Arquivo da categoria ‘Batalha Espiritual’

Comprei no início deste ano um apartamento novo, a fim de trazer meus pais para morar comigo. Pelo valor que eu podia pagar, só consegui encontrar um apartamento caindo aos pedaços, que teria de passar por uma grande reforma para ser habitável. E assim foi: em janeiro começamos a obra, prevista para acabar em abril. Porém, chegamos ao último dia de outubro e a reforma ainda não terminou. E isso por uma série de razões, todas ligadas ao pecado e à falibilidade humanos. Vou lhe contar um pouco dessa saga.

Mandamos fazer uma escada com um serralheiro. Depois de mais de um mês esperando a dita cuja ficar pronta, o que aquele profissional aprontou foi algo que seria melhor definido como um “troço”. Tivemos de desfazer o negócio e arcar com um grande prejuízo. Depois, o profissional que contratamos para laquear e pintar as portas fez um serviço sofrível e danificou paredes, chão e outras partes do apartamento. Mais tempo perdido. Mais dinheiro jogado fora. E por aí foi: tivemos pintores desqualificados, marceneiros que não cumpriram o que prometeram… e muito mais. O resumo da ópera é que tivemos de lidar com uns profissionais que não cumpriram o que prometeram, outros que maldosamente tomaram atitudes que nos prejudicaram e outros, ainda, que muitas vezes fizeram da reforma algo mais estressante do que feliz. Ainda assim, a reforma era indispensável, apesar de pessoas afetadas pelo pecado terem participado do processo.

Hoje celebramos 500 anos da Reforma Protestante, movimento deflagrado em 1517 pelo monge agostiniano Martinho Lutero, que tinha por objetivo reformar a Igreja Católica Apostólica Romana, instituição que ao longo dos séculos saiu dos trilhos e se distanciou dos princípios da Igreja apostólica. Lutero, junto com outros pensadores, tais como Calvino e Zuínglio, promoveram um trabalho de resgate dos princípios do evangelho de Jesus, com retorno à centralidade de Cristo, ao conceito da salvação somente pela graça e mediante a fé, ao entendimento de que a Escritura é a única e suficiente regra de fé e prática do cristianismo, e à compreensão de que a glória deve ser dada somente a Deus.

Esse movimento não purificou a Igreja Católica, pois seus líderes não o aceitaram, mas levou o papa Leão X a excomungar Lutero. Em outras palavras, Lutero foi expulso. Com isso, surgiu a Igreja reformada, da qual é herdeira hoje uma série de denominações cristãs, que se chamam de “reformadas”, “protestantes” ou “evangélicas” (há divergências sobre o significado exato de cada um desses termos, que não vêm ao caso para os propósitos deste texto). Claro que estou simplificando enormemente o que aconteceu, mas, em resumo, foi isso.

Nos últimos 500 anos, no entanto, muitos homens e mulheres que fazem parte desse ramo da Igreja agiram do mesmo modo que os pintores, pedreiros, laqueadores e serralheiros que participaram da reforma de meu apartamento e mais estragaram e atrapalharam do que ajudaram. A ignorância, a maldade ou a falibilidade humana levaram ao surgimento de crenças e práticas erradas, como teologia da prosperidade, confissão positiva, autoajuda gospel, aceitação da agressividade como forma de posicionamento supostamente cristão, bizarrices neopentecostais, doutrinas antibíblicas de batalha espiritual, canonização de usos e costumes, e outras práticas e teologias equivocadas.

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Sob a influência de tais maus descendentes da Reforma, muitos membros dessa igreja oriunda das ações dos reformadores passaram a acreditar em uma espécie de “evangelho” esquisito, como tipos de “cristianismo” que põem o homem no centro, que hipervalorizam o dinheiro, que estabelecem o sucesso pessoal como a medida de bênção de Deus, que fazem parecer que é possível ser grosseiro e cristão ao mesmo tempo e por aí vai.

Assim como o serralheiro que atrapalhou minha reforma, há quem desuna a Igreja de Cristo considerando que só sua denominação é a certa. Assim como os pintores que fizeram trabalhos mal feitos, há quem ensine evangelhos só de bênção e não de arrependimento e contrição. Assim como os pedreiros que deixaram a desejar, há quem creia que o Deus glorificado na Reforma aprova uma apologética bruta e agressiva. Assim como os profissionais que nos decepcionaram em diversos momentos no processo de reforma do apartamento, há aqueles que trazem “segundas revelações” apócrifas ao evangelho resgatado pela Reforma. E assim por diante.

