Por uma simples razão: a escrita é o meio que permite transmitir conhecimento entre as gerações. Se hoje conseguimos mapear o genoma humano e o dos animais é porque as descobertas na área da genética ficaram registradas em livros desde que Mendel analisou suas ervilhas. A coisa funciona assim: eu dou um passo no conhecimento sobre algo, e registro em livros. Daqui a pouco eu morro e meu filho vai pegar aquele conhecimento e levá-lo um pouco mais além. Em seguida, ele morre e meu neto usa o conhecimento registrado e o leva a um novo patamar. É assim que a humanidade evoluiu: conhecimento transmitido em livros para futuras gerações, que pegaram aquelas informações, leram e as levaram a novos níveis. Como bem analisou Alberto Moravia, “Um livro não é um livro, mas sim um homem que fala através do livro”. Já Jorge Luis Borges disse, com muita sabedoria: “O livro é a grande memória dos séculos… se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem”.

Sem livros, não teríamos a medicina, viagens espaciais, arquitetura, engenharia, computadores, cinema, automóveis… nada! Pois a transmissão oral é limitada: as pessoas se esquecem do que ouviram, transmitem com erros naturais do telefone-sem-fio e a coisa não avança muito. É preciso registrar o conhecimento adquirido de forma precisa: livros são a solução. Histórias do passado, poesia, avanços da matemática, até mesmo as historinhas que você lê para seus filhos. Tudo chegou a nossos dias graças aos livros.

Monteiro Lobato escreveu: “Um país se faz com homens e livros”. Homem sábio.

Biblia3Além da óbvia preservação do conhecimento, a leitura proporciona um benefício adicional. Malba Tahan escreveu: “Quem não lê mal fala, mal ouve, mal vê”. O hábito de ler tem efeitos diretos sobre o nosso cérebro e, logo, sobre as estruturas e os modelos de pensamento. Ler sobre matemática desenvolve seu raciocínio lógico, treina sua mente na solução de problemas da vida cotidiana. A leitura de obras de poesia estimula nosso lado emocional e treina as habilidades mentais em uma série de áreas. Ler romances de ficção trabalha nosso poder imaginativo, criativo e lúdico. E por aí vai. Quando você assiste a um filme na TV, por exemplo, tudo já está ali, pronto, exige-se pouquíssimo do cérebro, é como se o puséssemos em pause. Não é necessário imaginar nada quando vemos um longa-metragem. Mas, quando você lê em um livro palavras que descrevem uma paisagem, uma pessoa, um cenário ou uma situação, seu cérebro trabalha profundamente para construir todo esse mundo inexistente em sua mente: literalmente, você cria um universo a partir do nada, constrói realidades inteiras a partir de palavras, tira seu pensamento do zero e o leva a 2.000 km/h no virar de uma página. A ciência já conhece os efeitos benéficos da leitura, tanto que pessoas em idade avançada são estimuladas a ler livros, escrever e até fazer palavras-cruzadas, como forma de manter pleno o seu vigor mental.

Em resumo: ler é essencial para a vida – do indivíduo e da sociedade. E, claro, da igreja.

É por isso que sou um crítico bem ranheta no que se refere ao abandono de ler livros para ficar ciscando textinhos inócuos e minúsculos em redes sociais. Esse hábito vai resultar em uma geração (ou mais de uma) mentalmente flácida, sem capacidade crítica, destituída de novas ideias, que não vai avançar seus sistemas de pensamento. Uma tragédia para a humanidade. E muitos não enxergam isso, infelizmente. Ironicamente, o próprio Bill Gates afirmou: “Meus filhos terão computadores, mas antes terão livros”. Claro, ele não é bobo.

Pois bem, tendo visto a importância da leitura para a perpetuação do conhecimento na humanidade e para o nosso desenvolvimento mental, lógico, criativo e dedutivo, abordemos agora a questão espiritual.

biblia0Sim, a revelação de Deus está completa na Bíblia. Nenhum outro livro acrescenta nenhuma nova revelação, crer nisso seria uma heresia. Só que tem uma coisa: ler a Bíblia sem que haja quem a explique gera milhões de erros de entendimento. Como você vai compreender para quem cada profeta escreveu, em que período, em que contexto, sem ter alguém que lhe ensine isso? E, creia, o grande comentarista bíblico John Gill não retornará do túmulo para lhe explicar. Mas se você ler os escritos que ele deixou vai compreender muito. Livros cristãos trazem insights valiosos e formas de abordagens que jamais teríamos tido sozinhos. A percepção de irmãos acerca das coisas de Deus, registradas no papel, são extremamente úteis para edificação, conserto, crescimento espiritual. A Editora Mundo Cristão, onde trabalho como editor, tem como filosofia que cada livro que publicamos tenha o propósito de transformar vidas à luz do evangelho. E basta ler um pouco sobre a história da humanidade para ver o quanto livros transformaram vidas, países, culturas e civilizações inteiras. E seguirão transformando.

Lendo “O livro dos mártires”, de John Foxxe, fui para sempre impactado acerca do tipo de espiritualidade que eu deveria viver mas não vivo. Lendo “O sorriso escondido de Deus”, de John Piper, percebi quanto o Senhor age em nós em meio às maiores dificuldades da vida. Lendo “Cristianismo puro e simples”, de C.S.Lewis, meus olhos foram abertos para a essência da vida cristã. Lendo “O cristianismo através dos séculos”, de Earle E. Cairns, acompanhei a evolução da Igreja desde a era apostólica até nossos dias. Cada livro que lemos é uma galáxia a mais que acrescentamos ao nosso universo.

Esta semana, uma irmã que conheci algum tempo atrás, quando ela estava em crise espiritual, me escreveu um e-mail que muito me emocionou. Ela relatou que hoje está viva na sua fé, crescendo cada vez mais, e que o estopim para essa transformação em sua espiritualidade foi a leitura do livro que escrevi, “A Verdadeira Vitória do Cristão”. Isso é nada menos do que vidas sendo tocadas por Deus por meio da literatura cristã. Desprezar esse potencial transformador seria uma insanidade.

Biblia01A Bíblia é um livro que se basta. Mas – entenda bem o que vou dizer, para não soar como heresia – que, muitas vezes, não traz em si explicações importantes para sua compreensão. Como entender a geografia bíblica sem ler bons livros sobre o assunto? O que aconteceu entre Malaquias a Mateus? Como assim, Israel era dominado por Roma (até Malaquias, Roma não tinha nenhuma expressividade)? A quem Jeremias está falando e sobre o quê? Por que Esdras e Neemias entram no cânon fora da ordem cronológica? Com que motivação João escreveu as suas três epístolas? Colossenses foi escrito a partir de um contexto local específico, como entendê-lo sem entender o que se passava em Colossos naquela época? Os hábitos e os costumes bíblicos serão compreendidos como, sem bons livros que os expliquem a nós? O que significa aquela confusão toda de taças e selos de Apocalipse? Xerxes e Assuero eram a mesma pessoa? Etc., etc., etc. São milhões de pontos de interrogação que ficariam no ar se não houvesse instrução, transmitida por pessoas que estudaram por anos e se especializaram em suas áreas de conhecimento bíblico. E que nos presenteiam com seu conhecimento por meio de… livros.

Tal qual o irmão que deixou o comentário reproduzido acima, já ouvi outras pessoas criticarem, por exemplo, Bíblias de estudo. Acreditam que não se deveriam publicar “Bíblias de estudo femininas”, por exemplo. Que bobagem… É extremamente produtivo ler o texto bíblico acompanhado de estudos que nos clarifiquem as ideias, que nos mostrem como podemos viver uma vida espiritual mais sadia e rica a partir do que lemos com focos específicos. Direcionar a leitura das Escrituras não é pecado, é rico, é esclarecedor. Já contei em outros posts que cerca de um ano e meio atrás reli os evangelhos com foco nas palavras de Jesus, para tentar compreender o cerne da mensagem de Cristo. E se eu tivesse escrito as minhas conclusões, as inserido no rodapé do texto bíblico e publicado uma Bíblia focada nas palavras do Senhor? Que mal haveria nisso, exceto se eu escrevesse heresias?

Devo muito a autores como Luiz Sayão, Alister McGrath, C.S.Lewis, John Piper, Darren Patrick, Dallas Willard, Augustus Nicodemus Lopes, Martin Lloyd-Jones, Charles Spurgeon, Tim Keller, David Wraight, John Wesley, Max Lucado, Jonathan Edwards, John Foxxe, John MacArthur, Mark Driscoll e tantos e tantos outros, que se dispuseram a investir tempo e esforço para pôr no papel conhecimento, ensinamentos, reflexões, exortações, consolações e outras virtudes importantes para a fé cristã. São homens que, a partir da Bíblia, criaram obras literárias extraordinárias, que ajudaram a forjar muito do pouco que há de bom em mim. A eles só tenho gratidão.

Meu irmão, minha irmã, não deixe que nada roube de você o tesouro que são os livros. Nada. Pois a literatura cristã é um tesouro que vai contribuir para que você se torne um servo de Deus melhor; mais versado na Palavra; mais sólido na fé; mais refratário aos falsos ensinamentos; mais capacitado para evangelizar; mais frutífero para a obra de Deus; e, em última mas não menos importante instância, mais íntimo de Deus.

“Além de ser sábio, o mestre também ensinou conhecimento ao povo. Ele escutou, examinou e colecionou muitos provérbios. Procurou também encontrar as palavras certas, e o que ele escreveu era reto e verdadeiro. As palavras dos sábios são como aguilhões, a coleção dos seus ditos como pregos bem fixados, provenientes do único Pastor” (Ec 12.9-11).

Leia. E leia muito! Leia o máximo de livros que puder. Leia sem parar, um atrás do outro. Invista seu dinheiro em livros, pois são um investimento em você mesmo e no reino de Deus. Você só tem a ganhar – e, com isso, a contribuir para a qualidade da Igreja de Nosso Senhor Jesus.

Acredito que a diferença entre ler livros e não ler livros é a mesma diferença entre a grandeza e a mediocridade. Pense grande. Aja grande. Leia.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

Perdao Total_News cortado