Posts com Tag ‘Cristãos’

Querido irmão e irmã em Cristo, como você deve ter percebido, depois de um período de sete anos escrevendo ininterruptamente neste blog, vi a necessidade de tirar um período sabático do APENAS. Há três meses não publico novos textos, em razão de me ver obrigado a priorizar outras atividades e a me dedicar a momentos de reflexão. Pretendo retomar a regularidade das publicações em breve, junto com algumas novidades. Porém, decidi compartilhar alguns pensamentos esta semana, em razão das eleições que teremos no Brasil. Não sei quem vencerá as eleições. Porém, de algumas coisas eu sei com todas as forças do meu ser, e gostaria de compartilhar essas verdades bíblicas, sugerindo que você, que é cristão, medite sobre elas, em oração e com autocrítica, à luz de tudo o que tem vivido durante o processo eleitoral:

1. Deus não está alheio a absolutamente nada do que está acontecendo em nosso país.

“O Senhor sabe todas as coisas” (Jo 21.17; cf Sl 139).

2. A vontade de Deus sempre se cumpre, mesmo que demore, e tudo o que ele tem planejado para o Brasil se cumprirá.

“Sei que podes fazer todas as coisas, e ninguém pode frustrar teus planos” (Jó 42.2).

3. Devemos amar de forma prática e por meio de atitudes todas as pessoas, as que votam como nós e as que não votam. 

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo’ e odeie o seu inimigo. Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem por quem os persegue. Desse modo, vocês agirão como verdadeiros filhos de seu Pai, que está no céu. Pois ele dá a luz do sol tanto a maus como a bons e faz chover tanto sobre justos como injustos. Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo” (Mt 5.43-46).

4. Devemos perdoar as pessoas, inclusive as que nos ofenderam durante o processo eleitoral pelo fato de discordarmos delas política e ideologicamente. Se possível, nos reconciliando com aquelas com quem tivemos atritos.

“Seu Pai celestial os perdoará se perdoarem aqueles que pecam contra vocês. Mas, se vocês se recusarem a perdoar os outros, seu Pai não perdoará seus pecados” (Mt 6.14-15).

“Nunca paguem o mal com o mal. Pensem sempre em fazer o que é melhor aos olhos de todos. 18 No que depender de vocês, vivam em paz com todos” (Rm 12.17-18).

5. Ore. Ore. Ore. Mais do que entrar nas redes sociais para esbravejar contra os candidatos de que não gostamos e fazer campanha eleitoral, devemos nos manter em oração pelo nosso país. Orar ao Deus que tudo controla gera resultados muito mais efetivos do que ofender quem vota em quem não votamos. Quanto você já orou ao Senhor pelo resultado dessas eleições e pelo nosso país?

“Algum de vocês está passando por dificuldades? Então ore. […] A oração de um justo tem grande poder e produz grandes resultados. Elias era humano como nós e, no entanto, quando orou insistentemente para que não caísse chuva, não choveu durante três anos e meio. Então ele orou outra vez e o céu enviou chuva, e a terra começou a produzir suas colheitas” (Tg 5.13,16-18).

“Nunca deixem de orar” (1Ts 5.17).

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6. Nossa relação com quem pensa diferente de nós e se opõe ao nosso pensamento deve ser de instrução e não ofensa, e isso com mansidão e paciência. Quem vive brigando por causa destas eleições está errado.

“O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade” (2Tm 2.24-25)

7.  Não podemos falar como mundanos para defender os valores do evangelho. Como têm sido as palavras que você diz e escreve sobre as ideologias e os candidatos de que discorda nessas eleições?

“Evitem o linguajar sujo e insultante. Que todas as suas palavras sejam boas e úteis, a fim de dar ânimo àqueles que as ouvirem” (Ef 4.29).

8. Caso o seu candidato não seja eleito, não passe os próximos quatro anos com uma nuvem negra sobre a cabeça, ou você poderá ter uma úlcera. Tenha paciência e confiança. 

“Se já temos alguma coisa, não há necessidade de esperar por ela, mas, se esperamos por algo que ainda não temos, devemos fazê-lo com paciência e confiança” (Rm 8.24-25).

9. Quem tem o Espírito Santo dentro de si deve viver as nove virtudes do fruto do Espírito constantemente, mesmo em época de eleição ou caso seu candidato seja derrotado nas urnas. Será que isso é verdade na sua vida? Que virtudes são essas? Veja:

“amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22-23)

10. Tenha fé. Mesmo que o resultado das eleições não seja o que você gostaria, não se revolte, não desanime, por saber que algo muito maior nos espera.

“Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. Portanto, não olhamos para aquilo que agora podemos ver; em vez disso, fixamos o olhar naquilo que não se pode ver. Pois as coisas que agora vemos logo passarão, mas as que não podemos ver durarão para sempre” (2Co 4.17-18).

11. Independente de quem ganhe as eleições, devemos orar pelos governantes que forem eleitos, pelo nosso próprio bem.
“Recomendo que sejam feitas petições, orações, intercessões e ações de graça em favor de todos, em favor dos reis e de todos que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida pacífica e tranquila, caracterizada por devoção e dignidade” (1Tm 2.1-2).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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bebe-lindo 2Eu estudei no Colégio de São Bento, no Rio, por todo o ensino fundamental e o médio (naquela época, a gente chamava de primeiro grau e científico). É uma escola sui generis, pois é a única do Brasil na qual ainda só estudam meninos. Lá, meninas não entram. Imagine, então, como é o comportamento dos alunos, num ambiente só de homens: muitas piadas desinibidas, tráfico de revistas pornográficas, brincadeiras brutas e um tipo de relacionamento muito masculinizado. Mas não ache que o ambiente é anárquico: o colégio, fundado pelos padres beneditinos, tem normas rígidas de disciplina, muita organização e um ensino puxado, que faz o São Bento ser o primeiro no ranking nacional do vestibular e do ENEM há décadas. Então minhas lembranças do ambiente onde estudei é de muita ordem e muito conhecimento, mas um tipo de relacionamento com os colegas cheio de testosterona e de uma certa infantilidade masculina nas brincadeiras de garotos. 

O tempo passou. Depois que fomos para a universidade, os colegas acabaram se distanciando. Cada um foi para um lado, construiu a própria vida, criou novos laços, seguiu rumos distintos. A vida foi em frente, nos casamos, tivemos filhos. Hoje, aqueles moleques adolescentes são pais de família, gordos, carecas, barrigudos. Nos tornamos homens. Amadurecemos. 

Bem… nem tanto. 

bebe-lindo 1Ano passado, um dos colegas da turma que se formou no São Bento em 1989 resolveu, 25 anos depois da nossa saída do colégio, criar um grupo no WhatsApp para reunir o pessoal. Quando fui incluído fiquei muito feliz, foi divertidíssimo ver a foto dos meus antigos amigos com a cara, hoje, que nossos pais tinham quando éramos estudantes. No começo foi aquela farra, a troca de fotos e vídeos da época (foi engraçado me rever em um vídeo de quando eu tinha 15 anos…), a explicação sobre o que cada um se tornou. Foi bem bacana. Só que o reencontro parece que despertou um lado saudosista nesses homens que fez com que começassem a se comportar como os meninos de 25 anos atrás.

A verdade é que o rumo das mensagens, dos vídeos e das fotos que passaram a ser trocadas começou a me incomodar. As piadas eram sempre bobas, com aquela agressividade típica de adolescentes implicantes. O que mais passou a ser enviado foram fotos e vídeos pornográficos, de sexo explícito. Junto, naturalmente, a comentários nada edificantes. Comecei a me ver inserido numa realidade incompatível com quem eu sou hoje. Mas a maioria dos meus colegas de escola parece que parou no tempo, se agarrou à forma de ser de 25 anos atrás e não avançou. E isso me incomodou a tal ponto que tive de pedir que não mais enviassem a pornografia e que maneirassem no linguajar. Pensa que adiantou? Que nada, só despertou uma onda de piadas e gozações comigo, que foram do questionamento da minha masculinidade a coisas que prefiro não dizer num ambiente cristão. Tudo por um apego emocional ao passado. E que tornou o grupo, que tinha tudo para ser muito legal, um ambiente insalubre para meus olhos e ouvidos. Hoje, o grupo é uma decepção para mim. 

bebe-lindo 6Em nossa caminhada espiritual, muitas vezes agimos da mesma forma. Geralmente a época de nossa infância na fé, quando somos novos convertidos, é muito emocionante, marcante, cheia de descobertas. Porém, frequentemente, é repleta de erros, atitudes erradas, crenças pueris. É um engano acreditar que o “primeiro amor” ao qual devemos voltar é marcado por manifestações bobas e infantis de nossos primeiros passos na fé. O “primeiro amor” tem a ver com santidade e não com infantilidade espiritual. No entanto, muitos cristãos se agarram a praticas e crenças de sua época de crianças espirituais e se recusam a avançar rumo à maturidade religiosa e a patamares mais elevados de relacionamento com Deus. 

O resultado desse apego míope a realidades espirituais infantis e imaturas são cristãos que praticam exageros, têm crenças e atitudes bobas, que vivem uma fé baseada em caricaturas e crenças baseadas muito mais na sua cultura denominacional do que na Bíblia. São meninos e meninas que brigam com irmãos em Cristo por causa de crenças soteriológicas, que entendem que o palanque das conferências é mais importante que a visita a órfãs e viúvas, que citam mais falas de bons pensadores e escritores do que mencionam o Espírito Santo, que fazem troça de quem crê no que é diferente do que eles acreditam. Meninos. 

bebe-lindo 4Paulo escreveu sobre a necessidade de amadurecermos na espiritualidade: “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. […] E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.7,11-16).

Procure fazer uma autoanálise. Será que você não está agarrado a praticas e crenças da sua época de menino ou menina espiritual? Será que não está na hora de buscar avançar, crescer no conhecimento de Cristo, rumo a uma prática de fé mais madura? Você se interessa por estudar a Bíblia? Tem o hábito de ler bons livros cristãos, capazes de mostrar que muito do que você sabe e crê hoje está errado e deveria ser mudado? Será que você continua preso a bobagens e infantilidades que fazemos na época em que somos novos convertidos? Quem tem te discipulado? Quem é seu mentor espiritual, aquele que te conduz dia a dia rumo à maturidade espiritual que Deus espera de cada um de nós? Você continua ancorado ao passado, crendo e se comportando de modo pueril e, assim, agindo como um crente que nunca deixou de tomar leitinho espiritual? Está na hora de repensar isso. 

bebe-lindo 5Acho que cresci um pouquinho nos últimos 25 anos. Não acho mais graça em ficar fazendo certas brincadeiras bobas com meus colegas de escola. Não aprecio mais ficar vendo revistinhas de mulher pelada. Meus valores, minhas crenças e minhas práticas mudaram e hoje busco me cercar de pessoas pacíficas e pacificadoras (maduras na fé, portanto), que fujam da agressividade, que valorizem o conhecimento teológico e sua transmissão com simplicidade. Quando vejo cristãos vaidosos, arrogantes, que amam mais sua bagagem teológica do que pessoas, que querem poder (intelectual ou sobrenatural) mais do que estender a mão em amor aos necessitados… sinto-me deslocado. E não tenho prazer em estar naquele grupo. Hoje, sendo um tiquinho mais maduro na minha espiritualidade do que há  20 anos, quando Jesus me converteu, sou levado a estar junto dos simples, dos amorosos, dos graciosos, dos abnegados, dos humildes de espírito, dos que fogem da vaidade e da soberba, dos que tratam quem discorda de si com respeito e amor, dos que convivem em paz com o diferente, dos que compreendem que o Jesus que expulsou os cambistas do templo é o Príncipe da Paz e o Manso Cordeiro. Maturidade espiritual faz isso: te aproxima dos puros de coração e te afasta dos pomposos, te aproxima dos amorosos e símplices e te leva para longe dos agressivos e sarcásticos. Te leva para perto da prostituta e da adúltera e te afasta dos fariseus apedrejadores. 

Enfim, amadurecer na fé é conformar-se à imagem do manso Cordeiro, que diz “perdoa, pois eles não sabem o que fazem”, e afastar-se dos ignorantes e imaturos que fazem chacota com os ignorantes e imaturos e mais querem punir do que restaurar. 

bebe-lindo 3Tenho muito a amadurecer. Muito mesmo, pode acreditar. Mas só de não achar mais que vaidade teológica ou bairrismo denominacional é algo importante já me mostra que não curto mais as bobagens da infância e da adolescência espiritual. Estou na caminhada, com muito mais a crescer e evoluir. Mas, felizmente e por mérito exclusivo do Espírito Santo, hoje Deus já me incluiu na universidade daqueles que amam e procuram o diferente para amar e não para detonar. Se você quiser abandonar a infantilidade denunciada pela soberba e a agressividade no falar e aproximar-se do diálogo amoroso e da paz… vamos juntos nessa jornada. Pois os que amam o amor formam um grupo do qual tenho prazer de fazer parte. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Mais vendidos da Mundo CristãoA página na Internet da editora Mundo Cristão tem uma seção que mostra quais são os livros mais vendidos nos últimos trinta dias pela loja virtual do site. Semana passada, minha obra mais recente, O fim do sofrimento: um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios, ocupava o 4º lugar desse ranking e o livro Convulsão protestante, do pastor Antônio Carlos Costa, estava em 1º. Um amigo da igreja viu isso e me perguntou: “Zágari, você não está com inveja não? Nem um ciumezinho?“. Confesso que a pergunta me soou tão estranha que provocou uma reflexão sobre esse pecado considerado tão pouco grave por tantos cristãos mas que a Bíblia condena de forma tão veemente: a inveja.

Já senti inveja muitas e muitas vezes ao longo de minha vida. Infelizmente. Mas acredito que a maturidade, o sofrimento e a enorme quantidade de erros que já cometi têm me ensinado e me adestrado a compreender que determinados tipos de comportamento não levam a nada nem significam nada. Isso tem ocorrido com a inveja. Assim, respondendo a pergunta de meu amigo: não, em absolutamente nenhum momento senti inveja do pastor Antônio. Muitíssimo pelo contrário, fiquei extremamente feliz por ele, por saber que o primeiro livro de sua autoria pela Mundo Cristão está tendo repercussão. E isso por um motivo simples: além de eu pessoalmente gostar muito do homem Antônio Carlos Costa e de torcer por esse meu irmão, o meu livro e o dele não são “concorrentes” São aliados. Eles se complementam.

Essa é uma percepção que falta a muitos de nós, cristãos. Muitas vezes não compreendemos que o irmão em Cristo não está numa disputa conosco, mas, sim, somando. O resultado: inveja porque o irmão ganhou um cargo na igreja, inveja porque a irmã tem mais visibilidade, inveja porque o próximo prega mais, inveja porque fulano lidera o louvor, inveja porque beltrano tem um carro mais caro, inveja porque o marido de sicrana é mais gentil, inveja porque a igreja ao lado tem mais membros, inveja, inveja e inveja!

Segundo a definição dos dicionários, “inveja” significa “desejo de possuir o que outro tem”. Como se pode ver, ter inveja é exatamente o pecado resultante da transgressão ao décimo mandamento: Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Êx 20.17).

urubuA inveja é um mal tão horrível que a Bíblia o define como a morte das partes mais profundas da nossa carne. O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30). E não só isso, a inveja aponta para um total distanciamento se Deus: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.25-26). E mais: “onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3.16).

Lamentavelmente, temos o péssimo hábito de eleger alguns pecados como mais repugnantes a Deus do que outros, como se filé mignon podre fosse menos repugnante que uma ratazana podre. Para Deus, podre é podre. Achamos que pecados como prostituição, lascívia, homicídios, adultérios e blasfêmia seriam pecados mais graves, enquanto outros como avareza, malícia, soberba e inveja seriam pecadinhos menores, aos quais Deus teria menos repulsa. Isso é o que achamos. Mas, quando lemos a Bíblia, vemos que os textos não fazem distinção entre os pecados:

“O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem. (Mc 7.20-23).

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,  idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,  invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21).

inveja_1Inveja não é um mal menor. Não é menos grave que assassinato, só porque as consequências terrenas são diferentes. No mundo espiritual, são a mesma coisa: desobediência à vontade do Senhor. Transgressão. Abandono do que é puro e bom. O adúltero, o cachaceiro, o traficante, o homicida, o fornicário e o arrogante não são mais pecadores  que o invejoso.

Entenda que tudo de bom que você é e tem foi Deus quem te deu. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Do mesmo modo, tudo de bom que o outro tem e é foi Deus quem deu a ele. Inveja, portanto, é questionar e peitar o que Deus decidiu fazer e discordar da bênção que ele resolveu dar ao próximo e não a você. Inveja é motim. Inveja é rebelião. Satanás invejou o Senhor e quis ocupar seu lugar. Deu no que deu.

“Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3.3-6). Isso mostra que a inveja é relacionada na Bíblia a uma característica de quem não passou pela salvação. Façamos o que é certo.

Antonio Carlos Costa e eu_230215Pastor Antônio Carlos Costa escreveu seu livro para abençoar o próximo. Eu escrevi o meu com o exato mesmo objetivo. Nossos livros são diferentes e têm funções diferentes, cada um atende a diferentes anseios dos leitores. Deus entrega o Convulsão protestante nas mãos de quem precisa ler esse livro. E entrega o O fim do sofrimento nas mãos de quem precisa ler esse livro. Eu e pastor Antônio (foto) somos jogadores do mesmo time, soldados do mesmo exército, membros do mesmo corpo, filhos do mesmo Pai. Ele é meu irmão e fico felicíssimo pelas alegrias dele e pelo que ele conquista, pela graça de Deus. Gostaria que você se sentisse desse modo com relação a todas as pessoas que, assim como você, fazem parte do Corpo de Cristo.

Fuja da inveja, meu irmão, minha irmã, não a alimente. Não enxergue esse pecado como algo menor ou justificável. Não é. É uma transgressão tão imunda como qualquer outra. Alegre-se com as conquistas do seu próximo, sorria e celebre com ele, entendendo que o que ele tem e é foi Deus quem deu. E Deus não erra. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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A senhora que faz limpeza em minha casa é uma irmã em Cristo. Há alguns dias ela chegou para o trabalho, tocou a campainha e abri a porta. Ela não deu dois passos dentro de casa e disparou a falar sobre o pastor fulano de tal, que fora preso porque tinha estuprado não sei quantas mulheres, isso, aquilo e aquilo outro. “No trem vindo pra cá todo mundo só falava sobre esse assunto”, disse, tentando puxar papo e dar continuidade à polêmica comigo. Eu estava por fora da história e, por isso, fiquei escutando enquanto ela, empolgadíssima, praticamente mandava o tal pastor para o inferno, já julgado e condenado. Depois de relatar a arrepiante história com a empolgação de uma criança que ganhou um presente novo, ela ficou enfim em silêncio, enquanto aguardava que eu disparasse palavras de condenação ao tal pastor. Eu pensei um segundo e disse a ela: “Bem, vamos aguardar que se prove que de fato ele é culpado, não é? E, se for, vamos orar pela restauração da vida dele”. Pela cara dessa senhora percebi que era tudo o que ela não esperava ouvir. Porque é muito mais gostoso e empolgante acreditar que algum cristão cometeu um pecado cabeludo do que crer na sua inocência – afinal, saber que os outros pecaram faz com que nos sintamos melhor com nossa própria natureza pecaminosa, como se o pecado alheio tivesse a capacidade de diminuir o nosso. Pude perceber que ela ficou sem ação diante do que falei, pois esperava que eu – como todas as pessoas do trem – começasse a alimentar a polêmica, assumir a culpa do homem e relegá-lo para o sétimo círculo do inferno. Só que não é isso que a Bíblia ensina.

