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Estou escrevendo este texto dentro de um avião, indo do Rio para Cuiabá, de onde seguirei para Primavera do Leste (MT), a fim de pregar em uma igreja. No mesmo voo está um grupo de cerca de 50 estudantes, adolescentes e crianças de uma escola de elite do Rio de Janeiro, de origem britânica, em excursão a caminho do Pantanal. Para estudar nessa escola, é preciso pagar uma mensalidade caríssima, isto é, só frequenta o colégio em questão quem tem muito dinheiro. Dizem que as pessoas de classe alta deveriam ser bem educadas. No entanto, estou impressionado com a falta de educação desses meninos e meninas, de quem, em teoria, deveria se esperar um comportamento educado, cortês, gentil e respeitoso. As atitudes deles no tato com o próximo me fizeram pensar sobre gentileza e boa educação e sua relação com nossa fé.

Os meninos e as meninas se levantam das poltronas quando os comissários de bordo mandam ficar sentados. Falam aos berros uns com os outros. Vários tiveram de ser removidos dos assentos por terem sentado nos lugares de outros passageiros. Uma adolescente sentada ao meu lado passou o braço na frente de meu rosto para levantar e abaixar a janela diversas vezes, sem pedir licença e, nem ao menos, olhar para mim. O adolescente boca-suja atrás de mim não para de chutar a poltrona onde estou e de empurrá-la, apesar de eu educadamente já ter pedido duas vezes que não faça isso, pois está machucando minha coluna. Entre outras coisas. Em resumo, são um grupo de jovens cujo comportamento é o que de mais deselegante, descortês e agressivo poderia haver.

Sei que esses não são jovens cristãos e, por essa razão, não posso esperar deles um comportamento baseado nos princípios do evangelho. Estão espiritualmente mortos em seus delitos e pecados e são escravos do pecado. Por essa razão, em determinado momento do voo fiquei tão irritado com seu comportamento deselegante que tive de fechar os olhos, suspirar e orar ao Senhor, pedindo que os perdoasse – afinal, em termos espirituais, eles realmente não sabem o que fazem.

Claro que educação e respeito com as outras pessoas são atitudes que independem da fé de alguém, uma vez que têm a ver com normas de relacionamento em sociedade e não necessariamente com religiosidade. Mas o entendimento de que esses rapazes e moças não são indivíduos com princípios e valores cristãos me leva a compreender que sua pecaminosidade tem o poder de suplantar sua boa educação em termos de convivência.

Porém, algo me ocorreu: e se eles fossem cristãos?

Seria de se esperar de um cristão, convertido ao Senhor Jesus, um tipo de comportamento diferenciado em termos de boa educação, gentileza na fala e tratamento com as outras pessoas? A resposta, do ponto de vista bíblico, é um inequívoco sim. O Sermão do Monte está recheado de orientações a esse respeito, do início ao fim. Deixe-me pegar apenas alguns exemplos.

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Jesus diz que devemos ser pacificadores, isto é, agir para gerar paz e não contendas (Mt 5.9). E é difícil pensar que um pacificador seja um mal-educado que chateia o próximo sem dor de consciência.

Também diz que somos o sal da terra e a luz do mundo, o que remete ao fato de que precisamos nos diferenciar do mundo, dando-lhe o exemplo das boas virtudes (Mt 5.13-16). Se o mundo é egoísta e desrespeitoso, obrigatoriamente devemos agir de modo polido e gentil com o próximo, como meio de brilhar a luz da boa educação em meio às trevas do comportamento egoísta, que trata mal o próximo.

Em seguida, o Senhor ordena: “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16). Essas palavras não deixam dúvidas de que nossas ações devem se destacar por sua luminosidade e, com isso, proporcionar glória a Deus.

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Cristo diz, ainda, que “a árvore boa produz frutos bons, e a árvore ruim produz frutos ruins” (Mt 7.17), ou seja, devemos produzir bons frutos, boas atitudes. Na sua opinião, um comportamento descortês e ofensivo é um bom ou um mau fruto?

Por fim, gostaria de destacar um trecho muito significativo da fala de Jesus no monte: “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12). De forma muito objetiva, eu lhe pergunto: você deseja que o tratem sem educação? Que sejam grosseiros e rudes com você? Que o desprezem? Que sejam debochados ao conversar com você? Que gente que não concorda com suas crenças e práticas se refira a você com termos depreciativos, desqualificadores, inferiorizantes? Sim ou não? Ouso dizer que você respondeu não. Se estou certo e você não deseja que lhe façam isso, segundo o mandamento divino você não deveria agir assim com as outras pessoas. A pergunta é: será que você vive essa realidade na sua vida? Detalhe: Jesus afirmou que essa é a essência das Escrituras (a lei e os profetas se referem aos livros do Antigo Testamento), logo, é algo fundamental, importantíssimo, basilar, central.

Meu irmão, minha irmã, ser cristão não significa só não fumar, não fazer sexo fora do casamento e ir ao culto uma vez por semana. Isso faz parte, mas ser cristão envolve muito, muito, muito mais do que isso. Quase ninguém fala sobre a importância da boa educação como principio e alicerce da nossa fé, mas ser cristão (como vimos nas contundentes palavras de Jesus) implica obrigatoriamente ser uma pessoa gentil e educada. Ser polido no que fala e na forma como fala. Ser cortês com os desconhecidos que atravessam seu caminho. Ser afetuoso e delicado no trato com o próximo (o que não diminui em nada a sua masculinidade, rapazes). Tomar cuidado para não ferir os sentimentos dos demais. Zelar em suas postagens nas redes sociais para não destratar indivíduos, mesmo que discorde deles.

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Em resumo, faz parte do caráter cristão ser educado e gentil com o próximo. Afinal, isso não é parte entranhável do que significa amar o próximo?

Como você tem agido em seus relacionamentos? E isso com conhecidos e desconhecidos, com gente com quem concorda e com gente de quem discorda? Se você perceber que muitas vezes está faltando tempero na sua fala, paciência no seu coração, gentileza nas suas palavras e educação nos seus pensamentos, sugiro que pare e reflita profundamente sobre as mais profundas implicações do que significa ser cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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IMG_6313Havia muito tempo que eu não andava de metrô no Rio de Janeiro. Há alguns dias, porém, tive de pegar o metrô por conta de um compromisso e vivi uma experiência que me deixou bastante triste. O trem estava cheio e não havia lugar para sentar. Por isso, eu, minha esposa e minha filha de 4 anos ficamos em pé. Olhei ao redor e percebi algo que captou minha atenção: à  direita, havia uma senhora de idade, em pé. À esquerda, estava um rapaz com um dos braços engessado, em pé e segurando uma mochila. E lá estávamos eu e minha esposa, acompanhados de uma criança pequena, também em pé. Quando olhei para as pessoas que estavam sentadas próximo a nós, reparei que todos eram homens e mulheres jovens, fortes e saudáveis, que, simplesmente, não se mexeram. Onde estavam, permaneceram. Não deram a mínima.

IMG_6320Vou repetir: uma idosa, um homem de braço quebrado (foto) e um casal com uma criança pequena, todos em um espaço de menos de quatro metros quadrados. E absolutamente ninguém moveu uma palha sequer para ceder o lugar a quem quer que fosse. Isso me deixou extremamente pensativo sobre como o ser humano está tão desumano, egoísta e destituído de amor pelo próximo.

Quando eu era criança, minha mãe me ensinou a sempre, em qualquer circunstância, ceder o lugar para os mais velhos, mulheres e outras pessoas em necessidade. Durante todos os meus anos de escola, estudei em um colégio que ficava a cerca de uma hora de distância da minha casa, de ônibus. E,  durante o sete anos em que estudei lá, sempre fui obrigado a ir e voltar de ônibus e sempre cedi meu lugar, por mais cansado ou dolorido que estivesse. Não porque eu fosse uma pessoa magnânima ou acima da média, mas simplesmente porque aprendi com meus pais que isso era o certo. Por isso, confesso que até hoje me choca quando vejo jovens saudáveis e fortes permanecerem impassíveis ao ver pessoas de mais idade ou com crianças pequenas em pé. Porque, para mim, isso demonstra uma monstruosa falta de amor pelo próximo. É egoísmo e egocentrismo.

A Bíblia diz que nos últimos tempos o amor de muitos esfriaria. Se “o amor esfriar” não é ignorar as pequenas necessidades do próximo, não sei o que é. Infelizmente, é muito difícil mudarmos as outras pessoas. Mas o que podemos fazer é mudar a nós mesmos. Por isso proponho a você uma reflexão sobre suas atitudes. Será que você tem amado de fato o próximo?

Amor-bajo-el-espino-Blanco9Entenda que o amor ao próximo não se demonstra apenas em gestos grandiosos. Não é sendo missionário na África, tornando-se a Madre Teresa de Calcutá ou doando milhões de reais para a caridade que você será alguém que ama o próximo. Até porque, convenhamos, essas são ações que não estão ao alcance da esmagadora maioria das pessoas. Mas você tem a possibilidade de exercer o amor ao próximo diariamente, em pequenos gestos.

Ceder o lugar no ônibus, abrir a porta para senhoras passarem, puxar a cadeira no restaurante, ceder a vez no trânsito, permitir que gente idosa passe à sua frente na fila, deixar que o último pão da padaria seja comprado por outra pessoa, abrir mão do seu tempo para ouvir quem está triste, fazer elogios, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede… Atitudes como essas custam muito barato ou nada e, acredite, não doem.

gestos-de-amorVocê pode achar que pequenos gestos como esses não fazem a diferença. Mas lembre-se de que é do acúmulo de uma grande quantidade de tijolos bem pequenos que você constrói um enorme edifício de dezenas de andares. Pequenos gestos de amor fazem toda a diferença. Jesus morreu pela humanidade, e isso foi um gesto grandioso. Mas ele também providenciou comida para pessoas que estavam com fome. Ele chorou em solidariedade à tristeza daqueles que estavam abatidos com a morte de Lázaro. Ele criou as galáxias mas também as pequenas sementes, o que demonstra que dá atenção ao macro e também ao micro. Perceba: Deus se preocupa com amor e não apenas com grandes gestos de amor. Se for amor, pode ter a dimensão que tiver, será apreciado pelo Senhor e fará toda a diferença para o próximo.

imagesVocê pode se justificar dizendo que “hoje em dia, todo mundo faz assim”. Que “ninguém mais cede o lugar no metrô”. Que homens com um braço quebrado “podem se segurar com um braço só”. Que crianças de 4 anos “são cheias de saúde e não têm necessidade de se sentar”. Pode ser que você pense que a pequena gentileza não importa mais,  porque, afinal, ninguém mais dá bola para isso. Que pequenos atos de solidariedade são coisa do passado. Que o feminismo aboliu o direito das mulheres de se sentarem no ônibus. Sinceramente, não creio que Deus gosta muito do feminismo. Tampouco acredito que Deus gosta de quem faz tudo como todos os outros fazem. Todos os samaritanos deixariam o judeu roubado espancado caído à beira do caminho, mas Jesus disse que quem amava o próximo era justamente aquele que fez o que todos os outros não fariam. Que exemplo! E lembre-se que Deus vive fora do tempo, por isso, o conceito de que “isso era gentileza mas não é mais” simplesmente não existe para o Senhor.

Amor é amor. O que revela o amor, seja “grande” ou “pequeno”, é um coração que abre mão de si pelo próximo.

Peço a Deus, meu irmão, minha irmã, que você faça a diferença. Que entenda que vivemos dias de muito desamor e que o amor é um item extremamente necessário e cada vez mais raro em nosso meio. Nem que sejam pequenas gotas de amor. Porque uma gota de amor após a outra, após a outra, após a outra… acaba gerando uma inundação de amor. Faça a sua parte. Ame. Por favor, ame. Pelo amor de Deus, ame. Abra mão de si em benefício do próximo, assim como Jesus abriu mão de si em nosso benefício. Pode ser que você fique com as pernas doendo com mais frequência ao ceder o lugar para pessoas que precisam mais do que você. Mas acredito que, ao chegar diante do Pai celestial, o teu pequeno sacrifício será reconhecido como um grandioso gesto de amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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