Comprei no início deste ano um apartamento novo, a fim de trazer meus pais para morar comigo. Pelo valor que eu podia pagar, só consegui encontrar um apartamento caindo aos pedaços, que teria de passar por uma grande reforma para ser habitável. E assim foi: em janeiro começamos a obra, prevista para acabar em abril. Porém, chegamos ao último dia de outubro e a reforma ainda não terminou. E isso por uma série de razões, todas ligadas ao pecado e à falibilidade humanos. Vou lhe contar um pouco dessa saga.

Mandamos fazer uma escada com um serralheiro. Depois de mais de um mês esperando a dita cuja ficar pronta, o que aquele profissional aprontou foi algo que seria melhor definido como um “troço”. Tivemos de desfazer o negócio e arcar com um grande prejuízo. Depois, o profissional que contratamos para laquear e pintar as portas fez um serviço sofrível e danificou paredes, chão e outras partes do apartamento. Mais tempo perdido. Mais dinheiro jogado fora. E por aí foi: tivemos pintores desqualificados, marceneiros que não cumpriram o que prometeram… e muito mais. O resumo da ópera é que tivemos de lidar com uns profissionais que não cumpriram o que prometeram, outros que maldosamente tomaram atitudes que nos prejudicaram e outros, ainda, que muitas vezes fizeram da reforma algo mais estressante do que feliz. Ainda assim, a reforma era indispensável, apesar de pessoas afetadas pelo pecado terem participado do processo.

Hoje celebramos 500 anos da Reforma Protestante, movimento deflagrado em 1517 pelo monge agostiniano Martinho Lutero, que tinha por objetivo reformar a Igreja Católica Apostólica Romana, instituição que ao longo dos séculos saiu dos trilhos e se distanciou dos princípios da Igreja apostólica. Lutero, junto com outros pensadores, tais como Calvino e Zuínglio, promoveram um trabalho de resgate dos princípios do evangelho de Jesus, com retorno à centralidade de Cristo, ao conceito da salvação somente pela graça e mediante a fé, ao entendimento de que a Escritura é a única e suficiente regra de fé e prática do cristianismo, e à compreensão de que a glória deve ser dada somente a Deus.

Esse movimento não purificou a Igreja Católica, pois seus líderes não o aceitaram, mas levou o papa Leão X a excomungar Lutero. Em outras palavras, Lutero foi expulso. Com isso, surgiu a Igreja reformada, da qual é herdeira hoje uma série de denominações cristãs, que se chamam de “reformadas”, “protestantes” ou “evangélicas” (há divergências sobre o significado exato de cada um desses termos, que não vêm ao caso para os propósitos deste texto). Claro que estou simplificando enormemente o que aconteceu, mas, em resumo, foi isso.

Nos últimos 500 anos, no entanto, muitos homens e mulheres que fazem parte desse ramo da Igreja agiram do mesmo modo que os pintores, pedreiros, laqueadores e serralheiros que participaram da reforma de meu apartamento e mais estragaram e atrapalharam do que ajudaram. A ignorância, a maldade ou a falibilidade humana levaram ao surgimento de crenças e práticas erradas, como teologia da prosperidade, confissão positiva, autoajuda gospel, aceitação da agressividade como forma de posicionamento supostamente cristão, bizarrices neopentecostais, doutrinas antibíblicas de batalha espiritual, canonização de usos e costumes, e outras práticas e teologias equivocadas.

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Sob a influência de tais maus descendentes da Reforma, muitos membros dessa igreja oriunda das ações dos reformadores passaram a acreditar em uma espécie de “evangelho” esquisito, como tipos de “cristianismo” que põem o homem no centro, que hipervalorizam o dinheiro, que estabelecem o sucesso pessoal como a medida de bênção de Deus, que fazem parecer que é possível ser grosseiro e cristão ao mesmo tempo e por aí vai.

Assim como o serralheiro que atrapalhou minha reforma, há quem desuna a Igreja de Cristo considerando que só sua denominação é a certa. Assim como os pintores que fizeram trabalhos mal feitos, há quem ensine evangelhos só de bênção e não de arrependimento e contrição. Assim como os pedreiros que deixaram a desejar, há quem creia que o Deus glorificado na Reforma aprova uma apologética bruta e agressiva. Assim como os profissionais que nos decepcionaram em diversos momentos no processo de reforma do apartamento, há aqueles que trazem “segundas revelações” apócrifas ao evangelho resgatado pela Reforma. E assim por diante.

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Louvo a Deus pois, hoje, a Igreja de Cristo prossegue adiante, pregando a mensagem da cruz, investindo em missões, discipulando, divulgando as doutrinas da graça, incentivando a santidade, denunciando o pecado, edificando a noiva de Cristo, glorificando a Deus. Porém, passados 500 anos da Reforma, devemos continuar como Igreja que se reforma continuamente. A começar por nós mesmos, pessoas. Pois de nada adianta reformar ideias e instituições e deixar indivíduos como estão. Alguns dos maus profissionais que prejudicaram minha reforma não reconheceram seus erros. Não podemos fazer o mesmo. O melhor meio de você contribuir com a reforma da Igreja de nossos dias é fazendo um mea culpa, reconhecendo seus erros, mudando seu modo de agir, voltando às boas práticas.

Você acha que seguir reformando a Igreja é apenas combater o erro dos outros? Não é. O que de melhor você pode fazer pela Igreja é parar de olhar para o lado e consertar os seus erros; arrepender-se das suas falhas; confessar os seus pecados; e abandonar a arrogância doutrinária, a agressividade apologética, a soberba denominacional, a vaidade teológica, o sectarismo espiritual. Mude-se. É um bom começo. Às vezes, as suas intenções são ótimas, mas a sua pintura está péssima, a escada que você está construindo está torta, o cano que você instalou está vazando. O que você precisa fazer? Antes de querer reformar algo, sua urgência maior é reformar a si mesmo.

Como eu posso defender isso? Com base na minha própria experiência de reforma de mim mesmo. Na época em que eu dedicava meu tempo, minhas energias e minha saliva para ficar metendo o malho nos outros em vez de promover as belas virtudes do evangelho, praticamente não consegui promover mudança alguma em ninguém. Só gerei ódio. Eu era só um brigalhão esbravejando pela Internet. Mas, no dia em que decidi mudar a mim mesmo, procurando aproximar-me mais do caráter e do temperamento do manso Cordeiro, vi e colhi muitos frutos, que ecoaram na vida de muitas pessoas. E isso tendo por base bíblica passagens como: “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Rm 12.2, NVT), “E não pequem ao permitir que a ira os controle. Acalmem a ira antes que o sol se ponha, pois ela cria oportunidades para o diabo” (Ef 4.26-27, NVT), “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16, NVT), “Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo. Se cumprimentarem apenas seus amigos, que estarão fazendo de mais? Até os gentios fazem isso” (Mt 5.46-47, NVT), e “Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo” (Mt 5.22, NVT).

Parabéns a todos os filhos da Reforma Protestante: presbiterianos, batistas, metodistas, pentecostais, continuístas, cessacionistas, calvinistas, arminianos, credobatistas, pedobatistas… enfim, todos os meus irmãos e irmãs em Cristo que, por mais que cometam um ou outro erro teológico, continuam acreditando em cada tópico do Credo Apostólico. Embora derrapem em um ou outro equívoco teológico, ainda assim são meus irmãos. Que mais nos unamos pelo que temos de igual do que nos distanciemos pelo que nos diferencia. Nosso Deus é o mesmo, o de Abraão, Isaque e Jacó. Nossa cruz é a mesma, a do Calvário. Nossos pecados nos igualam. Nossa esperança é o mesmo céu. Jesus é o mesmo Jesus em todas as igrejas que não negociaram o evangelho, apesar de suas diferenças.

Não me venha falar da reforma do meu apartamento, por favor, pois ela tem me estressado e, sinceramente, às vezes acho que seria melhor que ela não tivesse acontecido. Mas falemos todos os dias sobre a reforma da Igreja, que começa pela reforma de nós mesmos. Pois essa, se não acontecer, nos conduzirá para longe dos ideais resgatados pela Reforma Protestante: os ideais do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Sandra Mara Cardoso Martins disse:

    Excelente comentário! Que o Senhor continue te usando!

  2. Natanael Correia da Silva disse:

    Prezado Maurício;
    inicialmente, devo dizer que me assustei com o título do texto “Não venha me falar de reforma”. Depois entendi claramente a sua analogia. Lamento pela sua experiência de reforma. Sei bem o que é isso, pois também passei por isso. Segui o roteiro certinho, com uma profissional de arquitetura elaborando a planta cuidando dos detalhes e acompanhando todo o processo. Infelizmente, os executores da obra quase me fizeram desistir de sua conclusão. Terminei gastando mais que o dobro planejado. Com relação à Reforma da igreja, a sua comparação foi muito feliz. Os trabalhadores é que foram ao longo do tempo, se afastando do desenho ou plano original, por falta de preparo, por desleixo, preguiça, etc.
    Parabéns pelo texto.
    Abraços

    Natanael C Silva
    Sorocaba/SP

    • Oi, Natanael, tudo bem?
      .
      Fico feliz que se identificou com o texto, querido. Obrigado por compartilhar sua experiência.
      .
      Abraço fraterno,
      mz
      facebook.com/mauriciozagariescritor

  3. Felipe disse:

    Texto bem edificante. Para a Igreja continuar se reformando, a reforma tem que começar em nós mesmos! Soli deo Gloria!

  4. Renato Filho disse:

    Olá!

    Poderia esclarecer o termo “confissão positiva”?

    Obrigado!

  5. Cheguei ao blog através do livro “Perdão Total”, muito edificante, tem me dado um olhar diferente sobre o meu pecado e o dos demais. Que Deus continue te abençoando e usando! Esse texto sobre reforma me deu até taquicardia (kkkk), tenho pânico de pensar em reforma, porém são um mal necessário, inclusive no corpo de Cristo.
    A propósito, tbm tenho um blog no WordPress com cunho cristão, se sentir vontade de visitar algum dia, me sentirei honrada, chama-se: ofertaagradavel.wordpress.com

    Forte abraço, e que venham as necessárias reformas!

  6. Felipe Grillo disse:

    Bravo, bravo professor Mauricio,gostaria de fazer duas perguntas e é claro,gostaria das respostas.Primeira: Existe uma congregação da sua igreja aqui na Ilha do Governador, e a outra(mais complexa) Uma irmã se ajuntou,vive junto, com um rapaz, tiveram filhos, após disso ela se converteu e ele não, ela deseja ser batizada nas águas e ele não(ele não se converteu),o pastor deve batizá-la, sim ou não. Por favor professor não deixe de me responder pois o senhor sempre foi sal (influencia) pra mim, Paz.

    Enviado do Outlook

    ________________________________

    • Olá, Felipe, tudo bem?
      .
      Mano, desculpe a demora em responder, estive com alguns problemas pessoais, mas estou retomando o blog e respondendo as mensagens pendentes.
      .
      Sobre a igreja, não, não há uma congregação da minha igreja na Ilha, apenas na Tijuca e no Lins.
      .
      Sobre a irmã, penso que ela deve regularizar sua situação diante da lei brasileira e se batizar. O fato de o companheiro dela não ser cristão não influencia a fé dela.
      .
      Espero ter respondido a contento, ainda que atrasado. Um abraço fraterno,
      mz
      facebook.com/mauriciozagariescritor

  7. Daniel disse:

    Maurício , o que você acha de baixar livros (não disponibilizados pelos autores) gratuitamente? Bíblicamente você entende que existe impedimento para isso? Algum princípio em que podemos nos basear para dizer que isso é pecado?
    Eu particularmente vejo que é errado , mas se me pedirem base bíblica para explicar que é pecado o que me vem a cabeça é o texto que diz “o trabalhador é digno do seu salário”(1Tm: 5-18) . Esse texto se aplica corretamente nessa situação?
    Eu vi uma discussão em que uma pessoa alegou que não tinha dinheiro e por isso ( se entendi corretamente ) baixava pela internet. O que você pensa disso?

    • Daniel, olá,
      .
      a base bíblica está em Êxodo 20, os Dez Mandamentos: “Não roubarás”.
      .
      Quando alguém baixa um livro sem pagar os direitos, está roubando da editora, que investiu dinheiro para produzir a obra, imprimi-la, distribui-la e divulgá-la. É roubo. Também está roubando do autor, que detém os direitos por aquela obra.
      .
      O argumento dessa pessoa é o mesmo que dizer “eu não tenho dinheiro e por isso roubo um banco”. Não ter dinheiro não é, de modo algum, razão para cometer um crime.
      .
      Abraço fraterno,
      mz

  8. Igor, olá,
    .
    todos nós temos pecados que nos assolam mais do que outros. No seu caso, a inveja é o seu espinho na carne. Não existe fórmula mágica para tirar esse sentimento de seu coração, o que você deve fazer é se aproximar cada vez mais de Deus, pois, quanto mais nos achegamos a ele, mais ele se achega a nós e nos preenche com a sua natureza. Gálatas 5.22-23 nos fala sobre virtudes que o Espírito Santo nos dá quando nos aproximamos dele, entre elas amor, amabilidade e bondade. Um coração cheio de Deus não comporta espaço para pensamentos de inveja. Portanto, o que você precisa fazer é buscar o Senhor. Com calma. De forma mansa e tranquila. Desenvolva intimidade com ele, por meio da oração sincera e do estudo das Escrituras. Leia a Bíblia, medite nela e converse honestamente e constantemente com teu Pai. Aos poucos, ele o preencherá com a natureza de Cristo e tenho esperança de que esse sentimento desaparecerá de seu coração.
    .
    Oro por ti, meu mano. Abraço fraterno,
    mz
    facebook.com/mauriciozagariescritor

    • Igor disse:

      Maurício , para ser sincero eu fiquei um pouco frustrado com a sua resposta , achei meio superficial e simples demais , mas me fez pensar , e se realmente é simples assim?
      Faz sentido o que vc falou , mas não é nada novo sabe?
      Eu tenho lido a Bíblia e orado todos os dias , claro que não tanto quanto deveria, e dependendo dos dias acabo não fazendo de uma forma decente , mas ainda faço. Mas tenho visto que tem vezes que dou um passo á frente , mas depois eu ando para trás denovo , e isso é bem ruim.
      O que falta?

      • Oi, Igor,
        .
        deletei os comentários que você pediu, ok, não quero que fique constrangido.
        .
        Mano, é muito comum que as pessoas pensem em “técnicas” ou “estratégias” que as ajudem a se livrar de comportamentos problemáticos e de sentimentos pecaminosos. Mas o evangelho de Cristo não é assim, querido. A nossa santificação se dá na medida em que desenvolvemos em nós a natureza de Cristo e isso só acontece quando nos aproximamos dele. Não existe um “abracadabra” que nos faça parar de pecar. O que devemos fazer é nos examinarmos constantemente para ver em que estamos pecando. No seu caso, você já deu esse primeiro passo. Depois, devemos buscar no Senhor a cura para os males da nossa alma.
        .
        Você considerou superficial e simples demais a minha resposta porque estamos habituados a complicar tudo, a criar “métodos de sete passos” que resolverão os nossos problemas. Mas o evangelho é simples, querido. É suave. Nós não paramos de mentir, por exemplo, porque criamos técnicas para parar de mentir, mas porque a intimidade com Cristo nos transforma e faz de nós pessoas que não são mentirosas. Um mentiroso não vai parar de mentir porque descobriu fórmulas complexas e “profundas” para não mentir; ele deixará de mentir quando deixar de ser um mentiroso! Do mesmo modo, se o seu mal é a inveja, você parará de invejar não quando aprender algo que o faça parar de sentir inveja, mas quando deixar de ser um invejoso! Compreende? E você deixará de ser um invejoso quando a natureza do Cristo – que não é invejoso, mas é generoso, amoroso e se alegra com nossas conquistas – se fizer presente em você de modo transbordante.
        .
        Em outras palavras, Igor, você não precisa mudar de atitudes, mas de essência. E a única forma de fazer isso é se aproximando de Cristo. Crescendo em intimidade com ele. Fazendo Jesus ser tão arraigado em você que o que ele é se tornará o que você é. E isso, mano, só acontece mediante algo “superficial” e “simples”: proximidade. Intimidade. Relacionamento. No cristianismo, o caminho para isso é o da oração e do contato com a Palavra. Não há fórmula mágica, é como é há dois mil anos.
        .
        Recomendo que você leia o livro “Celebração da disciplina”, de Richard Foster, que lhe mostrará como se aproximar de Jesus por meio das disciplinas espirituais. Pois, em resposta à sua pergunta, o que falta é você ter cada vez mais a natureza de Cristo – que não sente inveja, mas se alegra com a nossa alegria.
        .
        Abraço fraterno,
        mz

  9. Igor disse:

    Mauricio , vc deletou até o ultimo comentario que eu enviei, sem responder .

    • Sério? Desculpe, devo ter feito por engano. Segue a resposta que dei:
      >
      >
      >
      Oi, Igor,
      .
      deletei os comentários que você pediu, ok, não quero que fique constrangido.
      .
      Mano, é muito comum que as pessoas pensem em “técnicas” ou “estratégias” que as ajudem a se livrar de comportamentos problemáticos e de sentimentos pecaminosos. Mas o evangelho de Cristo não é assim, querido. A nossa santificação se dá na medida em que desenvolvemos em nós a natureza de Cristo e isso só acontece quando nos aproximamos dele. Não existe um “abracadabra” que nos faça parar de pecar. O que devemos fazer é nos examinarmos constantemente para ver em que estamos pecando. No seu caso, você já deu esse primeiro passo. Depois, devemos buscar no Senhor a cura para os males da nossa alma.
      .
      Você considerou superficial e simples demais a minha resposta porque estamos habituados a complicar tudo, a criar “métodos de sete passos” que resolverão os nossos problemas. Mas o evangelho é simples, querido. É suave. Nós não paramos de mentir, por exemplo, porque criamos técnicas para parar de mentir, mas porque a intimidade com Cristo nos transforma e faz de nós pessoas que não são mentirosas. Um mentiroso não vai parar de mentir porque descobriu fórmulas complexas e “profundas” para não mentir; ele deixará de mentir quando deixar de ser um mentiroso! Do mesmo modo, se o seu mal é a inveja, você parará de invejar não quando aprender algo que o faça parar de sentir inveja, mas quando deixar de ser um invejoso! Compreende? E você deixará de ser um invejoso quando a natureza do Cristo – que não é invejoso, mas é generoso, amoroso e se alegra com nossas conquistas – se fizer presente em você de modo transbordante.
      .
      Em outras palavras, Igor, você não precisa mudar de atitudes, mas de essência. E a única forma de fazer isso é se aproximando de Cristo. Crescendo em intimidade com ele. Fazendo Jesus ser tão arraigado em você que o que ele é se tornará o que você é. E isso, mano, só acontece mediante algo “superficial” e “simples”: proximidade. Intimidade. Relacionamento. No cristianismo, o caminho para isso é o da oração e do contato com a Palavra. Não há fórmula mágica, é como é há dois mil anos.
      .
      Recomendo que você leia o livro “Celebração da disciplina”, de Richard Foster, que lhe mostrará como se aproximar de Jesus por meio das disciplinas espirituais. Pois, em resposta à sua pergunta, o que falta é você ter cada vez mais a natureza de Cristo – que não sente inveja, mas se alegra com a nossa alegria.
      .
      Abraço fraterno,
      mz

      • Igor disse:

        Obrigado por responder Maurício , e obrigado pela dica de livro também.
        Desculpa o encomodo.
        Que Deus te abençoe.

  10. jacyps disse:

    Mauricio, a paz querido mano!

    Já faz um tempinho desde o último post, e estou passando pra saber como você e sua familia estão, e antecipar meus votos de um Natal abençoado e um ano de 2018 debaixo da Graça de Nosso Pai!

    • Olá, Jacy, tudo bem?
      .
      Obrigado pela lembrança. Parei por um tempo para me dedicar a demandas de família, mas em 2018 volto a escrever.
      .
      Desejo o mesmo a você e seu filhote. Deus os abençoe muito!

      • jacyps disse:

        Amém! Estamos bem, graças ao nosso bom Deus! Obrigada!
        Fico feliz por ter boas noticias suas. Deus os abençoe.

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