Na faculdade de Jornalismo, aprendemos uma regra básica da profissão: nunca ouça um lado só da história. Pois todo relato sempre terá mais de uma versão, mais de um ponto de vista, e os implicados sempre vão defender os seus interesses. Isso é algo tão evidente que, se assim não fosse, não haveria juízes para intermediar disputas, nem árbitros, para dizer se foi pênalti ou não: o atacante sempre vai afirmar que o zagueiro pôs a mão na bola dentro da área e o zagueiro sempre vai negar. Por isso, ninguém conhece uma moeda por inteiro sem ver suas duas faces. No entanto, muito frequentemente nós assumimos verdades sobre outros só porque “alguém disse”. O que, em linguagem bíblica, é exatamente o que significa “julgar o próximo”.

Existe a regra de ouro do trânsito que, se for aplicada a sua vida, vai ajudá-lo muito a não cometer o pecado do julgamento: “Na dúvida, não ultrapasse”. Em outras palavras, se alguém te diz algo negativo sobre um terceiro indivíduo que não está ali para se defender, não assuma imediatamente como uma verdade, mesmo que a pessoa que te passou a informação em questão seja alguém próximo de você, o seu melhor amigo ou alguém da sua família. Sempre desconfie.

Lembre-se que uma mera afirmação contada como uma grande verdade não quer dizer absolutamente nada: se eu digo que o céu é vermelho ele não será menos azul por causa disso. Mas nós, seres humanos,  somos como grandes papagaios, que propagamos maldosas inverdades, meias-verdades ou realidades distorcidas só porque alguém nos falou – e como o ser humano tem um prazer sádico e inerente de falar mal dos outros, repetimos a quem quiser ouvir sem ter sequer escutado o que os réus têm a dizer. E acreditamos em tudo! Tenho visto isso com uma frequência avassaladora entre nós, cristãos. Lembre-se das mulheres que foram a Salomão para ele decidir de qual das duas era o filho. Ambas juravam de pés juntos que eram a mãe. Salomão não acreditou, simplesmente tirou a prova dos nove e averiguou sabiamente os fatos em sua totalidade.

Uma passagem bíblica específica sobre o assunto é o julgamento de Jesus, relatado em Mateus 26. Não só porque mostra como é a coisa mais fácil do mundo levantar falsas testemunhas cheias de provas e afirmações contra alguém, mas, principalmente, porque mostra o exemplo do Mestre acerca de como reagir. Repare: “Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas“. Veja que estamos falando de pessoas que na sociedade eram altamente conceituadas, eram sacerdotes e autoridades e que apresentaram muitas provas. Mas foi tudo articulado com um único objetivo: sujar o bom nome daquele homem.

Vamos adiante: “Mas, afinal, compareceram duas, afirmando: Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias. E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, guardou silêncio“. De tudo, as antipalavras do Mestre são o que mais me maravilha. O homem que teve sua honra achincalhada e seu nome lançado na lama não berrou nem esperneou para se defender. Não apresentou provas ou testemunhas que o inocentassem. Mas “guardou silêncio”. Confirmando Isaías 53.7: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca“. Eis o padrão cristão.

Sei que é difícil, pois nossa natureza clama por justiça. Mas foi o que o manso Cordeiro fez. Em seu exemplo, ele demonstrou que o juízo de Deus é muito, muito, mas muito mais severo que o dos homens – e do que qualquer coisa que você possa fazer para revidar ataques ou maledicências contra você. Lembre-se de Hebreus 10.31: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo“. E tem mais uma coisa: um cristão autêntico – aquele que errou no passado, se arrependeu de seus pecados, alcançou a misericórdia de Deus e se esforça por não errar mais – não condena pessoas, ainda que sejam culpadas. Pois sabe que elas são tão pó como ele. Porque o cristão que se arrependeu de fato de seus erros e sabe que o ser humano é passível de errar e ser reerguido por Cristo não devolve mal com mal. Ora e torce pela restauração do pecador. O cristão de verdade não quer prejudicar ninguém – pois sempre tem a esperança de que o outro chegue ao arrependimento e produza frutos para o Reino de Deus. O cristão de verdade não destrói: constrói. Pois quem veio para destruir você sabe quem é.

Em Romanos 12, Paulo nos ensina algo que quase nenhum cristão faz: “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor“. Depois de mostrar o que espera aquele que receberá a vingança de Deus pelo mal que praticou contra o próximo, o apóstolo nos diz o que fazer: “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem“. Mas isso só faz quem é cristão de verdade.

Essa é a atitude bíblica. Esse é o procedimento. É isso o que pelo menos devemos tentar fazer. Vejo pessoas famosas do “meio evangélico” indo para a TV e a Internet para, em vez de pregar o Evangelho, agredir, atacar, ofender. Os modelos que a Igreja tem hoje agem contrariamente aos ensinamentos de Jesus. Não siga esses exemplos, meu irmão, minha irmã. Há muitos frequentadores de igreja que desejam o mal ao próximo. Que estimulam o disse-me-disse sobre o último escândalo da moda. Sem meias palavras: isso é demoníaco. É assim, entre outras coisas, que se mede um verdadeiro servo de Deus: como ele zela pelo próximo, em especial os que erraram contra si. Então, se você de fato é trigo e não joio, preserve as pessoas e lute em aconselhamento e oração para que cheguem ao arrependimento e à salvação.

