justificativa 1Um grande inimigo da vida com Deus chama-se “justificativa”. É aquela “boa explicação” que justifica fazermos o que não deveríamos ou não fazermos o que deveríamos. A traiçoeira justificativa costuma brotar em nossos lábios nas mais variadas circunstâncias, como quando pecamos e tentamos fazer parecer que aquele pecado não é tão pecado assim; quando fugimos da vontade de Deus alegando alhos ou bugalhos; quando queremos facilidades e por isso começamos a entortar a ética bíblica; quando, quando, quando. Quando. Justificativas são o “jeitinho brasileiro” aplicado ao evangelho, para tentar fazer o errado parecer certo. Justificamos e, assim, negociamos o que é inegociável. O perigo reside em nossa justificativa não ser uma “boa explicação”, mas, sim, uma “boa desculpa”.

A estratégia de usar justificativas a fim de escorregar para fora da vontade do Senhor vem desde o Éden. Quando Adão e Eva cometem o primeiro pecado, em vez de abaixar a cabeça e reconhecer o erro, ambos se justificam: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.12-13). Repare que Adão justifica seu pecado atribuindo culpa a Eva, que, por sua vez, se justifica acusando a serpente. Isto é, ambos tinham uma “boa justificativa” a fim de se arrastar para fora dos caminhos de Deus. As consequências desse comportamento você conhece.

justificativa 2Assim como o primeiro casal, nós também vivemos nos justificando. Sonegamos o imposto com a justificativa de que o governo é ladrão. Desonramos pai e mãe com a justificativa de que eles são pessoas difíceis. Mentimos com a justificativa de que “é só uma mentirinha que não faz mal a ninguém”.  Somos soberbos com a justificativa de que “é preciso pagar a quem honra, honra”. Nos afastamos da família de fé com a justificativa de que “Jesus não construiu templos”. Somos grosseiros com os incrédulos com a justificativa de que há pastores famosos que tratam os incrédulos de modo grosseiro. Pecamos com a justificativa de que “não somos legalistas”. Somos legalistas com a justificativa de que “não seguimos a graça barata”. Não estudamos teologia com a justificativa de que “a letra mata”. Nos refugiamos na teologia com a justificativa de que, se não citamos mil pensadores, nossa teologia e superficial. Somos sarcásticos com os  arminianos porque… Agredimos os calvinistas porque… Damos propina a fiscais porque… Desonramos a autoridade porque…  Prejudicamos o próximo porque… Somos arrogantes porque… Invejamos porque… Falamos mal do próximo porque… Puxamos o tapete porque… E poderíamos seguir numa extensa lista de atitudes erradas que tomamos porque… porque… porque… porque… porque… porque… porque… Sim, o erro tem sempre um “porque”. Só que ter um “porque” não faz um erro ser menos errado.

Você já fez isso? Você faz isso? Você está fazendo isso atualmente? Então cuidado. Cuidado, porque a justificativa é inimiga da santidade, do arrependimento, da confissão de pecados, do perdão, da cruz de Cristo. Logo, a justificativa é uma sabotagem do evangelho.

O oposto da justificativa é a transparência. A honestidade. A sinceridade. Às vezes, em minhas elocubrações doidas, me pergunto se Deus teria expulsado Adão e Eva do Éden se, em vez de terem se justificado, batessem no peito, chorassem, pedissem perdão, confessassem com total reconhecimento a sua falha. Jesus mesmo mostrou a diferença entre a justificativa e a transparência em uma parábola:

“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.10-14).

justificativa 3Humilhar-se, no contexto bíblico, significa expor-se. Reconhecer-se como pecador falível. Assumir sua total dependência da graça divina. Humilhar-se, aos olhos de Deus, não é inferiorizar-se, mas elevar-se. Por outro lado, justificar-se é fazer-se maior do que realmente é, por acreditar que a sua justificativa é capaz de enganar o Senhor, fazendo-o acreditar que “não é bem assim”. Mas o Onisciente sabe exatamente o que você faz, fala e pensa. E, portanto, sabe que é assim, sim. Não se justifique, meu irmão, minha irmã. Seja sincero, pois sinceridade a respeito de si mesmo e de todos os seus erros e acertos é uma das marcas de todo aquele que Jesus tornou justo pelo sacrifício da cruz. Aja como o justo que você é e não como o ser justificável que seu pecado deseja que você acredite ser.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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comentários
  1. vivifb1505 disse:

    Paz e graça!

    Meu questionamento nada tem a ver com o texto abaixo. Mas, se possível, gostaria de saber sua opinião, porque ainda estou estudando e não tenho uma opinião e conhecimento firmado a respeito.
    Li a respeito e fiquei um tanto quanto intrigada. Li que a salvação vem somente através pela crença do que Jesus fez por nós na cruz. A partir do momento que cremos estamos salvos e que nada pode nos fazer perdê-la, nem mesmo o pecado.
    Conheço pessoas que creem em Jesus, até tem o nome dele tatuado no braço, mas que não vivem uma vida como a que Jesus prega, vivem satisfazendo os desejos da carne. Gostaria de saber sua opinião, se mesmo assim essa pessoa ainda estará salva?

    Graça e paz!

    Enviado do meu iPhone

    >

    • Olá, Vivi, graça e paz,
      .
      sim, a salvação vem somente pela graça de Cristo. Deus nos convence do pecado, da justiça e do juízo, nossa fé em Cristo como nosso Senhor e Salvador se manifesta e, assim, somos feitos justos aos olhos do Pai. Leia Gálatas e Efésios e você verá isso lá. A fé em Jesus se manifesta por meio da realização das obras. Porque cremos, obedecemos. Dizer que crê sem obedecer mostra que de fato não cremos (Tiago 2.14-26).
      .
      Sobre perder a salvação, há teorias diferentes. Os calvinistas creem que é impossível perde-la. Já os arminianos creem que é possível. Recomendo que você procure o seu pastor e peça a ele esclarecimentos sobre isso, ok?
      .
      Abraço fraterno, Deus a abençoe muito,
      mz
      facebook.com/mauriciozagariescritor

  2. Andreia disse:

    Olá, Mauricio,

    Estou aqui para dizer que gostaria de saber sua opinião sobre um assunto complicado.
    Eu diante dos acontecimentos dos últimos dias, acabei me posicionando sobre um assunto polêmico “A pena de morte”, sou a favor desde que li um livro sobre o assunto e artigos também. Só que, depois que me posicionei, estou me sentindo péssima!!!
    Questões do tipo: “meu dever é amar e perdoar, no entanto fui dura quando me posicionei dessa forma”. “Será que estou realmente pensando de forma bíblica, Ufa!!!” “Será que Jesus agiria assim?”. Ah, achei melhor excluir a publicação !!! Desde já grata!!!

    • Andreia, oi,
      .
      pena de morte é uma abominação, sintoma do mal que habita nos corações humanos. Deus nos livre de tomar de alguém aquilo que só Deus pode tomar. A vida de ninguém nos pertence. Fico feliz que você percebeu a tempo o caminho de trevas que estava começando a trilhar. Deus é bom.
      .
      Abraço fraterno, na paz de Cristo,
      mz

  3. Rafael Dantas disse:

    Boa noite Mauricio,

    Tudo bem ? Sigo seu blog já a algum tempo e gostaria de aproveitar o tema para tirar uma dúvida.
    Larry Crabb em seu livro “O silêncio de Adão”, publicado no Brasil pela Editora Vida Nova, argumenta que Adão estava presente no momento em que Eva foi tentada. Em algumas traduções em inglês(Ex: NIV, ESV, KJV) trazem a expressão em Gn 3:6b – “She also gave some to her husband, who was with her, and he ate it.”. Saberia informar se no hebraico original existe essa ênfase ? É possível afirmar que Adão presenciou o diálogo entre Eva e a Serpente ?

    Fico grato desde já por sua atenção.

    • Olá, Rafael,
      .
      o hebraico original traz a expressão “אֱנוֹשׁ” (pronuncia-se “‘ĕnôsh”), que designa “mortal” e, por extensão, “homem”. Como o hebraico arcaico carece de determinadas expressões análogas ao português ou ao inglês contemporâneo, alguns interpretam que Adão estava em companhia de Eva. As traduções em português costumam preferir que ela tomou do fruto e “o deu a Adão” (sem a explicitação de que ele estaria junto com ela no momento em que a serpente teve o diálogo que conduziu ao pecado).
      .
      Abraço, mano, Deus o abençoe,
      mz
      facebook.com/mauriciozagariescritor

    • Rafael,
      Ao ler esse tremendo livro, “O Silêncio de Adão”, também fui confrontada com essa questão e lhe digo mais, aceitei durante alguns dias o fato como verdade absoluta. Após algumas meditações porém e também considerando outras traduções, chego à conclusão de que há duas possibilidades mas o resultado final é um só; vejamos:
      Se Adão realmente estava presencialmente assistindo todo o diálogo ente a Serpente e Eva e mesmo assim não se posicionou, concluímos obviamente que ele fora omisso, papel que jamais poderia ter desempenhado pois a ele Deus entregou a responsabilidade de governar sobre a terra.
      No entanto, se Adão não presenciou tal cena mas estava com Eva somente no momento em que ela lhe deu de comer o fruto da ” Árvore do meio do Jardim” mas mesmo assim aceitou (e até onde a Bíblia narra) sem retrucá-la, também podemos ver seu silêncio diante do fato, isto é sua omissão idêntica à primeira situação.
      Diante disso tudo meu raciocínio me faz pensar que, estando ou não desde o início da tentação de Eva, Adão nunca poderia ter assentido em comer do fruto. Vejo que enfrentando os argumentos da Serpente (se estivesse presente à conversa) ou os argumentos de Eva (quando esta lhe ofereceu o fruto posteriormente) seu posicionamento deveria ter sido o mesmo: rejeição à ordem contrária a que foi dada por Deus. Muitas vezes somos tentados pelo próprio diabo; outras vezes são pessoas usadas por ele que nos induzem (ou seduzem) a abandonar o que é certo e transgredir. Qual a diferença? Sinceramente, e se eu ou você estivesse no lugar de Adão, o que teríamos feito? E se fôssemos nós presentes lá, teria sido diferente?

      Graça e Paz do Senhor Jesus!!

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