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CHABPOLIN 1Gostei muito quando assisti a uma entrevista do ator mexicano Roberto Bolaños, conhecido por interpretar os personagens Chaves e Chapolin na televisão, pois ele disse algo que sempre pensei. Indagado sobre o que  achava de heróis como Superman e He-Man, ele respondeu: “Eles não são heróis. Herói é Chapolin Colorado. O heroísmo não consiste em não sentir medo, e sim em superá-lo. Superman é um super-herói, é todo-poderoso, por isso não sente medo. Chapolin morre de medo e, consciente dessa deficiência, ele enfrenta o medo. Isso é ser um herói. E ele perde muitas vezes, o que é outra característica dos heróis”. A reflexão de Bolaños é muito boa. Quando escrevi a série de livros de ficção cristã que teve início com O enigma da Bíblia de Gutenberg, uma das características que fiz questão de manter em todos os livros é que Daniel, o protagonista e herói das aventuras, não é, nem de longe, perfeito: ele erra com frequência, mas aprende com suas falhas e se esforça por não mais errar. Achei pertinente Bolaños ter dito o que disse, pois eu sempre afirmei que Daniel era o herói dos livros justamente porque ele erra, é verdade, mas se recusa a estagnar no pecado e se arrepende, aprende com os erros e se esforça para não mais errar. O que é uma lição para a minha e a sua vida. 

Ao longo de sua trajetória, você ainda vai errar, e muito. Terá pensamentos inconfessáveis. Pecará por deixar de fazer o bem. Desobedecerá muito a Deus em nome de boas desculpas. Usará sua língua para o mal. Se encherá de orgulho. Desprezará o pobre. Sentirá inveja do rico. Desonrará pai e mãe. Desejará o mal de quem te fez mal. Odiará. Cobiçará. Incitará em vez de pacificar. Se envaidecerá. Negará Jesus com suas atitudes. Terá preguiça. Enganará pessoas. Fará coisas ainda piores. E, se disser que não fará nada disso, mentirá. Como eu posso afirmar? Simples: porque você não é um super-herói, é um mero mortal. E mortais pecam. 

jESUSA boa notícia é que você tem dois caminhos a seguir: pode se conformar em continuar cometendo seus pecados de estimação ou seguir pelo heroico caminho da resistência. Que você ainda vai pecar muito, isso é fato. A grande questão é: o que fará quando isso acontecer? O que aprenderá? Que estratégias desenvolverá para não voltar a cometer o mesmo erro? De que modo ter pecado o ajudará a não mais pecar? Se você extrair ensinamentos e aprendizado dos seus pecados, refletir sobre eles, criar mecanismos que o ajudem a evitar incorrer nas mesmas transgressões e conseguir de fato vencer as tentações… a meu ver, será um herói. 

O enigma da Biblia de GutembergJesus, na eternidade, era o super-herói maior. Para ele não havia nem kriptonita. Mas, ao encarnar como homem, ele tornou-se o herói da humanidade, pois, passível de pecar, não pecou. Tentado em tudo, não cedeu. Confrontado no deserto por seu arqui-inimigo, o derrotou pelo poder da Palavra. Jesus nos deu o exemplo maior de heroísmo e provou que é possível ser um herói. Você pode. Deus te deu conhecimento de sua vontade. Deu domínio próprio. Deu seu Espírito. De que mais você precisa? Certa vez, me perguntaram em quem eu havia me inspirado para criar o Daniel, o herói de meus livros de ficção, que erra mas aprende, se arrepende e, depois, faz a coisa certa. Na hora, respondi: “em ninguém”. Hoje, percebo que respondi errado.

Eu me inspirei em alguém, sim: em mim e em você, os chapolins da vida real. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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cor 1Nós podemos tocar profundamente o coração de Deus. Cada vez mais, minhas experiências de vida, associadas ao que vejo nas Escrituras, têm me mostrado com mais e mais clareza a essência do nosso Pai – o modo como ele pensa, age, sente e se move. Como já compartilhei em diversos posts aqui do APENAS (como ESTE), as circunstâncias que mais têm me ajudado a enxergar em profundidade e intimidade o ser divino, nos últimos anos, são as ligadas à paternidade. É impressionante como ser pai nos faz entender melhor o Pai. Recentemente vivi com minha filha de 3 anos mais uma situação que me fez experimentar um lampejo daquilo que Deus vive conosco, seus filhos. Permita-me compartilhar, na esperança de que este relato de algum modo edifique você.

Nas últimas duas semanas, eu e minha esposa tivemos de enfrentar um mal até então desconhecido para nós: nossa filha pegou pneumonia. Assim que soube do diagnóstico, fiquei bem preocupado, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa é a doença que mais mata crianças menores de 5 anos em todo o mundo, e chega a ser responsável por 18% do total de mortes nessa faixa etária. Imediatamente pedi orações a minha rede de intercessores e a levamos ao hospital. Radiografia feita, exames concluídos, iniciamos rigorosamente o tratamento, que inclui antibióticos bem fortes. De início não houve muito efeito e minha filha chegou a ter uma infecção no ouvido direito, que a fez sentir muita dor. Após nova ida aos médicos, a dose do antibiótico teve de ser aumentada e recebemos a recomendação: pôr uma compressa quente algumas vezes por dia, durante vinte minutos, sobre o ouvido afetado. Assim começamos a fazer e, felizmente, a pequenininha começou a melhorar.

Na quinta-feira passada, ela foi liberada para voltar à escola, ainda sob certos cuidados: nada de tomar banho quente e ficar no vento, evitar tomar gelado, fugir do ar-condicionado, não fazer natação, esse tipo de coisa. E, claro, os antibióticos e a compressa se mantiveram no cardápio diário. Justamente nesse dia eu tinha de levá-la ao colégio. Dei o remédio sem problemas e chegou a hora de pôr a compressa aquecida sobre o ouvido. E aí começou o drama. Com sono e irritadiça, a pequena não queria de jeito nenhum deixar que eu pusesse a compressa. Com voz chorosa e birrenta, começou a dizer que estava quente demais, que não conseguia ouvir, que não queria e tudo aquilo que uma criança diz quando não quer algo. A hora passava, chegou o horário limite para sair de casa a tempo de levá-la, voltar e começar a trabalhar e eu ainda estava ali, tentando convencê-la na base do diálogo a pôr a bendita compressa. Mas nada adiantava: era manha, birra e desobediência; ela se revirava no sofá, deixava a compressa cair no chão, gemia com voz chorosa, resmungava… ufa! Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Chegou um momento, então, em que, totalmente exausto, tive de dar um basta. Virei para minha filha e disse algo mais ou menos assim:

– Filha, isso é para o seu bem. Mas eu não vou ficar aqui discutindo com você, pois tenho responsabilidades e precisamos sair. Já passou da hora. Você não quer pôr a compressa, ok, não ponha, mas saiba que a sua decisão pode fazer você ficar com dor. Se é isso que você quer, vai ter de arcar com as consequências da sua escolha. Eu vou me arrumar para sairmos e estou muito triste com o que você fez. Amo você, mas a sua desobediência é errada e pode te prejudicar. A sua atitude me entristeceu muito.

Dito isso, saí da sala bastante irritado e fui para o quarto me vestir. Eu estava bem chateado, tanto pela desobediência dela quanto pelo fato de não ter conseguido tratá-la corretamente aquela manhã. Passados uns cinco minutos, eis que a pequenininha aparece à porta, se arrastando junto à parede (como costuma fazer quando percebe que pisou na bola) e, com voz bem baixinha e em tom normal, sem choro, sussurrou alguma coisa que não compreendi. Parei o que estava fazendo e, meio irritado, pedi que repetisse, pois eu não tinha conseguido ouvir. Ela chegou mais perto e disse:

– Papai… eu queria dizer uma coisa. Mas não briga comigo, tá?

Minha vontade, de tão irritado que eu estava, era falar algo do tipo “como é que eu não vou brigar com você, você desobedeceu, blablablabla…”. Naquela hora, eu só pensava em discipliná-la, pelo cansaço que me dera e pelas atitudes erradas que optou tomar. Meio sem paciência, respondi:

– Tá bem, o que é?

Foi quando ela disse as três palavras que tocaram profundamente o meu coração.

– Estou arrependida… Desculpe…

puss in bootsAssim, com essas exatas palavras. Consegue imaginar uma criancinha de três anos dizendo isso para você com aqueles olhinhos de gato de botas do Shrek e totalmente sincera naquilo que diz? Naquele momento, foi como se toda a irritação evaporasse por completo e eu fosse transportado a um patamar completamente diferente da realidade. Ainda estava triste porque não havia mais tempo para pôr a compressa e não queria que ela piorasse, mas a minha reação diante daquelas palavras não foi de brigar, reclamar, passar uma descompostura, nada disso: eu fui inundado de amor. Caminhei até minha filha, a peguei no colo e disse:

– Bebê, é claro que papai te desculpa. E tem mais: estou profundamente orgulhoso do que você acabou de me falar. Você fez a coisa certa. Quando a gente percebe que errou, o que tem de fazer é exatamente o que você fez: se arrepender e pedir perdão. Infelizmente, sua desobediência terá consequências, pois não temos mais como pôr a compressa e isso pode fazer você sentir dor. Mas parabéns por reconhecer que errou, pelo arrependimento e pelo pedido de desculpas, estou muito feliz que você tenha dito isso.

