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EU-NÃO-SEI 1Na sociedade em que vivemos desenvolveu-se a ideia de que todo mundo tem de saber tudo sobre tudo. Se você não tem uma opinião sobre absolutamente qualquer assunto, é como se fosse uma pessoa inferior, desinformada, alienada. Futebol? Você precisa ter um parecer sobre todos os jogos da rodada. Música? Você tem de saber tudo sobre todos os cantores da moda. O noticiário do dia? É imperativo saber das notícias antes de todo mundo. Essa ditadura da informação quer nos obrigar a saber tudo, o tempo todo, a toda hora, e precisamos ter uma opinião formada sobre absolutamente todos assuntos. Só que isso é impossível! Eu e você sabemos pouco ou nada sobre a maioria das coisas. Por isso, a posição mais verdadeira – logo, cristã – que podemos ter é dizer: “Eu não sei”. Assim, você evitará falar sem base e viverá com muito mais sinceridade. 

Peguemos, por exemplo, a teologia, área em que, se você diz “eu não sei”, costuma ser imediatamente diminuído, desmerecido. O que você acha das cinco vias de Tomás de Aquino? Eu não sei. Qual é a sua opinião sobre o Sínodo de Dort? Não tenho conhecimento suficiente. Qual é sua visão sobre a teoria escatológica amilenista? Preciso conhecer melhor o assunto antes de responder a isso. Qual é sua opinião sobre o pensamento de Abraham Kuyper? Não li o suficiente para dizer. Qual é seu entendimento sobre os cristãos adenominacionais? Nenhum, preciso conhecer mais. O que você sabe sobre a relação entre o pensamento agostiniano e o platônico? Nada. O que você acha da bênção de Toronto? Preciso me informar melhor. Como você vê o papel do estilo musical no louvor? Não sei o suficiente para ter uma opinião. Por que uma pregação deve ser expositiva? Nunca parei para pensar sobre isso. 


EU-NÃO-SEI 3Essas são respostas dignas, se representarem a verdade. É muito mais cristão dá-las do que emitir um parecer, fazer afirmações ou dar pitacos sobre algo que você simplesmente não sabe. E não há vergonha em não saber, porque ninguém sabe tudo sobre tudo, isso é uma ilusão. Temos de aprender a responder dignos “eu não sei” e, a partir da percepção de que ignoramos algo, buscar conhecer esse algo. Isto, aliás, é fun-da-men-tal: não estou defendendo que, se você não domina determinado assunto, deve acomodar-se à ignorância; o que defendo é que, se você não sabe de algo, primeiro, confesse a verdade e, depois … vá se informar! Corra atrás. Estude. Identifique as lacunas do seu conhecimento e procure preenchê-las. Vergonha não é não saber, vergonha é, uma vez constatado que não se sabe, continuar sem buscar saber. 

Eu, por exemplo, não acompanho futebol. É algo pessoal, simplesmente o assunto não me interessa. Imagine, então, como é quando meus amigos de escola se reúnem e começam a falar sobre o jogo de ontem. Eu fico quieto, pois… eu não sei. Não tenho informações nem conhecimento para debater o tema. Portanto, me calo. Como não é algo que mudará minha vida, deixo para lá, diferentemente dos assuntos da fé, que me são essenciais: quando percebo que me falta conhecimento sobre algum tema da teologia, que me é importantíssima, confesso publicamente que não sei nada sobre aquilo e parto avidamente em busca daquele conhecimento. 

EU-NÃO-SEI 4Um exemplo: há algum tempo assisti ao vídeo da pregação de um pastor de uma igreja tradicional em que ele discorria sobre o movimento pentecostal. Eu gostava de acompanhar pedacinhos de pregações que ele costuma soltar nas redes sociais. Mas, naquele dia, ouvir aquele sermão inteiro… foi um show de horrores. De púlpito, ele fez toda uma exposição completamente errada. Baseou sua palestra em ideias bizarras e totalmente desencontradas da realidade. Para você ter uma ideia, ele disse que o pentecostalismo se sustenta  em três características: confissão positiva, equivalência de Deus e o Diabo, e crença na intocabilidade dos sacerdotes. Embora é inegável que há pentecostais que creem, sim, nesses pontos, de longe não é verdade que esses três aspectos definem o pentecostalismo. Todo pentecostal ou mesmo qualquer cessacionista que tem conhecimentos elementares sobre o movimento pentecostal sabe disso. A confissão positiva, por exemplo, é uma heresia neopentecostal que, inclusive, é combatida por muitos pentecostais. Deu pena do pastor, confesso, pois o que ele “ensinou” para os membros de sua igreja (e ainda postou na Internet) simplesmente não é verdade. Seria mais digno pesquisar melhor ou… não falar nada. Até porque é a credibilidade da pessoa que está em jogo. Eu, por exemplo, parei de assistir aos vídeos que esse estimado pastor publica nas redes sociais depois de ver aquela demonstração gritante de desconhecimento. 

Esse exemplo é apenas um de muitos. Precisamos ter a humildade para aprender a dizer “eu não sei”. Durante os nove anos em que lecionei em seminário teológico, muitas vezes fui questionado por alunos acerca de questões cujas respostas eu desconhecia. O que eu fazia nessas horas era simplesmente confessar minha ignorância e pedir que me dessem alguns dias para que eu pesquisasse a resposta. Isso não só era o que de mais honesto eu poderia fazer, como me permitiu crescer enormemente, pois cada buraco que eu constatava no meu conhecimento era uma oportunidade de tampá-los correndo atrás do que eu não sabia. 

EU-NÃO-SEI 5Meu irmão, minha irmã, ninguém nasce sabendo de tudo. E ninguém morre sabendo de tudo. Nesse intervalo de tempo entre nascimento e morte, temos a oportunidade de crescer no conhecimento das coisas. Agarre-se a essas oportunidades: leia livros, assista a documentários, leia livros, faça cursos, leia livros, converse com pessoas mais experientes, leia livros, participe de congressos, leia livros, envolva-se em grupos de debate ou estudo, leia livros, assista a boas palestras e pregações, leia livros. Ah, sim, e não poderia esquecer: leia livros. Mas, enquanto você não dominar certos assuntos, assuma com sinceridade e hombridade a sua ignorância. E parta em busca de fontes de informação sobre tais assuntos. 

Nas coisas de Deus, então, isso é imprescindível. Pois dar opiniões flácidas ou emitir pareceres claudicantes sobre temas importantes da fé é ser irresponsável com o que há de mais importante na existência humana. Nas redes sociais é comum vermos comentários postados sobre determinadas discussões que nos entristecem, pela profusão de erros ou falta de embasamento. Muitas vezes, a melhor postura seria simplesmente não escrever nada. Ouvir mais. Falar menos. Até porque… você já parou para pensar que ninguém é obrigado a dar uma opinião sobre todo e qualquer assunto? E, como não existe essa obrigatoriedade… por que opinar, quando não se conhece o suficiente para isso? Evitaria erros, vergonha, a sua desqualificação aos olhos dos demais, influência equivocada sobre outros e problemas similares. 

O jejum é uma prática bíblica. Por isso, gostaria de propor um tipo incomum de jejum: a abstenção de emitir opiniões sobre o que não se sabe bem. Tenho certeza de que, se fizermos isso, viveremos num ambiente muito mais rico em informações corretas e, também, em sinceridade e verdade. Se isso vai dar certo? Bem, confesso que… eu não sei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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pastor 1O Corpo de Cristo é uma família de fé em que uns devem ajudar os outros, amparar, dar amor, alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram. Todos nós somos responsáveis por todos nós. Acredito no sacerdócio universal dos santos. Digo isso porque entendo e concordo que cristãos sem cargos eclesiásticos, como eu e você, podemos e devemos ser extremamente úteis na vida uns dos outros, oferecendo consolo, edificação e exortação. Se não acreditasse nisso, eu, uma simples ovelha com algum preparo teológico, não manteria um blog nem escreveria livros em que tento transmitir palavras que, espero, venham a abençoar meus irmãs e minhas irmãs. Mas também acredito no ministério pastoral, o que significa que creio que Deus capacitou pessoas específicas para desempenhar com uma habilidade transcendente o papel de gestoras de almas, isto é, são irmãos em Cristo com uma capacidade especial de cuidar e orientar cada um de nós. E creio porque é bíblico: “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimentodo Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Ef 4.11-13). Essas pessoas geralmente ouviram o chamado de Deus, se prepararam no conhecimento das Escrituras, adquiriram experiência… enfim, são irmãos que possuem uma habilidade, uma possibilidade e uma capacidade únicas para prestar aconselhamento sobre as questões da vida à luz da Bíblia. Falo sobre isso porque gostaria de dar uma recomendação a você. Em nossos dias, a internet revolucionou e mudou a forma de a igreja ser e agir. Poderíamos falar sobre muitos aspectos dessa transformação, mas quero me concentrar em um único. Com o advento das redes sociais, dos blogs, dos podcasts e de tantas outras ferramentas, qualquer pessoa que tenha algum carisma ou qualidades de comunicação (que não a qualificam em nada para cuidar de vidas humanas) pode ganhar notoriedade graças às ferramentas que a internet oferece. Conquistados pelas palavras que essas pessoas nos transmitem, temos voltado nossos olhos para a tela do computador em busca de soluções para nossas questões, nossos sofrimentos e nossas dores, e acabamos recorrendo a esses “mentores virtuais” em busca de auxílio, orientação e conselho. Só que isso é um perigo. pastor 2Falo com conhecimento de causa, pois eu sou uma dessas pessoas. Desde que criei o blog APENAS e passei a compartilhar minhas reflexões no mundo virtual, muitos e muitos irmãos me procuram pelo espaço dos comentários e, agora, pelo facebook < facebook.com/mauriciozagariescritor > me pedindo aconselhamento “pastoral”. Como disse, não vejo nenhum mal em se pedir ajuda a irmãos em Cristo. Mas o que tem me preocupado é que as questões que chegam até mim são do tipo que precisam de um acompanhamento próximo, pessoal. Entenda que o que digo não é uma crítica a quem me procurou e procura, mas é um alerta, que faço por zelo a vidas preciosas. Tampouco estou me referindo a alguém tirar uma dúvida sobre um ponto do que escrevi ou pedir dicas de passagens bíblicas que digam determinada coisa, algo simples assim. Me refiro a casos complexos. Por vezes, os irmãos e as irmãs que me pedem aconselhamento estão vivendo situações dificílimas, cheias de detalhes complicados, que exigem conversas longas (muitas vezes, mais de uma conversa), debaixo de oração, com orientação detalhada… são situações que não podem ser tratadas em dois ou três parágrafos num blog: pedem presença, cuidado, proximidade, olhos nos olhos. E, para fazer isso, Deus te deu um pastor. hospitalMuitos dos queridos manos e manas que me pedem aconselhamento chegam com problemas graves, como se um caminhão tivesse passado por cima de suas histórias de vida. Agora imagine um atropelamento real por um caminhão. Alguém que é atingido dessa maneira e está em situação grave precisa ser atendido pessoalmente, num hospital com equipamentos adequados, por pessoas que lhe apliquem os primeiros-socorros, façam todos os exames, passem horas junto a ele cuidando e reparando, aplicando medicamentos e suturando as feridas. Uma pessoa nessas condições teria como ser atendida pela internet? Impossível. Não se pode lidar com situações graves à distância. Eu não poderia escrever um e-mail ou um comentário pelo blog dando orientações como “agora segure uma agulha e vá costurando as feridas da sua perna… pegue um gesso e enrole no seu braço com fratura exposta…”. Compreende por que aconselhamento de casos sérios precisa ser feito pessoalmente e com todos os recursos? A maioria dos irmãos que vêm a mim em busca de aconselhamento está vivendo crises sérias, em especial em sua vida amorosa e/ou matrimonial. Alguns casos são tão intrincados, com divórcios, traições, filhos e famílias envolvidas que minhas orações por esses queridos e sofridos irmãos não raramente me levam às lágrimas. E, de todo coração, preciso dizer que não posso cometer a irresponsabilidade de orientar ou aconselhar via internet pessoas que estão enfrentando circunstâncias tão complexas. Em meus textos, busco expor o que a Bíblia afirma, de forma geral, panorâmica, sistêmica, nunca direcionada. Mas, ao ser procurado via blog ou facebook para aconselhar casos específicos, sinto que seria um grave erro meu dizer “faça isso” ou “faça aquilo”. Como poderia eu influenciar decisões que vão afetar o resto da vida de pessoas depois de ter lido dramas extensos descritos em apenas três, quatro, cinco parágrafos? Não posso. E recomendo que ninguém o faça. Quem presta “aconselhamento pastoral” via internet é, a meu ver, irresponsável com a vida dos irmãos. E falo assim porque eu já cometi essa irresponsabilidade. pastor 3Confesso que no início eu fazia isso. Chegavam a mim comentários com questões como “li seu texto e gostaria que me aconselhasse sobre isso ou aquilo” e eu me sentia mal de não dar um parecer sobre cada caso, parecia que eu estava desdenhando a dor do próximo. Até o dia em que uma jovem me pediu conselhos, expondo longamente sua situação. Eu respondi. No dia seguinte, a mãe da jovem (que também era assinante do blog) entrou em contato pelo espaço dos comentários relatando uma versão totalmente diferente da história que me havia sido apresentada e me senti um leviano por ter dado os conselhos que dei, simplesmente porque estavam totalmente errados. Daquele dia em diante, percebi da pior forma possível que aconselhamento tem de ser feito pessoalmente, com calma, em oração, ouvindo todos os envolvidos, muitas vezes ao longo de muitos encontros. E quem pode fazer isso é o seu pastor. E aqui quero fazer uma ressalva: estou me referindo a bons pastores. Sabemos que há muita gente por aí que age mal contra suas ovelhas. Sempre digo que igreja não é vitalícia: se um pastor não pastoreia biblicamente, a ovelha deve buscar uma casa de fé em que os pastores sejam de fato pastores. Falo isso porque muitos dos irmãos e irmãs que me procuram dizem que preferem conversar comigo do que com seus pastores por razões que me deixam chocado. Ou seus líderes espirituais não sabem guardar sigilo, ou expõem as pessoas, ou não aconselham segundo a Bíblia, ou são mais interessados em punir do que em restaurar… muitas são as razões. Mas os bons pastores são aqueles que foram vocacionados por Deus segundo o chamado de Efésios 4 e são fundamentais em nossa vida. Feliz é o homem que tem um bom pastor: bíblico, gracioso, justo, amoroso, correto e que deixa as 99 ovelhas no aprisco em busca da perdida. pastor 4Encontre um bom pastor, meu irmão, minha irmã. Siga-o como ovelha amorosa e aconselhe-se com ele. Fará toda diferença em sua vida. Um blogueiro como eu não pode ajudar 1% do que um pastor pode fazer presencialmente, conhecendo sua vida e as profundezas de sua alma e de seus dramas. Somos irmãos em Cristo e devemos, sempre, nos amparar. Mas isso deve ser feito de modo correto. Se você está debaixo do pastoreio de um bom servo do Senhor, alguém confiável, temente a Deus, que não busca agradar mais aos homens do que ao Senhor, não faz sentido buscar opiniões de gente como eu na internet. Conte sempre com meu carinho e minha oração, além das orientações acerca do que a Bíblia explana. Mas casos específicos não são para serem tratados on-line. Entenda, por favor, minhas motivações ao dizer isso. Oro por cada vida que me procura. E por amar ao meu próximo como a mim mesmo, faço pelo próximo o que faria por mim: eu não me prestaria aconselhamento pela internet. Você está precisando de conselhos à luz da Bíblia? Procure seu pastor. Não foi à toa que Deus te deu um. Paz a todos vocês que estão em Cristo, Maurício ZágariPerdaototal_Banner Blog Apenas