Arquivo da categoria ‘Pregação’

novo-1É interessante como somos fascinados pelas novidades no que se refere à fé. A pregação que nos prende e assombra é aquela que nos leva a comentar “Uau, nunca tinha pensado desse modo!” ou “É a primeira vez que enxergo por esse ângulo!”. O livro cristão que nos impressiona é o que nos faz exclamar “Que sacada genial!”. Gostamos do que parece inovador, inédito. O teólogo que estimamos é o que nos mostra como aquela passagem bíblica não era nada do que acreditávamos até então. A teologia que nos seduz é a que está “à frente do nosso tempo”. Sejamos sinceros: fé boa para muitos de nós é a que tem cheiro de novo, cujo verniz é brilhante, recém-saída da fábrica, que vem para derrubar as antigas ideias. Mas existe um grande problema nesse apreço pela redescoberta do cristianismo, como veremos a seguir.

Semana passada, eu estava triste, por uma série de razões. Meu coração estava pesado, com os pensamentos indo e vindo, um desassossego que não passava. Eu orava a Deus, pedindo paz. Foi quando minha filha chegou da escola, eu a abracei e deitamos em minha cama. Estava um dia fresco, com uma brisa gostosa, e ficamos ali, deitados, em silêncio. Olhei pela janela para o bosque que há nos fundos de meu prédio, uma paisagem que vejo o dia inteiro, pois trabalho de frente para ela. Mas, naquele momento, o flamboyant que fica pelo menos oito horas por dia diante de meus olhos chamou minha atenção. Suas flores vermelho-alaranjadas faziam um belo contraste com o verde das folhas e uma enorme quantidade de pássaros revoava ao redor da árvore. Flores. Pássaros. Essa imagem levou meus pensamentos a um trecho da Bíblia que conheço de cor, de tanto que já li e cuja verdade é tão óbvia em meu coração:

img_7694“Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros? Qual de vocês, por mais preocupado que esteja, pode acrescentar ao menos uma hora à sua vida? E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?’. Essas coisas ocupam o pensamento dos pagãos, mas seu Pai celestial já sabe do que vocês precisam. Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias inquietações. Bastam para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.25-34, NVT).

Aquela imagem tão simples, antiga e conhecida, de pássaros e flores, me remeteu a uma verdade que foi pregada dois mil anos atrás e que continua tão atual como no dia em que Jesus a ministrou em um monte de Israel. O refrigério veio com cheiro de madeira antiga, com cor de página amarelada. Do canto de meu olho escorreu uma pequenina lágrima de gratidão a Deus, por me mostrar naquele momento que a resposta divina para a maioria de nossas questões não se encontra naquilo que revoluciona e impressiona pela inovação, mas em antigas e empoeiradas verdades. Sim, ali percebi que Deus espera de nós menos “uau!” e mais “como pude esquecer disso?”.

A mensagem do evangelho de Cristo não muda. É um tesouro que passa de geração a geração de forma irretocável. O que muda é o baú em que o tesouro é apresentado. É como uma tradução nova da Bíblia: o conteúdo é o mesmo de sempre, a escolha das palavras é diferente. O Deus é o mesmo, a capa segue estilo atual. A mensagem salva, liberta, cura e transforma há dois mil anos e continuará a fazê-lo da exata mesma maneira. O Espírito é o mesmo velho Espírito. O pecado é o mesmo velho pecado. O arrependimento é o mesmo velho arrependimento. A salvação é a mesma velha salvação. A glória eterna… bem, ela é eterna.

novo-2Meu irmão, minha irmã, no que se refere ao evangelho, devemos procurar menos novidades, menos maquiagem, menos pregações inovadoras. Procure contextualizar a mensagem, sempre, mas lembre-se de que o tutano das boas-novas de Cristo não tem em si nenhuma novidade, e por uma única razão: a verdade divina é imutável. Não valorize pregadores, pregações, teólogos, livros, canções, igrejas, modelos de evangelismo ou o que for pelo fato de ser inovador. Porque, muitas vezes, tentar inovar o que é antigo e belo é como vestir roupas de bebê em um velho senhor: não faz sentido algum e chega a beirar o ridículo. Melhor é vesti-lo com uma roupa bela, sóbria e conservadora, que preservará sua elegância e não desviará a atenção do que realmente importa.

Flores. Pássaros. O que há de novo nisso? Nada. Mas a mensagem que eu precisava ouvir naquele momento não tinha de ser inovadora: tinha de ser verdadeira. E foi: Seu Pai celestial já sabe do que você precisa; portanto, não se preocupe. Palavras pronunciadas ao vento dois mil anos atrás, que pousaram em meu coração na hora certa.

Onde dói a sua dor, meu irmão, minha irmã? Onde você tem procurado respostas? Em maquiagens com cheiro de novo ou em verdades imutáveis, eternas e com cheiro de guardado? Talvez, no mundo das inovações não caibam realidades cristãs, portanto, cuidado com buscas infrutíferas. Lembre-se de que “a palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.25). Atenção a este verbo: permanece. Permanecer significa “continuar sendo; prosseguir existindo; conservar-se, ficar”. Portanto, a Palavra de Deus é sólida, rochosa, inabalável, que tem continuidade, que continua como antes. Não há novidades nas boas-novas de Cristo, não há inovações: ela é o que é. Muitas vezes, é justamente o ímpeto por inovar que acaba gerando heresias, desvios, tristeza, superficialidade, orgulho, arrogância, vaidade, distanciamento do evangelho.

novo-3Fica a recomendação de alguém que foi impactado por algo tão simples como flores e pássaros: cuidado com a tinta nova, pois ela pode desviar sua atenção do antigo que realmente importa. Se o ser humano gosta de inovações e surpresas, Deus gosta das boas e velhas verdades. Arrependimento. Perdão. Graça. Fé. Amor. Paz. Cruz. O que há de novo nisso?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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irmaos 1Nos últimos anos, tenho recebido convites de diferentes igrejas para pregar, em especial, sobre os temas dos livros que escrevi e que são voltados para todo e qualquer cristão, a despeito de rótulos denominacionais ou doutrinários. Assim, tenho a oportunidade de visitar, conviver, observar e conversar com líderes e membros de muitas igrejas de diferentes nomenclaturas, como Batista, Presbiteriana, Anglicana, Assembleia de Deus, Nova Vida, pentecostais independentes, históricas independentes, Metodista e Episcopal, além de ministérios interdenominacionais. Essas experiências me permitiram conhecer de perto realidades eclesiásticas riquíssimas e diferentes. E, quanto mais eu conheço a família de Cristo, mais me entristece ver aquilo que passei a chamar de “patotização” do cristianismo. 

Confesso que conhecer de perto essa pluralidade de expressões da fé cristã me encanta. É bonito ver como somos capazes de adorar o nosso Pai tanto com um conjunto vocal à capela e um órgão quanto com bateria e guitarras distorcidas. É lindo ver como pregadores de terno e gravata, colarinho clerical, blaser, camisa social ou camisa pólo são capazes de pregar, com o mesmo amor e respeito, o evangelho autêntico, a despeito do tipo de pano que usam sobre o corpo. É extraordinário perceber como grupos de irmãos mais silenciosos ou mais extrovertidos são capazes de cultuar a Deus com a mesma sinceridade de coração. É especial notar como cristãos salvos da linha pentecostal ou cristãos salvos da linha tradicional são filhos do mesmo Deus e são capazes de se relacionar com ele com o mesmo nível de amor e devoção. Em resumo, quanto mais eu conheço igrejas diferentes, mais claro fica que as nossas diferenças são pequenas em comparação às nossas semelhanças.

Tenho aprendido a amar cada vez mais a noiva de Cristo, apresente-se ela morena, ruiva ou loira. Venho percebendo cada vez mais a beleza da noiva do Cordeiro, não importa se, como presbiteriana, ela tenha olhos azuis; como pentecostal, olhos verdes; como batista, olhos castanhos; e como anglicana, olhos negros. Esses detalhes não mudam o fato de quem ela é: aquela por quem Cristo subiu à cruz. E, se Deus a chamou para si, ai de mim desqualificá-la pela cor dos olhos. 

irmaos 2Quando você ama alguém, não importa se ela está de maquiagem ou com cara de quem acabou de acordar. Muito menos, com roupas caras ou baratas. O amor verdadeiro cuida do ser amado mesmo quando ele está doente, vomitando e com mau hálito. O amor profundo releva pequenos defeitos ou atitudes ligeiramente equivocadas  que o ser amado adota com sinceridade. Se você ama de fato alguém, vai botar o foco na essência, no todo que conquistou seu amor e não naqueles pequenos defeitos que o ser imperfeito que você ama tem (e quem não os tem, não é mesmo?). Do mesmo modo, seria bizarro acreditar que Deus rejeite essa ou aquela igreja ou denominação porque ela de bom coração cometa um ou outro erro – desde que, claro, não configure heresia. 

Infelizmente, o ser humano tem mania de rejeitar o que Deus não rejeita. Some-se a isso o nosso instinto gregário, que nos leva a querer andar em bandos e pertencer a tribos com que nos identificamos, e pronto: tem início a patotização. É natural ao ser humano e a inúmeras espécies de animais formar patotas. O termo “patota” significa, simplesmente, “grupo de amigos”, “galera”. Porém, no uso popular, essa palavra já ganhou um sentido que remete a uma panelinha, um grupinho fechado, uma turma de pessoas que se relacionam por afinidades e rejeitam os que são de fora. Isso é exatamente como se caracterizam determinados grupos de cristãos. Há pessoas que se agarram tanto às patotas a que pertencem que, tristemente, se fanatizam, se apaixonam, recusam-se a ver os defeitos desse grupo, passam a se considerar mais integrantes dessa turma que aos seus olhos é inerrante do que membros de um corpo maior – do Corpo maior. De certo modo, praticam a “patotalatria”. 

irmaos 3Meu irmão, minha irmã, ser batista, presbiteriano, metodista, calvinista ou pentecostal não te define: você é cristão. A superfície do mar não define todo o oceano. Nenhuma denominação é perfeita. Nenhuma igreja local é irretocável. Nenhum pastor é inerrante. Nenhuma linha soteriológica merece se tornar sua alcunha. Se você é mais maranata, presbiteriano ou Assembleia de Deus do que cristão como todos os outros cristãos, algo está muito errado com a sua fé. Se você é mais calvinista ou arminiano do que cristão, precisa com urgência voltar às bases da fé e reaprender o significado de Igreja. Muitos filhos de Deus se agarram mais à sua patota denominacional ou doutrinária do que ao Corpo maior para o qual Cristo os chamou. Acham que mudar a visão teológica de seus irmãos em Cristo para aquilo em que eles acreditam é a sua missão, em vez de se dedicar a assuntos realmente importantes do evangelho – como evangelização, amor, perdão, restauração, pacificação, caridade e outros. Querem mudar a teologia alheia, mas sem levar em conta a graça no trato com o próximo. Acabam se tornando pregadores de doutrinas e não do evangelho. Apaixonados, muitos se tornam agressivos, sarcásticos, arrogantes, irritantes, surdos ao diferente, despidos de bom senso, destituídos de amor cristão. Querem convencer, querem ter razão, querem converter irmãos do cristianismo para o cristianismo.

Uma fruta não se define pela casca. Cascas fazem parte da fruta, mas não são a fruta. Lamentavelmente, muitos cristãos têm se definido por cascas. “Eu sou reformado”, “Eu sou da missão integral”, “Eu sou pentecostal”, “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”. Paremos com isso. Paremos com essa atitude separatista e busquemos a conciliação pelas semelhanças. Nós somos cristãos. Somos de Cristo. Servos do Deus altíssimo. Filhos do Criador de céus e terra. Cidadãos do reino. Isso, sim, nos caracteriza. O resto são aspectos periféricos da fé e não devemos nos separar e fragmentar por causa de diferenças secundárias ou terciárias. 

irmaos 4Tenho visto a noiva do Cordeiro nas diferentes igrejas em que prego, das mais variadas linhas e denominações. Pessoas que amam o mesmo Cristo que eu e que amam o próximo como a si mesmo com o mesmo amor. Uns batizam crianças, outros não; uns são cessacionistas, outros não, uns entendem a eleição divina de um jeito, outras de outro. Mas todas creem no mesmo Jesus, confessam o credo apostólico, oram ao mesmo Senhor Soberano, nasceram da água e do Espírito. São meus irmãos em Cristo. São filhos de Deus. São salvos. Justificados, regenerados, adotados. Vão morar no céu. Meu papel não é dedicar minha vida a mudar a teologia deles, é viver o amor de Deus ao lado deles – apesar das diferenças. Triste é quem não percebe isso e investe seus dias a perder tempo combatendo irmãos que pensam diferente em aspectos secundários e periféricos da fé, o que não glorifica Deus em nada e tampouco exalta sua soberania. Deus não precisa de nada disso para ser soberano. Ele é o que é.

A Bíblia relata que Jesus fez ao Pai uma oração que nunca foi atendida: Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo 17.20-23). Jesus pediu que nós, cristãos (“aqueles que vierem a crer em mim”), vivêssemos em unidade, “a fim de que todos sejam um” e “para que sejam um”.  Lamentavelmente, nós, cristãos, estamos longe disso, a unidade que Jesus desejou para nós é um sonho distante, enquanto, por outro lado, proliferam em nosso meio as obras da carne sobre as quais Paulo alertou, “discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20). 

irmaos 5Meu irmão, minha irmã, como disse Mário Sergio Cortella, a vida é curta demais para ser pequena. Não desperdice seus preciosos segundos de vida com aquilo que não é pão. Sinceramente, duvido muito que Deus esteja preocupado se você é calvinista ou arminiano, pentecostal ou cessacionista, alto ou baixo, magro ou gordo. Duvido que, ao chegar nos portões da eternidade, Cristo olhará para você e perguntará que doutrina soteriológica você professou em vida: o que ele verá é se o sangue do Cordeiro está aspergido sobre a sua cabeça. Se a sombra da Cruz cobre você. E não creio que ele dirá algo como “vinde, benditos de meu Pai, porque fostes reformados ou arminianos, crestes no livre-arbítrio ou no TULIP, professastes o pentecostalismo ou o cessacionismo”. O que ele dirá, e disso tenho absoluta certeza, é: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

Os temas e as doutrinas que criam esses rótulos são importantes? Claro que sim. São prioritários? De modo algum. Quem segrega irmãos em Cristo por conta desses aspectos secundários da fé precisa amadurecer – e muito – no real sentido do que é o evangelho de Jesus. Dê prioridade ao que é prioritário. Enfatize na sua vida o que Jesus enfatizou na dele. E pode ter certeza de que essas questões não foram nem de longe prioridade para Cristo (basta ler os evangelhos e você perceberá isso com uma facilidade enorme). O resto? O resto é resto. É vaidade e correr atrás do vento…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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estudo biblico 2

Quando nos convertemos, passamos a ouvir quase que como um mantra que “o cristão tem de orar e ler a Bíblia”. Isso é pregado em púlpito, ensinado em escola dominical, estimulado nos pequenos grupos, incentivado nas conversas pessoais. Hoje, tendo caminhado alguns anos no evangelho, preciso dizer que discordo dessa ideia. Se por muito tempo acreditei que “precisamos orar e ler a Bíblia”… hoje não acredito mais. E explico a razão: apenas ler as Escrituras não basta. Por isso, entendo que o correto, aquilo que deveríamos pregar, ensinar e incentivar é que “o cristão tem de orar e estudar a Bíblia”. E por quê? Porque ler sem compreender é a mesma coisa que não ler. Pior: pode gerar compreensões erradas do texto sagrado, que levam ao surgimento de heresias e falsas doutrinas. Portanto, proponho que, a partir de agora, comecemos a ensinar que não basta ler, é preciso estudar a Bíblia.

A Bíblia é um livro que foi escrito em épocas passadas, em contextos específicos. Para que você compreenda uma passagem da Escritura, tem de saber quem falou aquilo, para quem, com que finalidade, em que situação. Vou citar alguns exemplos, para que você entenda o que quero dizer.

ARCA_NOEPrimeiro, precisamos estudar a Bíblia para que nosso conhecimento mínimo seja correto. Para que saibamos informações do relato bíblico sem erros. Vou te fazer uma pergunta muito básica, bastante elementar, para que você comece a entender o que quero dizer. Se eu te perguntar, por exemplo, quantos casais de cada espécie de animal entraram na arca de Noé, o que você responderia? Tenho quase absoluta certeza que você dirá “um casal de cada espécie de animal”, estou certo? Um casal de leões, um casal de jacarés, um casal de ornitorrincos e assim por diante. Ninguém tem dúvidas quanto a essa informação, uma criancinha sabe dizer isso, concorda? Pois bem, se você respondeu “um casal de cada espécie”… errou. O que mostra que você formou seu conhecimento sobre esse assunto a partir de informações e ensinos errados e, até, por influência da cultura popular. Quer saber quantos casais de cada espécie de animal entraram na arca de Noé? “Então o SENHOR disse a Noé: ‘Entre na arca, você e toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração. Leve com você sete casais de cada espécie de animal puro, macho e fêmea, e um casal de cada espécie de animal impuro, macho e fêmea, e leve também sete casais de aves de cada espécie, macho e fêmea, a fim de preservá-las em toda a terra'” (Gn 7.1-3). Sete casais. Não um casal. Uma informação básica que você errou a vida inteira, estou certo? É preciso estudar a Bíblia.

Outra questão de conhecimento bíblico: o que significa e em que versículo da Bíblia está a tão conhecida palavra shekiná? O significado é fácil: glória de Deus, não é? Mas onde ela se encontra nas Escrituras? Difícil? Vou simplificar: em que livro da Bíblia ela está? Ainda não sabe? Serei bem legal com você: está no Antigo ou no Novo Testamento? Continua sem saber? Bem… na verdade, a palavra shekiná, tão usada em pregações, que dá nome a corais de igrejas e até a ministérios, simplesmente não significa “glória de Deus”. Muito menos está na Bíblia. Espantado? Pois o significado real de shekiná é “habitar”, “fazer morada”. A palavra hebraica para “glória” é kavod, que se refere ao peso da glória de Deus. Bem, se é assim, de onde, afinal, surgiu o vocábulo shekiná? Desculpe informar, mas não da Bíblia. Veio da literatura mística rabínica, onde os judeus adeptos da Cabala começaram a usá-la a partir do século 13. Ou seja, o termo shekiná é fruto do misticismo judaico. É preciso estudar a Bíblia.

pater goneusVamos a outro exemplo, desta vez, um pouco mais complexo, por exigir conhecimento exegético, ou seja, estudo das línguas originais em que a Bíblia foi escrita. Paulo deu a seguinte determinação: “Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como convém a quem está no Senhor. Maridos, ame cada um a sua mulher e não a trate com amargura. Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor. Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem” (Cl 3.18-21). Observe as duas ocorrências da palavra “pais”. Tenho certeza absoluta de que você entende que a determinação aqui é que os filhos devem obedecer pai+mãe em tudo e que pai+mãe não devem irritar seus filhos. Acertei? Pois bem, se é essa a sua compreensão… errou. Não é isso o que diz o texto original. A palavra “pais” no versículo 20 é uma tradução do vocábulo grego goneus, que significa pai e mãe. Até aí, tudo bem. Mas, no versículo 21, a palavra “pais” no original é outra totalmente diferente, pater, que se refere somente aos homens que são pais. Essa percepção muda completamente o entendimento do texto. É preciso estudar a Bíblia.

carcereiro de filiposUm último exemplo, dessa vez relacionado à hermenêutica, isto é, às regras de compreensão da Bíblia (se quiser se aprofundar nesse assunto, recomendo o livro “Entendes o que lês?”, da editora Vida Nova). Você já deve ter ouvido muitas vezes pregadores dizerem que, se crermos no Senhor Jesus, nós e nossa casa seremos salvo. Isso é ensinado como uma promessa da Bíblia a todo aquele que crê, algo como uma “salvação hereditária”, na linha de “se você crer, consequentemente toda a sua família crerá também”. Só que isso está errado. Essa promessa simplesmente não existe. Atos dos Apóstolos 16 relato o episódio em que Paulo e Silas são lançados na prisão na cidade de Filipos. De repente há um terremoto, as portas do cárcere se abrem e o carcereiro, crendo que os presos haviam fugido, se prepara para cometer suicídio. Paulo o impede e, após ser questionado acerca de como poderia ser salvo, diz àquele homem: “Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa”. A questão é que essa foi uma afirmação de Paulo exclusivamente para aquele homem. Foi algo dito de forma pessoal, única, para um indivíduo. De modo algum a Bíblia nos autoriza a acreditar que essa frase é universal, ou seja, uma promessa que se aplica a todas as pessoas, de todas as épocas e lugares. Tanto é assim que há milhões de parentes de cristãos que morrem sem terem crido em Cristo. É preciso estudar a Bíblia.

Teríamos como prosseguir com muitos exemplos. Eu poderia abordar o fato de que não existe na Bíblia a afirmação “Deus lança nossos pecados no mar do esquecimento”, tampouco “não cai uma folha da árvore se Deus não deixar” e montes de outras crenças populares de cristãos que não têm base bíblica alguma – são apenas fruto de falta de estudo das Escrituras. O resumo de tudo isso é: precisamos estudar a Bíblia, não apenas ler. Se queremos de fato conhecer Deus conforme revelado no texto sagrado, não podemos nos conformar com pouco. Leia bons livros cristãos, meu irmão, minha irmã, escritos por pessoas que se aprofundam no conhecimento da Palavra se Deus. Faça cursos sérios. Debata com quem conhece a Bíblia. Não se contente com pouco.

O fim do sofrimento_Capa 3DNas pesquisas que faço para escrever meus livros descubro informações impressionantes, que mudam minha maneira de compreender a Bíblia, Deus e a vida cristã. Quando fazia as pesquisas para escrever meu mais recente livro, “O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios“, fui confrontado com verdades impressionantes sobre a questão do sofrimento que todos nós enfrentamos. O mesmo ocorreu quando estudei para escrever o “Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar“. Fruto de investigações que foram além da simples leitura. E pode ter certeza de que o mesmo ocorrerá com você: caso se disponha a não apenas ler, mas a estudar, se informar, se aprofundar no texto sagrado, verá como passará a enxergar Deus com olhos mais aguçados e terá uma vida cristã muito mais rica, abundante e verdadeira.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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ristretto 1Eu tenho um ponto fraco: café. Confesso que sou um profundo apreciador dessa bebida e tomo muitas xícaras por dia. A máquina que faz meu café da manhã tem timer, que fica programado para alguns minutos antes de eu acordar, a fim de que o café esteja pronto e quente assim que meu despertador tocar. Além disso, tenho uma máquina de café espresso, daquelas que funcionam com cápsulas, pois, além de oferecer tipos de grãos diferentes e muito saborosos, permite que se faça uma xícara com bastante rapidez – durante um momento de concentração para trabalhar ou escrever, essa celeridade ajuda muito a não interromper um raciocínio no meio. Costumo pôr as cápsulas em uma espécie de suporte, que veio como brinde da Nestlé, e as vou pegando aos poucos. Qual não foi minha surpresa quando, há poucos dias, cheguei para tomar um café em uma tarde cinzenta e descobri que não havia mais dos sabores que costumo tomar (o ristretto ou o arpeggio), apenas cápsulas do lungo, um café para se tomar em canecas e não em xícaras. Pode parecer bobagem para você, mas, diante da ansiedade e da expectativa que eu estava para saborear o negro elixir divino, para mim foi um golpe baixo. Fiquei triste.

ristretto 2Voltei para minha mesa de trabalho e continuei a labuta. Mas sabe quando bate aquele inconformismo? Levantei, voltei à cozinha e fuxiquei no meio das cápsulas verdes do lungo. E, para meu delírio, eis que ali, posto por engano junto a elas, havia, escondida e soterrada, uma última cápsula negra do meu amado ristretto. É difícil explicar a alegria que foi. Fiz o café com um cuidado ímpar, apreciando o aroma como nunca, e o saboreei com gosto especial. É interessante isso, pois tinha o exato mesmo gosto de todos os outros ristrettos que sempre tomei, mas aquela xícara específica tinha um sabor de vitória, quase de júbilo, por representar a obtenção de algo que eu julgava perdido.

Jesus contou uma história que guarda certas similaridades com esse episódio: “Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la? E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’. Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.8-10). Fiquei pensando na alegria descrita pelo texto bíblico, em comparação com a que senti ao encontrar minha cápsula de café perdida.

É importante olharmos o contexto em que Jesus relata essa parábola. Ele a cita entre a parábola da ovelha perdida e a do filho pródigo. Ambas tratam de pessoas que pertenciam ao rebanho ou à família e se afastaram. Logo, a dracma mencionada também é uma alusão a membros do Corpo de Cristo que se perdem. O “pecador” que Cristo menciona não é, portanto, alguém que nunca experimentou o amor de Deus, mas, sim, o filho que se perdeu por conta de seus pecados. Assim como qualquer pai, Deus não gosta que seus filhos se afastem. E, para solucionar esse problema, ele estabeleceu um mecanismo para trazer filhos perdidos de volta à casa do Pai, ao aprisco seguro: você. Mas só você não basta. É preciso que você esteja cheio de amor.

love 1Uma das coisas mais tristes que vejo são cristãos que partem em busca de pessoas que estão distantes de Cristo (sejam “inconversos” ou “desviados”) como se fosse uma obrigação ou uma “missão”. Trazer a ovelha de volta ao aprisco jamais deve ser uma ação motivada por qualquer coisa que não seja amor. Guardadas as devidas e enormes proporções, eu não busquei a cápsula de café porque me obrigaram ou porque havia uma “missão” envolvida nisso, mas porque me sentia extremamente motivado. O “ide” da Igreja, a Grande Comissão, nunca deve ser visto com uma ordenança pura e simples: é um chamado ao amor pelo próximo.

Se não compreendermos que esta ordem divina, “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt 28.19-20), é consequência direta desta outra ordem divina: “Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo 13.34-35), não conseguiremos jamais levar a mensagem da cruz da volta ao lar para as pessoas do modo que Deus idealizou. Pois não consigo enxergar o Pai que “tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16) resgatando vidas por qualquer outra razão que não seja amor. Ele amou os que se foram, amou os que nunca vieram, e, por isso, devemos amá-los também. Só então, quando o amor for um fato transbordante, devemos partir em busca deles.

love 2O amor precede o evangelismo. O amor precede a busca dos que se desviaram. O amor precede o resgate dos apóstatas. O amor é o ponto de partida para a obra de Deus. Sem amor, tudo o que se faz para o Senhor é o mais puro e insosso ativismo religioso. Porque evangelizar não é “ganhar almas para Jesus”, evangelizar é “compartilhar um amor que transcende tanto tudo o que podemos entender que ninguém pode ficar indiferente a ele”. Ninguém “ganha almas para Jesus”. O que fazemos é servir de meio para que o amor de Jesus atraia irresistivelmente almas para si.

No que se refere a evangelizar e a trazer desviados de volta ao aprisco, o nosso papel, meu irmão, minha irmã, é sermos porta-vozes do amor de Deus. Nada mais do que isso. Devemos apontar para o amor celestial. Precisamos proclamar o amor, que produz a graça, que conduz à salvação. Ame. Ame sempre. Ame com todas as suas forças. Somente isso, e nada mais, poderá torná-lo o maior evangelista de todos os tempos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Deus está no controle 1­Deus está realmente no controle das coisas? Ele já tem tudo previsto ou existe margem para mudanças nos planos divinos? Se o Senhor está no controle, até onde vai sua esfera de intervenção nas coisas do mundo? Livre-arbítrio é uma heresia arminiana? Ou determinismo é uma heresia calvinista? É fato que o Todo-poderoso não está por trás das catástrofes, como alega o teísmo aberto? Como se explica a história de Ezequias, o rei israelita que ganhou 15 anos a mais de vida após orar a Deus? Se o Senhor já sabia que a humanidade pecaria, por que a criou? Se Jesus veio à terra para morrer por nossos pecados, por que pediu ao Pai que afastasse dele o cálice do sofrimento? Se Jesus é descendente de Davi por meio de Bate-Seba, a mulher com quem o rei adulterou, Deus queria que esse adultério ocorresse? Questões como essas dão nó nos neurônios de muita gente, para quem a grande equação por meio da qual Deus conduz o universo é um enigma incompreensível e insolúvel. Esta semana vivi uma experiência que me fez pensar muito sobre como o Senhor age em nossa vida.

Perdão Total_Capa 3D em altaDesde que foi lançado meu mais recente livro, Perdão Total — Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, tenho sido convidado para pregar ou palestrar sobre o assunto em diferentes cidades do país. Domingo passado, estava agendado para que eu pregasse na Igreja Batista Jardim Icaraí, em Niterói (RJ). Como eu não dirijo, um casal querido, Ana e Renato, se dispôs a sair de Niterói e me pegar em casa, em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro. Ficou combinado que eles me pegariam às 18h, pois o culto começava às 19h30. Iríamos eu, minha esposa e minha filha de 4 anos. Só que o imprevisto ocorreu, com toda força.

No meio da tarde, um temporal desabou sobre a cidade. Foi um daqueles aguaceiros que dão reportagem em jornais, com ruas alagadas, trânsito parado e caos. Resultado: depois de muito penar para chegar até meu prédio, fugindo de bolsões de água e trechos intransitáveis, Ana e Renato conseguiram estacionar, ilesos, no posto de gasolina em frente ao meu edifício. Só que já eram 19h e a chuva não dava sinal de trégua. Assim que chegaram, Ana me telefonou e tentei ir até eles, mas minha rua tinha virado um rio e era impossível dar um passo fora da portaria. Conversamos, então, por telefone e, depois de eles terem consultado o seu pastor, todos vimos que não conseguiríamos chegar à igreja a tempo do culto. Resultado: de comum acordo, decidimos adiar minha ida para outro dia. Depois de um tempo, as águas começaram a baixar e consegui fazer um malabarismo para ir até eles. Conversamos pessoalmente e a decisão foi reafirmada.

Confesso que subi de volta para meu apartamento decepcionado e questionando Deus. Já no elevador, eu comentava com o Senhor que não entendia aquilo. Será que ele não queria que eu compartilhasse a mensagem do perdão com os membros daquela igreja? Claro que tenho o entendimento de que o temporal não caiu só por minha causa, mas, como eu também sou uma letra na equação divina, entendo que minha vida também é incluída nas decisões de Deus. Assim como a sua. Assim como a de qualquer pessoa. Fato é que fiquei triste por não poder ir até Niterói pregar sobre um assunto que considero extremamente urgente.

E foi então que a história deu uma guinada.

Deus está no controle 2Cerca de vinte minutos depois de ter chegado em casa, minha filha, que passou o dia inteiro bem disposta, estava arrumada e animada para sair e ficou bem triste por não termos ido à igreja, começou a reclamar de dor de cabeça. Em minutos, a dor ficou extremamente forte e ela passou a sentir um mal-estar generalizado. De repente, o susto: a pequena se revirou na cama e vomitou em profusão. Enquanto eu limpava a sujeira, sua mãe a levou ao banheiro para lavá-la. Lá, mais vômitos. Achei que a crise tinha acabado. Dei-lhe um pouco de água para beber e deitamos no sofá da sala para assistir a uma apresentação de balé. Em poucos minutos, a pequena começou a acusar nova dor de cabeça e mal-estar. Virou-se para o lado e vomitou pela terceira vez, agora no chão da sala.

Foi quando percebi que a coisa ia além de um simples enjoo e tomei a decisão de levá-la para o hospital. Como alguém que já passou três dias internado em um CTI por infecção intestinal grave, levo muito a sério esse tipo de sintomas. Assim, nos vestimos rápido, descemos, vimos que a água já tinha baixado o suficiente para sairmos, pegamos um táxi e disparamos para a emergência pediátrica. Chegamos ao hospital e logo fomos atendidos. Assim que entrou na sala do médico, minha filha vomitou novamente, com espasmos bastante fortes. Seu estômago estava vazio e quase não saía mais nada. Depois dos exames preliminares, entramos na sala de atendimento de emergência, onde, enquanto aguardava para tomar uma injeção, a pequena vomitou pela quinta vez. A dor de cabeça era grande. O mal-estar e a moleza, generalizados. O médico decidiu fazer uma tomografia computadorizada da cabeça.

Vou resumir as três horas e meia seguintes, passadas entre exames e tratamentos, em um parágrafo: graças ao atendimento rápido, minha filha pôde ser liberada naquela mesma madrugada do hospital. Os médicos não conseguiram determinar o que ela teve, mas as suspeitas vão de intoxicação alimentar a viroses. A medicação rápida contribuiu muito para seu quadro não piorar. Ela ficou dois dias em casa, de repouso, ainda com dores, febre e enjoos, mas, com o tempo, o problema passou.

Deus está no controle 3Fiquei pensando. Se tivéssemos ido a Niterói, minha filha passaria mal longe de casa, talvez presa em algum engarrafamento, talvez momentos antes de eu subir ao púlpito para pregar. Imagine como teria sido. Tudo é um grande “talvez”, mas uma coisa é certa: o fato de estarmos em casa quando ela passou mal foi decisivo para que fosse rapidamente socorrida e, seja lá o que a tenha acometido, o mal ter sido debelado com o mínimo de dor e desconforto. Quem sabe, até, uma demora no socorro poderia ter agravado o quadro e gerado problemas mais severos.

E aí fica a pergunta: será que Deus me impediu de ir a Niterói para que eu pudesse socorrer minha filha? Teria ele sacrificado a pregação naquele dia específico em prol do que ele sabia que aconteceria com minha pequena? A resposta é que não sei, é muito complexo pensar sobre isso e eu não sou onisciente. Não tenho como afirmar nada. Mas, quando olho para a Bíblia, vejo que “O Senhor faz tudo com um propósito” (Pv 16.4). Mais ainda, percebo que “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então, ao ler verdades como essas, solidifico em meu coração uma realidade: nada do que aconteceu foi à toa.

O acaso não existe. Sorte é um conceito antibíblico. O que prevalece é a soberania de Deus. E, nessa soberania, o Senhor fez com que, em meio a milhões de cariocas e niteroienses afetados pelo temporal de domingo, eu não fosse pregar conforme tinha sido planejado e, assim, estivesse em casa para socorrer com agilidade minha filha. Se você me perguntar se foi coincidência, vou sorrir, com toda a certeza do mundo de que Deus teve um propósito no que ocorreu e que ele agiu para o nosso bem.

Meu irmão, minha irmã, preste mais atenção às coisas que acontecem em sua vida. Não digo só as grandes; as pequenas e insignificantes também. Pois, se tudo Deus faz com um propósito e em todas as coisas ele age pelo bem dos que ama, lembre-se que tudo significa tudo. E todas as coisas significa todas as coisas. Não uma parte, não uma parcela, não umas e não outras. Tudo. Todas as coisas. Esse é o Deus da Bíblia.

Deus está no controle 4Com essa percepção, você vai passar a perceber a ação de Deus no engarrafamento, no chuveiro que pinga, no calor abrasador, no mendigo que lhe pediu dinheiro, no atraso do dentista, na gata que fugiu de casa, na topada do pé. Há gente que brinca com quem atribui tudo ao Diabo, criticando quem diz que “queimou o arroz, é culpa do Diabo”. Eu discordo. A “culpa” é de Deus. Pois ele tinha em mente aquele arroz queimado. Para quê? Sei lá! Mas ele sabe. A vida é uma grande engrenagem, que tem como finalidade nos conduzir à vida eterna, em Cristo. Como tudo isso funciona eu não faço ideia, os pensamentos do Senhor são muito mais elevados do que os meus para que eu consiga compreender. Mas de uma coisa eu sei: eu não preciso saber todos os mistérios do Senhor nem conseguir explicá-los, pois basta compreender que Deus sabe tudo. Peço apenas que ele me tome pela mão e conduza meus passos. Em outras palavras, “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Digam o que quiserem, Deus está no controle. Uns chamam de sorte, eu chamo de Deus. Uns chamam de acaso, eu chamo de Deus. Uns chamam de livre-arbítrio, eu chamo de Deus. Uns chamam de determinismo, eu chamo de Deus. Chamem do que desejarem, elaborem as teorias teológicas que quiserem, a resposta será sempre uma só: Deus. E, com isso em mente, devemos fazer a nossa parte e, em seguida, agir como recomendou o salmista: “Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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post apenasFui convidado a pregar em uma igreja, no Rio de Janeiro, onde compartilhei uma mensagem acerca da urgência de perdoar e se perdoar, como venho fazendo em muitas igrejas desde o lançamento do meu livro “Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar”. Ao final do culto, estava planejado um momento para confraternizar com os irmãos e escrever dedicatórias a quem tivesse adquirido a obra na livraria do local. E assim aconteceu: ministrei a palavra, o culto terminou e me sentei a uma mesa, onde haviam posto exemplares do livro. Ela ficava localizada junto a uma janela que dava para a rua. Foi quando tive a experiência que me levou a esta reflexão. Eu estava trocando ideias com os irmãos e escrevendo dedicatórias nos livros quando reparei em uma senhora que estava parada na calçada, debaixo de chuva fina, do lado de fora da igreja. Ela me chamou especial atenção pelo seu jeito: solitária, séria, meio deslocada, olhando atenta para dentro do prédio, com uma atitude nitidamente diferente da dos irmãos e irmãs que conversavam animadamente à porta… algo nela captou meu olhar. Na foto que abre este post você pode vê-la, de óculos, atrás de uma esquadria preta da janela. Senti um impulso muito forte de conversar com aquela senhora, por isso levantei-me da mesa, pedi licença aos manos que estavam ao meu redor e caminhei para a rua. Parei ao lado dela e comecei a puxar papo.

Assim que ela falou a primeira palavra, notei de cara que estava bastante alcoolizada. O cheiro de cerveja era bem forte e sua fala estava arrastada, com palavras mal articuladas. Ainda assim, consegui entabular uma conversa. Comecei perguntando seu nome [que manterei em sigilo, vou chamá-la apenas de Maria]. Eu, então, me apresentei e indaguei se ela tinha acompanhado o culto, mesmo ali da rua. Ela me respondeu que estava no bar que fica exatamente ao lado da igreja, imersa em cerveja, quando começou a escutar a mensagem, o que a fez se levantar e ficar do lado de fora, mas sem coragem de atravessar a porta. Dali, não conseguia escutar muito bem a pregação. Que pena. Perguntei por que ela não tinha entrado e Maria respondeu que “não se sentia digna” de entrar no santuário. A meu pedido, aquela senhora passou a me relatar sua vida. Ela tinha sido membro justamente de uma das igrejas da denominação em que congrego. Por desavenças com pessoas da igreja e conflitos dentro da congregação que frequentava, acabou se afastando da comunidade de fé, desistindo de ir aos cultos e  se entregando a uma vida de pecados. Em resumo, ela tornou-se a típica “desviada”.

Confesso que meu coração sangrou ao ouvir sua história. Vi aquela preciosa vida ali, entregue às futilidades da existência, machucada por filhos de Deus, ouvindo o chamado do Pai, mas… sentindo-se indigna de entrar no santuário. Comecei, então, a lhe falar do amor de Cristo e da paz que só ele pode dar, do perdão e de tudo o que a entrega de uma vida a Deus realiza. Ela escutou atentamente. Ao final, perguntei se não gostaria de restabelecer os vínculos com Jesus, mas ela deu uma resposta que é muito comum ouvirmos:

– Primeiro eu preciso ficar limpinha… minha vida tá toda errada…  eu estou imunda…

sujeiraAquelas palavras foram como um soco no meu estômago. Tentei argumentar, explicando que Deus é quem limpa e purifica, mas ela fincou pé. Por saber que não é o homem quem convence do pecado, da justiça e do juízo, mas o Espírito Santo, perguntei, então, se não gostaria que orasse por ela. Mas Maria mostrou-se refratária. Parecia que estava se sentindo tão suja na alma que qualquer coisa relacionada à pureza divina a fazia se sentir indigna. Diante de sua recusa, compartilhei algumas palavras mais sobre Cristo e terminei dizendo que ele a estava esperando de braços abertos, independente de ela não estar “limpinha”. Ao me despedir, ela olhou fundo em meus olhos e segurou minha mão. Não disse palavra alguma. Apenas ficou ali, me olhando por longos segundos. Depois virou-se e foi sentar-se à mesa do bar. Eu retornei para a igreja e continuei com as dedicatórias nos livros.

Quando chegou a hora de ir embora, minha esposa foi pegar-me de carro. Abracei os irmãos e entrei no banco do carona. Foi quando olhei para o bar e vi que Maria permanecia sentada e olhava para mim pela janela do veículo com um olhar fixo. Partimos e fomos embora, mas notei que aquele par de olhos me seguiu enquanto o automóvel se afastava. Eu sei que, na verdade, aquela senhora não estava olhando para mim, mas para o que eu representei naquela noite: palavras de pureza, em Cristo.

sujeira 2Maria é uma em meio a uma incontável multidão. Você encontra milhões de marias pelas ruas, pelos shoppings, na escola, na faculdade, no trabalho, na sua família. Maria convive conosco, diariamente, e, muitas vezes, não a enxergamos. É invisível à nossa insensibilidade espiritual. Em todo o planeta há pessoas que se encontram distantes de Cristo e, por isso, buscam paz e felicidade em montes de coisas que não preenchem. Mortos na putrefação dos delitos e na imundice do pecado, sabem que precisam de algo, que não entendem bem o que seja; algo que sopre vida em suas almas e encha seus lábios mortos de sorrisos de alegria. Algo que as purifique e as faça ficar “limpinhas”. Nós sabemos que esse algo, na verdade, é alguém. E que ele não espera que vão ao seu encontro pessoas “limpinhas”: quem ele mais busca abraçar são as imundas.

Maria não quis o abraço de Cristo aquela noite. Eu fiz o meu papel: proclamei a salvação, a paz, o caminho, a verdade, a vida. Ela não quis receber nada daquilo naquele momento, embora estivesse absurdamente sedenta de tudo o que lhe apresentei. Sua alma, suja e malcheirosa pelo pecado, berrava, clamando por socorro, limpeza e purificação. No entanto, o sentimento de inadequação foi mais forte. Isso ocorre muito e é um alerta para nós: precisamos mostrar aos filhos pródigos que a casa do pai não os aguarda com castigos e recriminação, mas com festa, um anel no dedo e roupas novas e limpas. Temos de incluir em nossa proclamação das verdades sagradas que o evangelho é para os bêbados, os depravados, os assassinos, os ladrões, os corruptos, os indignos. Cristo não busca os purificados; ele purifica os que busca.

Sabe… Jesus veio à terra acostumado à imundície. Um aspecto interessante do Natal é que, geralmente, ao vermos presépios, o que encontramos são representações de estrebarias como lugares bonitinhos, com uma estrelinha no topo e bichinhos fofinhos rodeando um menino Jesus limpinho. Só que não foi assim o primeiro Natal. Um bebê nasce sujo dos líquidos corporais da mãe. Para ser limpo, imagino que Jesus deva ter sido lavado com a água destinada a ser bebida pelos animais (que outra água há numa estrebaria?). E o ambiente não era nada fofo: se você já visitou estábulos em hotéis-fazenda ou outros lugares similares, sabe que cheiram mal, têm fedor de estrume, xixi de vaca e muitas moscas. Então entenda: Jesus veio ao mundo num local imundo, indigno, insalubre. Os primeiros cheiros que nosso Deus sentiu na vida terrena foram de excremento e urina de animais. Insetos devem ter pousado em seu rostinho com as patas salpicadas daquilo em que eles gostam de pousar. Meu irmão, minha irmã, Cristo sabe o que é sujeira. Ele viveu desde o nascimento em contato direto com a sujeira. Ele conhece o cheiro de podridão. E entende o que é o fedor da miséria humana.

sujeira 3A boa notícia é que, ao subir aos céus, Jesus ascendeu com um corpo glorificado, incólume, sem sujeira ou mancha alguma. Puro. Digno. Limpo. Em paz. E isso é um sinal para nós. Neste Natal, busque as marias que você conhece, do jeito que elas estiverem, sujas e malcheirosas pelo fedor do pecado, e diga-lhes que, se elas não se sentem “limpinhas”, Deus tem para elas uma glória maior do que tudo o que se pode supor e imaginar. O Pai tem para elas pureza. Dignidade. Limpeza. E paz.

Faça isso e o Natal ganhará um significado totalmente novo em sua vida. E, mais ainda, na das milhões de marias que estão por aí, apenas esperando que alguém como você as conduza à fonte purificadora da água da vida. “Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida” (Ap 22.17).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Perdão é um assunto essencial para nossa saúde espiritual. A falta de perdão é um câncer que corrói a alma, gera culpa e ressentimento e nos afasta de Deus. Foi por isso que decidi me dedicar a esse tema em meu livro mais recente, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (veja AQUI), que acabou de ser lançado pela editora Mundo Cristão. Semana que vem falarei um pouco mais sobre ele, se você me permitir. Hoje compartilho apenas um pequeno vídeo, que a editora me pediu para gravar, em que abordo um dos temas tratados no livro. Espero que aquilo que procuro compartilhar nessa fala de 2 minutos abençoe a sua vida.

Perdão Total_Youtube

(Se, ao clicar na imagem, o vídeo não abrir, clique AQUI)

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari