meu corpo minhas regras 3

Minha casa é minha. Eu a comprei com meu dinheiro, ganho com o suor do meu trabalho. Meu nome está na escritura e ela me pertence. Tenho o direito de trazer para dentro dela tudo o que eu bem entender, tudo o que eu quiser comprar no supermercado, os móveis da minha escolha, as roupas que eu decidir adquirir, até mesmo um cachorro, um gato, um camelo ou uma jararaca, se eu quiser. É meu direito. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Isto mesmo: como a casa é minha, as regras do que faço dentro dela sou eu que estabeleço. Tenho total liberdade de andar nu pelos cômodos, se desejar, de vestir um casaco pesado no verão ou mesmo de andar para lá e para cá com um chapéu de Carmen Miranda. Isso pode parecer maluquice, mas não me importa, já que as regras na minha casa sou eu que faço.

Se eu quiser, posso pegar uma máquina de fumaça e encher os quartos com fumaça  fedorenta, nada me impede de fazer isso. Posso, também, pegar sacos cheios de lixo e espalhar todo o conteúdo pelo chão, da cozinha ao banheiro, no quintal e na área de serviço. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Posso também entupir toda a tubulação com gordura e encher os ralos de sujeira. Tenho o direito de pintar as paredes de preto e o teto de rosa choque, se assim tiver vontade. E mais: se me der na telha, posso pichar a fachada, pendurar enfeites esquisitos nas janelas, decorar as portas com qualquer tipo de penduricalho, derrubar muros e fazer obras. Tenho esse direito. Quem manda na minha casa sou eu. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

Como sou o dono dela, posso te trazer para morar por um tempo na minha casa, mesmo que você não tenha pedido. Mas atenção: uma vez que esteja dentro dela, eu tenho o direito de fazer o que quiser com você. Afinal, é a minha casa, e na minha casa o que vale são as minhas regras. Então, uma vez que eu tenha posto seu corpo dentro dela, mesmo que você não tenha me pedido para entrar, tenho total liberdade de fazer o que bem entender com ele. Principalmente porque, uma vez dentro da minha casa, você vai se alimentar da comida que eu te der, vai respirar o ar que chegar a você através do espaço que me pertence, vai beber da água que eu providenciar, vai se aquecer com o calor que minhas paredes te proporcionarem, vai sobreviver com os recursos que a minha casa te fornecer. Portanto, não tem discussão: pelo fato de você estar dentro da minha casa, o que vale são as minhas regras e seu corpo me pertence. Em outras palavras, você me pertence. Logo, sua vida me pertence. Pois a casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

neném 3Aliás, fique sabendo: uma vez dentro da minha casa, tenho total direito de te matar. Isso mesmo: já que você está dentro de minha propriedade e vivendo a partir dos recursos que eu te proporciono, eu posso te assassinar, se isso atender aos meus interesses. E não adianta protestar. A casa é minha. E minha casa, minhas regras.  Já sei. Você vai alegar que não tenho esse direito e começar a me dar argumentos: vai dizer que seu corpo não faz parte da minha casa, que seu código genético é diferente daquilo que forma minha casa, vai tentar sobreviver afirmando que está habitando em minha casa só por um tempo e em breve sairá dela, vai alegar que seu direito à vida é maior que meu direito de propriedade sobre minha casa, blá-blá-blá. Desculpe, não estou interessado em saber de nenhum argumento. Eu sei que você não é minha casa,  que seu corpo é uma entidade totalmente à parte das paredes e do teto que me pertencem, que está nela apenas por algum tempo e depois vai embora, que você tem tanto direito de viver quanto eu tenho de possuir minha casa… eu sei de tudo isso. Mas, quer saber? Nada importa: a casa é minha. E minha casa, minhas regras.

E eu quero te matar. 

Eu quero te matar porque me é mais conveniente. Porque isso será melhor para mim. Porque atende aos meus interesses.  Porque sua presença na minha vida me atrapalha. Por um monte de razões. Não me importa que você seja apenas um hóspede temporário, que não faça parte da minha casa, que esteja desfrutando dos recursos que ela te oferece só por algum tempo, que eu é que seja a responsável por você estar dentro dela ou mesmo que você tenha direito à vida, já que seu corpo não é propriedade minha. Não quero saber. Matar você será melhor para mim. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

É isso o que eu tinha a te dizer, filhinho. Agora prepare-se para morrer, porque a mamãe vai te matar. Afinal, eu te pus – sem que você pedisse – dentro da minha casa, que é o meu corpo, e isso obviamente me dá total direito de exterminar a sua vida. Sim, seu corpo é seu. Mas meu corpo é meu. E meu corpo, minhas regras. E isso… faz todo sentido. Ou não?

neném 1

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Surama disse:

    Que texto forte!! Muito bom!
    Mas também consigo visualizar outro contexto. Assim que comecei a ler me veio logo a mente que essa casa somos nós mesmo e que muita das vezes por nos acharmos autossuficientes deixamos o Espírito Santo de lado. Pensamos que podemos fazer o que bem quisermos com nossa vida, uma vez que decretamos sermos do Senhor mesmo assim achamos que podemos estipular ‘nossas’ regras. E quando menos percebemos o matamos.

    Que Deus continue te abençoando e te usando profundamente com sua sabedoria.

    Abraços

  2. andreia disse:

    Forte… pesado…profundo….e VERDADEIRO!!!!!

    EXCELENTE TEXTO!!!!!!

