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Hoje gostaria de refletir com você sobre um mal que assola todos nós. Para tanto, preciso começar explicando que semana passada recebi um prêmio por um livro que escrevi. O Prêmio Areté é uma premiação anual da Associação dos Editores Cristãos do Brasil, uma espécie de “Oscar” da literatura cristã em nosso país. Meu livro “Confiança inabalável: Um livro para quem quer vencer o medo e a ansiedade” foi escolhido o melhor do ano na categoria “Melhor livro de meditação, oração e comunhão”. Você pode imaginar a avalanche de elogios e congratulações que recebi. E, com eles, começaram a brotar em meu coração alguns dos sentimentos mais destrutivos para um ser humano: vaidade e orgulho. Sim, é feio confessar isso, mas é a pura verdade e negar seria hipocrisia: por alguns instantes, eu cri que era digno de receber os louvores por esse feito. Felizmente, isso durou pouco tempo, pois, logo, o Espírito Santo soou o alarme. Quando me dei conta de que tais sentimentos estavam brotando em meu coração, parei. Silenciei. Afastei-me das vozes. E me pus em meu devido lugar. Sabe… absolutamente todos nós somos tentados na vaidade, na soberba, no orgulho. Todos! Eu, você e o resto da humanidade. A questão é: o que fazer quando essa erva daninha germina em nossa alma?

Como devemos lidar com as nossas qualidades? Quais são os pensamentos mais secretos que passam pela sua cabeça quando alguém diz que você é uma bênção, alguém maravilhoso, com capacidades extraordinárias? Como fica o seu coração quando dizem que a sua pregação foi sensacional, que você canta como ninguém, que o livro que escreveu mudou vidas, que seu conhecimento teológico é inigualável, que você é ótimo no que faz, que seus talentos o destacam dos demais? Essa é uma questão muito delicada e sempre presente na vida de um cristão, pois sabemos que a Bíblia nos ensina a humildade, enquanto nosso ego vive querendo nos exaltar. 

O grande problema da vaidade, do orgulho, da soberba, da altivez é que tais sentimentos fazem de nós idólatras e ladrões. Deus disse: “Não permitirei que meu nome seja manchado e não repartirei minha glória com outros” (Is 48.11, NVT). Toda glória e toda exaltação pertencem ao Criador e, se passamos a nos glorificar e a acreditar que devemos ser exaltados, nos tornamos ídolos no altar do nosso coração e roubamos a glória que pertence única e exclusivamente a Deus. Portanto, ao nos envaidecermos e nos ensoberbecermos, ferimos o primeiro e o sétimo mandamentos. Conclusão: vaidade e orgulho são cânceres para a alma. Se aceitamos isso em nossa vida, nos tornamos como Satanás, que, de modo prepotente, quis ser exaltado à revelia do Criador. 

Você poderia pensar: mas se eu tenho tais qualidades, qual seria o problema de aceitar os elogios, as bajulações, a exaltação? A resposta bíblica a essa questão veio de Tiago: “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu. Nele não há variação nem sombra de mudança” (Tg 1.17, NVT). O que isso quer dizer é que tudo o que temos de bom em nós não nos pertence, mas é concessão de Deus. Vou dar um exemplo. 

Você abre o filtro de água em sua casa num dia de calor escaldante e sacia a sua sede com aquele líquido maravilhoso, fresquinho e refrescante que sai da torneira. Então, vira-se para o cano que leva a água do rio até sua cozinha e começa a elogiá-lo: “Cano, como você é maravilhoso! Devo tanto a você, seu cano talentoso, que produz uma água tão gostosa! Bendito é você, cano, que gera a água que me dá vida!”. O cano vaidoso pode pensar: “Sim! Eu sou demais, veja como a MINHA água é inigualável!”. Já o cano humilde estranhará e responderá: “Mas, meu amigo, essa água não é minha, eu não tenho nenhum mérito na produção dela, tudo o que faço é ser um canal para que ela venha da fonte até você”. Meu irmão, minha irmã, eu e você somos o cano. Deus é quem tem o mérito por produzir a água, construir o cano e o instalar no lugar certo, a fim de que funcionasse corretamente. Nosso papel é apenas conduzir a água da vida do manancial até os sedentos. Nosso mérito nisso? Nenhum. Assim como o cano não tem mérito algum pela água que transporta. 

Receber orgulhosamente o mérito por isso é querer ser manancial quando somos apenas cano. Também é roubar de quem nos criou e criou a água toda a glória pela existência da água e por nos ter posto na posição certa para conduzi-la. Somos canos rachados e enferrujados. Toda honra e toda glória são da fonte de águas vivas. 

Meu irmão, minha irmã, você fará muitas coisas bem feitas ao longo da vida. E isso é ótimo! Prepare-se da melhor forma possível e esforce-se ao máximo para realizar tudo com excelência. E tenha a certeza de que ações bem realizadas receberão elogios. Prêmios. Troféus. Muitos “parabéns” e louvores. E, nessas horas,  a semente da vaidade vai germinar. O orgulho brotará. Isso é líquido e certo. E não adianta negar, porque esses sentimentos brotam queiramos nós ou não. A questão é: regamos e adubamos essa planta comedora de almas ou a arrancamos pela raiz? A Bíblia responde: “O orgulho leva à desgraça, mas com a humildade vem a sabedoria” (Pv 11.2, NVT); “A arrogância precede a destruição; a humildade precede a honra” (Pv 18.12, NVT); “O orgulho termina em humilhação, mas a humildade alcança a honra” (Pv 29.23, NVT); “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria” (Tg 3.13, NVT). 

A tentação, esse broto recém-saído da semente, não é o problema. Nem novidade. É certo que imediatamente após o elogio virá a vaidade, pode ter certeza. Mas o grande xis da questão é que você não pode permitir que ela se instale em seu coração, pois, se permitir, o broto crescerá e se transformará na terrível árvore do pecado. E seus frutos são venenosos. Portanto, assim que você perceber a vaidade, o orgulho e a arrogância brotando dentro de si, esmague esses sentimentos antes que seja tarde. Sufoque-os. Mostre-lhes quem é que manda. E quem manda, lembre-se, não é você: é Deus. 

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O prêmio que recebi pelo “Confiança inabalável” não é meu. Foi Deus quem iluminou minha mente para que eu pusesse as ideias no papel. Uma equipe de 40 pessoas da editora Mundo Cristão trabalhou para que o livro existisse, da edição do texto à distribuição nas livrarias, eu não fiz o livro sozinho. Hernandes Dias Lopes escreveu o prefácio e William Douglas, a apresentação. E é o Espírito Santo quem usa as palavras do livro para tocar corações e transformar vidas. É uma obra cheia de contribuições e de dedos de outras pessoas, além de vir de Deus e ser usada por Deus no coração de cada leitor. Por que, então, eu deveria ter vaidade? O que justificaria eu ter orgulho? Sou cano! Deus é quem idealiza, distribui os dons e talentos, ilumina mentes, usa o resultado na edificação de vidas… Tudo vem dele, para ele. A Deus a honra, a glória, o louvor, a exaltação. Ele é digno, bom, justo, soberano, maravilhoso, inigualável. E eu? Eu sou indigno, mau, falho, imperfeito, pecador, desesperadamente carente da graça de Deus. 

Meu irmão, minha irmã, quando vier a vaidade, lembre-se de que você é cano. Quando muitos te elogiarem e te abraçarem com os olhinhos brilhando, lembre-se: cano. Quando te exaltarem, te seguirem aos milhares no facebook, te abraçarem emocionados por tirar uma foto com você, escreverem e falarem palavras de louvor às tuas grandes qualidades, sussurre baixinho para não se permitir esquecer: “CANO…”. 

Cano… 

Cano…

Cano. 

Só a Deus a glória. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ladrao 1Deus é apaixonante. A cada nova experiência que tenho, mais me assombro com a sabedoria do Senhor e a forma como ele age conosco. Confesso que me encanto com o modo de Deus fazer as coisas, mesmo que não seja a forma que gostaríamos. Na última quinta-feira, o Senhor me permitiu passar por algo difícil, mas extraordinário: um assalto. Só percebi a beleza espiritual desse episódio tendo passado mais de um dia do ocorrido. E como sei que “O SENHOR faz tudo com um propósito” (Pv 16.4), tenho a pretensão de supor que Deus permitiu que eu fosse roubado para, entre outras coisas, me dizer: “Escrever é fácil, quero ver se você vive o que escreve”. Vou explicar.

Depois do meu horário de trabalho, saí para pegar minha filha na escola de bicicleta, como fazia regularmente. Ela tem 4 anos, por isso comprei uma daquelas cadeiras que se acoplam na parte traseira e a levo e trago na garupa. É prático, rápido e divertido. De vez em quando, paramos em um lugar que fica na metade do caminho para fazer um lanche. Há um bicicletário na rua, bem na porta da lanchonete. Como de costume, estacionei, prendi a bicicleta, tirei minha filha e fomos comer. A surpresa desagradável nos esperava na saída. Não quero entrar em detalhes, por razões pessoais, mas basta dizer que na hora em que fomos partir perdemos a bicicleta. Fomos assaltados. Não nos machucamos, mas foi um susto bem desagradável, que deixou minha filha bastante impressionada.

Para minha grande surpresa, minha reação foi de serenidade. Sempre imaginei que, se algo assim acontecesse comigo, eu teria uma crise nervosa, mas, surpreendentemente, fiquei calmo e tranquilo, falei em voz baixa e fiz gestos lentos e controlados. Voltei com minha filha para o interior da lanchonete e procurei um funcionário responsável, porque me dei conta de que havia uma câmera na porta que poderia ajudar a identificar o ladrão. Expliquei a ele o que aconteceu e na mesma hora o rapaz, chamado Bruno, foi verificar as imagens para ver se havia registro.

ladrao 2Enquanto o esperava, sentei com minha filha em uma das mesas para aguardar e começamos a conversar sobre o que aconteceu. Ela estava muito confusa, porque sempre lhe ensinei que pegar as coisas dos outros sem pedir é errado, e ela me perguntava, vez após vez, por que aquele rapaz tinha feito aquilo. Percebi também que ela estava tensa, pois se agarrou em mim e não queria desgrudar. Disse que estava triste, porque gostava muito da nossa bicicleta, e começou a fazer um monte de perguntas sobre o ladrão, se ele era mau, por que não era amigo de Jesus, se ia para a prisão e outras coisas. Naquele momento, calmamente a sentei no meu colo e expliquei o máximo que eu pude. Mas, em determinado momento, simplesmente virei-me para ela e disse:

– Bebê, vamos orar e falar com Papai do Céu?

Ela concordou, nos abraçamos e eu comecei a orar baixinho. Sem que nem tivesse pensado nisso, a primeira coisa que dissemos ao Senhor foi que perdoasse o ladrão, que ele viesse a se arrepender e se tornasse amigo de Jesus. Em nenhum momento oramos pedindo juízo ou coisa parecida. Pelo contrário: pedimos a Deus que o perdoasse. Em seguida, comentei com o Senhor que não entendia por que ele tinha permitido aquilo, mas que eu tinha certeza de que havia uma boa razão, um propósito por trás daquele sofrimento, daquela perda.

Terminamos de orar e dentro de mais algum tempo Bruno voltou e disse que, infelizmente, o enquadramento da câmera não tinha conseguido filmar a ação do ladrão. Agradeci e saímos calmamente, caminhando a pé pela rua. No trajeto, minha filha continuou fazendo perguntas sobre o que tinha acontecido. Percebi que aquilo que dissemos na oração teve um efeito sobre ela, que começou a me dirigir muitos questionamentos sobre perdão e sobre por que Jesus deixa que coisas ruins aconteçam com aqueles que são amigos dele.

Perdao total_pilha05 Livro com caneta e óculosMais de um dia depois do ocorrido, eu estava pensando sobre o que aconteceu. Eu refletia sobre por que a primeira coisa que pedimos a Deus na oração, no impulso, foi que perdoasse o ladrão. Confesso que eu gostaria muito que ele fosse preso e que a bicicleta de que minha filha tanto gosta fosse  recuperada. Mas não foi isso o que pedi a Deus  naquele momento: pedi que o perdoasse. Também me dei conta de que conversamos com o Senhor sobre os propósitos de tudo aquilo que aconteceu. Foi quando, de repente, me dei conta de que tinha posto em prática aquilo que escrevi nos meus últimos dois livros publicados e que venho pregando em muitas igrejas, quando me pedem que eu pregue sobre o tema do Perdão Total e do O fim do sofrimento. Consegui pôr em prática o perdão. E consegui não murmurar pelo que aconteceu, por saber que Deus é bom apesar de permitir que coisas ruins aconteçam o seus filhos por seus misteriosos propósitos.

Preciso reconhecer que fiquei maravilhado, porque percebi que aquilo que escrevi e sobre o que eventualmente prego é mais do que palavras em páginas de papel ou ditas de um púlpito: é vida. Vida prática, vida cotidiana. Em outras palavras: a Bíblia funciona.

Este é o ponto aonde quero chegar ao te contar tudo isso: meu irmão, minha irmã, nós lemos e relemos a Bíblia, ouvimos pregações, dizemos amém e concordamos com as verdades do evangelho, mas a realidade é que, com muita frequência, quando chega a hora de pôr em prática aquilo em que acreditamos… é como se não acreditássemos de fato. Sabemos que não devemos devolver mal com o mal mas, na hora “h”, reagimos com fúria. Sabemos que não devemos falar de forma torpe, mas nossa língua parece ser incontrolável. Sabemos que devemos ser pacificadores, mas é só até o momento em que falamos de política ou futebol. Sabemos que o nosso Redentor vive e que um dia se levantará sobre a terra, mas com frequência agimos como se ele fosse apenas um personagem de contos literários e nossa fé se desmancha no vento.

OXYGEN Volume 10A Bíblia é eficaz. A palavra de Deus é verdadeira. E aquilo que ela afirma se cumpre. Nunca diga que você não consegue pôr em prática o que ela determina, porque você consegue, sim. Eu percebi isso por causa daquele assalto. Se eu consegui, você consegue, pois não sou em nada melhor do que ninguém. Ao ver na televisão, recentemente, imagens de arrastões na praia de Copacabana e bandidos arrancando bicicletas das mãos de pessoas no meio da rua, minha reação imediata foi me irar contra os ladrões. Cheguei a ter pensamentos bem ruins e muito pouco cristãos. Quando vi imagens de pessoas agarrando e arrancando bandidos de dentro de ônibus, no fundo, no fundo achei aquilo bom. Confesso vergonhosamente que minha humanidade gritou naquele momento por justiça humana. Mas, poucos dias depois, quando eu é que fui o alvo da maldade, instintivamente – ou, o que é mais certo, pela ação do Espírito Santo -, perdoei.

E, acredite, quando pedi a Deus que perdoasse aquele ladrão, desejei aquilo de todo o coração e não da boca para fora. Sei que parece estranho e pode até soar como falsa piedade, mas a pura verdade é que, naquele momento, o que eu senti por aquele homem foi pena, pois eu sei o que o espera no futuro caso não se converta dos seus maus caminhos. Analisando com calma, percebo que tive compaixão daquele homem que me fez mal, porque eu perdi apenas uma bicicleta, enquanto ele está a ponto de perder a alma.

Não gostei do susto que minha filha levou, me machucou. Mas sei que Deus tem um propósito naquilo, que eu ainda não entendo. E deposito minha total confiança no Senhor e sei que ele cuida de mim e dela, assim como cuida de você e tem um propósito para tudo de ruim que lhe acontece. Deus é Deus e Deus é bom. E sua Palavra é verdadeira e se cumpre. Viva com todo o seu fôlego a verdade do evangelho e realidades extraordinárias se descortinarão diante de seus olhos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Justo1“Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10). Esse pequeno trecho da carta de Paulo aos romanos deveria ser alvo de reflexões diárias de todo cristão. Mostra que toda a humanidade faz parte do mesmo grupo de indivíduos: gente imperfeita, errada, pecadora e desesperadamente carente de Deus. Da cruz. De Cristo. Ninguém é justo por si mesmo, mas somos feitos justos por meio do sangue de Jesus. Essa percepção deveria nos levar a uma posição de extrema humildade e misericórdia; afinal nenhum de nós é melhor do que o outro. “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Meu irmão, minha irmã, eu e você somos culpados de transgredir toda a lei de Deus. Toda. Consequentemente, não somos melhores que o ladrão da cruz, Pilatos, Judas, os fariseus, Herodes, Charles Manson, Adolf Hitler, Mussolini… quem você quiser. Aliás, eu, você, seu pastor, o líder de jovens da sua igreja, os cantores mais famosos, os líderes da sua denominação, a dirigente do círculo de oração, madre Teresa de Calcutá… não importa: estamos todos no mesmo barco, que mina água todos os dias e afunda no mar de pecados. A salvação está exclusivamente em Jesus. Só. Ele é o único caminho. O único justo por mérito próprio. Ser humano nenhum vale alguma coisa por mérito pessoal, o enorme valor que temos vem por graça, justificação, misericórdia, adoção, concessão divina. Nosso valor não é uma característica inata, é um presente que recebemos. Somos galhos secos, o que temos de bom vem da seiva que corre para nós a partir da árvore em que fomos enxertados: Cristo. Uma leitura recente me fez enxergar isso com uma clareza ainda maior do que antes.

David Yonggi ChoAo ler o último exemplar da revista Cristianismo Hoje, me deparei com reportagens que me chamaram a atenção. Primeiro, o pastor sul-coreano David Yonggi Cho (foto), líder da maior igreja evangélica do mundo, a Yoido Full Gospel Church, foi preso e condenado a três anos de prisão pelo desvio do equivalente a R$ 30 milhões da igreja. Ele admitiu que cometeu o crime “movido pelo interesse de suprir dificuldades financeiras da obra missionária”. Segundo, o papa católico romano Francisco confessou publicamente que furtou um crucifixo do corpo de um colega morto, em pleno velório, quando era bispo em Buenos Aires. “Enquanto espalhava as flores, peguei a cruz que estava sobre o rosário”, admitiu.

Em comum, as duas histórias nos falam de líderes religiosos (independente da teologia ou doutrina que professam) que são referência em suas linhas de atuação e exemplos para seus seguidores e que cometeram pecados que nenhum de nós esperava que cometessem. Muita gente fica chocada ao tomar conhecimento de situações como essas. Ouço comentários do tipo “como pode, mas logo ele!”. A mim, porém, nada disso espanta. Pelo simples e bíblico fato de que, assim como eu e você, todos os líderes religiosos são pecadores, cometem atrocidades, acertam e erram, escorregam e caem. Pois são humanos. Necessitam diariamente de perdão por seus pecados. São iguaizinhos a mim. E a você.

Justo2Cada vez que leio relatos como esses, simplesmente me entristeço e penso “É, a Bíblia está certa mesmo”. Somos pó. Nossa natureza humana é má. Precisamos desesperadamente de Jesus de Nazaré. Vejo grandes homens de Deus confessarem pecados que comprovam que são simplesmente homens e isso me leva a ouvir com cada vez maior tristeza discursos de pessoas que se consideram cristãos mais santos do que outros e que, por isso, falam do próximo com superioridade. A queda de gigantes me mostra que devemos sempre amparar-nos, do maior ao menor, pois estamos todos no mesmo nível. Dos que ocupam os mais elevados cargos na hierarquia eclesiástica aos iniciantes na fé, todos equivalemos: somos aglomerados de pele, ossos, sangue e pecados e carecemos da piedade de nossos irmãos e da misericórdia de Deus. Todos exalamos o odor da desobediência e precisamos desesperadamente do perfume de Cristo.

Entenda que a compreensão acerca de nossa falibilidade não deve nos tornar abertos ao pecado ou confortáveis com ele. A transgressão à vontade divina deve ser sempre evitada, precisa constantemente ser alvo de nossas pregações, exortações e alertas. Sempre. Sempre. Sempre. Santidade não se negocia. O que considero triste é a postura de superioridade que alguns de nós assumem, por se considerarem espiritualmente menos falíveis do que os outros. E não tenho o olhar entristecido para essa postura a partir de mim mesmo: sigo o exemplo de Jesus, que criticou diversas vezes a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus durante seu ministério terreno. O que Cristo sempre denunciava nesses doutores da teologia era a hipocrisia: serem pecadores não arrependidos e ficarem rebaixando, discriminando e atacando outros pecadores. É a velha história da trave e do cisco no olho, que você já conhece. E hoje, dois mil anos depois, a história se repete.

Justo3Quando leio relatos da queda de homens de Deus, meu coração rasga. Não só pelo pecado em si desses líderes, mas por ver muitos e muitos irmãos que – inacreditavelmente – parecem se alegrar com a queda deles. Como se tombos alheios valorizassem estarmos de pé. Podemos, por favor, chorar por eles? Será que você consegue orar por cada indivíduo pecador como você e pedir ao Santo dos Santos que os restaure e use de compaixão para com suas vidas? Se eles fossem membros da sua igreja ou pessoas de sua convivência diária, o que você faria? Será que os procuraria e lhes levaria palavras de conforto, amor, graça e reconstrução? Ou daria as costas, se afastaria, os largaria à própria sorte? A resposta a essa pergunta revela se você vive a hipocrisia ou a piedade – peço a Deus que seja a piedade.

E sempre devemos inserir na equação sobre como vemos esses homens que pecaram o fator arrependimento. Uma vez que cada um deles se arrepende do erro, confessa e deixa o pecado, está perdoado por Deus. Como poderíamos nós não perdoá-los se o próprio Criador os perdoou? Se Jesus foi à cruz por eles? Esses indivíduos, quando restaurados, podem e devem continuar exercendo seu ministério. Continuam sendo úteis para o Senhor. Seus livros continuam sendo valiosos e importantes, sua pregação segue sendo relevante, sua vida e seu ministério não morreram. Se você tem dificuldades de concordar com isso, lembre-se dos seus próprios pecados. Nada disso é graça barata: é graça, em sua essência mais pura e bíblica.

Precisamos compreender que o evangelho não são boas-novas de hipocrisia ou de superioridade: são boas-novas de salvação. Pois o que a cruz nos mostra acima de qualquer outra coisa é que a humanidade é toda perdida, nasceu igualmente destinada à miséria espiritual e só pode encontrar o caminho da paz em Jesus de Nazaré. Isso nos faz elevar os olhos para os montes, para o único que é digno de abrir os selos. Nossa pecaminosidade coletiva destaca a gloriosa pureza do Cordeiro de Deus.

OXYGEN Volume 22Meu irmão, minha irmã, fuja do pecado. Esforce-se no poder de Deus para se libertar de práticas pecaminosas, de pensamentos maldosos e de tudo o que fere o Senhor. Viva uma vida dedicada à proclamação da santidade. Isso é bíblico e é o certo. Mas, em nome de Cristo, viva também uma vida devotada a levar indivíduos a se aproximar de Jesus. E isso não acontece falando mal ou pondo o dedo na cara: Cristo se manifesta por meio do amparo, do auxilio, do aconselhamento, da mútua sustentação, do chorar com quem chora, da piedade, da compaixão, do perdão, da restauração. Não acredito no evangelho do irmão do filho pródigo. Acredito no evangelho do pai do filho pródigo. Comparo a atitude daquele pai com a do seu obediente e leal filho mais velho e enxergo um retrato fiel das nossas atitudes hoje: de um lado, os que abraçam o pecador que retorna; de outro o que se entristece porque o pecador foi restaurado – é mais interessante apenas criticá-lo (afinal, nos sentimos menos pecadores do que ele). Uns querem promover o banquete; outros se recusam a entrar na mesma casa. Um é o evangelho do “Não há justo, nem um sequer”; o outro é a religião do “raça de víboras!”.

Podemos escolher que tipo de cristãos seremos: hipócritas ou graciosos. Jesus foi gracioso e repreendeu os hipócritas. Os fariseus e mestres da lei foram hipócritas e repreenderam o Gracioso. E você, como será?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício