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1Uma das atitudes mais incompreensíveis a meu ver para um cristão é a crença de que pessoas não mudam. Pelo simples fato de que pessoas mudam sempre e muito. Ouvi um homem de Deus dizer certa vez que a esposa dele já havia sido casada com sete homens diferentes ao longo da vida – e todos eram ele mesmo. Concordo totalmente. Todos nós somos seres em constante mutação. Por isso, me soa muito estranho ouvir um crente rotular alguém como um caso perdido. Ninguém é um caso perdido. Ninguém é imutável. E, principalmente: o evangelho é sobre pegar o pecador de hoje e transformá-lo no santo de amanhã. Negar isso é negar a cruz. Por isso, discriminar alguém porque pecou é negar o poder de Deus para restaurar aquela vida.

Davi é o exemplo clássico. Se você analisa a trajetória dele do começo ao fim verá o quanto ele mudou. Foi homicida, heroi, adúltero, libertador, soberbo, pai amoroso, sanguinário, homem segundo o coração de Deus, assassino de milhares sem misericórdia. Davi foi um genocida muitas vezes tão ou mais cruel que Hitler e Pol Pot (soa estranho? Releia 1Sm e 2Sm atentando para o que ele fazia com seus desafetos…). Era um cara difícil. No entanto, foi um homem de Deus. Pegue Paulo, que após se converter tem de ficar com um espinho na carne para não se ensoberbecer e, mesmo assim, se põe como o maior dos pecadores. Pegue Abraão, o pai da fé covarde que fingiu por duas vezes que sua mulher era sua irmã com medo da morte. E por aí vai, a lista é interminável: José, Moisés, Pedro, Salomão e tantos outros de humor inconstante, quedas e restaurações, pecados e aprendizados, erros e acertos. Deus acreditou em cada um deles. Devemos fazer o mesmo com os muitos Davi, Paulo, Abraão, José, Moisés, Pedro e Salomão que atravessam o nosso caminho.

Me recuso a olhar para quem quer que seja e dizer que fulano não tem mais jeito. Se eu fizer isso estarei negando a mensagem do evangelho e o poder de Deus. Até porque, sejamos francos, eu já cometi cada pecado tão horripilante – após minha conversão – que não tenho a mínima moral para falar de ninguém. Parabéns se você nunca cometeu (o que, honestamente, duvido). Mas a minha restauração após meus inúmeros erros me mostram na pele e na alma o quanto Deus pode pegar um comedor de bolotas dos porcos e reconduzi-lo ao ponto de onde nunca deveria ter saído.

Temos de cessar os apedrejamentos dentro das igrejas. Alguém pecou? Ame. Aproxime-se. Exorte. Pregue. Não abandone. Não dê as costas. Houve arrependimento? Bem-vindo, meu irmão, minha irmã. Bem-vindo de volta ao teu lar. Dá cá um abraço e vamos em frente. Esse é o nosso papel. Porque meter o malho em pecadores e desacreditar vidas é a coisa mais fácil do mundo, mas agir à semelhança do Cristo misericordioso é o que demonstra o quão maduros espiritualmente somos.

Pecadores sem arrependimento são um problema. Mas pecadores sem arrependimento são, também, potenciais futuros arrependidos. Não desista de ninguém. Não crucifique os que erraram. Deus sabe que somos pó e é importante que nós saibamos também. Algo que eu incorporei a minha vida é: só desisto de um pecador quando ele morre. Porque, até o momento de seu último suspiro, haverá chance de ele estar com Jesus no paraíso. Isso é licença para pecar? Jamais. A realidade do perdão não é um incentivo para o erro. Mas é um estímulo para amar quem peca.

Jesus veio para curar os enfermos – de corpo e de alma. Perdoar setenta vezes sete, vezes sete, vezes sete, vezes sete, vezes sete… Sarar almas doentes pelo pecado. O grande mandamento inclui amar o próximo como a si mesmo. E a maior expressão de amor são o perdão e restauração, que o diga João 3.16.

Que venham os pecadores. Que eles lotem nossas igrejas. Que ali encontrem um abraço amigo, e a pregação do evangelho do arrependimento, perdão e restauração. Pois aí o reino de Deus estará se fazendo presente. Fora disso é só vaidade e correr contra o vento.

Ame o pecador. E acredite nele. Pois Jesus nunca deixou de acreditar em você quando você cometeu os piores pecados de sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício