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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Legado1José Wilker morreu no último dia 5 de abril. Este texto sai com um certo atraso, mas tive de ruminar um pouco em cima do pensamento que compartilho aqui antes de pôr no papel. Trabalhei com Wilker durante nove anos, quando eu era editor de um programa da Globosat do qual ele era comentarista de cinema. Nunca fomos íntimos, nosso relacionamento era estritamente profissional, mas admito que a notícia da sua morte me impactou, é estranho imaginar que alguém com quem convivemos regularmente por tanto tempo não caminha mais sobre a terra. Eu não esperava. Alguém esperava? Não. Mas morte, em geral, tem mesmo esta característica: arromba a porta sem pedir licença. Claro que, ao meditar sobre a partida do Wilker, muito veio à minha mente sobre quão frágil é nossa vida, mas, além dessa questão óbvia, sua morte me fez pensar muito sobre outro conceito: legados.

Se você não está familiarizado com o termo, “legado” é “aquilo que é transmitido às gerações que se seguem”.

O Wilker se foi e deixou um legado que será lembrado ainda por muitas décadas, na forma de filmes, peças de teatro, novelas e outros tantos trabalhos artísticos. Foi um homem dedicado ao que sabia fazer e que conquistou um espaço na memória cultural do nosso país. Nesse sentido, sua passagem pela vida deixou uma marca. Por meio de suas atuações, ele provocou risos, lágrimas e outras emoções, como só a arte é capaz de fazer – e isso em, literalmente, milhões de pessoas.

Legado2Pensar no legado do Wilker me fez refletir sobre o que eu vou deixar após a minha partida. De que adianta eu ter nascido? Quando eu me for, qual terá sido o sentido de minha vida? Que herança deixarei para outras pessoas? Valeu a pena ter vivido ou minha passagem pela terra foi vazia de significado? Pensei muito sobre isso. Gostaria de aproveitar e estender a reflexão também a você: que legado você vai deixar? Ao final de sua jornada, quantas pessoas terá tocado, influenciado, aperfeiçoado, edificado, abençoado? Como será lembrado? Claro que, como cristão, o seu legado não será algo estritamente material. Todo aquele que tem Cristo como o centro de sua vida sabe que não há legado mais importante do que o espiritual. Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.19-21). Podemos extrapolar essa afirmação para além de riquezas materiais. A meu ver, essa ordem do Senhor refere-se a priorizar em tudo as coisas eternas em detrimento das passageiras.

Isso se confirma em outras passagens. Logo depois de pronunciar essas palavras, Jesus diz: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). Assim, o legado que precisamos deixar na terra após nossa partida deve ter relação com o reino de Deus.

Legado3Nosso dia a dia terreno não é desprezível. Temos coisas importantes a fazer para a manutenção de nossa jornada. Construir uma casa, ter uma vida profissional honesta, crescer nos estudos, deixar uma segurança financeira para a família… tudo isso é relevante e devemos nos dedicar para sermos bem-sucedidos nas necessidades da matéria. Mas nada disso configura legado à luz do evangelho. Pois tudo o que construímos aqui em termos materiais ficará aqui. Passará. Tudo virará pó. Só o que permanecerá é aquilo que é feito para glorificar Deus e abençoar o próximo – pois é o que ecoará pela eternidade.

A Bíblia é clara quando diz que o legado que terá relevância após nossa vida está diretamente ligado ao que fizemos ao nosso próximo. Sei que você conhece bem essa passagem, mas, se puder, leia mais uma vez e diga se não tenho razão: “Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?’ Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mt 25.31-46).

Com isso em mente, volto à pergunta: o que você deixará como legado? O que tem feito na sua vida que glorifica a Deus por meio de atos de dedicação ao próximo, ao desenvolvimento de maior intimidade entre as pessoas e Cristo, ao bem-estar dos seres humanos que te cercam, ao crescimento espiritual das almas à sua volta? Você tem levado consolo aos tristes, edificação aos destruídos, alimento aos famintos, paz aos atribulados, carinho aos doentes, Jesus aos perdidos? Tem chorado com os que choram? Tem doado tempo para quem está mal? Afinal, que marcas de amor está imprimindo na vida do próximo?

Legado4Todo mundo tem talentos e dons que podem ser usados para edificar e levar amor a outros seres humanos. No meu caso, o Senhor concedeu a habilidade de escrever o que se passa em meu coração. Por isso mantenho este blog, publiquei livros, sigo escrevendo outros que ainda serão lançados. Talvez seja o meio principal pelo qual procuro deixar legado: edificação por meio do que escrevo, para abençoar a sua vida. Você não tem, necessariamente, o mesmo dom que eu, a Igreja de Cristo é muito plural em suas capacidades. Por isso, precisa buscar descobrir junto ao Senhor qual é a sua capacitação. E, quando descobrir, importa pôr em prática. Se é bom de pregar, pregue. Se tem facilidade de evangelizar, evangelize. Se é talentoso na música, abençoe pela arte. Se é aconselhando que exercerá a bênção sobre as pessoas, empreste os ouvidos e lábios para o próximo. Se é amparando, chore com os que choram. Algum talento você tem, que precisa usar com a finalidade de deixar um legado para a eternidade. Deus não faria você vazio. Cada um tem seu dom, que serve para amar o próximo e amar a Deus.

O Wilker se foi. Eu partirei um dia. Você também. Que legado deixará? Que marcas ficarão, pelas suas mãos, nas gerações que virão e que, naturalmente, terão reflexos na eternidade?

A hora é esta. Há almas precisando de você. Há lágrimas a ser enxugadas. Há feridas a ser tratadas. E Deus conta com a sua disponibilidade para deixar um legado de bênçãos e amor. É só entrar em ação. O que está esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Doente1Imagine que você recebe o diagnóstico de um problema de saúde que te levará à morte em cerca de dois a três anos. Você se trata por alguns meses, faz tudo o que os médicos mandam, toma remédios, esgota todas as possibilidades de tratamento, mas, ao final, descobre que não adiantou nada. O quadro só piorou. O mal é inoperável. Transplante não resolveria. Nada a fazer. É apenas uma questão de se conformar e usufruir do tempo que tem. O que você faria?

Sei que essa não é uma pergunta muito original, muitas vezes já ouvi algo do tipo: “Se o mundo fosse acabar amanhã o que você faria hoje?”. Mas isso sempre esteve muito no campo da irrealidade, da urgência e até da brincadeira. Só que… pense numa possibilidade real. Concreta. Um fim não tão imediato mas em curto prazo, três anos no máximo. Isso daria tempo para atitudes mais pensadas, ações consequentes, e não aquela coisa de “ah, eu torraria todo meu dinheiro numa noite só”. Estou propondo uma pergunta consciente e realista: você recebeu o diagnóstico de uma disfunção letal, as alternativas extremas que a medicina oferecem são arriscadas demais e, um dia, os médicos, constrangidos, te informam que você tem cerca de três anos de vida. Com muita sorte, quatro. E aí?

No início você ficará deprimido, é normal – os especialistas explicam que o luto dura em torno de um ano e meio a dois anos. Mas sugiro um esforço para que isso se abrevie, afinal, você não vai querer passar todo o tempo que lhe resta em depressão. Um bom remédio prescrito por um psiquiatra vai te ajudar, junto com terapia e aconselhamento pastoral. Desabafar com pessoas de confiança também ajuda – mas só aquelas que tiverem estrutura emocional para saber da situacão, caso contrário, contar será pior do que manter sigilo (pois, em vez de apoio, você só terá ao seu lado ataques de choro e olhares de pena). Agora, passados os efeitos do choque inicial, é hora de se levantar e decidir o que fazer.

No imaginário popular, descobrir que a morte tem data marcada para chegar está associado a um descontrole total. As respostas que você ouve por aí são as mais desvairadas. Mas um cristão tem de pensar diferente. Venho refletindo sobre isso e cheguei a uma teoria sobre o que é importante fazer nesse tempo que lhe resta. Na verdade, penso em duas coisas.

Doente2Primeira: faça o que é certo. Se houve pessoas que você prejudicou, aja da forma que for necessária para consertar as coisas. Promova a união. Ponha sua vida em ordem. Ajude a pôr a vida dos que te são caros em ordem. Peça perdão a quem feriu. Perdoe quem te fez mal. Abandone pecados recorrentes. Ajude o próximo. Devote-se ao outro. Tente edificar o máximo de vidas que puder. Dê todo carinho e amor do mundo aos seus filhos, para que, mesmo após a sua partida, você deixe marcas positivas neles. Aconselhe amigos com problemas. Em outras palavras: viva como um bom cristão, para que, de algum modo, ajude aqueles que ainda permanecerão por mais tempo do que você nesta terra. Algumas dessas atitudes poderão exigir sacrifícios, mas, convenhamos, você terá em breve muito tempo para se recuperar do sofrimento e dos desafios que fazer o que é certo vai promover.

Segunda: deixe um legado. Deus não te pôs no mundo só para que você coma, durma, ganhe dinheiro, assista a futebol, vá ao cinema, perca tempo em redes sociais, jogue videogame e fim. Nada disso. Sua curta passagem pela terra precisa ter um significado maior. Algo que ecoeDoente3 pelos anos a seguir. Que edifique vidas. Se você quer escrever um ou mais livros que permanecerão abençoando pessoas após sua partida, corra e escreva (e nada de dizer que não tem tempo, você pode dormir mais tarde ou acordar mais cedo, por exemplo). Se você deseja plantar um belo jardim, que trará paz e beleza às pessoas, mãos à obra. Se quer compor canções ou poesias, não adie: o mundo precisa de arte. Se seu sonho é abrir uma igreja, abra, Deus dará um jeito de pôr boas pessoas ali para cuidar do rebanho. Se tem vontade de lecionar, ensine, passe adiante tudo o que aprendeu ao longo da vida. Você pode até mesmo criar um blog e deixar textos para a posteridade, que ainda daqui a muitos anos poderão abençoar uma ou outra pessoa – e não escreva futilidades, mas só o que promove a edificação. Deixe uma herança que, de algum modo, vai registrar sua passagem pela terra – sempre com foco no próximo. Em curtas palavras: plante uma semente.

É claro que você não conseguirá acertar tudo. Sua humanidade não desaparecerá só porque você descobriu que porta uma síndrome letal. Ainda vai errar, tropeçar, pecar. Mas isso pode ser usado para te ensinar muito mais sobre o amor de Deus ainda nesta vida. Não seria esse, aliás, um dos poucos benefícios dos pecados que cometemos? Aprender mais sobre a compaixão divina? Desfrutar mais do caráter de Deus? Conhecer a graça face a face?

Doente4Fazer o que é certo e deixar um legado. Pelas minhas reflexões, essa é a melhor forma de desfrutar de seus últimos anos de vida. Eu peço a Deus que você não passe por isso, que viva ainda anos longos, produtivos e felizes. Mas não custa nada começar a viver hoje como se descobrisse que seu coração vai parar de funcionar em dois a três anos. Pois, com isso, você terá uma vida extremamente significativa. Imagine que maravilha seria se pudesse perpetuar o que se propôs a realizar nesse curto período por duas, três, quatro décadas? Com certeza sua passagem pela terra seria memorável. Nem todos terão a oportunidade de viver tanto, alguns o Senhor decide chamar precocemente para junto de si. Mas, se você for agraciado com longevidade, desfrute de modo abnegado, devotado e piedoso dos anos que Deus te dá. Abra mão de si pelo próximo. Faça o melhor por quem ama. Dedique-se ao bem-estar das outras pessoas. E plante um legado. As futuras gerações agradecem, pois você terá feito parte da construção de um mundo melhor. E, acredito eu, você será recebido no céu com um lindo sorriso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício