empatia 1Lembro-me do primeiro enterro a que fui na minha vida. Cheguei ao funeral do meu tio Guilherme e logo encontrei a esposa dele, a tia Helena. Ela estava aos prantos, desconsolada. Se não estou enganado, eu deveria ter por volta de uns 12 ou 13 anos. Tudo o que eu sabia sobre o que devemos dizer em uma situação como aquela foi o que eu tinha visto em programas de televisão e em filmes. Por isso, inexperiente, o que eu lhe disse foi o maior clichê, sem reflexão, sem pensar que aquela frase simplesmente não traria nenhum consolo. Fiz um olhar triste e mandei: “Tia, ele está melhor do que nós”. Que horror. Ela fez uma cara sem nenhuma reação e simplesmente continuou chorando. Recordo-me que me senti mal, porque percebi na hora que aquilo que eu tinha dito simplesmente não significava nenhum consolo para ela. Guardei aquele momento na lembrança como se fosse hoje, talvez por ter me sentido muito mal pelo fato de, em vez de me expressar com todas as minhas fibras e dizer algo das profundezas de minha alma, ter lançado mão de um uma frase feita, um clichê vazio, algo que foi dito por ser dito, mas que não teve eficácia alguma no sentido de amainar as dores da minha tia. 

Pensar naquele momento me faz ver como não adianta falar qualquer coisa, em especial nos momentos de crise. Falar por falar é inútil, nossas palavras precisam ser muito bem escolhidas e vir do fundo do coração. Muitas vezes, não devemos nem usar palavras: basta um abraço, basta o silêncio solidário. Enquanto os três amigos de Jó ficaram em silêncio ao seu lado, ele se sentiu amparado, mas foi só Elifaz, Bildade e Zofar abrirem a boca e começou um show de palavras que em nada ajudaram Jó naquele momento de angústia. Muitas vezes, o calar é a nossa melhor atitude. 

Nesse sentido, algo que sempre me causou estranheza é a pergunta “tudo bem?”. Já reparou como ela não quer dizer nada? Essa expressão tornou-se, na verdade, uma saudação padrão, algo educado de se dizer, mas, na realidade, numa quantidade mínima das vezes em que perguntamos a alguém se está tudo bem nós de fato temos o real interesse de saber a resposta. Tanto que, automaticamente, já esperamos que nosso interlocutor responda: “Tudo”. Se ele diz “não estou bem”, na maioria das vezes nem sabemos direito como reagir.

Nas redes sociais esse fenômeno das palavras que perdem o sentido chega a ser engraçado. Parece que em muitas ocasiões os termos são usados sem que o seu real significado seja o que se deseja dizer. Por exemplo: “lindo”. No Facebook tudo é “lindo”, todos são lindos. Às vezes vejo alguém postar uma foto do filho, de um casal em viagem, do prato de comida, de um bicho de estimação, de uma frase de efeito e, quando vou ler os comentários, tudo tem uma enxurrada de “lindo”, “linda”, “lindos”. É como se já se tivesse criado uma maneira de dizer que você achou algo legal e, portanto, “lindo” passa a significar uma série de coisas e não necessariamente o seu sentido original: “belo”, “formoso”. 

Existe ainda uma outra expressão que acho bem estranha. É o “fica bem”. A namorada vem, dá um fora no namorado, vira-se para ele e diz: “Fica bem, tá?”. É óbvio que ele não vai ficar bem! Mas ainda assim ela diz. Isso me soa como se eu virasse para alguém no meio do deserto do Saara e dissesse “Fica com frio, tá?”. Ninguém vai sentir frio só porque eu falei, assim como ninguém vai se sentir bem só porque alguém disse “fica bem”. 

empatiaMeu irmão, minha irmã, pense bem no que você diz. Escolha palavras com significado, principalmente quando está partindo ao encontro de alguém com o intuito de consolá-lo. Para quem está em angústia, depressão, crise, sofrimento, abatimento ou qualquer situação ruim o mais importante é um gesto, uma atitude, uma ação. Coloque-se no lugar do outro. Tenha empatia. Repare que Jesus não se virava para os cegos, leprosos e doentes que o procuravam e dizia “fica bem”: ele agia em favor deles, movido de íntima compaixão. 

Hoje, quando vou a um funeral, raramente digo algo à família de quem partiu. Prefiro dar um abraço apertado e ficar por perto, para que vejam que estou disponível caso precisem de algo. Acredito que isso demonstra muito mais empatia e compaixão do que soltar palavras vazias, que são ditas só para cumprir uma formalidade. 

Deixe que a compaixão te mova. E te mova para agir em favor do próximo, muito mais do que falar. Não só pergunte se está “tudo bem”, mas faça algo para que o outro se sinta bem. A Bíblia nos diz para chorar com os que choram e isso significa trazer para dentro do nosso peito a dor do outro, muitas vezes sem que seja necessário dizer nada. Acredito que, ao fazer isso, você estará de fato contribuindo para o bem-estar do próximo e se conformando muito mais à imagem de Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Meyre Soares disse:

    Quero agradecer por suas palavras, são muito profundas e relevantes pra nossa vida. Deus continue te abençoando!!! Parabéns!!!!

  2. Jacy disse:

    Oi, Maurício!

    De fato, constantemente agimos no automático e repetimos frases feitas a fim de consolar o próximo, mas raramente refletimos sobre o real sentido do que falamos.

    Cada vez mais tenho a convicção que o calar as vezes expressa mais amor do que o precipitar-se a falar sem esse mesmo amor.

    A Paz, maninho!

  3. Elisangela disse:

    Olá Maurício, boa tarde!

    Estou enviando essse texto por aqui pois não encontrei nenhum e-mail de contato no seu blog, desculpe-me se te incomodo e fique á vontade para não responder se assim quiser.
    Não tem nada a ver com o seu texto publicado hoje, ok.

    **

    Tenho ciencia de que aconselhamentos devem ser feitos diretamente com nossos pastores, pois estes são responsáveis por suas ovelhas diante de Deus.
    Porém , eu gostaria de solicitar que me falasse a cerca de algumas coisas que tem me incomodado ultimamente quanto a comunidade a qual eu sou membro, claro se puder me ajudar!
    Considerando seu vasto conhecimento teológico e o discernimento que, eu creio que vc tem, pelo menos muiiito além do meu. Sendo assim gostaria de saber sua opinião, pois me indentifico muito com os fundamentos que vc fala em seus texto, e isso gera confiança.

    Eu procurei em seu blog textos referentes aos métodos G12, M12, MDA… esses métodos de crescimento e discipulado que algumas igrejas tem utilizado como visão para administrar suas igrejas.
    Pois bem, a denominação a qual sou membro segue esse método de discipulado um a um, é uma igreja em células, encontro com Deus, etc. Não é um método definido , nem engessado, mas eu diria que seria um g12 parcial.
    Não é tão rígido , tão metodico, abre-se uma exceção a algumas práticas.
    Alguma coisas já vinham me desagradando a algum tempo, tais como : a insistencia de que todos podem ser lideres e algumas imposições que se coloca quanto a tempo de oração mínima diária para quem pertence á alguns ministérios.
    O fato principal é que a alguns dias atrás tive uma decepção muito grande. Eu estou fazendo um curso cujo título é ECM (escola de capacitação ministerial) é um tipo de curso modular com duração de dois anos, na igreja mesmo, onde é ministrado principios básicos de teologia. Em uma dessas aulas , o módulo “vida cristã” foi ensinado sobre as diversas atuações do Espirito Santo, seus dons , profecias e etc…
    E no final, na ultima aula, seria o tal do “mover profético” e pra esse dia veio a pastora senior para ministrar pra gente (perceba que durante as aulas no decorrer do período poucas vezes ela apareceu na sala de aula) e ai nós fomos “ensinados” a profetizar…a entregar uma palavra pro irmão, pessoas dizendo que teve visão e tal.
    Eu percebi claramente nesse “mover” que a tal pastora direcionou em todo tempo as palavras, profecias pra quem tinha cargo de liderança, supervisores e líderes.
    Fiquei tão decepcionada quando vi aquilo e dizia pra mim mesma: Senhor é assim mesmo? A gente pode direcionar o Teu mover dessa forma?
    Não concordei e não concordo com isso até agora.
    Fato é que comecei então a procurar na internet tudo que refere-se a esses métodos e descobri várias criticas ao movimento, como supervalorização de líderes e das pessoas que são colocadas de lado quando não querem se tornar “líderes” entre tantas outras coisas.
    Enfim, seria possível você esclarecer ,com fundamento , esse tipo de visão que muitas igrejas tem?
    Digo fundamento porque não encontrei muitas coisas fundamentadas na internet.
    Poderia me indicar alguma leitura, livro , algo realmente de Deus sobre essas coisas?
    Confesso que estou muito confusa, fico pensando que se eu permanecer nessa igreja ao qual eu estou terei que ficar filtrando o que ouço e vejo…
    Pode me ajudar a entender isso?

    Obrigada.

    Aguardo e agradeço!

    🙂

    • Oi, Elisangela,
      .
      a meu ver, células não são problema, mas alguns desses métodos que usam células são bem complicados. Muitos usam esse modelo apenad visando ao crescimento numérico e não para a saúde espiritual do rebanho. Me causa gigantesca estranheza alguém “ensinar” a profetizar, isso não existe. Não há aulas para exercício de dons, por isso, seu relato me preocupa muito.
      .
      Compilei um material bom e honesto sobre G12, espero que seja útil:
      http://solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo/QEstaAtrasG-12.G12.GrupoDoze-MBasilio.htm
      http://noticias.gospelmais.com.br/g12-conheca-saiba-modelo-igrejas-evagelicas-23849.html
      .
      Elisangela, na dúvida não ultrapasse. Se você perceber que a coisa degringolou, procure outra igreja.
      .
      Peço a Deus que tudo se resolva. Abraço fraterno, na paz,
      mz

      • Elisangela disse:

        Oi,

        É como se estivesse me “descortinado” as coisas , acho que eu tinha uma visão poética da igreja e agora não tenho mais, estou bem realista .

        Sim, existem aulas … conceituais e práticas…rsrs.
        Onde é ensinado sobre dons, sobre o Espírito Santo e as manifestações através dos dons e como a gente “entrega” ao outro, ou a igreja, aquilo que Deus nos revela através da palavra , ou de uma visão, ou um cântico profético..essas coisas… vc não conhece?

        Existe até conferencia de ensino e capacitação por meio de ministrações da palavra, dinâmicas e workshops, a fim de ativar e exercitar o dom de profecia na vida dos participantes, eu já participei.
        Se tiver curiosidade procure por “Live! GPS – Global Prophetic School” e depois me diga.

        Você me ajudou bastante, vou ler com calma o que me enviou. Obrigada pelo conselho e pela oração.

        Abraços,

        🙂

      • Oi, Elisangela,
        .
        que loucura. Penso que é importante haver ensino sobre os dons, como é importante haver ensino sobre qualquer aspecto da Bíblia. Mas “ativar” o dom da profecia é o absurdo dos absurdos. Dons não se “ativam”, eles são presentes concedidos pelo Deus soberano conforme a sua santa vontade. Isso não está me cheirando nada bem.
        .
        Peço a Deus que te ilumine e oriente. Abraço fraterno, na paz do Mestre,
        mz
        facebook.com/mauriciozagariescritor

  4. Greize disse:

    Olá Maurício, estou em atraso de ler suas postagens.Hoje abro e dou de cara com isso.Perdi minha mãe e avó paterna no mesmo ano.E agora em setembro a avó materna.Eu não lembro de quase nada do que as pessoas me disseram no funeral.Achava um horror a palava “seja forte, não chore” como assim?Ser forte e não chorar no funeral da minha mãe.O que eu mais lembro são as seguintes frases e atos:Um abraço e “Estou aqui para o que precisar”.Era tudo que eu queria.
    Hoje sigo isso, as pessoas não querem sermões dizendo que o ente querido esta com Deus, mesmo que saibamos que isso seja verdade, deixe ela vivenciar o luto, as fases e ore por ela.

    Deixo um pequeno texto que me marcou sobre este tema:
    ” Uma garotinha saiu de casa sem avisar sua mãe onde tinha ido.Quando a mãe percebeu que não a encontrava correu pela casa gritando pelo nome da filha, foi até a varanda e quase na mesma hora a garotinha veio correndo ao seu encontro.A mãe a abraçou e perguntou onde você estava?
    Eu fui até a casa do nosso vizinho o Sr.Smith,respondeu a menina.
    Porque você foi lá?Perguntou a mãe?
    A esposa dele faleceu e ele esta muito triste.
    Puxa sinto muito, eu não sabia disso, respondeu a mãe.
    O que você fez?Quis saber a mãe?
    Só ajudei a chorar, respondeu a menina.”

    • Oi, Greize,
      .
      viver na pele é o que mais nos conduz à empatia, não é? Temos de ter a simplicidade das crianças, bem nos ensinou o Mestre.
      .
      Abraço fraterno, no amor maior,
      mz

  5. alegriasousa disse:

    Eu me desenvolvo e evoluo cada vez que paro para ler o que você escreve.

  6. cristian disse:

    Cara tem como eu falar com vc via email?? É muito importante..

    • Oi, Cristian, tudo bem?
      .
      Querido, a pedido da família eu não passo meu e-mail. Mas você pode escrever aqui nos comentários do blog que sua mensagem chegará a mim. Não se preocupe, basta dizer “favor não publicar” e eu respondo sem que sua mensagem ou minha resposta fiquem visíveis, ok?
      .
      Abraço fraterno, na paz,
      mz

      • Cristian, olá,
        .
        nós glorificamos a Deus quando tudo o que fazemos e pensamos é feito e pensado de acordo com a vontade do Senhor. Jesus disse que aqueles que têm os seus mandamentos e os obedecem são aqueles que o amam. E é ao amarmos Deus acima de todas as coisas cumprindo os seus mandamentos e vivendo em intimidade xom ele que lhe damos glória, pois, ao fazer isso, demonstramos que reconhecemos sua soberania.
        .
        Abraço fraterno, na paz de Deus,
        mz
        facebook.com/mauriciozagariescritor

  7. Jessica Marques disse:

    Nossa Maurício adorei seu poster, te sigo a pouco tempo mais gosto dos seus temas e de como encaixa bem as palavras. Um grande abraço!

    • Oi, Jessica, tudo bem?
      .
      Obrigado pelo carinho e pela generosidade de suas palavras, mana. Você é gentil.
      .
      Abraço fraterno, no amor maior,
      mz
      facebook.com/mauriciozagariescritor

  8. Priscila disse:

    Que maravilha Maurício. Amo os seus textos!

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