solidao1O rosto é sorridente. O aperto de mão, amigável. Quando lhe perguntam como está, a resposta é sempre “tudo bem”. Da hora em que chega à igreja até o momento em que se despede, todos acreditam que sua vida é repleta de felicidade. Mas, por trás de toda essa aparência, esconde-se uma pessoa extremamente solitária. Não deveria ser assim, mas a dura realidade é que nossas igrejas estão cheias de irmãos e irmãs que se encaixam nessa descrição, e que, embora escondam e não demonstrem, são muitos solitários. São cristãos, vivem em comunidade, vão aos cultos e cantam louvores, mas, na verdade, sentem-se sozinhos. Os laços com os demais são superficiais e frágeis e eles percebem que, na hora em que precisam de um ombro sincero, não o encontram. Por vezes, chegam a derramar lágrimas escondido. Poucas pessoas lhes telefonam, por isso se sentem como se ninguém estivesse nem aí para si. Olham a vida dos demais e acabam com a sensação de que todos são felizes e têm muitos amigos, menos eles próprios – o que os deprime. Apesar disso, por mais que se esforcem por ser amáveis e gentis na igreja, poucos demonstram interesse real por sua vida. Qual deve ser nosso papel junto a quem se vê nessa situação? Será que há algo que você possa fazer pelos milhares de solitários que transitam entre nós mas não demonstram, tocando a vida em meio à multidão mas tendo a solidão como companheira mais fiel? Qual é o remédio para a solidão?

Como cristãos, é importante prestarmos atenção a quem sofre, pois, sendo nós membros do Corpo de Cristo, temos o dever fraterno de zelar uns pelos outros, de acolher, amar, cuidar. Quando o pé sofre um corte, não é ele próprio que se aplica remédios, é a mão. Quando a panturrilha sente cãibras, é o pé que se alonga para aliviá-la, com a ajuda da mão, sendo que as costas se vergam para que a mão alcance o pé. O corte no dedo é levado à boca. E quando os músculos e tendões doem é dos olhos que descem as lágrimas.  Como integrantes de um todo, devemos cuidar dos irmãos. Mas que remédio podemos dar a eles?

solidão2Para conseguir auxiliar pessoas adoentadas pela solidão, quem não sofre desse mal precisa, antes de tudo, compreender que solidão não tem a ver com a quantidade de pessoas que te cercam, mas, sim, com a quantidade de pessoas que se preocupam com você. Muitas vezes descobrimos que alguém se sente solitário e nos perguntamos como pode, afinal, ele se relaciona com tanta gente! Chegamos a pensar que é frescura ou necessidade de atenção, pois não compreendemos que não basta ter pessoas em volta. O solitário não é um ermitão, é alguém que, embora viva em comunidade, não tem laços fortes de ligação com ninguém. Ele não sente falta de mais eventos na igreja, mas de alguém lhe diga: “Que saudade, liguei só para saber como você está”.

O solitário geralmente tem a percepção de que, se partisse desta vida, não faria muita falta. Pode até ser uma percepção equivocada, mas não é por ser uma visão distorcida que deixa de ser algo que o machuque. Muitos que olham de fora acham que o problema é culpa do próprio solitário, afinal, por que ele não se enturma? Por que ele não corre atrás? Basta se aproximar das pessoas! Bem, na verdade, correr atrás dos outros não satisfaz a solidão, pois não demonstra um real interesse do próximo. O solitário se sente desimportante na vida dos irmãos e vive uma real necessidade de ser amado e querido. Algo que ele não quer impor, pois precisa que ocorra espontaneamente. Correr atrás das pessoas não é o remédio para a solidão.

Como Igreja, precisamos estar constantemente atentos para os solitários que nos cercam. Devemos identificá-los e amá-los sem hipocrisia. A única forma de fazermos isso é saindo de nossa zona de conforto e indo até eles para buscar conhecê-los em profundidade, descobrir quem eles são e, a partir daí, criar vínculos verdadeiros. Não devemos amar os solitários como um gesto de caridade, “com pena” ou por “obrigação cristã”: precisamos buscar conhecê-los para criar laços verdadeiros de afeto mútuo e passar a amá-los de verdade. Temos de criar as circunstâncias para que eles de fato nos façam falta. Amizades não são apenas aquelas que a vida nos joga no colo, são também as que nos mexemos para construir. Mas, para o solitário, esse movimento partir dele não é um remédio muito eficaz, ele deseja ver interesse que parta das outras pessoas.

solidão3É bastante difícil para alguém que tem muitos amigos sinceros e vive numa atmosfera de amizade perene compreender a solidão. Quem vive imerso em amor não capta com facilidade a intensidade da dor que o solitário sente. O que fazer? Buscar em Deus a resposta. Em sua glória celestial, o Deus que é amor jamais sentiu solidão. Acompanhado, de eternidade a eternidade, pela Trindade santa, o Criador se basta a si mesmo e se complementa, vivendo numa unidade plural e singular que faz de si um ser pleno e absolutamente destituído de carência. No entanto, dos altos céus ele olhou para a humanidade solitária, despida da plenitude de Deus, e desceu à terra, fazendo-se solitário como os solitários, para nos devolver a capacidade de comungar para sempre com aquele que nunca nos deixará sós. E, ao fazer-se como um se nós, o Filho experimentou o gosto da solidão: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46), gemeu o Senhor agonizante. Por que Jesus decidiu vivenciar a dor dos solitários? Amor. Puro amor.

Meu irmão, minha irmã, há muitos solitários nas nossas igrejas. Peço a Deus que encha o seu coração do amor que é fruto do Espírito, para que você sinta em si a dor dos solitários e faça algo para cuidar de quem precisa urgentemente de calor humano. É aproximando-se de Deus que você terá discernimento para identificar as vítimas da solidão, frutificará em amor pelos tais e partirá em seu socorro com interesse genuíno. Ao fazê-lo, você estará permitindo que Deus o use para transformar a vida de tantos que precisam desse amor.

Afinal, já entendeu qual é o remédio para a solidão do seu irmão? Se você disse “Deus”… lamento, errou. Deus é o médico que aplica o remédio.  O remédio… é você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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comentários
  1. José disse:

    A pazz de Deus.

    Passei vários dias para recuperar me do atentado… Enviei um SMS ao pastor pedindo oração.
    Passadas três semanas depois eu pensei que talvez ele nao tivesse recebido. Semi refeito, fui a igreja, tentar achar sentido a vida…

    O pasto ao final do culto me cumprimentou e disse: deu um susto na gente heim, mas já está melhor né!

    Três dias de UTI, mais três de internação, e o cara na teoria do boi pra mim…
    Amor uns pelos outros, Maurício?
    Só de Deus.

    Quem se importa?!😳
    Alguns, uma minoria, eu sei…

    Sim, o que mais ouço é que é frescura, falta de fé, de jejuar, etc. Toda baboseira que os auto suficientes gostam de proferir.

    Sim, somente por puro amor alguém pode importar-se.
    José.

    • José, olá,
      .
      que triste ouvir isso, mano. Lamento profundamente saber que há uma comunidade de fé em que o pastor não demonstra real preocupação com suas ovelhas e os irmãos não se integram com sinceridade de coração. Lembro-me de quando eu mesmo fiquei internado em um CTI e todos os meus pastores foram me visitar, que alegria foi. Entendo perfeitamente a dor de estar num leito e me comovo de imaginar passar por isso sem o afeto do próximo. Peço a Deus que mostre a essas pessoas onde falharam e também oro ao Senhor que essa experiência não deixe um gosto amargo no teu coração, mas, isto sim, te motive a agir com os que hoje sofrem da maneira que você gostaria de ter sido tratado.
      .
      Sabe, José, quanto mais eu deparo com o desamor dos homens mais me sinto impulsionado a agir de modo diferente, transbordando amor por onde eu passar. Creio que essa é a consequência do aprendizado. Que nunca nos revoltemos pela falha alheia, mas que aprendamos com ela, para nunca reproduzir o mal que nos fizeram.
      .
      Espero que você esteja plenamente recuperado é que nunca mais tenha de passar pelo que passou. Celebre a vida, mano, apesar das dores. Que a tua trajetória seja repleta de significado e que você descubra modos de compreender como tua vida é importante.
      .
      Um abraço, na graça daquele que jamais nos abandona,
      mz

  2. Nadia Malta disse:

    Bom demais! Conseguiu traduzir anseios, fez a leitura do que não é dito com palavras. Você tem razão, a igreja não precisa de mais eventos. O ativismo eclesiástico nos tem distanciado das pessoas e roubado a capacidade de observar os que estão sozinhos ao nosso redor! Senhor, que os nossos olhos vejam e os nossos braços acolham! Deus te abençoe meu irmão!

    • Amém, Nádia, que desfrutemos dos bons eventos nas igrejas sem deixar de nos ocupar com os relacionamentos que existem fora deles. Equilíbrio, sempre, que tenha como motivação o amor.
      .
      Abraço pra ti, na paz de Deus,
      mz

  3. Iara Souza disse:

    Um texto que nos ensina a ser “corpo”.
    Você é uma bênção, meu irmão!
    Que Deus continue te instruindo.
    Um abraço!
    Fica na paz!

    • Oi, Iara, tudo joia?
      .
      Tributo a glória a Deus, de quem vem toda boa dádiva e todo dom perfeito. Obrigado pelo carinho de suas palavras com este vaso de barro.
      .
      Abraço carinhoso, no amor de Cristo,
      mz

  4. Beth disse:

    Olá Maurício!! Excelente texto. É exatamente isso e assim que acontece nas igrejas. O maior problema é como identificar tais pessoas. Só orando à Deus para Ele mostrar e se colocar a disposição Dele para ser o “remédio”. Deus te abençôe !!! Senti vontade de orar para Deus me mostrar tais pessoas… até por que sou uma delas. Lindo texto.

    • Oi, Beth,
      .
      penso que só há duas formas de identificar as vítimas da solidão: aproximando-se delas e buscando em Deus o discernimento espiritual que nos mostre as tais. O fato de você se apresentar como alguém que sofre com a solidão te dá uma vantagem: você sabe como dói e sabe também do que um solitário precisa. Que isso te motive e impulsione a sair em busca dos solitários para que, nessa comunhão, possam – você e eles – saciar a fome de amor e calor humano de que tanto precisamos. Oro a Deus que as carências de tua alma sejam saciadas, minha irmã, e que Deus envie amigos verdadeiros para você.
      .
      Um abraço carinhoso, no amor daquele que nunca nos abandona,
      mz

  5. Mateus disse:

    Maurício, digo que hoje não compreendemos mais o significado do termo “irmão”. Falamos meio que por costume “irmão fulano, irmã ciclana”, e esquecemos o que isso realmente significa. Digo que no século I, pelo fato de os cristãos apenas se reunirem em casas (como vemos nas epístolas), a Igreja tinha mais a noção do que era ser “família espiritual”. As pessoas compartilhavam da vida uma das outras. “Alegrem-se com quem se alegra, chorem com os que choram. Comuniquem com os santos nas suas necessidades. Sigam a hospitalidade”, foi o que Paulo escreveu em Romanos 12. Hoje, cada um vai ao templo aos domingos, assiste ao culto, louva, e depois cada um vai pra sua casa. Não podemos generalizar, mas esse tipo de atitude é o que acontece muito conosco. Pensamos que “ir à Igreja” é como simplesmente ir a uma palestra, depois cada um se despede e vai pra sua casa, sem compartilhar a vida do outro. Que venhamos a nos lembrar que “irmão” é uma pessoa do nosso mesmo sangue, com quem devemos nos alegrar, chorar, consolar, ajudar em todos os aspectos. Que aprendamos a seguir as palavras do apóstolo João que disse:

    “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.” – 1 João 3:16

    • Oi, Mateus,
      .
      excelente reflexão, mano, isso é um fato, realmente essa despersonalização da fé acontece sim. Que vivamos a fraternidade como ela deve ser.
      .
      Abraço forte, na paz de Jesus,
      mz

  6. Priscila disse:

    Glória a Deus!
    Dias atrás, tive uma longa conversa com uma paciente que havia acabado de receber o diagnóstico de uma doença auto-imune e degenerativa e já se encontrava na cadeira de rodas. Ela me descreveu, com detalhes, a dor de ter a doença, como ela foi se agravando. Me contou, exatamente, como foi abandonada pelos familiares, pelos amigos, pelo marido e pelas pessoas mais próximas. No momento, o que pude fazer foi, em meio as minhas lágrimas, dar uma palavra de consolo, acerca do amor de Deus, que sempre a amou. Ela me agradeceu! Disse ter sentido uma paz, no consultório, ao ponto de não ter chorado (como costuma ocorrer, ao contar sua história). Mas havia muito mais a ser dito! Um turbilhão daquelas informações passaram na minha cabeça como um filme, como se tivessem ocorrido comigo. E senti revolta! Indignação! :/ Sinto-me despreparada a ajudar! Cada palavra do seu texto me leva a este fato, e a parte do “amá-los sem hipocrisia, sem pena ou por obrigação” foi a que mais me tocou! Sem pena! Por amor, apenas! Quero ter isso em mente, a próxima vez que eu ver aquela irmã.
    Deus falou comigo em cada vírgula desse post. Eu não sei como agradecer! Que Deus continue te usando, poderosamente, Maurício!

    • Oi, Priscila,
      .
      que bom que o texto te tocou e, melhor ainda, que você veja essa necessidade tão grande de amar os que precisam do teu amor. Não há muito aprender sobre como agir, se você se guiar pela máxima “fazer ao próximo o que gostaria que fizessem a você” conseguirá exercer o amor com naturalidade. Que o Senhor te ilumine e transborde teu coração em amor.
      .
      Abraço carinhoso, no amor do nosso Deus,
      mz

  7. Flavia disse:

    Exatamente isso…

  8. Neia Cunha disse:

    Bom dia Mano ,
    Somos remedio e quase nunca ajudamos alguem , na verdade colocamos a culpa neles nos solitarios achamos que e falta de Deus pq Deus e amor ou pq eles se isolam não procura por amizades.
    Uma bela reflexao esse texto, nós estamos tão ocupados com nos mesmos com nossos interesses que achamos que o solitario e que tem que vir ate nós e não ao contrario , ate cantamos a cancaos somos corpos assim bem ajustados totalmente ligados …..quase sempre fica so na cançao pq a realidade e cruel que Deus nos de graça e discernimento para cuidar do que realmente e prioridade de quem realmente precisa do nosso amor , carinho e atençao .
    Muito obrigado por comprtilhar algo tao sincero e de extrema necessidade , que o Senhor continue te usando como instrumento você e uma bencao meu irmao.
    Uma semana cheia do amor e cuidados do nosso Deus para voce e sua familia .
    Neia 😃

    • Oi, Neia,
      .
      obrigado por suas palavras tão carinhosas. De fato, é preciso sair do imobilismo e partir em busca de quem necessita de nós. Que serventia tem um remédio que não sai da prateleira da farmácia, não é?
      .
      Deus te abençoe muito, com graça e paz,
      mz

  9. Lina disse:

    Linda reflexão.
    Que o Senhor nos ensine sensibilidade uns para com os outros.
    Sim o amor de Deus é o remédio, mas somos nós os Seus embaixadores desse amor, não é?
    Um cafezinho com bolo junto com alguém, aquece e adoça o corpo e o coracão.

