refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Flavio Barreto disse:

    Graça e Paz querido mano. As vezes pela nossa natureza humana, queremos resolver as coisas a nossa maneira, queremos agir pelo imediatismo, fazer justiça com as próprias mãos. Mas a partir do momento que temos Jesus como Senhor de nossa mente e coração, já não podemos agir como juízes mas sim como filhos semelhantes a Ele, que mesmo humilhado teve amor para perdoar.Fique na Paz meu irmão !

  2. Noeme Santana disse:

    B dia Maurício,

    Pensei o mesmo q você, mas algo me dizia q estava errada, e estava!

  3. JosuEmerick disse:

    Fico muito feliz pelo modo como o Espírito Santo age quando, ao moldar um de nós, faz dele ferramenta para moldar outros. Seu texto também a mim trouxe mais lucidez sobre esse assunto e me mostrou que meu cristianismo é muito frágil e precisa de mais consistência para que eu possa “andar como Ele andou”.

  4. Débora disse:

    Esse texto sobre o amor me fez lembrar dos samaritanos. Pois os judeus e os samaritanos não se davam bem, e podemos perceber que eram desprezados pelos judeus. Porém lembro-me de pelo menos três passagens bíblicas nas quais Jesus cita de maneira amável atitudes exemplares de samaritanos. A parábola do bom samaritano (Lucas 10,29-36), os dez leprosos curados (Lucas 17,11-19) e apenas um volta reconhecendo o graça de Deus e era um samaritano, e a Samaritana no poço (João 4). Nestes textos Jesus nos mostra a compaixão do samaritano pelo próximo, a gratidão do cego samaritano que passou a ver e voltou para agradecer, e a conversão de muitos samaritanos em virtude do testemunho da mulher.
    Tenho sido muito edificada com as suas mensagens, e fico feliz de ler mensagens com as quais concordo e tenho tentado aplicar na vida cotidiana.
    Sempre fico intrigada quando leio essas passagens dos samaritanos, pois Jesus pega exemplos lindos justamente de pessoas que eram desprezadas pelos judeus. Creio que ele nos mostra que devemos amar sem preconceitos.
    Sei que seu tempo é curto, mas em poucas palavras poderia explanar o que pensa a respeito dessas passagens, creio que ainda há muito mais profundidade nessas passagens bíblicas, do que ate hoje consegui perceber.

    Um abraço na paz de Jesus Cristo,

    Débora.

    • Oi, Débora,
      .
      louvo a Deus pela sua forma de ver a fé e o trato com os diferentes. O que vejo nessas passagens é Cristo amando pecadores e revelando-se a eles, com amor e com graça, na perspectiva de que se relacionem com ele e passem a viver uma vida de santidade.
      .
      Abraço fraterno, no amor maior,
      mz

  5. Parabéns Maurício, eu tb sou da opinião que a teologia deve servir a sociedade; não adianta ficar entre quatro paredes do templo; permita que republique em meu blog? A paz.

  6. […] Fonte: O amor tem de vencer o ódio, sempre […]

  7. Ana disse:

    Bom… Sei que estou meio atrasada com relação a comentar sobre a postagem, porém não poderia deixar de opinar.
    Ando bastante triste com toda essa questão do julgamento humano um sobre os outros ( e é claro que estou inclusa nisso.), algo que aconteceu no passado, acontece agora e continuará acontecendo, porque é como Salomão uma vez disse: “Nada é novo, tudo que acontece agora, já aconteceu antes”. Todavia, isto não é motivo para persistir no ato.
    Sendo mais específica nessa questão do EI, é triste ver como algumas pessoas insistem em manter pensamentos maldosos em relação a isso. Não acho que eles estejam corretos em fazer o que fazem, mas os que os atacam também não estão. Se não houvesse provocação e revidação por qualquer uma das partes, nada disso estaria acontecendo, porque não se guerreia sozinho. As pessoas insistem em manter seus pensamentos fechados e maldosos, já até mesmo ouvir dizer que todo muçulmano deveria morrer. E sim, já ouvi isso de pessoas que se consideram cristãs acreditando que estão fazendo uma boa ação reclamando e julgando. E eu me pergunto onde está o amor nisso tudo? Porque quem não ama ao seu irmão que vê, não ama ao Pai que está nos céus e não vê. Todos somos frutos do Pai, que primeiramente nos amou e esteve conosco. Porque não podemos, simplesmente, fazer o mesmo? E porque insistir em condená-los por permanecerem fiéis em uma religião que é diferente da nossa? Deus não nos disse para sermos religiosos, pediu que tivéssemos fé. E essa fé, os muçulmanos possuem. Não é porque atribuíram um nome diferente que não adoram ao mesmo Deus. Portanto, acho que seria muito melhor para si mesmo e para todas as pessoas, que as pessoas que cultivam essa maldade passasse a amar o próximo.
    Bem… Acho que me desviei um pouco do assunto no meio do comentário, mas espero que ninguém interprete mal as minhas palavras, pois é o que eu penso sobre o assunto.
    Sinceramente, Maurício, fiquei contente em saber sobre a mudança da sua visão sobre isso. 🙂
    Que a paz e o amor do Pai estejam contigo, irmão.

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