Arquivo de junho, 2017

Desde que escrevi o livro Perdão total, constantemente chegam a mim perguntas sobre o tema do perdão bíblico. Uma das mais frequentes é: como proceder se você perdoou uma pessoa que não enxerga os próprios erros e segue tratando você mal, com a firme convicção de que ela está certa? Nessas horas, devemos ter como referência Jesus no Calvário, sendo ofendido e escarnecido por aqueles que o levaram à cruz: os soldados romanos e os religiosos judeus. Sua postura? Ele os perdoou. Afinal, eles não tinham consciência real do que estavam fazendo. Criam piamente estar certos, mas não estavam. Sua postura era de empáfia, deboche, superioridade. Ofendiam Jesus e continuavam ofendendo. Alfinetavam. Machucavam. A postura de Cristo? Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem… Essa também deve ser a nossa postura.

Existe um paralelo interessante entre o perdão e a salvação. Explico: há diversos fenômenos envolvidos na salvação, entre eles a justificação e a santificação. A justificação ocorre no preciso momento em que recebemos Cristo em nosso coração e cremos nele como Senhor e Salvador. É um ato. Instantâneo. Imediato. Somos na mesma hora vistos como justos aos olhos do Pai. E, a partir do momento em que somos decretados justos, por mérito do sacrifício de Jesus, tem início outro fenômeno da salvação, a santificação. E, ao contrário da justificação, ela não é um ato, mas um processo. A santificação ocorre todos os dias, dia após dia, e consiste em buscar viver em obediência, com esforço e em renovação constante. A santificação só terminará quando chegarmos diante de Deus, após partirmos desta vida, e formos glorificados com ele.

Entender que a salvação inclui um ato e um processo nos ajuda a compreender o perdão, pois ele também funciona de modo semelhante. Quando perdoamos alguém que nos magoou, abandonou, feriu, agiu de modo hipócrita, fraudou ou o que for, o fazemos num ato instantâneo. É quando tomamos a decisão de perdoar e dizemos a Deus: “Senhor, eu o perdoo. Remove de tua memória tudo o que foi feito por ele e que transpassou meu coração. Que não haja nenhuma punição espiritual pelo que ele fez, mas que toda dívida moral e espiritual que ele tenha contraído comigo seja completamente apagada. Eu o perdoo hoje, agora, neste instante”. Pronto, o perdão foi estendido. Você liberta essa pessoa das dívidas espirituais que ela tinha por ter falhado com você.

Mas, aí, a vida segue.

Você continua convivendo com essa pessoa, ou a encontra esporadicamente. E ela segue agindo com você de forma nada cristã, tratando você mal ou nem mesmo lhe dirigindo a palavra. Pelas costas, fala mal de você. Dá alfinetadas. Demonstra com suas ações que nunca considerou erradas as próprias atitudes. Em outras palavras, não muda. Esse é o pior tipo de pecador: o que não enxerga o próprio pecado, o que considera que seu pecado é uma virtude, o que é cego para as próprias ações daninhas e que, por isso, não se arrepende e segue fazendo o que sempre fez, agindo como sempre agiu, machucando como sempre machucou. Diante disso tudo, vem a pergunta: e aí, o que você deve fazer?

Meu conselho bíblico é: continue perdoando. Renove aquele ato inicial de perdão a cada novo dia. Sempre que o seu coração se entristecer pelo que tal pessoa vier a fazer, perdoe novamente. Faça do seu perdão um processo contínuo. O que ajuda muito nessas horas é você se lembrar da explicação de Jesus, no Calvário, para o pecado daqueles que lhe fizeram mal: eles não sabem o que fazem. E essa, na verdade, é a grande explicação. Pois, muitas vezes, aqueles que nos fizeram mal realmente não percebem esse mal. Eles se veem como justos e corretos, quando, na verdade, persistem em suas ações daninhas.

“Como assim?”, você poderia se perguntar. “Como fulano não sabe o que fez?”. Entenda uma coisa: o pecado cega. O pecado faz com que sempre tenhamos boas desculpas para nossas ações erradas. A cegueira do pecado nos leva a achar que nossas atitudes malignas são, na verdade, justificáveis. É por isso que vemos ao nosso redor tantos cristãos hipócritas, agressivos, soberbos, briguentos, materialistas, egocêntricos, que amam mais o poder e o dinheiro do que pessoas, que articulam estratagemas em prol de suas agendas secretas, que se consideram o supra sumo da santidade quando, na verdade, são dignos de compaixão.

Você perdoou alguém mas ele continua agindo da mesmíssima maneira? Ele nem mesmo trata você bem? Não importa. Afinal, ele não sabe o que faz. É cego para o próprio mal. Tenha pena dele e não raiva. Que essa pena conduza você à compaixão. E, da compaixão, brote o perdão. É, quando, em silêncio, você ora ao Senhor: “Pai, eu renovo o perdão estendido. Fulano segue agindo da mesma maneira, me despreza, me ofende, me alfineta, o que for. De igual modo, eu quero seguir agindo da mesma maneira: perdoando. E perdoando. E perdoando”. Por quê? Porque, em Cristo, não há outra atitude possível.

Eu sei que é difícil, meu irmão, minha irmã, mas é o único caminho para quem de fato luta contra a própria pecaminosidade para viver piedosamente em Cristo, apesar de não ser perfeito. O sepulcro caiado coleciona inimigos e olha com superioridade para quem despreza, replicando dois mil anos depois o comportamento dos fariseus. O perdoador regenerado tem prazer em perdoar setenta vezes sete e estende a mão para os doentes de alma, replicando dois mil anos depois o comportamento de Jesus. É assim que devemos amar o próximo, sem devolver mal com mal, intercedendo pelo bem dele, perdoando.

Lembre-se de algo importantíssimo: você também já errou, e muito. Já magoou pessoas, ofendeu, traiu, mentiu, machucou, decepcionou. É quando temos a percepção de que nós não somos melhores do que ninguém que fica muito mais fácil perdoar. Todos já tivemos nossos momentos de cegueira provocada pelo pecado. Todos. E, para não falar de você, falo de mim: eu já fui hipócrita, agressivo, estúpido e imbecil. Já fiz coisas que me envergonharão até o dia de minha morte. Logo, que direito eu tenho de não perdoar quem hoje age como eu mesmo já agi? Quão petulante eu seria se o fizesse? Quão hipócrita? Quão fariseu? Se Deus me perdoou dos meus pecados mais vergonhosos, dos quais verdadeiramente me arrependi, que direito tenho eu de não perdoar os que me desprezam e machucam? Não posso, pois não sou melhor do que ninguém. Ter essa percepção nos ajuda enormemente a perdoar e continuar perdoando.

Quão mais próximo de Jesus você estiver, mais a natureza piedosa do manso Cordeiro inundará sua alma. Mais você será capaz de olhar nos olhos quem lhe fez mal e de sentir carinho e compaixão por ele e sua cegueira, enquanto ele lhe vira as costas e segue achando que não cometeu erro algum. Mas ele não sabe o que faz. Você, por outro lado, sabe. E, por isso, perdoa. E perdoa. E perdoa.

Continue perdoando. Dê a outra face. Ande a segunda milha. Ore em favor de quem lhe fez e faz mal. Abençoe a vida dele em secreto, quando somente você e o Senhor estão presentes. Ame quem odeia você. Pois o perdão verdadeiro só pode brotar em um coração regenerado e que busca amar não como nossa carne quer, mas como Jesus amou.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Um dos maiores equívocos que a cultura popular já inventou é que “religião não se discute”. Convenhamos: debater sobre religião é muito legal. É gostoso, enriquecedor, empolgante. Lógico que religião se discute! E, com o surgimento da Internet e, em especial, das redes sociais, essa atividade ganhou um forte impulso: agora você pode debater sobre questões teológicas deitado no seu sofá, sem ter de tomar banho ou pentear o cabelo, com muitas pessoas ao mesmo tempo, sobre os mais variados temas da teologia. Ficou fácil demais se engajar em discussões doutrinárias, participar de rodas de conversa teológicas, expôr seu ponto de vista religioso. Portanto, religião se discute, sim, e mais do que nunca. 

Diante dessa realidade, será que devemos ter critérios para selecionar de que debates devemos participar e como precisamos nos posicionar? Mais ainda: será que há ponderações bíblicas que nos ajudem a decidir o que debater e como debater?

Acredito que sim. Por isso, gostaria de compartilhar com você dez perguntas que levo em conta, com base na Bíblia, que me fazem, na maioria das vezes, conter meu ímpeto de ingressar em um debate teológico. Espero que lhe seja útil. Se você concordar ou discordar, seus comentários são muito bem-vindos. O que sugiro é que, ao ser tentado a entrar em alguma discussão acerca da fé, antes de entrar você sempre se faça estas dez perguntas (leia com extrema atenção as citações da Bíblia):

1. Quero participar desse debate para glorificar a Deus ou para a minha própria glória, mostrando como sou superior àquele com quem debato em aspectos como inteligência, conhecimentos e poder de argumentação?

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus, assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1Co 10.31-33). 

* * *

2. Quero participar desse debate com foco no reino de Deus ou para obter reconhecimento e receber elogios das pessoas, que ficarão encantadas ou impressionadas pelo meu desempenho?

“… buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). 

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

“Porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder” (1Co 4.20). 

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3. Quero participar desse debate por amor àquele com quem estou debatendo ou para derrotá-lo, num exercício de ego cuja função é mostrar que eu sei muito e sou capaz de vencer os argumentos do próximo? 

“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1Jo 4.20-21).

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos” (Gl 5.13-15. Leia, ainda: Mt 19.19; 22.39; Mc 12.28-31; Rm 13.9; Tg 2.8).

* * *

4. Se eu participar desse debate será com a intenção de prestar um serviço àqueles com quem debato, motivado por amor a eles? 

“Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 5.2). 

“Tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Ao terminar, retomou seu lugar e disse-lhes: ‘Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo'” (Jo 13).

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5. Participar desse debate me fará mais semelhante a Cristo? 

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). 

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18)

“Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo 2.6). 

* * *

6. Estou motivado a participar desse debate em postura de total humildade, a exemplo de Jesus, ou com arrogância, vaidade, orgulho e partidarismo (paixão pelo grupo humano, doutrinário, teológico ou denominacional ao qual pertenço)? 

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.3-8).

* * *

7. Eu entrarei nesse debate com mansidão ou serei arrogante nas discussões? Se houver essa possibilidade, ainda assim pretendo ir adiante em vez de abrir mão de participar?

“Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

“Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.5). 

“Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2Tm 2.24-26). 

* * *

8. Se eu participar desse debate, o farei manifestando virtudes espirituais ou as obras da carne?

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: […] inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções […] e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.19-26). 

* * *

9. Meu objetivo ao participar desse debate é promover a paz ou botar lenha na fogueira?

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

“Honroso é para o homem o desviar-se de contendas, mas todo insensato se mete em rixas” (Pv 20.3)

“Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas. […] O que ama a contenda ama o pecado; o que faz alta a sua porta facilita a própria queda. […] Os lábios do insensato entram na contenda, e por açoites brada a sua boca” (Pv 17.14,19; 18.6). 

“Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.14-15). 

“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1).

Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg 3.18).

* * *

10. Meu desejo de participar desse debate vem acompanhado de igual desejo de praticar as obras da piedade ou é apenas um fim em si mesmo? Em outras palavras, será que eu ponho em prática no dia a dia os atos de bondade pressupostos pelo evangelho de Cristo? Ou meu negócio é só falar, falar e falar, ficando satisfeito ao final do debate, mas sem pôr em prática a piedade que defendo na teoria?

“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.26-27).

“Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” (Tg 2.14-20).

* * *

Meu irmão, minha irmã, sigamos a orientação bíblica: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo…” (1Co 11.28). Seja honesto nesse exame. Analise quais são as verdadeiras motivações que levam você a participar de debates sobre a fé, seja com cristãos, seja com descrentes. Todos os dias vejo cristãos se engajarem em debates sobre aspectos da fé que levam do nada ao lugar nenhum; que só promovem rixas, bate-bocas e contendas entre irmãos; muitas vezes motivados por ego, vaidade e partidarismo; de forma totalmente dissociada da prática da piedade. Isso ocorre em programas de televisão, programas de rádio, postagens do facebook, podcasts, blogs, vlogs e outras ágoras virtuais ou presenciais.

Se a sua motivação para se engajar em um debate sobre a fé for a glória de Deus e o reino dos céus, e o amor pelas pessoas com quem você vai debater e o desejo de servi-las; se você perceber que entrar nesse debate o fará se assemelhar mais a Cristo; e se você estiver disposto a se posicionar no debate com real humildade e mansidão, manifestando as virtudes do fruto do Espírito Santo, a fim de promover a paz e em consonância com uma vida cotidiana marcada por obras de piedade, ótimo! Debata quanto quiser! Dou todo o meu apoio. É bom e é certo.

Porém, se a sua motivação para se engajar em um debate sobre a fé for a glória de si mesmo, com o recebimento de elogios, reconhecimento humano e a vontade egocêntrica de ser visto como alguém superior à pessoa com quem está debatendo; se você está mais motivado a derrotar aquele com quem está debatendo do que a amá-lo e servi-lo; se você percebe que sua postura ao debater é arrogante, orgulhosa e partidária, manifestando ao debater obras da carne como ira, dissensões e inimizades, sem se preocupar por estar pondo lenha na fogueira; e se notar que o prazer de debater é maior que o prazer em viver no dia a dia as obras da piedade, então a minha recomendação é que repense totalmente a sua participação nesses debates. Recomendo que se cale, busque cristãos mais experientes e piedosos com quem se aconselhar (fora do seu séquito de admiradores), repense suas práticas e busque na oração e na leitura das Escrituras a renovação da sua mente, pois você está muito distante do ideal bíblico. E, somente quando conseguir desenvolver um coração assemelhado ao de Jesus, volte a debater as coisas da fé. Até lá, é hora de aprender e não de ensinar.

Debater religião ou teologia não é o problema, nem de longe. Isso precisa ser feito. A questão é: o que te motiva? E como você faz isso? Lembre-se de que crer, até os demônios creem. Portanto, você pode usar excelentes argumentos, mas se for com as motivações erradas e de maneira que desagrada a Deus, melhor é se calar. Para o seu próprio bem. Pois Deus não precisa que ninguém o defenda. Mas ele precisa que seus filhos tenham o coração no lugar certo e ajam da maneira certa.

O resto? É vaidade. Vaidade e correr atrás do vento…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Ouvimos falar diariamente sobre diferentes “tipos” de igreja: igreja relevante, igreja reformada, igreja integral, igreja isso, igreja aquilo. Mas existe também outro “tipo” de igreja: a igreja ranheta. Quando eu era criança, ouvia minha avó falar muito essa palavra, “ranheta”: “Fulano é muito ranheta”, ela dizia. Se você não conhece o termo, preciso explicar que “ranheta” significa “rabugento”, “mal-humorado”. Sabe aquela pessoa que está sempre reclamando da vida, falando mal dos outros, criticando o tempo quando chove ou quando faz sol, constantemente com aquela nuvenzinha preta em cima da cabeça? Pois é, esse cidadão é o ranheta. Existe um tipo de cristão que é assim também. 

O cristão ranheta parece que não enxerga as coisas boas da Igreja. Ele só abre a boca para falar mal de algo. Fala mal dos pastores, fala mal do culto, fala mal das músicas, fala mal de livros, fala mal de pensamentos, fala mal de quem fala mal, fala mal de qualquer coisa que alimente sua sanha de ranhetice. Por sua natureza, o negócio dele é falar mal, só o que ele precisa é escolher a vítima do momento. Ele é um caçador de assuntos nos quais meter o malho. 

O cristão ranheta geralmente diz que é assim porque é profeta e está denunciando o pecado, porque é apologeta e está defendendo a sã doutrina, porque descobriu a verdade e precisa iluminar o entendimento dos ignorantes, algo assim. Na verdade, ele é assim porque é um ranheta incorrigível. Por natureza, é extremamente difícil para ele olhar a beleza da vida, as flores do campo, a poesia da Escritura, a riqueza da Igreja, o entardecer, o amor de Deus. Ele só enxerga as desgraças da vida, os espinhos do campo, o cajado das Escrituras, os erros da igreja, a ira de Deus. 

O cristão ranheta é um chato. Suas postagens na internet são sempre atacando alguém, se posicionando como o paladino da santidade, tecendo críticas mordazes a qualquer troço. Quando abre a boca para elogiar algo ou alguém geralmente é para valorizar algo que outro ranheta falou e que embasa o que ele ataca. O cristão ranheta em geral forma um séquito de seguidores, que enxergam nele um ícone a ser imitado e valorizado. Na verdade, ele é apenas um ranheta arrastando atras de si um bando de outros ranhetas que não agem em prol do reino, mas fazem o reino parecer o império da ranhetice.  

É importante frisar que existe uma diferença entre o ranheta e alguém que faz justas críticas, que tem dias maus ou posicionamentos pontuais sobre algo que está errado. Isso é natural, humano e todos fazemos isso. Mas o ranheta é um rabugento na essência. Não é alguém que está num dia ruim ou que se enfureceu com algo errado no momento. O ranheta é um irritadiço contumaz, que não conhece outro modo de ser. Por isso, quando se converteu, buscou no cristianismo alguma boa desculpa que lhe permitisse continuar sendo ranheta debaixo de alguma maquiagem “cristã”. 

Sim, o ranheta precisa urgentemente ser transformado por Cristo. Precisa ter seus olhos abertos para as coisas boas, para o que é belo e bom. Precisa passar pela renovação da mente. Ele ainda é um néscio quanto ao entendimento do amor, da gentileza, da compaixão, da tolerância, da beleza da diversidade, do trato manso com quem pensa diferente dele. E, quando se fala sobre essas coisas, ele vem logo falando de “cristianismo água com açúcar” ou algo assim. Para ele, falar de amor e seus desdobramentos é coisa de “mulherzinha” ou de “poetinha”, o negócio é baixar o cajado e denunciar os miseráveis pecadores! Muitos cristãos ranhetas são cristãos há décadas, mas ainda permanecem mundanos nesse aspecto de sua vida.  

Existem ranhetas em todos os ramos do cristianismo. Há o ranheta pentecostal e o cessacionista, o ranheta calvinista e o arminiano, o ranheta desigrejado e o igrejeiro, o ranheta intelectual e o ignorante, o ranheta teólogo e o que acha que teologia é “letra que mata”, o ranheta santarrão e o que usa a graça como desculpa para o pecado, o ranheta que batiza crianças e o credobatista, o ranheta emergente e o de toga, o ranheta pastor e o membro… o ranheta não se prende a rótulos. Onde ele estiver, vai achar “boas desculpas” para exercer sua ranhetice de pessoa não transformada para tornar o mundo um lugar mais feio e para dar a entender que o evangelho é o universo da ranhetice. Nada mais distante da verdade.

Meu irmão, minha irmã, paro por aqui, pois este meu texto já está começando a ficar ranheta demais para o meu gosto. Deixo apenas uma reflexão, para que você reflita no seu íntimo: será que você não tem sido um cristão ranheta? Será que você não precisa levar à cruz esse seu modo desagradável de ser e de falar, para que possa tornar-se, finalmente, um cristão mais conformado à natureza do Cristo que é alegria, amor, paciência, paz, bondade, amabilidade, mansidão, autocontrole? Será que não está na hora de ver o lado bom das coisas, só um pouquinho, para variar? De ver o mundo mais colorido e menos cinzento, por compreender que há muita desgraça, sim, mas também muitas coisas boas a celebrar? Porque, afinal, ser um cristão ranheta não faz de você alguém mais santo, crente, elevado, intelectual, sábio, justo, transformado, renovado, avivado ou o que for. Ser um cristão ranheta só faz de você uma pessoa bem pouco cristã e incomodamente ranheta. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo, amanhã, terça-feira, dia 6/6, ocorrerá no Rio de Janeiro o evento de lançamento do mais recente livro de minha autoria, Perdão total no casamento: Um livro para quem deseja uma união duradoura e feliz (editora Mundo Cristão). O livro apresenta princípios bíblicos essenciais para restaurar casamentos em crise e para quem ainda não se casou e deseja evitar cometer erros quando iniciar sua vida conjugal. A obra pode ser usada para leitura individual ou em grupos.

Se você é do Rio e redondezas, sinta-se convidado para estar na livraria Saraiva Megastore do shopping Rio Sul, em Botafogo, às 19h30, para um momento de dedicatórias e um papo informal (ah, sim: fui informado de que na ocasião o livro estará com 20% de desconto).

Será um prazer vê-lo lá e a todos a quem você quiser convidar!

Abraço fraterno,
Maurício Zágari