Arquivo de agosto, 2017

Acordei me sentindo mal. Febre, moleza, dor de garganta, tosse, rouquidão, dor no peito. A coisa não estava bonita. Decidi ir à emergência de um conceituado hospital do Rio de Janeiro e, após ser examinado pela jovem médica, o diagnóstico: vírus. Na receita, um corticoide, um xarope para a tosse, um antitérmico e a promessa de em cinco dias estar bem. Vida que segue. Só que não. 

Foram dez dias tomando os remédios e, adivinhe, não adiantou absolutamente nada. No décimo dia, eu estava inchado e todos os sintomas persistiam. Eu não aguentava mais tossir, estava exausto, molenga e frustrado. Decidi, então, ir a um otorrino. Para minha surpresa, o diagnóstico dele foi completamente  diferente do da primeira médica: não era vírus, era bactéria. O remédio receitado: antibiótico. E, dessa vez, já no primeiro dia de tratamento comecei a melhorar. Pela primeira vez em duas semanas, consegui dormir bem. E, em cinco dias, eu estava curado. 

A conclusão: se o diagnóstico está errado, o tratamento será errado – e não haverá cura. E, além disso, perderemos um tempo enorme, sofrendo, doentes, tratando uma coisa quando deveríamos estar tratando outra. 

Muito se fala hoje sobre os problemas da igreja, falhas cometidas por cristãos ou supostos cristãos que adoecem o Corpo de Cristo. Nós, naturalmente, devemos buscar corrigi-los, sempre, e da maneira bíblica: não brigando, mas instruindo com mansidão, na esperança de que Deus dê o arrependimento para quem está provocando esses problemas (2Tm 2.24-26). Mas, para tanto, precisamos diagnosticar corretamente aquilo que tem adoecido a igreja. Devemos mirar no que é prioritário e não secundário. A questão é que muitos estão travando combates com base em diagnósticos errados e, por isso, os problemas principais não estão sendo combatidos. Um desperdício de tempo, energia e intelecto. E, enquanto se investe tanto no que é secundário, os problemas prioritários continuam nos infectando, envenenando e afastando de Deus. 

O maior mandamento do cristianismo é amar a Deus e ao próximo. Portanto, isso é prioridade máxima na vida do cristão. Já ouvi muita gente boa dizer que o maior problema da Igreja em nossos dias é a superficialidade. Eu discordo. O maior problema da Igreja em nossos dias é a falta de amor ao próximo. Jesus nunca disse “Sede profundos”, mas disse muitas vezes “Amai”. Assim como Paulo. Assim como João. E, como eles, devemos também nós priorizar o que é prioritário. 

Não estou defendendo que devemos valorizar a superficialidade teológica, não é nada disso. O que defendo é que se priorize o que Jesus priorizou. E ele priorizou o amor. Dedicar sua vida a conduzir as pessoas à profundidade teológica mas fazer isso sem amor é uma postura completamente insana do ponto de vista cristão.

A realidade é que não temos amado as pessoas. Não as corrigimos com paciência e mansidão (como ordena a Bíblia), mas com fúria; não estendemos a mão aos necessitados, mas terceirizamos a caridade; não olhamos para quem discorda de nós com compaixão, mas com raiva e rancor; não buscamos desenvolver o fruto do Espírito, mas inventamos desculpas pseudobíblicas para continuar sendo pessoas desagradáveis, prepotentes e altivas sob um manto “evangélico”; não socorremos a pessoa diferente que está caída à beira da estrada, mas fingimos que não vemos ou pisamos em sua cabeça. Tudo isso, e muito mais, denuncia falta de amor ao próximo e um gigantesco amor ególatra por si mesmo. Esse é o maior câncer da Igreja em nossos dias. 

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É decepcionante ver tanta gente culta e muito mais bem preparada do que eu dedicar seu tempo a causas e bandeiras que visam a defender e propagar a sua visão de cristianismo, mas que o fazem abandonando completamente atitudes e conceitos que são pilares do cristianismo. Como amor. Paciência. Mansidão. Autocontrole. E, enquanto proliferam argumentos e debates feitos de forma totalmente anticristã no jeito de se posicionar, muitas vezes sobre velhas questões que nunca serão unanimidade no cristianismo, perde-se um tempo enorme e precioso que poderia ser investido naquilo com que todos os cristãos concordam que é fundamental. Um exemplo é a falta de perdão. 

