natal 1Que título  estranho tem este post. Existe mesmo um “modo bíblico de escolher os presentes que daremos de Natal”? A meu ver, sim. Mas, antes de ir direto ao ponto, deixe-me contar como cheguei a essa conclusão. No final de outubro, fui almoçar no shopping Rio Sul e fiquei impressionado: já havia uma gigantesca árvore de Natal montada no vão central do prédio, que ia do chão ao teto, cercada por montes de robozinhos animados, renas, esquilos, vegetação de plástico, muitas luzes piscantes e bolas coloridas. Não havia dúvida: o Natal estava chegando. Bem… mais ou menos, né? Afinal, ainda era outubro e faltavam dois meses para à época de festas. Mas o comércio já tinha decidido: estava dada a largada para a temporada de compras de presentes. Eu me senti inclinado a escrever um texto falando mal do consumismo, da exploração materialista e das deturpações que a sociedade faz da celebração do nascimento de nosso Senhor. Mas pensei um pouco e lembrei que anualmente batemos nessa tecla, sem que nada mude: cristãos e não cristãos continuam gastando uma fortuna em compras natalinas. Então resolvi compartilhar outra reflexão: já que vamos dar presentes de qualquer maneira, o melhor é pensar como decidir que presentes dar.

O hábito de se presentear no Natal tem influências  variadas, dependendo do lugar do mundo em que se está. Mas a origem vem do relato bíblico dos magos que presentearam Jesus com ouro, incenso e mirra. Se formos pensar por esse ângulo, fugirmos da sanha consumista e tratarmos a troca de presentes como algo que remete ao nascimento de Cristo, de modo que não tire o foco das verdadeiras razões da celebração, não vejo mal nessa prática. E como devemos fazê-lo? Aqui segue uma sugestão.

natal 2Penso que não devemos entregar os presentes na noite de Natal. Esquisito? Acredite, é totalmente possível fazê-lo um ou mais dias antes ou depois. Com isso, removemos a ideia de que festas natalinas têm a ver com consumismo – em especial no ensino das nossas crianças. Se fizermos assim, elas não crescerão associando Natal a presentes e à figura do Papai Noel, mas também não ficarão de fora do hábito da cultura em que vivem e poderão receber preciosas lições sobre a alegria que é dar. Isto é fundamental: cada presente deve sempre vir acompanhado de instrução e lições de vida. Dependendo da forma como tratarmos esse hábito, ele será visto e compreendido de modo mais cristão ou menos cristão pelos nossos filhos e as demais pessoas. A noite de Natal deve ser momento de orações, de louvores e da comunhão que celebra o nascimento de Jesus (seja num culto, seja numa ceia em família ou entre amigos). O foco não pode estar nos presentes. Tampouco na comida. Muito menos na festa: o foco do Natal é a encarnação do Verbo e tudo deve ser feito com isso em mente. A celebração do Natal deve ser inquestionavelmente cristocêntrica.

E, finalmente, chegamos ao ponto: há algum tipo de pensamento bíblico que devemos ter quanto ao que comprar para dar de presente a nossos amigos e parentes? Sim, há. Se vamos presentear alguém, deve ser por amor a ela; e gestos de amor contêm em si essencialmente a preocupação com o que é melhor para o outro. Em outras palavras, entendo que você não deve presentear alguém com algo de que ela goste, como costumamos fazer. O presente ideal e mais bíblico possível é, isto sim, algo de que a pessoa precisa.

natal 3Repare: Deus não entregou Jesus ao mundo de presente porque gostássemos dele. Pelo contrário, Jesus foi presenteado a uma humanidade que estava morta em seus delitos e pecados e, por isso, amava os prazeres e a maldade. Mas era uma humanidade que precisava desesperadamente do Cordeiro de Deus, que viesse para o que cada ser humano mais precisa: o perdão dos pecados. Assim, o Pai não nos presenteou com algo que satisfizesse nossas concupiscências ou nossos desejos carnais: ele nos deu aquilo que ele sabia que nos faria bem.

Na hora de escolher os presentes que você vai comprar para determinada pessoa, imite o Pai: não pense “o que será que ela vai gostar de ganhar?”, mas, sim, “o que será que ela precisa ganhar?”. Se você tiver esse pensamento em mente, estará presenteando como o Pai nos presenteou. E fará do ato de dar presentes algo muito mais cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

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comentários
  1. Jose disse:

    A paz do Senhor Jesus seja contigo.

    Interessante.
    Assemelhou-se algo que tenho feito em minha vida. E até gerou mais empatia.

    Uma coisa que você citou e que aos poucos eu tenho começado a “ceder”, é não ignorar a cultura pessoal, ainda que possa a não estar em harmonia com a cultura cristã, e com a minha.

    Um exemplo.
    Tenho um filho de 4 anos, que quer tudo o que ver no Discorery Kids ou lojas de brinquedos. Desde que tive o meu primeiro filho (tenho 6), que eu sempre quis demonstrar a eles que presentes não precisavam estar associados, necessariamente, a datas festivas. E ao presentear tanto um como outro, deixado isso claro.

    No inicio cometi exageros, confesso, como ignorar por completo datas como meu aniversario, dias dos pais, das mães, crianças e final de ano. Toda vez que eu dava um presente (e sempre gostei de dar muitos, e foi ai que voce chamou a minha atenção), era numa data qualquer, em um dia qualquer da semana. Eles ja estavam acostumados, mas a cultura dos parentes da avó materna eram o gargalo. E eles achavam interessantes de como os tios e primos gritavam, pulavam e xingavam… diante da televisão ou campos de futebol. Eu tinha que filtrar tudo isso… e como era penoso, e mal quisto pelos parentes.

    Também ignorei por completo que “toda criança adora futebol”, e por isso incentivei meu filho a gostar de basquete (fui jogador pela minha escola quando adolescente – impus a minha cultura…), tanto que meu filho apreciou o basquete ate meados da sua adolescência. Depois declinou para o basquete… e alterava, ora um, ora outro.

    Voltando ao filho caçula, tive este mesmo “problema”, pois na escolinha dele, so incentivam… o futebol. Conversei com o diretor, que argumentou que é um esporte de massa, e todos os pais gostavam do… futebol. Nesse ano de copa do mundo, no mural da escolinha, todos os filhos deveriam levar um cartaz com time pessoal do pai e da seleção brasileira. O espaço destinado ao meu… ficou vazio.

    Eu ficava refletindo como que certas culturas coletivas eram empurradas goelas abaixo das pessoas, e de como temos dificuldades de optar por outros esportes, pois é uma questão de procura e oferta, e por querer outras modalidades, são sempre muito onerosas. Quando se tem condições financeiras, ok, mas quando não, meu caso, era complicado.

    Em casa, montei um cesta de basquete, para que ele conseguisse fazer as enterradas. Mas volta e meia ele pegava a bola, chutava e gritava… gooooool. Nao teve jeito, tive que ceder e comprar uma bola de futebol (pois a de basquete Wilson estava tendo um destino contrario ao que foi fabricada, rs).

    Como seres humanos, vivemos em sociedade, e se voce destoar da maioria, sempre haverá oposição, preconceito e ate perseguição. Um dia desses, num blog de tecnologia que assino, o moderador criticou alguns colegas por serem contra a ação de uma empresa que, na visão dele, não poderia “ceder” por causa de uma minoria. Mas, algumas semanas antes, esse mesmo moderador, dizia que “minoria” tem o direito de ser respeitada. Isso porque, nesse ultimo ponto de vista, o assunto era a “bola da vez no Brasil”.

    Escolher presente por amor, por consideração, é muito bom. O que acaba exigindo mais tempo da gente pois não pegamos aleatoriamente nas gondolas. E o melhor, é ver quando a pessoa fica agradecida, dizendo: “nossa, era o que eu… precisava”. Nao teve um presente que eu tenha dado aos meus filhos que eles não tenha usufruído por anos. À minha mãe, ao meu pai, o mesmo.
    E sempre, sempre, fora das datas festivas. Ainda que, em algumas delas, como as de grandes vultos, na data retrograda eu tenha mencionado que ja estava antecipando tal dia… claro, por causa da cultura, e eles não se sentissem excluídos.

    Então, é muito válida a sus reflexão, e incentivo aos nossos irmãos, a pensarem assim. Com certeza o “impacto é mais positivo”.

    Quero pedir o seu perdão por tê-lo em alguns posts anteriores, pois refletindo (e acatando o que voce mencionou no ultimo), o APENAS é um blog para reflexão e não um forum de discussões.

    Achei muito sabia sua forma de “revidar” e por isso sempre o tenho em mente como um amigo e irmão, no amor de Cristo, que nos une.

    Abraço fraterno,
    Jose.

    • Olá, José,
      .
      não tem o que perdoar, mano, dúvidas surgem e divergências de ideias tambem. Fique em paz quanto a isso.
      .
      Boa sua experiência, pois ratifica como temos de nos adaptar de modo positivo e bíblico à água do aquário cultural em que estamos inseridos.
      .
      Abraço afetuoso, no amor de Deus,
      mz

  2. Jacy. disse:

    Você está corretíssimo, tento passar esta verdade para o meu filho: que o Cristo é o Centro do Natal, e sempre será.

    Paz, querido mano!

  3. Ediná disse:

    Boa noite, meu irmão.
    “Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” I Coríntios 10:31.
    Você tem toda razão quando diz que devemos presentear as pessoas com o que elas realmente precisam.
    As pessoas em geral são carentes de atenção. Vale também presenteá-las com nosso tempo como por exemplo, procurar saber como estão passando, ajudar no que for possível, visitar, ouvir, ler a Bíblia para elas, orar com elas, dentre outras coisas.

    Obrigada pelo incentivo!

    Abraço!

  4. Dayana disse:

    Olá Mauricio, como sempre, uma ótima reflexão. Gostei muito da mudança de foco na intenção do presente, fazendo assim estamos refletindo a vontade e visão de Deus sobre nossos filhos. No entanto, aproveitando o assunto, compartilho que meu natal é comemorado no dia nove de dezembro, dia da minha entrega a Jesus, dia em que Ele nasceu pra mim, dia em que Deus me deu o que realmente necessitava, ou seja, meu natal particular, entre mim e Ele 🙂 , e espero poder fincar isso no coração de meus filhos, sei que é algo a ser trabalhado devido a influencia comercial dessa época, mas, é essa a nossa função como pais, fazer tudo para que a gloria de Deus seja manifestada à nossos filhos. Abraço!

    • Oi, Dayana,
      .
      que bela iniciativa, gostei muito da sua ideia. Certamente seus filhos receberão uma ótima licao a partir dessa mudança de paradigma.
      .
      Abraço carinhoso, no amor que nos une,
      mz

  5. Fabio Cardoso disse:

    Oi Maurício !

    Realmente, você dar o vigésimo aparelho celular, porque já foi usado por alguns meses e se tornou obsoleto, virou uma doença, uma paranoia social em que muitos estão encabrestados.

    Isso ocorre com sapatos, roupas, carros, etc

    Vamos sair da casca e nos aprofundar espiritualmente.

    Maurício, mandou bem ! Abraço !

  6. Edna Mayo disse:

    Gostei muito da sua ideia Mauricio, como sempre, voce tem muitas coisas para nos ensinar. A cada postagem sua tenho uma licao para aprender. Que pena que minha filha ja esta grande para que eu possa ensinar isto a ela. Deus te abencoe hoje e sempre irmao.

  7. lucas disse:

    Natal é festa pagã ao deus sol como cristãos verdadeiros não devemos comemorar natal, em nenhum momento Jesus pediu que comemorasse seu nascimento mas sim a ceia do senhor relembrando sua morte e ressurreição. Por que não vemos na bíblia os cristãos primitivos comemorar essa data ? nada de presentes ou festas no natal pois não é uma festa cristã !

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