Minha sugestão sincera: não se junte à massa dos que tomam de Deus o papel de juiz. Se pastor fulano estuprou alguém, se o irmão da tua igreja cometeu esse e aquele pecado, se estoura a última polêmica gospel… a atitude mais bíblica que você tem a fazer é se calar. Não se assente na roda dos escarnecedores cristãos. Não alimente o disse-me-disse. Não ponha lenha na fogueira. Sei que o Diabo fica tentando pôr a lenha na sua mão, mas resista a ele. Deixe que a língua coce, garanto que depois passa. Tente guardar silêncio e agir com amor perdoador e sofredor, pois aí a justiça do alto funcionará em favor de todos: dos acusados e dos acusadores. Inclusive você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Alguns irmãos queridos vieram me perguntar por que não divulguei meus últimos posts aqui do APENAS pelo twitter e pelo Facebook, como tenho feito nesses quase 14 meses de existência do blog. Senti que precisava dar uma satisfação a quem me acompanha e se identifica com o que escrevo. Fato é que abandonei as redes sociais. Mas, antes de chegar nessa questão específica e de menor importância, gostaria de refletir um pouco sobre algo bem mais relevante no que tange a esse assunto e que está relacionado a ele: aquilo que chamo de Religião Internet.  É inegável que o surgimento da rede mundial de computadores mudou muito a vida da Igreja, em especial no Brasil. A primeira vez que surfei (sim, usávamos esse termo no século passado em vez de “naveguei”) na web foi ainda num browser Netscape Beta, por volta de 1995. Para alguém de até uns 20 anos pode ser engraçado ler isso, já que deve pensar “como era possível viver sem Internet”? Pois acredite: era. E éramos felizes sem ela. Hoje achamos que a vida sem Internet é impossível. Só que não é. Sei que meu comentário vai na contramão do que muitos advogam, mas creio que a inclusão digital não é tudo isso que dizem – tanto que a humanidade viveu milênios antes que Bill Gates ou Steve Jobs existissem. E, no caso da Igreja, quando falamos de redes sociais torna-se ainda mais irrelevante e até problemática.

Como disse John Piper, “uma das maiores utilidades do twitter e do Facebook será provar no último dia que a falta de oração não era por falta de tempo”. O que é absolutamente irônico é que li essa frase no Facebook. E sou obrigado a concordar com Piper, simplesmente porque ele tem razão. Mas concordar com isso e compartilhar essa frase no Facebook… é a contradição das contradições! A verdade é que, se acredito nessa afirmação, não adianta compartilhar a fotinho ao lado: preciso agir com a coerência que essa frase me exige. E só Deus sabe o quanto eu preciso orar mais, buscar mais intimidade com o Pai, me santificar e ser um homem a quem Jesus diga naquele dia: “Bem-vindo, servo bom e fiel”. E as redes sociais não estão me ajudando em nada nesse sentido. Mas daqui a pouco falo mais sobre isso.

Entenda, não demonizo a web. Sei todas as coisas boas que ela pode proporcionar. Cá estou eu, por exemplo, sendo lido por você via Internet. Há muitas coisas positivas, quando o seu uso e seu propósito são benignos. No entanto, o que quero abordar hoje não são as inúmeras vantagens que a rede mundial de computadores trouxe para nós, mas os males que gerou para o Corpo de Cristo.

O maior deles é a ideia de que é possível substituir a igreja local e a comunhão dos santos por uma pseudoprática de fé via web. Multidões têm se protegido misantropicamente das decepções com pastores e membros se entrincheirando na segurança de seus notebooks. Formam “igrejas” (embora se recusem, irritados, que usemos essa palavra) com indivíduos reduzidos a avatares que acham que conhecem e com quem trocam meia dúzia de palavras pela rede. Talvez bate-papos via MSN, frases curtas via twitter ou alguns textinhos pelo Facebook. Formam seu aprendizado de fé assistindo a cultos on-line, acompanhando vlogs de 5 minutos de pregadores famosos, lendo blogs como o APENAS e ouvindo bate-papos em podcasts muitas vezes – me perdoem – teologicamente ridículos. Mas meu blog, por exemplo, não substitui a igreja. Meu blog não substitui uma pregação. Meu blog não substitui a adoração. Meu blog não substitui a oração de uns pelos outros. Meu blog não substitui o aconselhamento pastoral. E quando falo do APENAS, o estou usando como arquétipo de todas as mídias que mencionei acima – e muitas outras. A Internet é a cerejinha do bolo da fé, mas há muitos que estão pondo o bolo em cima da cereja.

Há também o problema da enorme mistura de teologias, doutrinas, ensinamentos e doideiras que o internauta que substitui a vida em comunidade pela Religião Internet absorve. Lembro quando dava aula em seminário teológico, passava trabalhos para os alunos e, em vez de uma pesquisa, recebia de volta páginas impressas da Wikipédia. Que, aliás, é uma bênção e uma desgraça ao mesmo tempo, visto que pode esclarecer muitas coisas mas qualquer um pode postar o que quiser ali – o que torna essa ferramenta altamente desconfiável. Mas damos mais atenção à Wikipédia e a sites correlatos do que a livros que exigiram pesquisa, revisão, o crivo dos editores e são, eles sim, fontes confiáveis. Mas nossa preguiça e nosso imediatismo tornam mais fácil escrever uma palavrinha no Google e ver o que a loteria da pesquisa vai jogar em nosso colo como primeiras opções do search. E é nelas que confiaremos – sem ter conhecimento sobre quem escreveu, que linha segue, que teologia ou crenças nortearam aquela fonte de dados. Como ouvi certa vez, não me recordo de quem, substituímos o saber pela informação. E informação não forma ninguém, conhecimento adquirido com muito estudo e suor sim.

A Bíblia Sagrada foi trocada por versículos tuitados e frasezinhas descontextualizadas de Spurgeon, Paul Washer e outros homens de Deus. Ou então de pregadores da moda – muitos deles hereges. Na vida de muitos, o texto bíblico foi substituído por citações de pessoas que ensinam doutrinas diabólicas, como a que afirma que o que você disser com fé vai acontecer, ou que a Bíblia é um livro de homens e não de Deus, ou que Deus não exerce sua soberania nas tragédias, ou que o cristão autêntico tem que ter prosperidade material. Tudo absurdos bíblicos – mas muitos não sabem discernir, pois valorizam mais a beleza poética do que é dito do que a correção bíblica. Sejamos francos e não vamos esconder o problema sob o tapete: se não têm intimidade com as Escrituras, como discernirão o erro? Cairão fácil nos engodos.

Conheço um “pastor” que escreve frases lindas no twitter. Poderia jurar que ele é um conservador, até, não fosse o corte de cabelo modernoso. Mas, quando você vai ao blog dele, descobre que é um esotérico que acha que Jesus é um extraterrestre e que vai voltar num disco voador. Não ria, isso não é piada, é um fato. Possivelmente você o segue, visto que ele tem mais de 5.600 seguidores. O lê, o retuita, acha lindo o que ele fala e nem ao menos sabe que seus ensinamentos são tresloucados. Ou o pastor garotão que fica falando sobre a “contextualização” do Evangelho, ensinando montes de mundanismos – e a turma adora. Ou o pastor herege que joga a Bíblia no lixo. Ou o professor de pós-graduação que ensina a demoníaca Teologia Liberal e fala que o Cristo do cristianismo clássico é invenção grega – mas como ele fala tão bonito e tem uma carinha tão simpática muitos o amam, sem saber o perigo que ele representa para milhares de almas humanas por ensinar um Jesus que não é o da Bíblia.

Muita gente já me deu #FF no twitter junto com algumas dessas pessoas. E quando vejo isso me pergunto como um irmão pode dar #FF no mesmo tuíte para alguém como eu, que crê no conservadorismo bíblico, e para alguém que prega o liberalismo teológico, crença extremamente oposta à minha e que considero uma heresia. Não consigo compreender tamanho contrassenso. Sim, a Religião Internet é um perigo. Quem substitui a sólida doutrina de suas igrejas pela babel da www corre sérios riscos de absorver ensinamentos terríveis mas que têm aparência de piedade.

E aí chegamos às redes sociais. Tinham tudo para ser uma incrível ferramenta a serviço do Reino de Deus. Mas do jeito que têm sido usadas se tornaram em esmagadora parte uma perda de tempo precioso que poderia ser investido numa devocionalidade real – e que, essa sim, nos tornaria pessoas mais próximas de Deus. Posso falar por mim: as redes sociais me afastaram muito de Cristo e dou a mão à palmatória quanto a isso. Analisemos friamente e sem olhar apaixonado: o Facebook é o universo da irrelevância. Se você peneirar ali o que realmente tem utilidade verá que se resume talvez a 1% do que entra na sua tela. O twitter, com seus 140 caracteres, já é, por sua vez, o universo da superficialidade. Como é possível achar que um complexo pensamento teológico pode ser destrinchado nesse microespaço? Impossível. O Orkut? Ah, é verdade, o Orkut morreu, graças a Deus.

É por tudo isso e outros fatores pessoais que decidi me retirar, pelo menos por um longo e indefinido período sabático, das redes sociais. Minhas poucas entradas serão por exigência de meu trabalho. Na web só continuarei escrevendo no APENAS e nas minhas colunas em sites e revistas – artigos que alguns acham enormes, tão viciada a Igreja está em textos minúsculos e tão desacostumada está de ler livros (e me pergunto se alguém que reclama do tamanho de meus textos leria os 28 capítulos do evangelho segundo Mateus ou os 50 de Gênesis…).

Fato é que as redes sociais não têm feito bem à minha vida espiritual, além de me tomarem um tempo precioso, que preciso dedicar mais à leitura, à oração, a relacionamentos com pessoas tridimensionais a quem eu possa aconselhar e que possam me aconselhar e ouvir a confissão de meus pecados, gente com quem eu possa comungar sem a falta de prosódia que relacionamentos virtuais geram. Pela tela do computador ninguém consegue enxugar minhas lágrimas, nem eu consigo estender o ombro a quem precisa. Quero me recolher a minha vida real e resgatar a devocionalidade que vivia antes de entrar nas redes sociais. Quero que a frase de John Piper ganhe consequência em minha vida. Tenho sentido a imperativa  necessidade de me aproximar mais de Deus e me afastar desse universo paralelo, que me conduz a pecados que passam pela ira, o rancor e muitos outros que a irrealidade virtual gera – o que tem atrapalhado minha saúde física (num momento em que me trato de estresse) e espiritual. Sem falar de tristezas, decepções, chateações e similares que pulam dentro de minha casa pela tela do notebook.

Já tem cerca de dois anos que praticamente parei de assistir a televisão. Não tem nada a ver com crer que TV seja pecado. Simplesmente perdi o interesse pelos telejornais mentirosos, os seriados que não edificam, os documentários falaciosos. Não serei hipócrita de dizer que aboli a TV da minha vida, eventualmente assisto a uma ou outra coisa que penso que será interessante. Mas talvez não chegue a 3 horas por semana, no total. E posso afirmar a monstruosa diferença que afastar-se do vício por TV faz. Não tenho absolutamente nenhuma vontade de voltar a consumir essa mídia como fazia antes, e por uma simples constatação: depois que você se desintoxica ela não faz a mínima falta.

Agora quero fazer a mesma coisa com as redes sociais. Quando as descobri achei que seriam edificantes. Experimentei. Hoje, fazendo um balanço, vejo que não foram, pois mais me afastaram de Deus do que me aproximaram. Tirei muitas coisas positivas delas, creio ter contribuído um pouco, mas chegou a hora de parar. Preciso respirar mais do ar puro da vida real e retornar a 1995, quando os amigos marcavam um café para se encontrar, nos telefonávamos, mandávamos cartões de Natal escritos a mão. Hoje as pessoas mandam scraps impessoais no Facebook nos aniversários, trocam farpas pelo twitter, vivem relacionamentos bidimensionais. Não tem me feito bem. Creio que eu também não tenha feito bem a muitos, reconheço as críticas, aceito as que são justas e prefiro esquecer as injustas – pois na minha luta para me aproximar de Cristo me esforço para não devolver mal com mal. Quero avançar para trás e viver a vida que existe fora das telas.

Por isso, desde o dia 29 de junho parei de usar minhas redes. Não entro, não olho, não escrevo nelas, salvo uma ou outra coisa feita por questões de trabalho. Vou deixá-las congeladas – possivelmente abandonadas – por período indeterminado. Usava-as muito para divulgar posts novos do blog, o que de fato foi proveitoso, pois o APENAS acabou de completar 350.000 acessos em pouco mais de 13 meses no ar. Se você tem interesse em continuar lendo as reflexões que aqui são postadas, pode juntar-se aos 1.027 irmãos e irmãs que até a data de hoje gentilmente assinaram o blog e recebem os posts novos por e-mail. Ou, se lembrar, dar uma passadinha por aqui de vez em quando ou nas colunas que escrevo em outros sites e revistas. Mas não vou mais divulgar as postagens novas pelo twitter ou o Facebook.

Sei que o número de acessos vai diminuir (percebi que sair das redes reduz em cerca de 250 acessos por dia, em média), mas,  honestamente, não me importo, pois minha oração a Deus hoje é que conduza até o APENAS somente aqueles que Ele entende que precisam ler as palavras de edificação, consolo e exortação que aqui são publicadas. A partir de agora, é o Espírito de Deus quem fará a divulgação de novos posts.

Quero agradecer a você que teve a paciência de me aturar esses cerca de dois anos em que estive no twitter e poucos meses no Facebook. Mas a Religião Internet tem, na verdade, me afastado de Deus. Quero retomar essa proximidade. E, como disse, para isso é fundamental retroceder. Lembrar-me de como era antes de entrar em redes sociais. Creio que será melhor para mim e, acredito, para muitos que não coadunam comigo. Que Deus abençoe você, meu irmão, minha irmã, e que possa viver a sua fé no mundo real, sem as ilusões que as redes sociais, com todos os benefícios que proporcionam, oferecem – e que ameaçam a intimidade com Deus, a santidade e a comunhão com os irmãos que nós, cristãos, precisamos ter. Deixo um beijo e um abraço aos manos e manas com quem me relacionei em edificação pelas redes.

Seguirei aqui pelo blog, este meu mosteiro virtual, onde vou me enclausurar para continuar compartilhando como vaso de barro que sou o tesouro do Evangelho em que creio, o poder da graça, a denúncia de heresias, o amor de Cristo e a promessa de restauração a todo aquele que se arrepende e vai viver a eternidade ao lado do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Pois redes sociais são irrealidade. Já o Céu e o Inferno são o que há de mais real.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Se você deseja aconselhamento, recomendo que procure seu pastor e não um blogueiro.

As reflexões expressas neste blog são pessoais e não representam necessariamente a posição oficial de nenhuma igreja, denominação ou grupo religioso.