    Em Cristo

    • Isso aí, Lina. Creio que nós somos o remédio que traduz o amor de Deus. É a nossa aproximação que vai sarar corações solitários.
      .
      Abraço fraterno, no amor de Cristo,
      mz

  10. Marcia disse:

    Como uma pessoa tímida que sou, muitas vezes sinto na pele a tal da solidão, porque como não tenho costume de ir atrás das pessoas, elas também não me procuram, com a desculpa que “eu preciso me enturmar mais”. Mas procuro olhar pra Aquele que me ama independente da minha timidez. Como sempre, sábias palavras suas, me fazem começar a semana com uma boa reflexão, Deus falando comigo em cada linha do seu post.
    Deus abençoe sempre, abraços no amor de Jesus.

    • Oi, Marcia,
      .
      me alegro que o texto falou ao teu coração. Creio que o que ocorre com você é um fenômeno bem comum: a atribuição a quem sofre da culpa pelo sofrimento. Enquanto pensarmos assim, terceirizaremos sempre o que cabe a nós naquilo que se refere ao amor ao próximo.
      .
      Peço a Deus que ponha pessoas sinceras e amorosas no teu caminho, mana. Um abraço carinhoso, no amor do nosso Pai,
      mz

  11. Fabio Cardoso disse:

    Olá Maurício !

    Ponto muito importante e oportuno, pois hoje muitas igrejas visam o crescimento em membros. E quanto maior a igreja menos acolhedora ela fica.

    Congreguei numa igreja que crescia em 200 a 300 pessoas/ano. E sentia muita solidão lá e percebia que era difícil também para os novos, pois seu modelo descambou para a teologia da prosperidade. Hoje, congrego numa igreja bem menor, mas muito mais unida em seus relacionamentos.

    Reuniões de pequenos grupos (8 a 15 pessoas) fortalecem as relações, mas nem todos prs aprovam, muitos inclusive proíbem, lamentável.

    Maurício, Abraço !

    • Olá, Fábio,
      .
      fico feliz que você viva um evangelho relacional, em relacionamentos com Deus e com os irmãos. Comunhão intima é um excelente antídoto contra a solidão.
      .
      Abraço pra ti, no amor de Deus,
      mz

  12. MARCELO CORREIA DA SILVA disse:

    E verdade Mauricio vc parece que vasculhou minha vida,não tem uma palavra que vc escreveu neste texto que seja equivocada.

    • Oi, Marcelo,
      .
      fico triste que você esteja passando por isso, meu irmão. Peço a Deus que ponha em teu caminho pessoas que te amem e acolham é que você consiga desfrutar do real sentido da comunhão entre irmãos. Te abraço em solidariedade, na esperança de que esse quadro mude o mais rápido possível.
      .
      Um abraço fraterno, no amor de Deus,
      mz

  13. Daniele disse:

    Estou passando por isso há 03 anos desde que me converti. Meus amigos ímpios já não são tão próximos assim, e hoje me vejo só.
    Congrego numa igreja de uns 40 membros, onde é cada um por si e aqui estou eu, solitária.
    Esse final de semana foi um dos piores pra mim, foi ruim demais. Pior que não posso fazer nada, só orar pra que Deus me dê bons amigos.

    • Oi, Daniele,
      .
      você não sabe como isso me entristece. Lentavelmente, em muitas igrejas há esse distanciamento entre os membros. Às vezes as pessoas passam anos ali e não fazem amizades reais, que vão além dos sorrisos formais. Oro que Deus te faça encontrar amigos verdadeiros, remédios amorosos para tua dor.
      .
      Um abraço carinhoso, no amor de Cristo,
      mz

  14. Luiz Fernando disse:

    Poxa Maurício, você disse tudo o que estava sentindo por esses meses. Triste ver o desamor dos irmãos que se dizem seguidores de Cristo. Acredito que Jesus ainda possa ensina-los que ser usado por Deus não é ter dons espirituais. Ser usado por Deus é exercer o amor sem fingimento, se preocupar, chorar junto, consolar, fazer com que a pessoa se sinta importante. Isto é bem mais precioso para Deus. Com certeza é uma motivação à fé do próximo. As vezes não é profecia, ou um show de maravilhas espirituais, que precisamos. As vezes, só nos basta uma palavra de afeto e amor. Um abraço é uma cura para uma alma solitária. Difícil, meu irmão. Vivemos dias muito difíceis, onde pessoas estão sendo feridas no lugar onde eram para serem saradas. Isto vem da liderança. Falta-nos aprender a amar como Cristo nos amou. Afinal isto é um mandamento, e, só seremos reconhecidos como discípulos de Cristo se praticarmos o que nosso Mestre praticou: o amor.
    Me sinto muito só. Sinto-me num deserto. E nada é mais doloroso do que o desdém daqueles que eu espero amor. Mas, pela graça oro para que Jesus me envie amigos/irmãos verdadeiros.

    Que Deus possa te abençoa, meu irmão. Que a cada dia Ele possa ampliar mais e mais a tua visão em relação a natureza de Cristo. Oro por ti. Pois quero ver em todos o que, Deus, tem feito em teu caracter. De coração.
    Fernando

    • Oi, Luiz,
      .
      de fato é muito triste. O foco da abordagem de muitas igrejas acaba gerando essas anomalias e valoriza-se aspectos menores em detrimento dos essenciais. Penso que, aqueles que identificamos esse problema, podemos contribuir com nossas atitudes individuais. Se começarmos por nós mesmos, quem sabe não conseguimos tocar outros, não é? Me solidarizo com tua solidão, querido, e entendo essa dor, acredite.
      .
      Muito obrigado pela tão bela oração, fico grato, careço muito.
      .
      Oro por ti, meu irmão. Que o Senhor te envie amigos reais e que você possa, a despeito de tudo, ser o melhor amigo do mundo àqueles que não se aproximam. Abraço, na paz de Deus,
      mz

  15. hericson mendes disse:

    Deus é o medico que aplica o remedio;e quem é o remedio? o remedio sou eu,é você; somos nòs perfeito!!!

  16. Há pouco mais de doze anos, irmão Maurício, logo quando fui morar sozinha, enquanto eu participava de uma oração na madrugada em minha congregação, nosso Senhor visitou meu pastor e ministrou sobre mim uma grande bênção que tem me acompanhado incondicionalmente a cada segundo. Eis um trecho da profecia: “Tenho visto tua solidão e tristeza, mas coloco meu Espírito dentro de ti de maneira tal, que jamais você se sentirá sozinha outra vez.” E, de fato, desde então, eu jamais me senti vazia, sozinha, infeliz como antes.

    Contudo, em se tratando de pessoas, confesso que chorei no meu período de almoço hoje, enquanto lia esse excelente e expressivo texto que você – inspirado por Deus, certamente – escreveu. Senti-me descrita em detalhes por suas palavras, porque, verdadeiramente, faço parte desse grupo de pessoas solitárias (de outras pessoas). A solidão, contudo, não me incomoda por causa da grande presença de Deus, mas não posso negar que, muitas vezes, sinto-me solitária acerca de pessoas…

    Fico feliz, porém, porque a graça de Deus tem sido tamanha em minha vida, a ponto de mesmo eu sendo uma solitária, não tenho sido indiferente à solidão de outras pessoas com quem posso me comunicar. E tenho evitado fazer com elas o que muitas outras têm feito comigo. Certa forma, isso me fortalece e anima, mesmo com a ausência de todos, e me torna cada vez mais íntima e dependente de Deus que, verdadeiramente, tem suprido todas as minhas necessidades.

    Se me acomodei nessa minha condição, honestamente, não sei. Só sei que tenho tentado ser feliz, embora todas as desventuras e provações a que tenho sido submetida. De tudo tenho tirado uma conclusão certa: Solidão não é estar longe de pessoas, mas, na verdade, tem muito mais a ver com multidões.

    Deixo meus cumprimentos por mais essa admirável composição, obviamente, honrando e glorificando ao Deus que te inspira e usa como instrumento da Sua graça – derramada como preciosos textos – sobre nós.

    Solicito sua permissão para republicar essa mensagem no meu blog, onde também escrevo mensagens bíblicas que têm brotado em meu coração, há dez anos…

    Por fim, desejo uma semana cheia da infinita luz e bondade de nosso Deus sobre sua vida e família.

    Abraço, no amor de Cristo, que destrona a solidão em nós.

    • Oi, Elaine,
      .
      louvo a Deus por ele preenchê-la de forma tão bela e plena. Essa presença, é certo, é que tem feito você sair ao encontro dos solitários – e louvo ao Senhor por sua disposição em fazer isso, uma das mais cristãs atitudes que há.
      .
      Muito obrigado pelas palavras carinhosas e pela oração. Sim, fique à vontade para reblogar o post. Que abençoe muito teus leitores.
      .
      Abraço fraterno, que a graça de Deus se multiplique em sua vida,
      mz

  17. Ediná disse:

    Mauricio, você tocou na ferida. Como sabe tão bem o que se passa no íntimo de uma pessoa solitária? É exatamente como me sinto, e isso desde que me entendo por gente.
    Ano passado concluí meu curso superior e não consegui fazer uma amizade sequer na Universidade. Na hora do intervalo eu chegava a ficar com vergonha por não ter me enturmado e passava a maior parte do tempo no banheiro esperando a hora do reinício da aula.
    Sou evangélica há quinze anos e graças a Deus, agora, há nove meses, passei a congregar na Igreja de Cristo e tenho notado que os irmãos dessa igreja são excelentes pessoas, muito amigos.
    Tenho sete irmãos de sangue e somente os vejo quando vou procurá-los.
    Sou casada há 26 anos, tenho uma filha de 23 e um filho de 25 anos. Graças a Deus, meus filhos me amam, se preocupam comigo, sentem minha falta. Abaixo de Deus são a alegria da minha vida.
    Comento todos os seus posts, pois apesar de não te conhecer encontrei em você não somente um irmão em Cristo, mas uma pessoa que considero meu amigo. Assim, oro sempre por você.

    Deus te abençoe e te guarde!!!

    • Olá, Ediná,
      .
      fico triste que você se sinta dessa forma e peço a Deus que ponha amigos sinceros e próximos em sua vida, para que possam ocupar os espaços vazios do teu coração. Que bom que você encontrou pessoas amáveis na nova igreja, quem sabe dentre eles não brotem aqueles que são mais chegados que irmãos?
      .
      Muito obrigado pelo carinho de suas palavras, você é muito gentil. E obrigado, também, pelas tão importantes orações. São valiosas.
      .
      Um abraço fraterno, no amor do nosso Deus,
      mz

  18. Oi Maurício! Graça e paz!
    Fiz um comentário antes de ontem (15/09/2014) mas não o vi publicado! Acho q talvez não foi!

  19. Fabiano disse:

    Falou tudo, Maurício.
    Sei muito bem o que é isto, e meio que já me acostumei a ser sozinho, apesar de não gostar.
    A gente chega uma hora que joga a toalha, reconhece que tem dificuldade em fazer amizades e nem tentamos mais nos aproximar dos outros, porque não adianta, não conseguimos, e assim acabamos nos fechando mais ainda.
    A ideia de peregrinação nos vem sempre à mente, porque não fazemos parte deste mundo, nenhum lugar aqui é nosso lar, e a ideia da morte não traz tristeza, mas alívio. E o alívio não é tanto por morar com Cristo, mas por sair daqui na esperança de ir pra um lugar que nos faz sentir parte dele.

    Abraço!

    • Oi, Fabiano,
      .
      penso que talvez o melhor não seja jogar a toalha, mas crer que o Senhor nos concederá boas amizades, assim como ele faz com as boas dádivas. Certamente o porvir nos garante o fim da solidão e devemos desfrutar da espera da melhor forma que pudermos. Fica firme, mano. Não desanime.
      .
      Grande abraço, no amor do nosso melhor amigo,
      mz

  20. Tiara P disse:

    Irmão, foi impossível ler sua postagem sem chorar, pois você descreveu de maneira exata tudo o que eu sinto. Eu imagino que é muito fácil pra alguém rodeado de amigos ficar julgando uma pessoa solitária como eu, mas como você mesmo disse nós queremos que as pessoas enxerguem o que nós sentimos sem precisar que a gente fale o que sente. Sinceramente, eu só vou à igreja porque meu alvo é Cristo porque se fosse pelo amor dos irmãos eu não congregaria mais. É muito difícil chegar na igreja e sentir que não faço a mínima diferença no meio dos irmãos, doí muito ver tantas pessoas se cumprimentando, se abraçando e eu sentada no fundo como se fosse invisível. Eu não sei porque me sinto assim, mas eu sou dessas que pensa que se partisse pra eternidade não faria falta alguma. Os irmãos não imaginam o quanto dói quando o dirigente do culto diz: abrace o seu irmão, ou olhe para o seu irmão do lado e diga o quanto é importante e todos se abraçarem e eu ficar sobrando, e por este motivo eu detesto quando pedem para fazermos isto, não sei qual a necessidade. Se eu disser que alguns não me cumprimentam eu estaria mentindo, mas é algo que não me satisfaz porque as pessoas dão a paz e depois se vão e eu queria que elas parassem pra conversar. Eu creio que uma parte é preconceito contra minha pessoa, por eu ser uma cristã underground e as pessoas me acharem estranha, infelizmente elas só olham a aparência exterior sem se dar conta da pessoa maravilhosa que pode estar dentro de mim. Acredite que não é fácil estar escrevendo isso de uma forma pública mas em meio a lágrimas eu precisava desabafar. Agradeço a Deus por usar irmãos como você para alertarem a igreja sobre a necessidade de pessoas como eu, mas acho difícil que elas deem ouvidos, porque elas simplesmente não se importam. A paz de Cristo.

    • Olá, Tiara,
      .
      fico extremamente triste por saber disso. Lamentavelmente, essa é uma realidade humana e, como cristãos são humanos, acabam reproduzindo na igreja um comportamento que não deveria fazer parte dela. Se por um lado me alegro por você ter a maturidade de entender que a vida eclesiástica tem a ver com Cristo como alvo, por outro fico constrangido por os irmãos não exercerem a comunhão como ela deveria ser.
      .
      Não diga que se partisse para a eternidade não faria falta alguma, tenha certeza de que você é valiosa e importante. Como você disse, uma pessoa maravilhosa, que precisa ser descoberta. Não entendi exatamente o que significa você ser uma cristã “underground”, mas, de qualquer modo, deveria ser acolhida e amada no meio em que está.
      .
      Se me permite, eu gostaria de te dar uma recomendação. Eu te aconselharia a procurar seu pastor e a marcar um gabinete pastoral. Converse com ele, exponha o que você acabou de me dizer, derrame seu coração. Tenho certeza que, sendo ele um homem de Deus, tomará providências para que você se insira mais no contexto social da igreja e, assim, possa conhecer e se fazer conhecida. Não sei sua idade, mas, se for jovem ou adolescente, o líder desses grupos pode ajudar muito nesse sentido. Talvez a solução esteja em você não esperar que venham até você, mas você ir ao encontro deles, para que essa barreira seja derrubada e você consiga se fazer ver pelos irmãos. Desse modo, você os conquistará e sua solidão, aos poucos, será vencida.
      .
      Oro por ti, mana, na esperança de que você consiga vencer essa dificuldade. Um abraço fraterno e carinhoso,
      mz
      facebook.com/mauriciozagariescritor

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