    Louvo ao Senhor mano pelo dom de escrever que tens mano… e oro para que o óleo da unção seja derramado sobre ti a cada dia…

    com INTENSAS orações e muuuito amor e alegria de poder ter o privilegio de conviver com vc e sua familia,

    Andreia Araujo

  3. João Paulo Alves disse:

    Como cristão não deveria ser a favor do aborto, não posso ser a favor daquilo que fere o princípio do direito a vida, ao nascimento.. Mas também penso em todas as milhares de mulheres que morrem em mesas de clínicas clandestinas por estarem desesperadas com aquele pequeno ser que cresce ali dentro dia após dia. Ter filho não é fácil, e acidentes acontecem, métodos contraceptivos falham. E o que dizer de mulheres estupradas? Que acabam engravidando de seus algozes, e além de terem que conviver com esse trauma, terão naquela criança uma lembrança da violência sofrida. Enfim, eu me encontro numa encruzilhada, por que ao contrário do que dizem, acredito que a vida começa no momento que o óvulo é fecundado. Não tenho uma posição certa sobre isso ainda, mas creio que quando abortos são legalizados, oficialmente o número de interrupções de gravidez caia, por que há um acompanhamento psicológico para que essas mulheres tomem a decisão certa, e muitas desistem e prosseguem com a gravidez nesse momento. (Por que sabemos que não é como retirar um cravo, ou espinha, é uma vida, e isso trás sim feridas na alma). Podemos tomar como exemplo o Uruguai. O número de abortos caiu, e a morte de nenhuma mulher foi registrada por estar fazendo aborto de forma ilegal. Não sou a favor do aborto, amigas que me pedissem conselho, diria para não fazerem, mas sim para darem o direito a vida para essa criança, e encaminhar para a adoção caso não quisessem assumir a responsabilidade de ter e cuidar de um filho, outro problema sintomático e burocrático no nosso país, o sistema de adoção, mas também não posso ser a favor das mortes de mulheres que acontecem todos os anos. Sendo assim, acho que a legalização seria o melhor. Não consigo pensar de outra maneira, queria mesmo que a hipótese do aborto jamais fosse cogitada, mas não conseguiremos resolver todos os problemas do mundo.

    Abraços, a paz de Deus.

    • Joao, olá, tudo bem?
      .
      Respeito sua opinião, embora, naturalmente, não concorde com ela. A vida está acima de tudo. Um estupro não pode jamais ser motivo para um assassinato. Curar a dor de um estupro cometendo o homicídio de um inocente a meu ver é inconcebível.
      .
      Sobre abortos clandestinos, a solução não é legalizar a prática, é conscientizar as mulheres de que se tiveram a responsabilidade de gerar aquela vida têm de ter a responsabilidade de cuidar dela. À saída não é legalizar a matança, é conscientizar sobre a prevenção. E se não houve prevenção, que se assuma a responsabilidade e se cuide daquela vida preciosa.
      .
      Assassinato é assassinato. Justificá-lo, a meu ver, é oficializar a barbárie.
      .
      Com carinho e afeto, no amor de Cristo,
      mz

  4. Daniel disse:

    Uau!

  5. Rejane Miranda disse:

    Amado Mauricio,

    Espetacular texto! Deus te abençoe sobremaneira e continue lhe usando. Ontem você esteve em minha igreja e fui tremendamente abençoada.
    Louvado seja Deus através de sua vida!

    • Olá, Rejane, tudo bem?
      .
      Você é da Nova Vida em Cascadura, do Pr Niger? Poxa, que pena que não a conheci pessoalmente. Se algum dia eu for convidado para voltar, por favor, venha falar comigo, ok?
      .
      Fico grato a Deus por tê-la abençoado.
      .
      Abraço fraterno, na paz,
      mz
      Facebook.com/mauriciozagariescritor

  6. Ediná disse:

    Oi meu querido amigo e irmão, como vai?
    Inovar é uma arte. Saber comunicar de maneira coerente e inovadora faz todo sentido. Muito bom seu texto, só não vai entender quem não está interessado em compreender as atrocidades que as pessoas cometem na defesa de seus próprios “direitos”.
    Quero te dizer que hoje fazem doze dias que eu fui operada do Aneurisma cerebral e Deus preparou tudo nos mínimos detalhes, pois tudo correu de uma maneira tão perfeita que eu creio mais ainda que o meu Deus cuida de mim.

    Um abraço, Deus te abençoe e à sua família!

    • Que alegria, Ediná, não sabia que você já tinha sido operada. Louvo a Deus pela sua plena recuperação, o Senhor é bom.
      .
      Abraço fraterno e feliz por você, no amor maior,
      mz

  7. JosuEmerick disse:

    Mamãe, por que você não espera um pouquinho mais, em algumas semanas eu estarei pronto pra sair e você procura alguém pra me levar embora com carinho, eu vou embora e nunca mais volto para perturbar seu sossego. Que tal? :/

  8. victortarroni disse:

    Texto maravilhoso! tocante.

  9. Joanna Fernanda disse:

    Maravilhoso! Fazia um tempo que eu não passava por aqui… Sempre textos geniais para a glória de Deus ^^

  10. alegriasousa disse:

    faz todo sentido.

  11. Daisy Duarte disse:

    Este texto é muito profundo,dolorido,porém verdadeiro…

    Só quem passou por isso,sabe a dor de levar consigo um peso de como seria diferente ter conhecido Jesus antes.

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