A enchi de beijos e abraços e confesso que fiquei tão feliz pela postura dela de reconhecer o erro, confessá-lo e pedir perdão que devo ter dito umas cinquenta vezes que estava muito orgulhoso dela daquele momento até chegarmos à escola.

cor 3O rei Davi errou no episódio de Urias e Bate-Seba. Mas, quando ele se deu conta do erro, a Bíblia relata que ele imediatamente se arrependeu e confessou o pecado: “Então Davi disse a Natã: ‘Pequei contra o Senhor!’” (2Sm 12.13). Repare a resposta que o profeta Natã lhe deu apenas um segundo depois: “E Natã respondeu: ‘O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá'”. Fico imaginando Deus olhando aquela situação. O coração do Senhor deve ter sangrado ao ver as ações de Davi durante o processo do adultério e do complô para assassinar Urias. Deus amava aquele homem, mas as atitudes dele despedaçaram o coração do Pai. Ele esperava que Davi fosse obediente e amoroso, mas seu filho foi desobediente, birrento e fez coisas que prejudicaram não só os demais envolvidos, mas, acima de tudo, a si próprio. Creio que a experiência que tive com minha filha me fez compreender com mais clareza o que o Senhor sentiu diante das atitudes de Davi – que, imagino, é o que ele sente sempre que o desobedecemos. Mas também consigo me identificar com o que aquele Pai entristecido sentiu quando o filho se arrependeu e disse “Pequei contra o Senhor!”. Que linda confissão! Consigo ver o Pai pegando Davi nos braços, o enchendo de beijos e abraços e dizendo:

– Bebê, é claro que papai te desculpa. E tem mais: estou profundamente orgulhoso do que você acabou de me falar. Você fez a coisa certa. Quando a gente percebe que errou, o que tem de fazer é exatamente o que você fez: se arrepender e pedir perdão. Infelizmente, sua desobediência terá consequências, pois terei de trazer seu filho para junto de mim e isso pode fazer você sentir dor. Mas parabéns por reconhecer que errou, pelo arrependimento e pelo pedido de desculpas, estou muito feliz que você tenha dito isso.

cor 4Se você peca, meu irmão, minha irmã, o caminho é um só: Arrependimento (“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados” – At 3.19) seguido de Confissão, que significa assumir a culpa (“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” – 1Jo 1.9) e o estabelecimento de um Firme propósito de não mais pecar (“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” – Pv 28.13).  Em outras palavras:

– Estou arrependido… Desculpe…

Se você fizer isso com a sinceridade de uma criança, pode ter certeza absoluta de que a reação do Pai, motivado por um profundo sentimento de amor em seu coração divino, será tomar você nos braços, enchê-lo de beijos e dizer:

–  Papai perdoou o seu pecado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Pai1Já relatei em alguns posts do APENAS como minha experiência como pai me fez (e faz) enxergar de maneira muito mais profunda as realidades do relacionamento de Deus conosco, seus filhos. Se você é pai ou mãe certamente entende o que estou dizendo. Parece que cada episódio de nossa vida paterna é uma pregação. Cada dia com nossos filhos, um culto. Cada noite, uma vigília. A voz do Senhor e suas verdades tornam-se muito mais concretas diante daquilo que vivemos com nossos pequenos. Permita-me trazer mais uma reflexão sobre nossa fé a partir de algo que aconteceu comigo e minha filha de 3 anos.

Moro no Rio, cidade de praias. Naturalmente, levo minha pequena desde bebê para desfrutar desse playground natural. Ela sempre amou se esbaldar na areia e na água. Bem… nem sempre, na verdade. Quando completou 2 anos, um episódio teve grande impacto sobre ela. Sempre fui extremamente cuidadoso, pois sei os riscos que um segundo de distração paterna pode causar quando um filho está na água. Um dia, porém, estávamos na praia do Leblon, que tem uma arrebentação muito perto da beira, e um erro meu custou caro. De mãos dadas, eu a fazia pular por cima de cada onda que arrebentava, com aqueles gritinhos de “uúu!” que as crianças tanto amam. Ela estava eufórica, gargalhava e gritava “de novo!”. Mas, então, cometi um descuido. Eu me distraí com alguma coisa e não vi quando uma onda maior se aproximou e estourou em cima de nós. Resultado: a água entrou pelo nariz, os ouvidos, a boca e a alma da minha filhinha.

Entre engasgos e olhares assustados, ela se atracou ao meu pescoço, num gesto de desespero. Eu havia falhado e, por causa de um segundo de desatenção, a pequena parecia ter ficado traumatizada. Daquele momento em diante, nunca mais ela quis entrar na água do mar. Embora ame as aulas de natação e nade boas distâncias em uma piscina sem que ninguém a segure, daquele dia em diante ela começou a demonstrar pânico do mar. Ir à praia com ela passou a significar fincar âncora na areia e nem sonhar em chegar à beirinha da água.

Tentei muitas vezes. Cheguei mesmo a forçar a barra, entrando com ela no meu colo em águas calmas. Em vão: minha filha cravava as unhas no meu pescoço, escalava minha cabeça e, como um macaquinho que foge de um tsunami subindo ao ponto mais alto de uma árvore, ela se instalava no ponto mais alto dos ombros e da cabeça de seu papai, em pânico. Os fracassos sucessivos, durante meses, quase me convenceram de que não tinha mais jeito, o negócio era aceitar que ela tinha se tornado uma pessoa traumatizada e que nunca mais entraria no mar.

Mas um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai2Decidimos passar as férias desse fim de ano em Cabo Frio, uma cidade essencialmente praiana. Como conheço bem a rotina do lugar, sei que ficar na cidade significa, em resumo, acordar, ir à praia, comer, ir à praia e dormir. Por um lado já estava antevendo a dor de cabeça que seria passar 20 dias na praia com uma filha que tem pavor de mar. Mas, por outro, decidi que aquela situação tinha de acabar. Então, em vez de simplesmente aparecer com ela diante do mar e tentar empurrá-la para dentro da água, desde que decidimos passar as férias em Cabo Frio resolvi trabalhar a ideia na mente dela. Decidi… pregar.

Comecei pedindo-lhe perdão por tê-la deixado se assustar uma vez e garanti que eu estaria sempre presente, extremamente atento a sua segurança. Deixei claro que o papai iria protegê-la e faria disso prioridade. Verbalizei tudo o que era possível para deixá-la totalmente segura naquela situação. E fiz isso por um longo tempo e muitas vezes. A fim de torná-la ciente do que vinha pela frente, passei a dizer rotineiramente que iríamos a um lugar de praia e que passaríamos muito tempo lá. Junto a isso, comecei a explicar repetidamente e frequentemente como é o mar, propositadamente iniciei uma série de preleções sobre as águas do oceano, explicando como funcionam as ondas, o que fazer para evitar que elas sejam incômodas e outros aspectos relacionados ao seu grande medo. Preguei, preguei e preguei.

Enfim chegou o dia.

Creio que eu estava muito mais ansioso do que ela. Chegamos a Cabo Frio, nos instalamos e logo fomos à praia. Assim que pisamos na areia, minha filhinha disse algo surpreendente:

– Eu adoro o mar!

Sorri, surpreso com aquela afirmação inesperada. Montamos a barraca e ela começou:

– Vamos, papai, vamos para a água!

Pai3Seria possível? Segurei minha pequenininha pela mão e caminhamos rumo às ondas. Para meu espanto, ela não hesitou um segundo sequer: saiu invadindo a água. Pulou, mergulhou, se jogou em cima de mim. Daqui a pouco pediu para que eu soltasse sua mão, pois queria nadar sozinha. Eu, temeroso, permiti que aquele pingo de gente se esbaldasse, mas minha atenção ficou focada em cada onda que vinha. Sempre que uma maiorzinha despontava, eu a suspendia no ar, livrando minha filha de tomar água na cabeça. Aprendi com meu deslize. E cumpri minha promessa.

Durante todas as nossas férias, fui acordado por aquele pingo de gente me sacudindo e dizendo “vamos para a praia, papai?”. Quando chegávamos, antes que eu começasse a montar a barraca ela perguntava umas trinta vezes “vamos para a água, papai?”. Conclusão: foi difícil manter minha filhinha longe do mar. Ela pedia, destemida, para ir até o fundo; queria nadar, pular, fazer tudo o que pudesse, excitadíssima com a diversão. Quando vinha uma onda maior, por iniciativa própria corria para os braços do pai. Se entrava água em seu nariz ou sua boca, dava ouvidos ao pai e assoava ou cuspia. Creio que ela amadureceu, a partir dos problemas do passado, das palavras de esclarecimento e segurança que ouviu com constância e pela confiança que desenvolveu de que nunca seria desamparada ou abandonada pelo papai (e pela mamãe), sua fonte de segurança e conforto. O conhecimento e a confiança em que estaria segura a permitiram viver momentos de extrema felicidade.

