Arquivo da categoria ‘Vaidade’

arrogancia 1Ando pensando muito sobre nossa arrogância teológica. Se você não está familiarizado com essa expressão, permita-me tentar defini-la. “Arrogância teológica” é aquele sentimento que se manifesta em nós quando nos consideramos os donos da verdade em relação a nossas crenças espirituais e doutrinárias e, por isso, nos colocamos em uma posição de suposta superioridade em relação aos reles e pobre mortais que discordam da nossa forma de ver a fé. Esse problema sempre existiu, mas, com o surgimento das redes sociais, o fenômeno tem se manifestado de forma nunca antes vista e ganhado uma enorme visibilidade. O que, diga-se de passagem, é uma lástima.

Tenho visto a arrogância teológica crescer e se multiplicar. Na Internet, atualmente uma das formas mais frequentes que a vejo é na guerra (e uso o termo “guerra” conscientemente) que tem se travado entre calvinistas e arminianos, isto é, a grosso modo, entre quem crê na eleição divina para salvação e quem crê no livre-arbítrio. É uma guerra feia, pois reproduz, milênios depois, a abominação que houve entre Caim e Abel: lança irmão contra irmão, suscita ódio entre filhos do mesmo Pai e gera debates pueris onde deveria haver amor e união. Não consigo vislumbrar nada mais inútil e feio na fé cristã do que irmãos em Cristo usando sarcasmo, ironia, ódio e ofensas para tratar outras pessoas por quem Cristo igualmente deu a vida. Vejo os “reformados” (calvinistas) defenderem a predestinação e o TULIP como se isso fosse fazer evangelismo. Não é, nem de longe. E vejo arminianos reagindo com ataques de igual monta contra os calvinistas, como se fossem hereges. E não são, nem de longe.

calvinismoEsses ataques e essas picuinhas vão levar a Igreja de Cristo sabe aonde? A lugar algum. Somente a embates cheios de carnalidade e a uma “guerra civil” protestante, para deleite das forças espirituais da maldade. Entrar em debates, acusações, birras de Facebook ou o que for para ficar defendendo calvinismo ou arminianismo mediante ataques ao outro lado vai simplesmente provocar o que levou a rixa entre José e seus irmãos ou Jacó e Esaú: dissensões e facções – que, aliás, são obras da carne, como denunciado por Paulo em Gálatas 5.19-21. Quanta perda de tempo e energia…

Muitos me perguntam se sou calvinista ou arminiano. Minha resposta é: que importa? Que diferença faz? Não quero pregar predestinação ou livre-arbítrio, quero pregar amor, graça, perdão, pacificação, generosidade, amabilidade, bondade, mansidão, caridade, paz; pois essas são colunas do evangelho, comuns a todos os sistemas doutrinários protestantes, ortodoxos ou católicos. Como já disse alguém, durmo com a tranquilidade de um calvinistas e prego com a ênfase de um arminiano. Mas procuro fazer isso unindo e não segregando, tratando quem discorda de mim com afeto e carinho, e não com desdém e palavras ácidas, como tanto tem ocorrido por aí. Simplesmente porque quem age assim não está agindo como cristão.

Duvido que Cristo aprove que se defenda sua soberania com ódio, ofensas ou ironias entre irmãos. Não há nada errado em se defender o que se crê (eu mesmo estou fazendo isso aqui), mas, se o fazemos com soberba e altivez, nos tornamos abomináveis. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (Pv 8.13).

Arrogante-1Outro aspecto da arrogância teológica está em desprezar aquele que o arrogante considera menos “acadêmico”, “culto” ou “profundo” do que ele próprio. A soberba leva o cristão que se encaixa nessa definição a desprezar pregações, palestras, textos e livros que não citem montes de pensadores e referências bibliográficas, que não usem os termos rebuscados da teologia, que não suscitem “debates intelectuais”. Algum tempo atrás fiquei muito chateado, pois vi uma pessoa criticar o escritor Max Lucado, desdenhando-o como um autor “raso”, “superficial”. Sou apaixonado por teologia, já cursei dois seminários teológicos, gosto e tenho frequentemente debates profundos e rebuscados sobre as coisas de Deus. Mas não é por isso que me ensoberbecerei em meus conhecimentos e desprezarei um autor cristão que contribui para levar consolo, paz, esperança e palavras de fortalecimento e fé a milhões de pessoas pelo mundo. Isso seria leviano. E diabólico.

Falo com conhecimento de causa. Quando eu era um arrogante teológico (sim, já fui isso) eu desprezava autores como Lucado e outros da mesma linha, que não se atêm a rebuscamentos da teologia, mas se dedicam a escrever de forma simples, aplicando conhecimentos teológicos à vivência do cristão. Mas, quando tive de atravessar o vale da sombra da morte, não encontrei a paz em teologias sistemáticas ou comentários bíblicos: encontrei alívio e refrigério (bíblicos, ressalte-se) em livros como os de Max Lucado, que me apontaram o amor de Jesus na prática. Esse irmão em Cristo (que tem crenças soteriológicas diferentes das minhas, permita-me ressaltar) foi quem me deu palavras de renovo, ânimo, conforto e esperança. Palavras como Cristo nos dá. E, enquanto os arrogantes teológicos o desprezavam e faziam piadinhas de sua “literatura rasa”, ele me ajudava a ficar de pé e a continuar a caminhar. Obrigado, Lucado, por isso.

