compartilhar 1Desde que retornei ao facebook, tenho visto com frequência aquele tipo de postagem em que o autor escreve coisas como “Se você gostou, compartilhe”, “#Compartilhe”, “Se achou o animal escondido na foto, compartilhe”. Confesso que me soa bastante estranho isso, pois entendo que o gesto de se compartilhar algo que você considera abençoador ou edificante deve ser espontâneo, uma atitude voluntária de alguém que julga que vale a pena compartilhar determinada postagem do facebook. Compartilhar porque alguém mandou é mais ou menos como aqueles momentos constrangedores na igreja, em que quem está conduzindo o culto nos diz para virar para o lado e dizer a pessoas que não conhecemos frases como “eu te amo” ou algo do gênero. Confesso que o faço com certo embaraço, pois penso que demonstrações de amor e similares não têm valor algum se não forem espontâneas. Por isso, é incômodo quando alguém de certo modo “manda” que compartilhemos algo nas redes sociais. Pensar sobre isso me fez refletir sobre o ato de compartilhar como um todo, em diferentes âmbitos da vida.

Compartilhar faz parte da caminhada cristã. A expressão máxima da importância desse gesto encontramos na celebração da Ceia, quando compartilhamos o pão e o vinho. Muitos acham que a Ceia resume-se à ingestão desses elementos, mas não é verdade: a beleza do memorial do sacrifício de Cristo está no fato de que o fazemos em comunidade, no meio do grupo, o que demonstra um sentimento de coletividade, de corpo. Membros de um corpo precisam estar conectados, senão o que temos é uma aberração, um corpo desmembrado. Assim, a Ceia é muito mais do que ingerir pão e vinho: é fazê-lo de modo compartilhado.

compartilhar 2O evangelho nos manda compartilhar o tempo todo, mas sempre de modo voluntário. Jesus elogiou a senhora que compartilhou suas poucas moedinhas com o templo. A descrição da Igreja primitiva mostra como seus membros compartilhavam de coração tudo o que tinham: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham” (At 4.32). Quando Ananias e Safira mentem ao Espírito Santo no compartilhar daquilo que venderam, seu senso de “obrigação” é considerado pecado e acaba provocando a morte de ambos. Ao escrever aos cristãos de Roma, Paulo revela uma disposição voluntária de espírito ao dizer: “Anseio vê-los, a fim de compartilhar com vocês algum dom espiritual, para fortalecê-los” (Rm 1.11). Já aos crentes de Corinto, o apóstolo mostra-se esperançoso de que eles compartilhem de seu sentimento (repare que ele não impõe, mas anseia, o que demonstra que ele espera uma atitude espontânea): “Estava confiante em que todos vocês compartilhariam da minha alegria” (2Co 2.3). Mais do que tudo, compartilhar é um gesto de generosidade e, por definição, generosidade é algo que ocorre sem obrigações: “Por meio dessa prova de serviço ministerial, outros louvarão a Deus pela obediência que acompanha a confissão que vocês fazem do evangelho de Cristo e pela generosidade de vocês em compartilhar seus bens com eles e com todos os outros” (2Co 9.13).

Devemos compartilhar. O quê? Tudo o que for possível. Compartilhar nossos bens com os que têm menos, compartilhar nossas alegrias com quem conosco se alegra, compartilhar nossas tristezas em busca de consolo, compartilhar o evangelho por amor aos perdidos, compartilhar nosso tempo com quem precisa de nós, compartilhar nossos momentos com o Deus que gosta de conversar conosco, compartilhar esperança com os abatidos, compartilhar a paz que temos com os atribulados. Cristo compartilhou a vida eterna conosco, é importante lembrarmos. Mas tudo isso deve ter como única motivação um coração generoso e uma disposição voluntária. Eu ousaria parafrasear a famosa passagem de João 3.16-17 e apresentá-la de uma outra perspectiva, dizendo que Deus tanto amou o mundo que compartilhou com esse mesmo mundo seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus compartilhou seu Filho com o mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.

Perceba o que motiva Deus a compartilhar conosco o seu Filho: “tanto amou o mundo”. Amor. E amor não se impõe.

compartilhar 3Acho muito estranho mandar que alguém compartilhe algo, simplesmente porque, em essência, compartilhar implica em iniciativa própria. Por isso, por exemplo, nunca pedi a ninguém que compartilhasse no facebook o que posto. Tudo bem que criei minha página nessa rede social somente há poucas semanas, então deixe-me pegar este blog como exemplo. Desde que criei o APENAS, em maio de 2011, nunca pedi a nenhum leitor que compartilhasse com ninguém os textos que aqui escrevo. Embora haja ao final de cada post um botão de “compartilhar no Facebook” a postagem (inserido automaticamente pelo WordPress, não por mim), jamais solicitei a ninguém que o fizesse, tampouco pedi a nenhum assinante que enviasse por e-mail para os seus amigos os posts que recebem. Também nunca pedi a quem quer que fosse que se tornasse assinante do blog.

E há em meu coração uma razão clara para isso: desde o nascimento do APENAS, oro constantemente a Deus para que as reflexões que aqui compartilho por amor só sejam compartilhadas pelos leitores com seus amigos se for igualmente por amor a eles, mediante o toque do Espírito Santo. Jamais quero que seja algo imposto,  forçado ou solicitado. Se não fosse assim, minha escrita não seria feita por amor a você, que me lê; e o seu compartilhamento do que escrevo não seria feito por amor às pessoas que você deseja que leiam os textos. Abençoar não pode nunca ser uma decisão imposta. Abençoar é um gesto voluntário de amor. Por isso, se posso pedir algo é: por favor, jamais compartilhe qualquer post do APENAS pelo facebook, por e-mail ou pelo meio que for se você não tiver como motivação amor e desejo voluntário e sincero de abençoar.

cor 8Do mesmo modo, recomendo que você jamais compartilhe absolutamente nada por obrigação. Compartilhe sempre com um coração generoso – sejam sentimentos, sejam bens, sejam palavras, seja tempo, seja sua companhia, seja o que for. Pois esse é um princípio bíblico: “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria” (2Co 9.7). Devemos compartilhar alegres; jamais contrariados. E, nesse sentido, precisamos estar constantemente em sintonia com o Senhor, por meio de oração e do estudo das Escrituras. Pois, assim, teremos intimidade com ele e, naturalmente, a generosidade que Deus carrega em si se manifestará em nós e por meio de nós.

Compartilhe essa ideia. Se quiser, é claro, e não porque eu te disse para fazer isso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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comentários
  1. Luciano Silva disse:

    Maurício, grande e amado irmão!
    Como sempre suas mensagens sempre me causam impacto e me levam a uma reflexão necessária onde sempre me emociono com o grande amor de Deus expresso em suas palavras. Sou grato a Deus por te usar muito na minha vida e de tantas outras pessoas. Por esse motivo é que tanto anseio em encontrá-lo para deixar o meu abraço e carinho de muito obrigado a você.

    Que Deus continue te usando e abençoando ricamente.

    Grande abraço!

    • Querido Luciano,
      .
      fico grato a Deus por ele falar ao teu coração por meio das coisinhas que escrevo. Ele é bom! E se Deus quiser em janeiro estaremos juntos! Agradeço pela sua preciosa oração.
      .
      Grande abraço, na paz do nosso Deus,
      mz

  2. José disse:

    Que assim seja.
    😃

  3. Felipe Souza disse:

    A paz, irmão.

    Vou ser totalmente sincero com você rs, ontem me mandaram algo sobre o significado do Natal e eu achei um absurdo pq nao tem fundamentos biblicos. Logo após ler o texto que me repassaram, pensei: Vou perguntar pro Zágari. E hoje seu post é sobre “compartilhar” coisas no facebook rs

    Mandaram exatamente isso pra mim:

    O espírito maligno oculto na decoração de natal. Meus filhos em Cristo Tomem cuidado! O significado do pinheiro e decoração de natal, é um espírito de opressão e tristeza que está camuflado, escondido atrás da tradição romana que se infiltrou na igreja evangélica, e que precisamos expulsar em nome de Jesus. Por isso quando da 00h fica um clima de angústia e tristeza, o que muitos dizem sentir saudade de determinadas pessoas. E a comemoração do natal é culto aos deuses da babilônia, e a decoração é altar para esses deuses.

    Eu sei que a data do nascimento de Jesus Cristo é uma incógnita, pois a biblia so fala que ele não nasceu no inverno, entao nao foi em Dezembro. Lucas 1 fala que foi comemorado o nascimento de Cristo por Anjos, Pastores e etc. Particularmente comemoro o nascimento do salvador do mundo independente da data e não essas teorias que compartilham no facebook.

    Você sabe se tem fundamento bíblico isso que me mandaram?

    Fique na paz! abraços!

    • Felipe,
      .
      esqueça essas bobagens, mano, há tantas coisas tão importantes em nossa fé que deixamos de lado para ficar prestando atenção a essas coisas menores! Muitos se prendem a essas filigranas mas não se lembram de amor, perdão, graça, cuidado com o próximo, caridade, restauração, intimidade com Deus, fruto do Espírito e tantos temas mais que estão no centro da fé e não na periferia. Celebremos JESUS no Natal e deixemos para lá as churumelas que circulam ao redor da festa. Jesus em tudo, sempre. Sejamos cristocêntricos em tudo o que fazemos e não fará a menor diferença se Jesus nasceu no inverno ou no verão. Ok?
      .
      Grande e carinhoso abraço, no amor daquele que encarnou por nós,
      mz

  4. Renan Bressamini disse:

    Amado, qual a sua opinião sobre a igreja utilizar o karatê como uma forma de “evangelismo”, para atrair jovens oferecendo-lhes aulas dentro do próprio lugar de culto (templo) em horários que não há cerimônia? Zágari, pergunto à você pois lhe acho um homem muito centrado na palavra de Deus e essas minhas dúvidas são reais. Sobre esse assunto, existem momentos que acho ser viável, pois estaremos disponibilizando a prática de um esporte para o bairro, mas da mesma forma acho que karatê não combina com evangelho e também acho inviável a prática dele dentro do local que Jesus chamou de Casa de Oração, estaria desviando o propósito do local. Qual a sua opinião sobre esse assunto? Me ajude por favor.

    • Renan, olá,
      .
      não tenho nada contra utilizar o espaço do templo para isso. Deus habita em nós, o santuário é apenas um local de reunião. Podemos usá-lo para jantares, encontros, palestras, festas infantis… não vejo problema, não enxergo isso como uma “dessacralização” ou coisa parecida. O local de oração é qualquer lugar onde haja um filho de Deus conversando com o Pai.
      .
      Contra o caratê, não conheço sua filosofia, mas, por princípio, sou contra todo tipo de violência. Se é uma prática que incita a violência, creio que devemos evitar.
      .
      Abraço fraterno, na paz de Deus,
      mz

  5. Olá, Maurício. Essa leitura nos remete a outra reflexão feita por você aqui, no Apenas. Aquela intitulada ” Deus manda, o Diabo obedece”, em que você colocou que o entre Deus e o Diabo há uma relação de subordinação. O Diabo não faz nada além daquilo que lhe é permitido por Deus, ou seja, ele obedece, mas porque não há outra maneira para ele. Isso significa que sempre que ele obedece, é por obrigação.
    Lendo este post fiquei imaginando que se fazemos também por obrigação, estamos sendo semelhantes ao Diabo.
    Além disso há também este versículo que coaduna com sua reflexão: “Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” Salmos 51, 12.
    Portanto, entendo que esse “espírito voluntário” vem de Deus, como o Espírito Santo. Mas enquanto eu ainda não o tenho, não é natural que eu me sinta obrigada a cumprir certos mandamentos de Deus? A praticar algumas ações que sei que agradariam a Deus, mas eu que eu não praticaria com alegria, mas por me sentir obrigada a fazê-lo?
    Fiquei confusa!

    • Oi, Amanda,
      .
      não sei se compreendi bem a sua dúvida, mas, se compreendi, eu diria que, a partir do momento em quer relaciono com Deus motivado pelo amor que sinto por ele, seus mandamentos não me são mais pesados. É como um marido que carrega compras pesadas para sua esposa não porque é obrigado, mas porque a ama e abre mão de si por ela, pelo amor que sente por ela. A obrigação deixa de ser penosa quando a motivação é superior. Espero que me tenha feito entender.
      .
      Abraço featerno, na paz de Cristo,
      mz

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