novo-1É interessante como somos fascinados pelas novidades no que se refere à fé. A pregação que nos prende e assombra é aquela que nos leva a comentar “Uau, nunca tinha pensado desse modo!” ou “É a primeira vez que enxergo por esse ângulo!”. O livro cristão que nos impressiona é o que nos faz exclamar “Que sacada genial!”. Gostamos do que parece inovador, inédito. O teólogo que estimamos é o que nos mostra como aquela passagem bíblica não era nada do que acreditávamos até então. A teologia que nos seduz é a que está “à frente do nosso tempo”. Sejamos sinceros: fé boa para muitos de nós é a que tem cheiro de novo, cujo verniz é brilhante, recém-saída da fábrica, que vem para derrubar as antigas ideias. Mas existe um grande problema nesse apreço pela redescoberta do cristianismo, como veremos a seguir.

Semana passada, eu estava triste, por uma série de razões. Meu coração estava pesado, com os pensamentos indo e vindo, um desassossego que não passava. Eu orava a Deus, pedindo paz. Foi quando minha filha chegou da escola, eu a abracei e deitamos em minha cama. Estava um dia fresco, com uma brisa gostosa, e ficamos ali, deitados, em silêncio. Olhei pela janela para o bosque que há nos fundos de meu prédio, uma paisagem que vejo o dia inteiro, pois trabalho de frente para ela. Mas, naquele momento, o flamboyant que fica pelo menos oito horas por dia diante de meus olhos chamou minha atenção. Suas flores vermelho-alaranjadas faziam um belo contraste com o verde das folhas e uma enorme quantidade de pássaros revoava ao redor da árvore. Flores. Pássaros. Essa imagem levou meus pensamentos a um trecho da Bíblia que conheço de cor, de tanto que já li e cuja verdade é tão óbvia em meu coração:

img_7694“Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros? Qual de vocês, por mais preocupado que esteja, pode acrescentar ao menos uma hora à sua vida? E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?’. Essas coisas ocupam o pensamento dos pagãos, mas seu Pai celestial já sabe do que vocês precisam. Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias inquietações. Bastam para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.25-34, NVT).

Aquela imagem tão simples, antiga e conhecida, de pássaros e flores, me remeteu a uma verdade que foi pregada dois mil anos atrás e que continua tão atual como no dia em que Jesus a ministrou em um monte de Israel. O refrigério veio com cheiro de madeira antiga, com cor de página amarelada. Do canto de meu olho escorreu uma pequenina lágrima de gratidão a Deus, por me mostrar naquele momento que a resposta divina para a maioria de nossas questões não se encontra naquilo que revoluciona e impressiona pela inovação, mas em antigas e empoeiradas verdades. Sim, ali percebi que Deus espera de nós menos “uau!” e mais “como pude esquecer disso?”.

A mensagem do evangelho de Cristo não muda. É um tesouro que passa de geração a geração de forma irretocável. O que muda é o baú em que o tesouro é apresentado. É como uma tradução nova da Bíblia: o conteúdo é o mesmo de sempre, a escolha das palavras é diferente. O Deus é o mesmo, a capa segue estilo atual. A mensagem salva, liberta, cura e transforma há dois mil anos e continuará a fazê-lo da exata mesma maneira. O Espírito é o mesmo velho Espírito. O pecado é o mesmo velho pecado. O arrependimento é o mesmo velho arrependimento. A salvação é a mesma velha salvação. A glória eterna… bem, ela é eterna.

novo-2Meu irmão, minha irmã, no que se refere ao evangelho, devemos procurar menos novidades, menos maquiagem, menos pregações inovadoras. Procure contextualizar a mensagem, sempre, mas lembre-se de que o tutano das boas-novas de Cristo não tem em si nenhuma novidade, e por uma única razão: a verdade divina é imutável. Não valorize pregadores, pregações, teólogos, livros, canções, igrejas, modelos de evangelismo ou o que for pelo fato de ser inovador. Porque, muitas vezes, tentar inovar o que é antigo e belo é como vestir roupas de bebê em um velho senhor: não faz sentido algum e chega a beirar o ridículo. Melhor é vesti-lo com uma roupa bela, sóbria e conservadora, que preservará sua elegância e não desviará a atenção do que realmente importa.

Flores. Pássaros. O que há de novo nisso? Nada. Mas a mensagem que eu precisava ouvir naquele momento não tinha de ser inovadora: tinha de ser verdadeira. E foi: Seu Pai celestial já sabe do que você precisa; portanto, não se preocupe. Palavras pronunciadas ao vento dois mil anos atrás, que pousaram em meu coração na hora certa.

Onde dói a sua dor, meu irmão, minha irmã? Onde você tem procurado respostas? Em maquiagens com cheiro de novo ou em verdades imutáveis, eternas e com cheiro de guardado? Talvez, no mundo das inovações não caibam realidades cristãs, portanto, cuidado com buscas infrutíferas. Lembre-se de que “a palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.25). Atenção a este verbo: permanece. Permanecer significa “continuar sendo; prosseguir existindo; conservar-se, ficar”. Portanto, a Palavra de Deus é sólida, rochosa, inabalável, que tem continuidade, que continua como antes. Não há novidades nas boas-novas de Cristo, não há inovações: ela é o que é. Muitas vezes, é justamente o ímpeto por inovar que acaba gerando heresias, desvios, tristeza, superficialidade, orgulho, arrogância, vaidade, distanciamento do evangelho.

novo-3Fica a recomendação de alguém que foi impactado por algo tão simples como flores e pássaros: cuidado com a tinta nova, pois ela pode desviar sua atenção do antigo que realmente importa. Se o ser humano gosta de inovações e surpresas, Deus gosta das boas e velhas verdades. Arrependimento. Perdão. Graça. Fé. Amor. Paz. Cruz. O que há de novo nisso?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Não mais disse:

    Glória a Deus por sua vida, Maurício! Ler essas coisas alegra nossa alma! Sempre lúcido e fiel às Escrituras! Obrigada por seu serviço! Vou compartilhar com meus irmãos!

  2. qualidadealimentos disse:

    Alentador. Profundo. Grata.

  3. Aline disse:

    Edificante…Simples, mas profundo!

  4. pastor ELI disse:

    muito bom meu irmão Mauricio.

  5. Noeme de Jesus Almeida Santana disse:

    Toda vez q vejo um passarinho aqui em minha cozinha (hoje mesmo) atrás de alimento (e achando) lembro dessa passagem bíblica de Mateus 06 .
    Obrigada Maurício por mais uma vez me lembrar disso.
    Paz

  6. Emanuela disse:

    Edificante! Evangelho puro e simples ♥ Gosto muito de ler suas publicações aqui no blog, gloria a Deus pela sua vida!

  7. Madu Fernandes disse:

    Oi Maurício.Li o seu texto e foi como uma singela resposta de Deus pra mim.Eu não quero me identificar,por isso já peço perdão,mas espero que o irmão possa me responder.Eu não tenho pastor e tbm sei que vc sempre ressalta a importância de procurar o aconselhamento pastoral e não pela internet.

    É que estou perdida.

    Já faz algum tempo que estou tendo uma crise de identidade e propósito.Eu me converti aos 12 anos.E foi maravilhoso!Deus me converteu em uma Kombi enquanto eu fazia uma série de perguntas a respeito da Bíblia para o motorista que é pastor.Eu sempre fui bastante curiosa,sabe?E durante duas semanas ouvindo as histórias da Bíblia eu disse : ” Quero ser evangélica”.E foi um encontro real com Deus.

    Eu sei que nem todo mundo tem esse encontro mas comigo foi algo íntimo e especial de uma forma tão….sem palavras.(Eu to chorando aqui).

    Agora tenho 17 anos.E não sinto mais as mesmas coisas.Não sei mais quem eu sou em Cristo e nem meu propósito.Tbm vivo em um certo conflito por apresentar tendências bissexuais apesar de não ter me envolvido com ninguém nem nada.Nunca namorei e sempre tive o sonho de casar,mas me sinto descrente em relação a isso agora.

    Tbm nem me identifico com isso(bissexualidade) e sou mais do que esse rótulo.Mas eu vivo desolada por me sentir hipócrita e suja.Tenho sonho de escrever,e usar os dons que o Senhor me deu.Mais eu não me sinto digna,sabe?A sensação de ser mais pecadora que os outros me persegue.Não estou sentindo Jesus,mas quero fazer a vontade DEle.Desejo que ele faça algo diferente em minha vida,diferente dos rótulos e das bagagens de traumas que carrego.Não pq mereço,mas por quê ele…ele é Deus.

    Querido irmão,não se sinta obrigado a responder esse comentário.É um tipo de responsabilidade que não desejo que pese sobre suas costas.Só queria exprimir essa angústia contigo.Me perdoe mais uma vez pelo comentário que é mais um pedido de ajuda ( além de ter ficado enorme).

    Fique com Deus,irmão.O Senhor é Bom,e por vezes sua verdade acaba doendo.

    Abraços.

    • Oi, K.,
      .
      desculpe a demora em responder, mas recebo mais comentários no blog do que consigo responder em tempo, por isso o atraso. Peço desculpas. Li com carinho o que você me escreveu e gostaria de comentar alguns pontos.
      .
      A primeira coisa que eu comentaria é que a vida cristã não deve ser pautada pelo que sentimos. Isso é um engano que muitos propagam. Nossa vida com Deus deve ser pautada pelo que sabemos. É uma questão racional e não emocional. Nós lemos a Palavra, compreendemos sob a ação do Espírito Santo que o que ela nos diz é verdade e por isso iniciamos a jornada com Cristo. Ao longo da vida, teremos inúmeros momentos de não sentir nada em nossos momentos com o Senhor, e o que pautará nossa fé nessas horas será nossa racionalidade. Nossa oração deve ser: “Senhor, eu não estou sentindo nada, mas sei que o Senhor é comigo, porque disse que estaria”. Leia Mt 28.20.
      .
      Segunda coisa: você diz que não sabe quem é em Cristo nem seu propósito. Seu questionamento é natural, principalmente na sua idade. Talvez este texto, que escrevi há algum tempo, a ajude: https://apenas1.wordpress.com/2012/04/22/como-eu-sei-os-planos-de-deus-para-minha-vida/
      .
      Sobre a sua sexualidade, é algo a que você precisa dar atenção. Eu recomendaria com ênfase que você procurasse um pastor para conversar sobre isso. Há um livro muito bom sobre essa questão, que eu editei e acabou de ser lançado pela editora Mundo Cristão, que trata exatamente dessa questão e eu recomendaria MUITO que você o lesse: “Cristão homoafetivo?”, do pastor Lisânias Moura. É um livro fenomenal e penso que pode te ajudar muito: https://www.saraiva.com.br/cristao-homoafetivo-um-olhar-amoroso-a-luz-da-biblia-9721543.html
      O que é importante sobre essa questão é que você saiba que a sua identidade não é definida pelas suas tentações ou inclinações. Sua identidade, isto é, quem você é, é definida pela imagem de Deus em você. Você é uma filha de Deus que sofre tentações em determinada área, como qualquer pessoa, eu ou qualquer outra. É nisso que você deve focar. Por favor, leia esse livro, vai te ajudar demais quanto a isso.
      .
      Você diz que se sente indigna, mais pecadora que os outros, suja. Sabe de quem me lembro ao ler disso? Do apóstolo Paulo, que escreveu:
      “Esta é uma afirmação digna de confiança, e todos devem aceitá-la: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”, e eu sou o pior de todos. Mas foi por isso que eu, o pior dos pecadores, recebi misericórdia, para que assim Cristo Jesus mostrasse quanto é paciente. Desse modo, sirvo de exemplo a todos que vierem a crer nele para a vida eterna” (1Tm 1.15-16).

      “O problema não está na lei, pois ela é espiritual e boa. O problema está em mim, pois sou humano, escravo do pecado. Não entendo a mim mesmo, pois quero fazer o que é certo, mas não o faço. Em vez disso, faço aquilo que odeio. Mas, se eu sei que o que faço é errado, isso mostra que concordo que a lei é boa. Portanto, não sou eu quem faz o que é errado, mas o pecado que habita em mim. E eu sei que em mim, isto é, em minha natureza humana, não há nada de bom, pois quero fazer o que é certo, mas não consigo. Quero fazer o bem, mas não o faço. Não quero fazer o que é errado, mas, ainda assim, o faço. Então, se faço o que não quero, na verdade não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, descobri esta lei em minha vida: quando quero fazer o que é certo, percebo que o mal está presente em mim. Amo a lei de Deus de todo o coração. Contudo, há outra lei dentro de mim que está em guerra com minha mente e me torna escravo do pecado que permanece dentro de mim. Como sou miserável! Quem me libertará deste corpo mortal dominado pelo pecado? Graças a Deus, a resposta está em Jesus Cristo, nosso Senhor. Na mente, quero, de fato, obedecer à lei de Deus, mas, por causa de minha natureza humana, sou escravo do pecado. Agora, portanto, já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 7.14-8.1).

      Entenda algo, querida: somente a pessoa que tem o Espírito Santo em seu coração sente-se pecadora e é achatada pelo peso do próprio pecado. Quem não foi alcançado pela graça não dá a mínima para o pecado que comete. Então, o fato de você se ver como “suja”, “indigna” e “mais pecadora” apenas põe você no mesmo patamar de espiritualidade de Paulo: alguém que ama Jesus, foi salva por ele, é habitação do Espírito e por isso é chamada diariamente ao arrependimento dos pecados. Sua percepção dos próprios pecados não faz de você uma perdida, pelo contrário, revela que o Espírito faz morada no seu coração, ama você e, por amar, a chama ao arrependimento. O que você precisa fazer? Arrepender-se, confessar seus pecados a Deus e empenhar suas forças em não mais cometê-los. Recomendo que você leia o livro “Perdão total: Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar” (Mundo Cristão), que escrevi e pode ajudá-la enormemente a compreender melhor a dinâmica que nos leva do pecado ao perdão e do perdão à restauração: https://www.saraiva.com.br/perdo-total-8187731.html
      .
      De forma alguma me sinto obrigado a te responder, querida, respondo com alegria no coração. Não quero que viva essa angústia sozinha. Porém, preciso dizer: muito do seu peso vem do fato de você estar caminhando na fé sozinha. Se você estivesse sendo discipulada por um bom pastor, tudo o que estou te falando já estaria sendo esclarecido há tempos. Você precisa de uma família de fé, de irmãos que te abracem e aconselhem, de um pastor que a aconselhe e ensine. Por ignorar muito da dinâmica da vida espiritual é que você está nessa situação – desnecessariamente. Se me disser em que cidade você mora, posso tentar ver se descubro uma igreja séria e bíblica onde você possa congregar.
      .
      Sim, é fato, por vezes a verdade de Deus dói. Mas lembre-se que seu jugo é suave e seu fardo é leve. Confie nisso.
      .
      Oro por sua vida e peço a Deus que meus conselhos a ajudem de algum modo.
      .
      Abraço fraterno,
      mz
      facebook.com/facebook.com.br

  8. talitalita disse:

    Apenas obrigada 🙂

    Fique com Deus

  9. Daniel disse:

    Esse texto me lembrou muito a música Verdades Eternas de Eduardo Mano .
    Se não ouviu sugiro que ouça Maurício.

  10. Ilcione disse:

    O que precisamos aprender, é a pura, simples e verdadeira palavra do Senhor. Que Ele continue lhe usando grandemente.
    Obrigada!

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