boys-walking-on-raod-bw“Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.4-5). Nosso meio está cheio de pessoas que se enquadram nessa descrição, lamentavelmente. Eu fui muito abençoado em conferências teológicas que tratam de assuntos das rodas acadêmicas e da “intelligentsia” cristã. Washer, Piper, Sproul, DeYoung, Beeke e outros me edificaram, e muito, e jamais os desprezarei. O conhecimento deles e de outros excelentes pensadores soma, abençoa, constrói, edifica e devemos indispensavelmente ouvi-los. Que fique muito claro: não estou de modo algum dizendo que devemos descartar ou desprezar as profundidades da teologia, fazer isso seria cometer o mesmo erro (e um erro crasso), mas pelo lado oposto. O problema não é de jeito nenhum a teologia, sem a qual a fé cristã não subsiste. O problema é quando a teologia academicista despreza a sua aplicação prática coloquial e simples, quando a teologia diminui o chorar com quem chora, quando a teologia não quer sujar o pé no barro e despreza aqueles que o fazem. Teologia que não sai das salas de aula, das mesas de restaurante, dos vlogs e podcasts e dos auditórios de debate é mero correr atrás do vento para alimentar egos.

max lucadoEu gostaria muito que os grandes ministérios e as igrejas que organizam as principais  conferências teológicas no Brasil mudassem um pouco o foco. Que não tratassem de temas, muitas vezes, secundários e, até, improdutivos, e direcionassem suas atenções para os pontos nevrálgicos da fé cristã. Eu adoraria ir a uma conferência teológica cujo tema fosse o perdão, por exemplo (assunto essencial mas tão pouco tratado na Igreja de nossos dias), e que tivesse como preletor o Max Lucado. Ao ler isso, os arrogantes teológicos logo torceriam o nariz. Mas o que de diferente se esperaria de arrogantes teológicos?

Meu irmão, minha irmã, sempre que for tentado a cometer o pecado da arrogância teológica, lembre-se de que ela é tão arrogância como qualquer outro tipo de arrogância. E o que a Bíblia tem a dizer aos arrogantes é: “Abominável é ao SENHOR todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

cruzFica minha proposta: se você é um líder, alguém responsável por organizar congressos, conferências ou outros tipos de fóruns de debate entre cristãos, não se deixe picar pela mosca azul da arrogância teológica. Não queira ser chique. Pense o seguinte: sobre que temas Jesus chamaria seus discípulos para debater numa conferência ou num congresso? Consegue fazer esse exercício de imaginação? Bem, na verdade, nem é preciso imaginar. Leia Mateus 5 a 7, o conhecido Sermão do Monte, essa belíssima conferência teológica que Jesus organizou e na qual palestrou com a simplicidade de um Max Lucado. Ali ele tratou de temas basilares, indispensáveis e urgentes do cristianismo, como humildade de coração, consolo, mansidão, misericórdia, pureza de coração, pacificação, confiança nos cuidados de Deus, santidade, a importância da reconciliação com os irmãos e outros temas centrais, fundamentais e prioritários da fé cristã. E, se Jesus priorizou tais temas, não deveríamos nós imitá-lo? O que está nos impedindo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
.
O fim do sofrimento_Banner APENAS
Clicando nas imagens acima e abaixo você vai à loja virtual da livraria Saraiva

Perdaototal_Banner Blog Apenas

dentes 1Meus dentes são amarelados. Não é muito comum as pessoas saírem por aí alardeando os próprios defeitos, mas não tenho como fugir deste fato: meu sorriso está mais para aquela cor de sol pálido em dia de chuva do que para boca de modelo de propaganda de creme dental. E há uma explicação para isso: meu gosto por café. Sim, eu amo café e tomo muitas xícaras por dia. Apesar do grande prazer que esse hábito me proporciona, ele traz o efeito colateral de, pouco a pouco, tingir a arcada dentária. Meu processo de tingimento dentário começou quando eu trabalhava em televisão e desenvolvi o hábito de tomar café de uma máquina posicionada em um local da emissora onde os colegas ficavam batendo papo ao final do horário de almoço. Portanto, foi a influência dos meus companheiros de trabalho que acabou fazendo de mim um apreciador dessa bebida. Todos os dias o almoço terminava e, como forma de fazer parte do grupo, eu ia para junto da bendita máquina, onde acabava tomando um copo daquele café fortíssimo. No começo nada aconteceu, mas, aos poucos, meus dentes foram ganhando ares amarelados, sem que eu me desse conta.

Finalmente, anos depois, percebi que meu sorriso não brilhava, mas, sim, assustava. Decidi, então, fazer um clareamento, em 2009. Aplicações a laser deixaram, em um curto período de tempo, minha arcada alva mais que a neve. Os amigos chegaram a comentar, tão grande foi a diferença. Eu parecia ter sido photoshopado.

dentes 0Mas, então, a vida seguiu e continuei tomando café. Ganhei de presente de minha esposa uma máquina de Nespresso, que faz cafés deliciosos enquanto tinge os dentes impiedosamente. O resultado: cinco anos depois de ter meu sorriso totalmente branqueado, voltei a ficar com dentes bastante maculados. Estava pensando sobre isto hoje, enquanto escovava os dentes: se o café mudasse radicalmente a coloração dentária após uma única ingestão, provavelmente tomaríamos todo o cuidado do mundo para não beber café – afinal, o impacto da mudança brusca seria grande. Mas, como o processo acontece devagar, xícara após xícara, ao longo de muito tempo, não nos damos conta, relaxamos e, assim, agimos como grandes pichadores dos próprios dentes.

O processo que um cristão sincero percorre quando passa a viver uma vida de pecados sem arrependimento é parecido. Entenda que todo cristão peca, diariamente. Não existe ser humano totalmente isento de pecado, mesmo entre os discípulos de Cristo. “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. […] Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1Jo 1.8,10). O problema ocorre quando incorremos constantemente na mesma transgressão, sem nos arrependermos, sem a confessarmos a Deus e sem nos devotarmos com todas as forças a resistir a ela. É o que a Bíblia chama de “consciência cauterizada” (1Tm 4.2). Se você for analisar o processo que conduziu esses irmãos e irmãs a se enredar numa rotina de pecado sem arrependimento, na estrondosa maioria das vezes verá que não o fazem por “sem-vergonhice”, mas porque percorreram um lento caminho que tingiu suas almas com manchas amarelo-cor-de-pecado. Nenhum filho de Deus acorda de manhã e diz “Oba, hoje vou sonegar imposto!”, “Acho que hoje é um bom dia para desonrar meus pais”, “Estou com vontade de dar propina a um fiscal, onde será que encontro um para corromper?” ou “Estou tão a fim de ser soberbo!” Não é assim. A coisa acontece bem devagar.

Antes de eu começar a apreciar café, não dava muita atenção a essa bebida. Preferia Nescau. Mas, pouco a pouco, pelas circunstâncias do meu trabalho e das pessoas com quem eu convivia, fui me adaptando ao hábito. Um cristão que está imerso na prática de pecados sem arrependimento passa por algo semelhante. Vivia tranquilamente, sem que aquele erro fizesse parte de sua rotina. Aos poucos, as circunstâncias da vida o vão conduzindo àquilo, seja por algo que muda em seu cotidiano, seja por convivência com as pessoas erradas, seja por estar em uma situação nova que a influencia… as razões são muitas. Em comum há o fato de que as circunstâncias da vida começam a permitir que aquele pecado passe a se tornar uma possibilidade. Assim, dia após dia, o pecado vai se avolumando, se consolidando, pigmentando a alma daquela pessoa pouco a pouco, sem que ela perceba que está deixando de ser branca. A transgressão é como uma poluição silenciosa, que vai sujando o indivíduo paulatinamente. Até que, sem que se perceba, está todo sujo.

dentes 2Essa constatação nos leva a ver a importância de cortar o mal pela raiz. Para isso, é preciso estar sempre muito vigilante, a fim de detectar o início da “pigmentação” do pecado já de cara. Muito melhor do que ter de passar por aplicações a laser e noites inteiras com um molde cheio de química dentro da boca é evitar o hábito que vai prejudicar. O que isso significa na sua vida, em especial, você é que deve identificar. Se percebe que o amor ao dinheiro está começando a se tornar grande demais, tome atitudes que evitem que se torne ganância. Se vê que a sua vaidade já passou dos limites, mude as situações que a alimentam antes que ela se torne soberba ou arrogância. Se identifica que as intimidades com aquela pessoa estão avançadas demais, mude sua forma de se relacionar com ela antes que o trem descarrile para a fornicação ou o adultério. Se nota que a curiosidade está escalando para o consumo de pornografia, elimine quanto antes a fonte de onde vêm as fotos ou os vídeos. Se já fez pequenas concessões no que diz respeito ao descumprimento de leis, radicalize para que não se torne um corrupto. Em resumo: se percebe que algo em sua vida pouco a pouco te conduz para um estilo de vida de pecado, tome ações imediatas e, se necessário, até mesmo radicais, para fugir da transgressão.

Ao ler isso, talvez você acredite que já passou do ponto em que poderia cortar o mal pela raiz. “Não há como voltar atrás”, talvez diga. É possível que você, neste exato momento, esteja enredado em práticas pecaminosas sem arrependimento. “Agora é tarde, meus dentes já estão amarelos”, você pode constatar. Bem, se é o caso, você tem dois caminhos. O primeiro é o do acomodamento. Só que relaxar vai fazer com que você afunde na lama do pecado mais e mais, numa escalada de transgressões que acabarão deixando seus dentes não amarelos, mas pretos, podres. Talvez eles caiam. Ou, ainda, pode ser que gerem uma infecção que atacará todo o organismo. Mas, em vez do acomodamento, você pode optar por tomar atitudes de mudança. Como alguém que vai ao dentista e se submete ao branqueamento, num processo de reverter as manchas que se instalaram, você pode, sim, reverter o quadro.

dentes 5Deus não usa laser: ele usa sangue. Jesus morreu no Calvário para que não houvesse pecado que ficasse sem perdão. Para clarear dentes manchados, você precisa se conscientizar de que eles estão amarelos, tomar a atitude de procurar um dentista para tratamento e seguir os procedimentos necessários para voltar a ter dentes brancos. De igual modo, para clarear uma alma manchada, você precisa se conscientizar de que está transgredindo sem inventar desculpas, tomar a atitude de procurar Jesus em confissão sincera para tratamento e seguir os procedimentos necessários para abandonar as práticas pecaminosas e voltar a ter uma alma alva, mais que a neve. Reconheça sua transgressão. Confesse a Deus sua rotina de pecado. Abandone a prática. Estabeleça em seu coração o firme propósito de não mais incorrer nesse erro. Ao fazer isso, acontece o milagre do perdão. E, uma vez que você for feito totalmente branco, limpo, puro, jamais permita que sua alma volte a amarelar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

Perdaototal_Banner Blog Apenas

Successful-PeopleTodo mundo quer ter sucesso. Isso é um problema? De modo algum, é um desejo lícito. Almejar ser bem-sucedido, aliás, é parte da natureza humana, ninguém faz qualquer coisa para que dê errado e fracasse. Então, se você busca o sucesso, saiba que não está pecando nem cometendo nenhum mal. Só tem um enorme porém: temos de entender exatamente o que significa “sucesso” para um cristão, isto é, o que a Bíblia define ser um cristão bem-sucedido. Será que sucesso para um filho de Deus é a mesma coisa que para um não cristão? Quando fui buscar uma imagem para ilustrar este post fiz um acordo comigo mesmo: eu escreveria sucesso no Google e a primeira foto que surgisse nos resultados da pesquisa eu utilizaria. Pois a primeira fotografia que apareceu foi essa aí: um  homem no topo de uma montanha, braços erguidos, celebrando uma conquista do ego, algo obtido por seus próprios esforços, um feito que possivelmente lhe trará fama e fortuna. Outras imagens semelhantes surgiram no topo da página e serão as que utilizarei ao longo deste texto. Para pensarmos sobre o conceito cristão de sucesso, vou iniciar com um exemplo pessoal, que deflagrou esta reflexão.

