Posts com Tag ‘egoísta’

IMG_6313Havia muito tempo que eu não andava de metrô no Rio de Janeiro. Há alguns dias, porém, tive de pegar o metrô por conta de um compromisso e vivi uma experiência que me deixou bastante triste. O trem estava cheio e não havia lugar para sentar. Por isso, eu, minha esposa e minha filha de 4 anos ficamos em pé. Olhei ao redor e percebi algo que captou minha atenção: à  direita, havia uma senhora de idade, em pé. À esquerda, estava um rapaz com um dos braços engessado, em pé e segurando uma mochila. E lá estávamos eu e minha esposa, acompanhados de uma criança pequena, também em pé. Quando olhei para as pessoas que estavam sentadas próximo a nós, reparei que todos eram homens e mulheres jovens, fortes e saudáveis, que, simplesmente, não se mexeram. Onde estavam, permaneceram. Não deram a mínima.

IMG_6320Vou repetir: uma idosa, um homem de braço quebrado (foto) e um casal com uma criança pequena, todos em um espaço de menos de quatro metros quadrados. E absolutamente ninguém moveu uma palha sequer para ceder o lugar a quem quer que fosse. Isso me deixou extremamente pensativo sobre como o ser humano está tão desumano, egoísta e destituído de amor pelo próximo.

Quando eu era criança, minha mãe me ensinou a sempre, em qualquer circunstância, ceder o lugar para os mais velhos, mulheres e outras pessoas em necessidade. Durante todos os meus anos de escola, estudei em um colégio que ficava a cerca de uma hora de distância da minha casa, de ônibus. E,  durante o sete anos em que estudei lá, sempre fui obrigado a ir e voltar de ônibus e sempre cedi meu lugar, por mais cansado ou dolorido que estivesse. Não porque eu fosse uma pessoa magnânima ou acima da média, mas simplesmente porque aprendi com meus pais que isso era o certo. Por isso, confesso que até hoje me choca quando vejo jovens saudáveis e fortes permanecerem impassíveis ao ver pessoas de mais idade ou com crianças pequenas em pé. Porque, para mim, isso demonstra uma monstruosa falta de amor pelo próximo. É egoísmo e egocentrismo.

A Bíblia diz que nos últimos tempos o amor de muitos esfriaria. Se “o amor esfriar” não é ignorar as pequenas necessidades do próximo, não sei o que é. Infelizmente, é muito difícil mudarmos as outras pessoas. Mas o que podemos fazer é mudar a nós mesmos. Por isso proponho a você uma reflexão sobre suas atitudes. Será que você tem amado de fato o próximo?

Amor-bajo-el-espino-Blanco9Entenda que o amor ao próximo não se demonstra apenas em gestos grandiosos. Não é sendo missionário na África, tornando-se a Madre Teresa de Calcutá ou doando milhões de reais para a caridade que você será alguém que ama o próximo. Até porque, convenhamos, essas são ações que não estão ao alcance da esmagadora maioria das pessoas. Mas você tem a possibilidade de exercer o amor ao próximo diariamente, em pequenos gestos.

Ceder o lugar no ônibus, abrir a porta para senhoras passarem, puxar a cadeira no restaurante, ceder a vez no trânsito, permitir que gente idosa passe à sua frente na fila, deixar que o último pão da padaria seja comprado por outra pessoa, abrir mão do seu tempo para ouvir quem está triste, fazer elogios, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede… Atitudes como essas custam muito barato ou nada e, acredite, não doem.