Agora pense:

Infant Grabbing Man's FingerDeus é um Pai muito melhor do que eu. Ele nunca nos desampara. Ao contrário de mim, nunca fica desatento, jamais se distrai. Nada passa despercebido diante de seus olhos. Sua atenção conosco é constante, focada e dedicada. Ele jamais é pego de surpresa por qualquer onda, mas muitas vezes deixa que uma ou outra nos atinja, pelas razões mais diversas. Doenças, desemprego, luto, perdas, dificuldades, problemas, vales, desertos, dores, seja o que for: quando esses males chegam, parece que estamos nos afogando, perdemos o fôlego, ficamos espantados. O Pai permite que isso aconteça não para que percamos a fé ou fiquemos com medo diante da vida, mas para que amadureçamos, tenhamos experiências, cresçamos, subamos a patamares mais elevados em nossa espiritualidade. O problema ocorre quando, em vez de aproveitarmos essas circunstâncias para evoluir, deixamos que nos afetem de modo negativo, o que nos leva a questionar o cuidado de Deus.

Será que ele me abandonou? Será que não ouve minha oração? Será que cometi algum pecado que fez Deus virar-me as costas? Será que o Senhor desistiu de mim? Nossa fé é abalada. A confiança no Pai é minada. Passamos a temer. Os desafios da vida se tornam monstros apavorantes. Escalamos a árvore até o galho mais alto, pois a segurança de que Deus cuidará de nós a cada segundo foi posta de lado. Temores. Medo. Ansiedade. Trauma. Depressão. Tristeza. Sensação de abandono.

– Pai, as ondas estão fortes demais, não consigo!

Mas o Aba, nosso protetor celestial, aquele que nos ama com amor incompreensível, em momento algum se ausentou. Ele tentou numerosas vezes nos fazer ver que estava nos segurando pela mão ou nos carregando no colo, mas os traumas com as dores e os sofrimentos do passado fizeram nossa fé totalmente infrutífera. É o fim? Nem de longe, pois Deus é seu Pai.

E um pai amoroso nunca desiste de seus filhos.

Pai5Então, por saber que muito virá pela frente, o Senhor começa o processo de cura de nossa alma. Para isso, Deus começa a falar conosco. Leituras da Palavra nos dão explicações e esclarecimentos. Pregações iluminadas pelo Espírito Santo nos revelam como funcionam as coisas, como o Senhor age, por que certos sofrimentos ocorrem, o que fazer quando chegam as tribulações. Livros escritos por irmãos e irmãs movidos pelo Divino abrem os olhos para realidades profundas da ação do Pai. Aos poucos, o poder das verdades celestes vai transformando nossos medos em paz, nossa dor em esperança, nossos traumas em aprendizado. Amadurecemos. Vemos a vida e Deus de maneira diferente e com muito mais transparência. Entendemos que ele nunca nos abandonou nem nunca nos abandonará. Torna-se clara a certeza de que, em meio a toda aflição, o Senhor não soltou nossa mão, mas deixou as ondas nos atingirem sem causar um dano permanente – e os propósitos do alto diante daquela situação ficam patentes.

Passamos a compreender. Somos fortalecidos na fé. Galgamos novos patamares em nossa intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Conhecemos Deus, então, não mais por ouvir falar, mas por vê-lo com nossos próprios olhos espirituais. Com isso, ganhamos total confiança nele. E quando novas ondas despontam no horizonte, ameaçando nos afundar, afogar e machucar, dizemos com destemor:

– Vamos, papai, vamos para a água!

Pai6Passamos a encarar os problemas com segurança. Os momentos de trevas não nos apavoram mais. Sabemos que os vales virão, mas nosso Pai está e estará sempre ali, a nos proteger, guardar, escoltar, sustentar, salvar. Ele é Emanuel: Deus conosco. Conosco, nunca longe de nós (Mt 1.23). Ele está com você todos os dias, até a consumação do século (Mt 28.20). E temos a certeza de que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). Tudo o que temos de fazer, então, é entregar nosso caminho ao Senhor, confiar nele e saber que o mais ele fará (Sl 37.5). E se, em algum momento, sua fé vacilar e você acreditar na mentira de que teu Pai não ajudará a te sustentar, “Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá” (Sl 55.22).

Meu irmão, minha irmã, as ondas certamente virão, pois ninguém atravessa o mar da vida sem ser açoitado por elas. Mas tenha esta certeza: o teu Pai, que jamais se distrai ou se descuida, te susterá. Palavra de pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

IMG_5053Algum tempo atrás cheguei a um momento em minha vida em que acreditava piamente que tudo o que vivera até ali tinha sido uma grande preparação para fazer o que então estava fazendo. Era como se minha vida fosse uma grande frase, em que cada palavra compunha um período de aprendizado para chegar aonde eu chegara: o ponto final. Dali em diante seria apenas prosseguir realizando o que estava realizando e isso cumpriria os propósitos de Deus para minha existência. Tudo me levava a crer que eu estava na posição em que o Senhor me queria e em função da qual tudo em minha trajetória tinha sido planejado por ele. Como se fosse o ponto de convergência de tudo. Parecia fazer sentido. Só que… aquele momento passou. A vida seguiu. As coisas mudaram. Hoje, olhando para trás, percebo claramente que aquilo que eu acreditava ter sido o ponto final na verdade era apenas uma vírgula, mais uma etapa de vivência e aprendizado para adquirir bagagem e continuar em frente.

Descobri que nossa vida terrena tem um único ponto final: a morte. Antes que ela chegue, tudo sempre faz parte de um processo contínuo e interminável de erros, acertos, lições, machucados, decepções, alegrias, conquistas, perdas, descobertas, pecados, arrependimentos, subidas e descidas. Não existe ponto final enquanto estamos vivos – para o bem ou para o mal. A caminhada é contínua e não tem linha de chegada.

IMG_5055Em retrospecto vejo o quanto aprendi depois que ultrapassei aquele ponto da vida que eu considerava ser o ápice de minha existência. Sobre os homens, sobre Deus, sobre mim mesmo. Eu me assombro ao ver o quanto ainda vivi após deixar para trás o que para mim era o clímax de uma vida. E, sem dúvida, aquela vírgula que eu pensava ser o ponto final foi somente mais uma importante etapa de vivência e amadurecimento. Se eu tivesse permanecido ancorado naquele momento de minha história, não teria descoberto o tanto que descobri depois. Aprendi, por exemplo, o real significado de graça. Compreendi como nunca antes o que é o perdão bíblico. Vislumbrei com clareza inédita o que é a hipocrisia sobre a qual Jesus tanto falou – não só a de outros, mas, principalmente, a minha própria. Experimentei a fragilidade do corpo humano e os efeitos dos defeitos que nosso organismo decadente tem sobre todas as áreas da nossa vida. Isso só de saída, muito mais aprendi.

Se você parar para pensar na sua própria vida, é possível que identifique fases semelhantes. Momentos ou situações em que acreditava ter alcançado um patamar tal que dali seria apenas seguir em frente, numa processo contínuo de manutenção. Como se já tivesse cumprido os planos de Deus para si. Mas, de repente, tudo mudou. sua existência deu uma guinada e, então, percebeu que aquele patamar não era a cobertura do edifício, mas apenas mais um entre tantos degraus na escada de subida.

IMG_5065A vida é surpreendente a esse respeito. Inclusive no que tange a sua finitude. Recentemente, meu querido tio Wil ficou doente. Foi internado. Desenganado. Meus primos foram ao hospital para se despedir. Um deles, meu amado Edu, conversou comigo com voz embargada ao telefone, acreditando ter falado pela última vez na vida com seu pai. Naquele leito de morte, meu tio octogenário aceitou Jesus. O desenlace era certo e previsto. O ponto final tinha chegado. Mas… ele começou a reagir. Foi desentubado. Saiu do CTI. Dias depois recebeu alta, para nosso espanto e alegria. Aquele maravilhoso milagre de Deus mostrou ser uma vírgula e não um ponto final. Não tem jeito: só o Senhor sabe o quanto e o que ainda temos pela frente.

Você deve estar estranhando as fotos que ilustram este post, o que elas têm a ver com o assunto em questão? Estou escrevendo este texto dentro de um avião, num lindo dia de céu claro. Daqui de cima, vejo o horizonte, o mar, montanhas, nuvens, rios e, se não me engana a vista, neste instante enxergo três cidades ao mesmo tempo. IMG_5091Creio que uma delas é aquela em que vive meu primo Edu. As fotos deste post estou tirando durante o voo. Sugiro que depois clique nelas para ampliá-las e observar bem os muitos detalhes de cada uma. Pois bem: repare como a visão é panorâmica e vai muito além do que iria se eu estivesse lá embaixo, no chão. Daqui vejo incomparavelmente mais coisas, minha percepção geral é enormemente mais ampla. A diferença entre a visão de Deus sobre a nossa vida e a nossa própria tem uma relação equivalente a isso. Nós, humanos, mal enxergamos um palmo à frente do nariz. Deus enxerga de forma panorâmica, ampla, ilimitada. Em sua onisciência, ele vê passado, presente e futuro de uma só vez, percebe todos os lugares simultaneamente, vê o horizonte, as montanhas, as cidades e o coração de cada um de nós, tudo ao mesmo tempo. Na verdade, pensando bem, na visão do Senhor não há horizonte, pois não há limites ou fim para o que o Altíssimo vê. Ele se ri quando pensamos que uma vírgula de nossa vida é um ponto final. Por isso, meu irmão, minha irmã, nunca diga que algo em sua vida é o fim da linha: só Deus pode afirmar isso.

A propósito, é comum ouvirmos em certos ambientes eclesiásticos que fulano “chegou ao fundo do poço”. Entenda: para Deus, isso não existe. Os poços da vida para Deus não têm fundo. Ninguém chega ao fundo de poço algum, aquilo é apenas uma vírgula em sua caminhada.

infinitoOlhando para trás e vislumbrando aquele momento que eu acreditava ser o ponto final do projeto de Deus para a minha passagem pela terra, recordo-me do relato bíblico de 1Reis 19, em que um homem chegou ao que achava ser o ponto final de sua trajetória. Seu nome era Elias. Perseguido é ameaçado de morte, fugiu. Eis o que conta o texto bíblico: “[Elias] se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir”. Até aqui, o homem achava ter chegado ao ponto final. Mas então Deus, pela boca de seu anjo, lhe mostrou que era apenas uma vírgula: “Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo”.

O meu e o seu caminho nunca terminam antes do ponto final. E não estou falando de morte, apenas, mas, principalmente, dos propósitos que Deus tem para a sua vida. Enquanto você não termina de combater o bom combate, tenha a certeza de que não chegou ao lugar em que o Senhor deseja que lance âncora. Enquanto seus olhos se abrem de manhã e o ar entra em seus pulmões, algo Deus ainda quer fazer em você e por meio de você. Não existe “clímax da vida”. O que existe é… vida.

Então, o que está esperando? Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Os três primeiros meses de vida da minha filha foram duros. Ela sofreu de cólicas terríveis, que faziam com que ela chorasse, gritasse, gemesse, se contorcesse e soluçasse em agonia. Para quem nao teve a experiência da paternidade ainda, cabe uma explicação: essas dores são resultado da grande quantidade de ar que o neném engole durante as mamadas. Assim, não me restava solução a não ser fazer de tudo para que ela expelisse o ar. E sim, a melhor forma de se fazer isso é estimular o bebê a arrotar e soltar pum. Não é algo muito elegante de se dizer, mas é fato: se você é pai e seu filho recém-nascido sofre de cólicas, você terá de se tornar um grande incentivador de arrotos e puns, seja batendo nas costas, fazendo massagem na barriga, empurrando e esticando suas pernas, elogiando efusivamente quando o bebê finalmente põe os gases para fora… Fato é que fazer o neném expelir os gases tomará grande parte de seu tempo e de suas preocupações.

Mas aí o tempo passa. O bebê cresce e se torna uma linda mocinha. E você, pai ou mãe, descobre que agora tem de desensinar o que passou meses ensinando a pequerrucha a fazer. Afinal, quando sua linda filhinha se torna uma menininha e você sai para jantar com um casal de amigos não vai querer que ela fique soltando arrotos sorridentes na mesa. Ou que ela flatule alegremente na escolinha. Não. Agora a sua missão se torna educar aquele mini-indivíduo, para que ele continue em sua caminhada na vida sem ser visto como um porquinho pela sociedade.

Então, de repente, se vê dizendo para sua filhinha que você tanto incentivou a soltar puns e arrotos que, agora que ela está mais madura, precisa parar com aquilo que você passou meses ensinando-a a fazer. Que o que era certo agora é errado. O que antes ela fazia que levava você a bater palminhas agora te leva a fechar a cara. O que antes merecia um “isso, filhinha, que bonito, você arrotou!” agora rende um “filha, que coisa feia, arrotar na mesa!”. O que antes era premiado com um “que linda, soltou pum!” agora é repreendido com um “que feio, soltou pum!”.

Em princípio achei meio estranho ter de fazer minha filha reaprender. Ter de desconstruir o que levei meses construindo. Mas, depois de algum tempo refletindo sobre isso, cheguei à conclusão de que essa mudança de curso não é um contrassenso, como inicialmente me pareceu. Não faz de mim um hipócrita nem um indivíduo levado por ventos. Pelo contrário. Percebi que há coisas na vida que exigem mudanças drásticas e necessárias em direções opostas, repensamentos que são extremamente importantes. Para cada etapa da jornada, uma atitude. Nos momentos certos, reformulação, alteração de rumo, rotas redesenhadas. E isso não faz de você uma pessoa incoerente, fraca, inconstante, ignorante ou menos madura: simplesmente, como Salomão escreveu em Eclesiastes, “para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu” (Ec 3.1).

Na nossa vida espiritual é a mesma coisa. À medida que caminhamos, nos desenvolvendo na fé, nossas crenças, atitudes, práticas e valores vão mudando. E não há mal algum nisso. Não é sinal de fraqueza ou de falta de fé: é sinal – isso sim – de amadurecimento.

Logo após a conversão você aprende a Biblia de um modo, toma o leitinho, se fortalece, entra na intimidade com Deus de uma maneira. Com os anos, isso muda. Seu organismo espiritual enrobustece, passa a exigir aprendizados mais sólidos, vivências diferentes, alterações de pensamentos. E, para muitos, chega um momento de rompimento com as práticas da infância na fé e o reaprendizado de muitas coisas que se fazia e se cria até então. Isso é importante e desejável – desde que não se abandonem a sã doutrina bíblica e os fundamentos da fé.

De repente, você descobre que aquelas formas de oração que te ensinaram na igreja em que se converteu não seguem o padrão bíblico. Descobre que nem todas as pessoas serão curadas de suas doenças, mesmo tendo fé, ao contrário do que prometia aquele livro do Kenneth Hagin. Descobre que não adianta “tomar posse pela fé” daquela benção pois, se Deus não quiser, a soberania dele prevalece à sua fé (que o diga Paulo e seu espinho na carne…). Descobre-se enxergando que aquele fulano brigão que você achava o supra sumo da espiritualidade não passa de um fanfarrão. Descobre espantado que gritar, espernear, saltar e suar no louvor não fazem de você um verdadeiro adorador. Descobre que falar jargões evangélicos e frequentar uma igreja sem manifestar os frutos do Espírito não fazem de você um cristão. Descobre que ganhar almas sem fazer discípulos não cumpre o ide de Jesus. Descobre, descobre, descobre. Ou seja: chega o momento em que você amadurece a tal ponto que descobre que arrotar e soltar pum não são a coisa certa a ser feita, por mais que tenha aprendido isso no inicio da sua vida espiritual e que tantos lhe tenham incentivado por tanto tempo a fazer isso. De repente, você descobre que estava tudo errado e que tem de reaprender muita coisa.

E é o que tem de ser feito: amadurecer, evoluir, passar para a fase da maturidade. O problema é que muitos se agarram de tal forma ao que aprenderam no início que não suportam as novas descobertas, como personagens assustados do mito platônico da caverna. Uma parcela de cristãos que enxergam a luz recusam-se a abandonar as sombras confortáveis da caverna do passado, agarram-se à segurança daquilo que aprenderam na infância espiritual e se tornam adultos na fé que vão continuar a arrotar e soltar pum. “Foi assim que eu aprendi!”, apegam-se desesperados aos rudimentos da puerilidade. Outra parcela não aguenta o choque e de desvia, abandona a fé, apostata. Quantos não são os que entram num seminário teológico e, ao descobrir que o capítulo 16 de Marcos não está em alguns dos manuscritos mais antigos da Bíblia entram em crise. Ou que desmoronam ao saber que o grande reformador Lutero gostava de tomar bebidas alcoólicas. Ou, ainda, que muitos hinos da Harpa Cristã, do Cantor Cristão e outros hinários têm diversas músicas que originalmente eram tocadas em prostíbulos e até mesmo hinos nacionais de países como a Inglaterra e as ilhas Fiji – apenas com letras cristãs. E isso somente para citar alguns poucos exemplos.

Fato é que amadurecer incomoda. Dói. Reformular-se não é para qualquer um. Quando Jesus quis levar os judeus do leitinho veterotestamentário para o banquete da Nova Aliança muitos o rejeitaram. E hoje a coisa não é diferente. Multidões se apegam aos hábitos, às práticas e às crenças de um cristianismo incipiente e preferem viver na pseudossegurança de uma eterna infância espiritual. E isso acontece basicamente porque se recusam a adotar uma atitude simples: aprender.

Esse é o milagre que transforma a mente: o aprendizado. A obtenção de informações novas. Descobertas. Seja na convivência com pessoas realmente maduras na fé, que é discipulado. Seja pela leitura de bons livros. Seja pelo estudo sério da Palavra de Deus. Quer sair da infância? Olhe além do horizonte. Olhe por cima dos muros. Saia da zona de conforto e busque o conhecimento e a sabedoria além dos limites do berço. Muitas vezes as respostas estão naquilo que parte da Igreja abandonou equivocadamente em algum lugar do passado. Muitas vezes, nas páginas de obras literárias extraordinárias. Muitas vezes, em conversas com cristãos anônimos que vivem uma vida com Deus simples, íntima e silenciosa. E, certamente, no bom e velho texto de uma Bíblia, desde que lido sob os olhos vigilantes de uma exegese e uma hermenêutica corretas.

Se alguém algum dia mostrar a você que chegou a hora de parar de soltar arrotos e puns, não o rejeite. Esteja aberto a aprender. Disponha-se a ouvir mais do que a falar. Retenha o que é bom e despreze o que é mau. E que assim seja, “até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Ef 4.13-15).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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