Tenho refletido muito sobre essa questão de “sucesso” devido a algo que ocorreu semana passada: meu novo livro, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar esgotou a primeira edição, de 5 mil exemplares, apenas 17 dias após o lançamento oficial e menos de 30 dias após o lançamento real. Para que você entenda, no meio literário isso é um fato raro para obras de um autor desconhecido como eu, que não tem fama ou celebridade. Pois bem, quando a notícia foi divulgada, comecei a ouvir muitas vezes a palavra “sucesso”. No meu perfil no facebook (facebook.com/mauriciozagariescritor), irmãos e irmãs carinhosamente me deixaram recados celebrando esse “sucesso”. Um programa de rádio quis me entrevistar “devido ao sucesso do livro”, como o apresentador mesmo disse. Amigos que me encontraram pessoalmente gentilmente me parabenizaram pelo “sucesso”. Então essa coisa de “sucesso” começou a pipocar diante de mim nesses últimos dias e, naturalmente, passei a refletir sobre o assunto.

sucessoA pergunta é: a boa vendagem do meu livro em tão pouco tempo representa sucesso? A conclusão a que cheguei é: não. Pois entendo que sucesso depende da sua motivação e do seu objetivo ao realizar algo. Fui ao dicionário olhar e vi que a definição de “sucesso” é: “Resultado de ação ou empreendimento”. Ou seja, se um escritor lança um livro com a meta de ganhar o máximo de dinheiro que puder, tornar-se mais conhecido, receber elogios que alimentem sua vaidade e outros benefícios mundanos como esses, vender 5 mil exemplares em menos de um mês pode ser, sim, considerado sucesso, pois o resultado desse empreendimento atendeu ao desejo do coração do escritor. Mas, se a motivação dele ao escrever um livro é que os leitores sejam transformados, recebam alívio para seus fardos, entendam melhor o evangelho, alcancem paz de espírito e vivam de modo mais conformado a Cristo, vender muitos ou poucos exemplares não fará a menor diferença: o que realmente determinará o seu sucesso é se o conteúdo da obra, a sua mensagem, alcançou e transformou vidas – independentemente da quantidade de exemplares vendidos. Logo, segundo esse pensamento só poderei me considerar um autor de sucesso se eu vier a ouvir relatos de pessoas que conseguiram perdoar ou se perdoar por causa do que leram no Perdão Total. Aí, sim, minha oração será “Obrigado, Senhor, porque o livro foi um sucesso”.

Esse exemplo pessoal se aplica a tudo aquilo que realizamos. Permita-me te perguntar: por que você faz o que faz? Quais são as motivações do seu coração ao ir para o trabalho, ao estudar na escola, ao ir à igreja, ao pregar no púlpito, ao servir na obra de Deus, ao escrever em um blog, ao postar textos e fotos no facebook, ao pedir ao Senhor um(a) namorado(a), ao acordar pela manhã e viver mais um dia? Só ao responder com sinceridade essas perguntas você poderá determinar se é uma pessoa de sucesso ou não. Mais ainda: se somos cristãos, a nossa motivação sempre, sempre e sempre deve ser ajustada aos padrões bíblicos. Portanto, resultados positivos de empreendimentos que realizamos não farão de nós pessoas bem-sucedidas caso estejam em desacordo com a vontade de Deus. Permita-me dar alguns exemplos.

sucesso0O mundo estabelece como um dos principais fatores determinantes de sucesso o enriquecimento financeiro. Mas Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.19-20). Diante disso, se você estabelece como meta na vida ajuntar tesouros na terra, sem se preocupar em ajuntar tesouros no céu, por mais que se torne um bilionário você será um fracassado. Outro exemplo: a Bíblia estabelece numerosas vezes que o padrão cristão é não devolver mal com mal. “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens” (Rm 12.17); “Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos” (1Ts 5.15); “Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa” (Pv 17.13). Assim, por mais que alguém se considere bem-sucedido por ter conseguido se vingar de uma pessoa que lhe fez mal, diante de Deus ele será um grande fracasso.

sucesso2Os exemplos seriam muitos. Mas acredito que podemos resumir tudo o que a Bíblia define como sucesso em um único versículo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Assim, faça você o que fizer, se lucrou financeiramente, obteve fama, foi elogiado, recebeu aplausos ou o que for, mas não realizou seus empreendimentos tendo como finalidade primordial a glória de Deus… considere-se um enorme fracassado. Por outro lado, se você trabalha, estuda, produz, canta, prega, escreve, se casa, fatura, labuta na obra do Senhor ou faz qualquer outra coisa com a motivação de glorificar a Deus, então todas as suas conquistas serão estrondosos sucessos. E o que é glorificar a Deus? Em essência, é cumprir o grande mandamento: amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Portanto, tudo o que você realiza por amor ao Pai celestial e por amor ao seu próximo representa glória para o Senhor e faz de você um sucesso total.

E nunca podemos nos esquecer de uma realidade suprema: qualquer sucesso que tenhamos não é nosso, é de Deus. Tiago foi no cerne dessa verdade: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Se o seu “sucesso” te envaidecer ou te fizer orgulhoso, soberbo ou altivo, você é o maior dos fracassados, pois está se vangloriando por algo que nem mesmo é mérito seu: é fruto da graça de Deus.

sucesso5Escrevo livros e posts deste blog para abençoar a sua vida e tentar ajudar de algum modo a conformá-lo mais à imagem de Cristo. E faço isso por amor a Deus e por amor a você. Se meus escritos alcançam essa meta, então pode me considerar um homem de sucesso, a despeito de quantos de meus livros forem vendidos e de quantos assinantes tiver este blog. Isso é o que vale para mim. E para você? O que você faz tem por motivação Deus e o próximo ou sua própria vaidade ou o amor por si mesmo, pela fama e a fortuna? Responda isso com toda sinceridade e você descobrirá se é bem-sucedido ou um fracassado. Ah, sim, e para terminar este texto, deixei por último uma imagem do que eu considero sucesso para uma pessoa – não segundo o Google ou o senso comum da sociedade, mas segundo a Bíblia sagrada. Compare esta última foto com as demais que ilustram este post e diga qual representa mais “sucesso” para você. A sua escolha vai dizer muito sobre os conceitos que norteiam a sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

< Enquanto a segunda edição não chega da gráfica, o livro está disponível on-line na loja virtual da Saraiva: http://www.saraiva.com.br/perdao-total-8187731.html >

Perdaototal_Banner Blog Apenas

toxicas2É triste mas é verdade: existem pessoas tóxicas. São indivíduos que, por onde passam, deixam uma sensação muito ruim no ar, seja de mal-estar, tristeza, mágoa, derrotismo, antipatia, dissensões… suas palavras e/ou ações acabam provocando muitas sensações ruins e gerando situações incômodas. Essas pessoas me lembram um pouco o personagem Cascão, da Turma da Mônica, que por onde anda deixa o rastro de seu cheirinho desagradável. No caso de gente tóxica, o que fica não é mau odor, mas um clima muito estranho no ambiente, algo ruim, falta de paz. Você conhece gente assim? Provavelmente sim. E o que fazer com pessoas que causam mal-estar por onde passam? Melhor: como proceder, como cristão, quando pessoas tóxicas atravessam seu caminho?

Não fui eu quem inventou o conceito de “pessoa tóxica”, ele já existe e foi elaborado com mais cuidado pelo escritor e psicólogo argentino Bernardo Stamateas. “Tóxico” significa ser “venenoso”. Assim como uma substância tóxica que, despejada em um rio, mata peixes, plantas e outros seres vivos que tiverem contato com aquela água, um indivíduo “tóxico” é aquele que envenena os arredores – seja pelo que fala, seja pelo que faz, seja pelo que transmite. Ele causa abatimento de alma, conflitos, irritação, uma sensação incômoda e, invariavelmente, provoca falta de paz. Essa, aliás, é uma característica comum a todo tipo de pessoa tóxica: parece que ela contamina a paz que existe ao seu redor, como a fumaça tóxica de cigarros parece tornar o ar à sua volta irrespirável. Não é alguém que você tenha prazer de encontrar. A má notícia é que todo lugar tem sua cota de pessoas tóxicas – até mesmo as igrejas. Por isso, temos de aprender a lidar com esse problema, biblicamente.

toxicas3O melhor dos mundos é que esse indivíduo perceba que tem influenciado negativamente seu entorno, arrependa-se e abandone esse modo de ser. Você, meu irmão, minha irmã, pode ser o canal para essa transformação. Por isso, se houver ocasião e você tiver liberdade para isso, advirta com amor e carinho essa pessoa. Procure mostrar as consequências ruins de suas atitudes. Mas, se ela prosseguir em sua postura incômoda e desagradável, só há um caminho: afastar-se, para que você não acabe sendo contaminado e reproduza em seu comportamento aquilo que Deus aborrece ou abomina: “Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6.16-19). Fuja de tudo isso. Não deixe que ninguém o influencie a trilhar esses caminhos.

Portanto, se não houver mudança de comportamento, a melhor maneira de se lidar com pessoas tóxicas é manter-se distante delas e, se necessário, cortar o contato. Paulo dá um exemplo de pessoa tóxica que deveria ser evitada, quando recomenda a Timóteo: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras” (2Tm 4.14). Com esse afastamento, tais indivíduos não conseguirão exercer sua influência nociva sobre você.

toxicas4Portanto, não se deixe contaminar. Pois é fácil, por exemplo, virar um fofoqueiro quando se convive muito com fofoqueiros. Ou tornar-se um reclamão, quando cercado por reclamões. Ou adotar uma postura pessimista, se andar na companhia de pessimistas. A língua é terrível, nesse sentido, como Tiago destacou bem em sua epístola. Nas igrejas, geralmente uma pessoa maledicente acaba conduzindo quem está ao redor à maledicência. Ela fala mal de um irmão e, em pouco tempo, atrai para si um grupo de “discípulos” que passa a multiplicar aquilo que ela diz. Então, se você detectar que uma determinada pessoa consegue infectar as demais com a nuvenzinha negra que transporta sobre sua cabeça, evite reproduzir o que ela faz. Se ela chega para fofocar sobre a vida alheia, criticar negativamente os outros, meter o malho sem nada edificar, arrastar você para um estado de espírito depressivo, transformar seu dia para pior… simplesmente se recuse a participar da conversa. Em outras palavras, fuja das rodas tóxicas, sejam elas dos escarnecedores ou de quaisquer outros influenciadores de comportamentos perniciosos – mesmo que essa influência ocorra “em nome de Jesus”.

Em nossos dias, infelizmente muitas pessoas tóxicas conseguiram ampliar o alcance de seu veneno graças ao advento da televisão e, principalmente, da internet. Quem antes só destilava mal-estar para quem o cercava agora consegue estender esse clima ruim para milhares de pessoas por meio de todo tipo de mídia: programas de TV, redes sociais, YouTube, blogs, sites… as possibilidades são muitas. Pode reparar: se você criar o hábito de consumir o azedume destilado por esses irmãos, vai acabar destilando o mesmo azedume. Se não tomar cuidado, em pouco tempo estará adotando o mesmo tipo de discurso, assumindo postura agressiva semelhante, deixando-se deformar pela influência do veneno que chega até você pelo computador e pela televisão – e isso será péssimo. “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa” (1Co 15.33-33). Conhece quem esteja vivendo sob a influência de gente tóxica on-line ou via satélite? Pois cuidado para não se deixar envenenar também.

toxicas5As pessoas tóxicas que estão nas mais variadas mídias são diferentes das que convivem com você, no sentido que raramente você conseguirá chegar até elas para alertá-las em amor acerca do mal que estão disseminando. E, se conseguir, geralmente o seu posicionamento será repudiado como errado, menos espiritual ou menos embasado teologicamente. A distância virtual blinda. Pessoas com, por exemplo, fama ou muitos seguidores e “amigos” em redes sociais muitas vezes confundem isso com sinal verde para se tornarem altivos. Nesses casos, meu irmão, minha irmã, bater de frente não vai adiantar nada. A atitude deve ser fugir dessas pessoas. Falo por experiência. Há um bom tempo eu simplesmente fujo de toda e qualquer coisa que pessoas tóxicas postem na web ou falem na TV. Não leio mais o que escrevem em redes sociais; não assisto mais a suas pregações, a seus podcasts ou programas on-line; ignoro o que publicam em seus sites e blogs; fujo de seus programas de web TV. Se alguém me manda por e-mail o que as tais divulgam, eu simplesmente deleto sem olhar. E como valeu a pena! Por isso falo de algo que tenho posto em prática: fugir desse tipo de influência deixa você mais leve, saudável, em paz. É bom para a saúde – física, emocional e espiritual. E, livre dessas influências, o que você passa a falar torna-se muito mais agradável e edificante e a sua vida passa a dar muito mais frutos. Como alguém que para de fumar e, aos poucos, torna-se mais saudável e bem disposto, remover essas influências da sua vida só vai te fazer bem. Busque consumir somente aquilo que some e te faça ser alguém melhor.

Uma das grandes dificuldades para se conseguir manter-se distante da influência das pessoas tóxicas que estão na internet e na TV é a curiosidade. Você vai chegar na igreja e todos vão começar a comentar o que o famoso fulano de tal disse e que está disponível no YouTube. É natural sentir aquele comichão para buscar assistir ao que está na boca do povo. Mas, como alguém que enfia a mão em uma toca de cascavel, abrir-se a essa influência só te fará mal. Se você está nas redes sociais, fatalmente montes de seus amigos vão compartilhar o texto daquele irmão tóxico que destila mal-estar, tensão, polêmicas, dissensões e amargura por onde passa. É preciso ter domínio próprio para não abrir o link e ler aquilo que te fará mal. A boa notícia: é possível. Basta você querer.

Para muitos, fugir dessas influências significaria alienar-se das coisas que estão acontecendo no mundo e na igreja. Só que não. Com o tempo e a desintoxicação, você vai perceber que o que pessoas tóxicas produzem não faz nenhuma falta – assim como fumaça de cigarro não faz falta, apenas vicia e gera um certo prazer tóxico a quem é adepto. O veneno das tais provoca efeitos como tristeza, depressão, escândalo, polêmicas, chateações e facções. Não precisamos de nada disso em nossa vida. Precisamos de paz. Cristo passa longe de bate-bocas entre irmãos, das indiretas on-line, de agressões via satélite, picuinhas “gospel”, maledicências, confrontos nocivos, sarcasmo e coisas similares. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos. Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.13-16).

Fuja de todo veneno, mesmo o que vem de irmãos em Cristo. É provável até que os tais lancem seu veneno na maior das boas intenções e crendo estar agradando a Deus (como os fariseus e mestres da lei criam na época de Jesus). Mas isso não faz o veneno deles ser menos venenoso. Assim como você naturalmente mantém distância se encontra uma aranha venenosa, afaste-se de pessoas tóxicas. Se puder contribuir para que mudem, ótimo. Se elas não quiserem te dar ouvidos, deixe – e não permita que o veneno que destilam por suas palavras e atitudes chegue até você. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios” (Pv 4.23-24).

toxicas6Se não conseguimos influenciar positivamente as pessoas tóxicas, devemos, então, nos preocupar com quem temos a capacidade de mudar: nós mesmos. Sobre isso, reflita comigo: até que ponto não sou eu quem tem envenenado o próximo? Será que levo a paz a todos? Será que minhas palavras são sempre edificantes e temperadas com sal? Será que ajo em tudo com mansidão, amabilidade e carinho? Será que sou dos que edificam ou dos que prejudicam? Será que tenho defendido o evangelho como um pacificador ou como um gladiador? Em suma, tenho incensado os ambientes reais e virtuais por onde passo com o suave perfume de Cristo ou os tenho intoxicado com um jeito de agir e de falar que envenena corações e mentes? Se você perceber que, de alguma forma, tem sido tóxico, peço a Deus que aceite minha exortação em amor – e faça de tudo para mudar. No dia em que percebi que eu estava sendo um cristão tóxico, comecei a buscar em Deus a transformação, então falo com conhecimento de causa. Sim, eu já envenenei muito, e a percepção disso me abateu enormemente e me conduziu a um doloroso processo de arrependimento. Tenho me esforçado diariamente para mudar e ser alguém que direciona suas energias para edificar e abençoar, então sei que é possível lutar nesse sentido. E, se é possível para mim, é possível para qualquer um.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

Perdao Total_News cortado

(Para adquirir “Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar” clique AQUI)

baiacu1Muitos animais têm um mecanismo de defesa interessante quando se sentem ameaçados por predadores ou se veem em alguma situação de risco: eles tentam parecer maiores do que são. Você já deve ter visto em documentários da televisão, por exemplo, cenas de sapos que incham diante de uma serpente, baiacus que inflam quando dão de cara com uma moreia, cobras naja que abrem uma espécie de capuz de pele diante de inimigos ameaçadores ou ursos que se erguem sobre as patas traseiras quando atacados por outros machos da espécie. É uma estratégia instintiva desses bichos, uma forma de autopreservação, como se quisessem se proteger parecendo maiores do que de fato são. Em outras palavras, é uma reação ao medo. Essa é uma atitude que muitos de nós, seres humanos, também tomamos, embora num contexto diferente, como já veremos.

Claro que, ao contrário dessas outras espécies, não possuímos a capacidade de nos agigantarmos fisicamente. Não temos como inflar o tórax até ficarmos com as dimensões de um elefante, tampouco nosso cabelo se arrepia para se assemelhar ao pelo eriçado de um gato selvagem. Deus simplesmente não nos concedeu a habilidade de alterarmos nossa compleição física para crescermos diante de uma ameaça. Mesmo assim, inconscientemente (ou não), em nosso dia a dia tomamos uma série de atitudes que nos fazem tentar “crescer” aos olhos dos demais. Só que, ao contrário dos animais, o que nos faz querer ser maiores do que os outros não é o medo ou o instinto de defesa: é a vaidade.

baiacu4Por que você acha, por exemplo, que homens se preocupam tanto com o carro ou a moto que compram? Só porque é o mais econômico da praça? Ou porque o status que ter aquela máquina proporciona o faz sentir-se maior do que as demais pessoas? O mais capaz, o mais bem-sucedido, o alfa do bando? E não só veículos, isso vale para smartphones, roupas, bolsas, relógios, videogames, imóveis, quantidade de seguidores nas redes sociais… a lista de elementos usados como artifício para dizer, sem palavras, “eu sou melhor que você” é inumerável. Outro exemplo são os títulos. Se eu e você saímos nus do ventre de nossa mãe e chegamos absolutamente equiparados a este mundo, o que fará você se sobressair a mim? Fácil: comendas, honrarias, títulos, pós-ultra-PhD-doutorado, cargos pomposos. Se você parar para pensar, o prazer que um indivíduo ostenta por ter adjetivos e predicados à frente de seu nome nada mais é do que um meio de tentar se agigantar diante dos demais. É como se dissesse: “Veja como sou maior ou mais importante do que você, afinal sou um conde, um visconde, um barão!”. Por que você acha que durante tantos séculos os títulos de nobreza custaram tão caro e foram tão cobiçados? Simplesmente porque tê-los era uma maneira de tentar sobressair.

Em nossos dias, até mesmo os jogos de futebol revelam com clareza esse fenômeno. Sejamos sinceros: não basta nosso time ganhar, temos de pegar no pé dos amigos que torcem para a equipe que perdeu. A troça futebolística faz parte da nossa cultura de querer ser superior aos outros. E por aí vai, em tudo aquilo que fazemos. A realidade é que todo ser humano busca, inconscientemente, destacar-se dos demais. Eu sou assim, você é assim, todos somos assim. Queremos fama. Queremos notoriedade. Queremos o lugar mais alto do pódio. Esqueça o Barão de Coubertin: o importante é ser o maioral e ganhar, sim, senhor.

Mas, então…

Então chega Jesus e diz “aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus” (Mt 18.4). Ouvimos isso e, se queremos ser como Cristo ensina, nos vemos obrigados a desinflar o peito, abaixar a crista, nos posicionar de cabeça baixa; assumir a postura submissa de um cordeiro. Pôr nosso ego nas dimensões de uma criancinha. Diminuirmos para que ele cresça. Considerarmos os outros maiores em honra.

baiacu3A aproximação de Cristo nos distancia da nossa realidade animal e nos atrai para a espiritual. Nosso animal, nossa carne, quer buscar glórias, fama, títulos, cargos na igreja, o lugar de maior destaque, a roupa mais pomposa, elogios, adjetivos, comendas, honrarias, o pináculo do templo. Tudo isso nos infla como um baiacu. Nossa humanidade quer desesperadamente nos agigantar. No entanto, Jesus vem e nos desestrutura: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). E, se ainda resta alguma dúvida, Paulo dá o ultimato: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). Em outras palavras: abaixe a crista. Deixe o outro sobressair. Difícil? Sim, mas cristão.

Vaidade sob controle não é pecado. Mas quando ela passa a ditar seus valores, a maneira como se comporta, as suas decisões e, especialmente, o modo como trata as pessoas, cuidado: você pode não estar sendo muito melhor do que um baiacu. E Deus sabe que você vale muito mais do que um peixe amedrontado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

felicidade1O mundo ficou chocado com o anúncio do suicídio do genial ator Robin Williams. Uma série de fatores contribuíram para que sua morte fosse especialmente chocante, mas creio que podemos resumir tudo a uma causa só: Williams tinha tudo o que o mundo diz que devemos almejar em nossa vida e, mesmo assim, esse tudo não foi suficiente para que ele desejasse seguir vivendo. Que contradição estranha! Veja se não é verdade: quando você pensa em felicidade, que conceitos vêm à sua mente? Em geral, nossa sociedade prega que, para sermos felizes, devemos ser ricos, famosos, bem-sucedidos profissionalmente e ter uma pessoa ao nosso lado a quem amemos e que nos ame. Robin Williams tinha tudo isso. Era milionário, conhecido internacionalmente, reconhecido na carreira, casado com uma esposa que o amava… ele cumpria todos os requisitos para ser considerado uma pessoa feliz. Mesmo assim se matou. Quem explica?

O comediante sempre era visto sorrindo e fazendo piadas, numa aparente alegria que se revelou ser apenas uma máscara. Mas, se você for além das aparências e examinar os bastidores da vida de Robin Williams, vai descobrir que ele sofria de depressão, lutava contra o alcoolismo e era dependente de drogas. Seu casamento já era o terceiro. Algo estava errado no coração daquele ser humano.

felicidade2O suicídio de Williams me fez pensar também no de outras pessoas que, aparentemente, tinham tudo o que o mundo considera fundamental para a felicidade, como bens materiais e notoriedade. Lembra, por exemplo, de Kurt Cobain? O astro da banda de rock Nirvana tirou a própria vida com um tiro na cabeça e deixou um bilhete explicando que se matava por algumas razões, entre as quais ser uma pessoa triste e não se divertir mais quando estava no palco. Ele tinha mulher, filha, fama, fortuna e era uma rock star (o sonho de milhões de pessoas por todo o planeta). Ainda assim, aquilo não foi suficiente.

Dá para explicar o suicídio de pessoas como Robin Williams e Kurt Cobain, que têm tudo o que o mundo diz ser sinônimo de felicidade e ainda assim não basta? Sim, dá. É que, na verdade, o mundo está errado. Sua proposta de felicidade é mentirosa, uma ficção. Essas coisas simplesmente não fazem ninguém ser verdadeiramente feliz. São valores que valem muito pouco ou quase nada. Se você acredita na proposta mundana de que, para ser realizado na vida, precisa ganhar muito dinheiro, aparecer na capa de revistas famosas, viver distribuindo autógrafos, ter três carros na garagem e coisas do gênero… está acreditando numa mentira. “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.19-21)

É por isso que me preocupo muito quando vejo cristãos correndo atrás de tudo isso. Sim, cristãos. Afinal, os valores do mundo contaminam todos. Preocupo-me porque, como provam as histórias de Williams e Cobain, se acreditarmos nessa definição de felicidade – que não é bíblica – viveremos sempre infelizes. Quando vejo irmãos e irmãs em Cristo ter como alvo a fama, por exemplo, meu coração se enche de tristeza, por perceber que sucumbiram ao engano. “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2.15-17).

felicidade3A notoriedade deve ser consequência de algo bem feito, jamais a causa que nos motiva a fazer esse algo. Se você é, por exemplo, um pregador, artista ou escritor e se torna muito conhecido, deve tomar todos os cuidados possíveis para não se deixar levar pela maldita vaidade, que conduz à autoidolatria e, portanto, é uma desgraça. “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” (Fp 2.3-7). Entenda: ser famoso não é o problema, não é crime nem pecado. Se você é alguém conhecido, entende que essa realidade não tem valor real e usa a visibilidade que Deus te deu para a glória desse mesmo Deus, amém. Jesus foi famoso em seus dias, o que ajudou a propagar sua mensagem. Mas se você deixa essa fama contaminar seu coração com sentimentos equivocados… ai de você.

Para não falar dos outros, deixe-me pôr na berlinda. Eu escrevo livros e tenho um blog. Isso não faz de mim alguém famoso, mas acaba gerando uma certa visibilidade. De vez em quando, viajo a outros estados do país e encontro pessoas que já me conheciam devido ao que escrevo. Tomo muitos cuidados para não deixar isso afetar meu coração, pois, no dia em que a minha escrita tiver como motivação a projeção pessoal e não o desejo sincero de abençoar vidas, eu terei fracassado monumentalmente. Estarei a um passo da infelicidade. Jamais posso permitir que a vaidade domine meu coração, caso contrário todo o propósito de meus livros e deste blog estará pervertido e me tornarei alguém digno de pena. Deus, nunca permita que isso ocorra, por favor. Que toda a atenção voltada para mim sirva sempre para projetar Cristo, jamais o mensageiro pecador, imperfeito e falho que sou eu. Não é falsa modéstia: é a pura constatação da realidade.

Mature businessman holding scrunched moneyQue dizer, então, do dinheiro? Muitos abrem mão do que de fato tem valor por amar mais o dinheiro, que, como você bem sabe, gera problemas seriíssimos. “De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1Tm 6.6-10). Conheço cristãos bons e sinceros que acabaram cometendo atrocidades por causa de dinheiro, que praticaram atos de desamor por amar as riquezas. Quando vidas caem em segundo plano e são desamparadas, enganadas ou vilipendiadas por aquilo que o dinheiro pode proporcionar é sinal que Jesus não está mais no barco, apenas observa da praia, com muito pesar. “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: ‘Nunca o deixarei, nunca o abandonarei’” (Hb 13.5).

Convido você a analisar o seu coração, por uma razão fundamental: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Pv 4.23). O que tem motivado suas ações? Será o dinheiro? Será a vontade de aparecer? Por que você prega? Pelas ofertas e pela notoriedade que estar no púlpito pode te dar? Por que você louva? Pela venda dos CDs e para receber elogios? Por que você faz o que faz? Se a resposta não for “para a glória de Deus”, recomendo que reavalie urgentemente as prioridades e os valores da sua vida. “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Caso a proposta de felicidade do mundo tenha conquistado o seu coração, mude tudo, rápido. Caso contrário, você pode acabar rico, famoso, vazio e infeliz.

??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Meu irmão, minha irmã, sei que você já ouviu isso muitas outras vezes, mas nunca é demais repetir: só Cristo satisfaz. Só nele encontramos a verdadeira felicidade. É no relacionamento com o Senhor que recebemos paz, alento, tranquilidade e contentamento real. É nas demonstrações de piedade, nas ações de amor ao próximo, que experimentamos alegria inigualável. Regozije-se não por ter um salário alto e muito dinheiro no banco ou por ser reconhecido por onde passa e muitos te convidam para eventos, mas porque você fez o deprimido sorrir, o faminto se alimentar, o atribulado encontrar a paz, o perdido enxergar a luz. Que a sua vida seja devotada não a tornar-se uma pessoa como Robin Williams e Kurt Cobain, mas a levar o amor e a graça de Deus a pessoas como Robin Williams e Kurt Cobain – só então você será verdadeiramente feliz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício