Arquivo de março, 2017

O Brasil tomou conhecimento há alguns dias de uma realidade assustadora: os principais frigoríficos do país vêm adulterando seus produtos, vendendo carne podre tratada com ácido cancerígeno para parecer fresca e misturando materiais bizarros ao alimento. Todos ficamos perplexos ao saber que o churrasco, o frango ou a linguiça que consumimos há sabe Deus quanto tempo eram como cavalos de Troia alimentícios: pagamos por algo saudável e recebemos produtos de terrível qualidade, cheios de péssimas surpresas dentro. Para além da natural indignação, esse episódio nos leva a algumas reflexões sobre a natureza humana.

Primeiro, cada vez mais fica patente que a ganância não encontra limites. Para não perder dinheiro, os empresários preferem vender seu produto putrefacto ou recheado de porcarias, o que eles têm plena consciência de que faz mal. A saúde de seus clientes? Só podemos concluir que para eles não importa. Lembro de que há cerca de oito anos fui internado no CTI com septicemia abdominal causada por um filé de frango estragado. Assim que dei entrada no hospital, minha esposa acionou a vigilância sanitária, que deu uma batida no restaurante onde ingeri o alimento podre. Não queira saber as condições que os fiscais encontraram. Posso dizer que, em resumo, a cozinha do restaurante parecia um chiqueiro onde porcos não gostariam de viver. Por isso, sei o que é passar mal por conta da ganância alheia.

Segundo, cada vez mais fica comprovado que a corrupção humana não encontra limites. Trinta e três profissionais do governo, responsáveis pela fiscalização das condições de funcionamento dos frigoríficos, foram afastados do cargo sob a acusação de receber propina para deixar essas empresas fazerem o que bem entendessem. A corrupção não é nova, mas é impressionante como, a despeito dos avanços da civilização, para muitos a vantagem financeira segue sendo mais importante que a verdade. Avançamos em tecnologia, mas como seres humanos somos os mesmos depravados de sempre.

Terceiro, o mandamento de amar o próximo como a si mesmo não parece fazer parte do dia a dia de grande parte da humanidade. Desde que pingue um dinheirinho, seres humanos são capazes de fechar os olhos a toda e qualquer barbaridade feita com a vida alheia. O bem-estar do próximo é posto abaixo da possibilidade de lucro pessoal. O que isso denuncia? Um gigantesco egoísmo. Desde que eu tenha uma boa propina no banco, não me importa que meu vizinho, meu tio, meu professor ou o jornaleiro da esquina ingiram carne podre, produtos cancerígenos, papelão ou cabeça de porco. O que importa é o meu interesse. Os outros? Hm…

Ganância, corrupção, egoísmo. Tudo isso junto mostra como a humanidade é idólatra de si mesma. Jesus disse: “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12). Quem ignora esse mandamento se põe acima de Deus e, com isso, peca por autoidolatria, o pecado maior de Satanás. É triste ver como este mundo caído se assemelha ao pai da mentira, à antiga serpente. Em contrapartida, cada vez mais fica patente como necessitamos de Cristo! Como precisamos da graça salvadora! Pois só ela nos liberta de nossa autoidolatria, nos faz amar o próximo de fato como a nós mesmos, nos faz não amar o dinheiro, nos conforma à natureza de Cristo.

Que Deus converta os corações. Pois, longe do Senhor, tudo o que nos resta é carne podre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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pecados-1Se um pastor comete adultério, todos concordamos que ele deve ser afastado do ministério para ser tratado e restaurado e, só então, reconduzido ao púlpito. Porém, nunca vi um líder eclesiástico sequer ser afastado do cargo por desonrar pai e mãe. Na verdade, nunca conheci nenhum cristão que tenha sido posto em disciplina por desonrar seus pais. Você conhece um único caso assim? Tenho certeza de que não. Interessante, não é? Estamos falando de dois pecados que ferem igualmente um dos Dez Mandamentos, adultério e desonra aos pais (Êx 20.12,14), sendo que honrar pai e mãe é o único mandamento com promessa. No entanto, só damos a devida atenção a um deles. Já parou para pensar por quê? Por que consideramos que certos pecados são mais pecados que outros pecados?

