Arquivo da categoria ‘Mártires’

leoesPeço desculpas a você que acompanha o APENAS, pois escrevo sempre aqui no blog com a intenção de edificar, exortar ou consolar a sua vida, mas, hoje, gostaria de abordar um assunto que tem ferido a minha alma. Já explico, mas, para chegar ao ponto principal da minha reflexão, antes tenho de apresentar alguns argumentos. Se você tiver paciência de ler até o final, sigamos juntos. O fato é que, já há alguns anos, algo tem me incomodado muito. Mas muito. Muito. Demais. A desunião da Igreja de Jesus Cristo em nosso país alcançou patamares elevadíssimos. Para mim, preciso dizer, insuportáveis. Viramos uma família abençoada, porém, em enorme parte, problemática. Por mais que me doa muito dizer isso, nós, evangélicos, somos um povo desunido. O que ainda não é o pior: não satisfeitos em vivermos entre inimizades, porfias, […] discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20), tratamos os irmãos em Cristo de quem discordamos com um nível de agressividade, arrogância, desrespeito e falta de amor que considero espantoso para quem segue Jesus.

Essa constatação, atrelada à angústia que ela provoca, já me acompanha há um bom tempo. Quando abandonei as redes sociais, há uns dois anos, fiquei bem melhor, pois parei de ter acesso a muitos dos debates, videos, textos, vlogs e posts que promovem a segregação e o esquartejamento do Corpo de Cristo. Com o lançamento de meu livro Perdão Total, em outubro passado, retornei ao facebook por orientação da editora, como forma de manter o diálogo com leitores e irmãos a quem porventura eu pudesse vir a abençoar pelo que escrevo. Nesse sentido, foi ótimo, pois de fato foi possível interagir, conhecer novas pessoas, ter diálogos interessantes, divulgar a mensagem do perdão e da restauração. Mas isso teve um efeito colateral, um preço a pagar: voltei a ter acesso a posts, comentários, vídeos, vlogs e tudo o mais que, em nome “de Jesus”, da suposta “sã doutrina” e da “apologética”, promove dissensão, a compartimentalização e a ira entre as diferentes facções da Igreja. 
ovelha 1Assim, tenho visto calvinistas numa discussão eterna com arminianos, com troca de acusações, desrespeito e ofensas dos dois lados. Também cessacionistas em discussões antigas e insípidas com pentecostais. Ou, ainda, pedobatistas e credobatistas se pegando nos ringues virtuais. Adeptos da Missão Integral e adversários da Missão Integral quase comendo o fígado uns dos outros. Gente que não crê que Deus está no controle de tudo gritando e salivando contra quem crê que Deus está no controle de tudo e quem crê respondendo com igual ímpeto. Isso além de muitos outros grupos divergentes. Tudo “em defesa da sã doutrina”, claro.
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Sabe o que percebo que há em comum a todos esses grupos que polemizam na Internet e outros ambientes? São irmãos em Cristo tratando irmãos em Cristo com desrespeito, desamor, doses de agressividade, muita arrogância e outras posturas que são características do mundo, não de filhos de Deus – claro que, como acreditam estar fazendo isso em nome da sã doutrina, os que entram nesses debates creem que tudo podem, que o Senhor lhes dá carta branca para serem pessoas desagradáveis, já que acreditam verdadeiramente que o estão “defendendo”. Agem, talvez sem perceber, não segundo o  amor que o evangelho propõe, mas segundo a máxima do filósofo Maquiavel: “o fim justifica os meios”.
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Nas divergências, me assombro com a forma com que os “defensores da sã doutrina” atacam quem eles acreditam estar errados. Cheguei a ver irmãos em Cristo criticando irmãos em Cristo de quem discordam usando elogios como “paspalho”,  “idiota” e “palhaço”. Estou estarrecido com o que tenho visto e profundamente abatido por ver que meus irmãos acham que isso é justificável. Não é. É um absurdo bíblico. Só para lembrar: “Quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). Ou Jesus não quis dizer o que disse? Que outra interpretação haveria?
leos 2Repare que não estou falando de cristãos criticando hereges. Refiro-me a cristãos que discordam de cristãos. É briga familiar. Irmão contra irmão. Caim e Abel dos dias atuais. Se já me choco quando vejo a maneira horrível e mundana como muitos irmãos em Cristo tratam hereges e pessoas que discordam do evangelho, quanto mais quando observo as brigas entre os irmãos na fé. Muitos dos que põem o dedo na cara dos hereges falam deles com ira, chacotas, sarcasmo e ódio, muito ódio, em suas palavras e, naturalmente, no coração. “O que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem” (Mt 15.18). Sempre que vejo, leio ou ouço, por exemplo, cristãos falando de forma agressiva e cheia de ódio contra quem considera inimigo da fé, lembro-me do que Jesus nos ordenou: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” (Mt 5.43-46). Se recebemos de Jesus o mandamento de amar os inimigos (e nunca vi tratar mal, xingar, ofender, desrespeitar ou agredir quem se ama), os inimigos da fé não se encaixariam na categoria “inimigos”? Ou inimigo não significa inimigo? Então não deveríamos tratá-los com amor? Jesus não quis dizer o que disse? Ou “não é bem assim”?
dallas willardMuitos cristãos acreditam que a defesa da fé (contra hereges ou contra cristãos dos quais se discorda) deve ser feita com agressividade, com testosterona, como cruzados numa batalha. Agem como zelotes, guerreiros da sua “sã doutrina”. Então, para os tais, vale tudo, inclusive tratar de quem discordam por nomes desrespeitosos e agredi-los da forma que der. Confesso que há alguns anos eu acreditava nisso também. E agi dessa forma, reconheço o meu pecado. Mas, então, fui percebendo o absurdo e o mundanismo presente nessa postura. Até que, há alguns meses, li a obra The allure of gentleness (“O fascínio da gentileza”, numa tradução livre), livro póstumo de Dallas Willard (foto), onde ele prova que a defesa da fé (com relação a hereges e também a cristãos de quem se discorda) para dar resultados tem de ser feita com educação, polidez, afeto e respeito. O que li foi a gota d’água para revolucionar de vez minha visão sobre o assunto. Hoje, meu estômago embrulha quando leio, vejo ou ouço qualquer cristão “defender a fé” com agressividade, altivez, ofensas, termos deselegantes, xingamentos e petulância – sempre “em nome de Jesus”, claro.
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Não é possível que as pessoas não percebam que algo feito em nome de Jesus mas que contraria o caráter de Jesus… tem qualquer origem, menos Jesus.
boko haram 1Venho observando e suportando tanta divergência feita sem amor por esses últimos quatro meses sem falar nada, mas, semana passada, aconteceu algo que me lançou em uma reflexão profunda e me conduziu a este desabafo. Por algumas razões, passei a buscar informações sobre a perseguição sangrenta e cruel que vem ocorrendo em nossos dias contra os cristãos em determinados países do mundo. Não sei se você sabe disso, mas nossos irmãos e nossas irmãs em Cristo estão sendo mortos como porcos em muitas nações dominadas pelo Isam. Hoje. No exato momento em que você está lendo este texto, confortável e despreocupadamente, milhares de irmãos na fé estão sendo estuprados, desapossados de seus bens, vendidos como escravos sexuais, espancados e assassinados. A forma preferida de matança de cristãos, por serem cristãos, é a decapitação.
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O grupo terrorista Estado Islâmico tem dizimado todo e qualquer cristão que encontra pelo caminho em países como Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Turquia. E isso por enquanto, logo eles estarão em outros países. Talvez o Brasil. O Estado Islâmico obriga as pessoas que vivem nas regiões que controla a se converter ao islamismo, e aqueles que se recusam sofrem torturas, mutilações e estupros. E são executados.
boko haram 2Na Nigéria, o problema é semelhante. A organização Boko Haram (expressão que significa “a educação ocidental ou não islâmica é um pecado”) é um grupo  fundamentalista islâmico de métodos terroristas, que busca impor a lei muçulmana no norte do país. O Boko Haram opera com caminhões e carros blindados, cerca vilas cristãs e mata a população inteira, além de sequestrar e estuprar todas as meninas. Vídeos têm sido divulgados pela internet e mostram pastores e membros de igrejas sendo decapitados por espadas, simplesmente por ser cristãos e se recusar a negar sua fé. Volto a dizer: isso está ocorrendo agora, hoje, nesta época da história e debaixo do mesmo sol que eu e você. No exato mesmo segundo em que cristãos aqui no Brasil se ofendem e entram em discussões mal-educadas por questões secundárias da fé; em países como Nigéria, Síria e Jordânia pastores e membros estão sendo postos de joelhos e decapitados por espadas. As imagens são tão terríveis que foi difícil encontrar fotos para ilustrar este post que fossem publicáveis, a maioria é de embrulhar o estômago.
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E, finalmente, quero chegar ao ponto principal de tudo o que escrevi aqui. Eu li muitos textos e assisti a uma grande quantidade de vídeos sobre a perseguição e a devastação imposta a esses milhares de irmãos pelo Estado Islâmico e pelo Boko Haram. Sabe o que mais chamou minha atenção? Em nenhum deles, em nem um único sequer, vi qualquer designação desses mártires da fé que não fosse cristãos. Nenhuma manchete de jornal escreveu algo como “Reformados são assassinados” ou “Estupradas a meninas que se opõem à Missão Integral”. Tampouco “Milhares de pentecostais decapitados na Nigéria”, nem “Vilas de cessacionistas são invadidas por terroristas”. Ou “Batistas e presbiterianos são caçados por islâmicos, mas pentecostais e metodistas não”. Nada disso. O que leio é “Cristãos são mortos…”; “Cristãs são estupradas…”; “Cristãos foram decapitados…”. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos.
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Sabe a que conclusão cheguei? Quando vem a perseguição, todas as discussões sobre assuntos secundários deixam de importar. Os bate-bocas denominacionais desaparecem. As rusgas doutrinárias evaporam. Se a sua cidade for invadida por radicais islâmicos, você não vai dar a mínima para as questiúnculas periféricas que nos dividem e jogam irmão contra irmão. Assim como duvido que os cristãos de Iraque, Nigéria, Síria e outros países que sangram pela perseguição estejam dando a mínima para isso neste momento. Eles só sabem que são filhos de Deus e irmãos em Cristo. Porque, no instante em que o principal é posto no foco, as questões periféricas e menos importantes da fé desaparecem.
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O que sobra é o centro de tudo: a cruz. Nessas horas, nos lembramos dos temas fundamentais da fé, como amor a Deus e ao próximo, graça, perdão, restauração, evangelismo, negar-se a si mesmo, vida eterna, fruto do Espírito e tantos outros que permanecem esquecidos por muitos em tempos de paz.
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Eu tenho pavor que isso aconteça, mas a história das perseguições religiosas ao longo dos séculos mostra que a perseguição une, purifica e derruba as divisões da Igreja. Não que eu queira o Estado Islâmico ou o Boko Haram invadindo Copacabana, Deus nos livre! Jamais desejaria isso. Mas, no rumo em que estamos, seria uma das poucas coisas que poderiam remover os rótulos inúteis e unir, aqui no Brasil, as denominações, os adeptos das distintas linhas teólogicas e doutrinárias, os diferentes grupos soteriológicos, os que professam ideologias cristãs diferentes, os que divergem em assuntos periféricos e menos importantes da fé. As igrejas de países como Nigéria, Síria, Iraque e Jordânia que o digam.
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Não importa se você é batista, presbiteriano, pentecostal, anglicano,  metodista, cessacionista, emergente, pedobatista ou o que for. Se você foi alcançado pela graça divina, crê em Jesus como Senhor e Salvador pessoal e vive em piedade, passará a eternidade na presença de Deus, em novos céus e nova terra. E, sinceramente… você acha que qualquer uma dessas coisas importará lá? Então fica aqui a minha recomendação: importe-se aqui com o que importa na eternidade.
boko haram 5Desfrute da liberdade que você tem. Mas faça isso todos os dias como se vivesse num país em que te cortariam a cabeça só de saber que você é cristão. Porque, aí, todo rótulo deixará de importar e você poderá se orgulhar de ter como título simplesmente… cristão. Um cristão que ama e une e não um que promove a discórdia e polêmicas que gerarão bate-bocas e nenhum benefício. E peço a Deus de todo o meu coração que jamais seja preciso que seu pescoço esteja encostado na lâmina de uma espada para que isso aconteça.
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Amemo-nos. Unamo-nos. Deixemos de lado as rusgas sobre aspectos secundários da fé. Vamos dar as mãos naquilo que nos une, voltar os olhos para a cruz e começar, de fato, a amar o próximo. Sejamos, de fato, irmãos. Deus estende sua graça salvífica para um único tipo de pessoas: pecadores perdidos. Ou seja: antes de sermos salvos éramos todos iguais. Por que depois de sermos salvos temos de começar a nos segmentar, odiar, atacar? Pentecostais, tradicionais, cessacionistas, continuístas, pedobatistas, credobatistas, calvinistas, arminianos etc., etc., etc… nada disso importará no dia em que virmos Jesus face a face. O que Deus verá nesse dia é se temos o sangue do Cordeiro aspergido sobre nós. Somos todos cristãos, somos todos irmãos: que comecemos a agir como tal, para que cumpramos a oração de Jesus a nosso respeito. “Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um” (Jo 17.11).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Perdaototal_Banner Blog Apenas

Blog Apenas 3 anosMinha mãe tem um hábito raro e curioso. Em todas as datas comemorativas em que deveria receber presentes, é ela quem presenteia as pessoas mais próximas. Muitas vezes fui surpreendido ao receber dela algo no seu aniversário, no dia das mães ou ocasiões similares. O blog APENAS completa no próximo dia 14 de maio três anos de vida. Para comemorar a data, decidi seguir o exemplo de minha mãe e celebrar esse dia com um gesto de carinho: em vez de ser presenteado, optei por presentear você, que me presenteia todas as semanas com a leitura das reflexões que aqui compartilho. É um pequeno ato de gratidão pela honra que é ter a sua companhia semanal neste meu pequeno espaço virtual.

Naturalmente, os presentes que decidi entregar são o que considero o tipo de bem material mais valioso e importante que há: livros. Eu gostaria de entregá-los a todos irmãos e irmãs que investem alguns preciosos minutos por semana na leitura dos pensamentos que compartilho, mas, infelizmente, isso não seria possível. Então, o modo que encontrei para definir quem receberá os exemplares é o que considero o mais justo: um sorteio.

A editora Mundo Cristão gentilmente cedeu cinco livros para eu sortear entre todos os assinantes do blog. Quero deixar bem claro que esta não é uma ação paga e não estou recebendo dinheiro ou qualquer outro benefício da editora para realizar este sorteio – apenas pedi e a Mundo Cristão me ofertou os livros, que vou repassar a você. No dia 14/05/14 próximo, que é a data do aniversário, vou postar aqui um texto explicando como você pode ganhar um dos cinco livros. Para participar, basta ser assinante do APENAS e responder, no espaço dos comentários, uma pergunta que farei. Não haverá resposta certa ou errada, o importante será você expor sua opinião sobre o que vou indagar, para ajudar na reflexão sobre um tema que considero de extrema importância para a nossa fé – e que, paradoxalmente, é muito menos compreendido e praticado do que deveria: o perdão.

Estes são os cinco livros que a Mundo Cristão cedeu para a comemoração (um exemplar de cada):

A vida de CS LewisA vida de C. S. Lewis: Do ateísmo às terras de Nárnia (Alister McGrath) – Sinopse do livro: Por mais de meio século, C. S. Lewis vem alimentando a imaginação de milhões de pessoas em todo o planeta com seu fantástico mundo de Nárnia. Para celebrar o 50º aniversário de sua morte, o Dr. Alister McGrath reconta a vida deste que é considerado um dos maiores escritores do século 20. A obra oferece um panorama abrangente e fascinante da trajetória de um pensador profundamente original e que se tornou fonte de inspiração para crianças e adultos em todo o mundo. McGrath oferece um olhar novo, e por vezes chocante, sobre a vida dessa figura complexa, em uma biografia profundamente embasada. O autor nos faz mergulhar no coração de um Lewis que poucos conhecem.

 

Quem voce pensa que eQuem você pensa que é? (Mark Driscoll) – Sinopse do livro: Quem é você? O que o define? Qual é sua verdadeira identidade? Como você responderia essas três perguntas? Saber responder corretamente pode ser a diferença entre viver uma vida de significado ou simplesmente existir. Em geral, esquecemos quem realmente somos e, por isso, buscamos preencher esse vazio com coisas passageiras, incapazes de satisfazer os anseios da alma. Até mesmo muitos que dizem “estar em Cristo” parecem não viver de modo significativo o que acreditam. Mark Driscoll explora com inteligência e sagacidade as reais implicações de sermos criados à imagem e semelhança de Deus. E revela como potencializar em realizações pessoais e comunitárias essa condição única da Criação.

 

Diga sim com convicçãoDiga sim com convicção (Miguel Uchôa) – Sinopse do livro: As estatísticas mostram índices alarmantes de divórcio entre cristãos e não cristãos. Os gabinetes pastorais e os consultórios especializados em terapia de casais vivem lotados de pessoas que experimentam a infelicidade na vida a dois. Certamente, ninguém ingressa num relacionamento com o objetivo de fazer parte do grupo dos divorciados ou dos infelizes. Mas, se o processo decisório não for conduzido de forma consciente, madura e bíblica, isso lamentavelmente pode se tornar uma grande possibilidade. Com sua larga experiência em aconselhamento matrimonial, Miguel Uchôa (bispo anglicano da Diocese do Recife) mostra diferentes maneiras de evitar que a dissolução e a infelicidade entrem no lar daqueles que sonham em construir uma família.

 

Pais admiráveis educam pelo exemploPais admiráveis educam pelo exemplo (Cris Poli) – Sinopse do livro: A máxima “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” não funciona quando o assunto é criação de filhos. As crianças, desde muito pequenas, observam e se espelham nas atitudes e no comportamento dos pais, muito mais do que em seus ensinamentos verbais ou broncas. Todo pai e toda mãe deseja que os filhos sejam amorosos, alegres, pacíficos e pacificadores, pacientes, tolerantes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e que tenham domínio próprio. Então lembre-se: eles precisam ver essas características em você primeiro! Neste livro, Cris Poli (a Supernanny) vai ajudar você em sua enorme responsabilidade de transmitir os valores mais importantes que existem a seus filhos, com a didática que eles compreendem melhor: seu exemplo pessoal.

 

BonhoefferBonhoeffer – pastor, mártir, profeta, espião (Eric Metaxas) – Sinopse do livro: As tropas nazistas avançavam pela Europa. Numa época em que se calar era a melhor forma de se expressar e se omitir era a mais acertada ação, o pastor Dietrich Bonhoeffer tornou-se uma ameaça a Hitler. Sabotando ordens e ações de guerra nazistas, ele salvou milhares de vidas e impediu os planos de Hitler. Descoberto, Bonhoeffer foi preso e enforcado por ordem direta do líder germânico. Este livro traça o perfil profundo e cuidadosamente detalhado de um dos teólogos alemães mais importantes desde Lutero e uma das figuras principais da resistência contra o regime nazista. Inspirador, desafiador e emocionante, Bonhoeffer é o relato instigante do que um homem pode fazer movido por amor ao próximo e contra a injustiça.

É isso. Se você deseja ganhar um desses cinco livros de presente, basta espiar o post do próximo dia 14/05 e responder uma pergunta que farei sobre perdão. Todos os que fizerem isso participarão do sorteio. Desde já agradeço o seu carinho e o privilégio de contar com a sua companhia nas minhas reflexões ao longo desses três anos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

 

 

Ganho1A época em que vivemos é a era do ganho. Nossa sociedade é capitalista, materialista, consumista e existencialista. Se você não entende algum desses conceitos, basta compreender o que está no centro de todas essas filosofias de vida: o eu. O meu. O que posso ganhar. O lucro pessoal. O benefício próprio. Os nossos tempos estimulam um individualismo exacerbado, que nos arrasta como um carro de Fórmula 1 pelas ruas pedregosas da vida. Acabamos destroçados pela necessidade de ganhar, ganhar, ganhar. Só seremos vistos como pessoas bem-sucedidas se ganharmos muito dinheiro, ganharmos o coração do menino mais cobiçado, ganharmos um cargo de destaque na igreja, ganharmos uma cobiçada vaga de emprego, ganharmos status, ganharmos títulos, ganharmos celebridade, ganhar, ganhar, ganhar! Somos levados pelo mundo ao nosso redor a crer que a vida é uma grande competição, em que ganhar diariamente (seja lá o que for) é a grande razão de estarmos sobre a terra. Mas não é isso o que a Bíblia nos ensina.

É fácil reparar como essa forma de ver a vida invadiu a igreja e tomou conta de nós, do mesmo modo que um câncer se espalha silenciosamente por nossos organismo. A maior prova disso é que nossa caminhada de fé tornou-se permeada pelo conceito de vitória. E só tem vitória quem triunfa, vence… ganha. “A vitória é tua!”, dizemos aos irmãos. “Deus, nos dê a vitória!”, oramos. “Faça tal campanha na igreja e Deus te dará a vitória!”, mentimos. Falamos mais a palavra “vitória” em nossas orações e nos cultos do que “Jesus”. Parece que, para muitos de nós, uma vida sem “vitória” é uma vida sem fé, sem bênção, sem a presença do Senhor. Em outras palavras, cremos que, se não ganhamos diariamente, nossa espiritualidade é mirrada, raquítica.

Para cumprir a vontade de Deus, Abraão perdeu a terra Natal e a parentela; Jó perdeu tudo o que tinha; Moisés perdeu a pacata vida de pastor; Jeremias perdeu a paz; Noé perdeu o respeito dos vizinhos; Paulo perdeu tudo aquilo em que cria; João perdeu a liberdade; Raabe perdeu sua cidade; Jesus perdeu a própria vida. A lista de personagens da Bíblia que perderam muito nesta vida é gigantesca. Mas, na gramática de Deus, perder por amor a ele é ganhar para a vida eterna.

Martir“Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb 11.35-40). Essa parece uma lista de “vitoriosos”? Ou parece mais a descrição de gente que sofreu perdas enormes? Tenha a certeza de que foram perdas que resultaram num ganho muito superior – por ser um ganho eterno e não terreno. É impossível viver para Deus sem perder para si.

“Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12.25), disse Jesus. Ele afirmou, ainda: “Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.39). E, nesta era em que somos instigados a ganhar o mundo inteiro, precisamos ouvir as palavras do Mestre a seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16.25-26).

Se não temos de ganhar o mundo inteiro, o que, afinal, precisamos ganhar? Paulo responde: “O que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.7-8).

Cristo. Eis o que precisamos ganhar. Pois, como disse Paulo, “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21). São o Rei, seu reino e sua justiça que devemos buscar antes de tudo mais, sabendo que, assim, tudo mais nos será acrescentado.

E como se ganha Cristo?

cruzPerdendo. Abrindo mão de si. Perco prazeres terrenos a fim de ganhar Cristo. Perco oportunidades, porém fraudulentas, a fim de ganhar Cristo. Perco o casamento com aquele partidão que não é cristão a fim de ganhar Cristo. Perco aquele negócio da China, mas que exigiria liberação de propina, a fim de ganhar Cristo. Perco a fama e deixo outros brilharem a fim de ganhar Cristo. Perco dinheiro justo que eu deveria receber, para não escandalizar a igreja, a fim de ganhar Cristo. Perco respeito de quem considera minha fé uma fábula e minhas crenças, fanatismo, a fim de ganhar Cristo. Perco a vingança e dou a outra face a fim de ganhar Cristo. Perco o emprego em que teria de me corromper, a fim de ganhar Cristo. Perco o que desejo a fim de ganhar Cristo. Perco minha felicidade a fim de ganhar Cristo. Perder, perder, perder.

Mas o que ganhamos por essa perda, acredite, vale a pena.

O que você está disposto a perder a fim de ganhar Cristo? É a resposta a essa pergunta que vai determinar quem vem em primeiro lugar na sua vida. Será você mesmo? Ou Jesus? Suas ações responderão. E Deus estará bem atento a elas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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Assisti absolutamente estarrecido aos telejornais na sexta-feira passada. As imagens da barbárie que foi a violência em diferentes cidades do Brasil, com atos de vandalismo, depredações, ofensas, agressões, confrontos, roubos de lojas, ataques a bancos e o cerceamento do direito de ir e vir dos cidadãos de bem me deixaram paralisado e de olhos marejados. O país que eu amo está em uma guerra civil descontrolada. Quando manifestações pacíficas por causas sociais justas degringolam e viram um caos primitivo e sanguinário é sinal de que o país precisa urgentemente de socorro. Assisti ao pronunciamento de nossa presidenta, em cadeia nacional de rádio e TV, em que ela desfilou uma lista bastante colorida de ações que pretende tomar para resolver os problemas. Achei tudo ótimo. Afinal, quem não gostaria, por exemplo, de ver todos os royalties do petróleo destinados à educação? Sou filho de professores do estado aposentados, há décadas anseio por escolas públicas melhores. Em 1987 fui às ruas – em manifestações pacíficas – pedir por isso e pela meia passagem para estudantes. Eu fui um cara-pintada da era Collor. Só que, depois de ouvir as possíveis soluções de nossa presidenta com um pouquinho de alegria dentro de mim, meu lado reflexivo me lembrou de uma triste realidade: nada do que ela propõe vai resolver nada.

Parei para pensar, quando terminou o show dos telejornais, que o que está acontecendo pelo Brasil afora não é um “a que ponto chegamos”, mas sim um “e lá vamos nós de novo”. O que vi na TV foi Caim matando Abel. Sodoma se corrompendo. Exércitos destroçando os povos vizinhos na antiga Palestina. Davi assassinando Urias. Diná sendo estuprada. Sansão estraçalhando filisteus. A Babilônia pondo Jerusalém abaixo. Jefté matando a própria filha. Jael cravando a cabeça de Sísera no chão com uma estaca. Jacó enganando seu irmão e seu pai e sendo enganado pelo sogro. Os irmãos vendendo José como escravo. Os primeiros cristãos sendo atirados aos leões. Inocentes queimados na fogueira da Inquisição. A igreja corrupta vendendo indulgências. As guerras entre católicos e protestantes. O papa de Roma amaldiçoando o patriarca de Constantinopla e o patriarca amaldiçoando o papa. As trevas da Idade Média. A corrupção do clero. O holocausto nazista. As invasões bárbaras. A Jihad islâmica. O martírio dos huguenotes na Guanabara. Índios dizimados. Negros escravizados. Pedofilia de padres. Teologia da Prosperidade de pastores. Gays querendo matar cristãos e cristãos querendo apedrejar gays. Cristãos ofendendo cristãos nas redes sociais.

Sim, minha conclusão, ao final dos telejornais, foi a mesma de Salomão três mil anos atrás: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1.9-10). Porque tudo o que está acontecendo no Brasil tem uma única causa, uma única explicação, uma única origem. Que é a mesma para toda essa lista de barbaridades e atos de violência que ocorrem desde que um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva caminharam sobre a terra:

Pecado.

Fiquei estarrecido, chocado, emocionado e abatido por tudo o que vi na TV. Mas não fiquei surpreso. Pois sei bem do que nós, seres humanos, somos capazes. Eu e você somos portadores dessa gangrena espiritual chamada pecado, que gera em nós sintomas como os que estão se manifestando entre as hordas de monstros que disseminaram a barbárie nos últimos dias pelo Brasil. Sim, o pecado faz de nós animais, bestas selvagens cuja única racionalidade é a irracionalidade. Todo pecado faz isso, todo. Eu ouvi cético às explicações dos jornalistas, comentaristas e entrevistados sobre as causas dos atos de brutalidade ocorridos em Salvador, Belém, Rio, São Paulo e tantas outras cidades. As análises são todas muito interessantes, mas a verdade é que a raiz de tudo o que vi, cada vidraça quebrada, cada gota de sangue derramado, cada poste derrubado, cada cabine da polícia incendiada… é esse terror invisível que carregamos dentro de nós chamado pecado.

E, por mais que tenha ficado alegre com as medidas que a presidenta diz que tomará, no fundo sei que nada adiantará. Porque tudo o que é feito no âmbito social fica no exterior do homem e, portanto, é paliativo. Qualquer atitude que se tome só vai amainar as coisas, nenhuma solução humana é solução. Pois o problema, a raiz, a origem de tudo isso é o pecado. E pecado não se resolve com canetadas, decretos ou mobilizações sociais. Só se resolve com Jesus de Nazaré.

Diante disso, fiquei pensando: qual é o nosso papel, como cristãos, diante desse cenário infernal que viraram nossas ruas? O que a Igreja (eu e você) devemos fazer? Organizar manifestações? Emitir notas públicas de repúdio? Eleger mais pastores em cargos públicos? Gritar palavras de ordem? Criar hashtags no Twitter? Escrever mais posts sobre a violência no Brasil em blogs? Nada disso. Tudo isso é correr contra o vento. Simplesmente porque nada disso elimina o pecado da humanidade. Se a Igreja quiser ser Igreja tem de lutar com as armas de quem foi “chamado para fora”. Ou seja: tem de lutar com armas diferentes das que usam os que “estão dentro”. Deixemos as marchas, passeatas, entrevistas coletivas, notas oficiais em sites institucionais e outras coisas do gênero para a sociedade não cristã. O nosso papel é proclamar Cristo. Pregar o evangelho. Anunciar as boas novas de salvação.

A lógica é simples e existe há dois mil anos: só existe uma cura para o pecado. O remédio se chama Jesus. Eu e você sabemos disso. O mundo não sabe. Por isso temos de levar essa cura aos que estão doentes. Contra os violentos levemos o Príncipe da Paz. Contra os sanguinários levemos o manso Cordeiro. Contra os depredadores levemos o reconstrutor. Contra os que matam levemos quem dá vida. Os royalties do petróleo não vão salvar do pecado os baderneiros mascarados. Nem bombas de gás lacrimogêneo. Tampouco tropas de choque. Projetos sociais menos ainda. A Copa do Mundo também não. Grupos de trabalho da presidência não tiram o pecado do mundo. Toda solução possível é apenas assoprar o ferimento, não arranca a raiz do problema.

Propor Jesus como solução para a crise no Brasil não é ser simplório. Não é ser ingênuo. Não é espiritualizar uma realidade concreta. Não é ser bobo. Propor Jesus como a solução do caos no Brasil é ser bíblico. É ser cristão. É propor a única cura possível para a única causa de tudo o que está acontecendo. Quer colaborar para o fim da violência em nosso país, meu irmão, minha irmã? Pregue a Cristo, e ele crucificado. Anuncie o evangelho verdadeiro. Proclame a salvação da cruz. Abra a boca! Homens livres do pecado, redimidos, restaurados, nascidos de novo não depredam, não roubam, não batem, não apedrejam, não incendeiam, não agridem, não ofendem, não machucam, não brigam, não matam. Homens livres do pecado são pacificadores, humildes de espírito; têm domínio próprio, amor, benignidade, bondade, olhos meigos e um tom de voz suave. São a imagem de Cristo.

As imagens da violência e da brutalidade em nosso país conclamam a mim e a você para a ação (recomendo a leitura do post “É tempo de orar”). Mas, se eu e você somos cristãos, a nossa ação não pode ser a mesma do mundo. O mundo sabe organizar manifestações, fazer grupos de trabalho e convocar mais policiais. Deixe o mundo fazer o que o mundo sabe fazer, pois essas são as soluções que ele conhece. Eu e você temos de fazer aquilo que o mundo não sabe: proclamar Deus. Brilhar a luz de Cristo nas trevas. Apresentar a cruz. Você é um embaixador do reino. Então aja como tal. O pecado está pondo as garras para fora e todos estão vendo, pois está sendo exibido em rede nacional de TV. Mas será que alguém está vendo Jesus? Não, não está. Porque isso os telejornais não mostram. Logo, mostrar Cristo e divulgar sua mensagem compete a mim e a você.

E aí, o que você vai fazer a esse respeito? Ver mais um jogo de futebol?

Paz a todos vocês que estão em Cristo – para que possam levar essa mesma paz a todos aqueles que não estão.
Maurício

Muitos irmãos sofrem perseguição por sua fé em Cristo – possivelmente você já sofreu. Ela pode se manifestar de maneiras variadas, da zombaria e segregação à agressão física e morte. Como devemos lidar com isso? Como reagir quando alguém pega no nosso pé ou nos destrata pela nossa crença em Jesus? Revidamos? Abaixamos a cabeça? Há uma forma bíblica de proceder quando isso ocorre? Sim, há. E para termos convicção sobre ela e estarmos preparados para reagir biblicamente à perseguição teremos de percorrer algumas passagens das Escrituras, introjetá-las fundo em nossa alma e viver da difícil maneira a que elas nos ensinam.

Ao longo dos 2.000 anos de História do Cristianismo sempre houve perseguição, em escalas variadas. O martírio sempre foi uma constante. Nos três primeiros séculos, confessar Jesus era passaporte para ser estraçalhado por leões, incinerado na fogueira e torturado de formas inimagináveis. Os séculos se passaram e os cristãos continuaram a sofrer nas mãos dos mais variados tipos de gente, de islâmicos e cristãos de outras tradições (católicos nas mãos de protestantes e protestantes nas mãos de católicos, dependendo da época e do local) a ateus e comunistas. Ainda em nossos dias, ministérios como a Missão Portas Abertas se dedicam a denunciar a perseguição a cristãos por todo o mundo e, por meio de trabalhos como o realizado por eles, sabemos que em cerca de 90 países do mundo existe atualmente perseguição religiosa ativa (saiba mais AQUI).

No Brasil somos abençoados. Não existe, por definição, perseguição religiosa, uma vez que, segundo a Missão Portas Abertas, “o individuo é perseguido se for privado de qualquer dos elementos fundamentais da liberdade religiosa”. E mais: “Perseguição não se refere a casos individuais, mas sim, quando um sistema, político ou religioso, tira a liberdade de um cristão ou o acesso à Bíblia, restringe ou proíbe o evangelismo de jovens e crianças, atividades da igreja e de missões”. Assim, em nosso país não chegamos a esse ponto. Há uma grande intolerância, mas não “perseguição”.

Só que, se nos permitirmos fugir dessa definição e nos ativermos ao senso comum, podemos entender como perseguição até mesmo todo tipo de bullying que ocorre em muitos lugares. Ser evangélico hoje gera chacota para muitos. Rejeição da família por outros (conheci uma jovem cujos pais católicos não permitiam que ela frequentasse uma igreja evangélica). Piadas estereotipadas em programas de televisão. Proprietários que se recusam a alugar imóveis para igrejas. Eu mesmo, em certa empresa em que trabalhei, tive de ouvir que eu “não era criativo devido à minha religião”, simplesmente porque me recusei a editar uma revista corporativa de uma grande companhia fabricante de cigarros.

Verdade seja dita: por razões históricas, espirituais ou mesmo por culpa de certos setores da igreja evangélica e suas práticas questionáveis, hoje em dia dizer-se evangélico é, para enorme parcela de nossa sociedade, sinônimo de ser bitolado, massa de manobra, ignorante, ingênuo, homofóbico, medieval, supersticioso e coisas dessa linha. Eu já tive de enfrentar muitos desses adjetivos e muitas situações desagradáveis. Você já?

Feita essa constatação, voltamos à pergunta: quando nos deparamos com situações em que nos sentimos discriminados ou mesmo perseguidos devido à nossa crença em Jesus, como eu e você devemos reagir? Mais ainda: como devemos nos sentir?

Em primeiro lugar, temos de saber que é previsível que seremos perseguidos: “De fato, todos os que desejam viver piedosamente  em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12). Paulo já sabia disso 2.000 anos atrás. E as profecias dizem que nos últimos dias a perseguição só tende a piorar. Mas isso não deve ser motivo de temor, se considerarmos que importa mais viver a eternidade ao lado de Deus sofrendo nesta vida do que viver bem e ter morte espiritual. O próprio Jesus disse que seríamos “bem-aventurados”, ou seja, “felizes”, se fossemos perseguidos por amor a Ele: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (Mt 5.10-12).

Sei que você já leu essa passagem tantas vezes que, de repente, o sentido e a profundidade das palavras acabaram se perdendo. Então vamos prestar muita atenção aos detalhes. Repare o que Jesus está dizendo: ser perseguido por amor a Ele é razão de felicidade. Se você for perseguido por amor a Cristo – for insultado, ofendido e até mesmo se mentirem contra você – deve se alegrar. Mais do que isso, deve se regozijar, o que significa festejar ou ter prazer, contentamento, satisfação, júbilo. Naturalmente que sua natureza humana recusa-se a sentir isso na hora em que fazem troça de você, quando te acusam de forma estereotipada, quando sofre no emprego por ter colegas que pegam no seu pé devido a sua ética cristã, quando sua  família se levanta contra você por se declarar um servo de Jesus.

Só que… quem disse que ser cristão é agir como nossa natureza humana dita? Ser cristão é agir como a natureza de Cristo dita. E, se assim o fizermos, “grande é a recompensa” que nos espera nos céus. E o parâmetro que Jesus estabelece como exemplo são os profetas perseguidos do passado. A esse respeito, Hebreus 11 é riquíssimo. Veja, por exemplo,  o que se diz acerca do príncipe do Egito que virou pastor em Midiã: “Pela fé Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Por amor de Cristo, considerou a desonra riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa” (Hb 11.24-26)

E não para por aí. O autor aos hebreus fala das situações horripilantes que muitos tiveram de enfrentar por fidelidade a Deus e fé nele. Transcrevo aqui esse trecho, em forma de tópicos, de forma a pontuar melhor o que ele diz:

“Alguns foram
1. torturados e
2. recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros
3. enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram
4. acorrentados e colocados na prisão,
5. apedrejados,
6. serrados ao meio,
7. postos à prova,
8. mortos ao fio da espada.
9. Andaram errantes,
10. vestidos de pele de ovelhas e de cabras,
11. necessitados,
12. afligidos e
13. maltratados.
O mundo não era digno deles.
14. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas.
Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados”
(Hb 11.32-40). Aos olhos do mundo, derrotados. Aos olhos de Deus, o mundo não era digno deles.

E de modo muito prático? Você que sofre no trabalho por bullying de colegas, na escola, na universidade, na vizinhança ou em qualquer outra instância por sua fé em Jesus, como deve reagir? Mandar todo mundo pro inferno? Orar pedindo que a mão de Deus pese sobre quem te faz mal? Entrar em bate-bocas, acusações, troca de farpas, vendetas e outras formas de beligerância? Não. Nada disso. Pois isso, meu irmão, minha irmã, biblicamente é uma reação carnal e diabólica. O que Jesus nos ensina mais uma vez é contrário à natureza humana. Pois o homem natural reage com violência e ira. O homem espiritual segue o que Jesus de Nazaré ensinou: põe o outro acima de si, aceita as bofetadas e os açoites (físicos ou morais), suporta a provação e as perdas mas se recusa a agir com vingança, a se defender ou a devolver na mesma moeda. Segue em silêncio o caminho do seu calvário pessoal. E não sou eu quem diz, é ensinamento do próprio Salvador do mundo, do manso Cordeiro (novamente em tópicos, para captar mais a sua atenção):

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.  Mas eu lhes digo:
1. Não resistam ao perverso.
2. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.
3. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.
4. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.
5. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”.
Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo:
6. Amem os seus inimigos e
7. orem por aqueles que os perseguem,
para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso!”
(Mt 5.38-47).

Mas, Zágari, não posso revidar quem me persegue nem um pouquinho? Minha vontade é de acabar com a raça daquele incircunciso! Bem… responda você mesmo: “Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem” (Rm 12.14). E mais: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor.  Pelo contrário: ‘Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’.  Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” (Rm 12.19-21).

Seremos perseguidos, isso é um fato bíblico inescapável. O mandamento cristão é não revidar. Nada de lançar aviões contra os edifícios de quem nos persegue. Nada de invadir países para matar os inimigos. Nada de proferir nem sequer uma palavra de maldição contra nossos perseguidores. Jesus nos ensina a abençoá-los, a amá-los, a orar por eles, a alimentá-los, a saciá-los, a fazer-lhes o bem, a adotar uma postura pacificadora, a aguentar os murros na outra face. Quem de nós faz isso? Pouquíssimos, sejamos francos. A notícia é que esses pouquissimos são os que estão agindo como Deus deseja. A boa notícia para esses é que haverá recompensa na eternidade para os que engolirem sua humanidade, sofrerem perdas e danos por amor a Cristo e tiverem a nobreza de superar a vontade humana de dar o troco ou agir com violência verbal ou física. Não é preciso ter nascido de novo para pagar a perseguição na mesma moeda. Mas só quem nasceu de novo pode, pelo poder do Espírito, suportar tudo calado, negar-se a si mesmo e carregar a cruz até o dia de sua morte.

E esses, Jesus diz, são os bem-aventurados. Os felizes. Você está sofrendo qualquer tipo de perseguição pela sua fé, meu irmão, minha irmã? Sorria em silêncio. Você é feliz aos olhos de Deus. E grande será sua recompensa na eternidade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
facebook.com/mauriciozagariescritor
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Todo mundo parece que quer reinventar o Evangelho. Se você não sabe, a palavra “evangelho” significa “boas-novas” – e o Evangelho de Cristo são as boas-novas da salvação. Ponto. O Verbo encarnou, morreu e ressuscitou para que tivéssemos salvação, ou seja, vida eterna. Ponto. O resto é só o resto. Por isso me impressiona a quantidade de cristãos que acham que o Senhor encarnou para resolver os problemas desta vida, da nossa sociedade, do mundo. O Evangelho não são as “boas-novas do saneamento básico”, as “boas-novas do enriquecimento financeiro”, as “boas-novas da influência sobre a política social” ou as “boas-novas da luta pelo fim da miséria”. Isso é Evangelho 2.0, uma nova versão daquilo que Jesus ensinou: seu Reino não é deste mundo. Ponto.

Um homem brasileiro vive, em média, 72,5 anos, enquanto na eternidade teremos vida – ou morte – eterna por 72 trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de anos. E isso não será 0,1% da eternidade. E você realmente acha que Deus está tão preocupado assim com nossos anos sobre a terra? Um-hum. Claro que Ele se preocupa, mas esta vida, que a Bíblia diz que é como “um sopro” e “uma neblina”, é uma ridícula e minúscula portinhola de entrada para o porvir eterno. Daí a influência marxista sobre o Evangelho ser um equívoco tão elementar: Jesus se ofereceu ao sacrifício não para que seus servos fossem ao Planalto, fizessem comitês, organizassem passeatas, lançassem manifestos sobre política partidária. O sacrifício vicário é um sublime exercício espiritual, um estímulo à vida devocional.

Quando Jesus morre na Cruz não é a porta do palácio de Herodes que se rompe para que seus seguidores possam exigir melhores condições de vida, nem a fechadura da residência de Pilatos que arrebenta para que os discípulos tenham como reivindicar um melhor padrão de vida para as massas carentes: é o véu do templo que se rasga, para que o homem pecador tenha acesso ao Santo dos Santos, ao Altíssimo, ao Sagrado, ao espiritual, ao Pai. Para praticar o religare com o Todo-Poderoso, o tão mal-falado bicho papão do momento: religião. Uuuuuu, que medo, teve gente que só de ouvir essa palavra se arrepiou todo.

É lógico que agora, furiosos, os adeptos dessa linha terrena de Evangelho 2.0 virão com todos os argumentos das classes oprimidas, que temos que ajudar o próximo, que amparar os órfãos e as viúvas em suas tribulações. Isso é óbvio! A consequência das boas-novas é o amor pelo próximo. Não sou filho de família rica: meus pais eram professores do estado e tinham cada um quatro ou cinco empregos para poder sustentar os filhos. Mas não é pelas minhas raízes proletárias que segurarei a foice e o martelo e farei do foco da morte e da ressurreição de Cristo uma luta política por uma vida melhor. Segurarei a Bíblia. Meu compromisso, como o de todo cristão, é com a Jerusalém Celestial, não com Brasília.

Os problemas desta vida nós, que vivemos numa pseudodemocracia, resolvemos no voto. Ou, pelo menos, deveríamos resolver, se soubéssemos votar. A fé é sobre outras coisas. Amar o próximo, sem dúvida, mas a Deus sobre todas as coisas. Como disse o Cordeiro, a Videira, “de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”. Quem não entende que o Evangelho é sobre nossa comunhão eterna com Deus e não sobre nossa comunhão momentânea com os problemas desta vida não compreendeu que o Pai deu seu Filho unigênito para que os que nEle cressem não perecessem, mas tivessem…adivinha o quê? Bem, você conhece João 3.16.

Olho para os mártires dos 313 primeiros anos de Cristianismo e não consigo ver nenhum deles morrendo no Coliseu para que os pobres tivessem acesso a educação e saúde. Não me ache um insensível, acredite, choro pelos que choram e faço a minha ação social – e o que faço Deus sabe, não preciso alardear aqui. Mas não é por isso que vou ignorar o testemunho dos mártires da Igreja primitiva, que fizeram o bem ao próximo, mas que, como os casos citados em Hebreus 11, deram suas carnes alegremente aos leões e às torturas pelo entendimento de que a meta é o Céu – e não asfaltar um bairro. Blandina, Romano, Policarpo, Estêvão e tão grande nuvem de testemunhas deram-se ao martírio em nome da eternidade. Por entenderem que o Evangelho não é a respeito deste sopro de vida. Que adianta erradicar a miséria e irmos todos para o inferno? Jesus não é um super-herói que veio à terra para salvar mocinhas em becos escuros de batedores de carteiras.

O Evangelho 2.0 é um equívoco. Simplesmente porque põe uma das muitas consequências da Cruz como a causa. Ação social, caridade, cavar poços artesianos, construir creches e escolas, influir sobre as instâncias do poder público… não foi por nada disso que Jesus encarnou, morreu e ressuscitou. Isso é consequência e não causa. Jesus veio para tirar pecadores do inferno e não pobres das favelas. Isso é Evangelho.

Quando eu era mais jovem, com meus 17 anos, cheio de testosterona, filiado a organizações estudantis de esquerda e crente que ia mudar o mundo, acharia o Evangelho 2.0 o máximo. Fui a comícios nas eleições de 1989, fui orador na minha turma de formatura na escola ostentando um button do partido que eu apoiava, discutia com os padres do colégio São Bento, onde estudei como bolsista, porque eles eram uns “reacionários de direita”. Mas aí os anos se passaram, a esquerda assumiu o poder no país e tudo continuou igual, veio a minha conversão e fui discipulado por um bom sacerdote, que me mostrou que a grande revolução social ocorre mediante a pregação do Evangelho (o 1.0, o original). Refiz meus pensamentos. Mudei minhas premissas. E compreendi a razão de Jesus ter vindo à terra. Entendi o que é graça e a diferença entre causa e consequência da Encarnação do Verbo. Cheguei a ir a um Congresso Teológico sobre a vertente evangélica e da moda da Teologia da Libertação para entender melhor as ideias que importamos do Equador sobre o tema. Continuo acreditando em caridade, em ação social e em dar de comer a quem tem fome e beber a quem tem sede, em amar o próximo, em ajudar o necessitado. Mas não acredito que isso suplante a pregação das boas-novas de salvação e que isso seja a locomotiva. Não é, é o vagão.

Que os adeptos do marxismo cristão joguem pedras. Não tem importância. Antes importa agradar a Deus que aos homens. Não sou rico, não sou da elite, amo o próximo e quero o bem de pobres e ricos. Não vou aderir ao Evangelho 2.0, porque desejo proclamar as boas-novas de salvação para os miseráveis e também para os milionários. Olho para as favelas e para os condomínios de luxo e o que vejo são a mesma coisa: almas. Pior: almas pecadoras, destituídas da graça de Deus. Cobrirei quem tem frio com um cobertor, visitarei o preso, darei pão ao faminto e água a quem tem sede. Farei isso por amor e porque Jesus nos ensinou a fazê-lo. Mas investirei a maior parte de meu tempo e de minhas forças e esforços em proclamar o Evangelho. Em proclamar a Cruz. Em anunciar o Caminho estreito. Em cumprir o ide para fazer discípulos bons e fiéis que um dia, tenham passado fome ou não nesta vida, compartilhem comigo dos quadrilhões de séculos que dura a eternidade ao lado do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ponto final.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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