gestos-de-amorVocê pode achar que pequenos gestos como esses não fazem a diferença. Mas lembre-se de que é do acúmulo de uma grande quantidade de tijolos bem pequenos que você constrói um enorme edifício de dezenas de andares. Pequenos gestos de amor fazem toda a diferença. Jesus morreu pela humanidade, e isso foi um gesto grandioso. Mas ele também providenciou comida para pessoas que estavam com fome. Ele chorou em solidariedade à tristeza daqueles que estavam abatidos com a morte de Lázaro. Ele criou as galáxias mas também as pequenas sementes, o que demonstra que dá atenção ao macro e também ao micro. Perceba: Deus se preocupa com amor e não apenas com grandes gestos de amor. Se for amor, pode ter a dimensão que tiver, será apreciado pelo Senhor e fará toda a diferença para o próximo.

imagesVocê pode se justificar dizendo que “hoje em dia, todo mundo faz assim”. Que “ninguém mais cede o lugar no metrô”. Que homens com um braço quebrado “podem se segurar com um braço só”. Que crianças de 4 anos “são cheias de saúde e não têm necessidade de se sentar”. Pode ser que você pense que a pequena gentileza não importa mais,  porque, afinal, ninguém mais dá bola para isso. Que pequenos atos de solidariedade são coisa do passado. Que o feminismo aboliu o direito das mulheres de se sentarem no ônibus. Sinceramente, não creio que Deus gosta muito do feminismo. Tampouco acredito que Deus gosta de quem faz tudo como todos os outros fazem. Todos os samaritanos deixariam o judeu roubado espancado caído à beira do caminho, mas Jesus disse que quem amava o próximo era justamente aquele que fez o que todos os outros não fariam. Que exemplo! E lembre-se que Deus vive fora do tempo, por isso, o conceito de que “isso era gentileza mas não é mais” simplesmente não existe para o Senhor.

Amor é amor. O que revela o amor, seja “grande” ou “pequeno”, é um coração que abre mão de si pelo próximo.

Peço a Deus, meu irmão, minha irmã, que você faça a diferença. Que entenda que vivemos dias de muito desamor e que o amor é um item extremamente necessário e cada vez mais raro em nosso meio. Nem que sejam pequenas gotas de amor. Porque uma gota de amor após a outra, após a outra, após a outra… acaba gerando uma inundação de amor. Faça a sua parte. Ame. Por favor, ame. Pelo amor de Deus, ame. Abra mão de si em benefício do próximo, assim como Jesus abriu mão de si em nosso benefício. Pode ser que você fique com as pernas doendo com mais frequência ao ceder o lugar para pessoas que precisam mais do que você. Mas acredito que, ao chegar diante do Pai celestial, o teu pequeno sacrifício será reconhecido como um grandioso gesto de amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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egoistaFui almoçar com meus pais no Leblon, bairro de classe alta do Rio de Janeiro. Meu pai estava com muita vontade de conhecer um restaurante a que nunca tínhamos ido antes, daqueles bem caros, frequentado por famosos e gente de alta classe. Para você ter uma ideia, quem estava na mesa ao lado da nossa era Bernardinho, o técnico da seleção de vôlei, com a esposa e a filha. Cada prato custava uma fortuna. Tirando a mim, todos no restaurante eram da elite carioca. De repente, aconteceu algo que me fez pensar: aproveitando a distração dos garçons, um homem sem os dois braços se aproximou das mesas, na tentativa de ganhar uns trocados. Você não leu errado: ele não tinha os dois braços, apenas pequenas extensões abaixo dos ombros. A primeira pessoa a quem pediu dinheiro foi um homem muito bonito, extremamente bem arrumado, com relógio e adereços visivelmente caros, que estava sentado à mesa numa espécie de varanda junto à rua.

– Pode me ajudar?

Automaticamente, o incomodado cliente do restaurante deu uma resposta rabugenta, sem nem olhar direito para o pedinte:

– Não tenho dinheiro não, parceiro.

Confesso que essa resposta me deixou confuso com meus próprios sentimentos. Por um lado, sei de todas as recomendações para não dar esmolas, uma vez que muitos pedintes são “vagabundos profissionais”, que preferem ficar mendigando a buscar um trabalho. Mas, por outro… convenhamos, vai, o homem não tinha os dois braços! Em milissegundos, passou pela minha cabeça quantas oportunidades profissionais bem remuneradas aquele homem poderia ter. Ficou claro para mim que, no mínimo, a vida daquele ser humano era bem difícil e que viver da caridade alheia era uma de suas pouquíssimas possibilidades de renda.

egoista 1Algo naquela cena me incomodou bastante: a mentira deslavada do cidadão que negou ajuda. Era evidente que ele tinha dinheiro. Muito dinheiro. Pelo que comeu e bebeu, estimo que deve ter gasto no mínimo uns duzentos reais naquele almoço. Só os óculos de sol que usava deviam valer muitos almoços para o homem sem os dois braços. Dizer que não tinha dinheiro foi o passa-fora mais mentiroso que poderia ter dado. Seria mais honesto dizer algo como “não quero te dar dinheiro não, parceiro”.

Enquanto eu me revoltava contra o grã-fino mentiroso, adivinhe só: o pedinte virou-se justamente para mim:

– Pode me ajudar?

Depois de ter ficado chocado com a atitude do ricaço mentiroso, é óbvio que eu não só podia ajudar, como ajudaria com toda certeza! Afinal, não sou eu o cara que chora quando passam na televisão aqueles comerciais do ActionAid, do Médicos sem Fronteiras, da Fundação Abrinq e da AACD? Ajudar o próximo é comigo mesmo! Jamais recusaria auxílio a um necessitado! Sou um cristão, ora bolas! Como poderia me recusar a dar de comer a quem tem fome?!?!

Bem…

Tenho de confessar. Por um instante, eu hesitei. E quase soltei um “Não tenho dinheiro não, parceiro”. Foi fácil para mim fazer cara feia para o rico mentiroso, mas, por pouco, não me tornei um “classe média mentiroso”. Pois o meu impulso automático foi dizer exatamente a mesma coisa. Percebi que minha natureza humana, falha e egoísta, junto com meu senso de desconfiança aguçado, retiveram minha mão e fecharam meu coração. A vontade que eu tinha naquele momento de dar dinheiro para o homem era nenhuma. Afinal, era o meu dinheiro.

egoista 2Foi quando me dei conta de como somos condicionados a ser egoístas e só nos preocuparmos conosco. Ficou claro que eu fui adestrado a desconfiar de tudo e de todos e a achar que todos são espertalhões. Entenda que tudo o que estou descrevendo se passou num espaço de tempo mínimo, de ínfimos segundos. E minha reação imediata foi não ajudar o próximo. Não ajudar um homem sem os dois braços! Eu, o cara que na véspera tinha pago oito reais em um suco e quatorze reais em uma tapioca de Nutella, estava inclinado a não dar nem umas moedas a uma pessoa sem os membros superiores.

Foi preciso parar. Dominar meus instintos egoístas e desumanos. Respirar. Recordar do que o anjo disse a Cornélio em Atos 10.31. Tentar me vestir da natureza de Cristo. E, só então, minha mão desceu até a carteira e sacou alguma coisa. Sorridente, o homem virou as costas e pediu que enfiasse o dinheiro no bolso traseiro de suas calças. E prosseguiu em seu caminho.

egoista 3Fiquei pensando sobre aquilo. De fato, a humanidade é má. Precisamos de Cristo para superar nossos instintos e impulsos mais egoístas e  desumanos. Criticamos os “pecadores” e incorremos no mesmo pecado que eles. Conhecemos a piedade mas, frequentemente, nos esquecemos de pô-la em prática. É como se houvesse duas pessoas habitando nosso coração: Adão e Cristo. Só que “assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22). Adão não pode prevalecer.

A luta é diária. Mas não podemos desistir. Se baixarmos a guarda, seremos derrotados pelo egoísta que habita em nós. Não permita que ele vença: supere a si mesmo e deixe que Jesus use seu braço, seu tempo, seus bens e seu coração para dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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