O grande mal que esse tipo de hierarquização de pecados provoca é que acabamos cometendo muitos deles sem nos darmos conta de que estamos pecando ou fingido que não estamos pecando. E isso é terrível, pois os tipos de pecados mais perigosos são aqueles que ou não percebemos que são pecados ou para os quais achamos boas justificativas a fim de cometê-los. Todo mundo sabe que lascívia é pecado, por exemplo, mas nem todo mundo se dá conta de que inveja é um pecado tão grave quanto (Gl 5.21). Todos entendem que assassinato é uma transgressão séria, mas nem todos consideram a cobiça algo tão relevante assim (Êx 20.17). E aí começa o problema. 

pecados-2Todo pecado é grave. Não existe pecado absolutamente nenhum que não entristeça o Senhor. Deus não varre pecados para baixo do tapete. Nenhuma transgressão da vontade divina passa despercebida aos olhos do Deus santíssimo e deixa de entristecer seu coração. Se você ler a lista das obras da carne que Paulo lista em Gálatas 5, verá que inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices e glutonarias estão no mesmíssimo pacote que prostituição, impureza, lascívia, idolatria e feitiçarias. E sobre todo eles (todos!), a Palavra diz: “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). 

Essa é a razão de haver tantos e tantos cristãos que são arrogantes, soberbos, materialistas, invejosos, agressivos, maledicentes, fúteis, debochados, cínicos e agressivos: eles simplesmente não se dão conta de quão abomináveis são tais procedimentos, porque lhes ensinaram equivocadamente que esse modo de ser não é tão problemático assim. Ou arranjam boas desculpas para cometer tais pecados, a fim de se convencer ou de convencer outros de que está tudo bem em ser hostil, raivoso ou invejoso, por exemplo. Mas não está. Por essa razão, multidões de cristãos ou igrejas inteiras estão espiritualmente doentes. 

Sem reconhecer o próprio pecado, nós não nos arrependemos. Sem nos arrependermos, não somos perdoados. Sem sermos perdoados… que Deus tenha misericórdia de nós! Quais são meus pecados de estimação? Que práticas antibíblicas são parte da minha rotina sem que eu faça nada a respeito? Quais são minhas falhas de caráter? Quais são minhas falhas de temperamento? O que faz de mim um pecador habitual? O que precisa mudar? Temos de nos fazer essas perguntas diariamente, se desejamos de fato expressar em nossas obras a fé que nossos lábios professam. 

Felizmente, estamos debaixo da graça de Deus. O sangue de Cristo nos purifica de todo pecado. O Espírito Santo nos chama ao arrependimento e ao perdão. Para isso, precisamos parar de fingir que nosso pecado não é pecado e temos de acabar com a mania de inventar boas desculpas para nossos hábitos pecaminosos. Deus está de braços abertos para nos restaurar, limpar e purificar, mas, para isso, precisamos ser sinceros. Nossas justificativas não fazem nosso pecado ser menos pecado aos olhos de Deus. 

pecados-3A hora é esta. Convido você a fazer um exame de consciência e admitir seus hábitos pecaminosos. Temos de parar com essa ideia cultural e maligna de achar que só desagrada a Deus sexo ilícito, embriaguez, idolatria e fofoca. Comece a analisar se você não comete aqueles pecados a que quase ninguém dá atenção, como arrogância, ódio, hostilidade, discórdias, ciúmes, acessos de raiva, ambições egoístas, dissensões, divisões e inveja. Ao se conscientizar de que os pecados a que você não dá muita atenção são tão malcheirosos às narinas divinas quanto aqueles que você mais condena, estará muito mais próximo de fazer uma faxina em sua alma, ao abandonar transgressões que poluem profundamente sua vida sem que você dê muita atenção a elas.

Quais são os pecados que Deus varre para baixo do tapete? Nenhum. Absolutamente nenhum. A boa notícia? “Quem oculta seus pecados não prospera; quem os confessa e os abandona recebe misericórdia” (Pv 28.13). A misericórdia está ao nosso alcance, basta tomarmos as atitudes certas. Não amanhã, não daqui a pouco. Já. O que estamos esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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oscar-1Foi vergonhoso. Na cerimônia deste ano de entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema americano, a maior gafe possível aconteceu: na hora de anunciar o vencedor na categoria “Melhor filme”, a organização trocou os envelopes. Resultado: foi anunciado como vencedor o longa-metragem La la land. Equipe e elenco subiram ao palco. Beijos e abraços. Comemorações. Os produtores seguraram a estatueta e fizeram discursos de agradecimento. Foi quando, para surpresa geral, entraram algumas pessoas da organização no palco para corrigir o anúncio: o vencedor na realidade era outro filme, Moonlight. O envelope errado havia sido entregue ao ator que apresentava o prêmio. Que vergonha. Surge a pergunta: como pode os organizadores de um evento tão bem ensaiado e preparado como a cerimônia de entrega do Oscar cometerem um erro tão elementar como esse? A Bíblia responde. 

A resposta do evangelho é: o ser humano falha. Erra. A perfeição não existe entre nós, por mais que nos esforcemos. Esforço humano nenhum nos livra de nossa natureza falível. Ninguém é digno de abrir os selos. Todos pecamos e destituídos fomos da glória de Deus. Todos nascemos miseravelmente pecadores, inclinados ao erro, desejosos de transgredir a vontade divina. Precisamos desesperadamente da graça do Criador, que nos justifica aos olhos do Todo-poderoso. Não fosse ela, carregaríamos um peso tão grande de culpa nas costas, por conta de nossos muitos e frequentes erros, que jamais poderíamos herdar a vida eterna. 

Eu entrego envelopes errados todos os dias, muitas vezes por dia. Por mais que me organize e me esforce para entregar os envelopes certos, no frigir dos ovos entrego os errados. Por minha causa, muita gente tem de devolver as estatuetas e abafar os discursos de agradecimento. Sou culpado disso, pois sou tão falível quanto os organizadores do Oscar. E você também é. 

O pecado é essa força, ao mesmo tempo humana e desumana, que me distancia da capacidade de acertar sempre. Felizes são aqueles que percebem tão terrível realidade e, por essa razão, correm aos pés do único que nunca errou, sedentos por sua graça. Precisamos da misericórdia daquele que é capaz de nos perdoar quando erramos. É possível que o funcionário responsável por entregar o envelope certo ao apresentador do Oscar tenha sido demitido depois de cometer tão grande gafe, não sei. Mas sei com certeza que Deus nunca demite os que erram, desde que se arrependam, reconheçam sua natureza destituída de méritos e recorram ao perdoador, abraçando-o como Salvador e aquele que “perdoa todas as tuas iniquidades” (Sl 103.3). 

Many identical businessmen clones. Businessman production conceptMeu irmão, minha irmã, essa é a razão pela qual devemos corrigir com mansidão e misericórdia os que erram, no intuito de restaurá-los. Não devemos ser tão furiosos e arrogantes em nosso trato com os que transgressores, pois  transgredimos tanto quanto eles; a diferença é só o tipo de transgressão. Devemos estender aos que erram a mesma graça que Deus nos estende quando erramos, pois nosso objetivo não é detoná-los, mas restaurá-los, mediante o arrependimento e o perdão. Seja menos implacável. Seja menos condenador. Seja mais compassivo. Seja mais restaurador. Até porque o único em condições de condenar quem erra não somos eu ou você, é aquele que foi condenado, injustamente, pelos nossos erros. Felizmente, ele subiu à cruz em nosso lugar e pagou o preço que competia a mim e a você pagar, nos permitindo, apesar de nós, ter acesso à glória eterna do Deus que está acima de todo e qualquer erro. 

O erro do Oscar me faz ver a necessidade de priorizarmos o que de fato é prioritário. Menos condenação, mais restauração. Menos agressividade, mais paz. Menos farisaísmo, mais mea culpa. Menos palavras duras, mais palavras mansas e temperadas. Menos carne, mais espírito. Menos ego, mais Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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