Uma quantidade avassaladora de cristãos não entende o perdão bíblico e por isso não o pratica. De quem é a culpa? Nossa, os que ensinamos. Professores, teólogos e pastores que priorizam tantos assuntos secundários e periféricos em detrimento do que está no tutano do evangelho. Pouco se prega sobre perdão nos púlpitos, sendo que ele é uma das colunas centrais do cristianismo. Não se organizam conferências teológicas sobre o tema. O assunto é tão urgente que, para você ter ideia, meu livro Perdão total em menos de três anos de publicado já está na quinta tiragem, com 15 mil exemplares impressos. Perdão total no casamento, por sua vez, esgotou os 5 mil exemplares da primeira tiragem em apenas 40 dias. Isso quer dizer que sou um escritor maravilhoso? Claro que não. Eu apenas exponho o que a Bíblia diz, com simplicidade e de um jeito fácil de entender. O que essa vendagem expressiva diagnostica é que as pessoas estão precisando desesperadamente perdoar e ser perdoadas, mas não compreendem o perdão e, por isso, não o vivenciam. Estão sedentas de instrução sobre o assunto, mas quase não vejo ninguém falar sobre a urgência do perdão. Preferem ficar discutindo loooooongamente assuntos secundários da fé, coando mosquitos e engolindo camelos. 

Quem diagnostica problemas equivocados ou quem hipervaloriza assuntos que Jesus mesmo não valorizou está, sem perceber, afastando as pessoas da mensagem que Cristo priorizou. Com isso, ajuda a manter a Igreja doente. São parte do problema e não da solução. E não enxergam isso, lamentavelmente. 

Há tumores no seio da Igreja? Há, sem dúvida. Tristemente, os temos diagnosticado equivocadamente e, por isso, nosso tratamento mais adoece do que cura – ou, simplesmente, não faz efeito algum no que se refere aos reais problemas do Corpo. A dolorosa realidade é que, assim como há muitos falsos mestres e falsos profetas entre nós, há também muitos falsos médicos.

Não adianta combater heresias sendo herético na forma de agir. Não adianta querer mudar a soteriologia, a crença carismática ou a escatologia de outros cristãos de modo anticristão. Não adianta debater com os inimigos da fé de uma forma que fere os princípios da fé, pois a forma importa tanto quanto o conteúdo. Precisamos priorizar o que é prioritário, amando o próximo e levando outros a amar, perdoando e ensinando a perdoar, investindo na unidade do Corpo e não em dissensões e facções, convivendo com o diferente de forma pacífica e instruindo com mansidão, buscando viver o fruto do Espírito em tudo o que fazemos e falamos. Não fui eu quem ensinou isso, está num livro que você provavelmente tem em casa. 

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E, em tudo, devemos lembrar do mal maior: o pecado. O pecado é a célula original do câncer. É ele que nos leva a odiar os inimigos, a ser debochados nos debates, a tratar o diferente com raiva e rancor, a não perdoar, a nos acharmos superiores aos demais, a ser impacientes no diálogo com os equivocados, a formar patotas e desprezar os demais, a nos envaidecer diante dos elogios e a tantas outras formas de sermos problemas na igreja. 

Meu irmão, minha irmã, não existe nenhuma forma melhor de contribuir para a saúde do Corpo do que combater o pecado que ganha espaço no próprio coração. Sugiro que você pare um pouco de olhar para o lado, para o outro, e comece a olhar para dentro de si. Que pecados de estimação você identifica? Desamor? Vaidade? Egoísmo? Espírito faccioso? Inimizades? Você vira o rosto para quem não gosta e em vez de se reconciliar com ele finge que não o vê e se recusa a estender a mão? Sente ressentimentos? Sente alegria na derrota alheia? Tem o hábito de sempre se posicionar altivamente como o certo e considerar quem discorda de você como filho do diabo? Quais são, afinal, os pecados que se alimentam do seu ego e dos quais você não tem demonstrado vontade alguma de se livrar? Acredite, esses pecados são o mal maior da Igreja, pois você é Igreja e o seu e o meu pecado são o maior câncer do Corpo de Cristo. 

Proponho algumas reflexões: você tem feito parte da cura ou da doença? Quais têm sido os seus diagnósticos sobre os problemas principais da igreja? Você se preocupa com os problemas que a Bíblia de fato mostra que são problemas ou com o que está na moda e o que seus teólogos e pastores favoritos combatem nas redes sociais? E a pergunta principal: o que você fará a respeito dos seus próprios erros – os erros reais, aqueles que envenenam seu coração -, de forma a contribuir para a saúde da Igreja de Jesus?  

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Bastou um segundo de desatenção, um tropeço em um degrauzinho da calçada e pronto: o tombo. Ouvi o grito. Virei-me e lá estava ela, de rosto colado no chão. Corremos para socorrê-la, mas minha mãe, baratinada, parecia confusa, tonta. Ainda prostrada no chão, emitiu a  indagação: “O que aconteceu? Eu caí? Caí, foi?”. Táxi urgente, corremos para a emergência, o sangue descendo em profusão da têmpora. Após a tomografia, o diagnóstico: sangramento no cérebro. Era imprescindível ir ao CTI. Assim fizemos. 

Por causa de um tombo, uma semana no hospital, radiografias, exames, tratamentos, medicamentos. O sangue era pouco, o organismo absorveu. Passado o susto, alta hospitalar. Mamãe está de volta ao lar. Dois meses e meio depois, mamãe é internada novamente. Não consegue falar. Emergência. Tomografia. Sangramento grande no cérebro. Internação. Tudo por causa daquele maldito tombo. 

Mamãe não consegue falar. Diagnóstico: hematoma subdural, o acúmulo de sangue na caixa craniana, que pressiona o cérebro. “Ela pode entrar em coma e morrer a qualquer momento”, dispara o médico do CTI. A única esperança é a cirurgia. Mas, como minha mãe toma anticoagulantes, é preciso esperar uma semana para operar. Uma semana tensa, pedindo a Deus que o sangramento pare a tempo de operar. O tombo é o culpado. 

No terceiro dia, o susto: além de não conseguir mais falar, minha mãe não consegue mais mexer a mão direita. Está visivelmente abatida. No quarto dia, paralisia do braço direito. Meu irmão voa da Espanha ao Brasil, já esperando o pior. Até que, finalmente, dez dias após a internação, sinal verde para a cirurgia. O crânio é perfurado. O sangue é drenado. Ela volta ao CTI, com um tubo saindo da cabeça, ainda com fluidos escorrendo. Tudo por causa do tombo. 

Caminhamos pela vida com desenvoltura. Somos cristãos confiantes, cremos que resistiremos às tentações. Conhecemos a verdade, caminhamos pela verdade, pregamos a verdade, lutamos pela verdade. Mas… basta um degrauzinho na calçada e pronto: o tombo. Por isso, o alerta bíblico: está de pé? Preste atenção! Cuidado para não cair! Faça o que for preciso para evitar o tombo. 

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Meu irmão, minha irmã, não há necessidade de eu lhe dizer o que precisa fazer para não levar um tombo na sua santidade. Você sabe. Ainda assim, permita-me lembrá-lo: primeiro, caminhe sempre olhando para o chão, para que não leve um tombo sem perceber, isto é, vigie. Segundo, tenha os olhos fixos não só nos seus pés, mas fique atento à distância, antecipando os obstáculos perigosos do caminho e desviando-se deles antes que cheguem perto, isto é, antecipe-se: enquanto o obstáculo ainda é uma tentação, corra dele, antes de sentir o gosto do asfalto do pecado. Terceiro, esteja sempre atento aos alertas do seu companheiro de jornada, isto é, tenha uma vida de oração e estudo da Palavra, para que haja uma sintonia constante entre você e a voz de Deus. 

Em linguagem bíblica: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). 

Minha mãe se arrebentou. Quase morreu. Mas, hoje, se recuperou. Ainda precisa de fisioterapia, pois todo tombo tem consequências que demandam tempo para passar. Mas ela está de pé. Caminha. Com limitações, mas caminha. Precisa de ajuda para tomar banho. Tem de passar por 90 dias de observação, sempre acompanhada por alguém. Mas ainda não foi desta vez que sua jornada terminou. Há vida à frente. De igual modo, é fundamental que você saiba que, se tomou um tombo, isso não significa um ponto final. Nada disso. Há vida à frente. Há restauração. Há recuperação. Há perdão. Coma, beba e recupere as forças, porque sua jornada será sobremodo longa. Viva o luto, tome os remédios, aceite limitações temporárias, conforme-se com os hematomas, leve o tempo necessário para que suas pernas sejam fortalecidas e seu equilíbrio seja restabelecido . A única coisa que não pode acontecer é você permanecer no chão. 

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E, se alguém lhe disse que seu lugar é no chão, não acredite. É uma mentira diabólica. Jesus não deseja ver ninguém prostrado, a ética dele não é a da punição sádica, mas a da restauração bendita. Pense no que você pode aprender com o tombo para sua vida daqui em diante. Reflita sobre como usar essa experiência para o seu crescimento e amadurecimento, de preferência transmitindo as lições aprendidas a outras pessoas. 

Tombos doem. Machucam. Deixam cicatrizes e sequelas. Mas podem ser evitados, se você tomar as precauções necessárias. Porém, se ele acontecer, lembre-se de que você tem um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo, e que, se houver arrependimento, pedido de perdão e a intenção sincera de não mais incorrer no mesmo tropeço, você será restaurado. Totalmente restaurado. 100% restaurado. Pois Deus não deixa sequelas. O chão não é o seu lugar, ele é apenas um mestre que lhe ensinará muitas coisas. Aprenda. Levante-se. Deixe Cristo limpar o sangue provocado pelo tombo com o sangue provocado pela cruz e vá em frente, de cabeça erguida, rumo a uma vida que ainda tem muito a oferecer. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Hoje gostaria de falar exclusivamente a você, meu irmão, minha irmã, que já foi ferido na igreja ou pela igreja, seja você um membro, seja você um líder, e que, em consequência desse ferimento: (1) afastou-se da igreja e tornou-se aquilo que se costuma chamar de “desviado”; (2) afastou-se da igreja e tornou-se aquilo que se costuma chamar de “desigrejado”; (3) optou por permanecer na igreja (a mesma onde foi ferido ou outra), porém carregando profundos machucados e até mesmo traumas na alma; (4) abandonou o ministério, caso seja pastor; ou (5) prosseguiu com o ministério, caso seja pastor, mas teve de mudar de igreja em função do que aconteceu e carrega profundas marcas na alma pelo que aconteceu. 

Estou realizando uma pesquisa junto a pessoas tenham passado por esse tipo de experiência. O causador do dano pode ter sido um irmão, uma irmã, o pastor, um integrante da liderança, os presbíteros, um líder de ministério, um grupo ou a instituição como um todo. 

Se você se enxergou nessa descrição, eu gostaria de ouvir a sua história. Estou realizando um projeto relacionado a esse assunto e o relato do que você passou – e talvez ainda esteja passando – me ajudará muito a produzir algo que ajudará pessoas que estão na mesma situação que você. A quem desejar compartilhar sua história comigo, eu explicarei individualmente do que se trata. 

Caso você aceite contribuir com minha pesquisa, o que eu pediria é que relatasse o que aconteceu com você no espaço de comentários deste post. Ao enviar seu comentário, ele chegará a mim mas não será publicado. Eu me comprometo a não publicar a sua história, o seu nome ou qualquer dado seu neste blog. Uma vez que seu relato chegue até mim, eu o lerei e entrarei em contato pelo seu e-mail. Se desejar, sinta-se livre para escrever com um nome fictício. 

O meu objetivo é compreender o que você passou e de forma alguma quero expor a sua vida. Fique totalmente tranquilo quanto a isso. Caso queira contribuir com minha pesquisa, eu pediria que relatasse o que vivenciou, que consequências isso gerou para você e para outras pessoas e como se encontra hoje, após o trauma. Conseguiu superá-lo? Como? De que modos sua experiência mudou sua visão da igreja, de Deus e das pessoas? Abra seu coração. 

Agradeço imensamente meus irmãos e minhas irmãs que puderem e quiserem investir um pouco de seu precioso tempo para contribuir com seu relato. Tenha a certeza e a segurança de que o que você me relatar ajudará muitas pessoas que podem estar em situação parecida à sua, e você de modo algum será exposto. 

Muito obrigado por seu carinho e sua confiança, agradeço de coração. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Gosto muito de refletir sobre questões importantes do evangelho de Cristo que parecem ter sido esquecidas por muitos cristãos. Ultimamente, por exemplo, tenho pensado muito sobre o peso espiritual da paciência. Você já ouviu alguma pregação sobre paciência e impaciência? Já leu algum livro sobre o tema, já foi a algum congresso teológico com esse assunto? Eu nunca. No entanto, Paulo escreveu que paciência é uma das nove virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22-23). E, se esse comportamento é tão virtuoso a ponto de ter sido incluído por Paulo nessa seleta lista, infere-se, naturalmente, que a impaciência é um comportamento que não agrada a Deus. Logo, precisamos falar e refletir sobre isso, com muita seriedade. 

Paciência (ou “longanimidade”, nas traduções bíblicas mais arcaicas) é ter paz no coração enquanto se espera que algo aconteça. É ficar sossegado diante da necessidade de aguardar. Portanto, a pessoa que manifesta o fruto do Espírito sabe esperar em paz. E por que isso é espiritualmente importante? Porque paciência tem tudo a ver com fé. 

Se fé é “a certeza de coisas que se esperam” (Hb 11.1), fica claro que nossa fé está diretamente relacionada com nossa capacidade de esperar. E se “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6), certamente desagradamos o Senhor se demonstramos impaciência, pois ela revela que não temos fé suficiente nele para aguardar de forma descansada. A impaciência demonstra, portanto, que não temos confiança inabalável no fato de que Deus está no controle de tudo e que tem total domínio sobre o tempo certo daquilo pelo que esperamos.  Impaciência é desconfiar da soberania divina. 

Deus é quem determina a hora exata de qualquer coisa acontecer, de acordo com seus propósitos. Isso fica claro quando vemos que Jesus só se fez carne na plenitude do tempo, predeterminada desde antes da fundação do mundo. De nada adiantaria a impaciência de querer que o Messias viesse logo, pois ele só viria no tempo preciso de Deus. Ele esperou trinta anos para iniciar seu ministério. A ressurreição só ocorreu após três dias, como Jesus antecipou que ocorreria. O povo de Israel precisou esperar 400 anos para sair do Egito e depois mais 40 para entrar na Terra Prometida. Jó precisou esperar “42 capítulos” para seu cativeiro ser virado. José teve de ser escravo e presidiário por muitos anos antes de se tornar o segundo em poder do Egito. Esses e muitos outros exemplos mostram que tudo acontece no tempo exato de Deus. Não adianta nada balançar o pé, ficar olhando para o relógio de dois em dois minutos ou roer as unhas até o talo. É tão somente quando Deus bater o martelo que o que tiver de ser… será. 

Se sabemos que tudo acontece no tempo exato de Deus, ficar impaciente revela que não temos fé suficiente nessa verdade. Impaciência revela, portanto, falta de confiança em Deus. 

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Se você está esperando por algo, meu irmão, minha irmã, entregue a Deus e confie nele. Saiba que o Senhor tem os olhos voltados para você e está ciente da situação. Uma de três coisas acontecerá: 

  1. Deus pode fazer o que você espera, no tempo em que você gostaria. Nesse caso, não é necessário exercer paciência. 
  2. Deus pode não fazer nunca o que você espera; e, nesse caso, ficar impaciente simplesmente não terá absolutamente nenhuma serventia, só alimentará uma ansiedade inútil; ou
  3. Deus pode fazer o que você espera, mas no tempo dele e não no seu.  Nesse caso, sua impaciência será inócua, não adiantará nada, não fará Deus se apressar e a vontade dele prevalecerá de qualquer jeito. A única vantagem da sua impaciência é… bem, não há vantagem alguma na sua impaciência. 

Está claro, então, que ficar impaciente é inútil. Não adianta nada. E ainda demonstra falta de confiança no Senhor, o que certamente o desagrada. 

Meu irmão, minha irmã, espere com paciência no Senhor, sabendo que ele em absolutamente tudo é soberano. Tudo acontecerá na hora certa, da forma correta, de acordo com a boa, agradável é perfeita vontade do seu Santo Pai. O que você tem de fazer? Descansar. Lance sobre Cristo toda a sua ansiedade e relaxe. Ficar agoniado, angustiado, querendo que tudo ocorra no tempo que você quer só fará mal à sua pressão arterial e provocará queimação gástrica. Talvez uma úlcera. Vantagem na prática? Nenhuma. Então… paciência! 

“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.24-25).

Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. […] Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg 5.8-11).

“Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 15.5-6). 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Tenho sentido falta de sorrisos. O mundo anda pesado, denso, carrancudo. E não só o mundo, nós, que não somos mundo mas vivemos nele, também. As redes sociais andam tristes. Sinto falta de que meus irmãos e minhas irmãs compartilhem alegrias, carinhos, gentilezas. Se o que o universo virtual transmite é a realidade dos bastidores, sou obrigado a concluir que uma enorme parte de meus amigos virtuais está tensa, irritada, assoberbada por uma caminhada cinzenta, nublada. Todos parecem ter uma lição de moral a dar, uma crítica ácida a fazer, uma exortação a cajadar, uma reclamação a expor. As redes sociais estão chatas, talvez porque eu esteja chato, talvez porque todos estejamos chatos. Talvez porque a vida esteja pesada e todos precisem desabafar.

Claro que a vida não é só alegria. Nunca foi e nunca será. Mas a nuvem está escura demais. Além do ponto. Você não tem essa impressão? Gostaria de ver mais gente falando e postando sobre coisas bonitas, como a poesia que leu, o entardecer que apreciou, o gesto de gentileza de que foi alvo ou com que alvejou alguém. Está faltando beleza, sabe? Tenho tido dificuldade de encontrar prazer no telejornal, nas postagens da minha timeline, na fala de muitos amigos. Os assuntos parecem sujeitar-se a uma ditadura do ruim, do feio, do errado, da maldade, do ódio. O cheiro do rancor parece impregnar as roupas e os cabelos de muitos. A raiva está demais. Antipatias. A humanidade parece doente, com uma febre e uma tosse que não passam nunca. 

Não temos nos visto como complementares, mas como antagonistas. É claro para mim que a maioria das pessoas tem entrado nas redes sociais não com o desejo de amar o próximo, mas com a vontade de pôr o outro no seu devido lugar. Sabe… não estou com vontade de pôr ninguém no seu devido lugar. Prefiro me pôr em algum lugar ao lado das pessoas e trocar uma ideia, saber o que pensa o outro, achar graça dos pensamentos de que discordo e influenciar mais com um sorriso, um abraço e muita paciência e tolerância do que com intermináveis discursos cheios de pretensa superioridade. 

 Talvez seja uma fase meio esquisita, não sei. Mas estou um pouco cansado das frases de para-choque de caminhão que estão enchendo as redes sociais e dos muitos que se pensam mestres quando ainda têm tanto a aprender. Tanto. Assim como eu, que tenho tão pouco a ensinar, creia. Você não precisa entrar no facebook apenas para dar lições, acredite. Pode apenas sorrir. Elogiar. Fazer um afago no seu amigo. Dar uma palavra bonita para deixar o dia de alguém mais feliz. É só uma sugestão que dou, nada muito sério. Só uma sugestão. 

Não me acho capaz de lhe ensinar nada neste momento, meu irmão, minha irmã. Hoje, pelo menos, não sinto vontade de fazer discursos teológicos, exposições doutrinárias, dissertações sobre dogmas e escolas de pensamento. Hoje, pelo menos, quero apenas conviver, sorver da existência do próximo e me deixar deleitar pelas enormes contrariedades que compõem cada ser humano. Sem brigas. Sem fazer das minhas falas discursos de palanque. Hoje, pelo menos, quero me restringir a olhar as flores do campo e os passarinhos, como Jesus ensinou.

Estou um pouco cansado de tantos pretensos mestres, tantas lições de moral, tantos convencedores, tanta gente que acha que veio ao mundo com a missão de corrigir a humanidade ignorante. E não sei como as outras pessoas também não estão, pois os relacionamentos são muito, mas muito mais do que só ensinar, ensinar, ensinar e corrigir, corrigir, corrigir. Os outros não estão tão mais errados assim do que nós, acredite. 

Fica a sugestão, meu irmão, minha irmã: deixe um pouco de lado seu smartphone. Só por um tempo. Abstenha-se por alguns dias de querer ensinar e convencer os outros. Economize frases de efeito e amaine a alegria de receber curtidas. As nossas lições e os nossos ensinamentos não farão falta por um tempo, acredite. O mundo ficará bem sem nossas exortações. Sei disso porque ficou sem as minhas, eu, que fiquei duas semanas sem escrever neste blog e acredito piamente que isso fez pouca falta. Abracei pessoas esses dias, e foi bom demais. Conversei mais, e foi bom demais. Ouvi mais, e foi bom demais. Cuidei de gente que amo, e foi bom demais. Fechei mais os olhos, e foi bom demais. Aprendi mais do que ensinei, e foi bom demais. Precisamos disso. Eu preciso, você precisa.

Tenho gostado de me achegar ao Cordeiro. Tenho me deleitado no silêncio. Quando o coração dispara e uma incômoda eletricidade parece percorrer perenemente a pele, com o sistema nervoso em 440 volts, é nele que encontro abrigo. Que dádiva é a presença do manso amigo! Nele, toneladas saem de nós. Embora Cristo tenha tantas lições de moral a dar, tanto a ensinar, tantos a convencer, tantos a corrigir e exortar, ele apenas me convida a reclinar-me em seu peito: “Descansa, Mauricio”. E eu descanso.

Não há nada igual. É apenas estar. É dar e receber afeto. E, por fim, suspirar e respirar… em paz. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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