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Louvo a Deus pois, hoje, a Igreja de Cristo prossegue adiante, pregando a mensagem da cruz, investindo em missões, discipulando, divulgando as doutrinas da graça, incentivando a santidade, denunciando o pecado, edificando a noiva de Cristo, glorificando a Deus. Porém, passados 500 anos da Reforma, devemos continuar como Igreja que se reforma continuamente. A começar por nós mesmos, pessoas. Pois de nada adianta reformar ideias e instituições e deixar indivíduos como estão. Alguns dos maus profissionais que prejudicaram minha reforma não reconheceram seus erros. Não podemos fazer o mesmo. O melhor meio de você contribuir com a reforma da Igreja de nossos dias é fazendo um mea culpa, reconhecendo seus erros, mudando seu modo de agir, voltando às boas práticas.

Você acha que seguir reformando a Igreja é apenas combater o erro dos outros? Não é. O que de melhor você pode fazer pela Igreja é parar de olhar para o lado e consertar os seus erros; arrepender-se das suas falhas; confessar os seus pecados; e abandonar a arrogância doutrinária, a agressividade apologética, a soberba denominacional, a vaidade teológica, o sectarismo espiritual. Mude-se. É um bom começo. Às vezes, as suas intenções são ótimas, mas a sua pintura está péssima, a escada que você está construindo está torta, o cano que você instalou está vazando. O que você precisa fazer? Antes de querer reformar algo, sua urgência maior é reformar a si mesmo.

Como eu posso defender isso? Com base na minha própria experiência de reforma de mim mesmo. Na época em que eu dedicava meu tempo, minhas energias e minha saliva para ficar metendo o malho nos outros em vez de promover as belas virtudes do evangelho, praticamente não consegui promover mudança alguma em ninguém. Só gerei ódio. Eu era só um brigalhão esbravejando pela Internet. Mas, no dia em que decidi mudar a mim mesmo, procurando aproximar-me mais do caráter e do temperamento do manso Cordeiro, vi e colhi muitos frutos, que ecoaram na vida de muitas pessoas. E isso tendo por base bíblica passagens como: “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Rm 12.2, NVT), “E não pequem ao permitir que a ira os controle. Acalmem a ira antes que o sol se ponha, pois ela cria oportunidades para o diabo” (Ef 4.26-27, NVT), “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16, NVT), “Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo. Se cumprimentarem apenas seus amigos, que estarão fazendo de mais? Até os gentios fazem isso” (Mt 5.46-47, NVT), e “Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo” (Mt 5.22, NVT).

Parabéns a todos os filhos da Reforma Protestante: presbiterianos, batistas, metodistas, pentecostais, continuístas, cessacionistas, calvinistas, arminianos, credobatistas, pedobatistas… enfim, todos os meus irmãos e irmãs em Cristo que, por mais que cometam um ou outro erro teológico, continuam acreditando em cada tópico do Credo Apostólico. Embora derrapem em um ou outro equívoco teológico, ainda assim são meus irmãos. Que mais nos unamos pelo que temos de igual do que nos distanciemos pelo que nos diferencia. Nosso Deus é o mesmo, o de Abraão, Isaque e Jacó. Nossa cruz é a mesma, a do Calvário. Nossos pecados nos igualam. Nossa esperança é o mesmo céu. Jesus é o mesmo Jesus em todas as igrejas que não negociaram o evangelho, apesar de suas diferenças.

Não me venha falar da reforma do meu apartamento, por favor, pois ela tem me estressado e, sinceramente, às vezes acho que seria melhor que ela não tivesse acontecido. Mas falemos todos os dias sobre a reforma da Igreja, que começa pela reforma de nós mesmos. Pois essa, se não acontecer, nos conduzirá para longe dos ideais resgatados pela Reforma Protestante: os ideais do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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parasita 1Todos já fizemos a oração que o Senhor nos ensinou, conhecida como “o pai-nosso”. Logo, já pedimos muitas e muitas vezes: “Livra-nos do mal” (Mt 6.13). Diga-me se estou errado, mas acredito que, na esmagadora maioria das vezes, quando você faz esse pedido a Deus, é numa referência a males externos. Assim, rogamos ao Senhor que nos livre de coisas como acidentes, assaltos, ataques, maledicências, doenças, más influências, forças espirituais da maldade, violência e outras semelhantes. No entanto, nenhum desses males é tão destrutivo quanto os que nos acometem interiormente: pensamentos poluídos, ódio, arrogância, inveja, egoísmo, cobiça, desamor, vaidade… pecados, enfim. Nada que venha de fora é tão avassalador quanto o mal que habita em nós.
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Se eu pedir para você completar a seguinte frase, como você completaria? “Eu sou habitação do…”. Por favor, não continue a ler este texto antes de completar essa frase. Completou? “Eu sou habitação do…”? Pronto? Completou? Ok, podemos prosseguir.
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Eu estaria certo se achasse que você disse “Eu sou habitação do Espírito Santo“? Bem, se você respondeu isso, está certíssimo. Porém, é uma resposta incompleta. Veja o que Paulo escreveu: “Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.” (Rm 7.16-20).
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Interessante. Nessa passagem, Paulo – apóstolo de Cristo, convertido, salvo, crente, santo, justificado, regenerado, adotado por Deus como filho – admite que nele habita… pecado. Então, biblicamente, eu posso afirmar: “Eu sou habitação do Espírito Santo e, também, do pecado”. Que complicado…
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parasita 2Sim, eu e você somos morada do Altíssimo e, ao mesmo tempo, de uma natureza pecaminosa que cisma em não nos deixar em paz. E é justamente dessa inclinação inata para fazer o que é mal que devemos pedir que o Senhor nos livre. Os piores pecados de minha vida não foram culpa de ninguém além de mim mesmo. Eu sou o meu maior inimigo. O Diabo não é, até porque eu não sou habitação do Maligno, toda influência que vem das forças espirituais da maldade é externa. Tudo o que ele e seus asseclas fazem é instigar o pecado que indesejavelmente já se encontra em mim, para que me conquiste. E, se eu deixar, é o que vai acontecer, “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas tornam o homem impuro” (Mt 15.19-20). Meus maiores inimigos não são de fora de mim, são de dentro. Vêm do meu enganoso coração.
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Temos de empurrar esse inquilino maldito que é o pecado para o quarto dos fundos de nosso ser e permitir que o Espírito Santo tome conta de todos os outros cômodos. E só conseguiremos isso desenvolvendo cada vez mais intimidade com o Criador, mediante um diálogo mais e mais frequente e profundo com ele – diálogo esse que se dá pela oração e o estudo da Bíblia. Não existe fórmula mágica: ou você se aproxima de Deus e achata o pecado que habita em você ou o que te espera pela frente é uma sucessão de quedas.
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cruz de CristoPai, livra-nos do mal. Esse mal chamado pecado, parasita que vive em nossas entranhas e se alimenta de nossas vontades, nosso ego, nossas vaidades e nossa teimosa autossuficiência. Livra-nos do mal que há em nós, para que o desejo racional de fazer o bem não seja suplantado pelo impulso irracional de fazer o mal. Não é fácil, e o Senhor nunca disse que seria. Mas, se somos fracos, é nessa fraqueza que teu poder se aperfeiçoa. Ajuda-nos. Livra-nos. Amém.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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AntenadosQueridos irmãos e irmãs em Cristo,

esta semana foi ao ar uma entrevista que concedi à rede Boas Novas de televisão sobre temas variados, como a situação da Igreja brasileira, a necessidade de perdoar e os erros que são cometidos sobre o assunto, como lidar biblicamente com o sofrimento, literatura cristã, ficção evangélica, práticas erradas em nosso meio e uma série de outras questões. Ontem a emissora disponibilizou os 4 blocos do programa no YouTube e penso que seria interessante compartilhar com vocês, caso aquilo que falamos edifique de alguma forma a sua vida. Seguem abaixo os links dos 4 blocos, que você pode assistir pelo computador ou pelo smartphone. Se você tiver o desejo de assistir, peço a Deus que abençoe a sua vida.

BLOCO 1

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BLOCO 2

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BLOCO 3

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BLOCO 4

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Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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dentes 1Meus dentes são amarelados. Não é muito comum as pessoas saírem por aí alardeando os próprios defeitos, mas não tenho como fugir deste fato: meu sorriso está mais para aquela cor de sol pálido em dia de chuva do que para boca de modelo de propaganda de creme dental. E há uma explicação para isso: meu gosto por café. Sim, eu amo café e tomo muitas xícaras por dia. Apesar do grande prazer que esse hábito me proporciona, ele traz o efeito colateral de, pouco a pouco, tingir a arcada dentária. Meu processo de tingimento dentário começou quando eu trabalhava em televisão e desenvolvi o hábito de tomar café de uma máquina posicionada em um local da emissora onde os colegas ficavam batendo papo ao final do horário de almoço. Portanto, foi a influência dos meus companheiros de trabalho que acabou fazendo de mim um apreciador dessa bebida. Todos os dias o almoço terminava e, como forma de fazer parte do grupo, eu ia para junto da bendita máquina, onde acabava tomando um copo daquele café fortíssimo. No começo nada aconteceu, mas, aos poucos, meus dentes foram ganhando ares amarelados, sem que eu me desse conta.

Finalmente, anos depois, percebi que meu sorriso não brilhava, mas, sim, assustava. Decidi, então, fazer um clareamento, em 2009. Aplicações a laser deixaram, em um curto período de tempo, minha arcada alva mais que a neve. Os amigos chegaram a comentar, tão grande foi a diferença. Eu parecia ter sido photoshopado.

dentes 0Mas, então, a vida seguiu e continuei tomando café. Ganhei de presente de minha esposa uma máquina de Nespresso, que faz cafés deliciosos enquanto tinge os dentes impiedosamente. O resultado: cinco anos depois de ter meu sorriso totalmente branqueado, voltei a ficar com dentes bastante maculados. Estava pensando sobre isto hoje, enquanto escovava os dentes: se o café mudasse radicalmente a coloração dentária após uma única ingestão, provavelmente tomaríamos todo o cuidado do mundo para não beber café – afinal, o impacto da mudança brusca seria grande. Mas, como o processo acontece devagar, xícara após xícara, ao longo de muito tempo, não nos damos conta, relaxamos e, assim, agimos como grandes pichadores dos próprios dentes.

O processo que um cristão sincero percorre quando passa a viver uma vida de pecados sem arrependimento é parecido. Entenda que todo cristão peca, diariamente. Não existe ser humano totalmente isento de pecado, mesmo entre os discípulos de Cristo. “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. […] Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1Jo 1.8,10). O problema ocorre quando incorremos constantemente na mesma transgressão, sem nos arrependermos, sem a confessarmos a Deus e sem nos devotarmos com todas as forças a resistir a ela. É o que a Bíblia chama de “consciência cauterizada” (1Tm 4.2). Se você for analisar o processo que conduziu esses irmãos e irmãs a se enredar numa rotina de pecado sem arrependimento, na estrondosa maioria das vezes verá que não o fazem por “sem-vergonhice”, mas porque percorreram um lento caminho que tingiu suas almas com manchas amarelo-cor-de-pecado. Nenhum filho de Deus acorda de manhã e diz “Oba, hoje vou sonegar imposto!”, “Acho que hoje é um bom dia para desonrar meus pais”, “Estou com vontade de dar propina a um fiscal, onde será que encontro um para corromper?” ou “Estou tão a fim de ser soberbo!” Não é assim. A coisa acontece bem devagar.

Antes de eu começar a apreciar café, não dava muita atenção a essa bebida. Preferia Nescau. Mas, pouco a pouco, pelas circunstâncias do meu trabalho e das pessoas com quem eu convivia, fui me adaptando ao hábito. Um cristão que está imerso na prática de pecados sem arrependimento passa por algo semelhante. Vivia tranquilamente, sem que aquele erro fizesse parte de sua rotina. Aos poucos, as circunstâncias da vida o vão conduzindo àquilo, seja por algo que muda em seu cotidiano, seja por convivência com as pessoas erradas, seja por estar em uma situação nova que a influencia… as razões são muitas. Em comum há o fato de que as circunstâncias da vida começam a permitir que aquele pecado passe a se tornar uma possibilidade. Assim, dia após dia, o pecado vai se avolumando, se consolidando, pigmentando a alma daquela pessoa pouco a pouco, sem que ela perceba que está deixando de ser branca. A transgressão é como uma poluição silenciosa, que vai sujando o indivíduo paulatinamente. Até que, sem que se perceba, está todo sujo.

dentes 2Essa constatação nos leva a ver a importância de cortar o mal pela raiz. Para isso, é preciso estar sempre muito vigilante, a fim de detectar o início da “pigmentação” do pecado já de cara. Muito melhor do que ter de passar por aplicações a laser e noites inteiras com um molde cheio de química dentro da boca é evitar o hábito que vai prejudicar. O que isso significa na sua vida, em especial, você é que deve identificar. Se percebe que o amor ao dinheiro está começando a se tornar grande demais, tome atitudes que evitem que se torne ganância. Se vê que a sua vaidade já passou dos limites, mude as situações que a alimentam antes que ela se torne soberba ou arrogância. Se identifica que as intimidades com aquela pessoa estão avançadas demais, mude sua forma de se relacionar com ela antes que o trem descarrile para a fornicação ou o adultério. Se nota que a curiosidade está escalando para o consumo de pornografia, elimine quanto antes a fonte de onde vêm as fotos ou os vídeos. Se já fez pequenas concessões no que diz respeito ao descumprimento de leis, radicalize para que não se torne um corrupto. Em resumo: se percebe que algo em sua vida pouco a pouco te conduz para um estilo de vida de pecado, tome ações imediatas e, se necessário, até mesmo radicais, para fugir da transgressão.

Ao ler isso, talvez você acredite que já passou do ponto em que poderia cortar o mal pela raiz. “Não há como voltar atrás”, talvez diga. É possível que você, neste exato momento, esteja enredado em práticas pecaminosas sem arrependimento. “Agora é tarde, meus dentes já estão amarelos”, você pode constatar. Bem, se é o caso, você tem dois caminhos. O primeiro é o do acomodamento. Só que relaxar vai fazer com que você afunde na lama do pecado mais e mais, numa escalada de transgressões que acabarão deixando seus dentes não amarelos, mas pretos, podres. Talvez eles caiam. Ou, ainda, pode ser que gerem uma infecção que atacará todo o organismo. Mas, em vez do acomodamento, você pode optar por tomar atitudes de mudança. Como alguém que vai ao dentista e se submete ao branqueamento, num processo de reverter as manchas que se instalaram, você pode, sim, reverter o quadro.

dentes 5Deus não usa laser: ele usa sangue. Jesus morreu no Calvário para que não houvesse pecado que ficasse sem perdão. Para clarear dentes manchados, você precisa se conscientizar de que eles estão amarelos, tomar a atitude de procurar um dentista para tratamento e seguir os procedimentos necessários para voltar a ter dentes brancos. De igual modo, para clarear uma alma manchada, você precisa se conscientizar de que está transgredindo sem inventar desculpas, tomar a atitude de procurar Jesus em confissão sincera para tratamento e seguir os procedimentos necessários para abandonar as práticas pecaminosas e voltar a ter uma alma alva, mais que a neve. Reconheça sua transgressão. Confesse a Deus sua rotina de pecado. Abandone a prática. Estabeleça em seu coração o firme propósito de não mais incorrer nesse erro. Ao fazer isso, acontece o milagre do perdão. E, uma vez que você for feito totalmente branco, limpo, puro, jamais permita que sua alma volte a amarelar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

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jo 1O início do livro de Jó nos mostra uma situação muito estranha. Em um primeiro olhar, temos a sensação de que o Senhor está engajado numa barganha com Satanás acerca da vida do “homem íntegro e justo; [que] temia a Deus e evitava fazer o mal” (Jó 1.1). Parece uma espécie de aposta, de desafio. Que esquisito. Como podemos entender isso? O que o relato desse diálogo entre o Senhor e o Diabo nos ensina? Se conseguirmos enxergar além, vamos perceber que Deus na verdade não barganhou em momento algum com Satanás, mas só deu papo para o inimigo e permitiu que ele afligisse Jó por uma razão bem específica, que veremos no último parágrafo deste texto.

É um enorme equívoco achar que Deus e Satanás estão numa batalha em pé de igualdade. Entenda: a única relação dos demônios com o Criador é no sentido de obedecer e implorar ao Senhor. Do mesmo modo que eu e você, como criaturas, dependemos da permissão do Pai para tudo, todo e qualquer ser espiritual tem de seguir o mesmo protocolo. Sim, Satanás é obrigado, em tudo, a dizer ao Todo-poderoso: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. Ele não tem escolha. Então o que esse trecho de Jó mostra não é um Deus que barganha com o Diabo, mas um Diabo que está submisso em tudo a Deus e tem necessariamente de obedecer-lhe – embora de muita má vontade, é verdade. Mas se o Senhor manda, o Diabo só pode dizer “amém” – as forças espirituais da maldade jamais moverão uma palha sequer se o Todo-poderoso não permitir.

jo 2Para tomar qualquer iniciativa, Satanás precisa que Deus conceda-lhe o direito. Veja que em Jó 1.12 o Senhor diz a Satanás: “Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não toque nele”. Deus usa o verbo no imperativo, isto é, trata-se de uma ordem, algo que vem de cima para baixo: “Não toque”. Em nenhum momento há uma barganha: há uma concessão. E que vem não para satisfazer Satanás, mas para cumprir os propósitos divinos. Logo, do mesmo modo que Deus endureceu o faraó no Êxodo, usou Nabucodonosor, Ciro, Dario e outros incrédulos para realizar a sua soberana vontade, também só permite ao Diabo fazer suas diabruras se elas, no grande esquema das coisas, atenderem ao que o Senhor deseja. Nesse sentido, o Inimigo é como uma caneta que o Pai usa para escrever a História da eternidade. E canetas não têm autonomia, poder ou autoridade: são instrumentos usados para atender os desejos de quem os maneja.

As palavras de Cristo em Mt 4.10 (a tentação de Jesus no deserto) são absolutamente reveladoras: “Jesus lhe disse: Retire-se, Satanás!”. Perceba o que está acontecendo aqui. Jesus simplesmente dá uma ordem. E o que o Diabo faz quando Cristo diz “retire-se” é: “Então o Diabo o deixou”. Não há luta, não há barulho, não há disputa. Jesus diz e o Diabo simplesmente e subordinadamente obedece. A história se repete em Marcos 5, no episódio do endemoninhado gadareno. Quando aquela legião de demônios se vê diante do Rei dos Reis o que ela faz? “E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima. Os demônios imploraram a Jesus: ‘Manda-nos para os porcos, para que entremos neles’” (Mc 5.10-12). Os demônios imploraram. Segundo o dicionário, isso significa que eles suplicaram, pediram encarecidamente e humildemente.

O livro de Jó nos antecipa o que veríamos séculos depois se cumprir em Cristo: a supremacia de Deus sobre o Diabo. Jesus lida com Satanás e os demônios sempre como um leão trataria um rato ou uma águia trataria uma serpente. Mateus 8.16 diz a respeito de Cristo: “Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados, e ele expulsou os espíritos com uma palavra. Repare, uma única palavra! Jesus não se rebaixava a ficar conversando com demônios se não houvesse propósito para isso. Com uma única palavra os mandava embora.

jo 3A Bíblia é sobre Cristo. O evangelho é sobre Cristo. Nossa vida é sobre Cristo. Se você reparar que está gastando muito do seu tempo lendo sobre demônios, falando sobre eles e se preocupando com eles é sinal de que suas prioridades na vida de fé precisam ser reavaliadas. Cristianismo é sobre viver com Cristo e amar o próximo e não sobre ficar gastando horas e horas com demônios. Ao final do livro de Jó, vemos o resultado de tudo o que o Diabo lhe causou: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5), disse o patriarca ao Senhor. Não, não houve barganha entre Deus e Satanás. Houve, isso sim, a mão do Pai em ação para fazer seu filho amado crescer em intimidade consigo: o sofrimento de Jó fez com que ele deixasse de ser apenas um homem que cumpria a lei de um Legislador para se tornar um filho que tinha intimidade com um Pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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remedios0É extremamente comum eu deparar com irmãos e irmãs em Cristo que vivem esmagados pelo peso desta dúvida: diante de uma doença, deve-se recorrer à medicina humana ou esperar por um milagre de Deus? Não é raro ouvirmos, especialmente entre nós, pentecostais, pessoas que defendem que buscar socorro junto à medicina seria falta de fé. Por isso, muitas e muitas pessoas se veem em crise, sem saber se devem se submeter a tratamentos médicos ou esperar pela cura milagrosa. Pois bem, a todos que chegam a mim com essa dúvida eu sempre digo: recorra ao milagre – da medicina. Vou explicar.

Eu acredito em milagres. A Bíblia afirma e reafirma que o Senhor é capaz de fazer qualquer coisa, em sua onipotência, mesmo o que nos parece impossível. “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas” (Lc 1.37); “Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus” (Lc 18.27); “Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mt 19.26); “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível” (Mc 10.27). Então, sim, é bíblico que Deus possa realizar curas sobrenaturalmente. Creio em milagres porque creio que Deus tem capacidade para fazê-los.

Já vi Deus operar milagres de cura de deixar o queixo caído. Tenho pessoas próximas diagnosticadas com cânceres que desapareceram sem explicação, por exemplo. Então sou profundamente crente na possibilidade de o Todo-poderoso curar pessoas em nossos dias de forma sobrenatural. Porém, a realidade da vida nos mostra que nem todos serão sarados milagrosamente. Tendo dito isso, permita-me explicar que, a meu ver, não existe separação entre medicina humana e a atuação de Deus. E digo isso porque enxergo a medicina como um enorme milagre. Quando pensam na medicina humana, muitas pessoas parecem que a veem como algo distinto da ação divina, como se remédios e tratamentos alopáticos fossem algo mundano. Talvez, até… satânico? Mas você já parou para pensar sobre como surgiram os medicamentos?

remedios1Remédios foram criados a partir da capacidade de seres humanos de perceber, estudar, analisar e compreender que determinadas substâncias químicas existentes na natureza e sintetizadas em laboratório são capazes de curar doenças. Para nós isso parece natural hoje em dia, mas pense em séculos atrás, na época em que não se sabia, por exemplo, que o ácido acetilsalicílico curava dor de cabeça. A sabedoria concedida aos homens que perceberam isso e desenvolveram formas de administrar essa substância a pessoas que agonizavam com enxaquecas não é um milagre de Deus? Não sei quanto a você, mas, quando tenho dor de cabeça, tomo uma aspirina e ela some em minutos, não são os laboratórios farmacêuticos que louvo em gratidão: é a Deus.

A Bíblia afirma: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Diante disso, vemos que o conhecimento humano que levou pessoas a descobrir como fabricar medicamentos é uma boa dádiva que veio direto do Pai. Pense em Salomão; a sabedoria dele não foi uma dádiva que Deus lhe concedeu? Quando Salomão ou Débora julgavam de forma sábia, você pensa que essa sabedoria era mundana ou um milagre de Deus, fruto de uma ação direta do Senhor na mente deles? Meu irmão, minha irmã, entenda que tudo de bom, criativo, abençoador ou maravilhoso que eu, você ou qualquer outro ser humano – seja cristão ou não – façamos é resultado da ação divina em nós e, portanto, é um milagre.

remedios2Leio muitos comentários aqui no blog APENAS de leitores que afirmam que Deus respondeu a suas dúvidas, amainou suas angústias, deu-lhes paz ou muitas outras coisas por meio dos textos que escrevo aqui. Sinceramente, você acredita que isso é mérito meu? Claro que não, é um milagre de Deus, que usou a mim para levar consolo, edificação e exortação aos irmãos e irmãs, de cujas questões eu nem mesmo estava ciente quando escrevi os textos. Portanto, toda benção que vem da leitura dos meus posts é dádiva do alto, não resultado de esforço humano. Só que, curiosamente, ninguém fala “ah, não vou ler os textos do Zágari em busca de respostas não, pois isso seria falta de fé, vou esperar Deus aparecer para mim pessoalmente para me ajudar”. Ninguém faz isso porque sabe que Deus usa pessoas para cumprir seus propósitos. Mas, quando o assunto é saúde, muitos parecem se esquecer disso.

Mais um paralelo: em Atos 8.38, o texto relata que, após Felipe batizar o eunuco etíope, aquele discípulo de Cristo é arrebatado e transportado milagrosamente para uma localidade distante. Ora, diante disso, quem crê que tomar remédios é falta de fé não deveria considerar também falta de fé pegar um avião ou um carro feito pelos homens para ir de uma cidade a outra? Fé, segundo esse pensamento, não seria orar e crer que Deus faria o milagre de nos teletransportar de um lugar a outro, como fez com Felipe? Só que ninguém pensa isso. Parece que a única atitude em que recorrer a produtos humanos exprime falta de fé é tomar remédios. Essa ideia não faz nenhum sentido, oprime milhões de bons irmãos e irmãs em Cristo e gera culpa, descrédito, dores e, até mesmo, apostasia. Precisamos agir com graça com nossos irmãos que enfrentam enfermidades. Na doença deles, apoiá-los e não condená-los. Estender compaixão e não acusações. Se eu ficar doente, orarei a Deus pedindo a cura, mas, também, tomarei remédios. Que ele me cure conforme a vontade dele e não a minha e do modo dele e não do meu. E me atrevo a dizer mais: se o Senhor não me curar, ainda assim o louvarei, pois ele continuará sendo Deus.

Querido, querida, todo remédio que já foi criado é fruto da graça comum do Criador, que iluminou milagrosamente cientistas para descobrirem que aquelas substâncias seriam capazes de curar as minhas e as suas enfermidades. Por isso, tome, sim, medicamentos, e fique bem. E, toda vez que ingerir um remédio e ficar livre da doença ou da dor que te afligia, ore ao Senhor em agradecimento e diga a ele: “Obrigado, Pai, pelo milagre da medicina humana, fruto da tua ação sobrenatural sobre a mente dos homens”. E fique em paz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

Perdao Total_News cortado

escravo1Você é a favor da escravidão? Pode parecer estranho e até ofensivo eu te perguntar isso, afinal, nenhum ser humano civilizado considera a escravidão humana algo correto, não é mesmo? Bem, na verdade, até pouco mais de um século, aqui mesmo no Brasil, milhões de pessoas civilizadas e cultas acreditavam que ter escravos humanos era algo totalmente normal e cabível. Como pode? Como pode tantos indivíduos bons e até mesmo cristãos terem visto essa prática abominável como aceitável? Eu estava vendo fotos do acervo do Instituto Moreira Salles que mostram escravos no Brasil há apenas cerca de 130 anos. As imagens me impactaram e comecei a refletir sobre a escravidão. Meu primeiro impulso foi o de condenar aquela sociedade, que abraçava como natural a ideia de que pessoas podem ser donas de outras e fazer com elas o que quiserem. Mas, pensando mais um pouco, acabei chegando à conclusão de que, se eu vivesse no Brasil daquela época, também não teria problemas com a escravidão. Possivelmente, eu mesmo teria alguns escravos. Por quê? Porque estaria tão inserido naquela realidade que nem gastaria muito tempo pensando sobre a validade daquilo. Na verdade, estaria tão acostumado com aquela situação que minha mentalidade seria: sempre foi assim, sempre será; é como é, não há o que questionar. E essa constatação me conduziu a uma percepção espiritual: eu sou a favor da escravidão. Permita-me explicar.

Você já assistiu ao filme “O show de Truman”? Se não, recomendo que o faça, é um dos longa-metragens mais interessantes a que já assisti. Narra a história de um homem que viveu toda sua vida num gigantesco estúdio de televisão. Todas as pessoas com quem convive são atores, num grande reality show. Sua vida não passa de uma enorme mentira, mas ele vive anos nessa loucura sem perceber. Em certo momento do filme, um repórter pergunta para o diretor e idealizador do show: “Por que o senhor acredita que Truman nunca percebeu que está num programa de televisão?”. A resposta dele é muito significativa: “Nós aceitamos a realidade do mundo conforme nos é apresentada”. Isso explica com clareza por que milhões de pessoas boas acatavam a escravidão como normal: elas nasceram numa realidade em que aquilo era natural, cresceram aprendendo que não havia nada de mais na escravidão e, por isso, nunca questionaram aquela barbárie.

escravo0Nascemos escravos do pecado. Crescemos escravos do pecado. No mundo, enxergamos a escravidão ao pecado como algo aceitável. Enquanto as correntes da transgressão prendem nossos pés, não questionamos essa situação. Vemos como algo natural a desobediência a Deus, afinal, a realidade que nos foi apresentada pela sociedade ao nosso redor é a da escravidão ao pecado – e a temos como normal. Até que, um dia, uma alternativa se descortina diante de nossos olhos: Jesus nos dá carta de alforria. Percebemos, então, que é viável uma vida que se desagrada do pecado. É impossível nos livrarmos totalmente das algemas que nos prendem à transgressão, mas o Espírito Santo nos mostra que podemos não nos conformar a ela. “Porque, se fomos unidos com ele [Jesus] na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos […] Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6.5-6, 17-18).

Até aqui nenhuma novidade. Tenho certeza de que você já sabia que a salvação em Cristo no torna livres da escravidão do pecado. Você é chamado pela graça de Deus e, com isso, torna-se absolutamente, totalmente, inquestionavelmente livre, certo?

Errado.

Eis o ponto fundamental: na verdade, a salvação não vem para nos tornar livres da escravidão. Ela vem apenas para mudar o nosso dono. Continuamos escravos, mas não mais do pecado: de Cristo. “O que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo” (1Co 7.22). Ou seja: deixamos de ser escravos do pecado para nos tornarmos escravos de Jesus. Nesse sentido, sou, sim, totalmente a favor da escravidão e me contento com essa realidade, apresentada não mais pelo mundo, mas pelas Escrituras sagradas. “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm 6.22).

A grande diferença entre esses dois tipos de escravidão é que o pecado nos torna apenas escravos – seres abatidos, sem vontade própria, destituídos de liberdade. Porém, ao nos tornarmos escravos de Cristo, recebemos também outros títulos: somos feitos filhos de Deus, amigos de Jesus, herdeiros da eternidade, verdadeiramente livres! “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.34-36). Ser escravo de Cristo significa receber alforria não para ser um indivíduo autônomo e independente, mas totalmente acorrentado à liberdade que a vida eterna nos concede. Portanto, aceite a escravidão, ela é uma realidade inevitável.

escravo2Infelizmente, mesmo ao nos tornarmos escravos de Cristo algumas correntes de nosso antigo senhor continuam atadas aos nossos membros. Por isso, embora tenhamos sido chamados pela graça à servidão a Deus, continuamos sendo puxados de volta à senzala do pecado. É o que Paulo escreveu: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (Rm 7.14-25).

Não tem jeito, meu irmão, minha irmã, você é e será sempre escravo. A questão é: de quem? Se Cristo te chamou pela graça, você pertence ao Senhor, mas saiba que o pecado não ficou feliz com essa mudança. O pecado quer você de volta. Não permita que isso aconteça, lute pela sua servidão ao único amo que oferece a paz, Jesus Cristo. A cruz te libertou, mas o Diabo quer manter você acorrentado. O que te manterá longe da senzala da transgressão é a sua santidade. Muitas vezes fraquejamos, caímos, perdemos a batalha, nos arrastamos como cães ao antigo vômito da escravidão ao pecado. Mas Jesus não se conforma com isso, pois você pertence a ele. Então ele te chama constantemente ao arrependimento e, se você rende sua vontade a ele, o perdão sempre está ao seu alcance.

Você é cristão mas tem cedido ao pecado? As correntes da desobediência o têm arrastado de volta ao lugar de onde saiu? Você tem praticado novamente aquilo de que Jesus já te libertou? Então a hora é esta: ouça a voz do Bom Pastor chamando-o de volta. Peça perdão. Abandone essa prática. Você pertence a Cristo e foi chamado para habitar não mais nas imundas senzalas do pecado, mas nas puras mansões celestiais. Você é escravo da liberdade. Não abra mão disso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício