Posts com Tag ‘Em tudo dai graças’

reclama1Você já observou como nós somos reclamões? Às vezes me impressiono com o tamanho da ingratidão que temos pelas coisas que Deus nós dá. Criticamos o povo israelita por ter murmurado no deserto após a libertação do Egito mas fazemos a exata mesma coisa. Pare para prestar atenção às coisas que os seus conhecidos falam ou que seus “amigos” publicam nas redes sociais e você perceberá a enorme quantidade de pessoas insatisfeitas com aquilo que têm e são. Chama especial atenção quando a ingratidão e as reclamações ocorrem em relação a algo que recebemos depois de muito pedir em oração.

Uma das áreas em que esse fenômeno mais acontece é a profissional. Todo universitário sonha com o dia em que entrará no mercado de trabalho; todo estagiário anseia por ser efetivado; todo desempregado fica ansioso por conseguir um emprego. Se for cristão, então, ele ora, jejua, chora aos pés do Senhor e faz todo tipo de barganha e promessa a Deus. Tem gente que chega a fazer campanha, subir monte, se engajar em correntes de oração e tudo o que se possa imaginar. Aí vem Deus e abre a tão sonhada “porta de emprego”. Seria de se esperar que a pessoa agradecesse diariamente por esse trabalho e exaltasse constantemente o Criador por sua generosidade. Só que basta o irmão começar a trabalhar que têm início as murmurações, pelos mais variados motivos: precisa acordar muito cedo para chegar ao trabalho, gasta muito tempo no trânsito, chega ao final do dia cansado, reclama diariamente do chefe, faz careta quando recebe o contracheque porque ganha menos do que gostaria, louva a sexta-feira porque terminou mais uma “terrível semana de trabalho”. Pediu a Deus o emprego e, quando recebe, tudo é só reclamação. Quem entende tamanha ingratidão?

reclama2Outra área em que isso acontece muito é o casamento. A moça sonha com seu “príncipe”. O rapaz clama pela sua “bênção”. Haja oração para que Deus envie logo a sua “metade”. Aí vem Deus e possibilita que você suba ao altar. Nos primeiros dois ou três anos é sempre uma maravilha, o conto de fadas que se realizou. Só que daqui a pouco começam as murmurações. É o marido que vê futebol demais. É a esposa que não gosta de cozinhar para o marido. Ele fica andando pela casa de meias e cueca. Ela deixa a calcinha pendurada no chuveiro. As reclamações crescem cada vez mais. As orações deixam de ser por agradecimento a Deus por, finalmente, lhe ter dado um cônjuge, e passam a ser para que ele transforme o marido ou para que ele faça a esposa tomar jeito. Reclamações se tornam a tônica. Pediu-se tanto um cônjuge e depois parece que ele é um presente de grego. Quem entende tamanha ingratidão?

Tem gente que sonha em ter filhos. Ora e jejua pedindo ao Senhor que lhe dê uma criança saudável e cria toda uma expectativa para a chegada do pimpolho. Aí vem Deus e concede ao casal a maravilhosa bênção da paternidade. Na primeira noite insone por causa do bebê surge o mau humor. Nos choros, a reclamação. A criança cresce e já vi pais que, inacreditavelmente, murmuram porque têm, por exemplo, de abrir mão de ver programas de televisão para brincar com o filho. Em vez de ser sempre celebrados como bênçãos do Senhor, muitos filhos levam os pais a reclamações constantes simplesmente porque os pequenos ainda estão aprendendo a ser gente e fazem traquinagens. Na hora da teimosia deles, muitos pais não encontram o prazer de ensinar o procedimento certo, mas sim vivem a tristeza de “aturar o pestinha”. Aqueles que foram tão ansiados acabam sendo vistos como fardos por quem deveria agradecer todos os dias a Deus, em lágrimas, por ter sido agraciado com o presente de valor incalculável que é uma criança. Quem entende tamanha ingratidão?

murmuraçãoO pecador estava perdido, sem Deus, sem salvação. Vive no atoleiro do pecado, caindo de transgressão em transgressão, caminhando a passos largos para o inferno. Aí vem Deus, estende a ele a sua graça, o adota como filho, o perdoa de seus erros, justifica, regenera e lhe abre as portas da vida eterna. Do inferno para o céu, motivo mais que suficiente para exaltar e glorificar o Senhor por todos os segundos de sua vida. Só que daqui a pouco o salvo começa a reclamar da vida de fé. A igreja de repente tem montes de defeitos. O pastor poderia pregar melhor. Os irmãos não são tão perfeitos como se pensava no início. O culto não é tão animado como a daquela outra igreja. Deus não atende a oração. A bênção não chega. Quero a minha cura e pra ontem! É um resmungo só. De repente a vida com Deus e na comunidade de fé se torna motivo não de alegria, mas de reclamação. Quem entende tamanha ingratidão?

Você não existia. O mundo estava muito bem, obrigado, sem você. Na verdade, você não fazia nenhuma falta. Aí vem Deus e resolve te dar de presente a vida. Te gera no ventre materno, te nutre, sustenta, forma, prepara, ama. Só que você cresce e descobre que a vida é dura, que há dores e sofrimentos, que as pessoas são más e há muita infelicidade no planeta, que viver inclui canseira e enfado. Por isso, se torna alguém que reclama da vida o tempo todo, para quem parece que nada nunca está bom. Suas palavras, em vez de celebrar a vida que Deus te concedeu como um presente de sua graça, se tornam um lamaçal de constantes murmurações. Você age como a hiena Hardy Har Har, do desenho animado, resmungando o tempo todo “ó, céus, ó, vida, ó azar…”. Parece que tudo sempre está ruim. Quem ouve suas palavras tem a sensação de que nada presta e que viver é um fardo desesperador. O Senhor te presenteou com a vida e você vive reclamando desse extraordinário presente. Quem entende tamanha ingratidão?

Reclama6Deus é bom, meu irmão, minha irmã. Logo, as coisas que ele nos dá são boas – muito embora não sejam perfeitas. É claro que há casos extremos, que devem ser tratados individualmente e que nos abatem, mas devemos ser gratos ao Senhor diariamente por cada uma de suas bênçãos – o emprego, o casamento, os filhos, o cônjuge, a igreja, a vida, tudo! Entenda: absolutamente tudo o que vem de Deus é bom, até mesmo o que nos parece mau. Pois, se dói mas vem de Deus, é bom, mesmo que não entendamos. É impossível o Pai te dar algo que seja ruim em suas finalidades últimas. Isso é absolutamente incompatível com a fé cristã. Se Deus deu, agradeça! Não reclame, não seja ingrato, não fique insatisfeito. Ele te dá o melhor e na medida certa. Agradeça. Em tudo dê graças. E se você desconfia de que, de repente, “não foi Deus quem deu”, procure desenvolver um relacionamento próximo e íntimo com o Senhor, pois dessa intimidade virão as respostas. “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão” (Jo 10.27-28).

Quando vier a vontade de reclamar, procure fazer esta dinâmica: lembre-se das suas orações. Lembre-se daquilo que você pediu e o Pai lhe deu. Traga à memória tudo o que orou ao Senhor e recebeu. Se perceber que hoje você vive resmungando e reclamando de presentes da graça divina, está mais do que na hora de substituir a murmuração por louvor e ação de graças.

Antes de murmurar porque há uma goteira em sua casa, lembre-se de que Deus te deu uma casa. Antes de reclamar porque seu cônjuge está doente, lembre-se de que ele está vivo. Antes de reclamar que seu voo atrasou horas, lembre-se de que você poderia ter de viajar centenas de quilômetros de carro. Antes de reclamar que seu carro quebrou, lembre-se de que você poderia ter de andar sempre a pé. E antes de reclamar que você tem de andar sempre a pé, lembre-se de que você tem pés que andam. Celebre a vida. Celebre cada pequena coisa que Deus te deu, pois, se foi Deus quem deu, não é pequena. Seja grato, sempre.

cruz“Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Em outras palavras, aprenda a viver contente em todo tipo de circunstância. Pare de olhar sempre o buraco que há no centro da rosquinha, antes olhe a rosquinha que há em volta do buraco. Você tem Deus e ele te fortalece; e, tendo ele, você pode encarar o que é bom e o que é ruim – e superar ou suportar as contrariedades da vida.

As fases más vêm e há, sim, momento para chorar e se lamentar. Isso é humano e normal – e bíblico. O problema é quando o lamento se torna um estilo de vida. Viva, simplesmente, e seja grato por tudo o que tem. Santa insatisfação, santa murmuração, santa ingratidão? Não, nada disso. Porque murmuração, insatisfação e ingratidão… de santas não têm nada.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Gracas1Um dos trechos mais interessantes da Bíblia, em minha opinião, é 1 Tessalonicenses 5.18: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. Como assim, “em tudo, dai graças”? Temos de ser gratos a Deus pela dor, a tristeza, o sofrimento, a solidão, a depressão, o desamor, o abandono, a tragédia, as heresias, a falsidade, a acusação, a traição… em tudo o que ocorre de pior em nossa vida? Sejamos francos: nós não sentimos vontade nenhuma de agradecer a Deus nessas horas, queremos mais é brigar com Ele, alardear o quanto somos fiéis e não merecemos aquilo, ficar de mal com o Senhor, questionar sua bondade, sua justiça e seu amor. Soube recentemente de uma mulher, evangélica, que perdeu o irmão de 28 anos de câncer e, ao receber a notícia de sua morte, soltou um grito no hospital:

– Deus F.D.P.!

Chocou? A mim também. Como pode isso? Essa blasfêmia, esse ato impensável? Mas a verdade é que muitos não têm coragem de dizer isso quando vem a desgraça… mas que pensam, ah, isso pensam. Estou errado? Porque a verdade é que nós não conseguimos conceber Deus deixar coisas ruins acontecerem em nossa vida. Com um ímpio vá lá, mas comigo?! Eu que sou tão obediente?! Vamos pensar um pouco sobre esse versículo. Mais ainda: vamos pensar um pouco sobre gratidão.

Graca2A chave do “em tudo dai graças”, para mim, vem alguns versículos antes: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para recebermos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5.9). O que isso significa? Façamos uma parábola: imagine que você está em um navio que naufraga. Você está ali, em alto-mar, nadando com suas últimas forças para sobreviver. Sente câibras, percebe que não há salvação para você: seu destino certo é a perdição, é afundar na escuridão do abismo submerso, ser devorado pelos peixes. De repente, desponta no horizonte uma luz. É um navio! O capitão da embarcação o viu de longe, desviou seu curso e, cheio de compaixão, partiu em sua direção. Quando você já está meio metro abaixo da superfície, ele lhe lança uma bóia. Você está salvo! Foi resgatado! Assim, você sobe a bordo, exausto, desgrenhado e rasgado – e recebe, sem que esperasse, o direito à vida.

Eu lhe perguntaria: qual seria diante dessa circunstância o seu sentimento pelo resto da vida para com aquele capitão? Provavelmente você diria algo como “eu seria eternamente grato a ele”. E diria com razão, porque o que ele fez foi algo que merece que você lhe seja agradecido pelo resto de seus dias. Ao chegar a bordo, exausto e encharcado, num primeiro momento, instintivamente, você pula no pescoço dele, o abraça com todas as poucas forças que ainda tem e repete em voz fraca: “Obrigado… obrigado… obrigado… obrigado…”. Não quer soltar a mão do bondoso capitão. Aquele homem renovou a esperança de vida para alguém que tinha a certeza da morte! Você o ama! Promete devotar o resto de seus dias a sentir gratidão por ele.

Gracas3Só que aí o navio prossegue na viagem. Vocês estão a meses do porto mais próximo, então você se recupera e acaba se integrando à rotina do navio. O capitão chega e lhe dá uma atribuição: você terá de descascar pilhas de batatas por dia para alimentar a tripulação. Em princípio parece chato, mas, afinal, o homem te salvou, é o mínimo que pode fazer. Só que as semanas passam e aquilo fica cansativo. Seus dedos doem. É entendiante. E você começa a reclamar. E não é só isso: ele deu um canto cheio de graxa para você dormir no porão da embarcação. Cheira mal, é barulhento, tem ratos, o colchão é duro. Logo, logo você se pega reclamando. Foi para aquilo que ele te resgatou? Para você ter de encarar toda aquela situação deprimente? Poxa, e você estava se esforçando tanto, era-lhe tão fiel, descascava tantas batatas por dia! Era uma injustiça! Você não merecia passar por aquilo!

Você começa a desconfiar que o capitão te salvou apenas para ter mão-de-obra barata. Se junta aos tripulantes que falam mal dele. Murmura pelas costas. O acusa de injusto, de não ter amor por você por permitir que passe por aquela situação humilhante e dolorosa. Aquele capitão é um crápula. Chega a pensar em abandonar o barco na primeira oportunidade que tiver. Vida desgraçada, capitão maldito!

Graca5O que você não sabe é que o capitão tem bons informantes e sabe tudo o que você diz. Um dia ele se aproxima de você. Cheio de amor, fala: “Eu não o destinei para a ira, mas para receber a salvação por meio deste navio”. E então, diante daquelas palavras, parece que tudo faz sentido. Você percebe que a pilha de problemas – o desconforto, o trabalho, o enfado, a chateação, o sofrimento – era algo muito pequeno perto do que o capitão fez por você. Ele não precisava, não tinha obrigação nenhuma, mas lhe estendeu a mão e o recolheu da morte certa. E simplesmente porque ele quis. Não porque você merecesse. Tudo o que você estava fazendo era se debater na água. Ia afundar, era absolutamente certo. Mas ele veio. Parou. Te resgatou. Te abrigou. Te deu alimento. Te deu um lugar para repousar. Ali você teria aflições? Naturalmente! O navio era bem desconfortável. Mas aquele homem te deu vida, não seria motivo suficiente para ter bom ânimo?

Mais do que isso: não seria motivo mais do que suficiente para… em tudo dar graças?

Deus nos deu a salvação. É motivo suficiente para em tudo darmos graças. Para em todos os piores momentos da vida, quando nos sentimos os mártires do universo… agradecermos. “Obrigado, Senhor, porque estou passando pelo vale da sombra da morte. Mas, se tu não tivesses me resgatado, eu estaria morto. Afogado em meus pecados. Afundando rumo ao inferno”. Depois disso, tendo clareza dessa realidade, só nos resta dizer, em meio aos piores dos piores momentos da vida: “Deus… obrigado… obrigado… obrigado…”.

Gratidão. Que nunca nos esqueçamos disso. Deus nos deu a vida eterna. Gratidão é o mínimo que podemos dar em troca.

Graca6Hoje, 14 de maio de 2013, o blog APENAS completa dois anos de vida. Quis que o tema de hoje fosse especificamente gratidão em ação de graças a Deus por esses dois anos em que ele tem me dado forças e ideias para continuar escrevendo aqui e, quem sabe, ajudando uma vida, edificando outra, somando de algum modo. Nesses dois anos, descasquei muita batata, reclamei muito, fiz muitas besteiras e realizei algumas coisas boas. Com certeza aprendi muito. Tive o privilégio de ter as 245 singelas reflexões que já postei neste blog lidas em cerca de 710.000 ocasiões. Foram mais de 15.000 comentários deixados aqui ao longo desse período, por irmãos que aguentam minha demora em aprová-los e respondê-los, devido à constante falta de tempo (me perdoem por não conseguir moderar todos com rapidez, eu tento… mas nem sempre consigo). Ganhei até aqui quase 1.700 companheiros fiéis de caminhada, que tiveram a coragem de assinar este blog e têm a paciência de receber por e-mail uma, duas vezes por semana aquilo que aqui escrevo.

Sou grato a Deus por me permitir, como bem disse um dos irmãos que escreveram nos comentários, “ser um cano enferrujado por meio do qual corre a água da vida”. Sou grato a você por ter a paciência de ler minhas reflexões, em posts mais longos do que habitualmente são os textos de blogs – e que são fruto da minha incapacidade de sintetizar pensamentos complexos. Muito obrigado pelo seu carinho nessa caminhada internética e por vir me visitar de vez em quando aqui no meu pequeno mosteiro virtual. Sinto-me profundamente honrado.

Gratidão. Por hoje é o que basta.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício