Arquivo de março, 2016

ansiedadeAnsiedade é, por definição, um “estado emocional penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso”. Pois bem, eu trabalho em casa, na maioria das vezes dentro do meu quarto, sentado em uma escrivaninha que fica encostada na janela. Nos fundos do meu prédio há um condomínio bastante arborizado, o que é muito bom: eu consigo trabalhar o dia inteiro tendo diante dos olhos o verde das árvores e das plantas (foto), ouvindo os passarinhos e o guincho dos micos. Por isso, fiquei bastante incomodado quando percebi que estavam fazendo uma obra bem em frente à minha janela. Construíram um patamar de cimento, onde jovens começaram a se reunir  todos os dias para conversar, tocar violão, fumar maconha, namorar. Com isso, a paisagem bucólica diante de meus olhos se tornou um ponto de encontro de gente barulhenta.

Confesso que fiquei chateado, porque a tranquilidade a que eu estava habituado de repente desapareceu. Comecei a resmungar, porque, afinal, de agora em diante aqueles jovens passariam a “poluir” o lugar onde antes havia placidez. Reclamei muito da vida por causa disso. Fiquei extremamente ansioso, confesso, pela expectativa do “perigo” de que aquele incômodo estaria ali para sempre – e eu não podia fazer nada para acabar com aquilo.

O que eu não sabia é que, na verdade, o condomínio estava construindo ali um bicicletário e aquele patamar de cimento era apenas a base da instalação, algo provisório. Alguns dias depois, os funcionários puseram uma cerca em volta, que passou a impedir a reunião dos jovens. Tudo resolvido, com isso eles pararam de se reunir ali e o sossego voltou. Refletindo sobre essa situação, me dei conta de que sofri e fiquei ansioso por esperar algo que no final… não aconteceu. Ansiedade clássica: sofri por antecipação sem nenhuma necessidade, o que é algo que acontece muito conosco. Você é uma pessoa ansiosa? Então vamos conversar sobre isso. 

ansi 1Jesus nos alertou: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Simples, claro e objetivo. O problema é que parece que essa recomendação do Senhor entra por um ouvido e sai por outro, sem de fato fazer morada em nosso coração. Vivemos ansiosos. Antecipamos dores que não chegaremos a sentir. Sofremos o sofrimento que não nos alcançará. Vemos a tempestade no horizonte, entramos em pânico, mas, antes que ela se aproxime, acaba se dissipando. Assim vivemos, com medo e ansiedade. 

A ansiedade é uma dor antecipada, que dói antes de doer. O problema é quando deixamos que essa dor nos domine, controle nossas ações e decisões, guie nossos passos, estabeleça nossos rumos e defina nosso destino. Por que isso é um problema? Porque quem deveria estar fazendo tudo isso é o nosso Pai celestial. Portanto, a ansiedade esvazia Deus aos nossos olhos. Abala nossa fé. Mina nossa confiança. E isso é uma tragédia. 

Lembro da época em que eu trabalhava em televisão. Durante nove anos eu me desloquei para trabalhar de casa até a sede da Globosat, localizada a apenas 15 minutos de ônibus do meu apartamento. Até que, certo dia, a diretoria da emissora anunciou que dali a dois anos a sede da mudaria para a Barra da Tijuca, a cerca de 1h30 de distância! Lembro que praticamente entrei em agonia, sofrendo antecipadamente pelas longas horas que passaria a enfrentar para chegar ao trabalho, dali a… dois anos. Eu sofri muito, em ansiedade pela situação que viria. Mas sabe o que aconteceu? Muito antes da mudança, o departamento de que eu fazia parte foi extinto e eu e mais quinze colegas fomos demitidos. Hoje, olhando para trás, vejo que toda aquela ansiedade e chateação antecipada não serviram para absolutamente nada. Eu simplesmente sofri sem precisar. E percebi quão inútil foi toda agitação que minha alma enfrentou. 

Você costuma deixar a ansiedade dominar sua vida? Sofre, perde o sono, se angustia, sente medo, entra em agonia? Então ouça a suave voz do Mestre: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras? Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé!” (Lc 12.25-28).

a-cruz-de-cristoEstá ansioso? Está com medo? Confie no Senhor. E lembre-se da pergunta de Jesus: “por que andais ansiosos?”. É o que chamamos de “pergunta retórica”, isto é, uma pergunta elaborada para, na verdade, fazer uma afirmação. E o que Jesus está afirmando com essa pergunta é: não há nenhuma razão para vocês ficarem ansiosos, pois Deus cuida de vocês.  

Fique calmo, meu irmão, minha irmã. Tenha paz. E não deixe a ansiedade ser maior do que a confiança inabalável naquele que tem o controle de todas as coisas. Se a ansiedade é a doença, a confiança inabalável em Deus é a cura: “Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1Pe 5.6-7).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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beleza 1Escrevo este texto sentado em um banco do lado de fora da sala em que minha filha tem sua aulinha de balé. Meus olhos se alternam entre os gestos bonitos de pequena e a tela do celular, por onde acompanho o noticiário do dia. Quando ergo os olhos, vejo a pequenina dar saltos elegantes e fazer passos encantadores. Quando baixo os olhos, leio sobre a lama que toma conta da presidência da República, do Congresso, do país. Ao erguer os olhos, consigo sorrir. Ao baixar os olhos, sinto vontade de chorar. Olhos para cima; vejo beleza, graciosidade, esperança. Olhos para baixo; vejo o horror, a imundície, a corrupção humana. Percebo que, dependendo de para onde olho, vejo a graça, o amor e a ação de Deus nesta terra ou vejo a mentira, o cinismo e a ação do pecado neste mundo. Felizmente, posso alternar a direção e o foco de meus olhos. E você também pode. 

Não é segredo para ninguém que o Brasil vive dias calamitosos. Nunca, em meus 44 anos de vida, vi tanta imundice nas estâncias do poder. Jamais testemunhei tanta desfaçatez, mentira e manipulação. Enoja qualquer cidadão de bem ver o que o Brasil tem vivido, com governantes sórdidos, com um vocabulário desbocado que revela do que está cheio seu coração, sem caráter nem preocupação com o próximo. É inédito o que vejo no noticiário: um punhado de criminosos que ocupam cargos de liderança em nosso país, graças a promessas mentirosas feitas em época eleitoral e a políticas populistas e assistencialistas, destruírem a ética, ignorar o que é bom, praticar o mal tão descaradamente. Ao olhar para as notícias na tela do meu celular, sinto vontade de me ajoelhar e chorar, clamando a Deus por misericórdia sobre a nossa nação. 

beleza 3Mas, então… meus olhos se voltam para cima e o que vejo me enche de esperança. Sim, ainda há beleza no mundo. Ainda há poesia, graça, luz, futuro. Olho para minha herdeira e sei que nela há potencial para uma geração ética, amorosa, correta, que não venderá tudo o que se liga à boa moral pela ganância e a ânsia por poder e dinheiro. É ao olhar para cima que enxugo as lágrimas e sorrio, lembrando que o Senhor ainda está no controle. E sempre estará. Vivemos dias horríveis no Brasil. Mas temos uma opção: afundar nossas esperanças com base nas péssimas notícias do dia ou avivar nossas energias e nosso potencial ao erguer os olhos e apreciar o que há à frente. Fiz minha opção. Dou uma espiada no noticiário do dia, para manter-me a par das coisas. Mas, em pouco tempo, desligo o celular e elevo meus olhos para o alto, de onde sempre vem o socorro. 

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12.1).

beleza 2Concluo que é ao erguer os olhos e os depositar na beleza, no amor e na graça que serei fortalecido para viver mais um dia com esperança e paz. Não, me recuso a ser vencido pela miséria humana, pelo pecado, pelo horror. Jesus já venceu tudo isso na cruz. Por isso, tenho certeza de que, se mantiver meus olhos direcionados para o alto, sem me esquecer de quem é o Senhor do universo, o Autor da vida, o Controlador de tudo, viverei em paz, por saber que o Deus que pisa no mal e promete um futuro sem lágrimas, nem dor, nem sofrimento… segue sendo Deus. 

Meu irmão, minha irmã, você tem sofrido com as notícias do dia, pelo peso da lama que soterra nosso país? Então fica uma sugestão. Desligue um pouco o telejornal, olhe para os lírios do campo e para as aves do céu e lembre-se de que Aquele em quem devemos depositar confiança inabalável permanece sendo o Senhor da História. Ele abate o soberbo. Ele dá graça ao símplice. Ele é bom. Ele é verdade e justiça. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará. Desfrute da beleza da vida, reflexo da beleza de Cristo, e, assim, conseguirá viver com os olhos fixos no autor e consumador da fé, passando por cima da podridão deste mundo, rumo ao alvo da glória celestial.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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brasil 1O Brasil tem vivido dias de imensa fúria. Em nosso país, a situação deplorável do governo, a corrupção onipresente, a polarização entre adeptos da esquerda e da direita e a crise econômica lotam os noticiários, pautam as discussões e fazem as redes sociais fervilharem. Os debates que envolvem as notícias do dia, na maioria das vezes, são recheados de afirmações revoltadas, reclamações injuriadas, agressões para todos os lados e intermináveis discussões e trocas de acusações. Vivemos dias duros. A toda hora a notícia da hora nos faz ferver o sangue. Queremos comer o fígado de políticos, mandar os corruptos para o quinto dos infernos e explodir todos aqueles que não concordam conosco. Dias difíceis, os nossos. Dias saborosos para os zelotes e amantes da espada, mas estarrecedores para os mansos e humildes de coração. 

Tem sido raro encontrar aqueles que estejam plácidos, equilibrados e controlados diante do cenário da nossa nação. Os estoicos e blasés desapareceram do mapa, dando lugar aos explosivos e revoltados. A indignação é válida e devemos, sim, nos indignar com toda a lama que escorre dos palácios do governo e dos escritórios de grandes corporações corruptoras. Não há como amar a justiça e a verdade e se manter impassível diante do atoleiro de mentiras, trapaças, sujeiras e pecados que se tornou o Brasil. 

Minha pergunta é: como devemos manifestar toda essa justa e necessária insatisfação? Será que nós, cristãos, devemos reagir como o mundo reage, fazendo chacotas indecentes, usando palavras torpes, adjetivando de modo desrespeitoso fulano ou sicrano, destilando veneno em nossas palavras e em nossos memes, desejando que os maus morram e se arrebentem, entre posts imprecatórios nas redes sociais e falas avalânchicas por onde passamos? 

Qual é a postura adequada a quem vive para ser imitação de Cristo? O amor ou o ódio? A pacificação ou o acréscimo de lenha à fogueira? A destemperança ou a paciência? A amabilidade ou a ofensa? A bondade ou a raiva, destilada entre perdigotos e olhares injetados? A mansidão ou a fúria? O destempero ou o domínio próprio? Afinal, como devemos reagir a tudo o que nos cerca?

brasil 2Ser cristão é ser diferente. É nadar contra a correnteza, quando a correnteza não segue de acordo com o relevo do evangelho. É controlar nossos impulsos humanos de vingança e raiva para dar lugar à pacificação que nos fará bem-aventurados. Não somos cristãos se agimos e reagimos como o mundo, com a diferença que vamos à igreja aos domingos. Se somos iguais ao mundo, somos mundo – mesmo frequentando o culto e cantando músicas cristãs. Cabe, então, a pergunta: você tem reagido aos lamentáveis noticiários como um santo ou como um pagão? Como alguém que entende que sua pátria não é deste mundo ou como um cabeça-quente que vive entre imprecações e gritos de revolta? 

Sim, não devemos nos conformar com a injustiça. Não podemos, como servos de Deus, nos manter impassíveis diante da corrupção humana. Deus não fica impassível; nós também não devemos ficar. Meu questionamento não é “sim ou não”, mas “como”.  De que modo você reage? Que palavras escolhe ao se posicionar? O que há no seu coração? Sua alma busca a justiça e a verdade com paz ou com guerra? 

Os dias são maus, meu irmão, minha irmã. Mas não podemos permitir que a maldade do mundo caótico nos contamine. Temos de permanecer como diferentes, como luz. Brilhemos nessa treva tão densa. Afinal, se formos trevas em meio a trevas, que diferença fazemos? Se há uma hora em que precisamos mostrar ao mundo quem habita em nós, a hora é esta, pois é em meio à crise que os santos sobressaem. 

Jesus não nada no mar do caos, ele caminha por sobre as águas. Assim devemos nós fazer.

brasil 3Deixo a reflexão: como você tem se posicionado ante tantas notícias revoltantes que inundam os jornais do dia? Como um revoltado ou como um ponderado? Como um desvairado ou como um equilibrado? As notícias te dominam ou o Espírito Santo é quem conduz suas ações e palavras? Ser fiel ao amor quando tudo vai bem é moleza. Mas é justamente na hora em que alguém grita “fogo!” que descobrimos quem são os que dão passagem às mulheres e crianças primeiro e quem são os que saem pisoteando quem estiver pela frente. Quem é, afinal, que controla as suas palavras e as suas ações diante da miséria humana, da corrupção do mundo e do caos provocado pelo pecado? O amor? Ou o ódio? Descubra quem é o seu senhor na hora da crise e você constatará se tem agido conforme a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_5981Deus tem um fino senso de humor. Meu próximo livro trata de como a fé em Deus e naquilo que ele nos afirma pela Bíblia pode vencer o medo e a ansiedade. Pois, a poucos dias do lançamento do livro, o Senhor me fez receber uma noticia do tipo que tem tudo para despertar exatamente o medo e a ansiedade. Mamãe chegou a minha casa sem avisar que me visitaria, o que é algo extremamente incomum. Sentou-se comigo e minha esposa à mesa e logo deu a notícia.

– Estou com câncer. 

Passaram-se alguns segundos até que eu assimilasse plenamente o real significado das palavras. Sabe essas coisas que só acontecem com os outros? Pois é, estava acontecendo comigo. Após alguns minutos de conversa, finalmente a realidade se fez presente: aos 82 anos, minha mãe está com um carcinoma no seio direito. É quase certo que terá de remover o tumor maligno e iniciar o procedimento de radioterapia e quimioterapia, com todas as implicações desse processo. Sou o único filho dela que mora no Brasil e, por isso, cabe a mim honrar e cuidar dela nessa fase que se apresenta como um momento nada fácil na trajetória de todos nós. Além disso, minha mãe é quem cuida de meu pai, que, aos 84 anos, já sofre de senilidade e dificuldades físicas. Agora, chegou minha vez: com minha mãe nessa situação, caberá a mim cuidar dela e de meu pai – o que farei com prazer, devoção e gratidão, mas, sei de antemão, não será nada, nada fácil. 

A vida é assim, meu irmão, minha irmã. Tudo está bem e, de repente, tudo muda. É Deus nos lapidando e apertando parafusos para que nos ajustemos à imagem de Cristo, “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Devemos receber de bom grado tudo o que o Senhor nos proporciona; sem revolta, sem brigar com ele, prostrados ante seu infinito amor. Minha mãe está com câncer, mas Deus continua sendo maravilhoso, digno de toda honra e toda glória, meu melhor amigo, socorro bem presente na angústia, bom e fiel. Não tenho absolutamente nada a reclamar dele. Deus é bom, muito bom, e continuará sendo, sempre.

Depois que oramos e mamãe saiu de minha casa, fiquei refletindo muito e foi inevitável pensar no cerne da mensagem do meu próximo livro: contra o medo e a ansiedade, devemos exercitar a nossa fé em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra. Essa é a mensagem central do Confiança inabalável e, a poucos dias do lançamento, eu terei de viver vigorosamente tudo o que escrevi e em que acredito. Realmente, o Senhor tem um fino senso de humor. 

Não tenho medo da morte de minha mãe. Confio que ela irá para um lugar indescritivelmente melhor. Alcançada pela graça do Salvador, ela o confessa como o Cristo, o filho de Deus, o autor da vida, o único caminho. No exato instante em que ela fechar os olhos, sei que apenas dará um passo para fora deste mundo horrível e dentro da eternidade, no Paraíso que Jesus preparou para os seus santos. Para quem vive no Senhor, não há nada na morte que nos meta medo. Tenho confiança inabalável nessa verdade e, por isso, não temo. E sei que, estando eu também em Cristo, a inevitável separação não será um adeus, mas um até breve. 

A separação da morte causará dor. A saudade será extremamente difícil. Mas não tenho medo dessa dor, pois confio de forma inabalável que ela passará. Um dia abraçarei mamãe novamente e toda tristeza da separação findará. No dia em que minha mãe terminar a sua peregrinação nesta terra estranha, será o início de um afastamento com prazo de validade, e confio que a reencontrarei, em uma realidade muito mais aprazível e perfeita. Será um abraço muito gostoso, o do reencontro. 

Mas não pense que já considero uma certeza a morte de minha mãe em decorrência desse câncer. Confio que ela pode vencer a doença e viver ainda por muitos anos. De modo algum ter um câncer é uma sentença de morte. Minha avó Alzira, mãe de minha mãe, teve um câncer no intestino aos 83 anos, que foi removido com cirurgia e ela viveu mais 12 anos depois disso. Mas, confesso, a parte que mais assusta nessa história é a possibilidade de minha mãe sofrer durante todo o  processo de doença e tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia… nada disso é fácil. Pensar nisso é o que mais me dói. Mas, paradoxalmente, não estou ansioso. Pois tenho confiança inabalável no fato de que Jesus estará ao nosso lado a cada passo da jornada, que o Espírito Santo consolador jamais nos desamparará, que a paz que excede todo entendimento se manifestará em nosso coração, que não estaremos sós. Tenho confiança inabalável que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). 

Algumas situações na vida são inevitáveis, meu irmão, minha irmã. São fatos que têm tudo para nos inundar de medo e nos afundar em ansiedade. Mas acredito firmemente que a fé em Cristo e em sua Palavra são suficientes para nos manter na superfície e nos fazer caminhar com os olhos fixos no prêmio: a eternidade ao lado do Amor. Como escreveu Paulo, “[…] uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13-14). 

A Bíblia nos relata a história de um homem chamado Jairo, que, esmagado pelo medo e a ansiedade diante da expectativa da morte de sua filha adoentada, corre para os pés de Jesus em busca de socorro. As notícias mais atemorizantes e provocadoras de ansiedade chegam: sua filha já tinha morrido. Nesse exato instante, o Mestre vira-se para ele e diz, em apenas quatro palavras, o segredo para superar todo medo, toda ansiedade: “Não temas, crê somente” (Mc 5.36). Contra o temor, o medo, a ansiedade… a solução é somente crer. Ter fé. Caminhar com confiança inabalável em Cristo e em suas promessas e afirmações. Jairo creu e quem foi para a sepultura não foi sua filha: foi seu medo. 

Dias nublados esperam por mim, minha mãe e nossa família. Gostaria muito de pedir que, se você quiser e puder, ore por nós. Ore por Irene. Ore pelo seu mano Maurício. Suas orações são extremamente valiosas e preciosas. Não sinta pena de nós, pois nós mesmos não sentimos: sabemos que o nosso Redentor vive. Conhecemos nosso Deus. Estamos nas melhores mãos possíveis. Também não temos medo, pois confiamos no Senhor. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei” (Sl 56.3-4).

Peço desculpas se eu não responder aos comentários aqui no blog com tanta rapidez quanto antes, penso que minha rotina será um pouco alterada pelas obrigações desta nova realidade. Agradeço imensamente por seu carinho e sua intercessão. E peço a Deus que, sempre que medo e ansiedade tentarem agarrá-lo, você experimente a certeza inabalável de que, não importa nada, nada, nada: Jesus está com você todos os dias, até a consumação do século. Portanto,Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5).

É só confiar. O resto? Ele fará. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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