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Grato1Uma das virtudes humanas que mais admiro é a gratidão. Consequentemente, um dos defeitos que mais me incomodam é a ingratidão. O reconhecimento por algo que alguém fez por você ou pelo próximo não é uma atitude qualquer, muito menos uma mera convenção social. Pelo contrário, é uma expressão de profundidade espiritual. Muitas vezes somos instados, na Bíblia, a agradecer. “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5.18) e “Perseverai na oração, vigiando com ações de graças” (Cl 4.2) são apenas dois entre muitos exemplos de referências bíblicas que nos conclamam a agradecer a Deus. Mas a gratidão não deve ser dirigida somente ao Senhor: os homens também são dignos de receber um “muito obrigado”. E é isso que quero fazer hoje: agradecer a você. Já chego lá.

Em nossos dias, a gratidão tem sido posta de lado pelas pessoas, pois ela é uma expressão de educação e generosidade, elementos que parecem estar desaparecendo da nossa sociedade. É frequente andar pela rua e ver muitas demonstrações de hostilidade. Gente se empurrando para disputar um espaço na porta do ônibus, irritação no supermercado, agressões verbais por uma rusga no trânsito. Você também vê isso? Por vezes a sensação que tenho é que a humanidade anda um pouco ríspida demais; gentil e agradecida de menos. Devota-se muita energia para reivindicar, pouco esforço para dizer um “obrigado”. Muitos não percebem, mas essa é uma demonstração de falta de amor pelo próximo e, portanto, denuncia distanciamento do Grande Mandamento – logo, de Deus. Sim, todo ingrato está bem longe do Senhor.

O ato de fazer o bem ao próximo deve ocorrer independentemente de uma “recompensa” em forma de gratidão, pois “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35). Mas o ponto não é esse. Entendo a demonstração de gentileza como uma obrigação ética, devemos ser gentis e fazer coisas boas pelas pessoas a despeito de qualquer retorno. Nem sempre conseguimos, mas é fundamental nos esforçarmos para isso. Muitos, infelizmente, não se esforçam. O grande problema é a percepção de quão desumanizados estamos. Egocêntricos. E pouco carinhosos. Gratidão demonstra afeto, carinho, respeito, amor.

Jesus deixou como exemplo para nós muitas demonstrações de gratidão. Ele deu graças até por coisas simples, como a comida, em diferentes circunstâncias. Mas temos sido pouco gratos. Professores são hostilizados pelos alunos, que não percebem que aquele profissional dedica sua vida para fazer deles pessoas melhores. Pastores são frequentemente vítima de reclamações de suas ovelhas, que não compreendem o peso de um sacerdócio levado a sério. E por aí vai.

Grato2Poucas coisas me devastam mais do que visitar casas de repouso de idosos. Se você passar um dia conversando com eles ouvirá histórias e mais histórias de pessoas que suaram a vida inteira para dar conforto e educação aos filhos mas, na velhice, foram esquecidos em um asilo qualquer. Eu choro ante essas histórias de ingratidão – que não são poucas. Se você costuma visitar casas de repouso sabe do que estou falando.

Minha tristeza ante à ingratidão aumenta exponencialmente quando a vejo ocorrer dentro da igreja. Conheço, por exemplo, pastores que na velhice foram desamparados pelos ministérios que serviram, sem ajuda nem para comprar remédios. Falta de gratidão, nesses casos, não é só desumano, é diabólico. Temos de ser gratos aos que vieram antes de nós. Já agradeci muitas vezes a meus pais por tudo o que realizaram por mim, por todos os sacrifícios que fizeram em meus anos de vida. Apesar de todos os meus defeitos, procuro ser sempre grato a eles. Considero impensável um filho que atravessa a vida sem homenagear os pais. Também sou grato a cada sacerdote que, em algum momento de minha vida, agiu em prol de minha alma. O que fizeram é impagável. Temos de ser gratos aos nossos pais e aos nossos pais espirituais. É o mínimo do mínimo.

Grato3Não quero ser ingrato. Quero ser sempre como o leproso que voltou a Jesus para agradecer e não como os nove que não disseram um “obrigado” sequer depois de receberem dele o bem. Gosto de ser grato, agradecer faz bem à alma. E, nesse espírito, quero agradecer a você. Na última sexta-feira, 13/12/2013, o blog APENAS alcançou a marca de 1 milhão de acessos, após exatos dois anos e sete meses de vida. Não posso ser ingrato com você, que lê – eventualmente ou habitualmente – as reflexões que aqui compartilho. Preciso dizer um “muito obrigado” (ou 1 milhão deles, para ser justo), sinto-me muito honrado por você gastar alguns minutos da sua semana comigo. E espero sinceramente que valha a pena. Na minha imperfeição, peço a Deus que consiga edificar a sua vida de algum modo. Se Deus usa meus pensamentos e minhas palavras para o seu bem, a ele agradeço também.

A você que teve a paciência de me aguentar ao longo desse 1 milhão de cliques eu devoto a minha gratidão. Obrigado. Jesus é a causa, você é a consequência. Enquanto estiver por aí, estarei por aqui, fazendo o que puder, dentro de minhas enormes limitações, para alimentar sua alma.

Receba minha gratidão – e passe adiante.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício