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racismo0O Brasil tem acompanhado o caso do jogo de futebol entre Grêmio e Santos que foi marcado pelas atitudes racistas de parte da torcida do time gaúcho. Para provocar o goleiro santista Aranha, que é negro, muitos gremistas o ofenderam, chamando-o de “macaco” e fazendo gestos que imitavam símios. Flagrada pelas câmeras de TV xingando o atleta de “macaco”, a jovem Patrícia Moreira tornou-se imediatamente símbolo da mentalidade discriminatória que domina não só gremistas, mas gente do mundo todo – racismo é uma pandemia abominável que está longe de acabar. Na última sexta-feira, a torcedora deu uma entrevista coletiva em que afirmou, bastante emocionada, estar arrependida. Em seguida, pediu perdão ao Grêmio – eliminado da Copa do Brasil por decisão da justiça esportiva – e ao goleiro ofendido. Muito além do esporte em si, o episódio é bastante significativo para extrairmos lições sobre a questão do pecado e do perdão.

Em sua entrevista, Patrícia transpareceu sinceridade e emoção, quando disse: “Boa tarde, eu quero pedir desculpas ao goleiro Aranha. Perdão de coração. Eu não sou racista. Perdão. Perdão. Peço desculpas. Aquela palavra, ‘macaco’, não foi racismo de minha parte, foi no calor do jogo, o Grêmio estava perdendo. O Grêmio é minha paixão, minha paixão mesmo. Eu vivi sempre indo ao jogo do Grêmio. Largava tudo para ir ao jogo. Peço desculpas para o Grêmio, para a nação tricolor. Eu amo o Grêmio. Desculpas para o Aranha. Perdão, perdão, perdão mesmo”.

Essa fala de Patrícia nos conduz a quatro reflexões.

racismo4Em primeiro lugar, falemos da falibilidade do indivíduo em função da influência dos grupos a que pertence. Não há como dizer que chamar um negro de “macaco” não seja um ato racista. Pode não ter sido a intenção de Patrícia fazer uma agressão racial ostensiva, mas creio que, a reboque da multidão, ela xingaria o goleiro de qualquer coisa que configurasse uma ofensa, como historicamente as torcidas fazem. Não me lembro de absolutamente nenhum jogo de futebol a que eu tenha ido na vida em que os xingamentos não sejam a tônica do público: xingam a mãe do juiz, ofendem a honra dos jogadores do outro time, escangalham a torcida adversária, gritam impropérios contra os atletas ou técnicos do time para que torcem se esses estiverem jogando mal ou perdendo. Isso não é novidade nenhuma. A questão é que a massa optou, nesse caso específico, por um xingamento que tem uma conotação diretamente ligada à raça de Aranha e, portanto, configura, sim, racismo. Pode ser que Patricia tenha apenas ido na onda e se deixado contagiar pelo poder das massas, mas o fato objetivo é que ela cometeu um ato de racismo – que, no Brasil, configura crime.

De cara, isso nos dá um alerta: cuidado para não se deixar levar pelo que os outros fazem. Seja fiel a si mesmo e a suas convicções sempre, esteja você sozinho ou em grupo. A influência alheia é uma das principais causas de pecarmos. A ciência já sabe muito bem que os indivíduos são altamente influenciáveis pelas massas e existem muitos estudos e pesquisas que comprovam como podemos ser facilmente influenciados pelos grupos ao nosso redor. Por isso, devemos tomar extremo cuidado com quem andamos, pois más escolhas de amigos sem compromisso com o evangelho ou mesmo de cristãos que se comportam de modo equivocado podem nos arrastar junto para o erro. Ouso dizer que, se Patricia estivesse sozinha no estádio, ela jamais teria ofendido Aranha daquele jeito. Ela fez o que fez porque estava no meio da multidão. Então temos de escolher com muito critério quem serão as pessoas com quem nos relacionamos, para não praticarmos atitudes pecaminosas por influência de terceiros.

racismo3Em segundo lugar, falemos da lei: Patrícia corre o risco de ser condenada à prisão pelo crime. E, se for, mesmo que de fato esteja arrependida, é justo que cumpra a pena. Ela, aliás, já começou a ser punida extrajudicialmente por seu pecado: foi demitida, teve a casa apedrejada, sofreu muitas agressões pelas redes sociais, é chamada de “racista” por onde passa, sua vida virou um inferno. Isso nos ensina uma lição: o pecado sempre terá consequências, é ingenuidade achar que é possível transgredir e sair impune, pois a justiça divina não é como a dos homens: ela nunca falha. Um dia a punição virá, nem que seja na eternidade. Além disso, o arrependimento sincero, com a confissão do pecado, não anula a necessidade de se arcar com a consequência humanas de seus atos. Um criminoso pode estar total e verdadeiramente arrependido, mas, ainda assim, terá de responder pelo que fez ante os homens. Portanto, se você se joga de uma ponte mas depois se arrepende, seu arrependimento não evitará que se esborrache lá embaixo. Cuidado com o que você semeia, pois a colheita pode ser de frutos bem amargos.

Em terceiro lugar, falemos do amor por instituições que justificariam a falta de amor ao próximo. Chamou minha atenção a explicação que, mesmo sem perceber, Patricia deu para sua atitude. Se você notar bem, verá que ela baseou seu argumento no fato de o time que ama estar perdendo. Em outras palavras, para ajudar a instituição que ama, Patricia, no calor do jogo, considerou justificável atacar um ser humano. Assim como ela, tenho visto muitos cristãos fazerem isso ultimamente. Para defender a Igreja de ataques de grupos cujos valores são anticristãos, partimos para a agressividade. Isso está totalmente errado. A “defesa do evangelho” não justifica jamais o uso da violência. Por isso, vejo como as massas se deixam contaminar por essa abominável visão de que, para defender a Igreja de Cristo, podemos partir para o ataque a seres humanos de outras religiões ou que professam valores diferentes dos nossos. Cristo pregou o amor aos inimigos, o perdão a quem é imperdoável, a não violência, a mansidão, o não revide, a pacificação, o não fazer justiça com as nossas mãos. Mas vivemos no meio de uma multidão de cristãos que se esquecem de tudo isso e acham justificável defender a Igreja que amam agredindo os seres humanos que nos atacam – e nisso pecamos. Que o erro de Patrícia nos sirva de lição, para que não nos deixemos convencer de que a defesa do que é puro e bom seja feita com atitudes impuras e más.

aranha1Mas é para o que vem em quarto lugar que eu gostaria de chamar mais atenção. Chegou a hora de falarmos, enfim, da graça. Fiquei pensando no que faria se eu fosse o goleiro Aranha e ouvisse Patricia pedir perdão de forma tão enfática. Se você contar, verá que ela pediu “perdão” e “desculpas” ao goleiro nove vezes. Pode ser que a jovem esteja fingindo arrependimento, mas não acredito nisso. Patrícia me pareceu sincera. Creio que tudo o que ela tem passado, desde que sua imagem tornou-se o símbolo nacional do racismo, foi o tranco que a despertou para compreender a extensão do seu erro. Não posso afirmar, mas acredito nisso – afinal, quantos de nós pecam e só se dão conta da lama em que estão quando são confrontados de forma dura pelas consequências de seu pecado? Davi passou por isso e só se arrependeu de seu duplo pecado ao ser confrontado por Natã no episódio de Urias e Bate-Seba e, depois, pelo profeta Gade, no episódio do censo. Pedro só chorou amargamente após ser confrontado pelo canto do galo e pelo olhar de Jesus. Eu mesmo já cometi pecados dos quais só me dei conta de sua extensão ao ser confrontado. E acredito que isso tenha ocorrido com Patrícia: foram a reação popular e tudo o que ela sofreu que a chamaram à razão. Se sua imagem não fosse parar na TV, possivelmente no jogo seguinte ela repetiria o gesto racista. Fato é que ela, confrontada pelo seu erro, dirigiu-se à pessoa a quem ofendeu e pediu perdão. E aí, como devemos nos posicionar diante disso?

A Bíblia é clara:

“Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18.21-22).

“Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3.13).

“Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados” (Lc 6.37).

“E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas” (Mc11.25).

O desejo de Jesus é que perdoemos. Mais do que um desejo, aliás, é um mandamento. Perdoar nossos ofensores é uma atitude que nos dá vida espiritual abundante e nos conforma à imagem de Cristo – que nos perdoou quando não merecíamos. O Senhor, aliás, não apenas transmitiu esse preceito de boca, ele deu o exemplo, ao perdoar o traidor Pedro, ao pedir que o Pai perdoasse seus algozes na cruz, ao perdoar a mulher adúltera e em tantas outras situações. Com base nos ensinamentos bíblicos, diante de tão enfático pedido de perdão de Patrícia, se eu fosse Aranha a perdoaria. Talvez ela não mereça. Mas perdão não tem a ver com merecimento: é fruto de graça – que, por definição, é algo que recebemos sem merecer.

A prisão de Patrícia seria uma punição exemplar, um símbolo para todos de que o racismo é algo hediondo e não pode ser praticado sem consequências? Sim, sem dúvida seria. Mas o perdão de Aranha é um símbolo para todos de que é possível vencer o mal com o bem. No dia seguinte à entrevista dela, o goleiro se pronunciou e disse que a desculpava: “Estou desculpando ela, mas infelizmente, por um erro que cometeu, vai ter de pagar. Queriam que eu desse o perdão sem ela me pedir desculpas. Acompanhei todo o caso, os amigos dela mostraram que ela não é racista, mas ela sumiu, deletou perfis das redes sociais, não falou com ninguém. Demorou muito tempo para tomar uma atitude. Como cristão, como ser humano, precisava do pedido dela para desculpar. Isso não quer dizer que eu não quero que a justiça seja feita. Ela errou, tem as consequências”, comentou. Com o perdão de Aranha creio que os céus fizeram festa, pois um pecador se arrependeu e um ofendido perdoou seu ofensor.

racismo5Acho muito estranho quando ouço as pessoas dizerem que não perdoam alguém porque esse alguém “não merece”. Pois perdão não tem a ver com o mérito do perdoado, mas, sim, com a graça de quem perdoa. Deixar de perdoar um ofensor, mesmo que ele não nos tenha pedido perdão, não prejudica ninguém além de nós mesmos, que passamos a carregar um fardo espiritual doloroso e venenoso. Enquanto não aprendermos esse fato, seremos indivíduos amargos, que não estendem perdão e, por isso, vivem longe da vontade de Deus.

Não fui ofendido por Patrícia Moreira. Mas, se tivesse sido e ela pedisse perdão nove vezes, eu teria de escolher: ou me recusava a perdoá-la ou fazia o que Deus manda. Ela poderia até vir a ser presa, para cumprir a justiça dos homens, mas, diante de Deus, teria o meu perdão. Porque o cristianismo denuncia o mal da falibilidade humana e do desamor pelo próximo, aponta o remédio paliativo da lei e revela a cura final: a graça. E aí eu te pergunto: desses elementos, qual você acha que Deus valoriza mais? E qual você valoriza mais? A resposta a essas perguntas dirá em que profundidade você compreende o evangelho e mostrará se você é, de fato, um cristão segundo o coração de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

dieta do perdao1O que é preciso fazer para perder peso? Se você já se dedicou a uma dieta, sabe que ela exige que sigamos, essencialmente, três passos. Primeiro, é necessário compreender bem a dinâmica do emagrecimento, ou seja, inteirar-se do que diz a teoria: necessidade de ingerir menos calorias do que se gasta, importância do controle metabólico, explicação de por que se deve comer menos e mais vezes por dia etc. Sem compreender como se perde peso você jamais conseguirá emagrecer. Segundo, uma vez que entende a teoria, é hora de pôr em prática o que aprendeu. E quem já se dedicou a perder peso sabe que essa etapa não é nem um pouco fácil, pois o aspecto mais importante para emagrecer é abrir mão da sua vontade de comer o que não deve (às vezes é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que recusar aquele suculento brigadeiro, não é?). Ou seja: dizer não a si mesmo é fundamental. Terceiro, além da correta escolha dos alimentos, também é preciso exercer disciplinas complementares e indispensáveis, como exercícios físicos.

Assim, se você consegue: 1) Compreender a teoria do emagrecimento; 2) abrir mão de suas vontades; e 3) praticar as disciplinas complementares tem grandes chances de atingir o objetivo e conquistar a tão almejada silhueta esbelta.

Neste ponto, gostaria de fazer um paralelo entre a dificuldade de emagrecer e a de… perdoar. Muitas pessoas não conseguem perdoar alguém que lhes tenha ferido; outras não conseguem perdoar a si mesmas por algum pecado que tenham cometido. Isso se deve a uma razão muito simples: perdoar não é fácil, é uma atitude que exige muito de nós. Contraria nossa natureza humana, muito mais inclinada a entregar-se a culpa, raiva, ressentimento, ira, mágoa, rancor e sentimento de vingança. Só que sem perdão não há vida com Cristo. Dizer-se cristão e não perdoar é uma contradição. Mais do que isso: é uma impossibilidade. Portanto, se você até hoje precisa perdoar alguém ou mesmo se perdoar por algo que tenha feito, saiba que sua vida espiritual depende disso.

Se você vive uma situação em que precisa estender perdão, mas considera muito difícil, o que deve fazer? Bem, a Bíblia trata muito sobre esse assunto e seria preciso um livro para abordar a questão com a amplidão que tem, é impossível resumir tudo em um pequeno post de blog. Mas, em síntese, posso dizer que perdoar e emagrecer têm algo em comum: os três pontos que mencionei no início deste texto.

dieta do perdao01. Assim como nas dietas é preciso conhecer a teoria, para perdoar não é diferente. Em geral, tenho visto que os irmãos e as irmãs com dificuldade de perdoar não conhecem em sua totalidade o que a Bíblia fala sobre o assunto. Têm um conhecimento parcial e, por isso, acabam sem as orientações básicas que as Escrituras sagradas dão a respeito de o que exatamente é perdoar, como perdoar, as consequências de não perdoar, os benefícios de perdoar e muito mais. Entenda: é conhecendo a verdade sagrada que somos libertos das amarras da falta de perdão e de suas terríveis consequências. Assim, o primeiro passo para conseguir perdoar e se perdoar é conhecer as diferentes informações sobre o tema contidas na Bíblia. “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (Jo 8.31-32).

Falo por experiência. Há alguns anos vivi uma grande necessidade de praticar o perdão – perdoar outros e perdoar a mim mesmo. Foi quando percebi a gigantesca importância desse tema para nossa saúde espiritual, bem-estar e felicidade, por isso dediquei-me a uma pesquisa ampla e detalhada na Bíblia sobre o assunto perdão. Essa investigação nas Escrituras acabou se tornando meu próximo livro, chamado Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, que será lançado em outubro pela editora Mundo Cristão. Nesse processo pessoal, vi como me ajudou enormemente saber o que a Bíblia fala sobre o assunto – na verdade, foi indispensável, pois, sem as verdades bíblicas, eu nunca conseguiria fazer isso por vontade própria. Sem esse conhecimento, é impossível qualquer um se ver livre do pesadíssimo fardo da falta de perdão. Peço a Deus que o resultado dessa minha pesquisa venha a ajudar pessoas que precisam de mais informações e entendimento sobre o assunto, para que, assim, também consigam se ver livres do amargo fardo da falta de perdão.

dieta do perdao22. Ao adquirir o conhecimento bíblico necessário, consegui partir para o segundo passo: pôr em prática o perdão. Foi, então, possível perdoar e me perdoar. Só que, para que esse perdão se tornasse realidade, foi preciso negar a mim mesmo. Do mesmo modo que fazer dieta exige abrir mão de suas vontades, perdoar exige abrir mão do seu eu e assumir a natureza de Cristo, que nos perdoa sem que haja qualquer mérito nosso. O nome disso é graça. Sem negar as inclinações, as vontades e os impulsos que nos dominam, não conseguiremos jamais ser como Jesus nem agir como ele agiu. “Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará'” (Mt 16.24-25).

dieta do perdao33. Por fim, para conseguir perdoar, você precisa exercitar as disciplinas espirituais, como oração e jejum. Do mesmo modo que o exercício físico é fundamental no processo de perder peso, sem uma comunhão constante com Deus em oração e sem a mortificação da sua natureza carnal, por meio do jejum, torna-se muito difícil conseguir fazer aquilo que nossa vontade humana não quer fazer.

É evidente que comparar o perdão a uma dieta de emagrecimento não passa de uma analogia altamente imperfeita. Assim como as parábolas de Jesus eram ilustrações materiais de realidades espirituais profundas, essa comparação serve apenas para chamar nossa atenção para determinados aspectos da fé. Dieta emagrece o corpo, perdão agiganta a alma. O corpo ficará, a alma seguirá pela eternidade. Se você se preocupa em emagrecer, recomendo que preocupe-se ainda mais em perdoar e se perdoar. Culpa por algo que você fez e ressentimento por algo que alguém fez contra você não geram absolutamente nada de bom, pelo contrário, trazem consequências altamente negativas para sua vida.

Conheça o que a Bíblia diz sobre perdão e remova de suas costas o fardo tão pesado da falta de perdão, que você não precisaria estar carregando. Jesus te libertou desse fardo na cruz do Calvário. Conheça a realidade que a Bíblia apresenta sobre o assunto e abrace as verdades sagradas. Se tomar essa atitude, a graça de Deus se manifestará e, creio piamente, sua vida será totalmente transformada.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício